“Acho que alcançamos a AGI”, afirma Jensen Huang, CEO da Nvidia

O debate sobre quando a inteligência artificial alcançará ou superará a inteligência humana ganhou uma resposta definitiva (e polêmica) de um dos homens mais influentes da tecnologia. Durante participação no podcast de Lex Fridman nesta segunda-feira (23), Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou categoricamente: “Acho que já alcançamos a AGI“.

A sigla AGI refere-se à inteligência artificial geral, um conceito ainda vagamente definido que descreve sistemas capazes de realizar qualquer tarefa intelectual humana. Para Fridman, o benchmark é específico: um sistema que consiga iniciar, crescer e gerir uma empresa de tecnologia de US$ 1 bilhão. Ao ser questionado se isso levaria 5 ou 20 anos, Huang respondeu: “Acho que é agora”.

O sucesso dos agentes e o “OpenClaw”

Para fundamentar sua visão, segundo o The Verge, Huang apontou para o sucesso viral do OpenClaw, uma plataforma de código aberto para agentes de IA. Ele destacou como as pessoas estão usando esses agentes para criar influenciadores digitais, gerir aplicações sociais e até cuidar de “Tamagotchis” modernos, transformando ideias em sucessos instantâneos.

No entanto, o executivo ponderou sobre a efemeridade de algumas dessas aplicações, notando que muitos usuários abandonam as ferramentas após alguns meses de uso.

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Apesar da declaração bombástica, Huang deu um leve passo atrás ao final da conversa. Ao ser confrontado com a possibilidade de a IA substituir completamente a liderança humana em larga escala, ele foi realista: “As chances de 100 mil desses agentes construírem a Nvidia são de zero por cento”.

A fala ocorre em um momento em que outros líderes do setor tentam se distanciar do termo “AGI” por considerá-lo saturado de hype, preferindo termos mais técnicos e limitados. Ainda assim, para o CEO da gigante dos chips, o marco que todos esperavam já está entre nós.

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Alibaba aposta em IA que age sozinha para empresas

A Alibaba acaba de entrar de cabeça na disputa mundial por inteligência artificial (IA) agêntica. A divisão de comércio internacional da empresa chinesa lançou o Accio Work, plataforma que promete executar sozinha operações comerciais complexas para pequenas e médias empresas.

O que diferencia essa nova ferramenta? Ela funciona como uma “força-tarefa de IA” que não precisa de programação ou configurações complicadas. É só conectar e usar.

O timing não é coincidência. A China vive um verdadeiro boom de IA agêntica desde que a OpenClaw surgiu no mercado. A ferramenta virou febre entre consumidores de todas as idades, que aderiram ao que chamam de “lobster raising” (uma referência ao símbolo da lagosta usado pela plataforma).

Alibaba: foco nas empresas

  • Enquanto os chineses se divertem com suas “lagostas digitais”, a Alibaba mirou em outro público: o corporativo;
  • Kuo Zhang, vice-presidente internacional da empresa, deixa claro o posicionamento: “Nós nos distinguimos por sermos uma ferramenta B2B especializada em vez de uma plataforma generalista”, explicou Zhang à Reuters;
  • A empresa também estabeleceu limites claros de segurança. Qualquer operação que envolva transações financeiras, pagamentos ou acesso a arquivos privados precisa de autorização explícita do usuário;
  • Essa abordagem cautelosa faz sentido quando você considera os riscos. Zhang vê perigo no uso indiscriminado de modelos generalistas para tarefas empresariais específicas.

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Alibaba mirou em outro público: o corporativo (Imagem: Shutterstock)

Não é a primeira investida em IA agêntica

O Accio Work chegou apenas uma semana depois de outra divisão da Alibaba apresentar o Wukong. Essa plataforma também trabalha com IA agêntica, mas coordena múltiplos agentes para realizar tarefas, como edição de documentos, atualização de planilhas, transcrição de reuniões e pesquisas.

A empresa também anunciou recentemente uma reorganização significativa: separou seus negócios de IA do braço de computação em nuvem. O novo grupo, chamado Alibaba Token Hub, fica sob comando do CEO Eddie Wu.

Essa mudança estrutural revela muito sobre as intenções da gigante chinesa. O foco agora está em assistentes digitais que consomem muito mais tokens — unidades de dados que alimentam esses sistemas — do que os chatbots tradicionais de perguntas e respostas.

O dilema entre automação e controle

Para Zhang, o segredo está no equilíbrio. A empresa aposta em modelos especializados que combinam automação com camadas de aprovação humana. “Acreditamos que o maior risco está no uso de modelos horizontais e generalistas para tarefas comerciais verticais“, afirmou o executivo.

Essa estratégia permite que as empresas aproveitem os benefícios de uma força de trabalho autônoma sem os riscos associados à IA sem restrições.

O movimento da Alibaba acontece em um momento crucial para o mercado de IA agêntica. Empresas ao redor do mundo correm para desenvolver sistemas que não apenas respondem perguntas, mas executam tarefas complexas de forma independente.

Com essa dupla de lançamentos em uma semana, a Alibaba deixa claro que não quer ficar para trás nessa corrida tecnológica. A aposta é alta: transformar como as empresas trabalham, uma tarefa automatizada de cada vez.

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OpenAI negocia compra de energia com startup de fusão nuclear

A OpenAI pode estar em negociações para firmar um acordo de fornecimento de energia com a Helion, startup de fusão nuclear que também conta com apoio de Sam Altman. As conversas ainda estão em estágio inicial e foram reportadas pelo Axios.

Pelos termos discutidos, a OpenAI poderia garantir 12,5% da produção de energia da Helion, o equivalente a cinco gigawatts até 2030 e 50 gigawatts até 2035. Até o momento, a empresa não respondeu a pedidos de comentário sobre o possível acordo.

Microsoft já fechou acordo similar

Esta não seria a primeira parceria da Helion com uma grande empresa de tecnologia. Em 2023, a Microsoft, parceira da OpenAI, assinou um contrato para comprar energia da startup a partir de 2028.

O movimento indica o interesse de grandes companhias em projetos de fusão nuclear, ainda que a tecnologia esteja em desenvolvimento e não tenha aplicação comercial consolidada.

Microsoft já fechou acordo similar com a Helion (Imagem: Tang Yan Song / Shutterstock.com)

A escala necessária para cumprir as metas

Se os números reportados estiverem corretos, a Helion precisará ampliar rapidamente sua capacidade de produção. A empresa afirma que cada reator será capaz de gerar 50 megawatts de eletricidade.

Para atingir os volumes previstos, seria necessário construir cerca de 800 reatores até 2030 e outros 7.200 até 2035, o que representa um desafio significativo de engenharia e infraestrutura.

A corrida contra o tempo da fusão nuclear

A Helion está trabalhando para desenvolver seu primeiro reator em escala comercial dentro desse cronograma. Caso consiga, a empresa pode avançar à frente de concorrentes, que em sua maioria projetam operações comerciais apenas para o início da década de 2030.

No ano passado, a startup levantou US$ 425 milhões em investimentos, com participação de Sam Altman e de fundos como Mithril, Lightspeed e SoftBank.

Sam Altman sorrindo em frente letreiro onde está escrito OpenAI
Sam Altman, CEO da OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT (Imagem: Photo Agency / Shutterstock.com)

Uma abordagem diferente para fusão

Enquanto a maior parte das startups do setor aposta em capturar o calor das reações de fusão para gerar eletricidade via turbinas a vapor, a Helion segue um caminho distinto. A empresa desenvolve um sistema que utiliza campos magnéticos para converter diretamente a energia da fusão em eletricidade.

Esse modelo elimina etapas intermediárias do processo tradicional e é parte central da proposta tecnológica da companhia.

Como funciona o reator da Helion

No interior do reator, que tem formato semelhante a uma ampulheta, o combustível de fusão é transformado em plasma em duas extremidades. Esses plasmas são então lançados um contra o outro por meio de campos magnéticos.

Quando se encontram no centro, um novo conjunto de ímãs comprime a massa resultante até que a fusão ocorra. A reação empurra de volta contra os ímãs, permitindo a conversão direta dessa energia em eletricidade.

Resultados recentes com o protótipo

A Helion opera atualmente o protótipo Polaris enquanto avança rumo à aplicação comercial. Em fevereiro, a empresa conseguiu gerar plasmas que atingiram 150 milhões de graus Celsius dentro do reator.

Segundo a própria companhia, o nível necessário para operações comerciais é de cerca de 200 milhões de graus Celsius, indicando que o projeto ainda está em fase de desenvolvimento.

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Altman se afasta das negociações

Apesar de estar ligado às duas empresas, Sam Altman teria se afastado das discussões e deixado o cargo de presidente do conselho da Helion, evitando possíveis conflitos de interesse.

Movimento semelhante ocorreu anteriormente com a Oklo, startup de reatores nucleares modulares que se fundiu à empresa de aquisição AltC. Na ocasião, Caroline Cochran, cofundadora e diretora de operações da Oklo, afirmou à CNBC que a decisão permitiria explorar parcerias estratégicas com empresas de IA, incluindo potencialmente a própria OpenAI.

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IA ajuda tutores a reencontrar pets perdidos nos EUA

A inteligência artificial (IA) tem sido usada para ajudar tutores a localizar animais desaparecidos, com casos recentes mostrando reencontros em diferentes regiões dos Estados Unidos. A tecnologia compara fotos enviadas pelos donos com imagens de animais encontrados em abrigos ou registrados online, facilitando a identificação mesmo após mudanças na aparência.

Os relatos foram reunidos por uma reportagem do Washington Post, destacando histórias de tutores que conseguiram recuperar seus pets após dias ou até meses de busca. A iniciativa envolve bancos de dados alimentados por organizações de bem-estar animal e o uso de algoritmos que analisam características físicas específicas dos animais.

IA identifica estrutura facial dos pets, assim como padrões de palagem e formato de orelhas para localizar animais perdidos (Imagem: Reddogs / Shutterstock.com)

Como funciona a busca com IA

O sistema funciona a partir do envio de fotos dos pets desaparecidos para plataformas digitais. A IA analisa traços como estrutura facial, padrão da pelagem e formato das orelhas, cruzando essas informações com milhares de imagens disponíveis em redes sociais e em cerca de 3 mil abrigos e centros de resgate.

Mesmo quando os animais estão sujos ou com aparência diferente após viverem nas ruas, o sistema consegue identificar semelhanças. Segundo a organização Petco Love, responsável pela plataforma Petco Love Lost, mais de 200 mil reencontros entre animais e tutores foram registrados desde 2021.

Julie Castle, CEO da Best Friends Animal Society, afirmou que a tecnologia não substitui o uso de microchips, mas amplia as chances de localização. Segundo ela, “essa é uma das áreas em que a IA realmente traz ganhos e pode mudar o jogo na reunião de pets com seus donos”.

Casos de reencontro chamam atenção

Entre os exemplos está o de Sweetie, uma cadela desaparecida por quase dois meses na Califórnia. A tutora, Ivelis Alday, recebeu um e-mail com a correspondência feita pela IA e reconheceu o animal imediatamente. O reencontro ocorreu após a identificação em um abrigo.

Outro caso envolve Sandy, uma cadela que desapareceu durante uma tempestade. Sem microchip, ela foi localizada 33 dias depois em um centro de resgate em San Antonio, após a IA identificar padrões únicos, como marcas na língua.

Já a gata Lucy foi encontrada em menos de 12 horas em Ohio. O animal havia se escondido no capô de um carro e foi levado a outro local sem que o motorista percebesse. A correspondência gerada pelo sistema permitiu que a família a recuperasse no mesmo dia.

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Tecnologia complementa métodos tradicionais

A busca por animais desaparecidos já contava com ferramentas como microchips, redes sociais, coleiras com GPS e câmeras térmicas. A chegada da inteligência artificial amplia esse conjunto de soluções, especialmente em cenários em que não há identificação eletrônica.

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IA se soma a outras ferramentas tecnológicas para encontrar animais perdidos, como microchips, coleiras GPS, câmeras térmicas e, é claro, as próprias redes sociais (Imagem: DimaBerlin / Shutterstock.com)

Em um dos casos, a cadela Millie foi localizada cerca de 15 horas após fugir em Manhattan, mesmo sem o microchip devidamente registrado. A IA cruzou a imagem com um registro feito em uma clínica veterinária em outro estado, permitindo o reencontro.

Segundo responsáveis por abrigos, muitos dos animais resgatados ainda não possuem microchip, o que reforça o papel complementar da tecnologia. Em alguns casos, a IA foi decisiva para que os animais tivessem qualquer chance de voltar para casa.

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China pressiona liderança dos EUA em IA com modelos abertos

Um relatório publicado nesta segunda-feira (23) por um órgão consultivo do Congresso dos Estados Unidos aponta que a dominância da China em inteligência artificial (IA) de código aberto está criando uma vantagem competitiva crescente frente a rivais norte-americanos. O documento afirma que, mesmo com restrições de acesso a chips avançados, o país asiático tem conseguido avançar rapidamente no setor.

Segundo o texto, esse movimento é impulsionado principalmente pelo menor custo dos modelos chineses e pela ampla adoção global. Empresas como Alibaba, Moonshot e MiniMax aparecem entre as responsáveis por liderar rankings de uso em plataformas como HuggingFace e OpenRouter.

Empresas como a Alibaba impulsionam a dominância chinesa em IA de código aberto (Imagem: rafapress / Shutterstock.com)

Ecossistema aberto acelera desenvolvimento

O relatório destaca que a estratégia chinesa de integrar a inteligência artificial em setores como manufatura, logística e robótica tem gerado grandes volumes de dados do mundo real. Essas informações são usadas para aprimorar continuamente os modelos, criando um ciclo de evolução tecnológica.

De acordo com a Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, esse ecossistema aberto permite que a China inove próxima da fronteira tecnológica, mesmo enfrentando limitações de capacidade computacional. O documento também afirma que laboratórios chineses reduziram a diferença de desempenho em relação aos principais modelos ocidentais.

Enquanto isso, os Estados Unidos têm investido bilhões por meio de empresas como OpenAI e Anthropic, além de gigantes tradicionais de tecnologia. Ainda assim, o relatório alerta que a posição do país pode estar sob pressão devido à expansão dos modelos abertos chineses.

Adoção global e avanço em novos campos

Estimativas citadas indicam que cerca de 80% das startups de IA nos Estados Unidos já utilizam modelos abertos desenvolvidos na China. Um dos exemplos mencionados é o modelo R1, da DeepSeek, que superou o ChatGPT como o mais baixado na App Store dos EUA após seu lançamento no ano passado.

Outro destaque é a família de modelos Qwen, da Alibaba, que ultrapassou o Llama, da Meta, em downloads globais acumulados, segundo dados da HuggingFace.

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A família de modelos Qwen é destaque, ultrapassando o Llama, da Meta, em downloads globais acumulados (Imagem: jackpress / Shutterstock.com)

O relatório também aponta uma mudança no foco da inteligência artificial, que vai além dos modelos de linguagem para incluir a chamada IA incorporada (embodied AI). Nesse campo, que envolve robôs humanoides, direção autônoma e outras aplicações físicas, a China pode ter vantagem devido à sua capacidade de coletar e utilizar dados em larga escala.

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Disputa tecnológica e preocupações

Michael Kuiken, vice-presidente da comissão, afirmou que existe uma diferença de implementação entre os dois países na área de IA incorporada, o que pode se ampliar ao longo do tempo. Segundo ele, esse efeito acumulativo já começa a aparecer.

O governo chinês classificou essa área como estratégica, e diversas empresas de robótica humanoide no país planejam abrir capital ainda este ano.

Apesar de alertas de organizações ocidentais sobre possíveis riscos de segurança e viés político em modelos chineses, empresas continuam adotando essas tecnologias. O CEO da Siemens, Roland Busch, afirmou que não vê desvantagens no uso de IA aberta chinesa para treinar modelos industriais, destacando custo reduzido e facilidade de personalização.

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O efeito Porsche 930 da IA: por que o impacto ainda não apareceu e está prestes a explodir

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Você está ali, pé cravado no acelerador. Nada. Um pouco mais. Ainda nada. Por um segundo, você acha que exageraram. Que o mito não é real. E é exatamente nesse instante que o mundo muda. Não é uma aceleração. É uma ruptura. O turbo entra de uma vez — cheio, bruto, sem aviso. O carro […]

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Por que a IA é a arma secreta do Spotify para reter assinantes

As plataformas de streaming de música têm conduzido seus usuários para a era da inteligência artificial (IA) com um histórico de sucesso ainda discreto. No entanto, conforme informações reportadas pela CNBC, gigantes como Apple, Amazon e Spotify estão acelerando seus investimentos em ferramentas de recomendação. Para o Spotify, o foco está em transformar a descoberta musical em uma experiência conversacional e profundamente personalizada.

Recentemente, o Spotify lançou uma integração direta com o ChatGPT, da OpenAI. A novidade permite que os assinantes conectem suas contas ao chatbot para solicitar músicas, artistas ou podcasts baseados em humores, gêneros ou temas específicos. Diferente do clássico “curtir/não curtir”, o formato de chat permite uma especificidade muito maior, criando trilhas sonoras que se moldam ao contexto de uma conversa ou momento de vida.

Especialistas apontam que esses investimentos são cruciais para que a empresa continue competitiva. Como os catálogos de quase todos os aplicativos são virtualmente idênticos, o que diferencia uma plataforma de outra não é mais o que ela oferece, mas como ela ajuda o usuário a encontrar o que ouvir.

A ofensiva das gigantes: Apple e Amazon

A concorrência não está parada. A Apple tem implementado camadas de IA no Apple Music de forma gradual. O recurso “Playlist Playground”, ainda em fase beta, é o que mais se aproxima da estratégia do Spotify, focando na interação via chat para ajustar recomendações. Além disso, a empresa introduziu o AutoMix, que utiliza aprendizado de máquina para analisar batidas e tempos, criando transições perfeitas entre as faixas, e ferramentas de tradução e pronúncia de letras em tempo real.

Já a Amazon Music lançou, em meados de 2024, o Maestro. A ferramenta permite a criação de playlists por meio de comandos de texto ou até mesmo emojis. Embora ainda esteja em fase de testes, o recurso demonstra que o setor caminha para um modelo onde o usuário “escreve” sua própria experiência sonora.

Interface do Maestro, ferramenta da Amazon Music que usa IA para criar playlists via prompts. (Imagem: Amazon/Reprodução)

iDJ: O fenômeno de engajamento do Spotify

Um dos pilares dessa estratégia de retenção é o iDJ. Introduzido em 2023, o recurso interativo já alcançou a marca de 90 milhões de assinantes, com usuários acumulando mais de 4 bilhões de horas de uso na plataforma. O sucesso da ferramenta é visto pela liderança da empresa como uma prova de que a personalização gera “fidelidade”.

Em entrevista para CNBC, o co-CEO do Spotify, afirmou:

Se o iDJ funciona como uma interface casual para conversar com a plataforma, o novo recurso de “Playlists por Comandos” (Prompted Playlists) é o modo de “pesquisa profunda”. “Ele permite que você descreva e defina regras para suas próprias listas, literalmente escrevendo seu próprio algoritmo”, afirmou o executivo em teleconferência com investidores.

Alex Norström, co-CEO do Spotify.

Jovem de costas com fones mexendo no app Spotify em um celular.
IA pode tornar spotify cada vez mais atrativo para usuários (Imagem: wichayada suwanachun/Shutterstock)

O custo de mudar de plataforma

Analistas do mercado, como Michael Pachter, da Wedbush Securities, comparam a estratégia do Spotify à do Google. Ao integrar-se a mais de 2.000 tipos de dispositivos e treinar algoritmos com o histórico de anos dos usuários, o Spotify cria uma barreira de saída.

Embora serviços como o Apple Music ofereçam ferramentas para exportar bibliotecas, o “custo” de abandonar um algoritmo que já conhece seus gostos e hábitos é alto. “O Spotify está tentando estabelecer o mesmo nível de necessidade que o Google Search”, diz Pachter à CNBC. Para Wall Street, embora o preço das ações tenha oscilado recentemente, a capacidade da empresa de usar a IA para fortalecer sua plataforma, em vez de ser engolida por ela, parece ser o caminho para a sobrevivência no saturado mercado de streaming.

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Milhares de pessoas estão vendendo seus dados para treinar IAs

O boom da inteligência artificial tem gerado uma grande procura por dados. Essas informações são fundamentais no processo de treinamentos das IAs, o que permite que essas tecnologias se tornem cada vez mais avançadas.

Desde gravações de voz até conversas privadas, essa nova economia digital promete dinheiro rápido, com milhares de pessoas aceitando vender seus dados. No entanto, esconde alguns riscos que muitos descobrem tarde demais.

A corrida global pelos dados

Conforme a ‘fome’ do Vale do Silício por informações supera o que pode ser coletado gratuitamente na internet aberta, surgiu toda uma indústria para preencher essa lacuna. As plataformas se multiplicaram rapidamente, oferecendo alguns centavos por cada conversa, por exemplo.

Bouke Klein Teeselink, professor de economia no King’s College London, prevê que o treinamento de IA como trabalho temporário se tornará uma categoria substancialmente maior nos próximos anos. As empresas sabem que pagar pessoas para licenciar seus dados ajuda a evitar disputas de direitos autorais que poderiam enfrentar dependendo exclusivamente de conteúdo extraído da web.

Os modelos de linguagem de IA, como ChatGPT e Gemini, demandam quantidades enormes de material de aprendizado para se aperfeiçoar. O problema é que as fontes de treinamento mais utilizadas – como C4, RefinedWeb e Dolma, que representam um quarto dos conjuntos de dados de mais alta qualidade na web – agora restringem o uso de suas informações para o treinamento das ferramentas.

Dados humanos são fundamentais para aperfeiçoar sistemas de IA (Imagem: Anggalih Prasetya/Shutterstock)

Pesquisadores estimam que as empresas de IA não terão mais de onde tirar dados ainda em 2026. Alguns laboratórios tentaram alimentar seus sistemas com dados sintéticos que a própria inteligência artificial gera, mas esse processo pode levar os modelos a produzir conteúdos cheios de erros.

Veniamin Veselovsky, pesquisador de IA, explica que as empresas precisam de dados de alta qualidade para modelar comportamentos novos e aprimorados em seus sistemas. “Dados humanos, por enquanto, são o padrão ouro para amostrar fora da distribuição do modelo”, afirma.

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Os riscos ocultos do negócio

  • Se, por um lado, vender dados para a IA pode garantir uma grana extra, por outro, há uma série de riscos invisíveis.
  • Isso acontece porque os usuários aceitam abrir mão daquelas informações.
  • Dessa forma, uma gravação de voz de 20 minutos poderia servir como base para a criação de uma obra digital, por exemplo, sem que o dono dos dados receba um centavo a mais por isso.
  • Devido à falta de transparência nesses mercados, o rosto de um usuário poderia acabar em um banco de dados de reconhecimento facial ou em um anúncio do outro lado do mundo.
  • E não há nada que a pessoa possa fazer legalmente para reverter a situação.
  • As informações são do The Guardian.

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Co-fundador da Super Micro é acusado de ajudar China a obter chips da Nvidia

Co-fundador da Super Micro, Wally Liaw, de 71 anos, está no foco de uma investigação que pode abalar o mercado global de inteligência artificial. Promotores dos Estados Unidos acusam o executivo de ter ajudado clientes chineses a violar as leis de controle de exportação da Casa Branca.

O caso coloca a empresa, líder global em tecnologia de servidores de alto desempenho, no centro da guerra tecnológica entre EUA e China. As duas potências correm para desenvolver as ferramentas de IA mais avançadas do mundo, e os chips da Nvidia são considerados peças fundamentais nessa disputa.

A celebração que virou pesadelo

Na conferência anual de tecnologia da Nvidia, realizada nesta semana, Liaw estava ao lado do CEO da Super Micro quando cumprimentou Jensen Huang, chefe-executivo da gigante dos chips. A empresa chegou a postar no X (antigo Twitter) uma foto do aperto de mãos, destacando a parceria.

Dois dias depois, Liaw foi preso. As acusações envolvem exatamente o produto que estava sendo celebrado na conferência — servidores da Super Micro equipados com processadores de IA de alta performance da Nvidia.

A Super Micro é uma das principais fabricantes de servidores do mundo, especialmente aqueles otimizados para rodar aplicações de inteligência artificial. Seus produtos combinam hardware de diferentes fornecedores, incluindo os cobiçados chips H100 e H200 da Nvidia, considerados essenciais para treinar modelos de linguagem como o ChatGPT.

EUA e China disputam a hegemonia tecnológica global (Imagem: Knight00730/Shutterstock)

Um histórico de problemas

Esta não é a primeira vez que Liaw enfrenta questões legais relacionadas à sua empresa. Ele retornou à Super Micro após um escândalo contábil que abalou a companhia anos atrás. Na época, a empresa enfrentou investigações por práticas contábeis questionáveis.

Agora, aos 71 anos, o executivo é acusado de um crime muito mais grave: supostamente ajudar a China a contornar as restrições norte-americanas sobre tecnologia sensível. As acusações federais sugerem que ele orquestrou um esquema para exportar ilegalmente servidores contendo os chips mais avançados da Nvidia.

A Super Micro viu suas ações despencarem mais de 33% após a notícia, refletindo a preocupação dos investidores sobre o impacto do caso no futuro da empresa.

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Caso coloca em dúvida o futuro da Super Micro (Imagem: CryptoFX/Shutterstock)

A batalha pelos chips de IA

  • Os processadores da Nvidia estão no centro de uma corrida global por supremacia em inteligência artificial.
  • Os chips H100 e H200, especificamente, são considerados os mais poderosos disponíveis para treinar modelos de IA em larga escala.
  • Empresas de tecnologia ao redor do mundo competem ferozmente para conseguir esses componentes.
  • O governo dos EUA implementou restrições rigorosas sobre a exportação desses chips para a China, tentando impedir que o país rival acelere seu desenvolvimento em IA militar e de vigilância.
  • As regras proíbem a venda direta dos processadores mais avançados para empresas chinesas, forçando a empresa a criar versões menos potentes especificamente para o mercado do país asiático.
  • Segundo a acusação federal, Liaw teria facilitado a venda de US$ 2,5 bilhões em servidores equipados com chips da Nvidia para clientes da China.
  • A Super Micro, como integradora de sistemas, tem acesso privilegiado aos chips da gigante.
  • A empresa compra os processadores diretamente do fabricante e os instala em servidores customizados para diferentes aplicações.
  • Essa posição na cadeia de suprimentos poderia facilitar esquemas de desvio, caso confirmadas as acusações.

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O futuro chegou, mas veio de carro

A realidade dos carros voadores e autônomos versus o imaginário humanos.

Quando é que a gente pode oficialmente dizer: “chegamos no futuro”?

Porque, na minha cabeça — colonizada por Jetsons, Blade Runner e De Volta para o Futuro — a resposta sempre foi muito clara: quando tivermos carros voadores. Simples assim.

E aí você cresce, começa a frequentar o SXSW — esse festival no Texas que é um grande parque de diversões do “futuro iminente” — e passa mais de uma década ouvindo a mesma frase com pequenas variações: eVTOLs já existem, estarão disponíveis “daqui a uns 2 anos”.

Dois anos. Sempre dois anos.

O futuro dos carros tá mais atrasado que obra em cidade do interior — ou falta cimento, ou falta mão de obra. Ou falta bateria do eVTOL, ou legislação.

Só que… dessa vez chegou.

E não foi na palestra, não foi no PowerPoint. Não era só vídeo conceitual com aquela trilha sonora épica por trás.

Foi voando mesmo.

Não ouvi dizer — eu estava lá.

E era a pilota.

No chão: a simplicidade radical da autonomia total

A primeira quebra de expectativa nem veio do céu. Veio do asfalto mesmo.

Chamei um Uber para ir até o lugar do eVTOL — e veio um Waymo. Um carro autônomo. Um motorista invisível dirigindo é, ao mesmo tempo, futurista e estranhamente banal.

Sem bom dia, sem balinha, sem discussão sobre política e nem perguntando de onde você é e o que faz em Austin.

Você pede pelo próprio Uber. Às vezes, quando escolhe “elétrico”, ele simplesmente… aparece. E te cumprimenta:

“Boa tarde, Vanessa.”

Confesso que dei aquela olhada meio desconfiada — tipo quando o elevador fala com você pela primeira vez.

Respondi. Perguntei como ia o dia — mas ele não te escuta.

Ainda assim, o volante gira sozinho, o carro entra no trânsito caótico de Austin e… funciona perfeitamente.

Nenhum drama ou emoção — rola até um anticlímax.

Porque é isso: o futuro, quando funciona, é tipo 10 minutos de êxtase e vídeo… e depois você já tá fazendo outra coisa.

No ar: o voo que a lei ainda não permite ser livre

Ano passado, um dos destaques do SXSW foi a apresentação da Hexa, o carro voador da LIFT Aircraft.

Ok, não é um carro voador como o DeLorean, como minha criança interior esperava. Na prática, parece um drone gigante pilotado. E o nome técnico é eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical).

Os eVTOLs também têm sido prometidos em Austin há pelo menos uma década. As narrativas sempre envolveram promessas futuristas de viagens rápidas entre cidades por custos acessíveis, mas que nunca se concretizaram.

Lembro especificamente de um painel da Embraer com a Uber que me prometeu que, em 2026, estaríamos fazendo voos de eVTOL na distância Rio–SP como um Uber por 100 dólares.

Balela. Até agora.

Pela primeira vez disponível para uso público, o eVTOL da LIFT Aircraft, chamado HEXA, ofereceu uma experiência única: por 199 dólares, você pode pilotar a aeronave você mesmo. O processo é um misto de alta tecnologia e simplicidade de videogame.

Após um treinamento de uma hora, você se vê no comando de um joystick que controla subida, descida e direção. O HEXA é projetado para ser intuitivo. Mesmo eu, que confesso ter poucas habilidades com jogos eletrônicos (como meu marido reforça semanalmente), consegui pilotar com sucesso.

O contraste: autonomia na rua, “pilotagem” obrigatória no céu

Aqui reside a ironia mais fascinante da mobilidade atual.

Enquanto no Waymo (carro) a autonomia é total, no HEXA (eVTOL) a “pilotagem” humana é uma exigência legal, não técnica.

Existe um entrave jurídico que pode parecer absurdo: a legislação do Texas ainda não prevê carros voadores autônomos. A tecnologia da LIFT Aircraft permitiria que o HEXA fosse absolutamente autônomo, dispensando qualquer ação do passageiro.

No entanto, para operar legalmente, a aeronave foi desenhada para que o usuário precise estar “dirigindo” ativamente.

Os sistemas de segurança da aeronave só “pegam no volante” em casos de emergência, se o piloto não obedecer aos comandos de segurança ou tiver um problema de saúde. O controle autônomo está lá, mas o fato é que a lei exige uma pessoa no comando, criando uma “pilotagem maquiada” por pura necessidade burocrática.

Você dirige — mas, se não gostarem, assumem o controle.


O mercado atual e o caminho pela frente

Este contraste entre o Waymo e o HEXA ilustra perfeitamente onde estamos:

A tecnologia está pronta: tanto a condução autônoma em ruas quanto o voo elétrico vertical e autônomo já são realidades técnicas viáveis e seguras.

O ecossistema está em construção: a transição para um futuro de mobilidade aérea urbana comercialmente viável — e não apenas “por diversão” — vai demorar. Como observei em Austin, não adianta ter o carro voador; precisamos de gestão do espaço aéreo, infraestrutura de baterias e recarregamento, “vertipontos” e, crucialmente, uma legislação que acompanhe a inovação.

Essa experiência me fez refletir sobre como nós, muitas vezes, superestimamos o impacto da tecnologia a curto prazo, mas subestimamos o seu poder de transformação a longo prazo. Quem disse isso não sou eu — é a Lei de Amara.

Aplicando aqui: eu sabia que os carros autônomos viriam, mas os futuristas erraram a data. Demorou mais do que o prometido, mas agora que está aqui, a sensação é de que essa transição será irreversível.

E é aqui que reside o grande aprendizado: a tecnologia muitas vezes está pronta antes do ecossistema. Não basta ter o carro autônomo; precisamos de estradas adaptadas, regras de trânsito atualizadas, aceitação pública e, acima de tudo, confiança.

O imaginário humano sempre corre mais rápido que a burocracia.

Em Austin, voei no futuro que a ficção nos prometeu — mas também tirei da cabeça a ideia de que terei um pousando no meu teto para ir ao aeroporto num futuro próximo.

Aprendi que o caminho para que esses veículos façam parte do nosso dia a dia ainda precisa ser pavimentado — tanto no chão quanto nas leis que regem o céu.

O futuro chegou.

Mas falta assinar muito papelzinho.

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