O avanço dos modelos chineses de inteligência artificial vem mexendo com o equilíbrio das grandes empresas de tecnologia. A Z.ai é um dos nomes que mais chamam atenção, oferecendo sistemas quase no nível dos principais modelos americanos, mas com custos bem menores.
Nos bastidores, a percepção é de que a distância caiu rápido. “Com o Fable restrito, a diferença entre os EUA e a China é muito pequena”, afirmou Rehaan Ahmad, cofundador da alphaXiv, ao The New York Times.
E não é só sobre desempenho bruto. O setor também está mudando a forma de pensar: eficiência virou prioridade, e soluções em código aberto começaram a ganhar mais espaço, disputando diretamente com modelos fechados e caros.
O modelo GLM-5.2 da Z.ai se destaca por custo reduzido e forte desempenho em tarefas de programação e automação. – Imagem: Reprodução/Z.ai
Z.ai, GLM-5.2 e a pressão pelo preço mais baixo
A Z.ai ganhou visibilidade com o modelo GLM-5.2, que apareceu em rankings globais de popularidade e começou a ser usado por desenvolvedores e empresas. O ponto que mais pesa é o custo — em várias tarefas, ele pode sair várias vezes mais barato que alternativas americanas.
O modelo também tem bom desempenho em geração de código e na operação de agentes de IA, sistemas que funcionam como assistentes dentro de outras ferramentas e conseguem executar tarefas de forma autônoma.
Esse avanço já chegou com força no Vale do Silício. “Você precisa dirigir uma Ferrari para todo lugar?”, provocou o investidor Vivek Ramaswamy, ao comentar o crescimento dessas alternativas mais baratas.
Um mercado dividido entre acesso e desconfiança
Mesmo com o avanço rápido, os modelos chineses ainda enfrentam resistência fora do país. Temas como privacidade de dados, disputas geopolíticas e regras mais duras nos Estados Unidos seguem pesando bastante na adoção.
Também há preocupação com possíveis exigências de censura e com o uso de dados sensíveis em sistemas hospedados na China. Por outro lado, empresas como Microsoft e Amazon já começaram a oferecer acesso a esses modelos em suas plataformas, o que amplia bastante o alcance.
O resultado é um cenário meio dividido. Em alguns rankings, modelos chineses já aparecem entre os mais usados, o que mostra uma mudança em andamento, ainda sem uma dominância clara de nenhum lado.
A corrida da inteligência artificial entra em nova fase, com modelos chineses ganhando força e disputando espaço com líderes americanos. – Imagem: Primakov / Shutterstock
Uma corrida que muda de direção o tempo todo
Especialistas dizem que ainda não dá para apontar um vencedor claro. As empresas americanas seguem na frente nos modelos mais avançados, mas a China reduziu a distância em pouco tempo e já pressiona em várias frentes ao mesmo tempo.
O mercado, na prática, virou uma corrida constante. A liderança muda de posição conforme novos modelos surgem e começam a ser adotados.
“Quem sabe qual será o modelo líder daqui a três semanas?”, resumiu Justin Summerville, da OpenRouter, refletindo essa sensação de incerteza que hoje domina o setor de IA.
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A IBM anunciou uma inovação tecnológica capaz de superar as barreiras atuais da miniaturização de componentes em chips de computador, um desafio que vem limitando o progresso da indústria de semicondutores nas últimas décadas. Essa nova abordagem abre caminho para a fabricação de partes menores dentro dos circuitos integrados, prometendo aumentar a eficiência, desempenho e […]
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Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Começo a newsletter de hoje repercutindo os grandes destaques da tecnologia desde ontem.
Começando pela IBM.
A IBM anunciou uma nova tecnologia de chip com arquitetura abaixo de 1 nanômetro, um marco importante na tentativa da indústria de tornar os processadores mais potentes e eficientes.
Para entender a importância do anúncio, vale lembrar o que existe dentro de um chip. Um processador é formado por bilhões de transistores, componentes microscópicos que funcionam como pequenas chaves liga/desliga. Eles controlam a passagem de corrente elétrica e permitem que o chip faça cálculos, processe informações e execute tarefas.
Quanto mais transistores cabem em um chip, maior tende a ser sua capacidade de processamento. É isso que permite, por exemplo, rodar sistemas de inteligência artificial, jogos pesados, aplicativos complexos e serviços em nuvem com mais velocidade.
A nova tecnologia anunciada pela IBM é chamada de 0,7 nanômetro. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro. Na prática, estamos falando de estruturas tão pequenas que se aproximam da escala dos átomos. Em chips modernos, porém, esse número não significa que todas as partes do componente tenham 0,7 nm. Ele funciona mais como uma forma de indicar uma nova geração de fabricação, mais avançada e compacta.
Segundo a IBM, essa arquitetura permitiria colocar quase 100 bilhões de transistores em um único chip com área próxima ao tamanho de uma unha. Para comparação, o chip de 2 nanômetros apresentado pela empresa em 2021 comportava cerca de 50 bilhões de transistores no mesmo espaço.
Esse avanço é relevante porque mostra que a indústria ainda busca formas de aumentar o desempenho sem simplesmente aumentar o tamanho físico dos dispositivos. Em vez de fazer chips maiores, o objetivo é organizar melhor seus componentes internos e reduzir o consumo de energia.
Na prática, isso pode significar processadores mais rápidos, celulares com melhor autonomia de bateria, servidores mais eficientes e sistemas de inteligência artificial capazes de lidar com tarefas mais pesadas consumindo menos energia.
A IBM afirma que a nova geração pode oferecer até 70% mais eficiência energética em comparação com tecnologias anteriores. Isso é especialmente importante em um momento em que data centers e aplicações de IA exigem cada vez mais energia para funcionar.
Apesar da repercussão, a tecnologia ainda não deve aparecer tão cedo em produtos do dia a dia. A previsão é que ela leve cerca de cinco anos para chegar à produção comercial, seguindo o ritmo tradicional da indústria de semicondutores, que costuma apresentar avanços em laboratório antes de levá-los à fabricação em larga escala.
Ainda assim, o anúncio indica um novo passo na miniaturização dos chips. Mais do que reduzir tamanho, a corrida agora é para manter o crescimento da capacidade de processamento em um mundo cada vez mais dependente de inteligência artificial, computação em nuvem e dispositivos conectados.
Agora, a Apple
A Apple anunciou nesta quinta-feira o aumento dos preços de iPads, Macs e outros dispositivos da marca. A decisão foi motivada pela forte alta nos custos de chips de memória e armazenamento.
Com a expansão dos data centers de IA, fabricantes de chips passaram a priorizar contratos de grande escala com empresas como a Nvidia, reduzindo a disponibilidade para o mercado de consumo.
Em comunicado, a Apple informou nunca ter visto um aumento tão grande e tão rápido no preço de componentes. Mas disse que, por enquanto, o iPhone não sofrerá reajustes.
Outras empresas do setor de tecnologia também já anunciaram aumentos nos preços e a normalização do mercado pode levar anos.
Explicando o título da newsletter
Sim, a IA me parece criar uma disputa entre futuro e presente. Entendo que as duas notícias acima não estejam diretamente interligadas, mas elas ilustram muito bem o atual cenário dessa maratona tecnológica global.
A corrida da inteligência artificial tem duas faces pra lá de evidentes. E aqui, vou me ater a aspectos imediatos, deixando de lado incertezas ligadas a mercado de trabalho, impacto cognitivo, cibersegurança e outras problemáticas da IA – muitas com as quais eu concordo.
De um lado, ela empurra a indústria para avanços que pareciam distantes, como chips menores, mais potentes e mais eficientes. O anúncio da IBM de uma arquitetura abaixo de 1 nanômetro mostra que a busca por mais capacidade de processamento continua sendo uma das grandes fronteiras da tecnologia.
De outro lado, essa mesma corrida já cobra seu preço. A expansão acelerada dos data centers de IA aumentou a disputa por componentes essenciais, como memória DRAM, e esse gargalo começa a chegar ao consumidor. O reajuste de preços anunciado pela Apple em iPads, Macs e outros dispositivos é um sinal de que a infraestrutura da inteligência artificial não pesa apenas no orçamento das big techs: ela também respinga na prateleira.
A questão, aqui, não é negar a IA.
Chips mais eficientes podem reduzir consumo de energia, melhorar dispositivos e sustentar aplicações mais avançadas. O problema é o descompasso entre promessa e realidade. A indústria vende um futuro de abundância computacional, mas, no presente, a pressa por construir esse futuro encarece produtos que fazem parte do cotidiano.
Em outras palavras, a IA acelera a inovação, mas também reorganiza prioridades. Quando fabricantes passam a atender contratos gigantescos de data centers e a cadeia de suprimentos não acompanha o ritmo, o mercado de consumo perde espaço. O resultado é que o usuário comum, mesmo sem comprar um supercomputador ou treinar um modelo de linguagem, acaba pagando parte da conta dessa corrida.
Então, eu volto a repetir a pergunta que já fiz algumas vezes nesta newsletter: para quem a IA é desenvolvida?
O New York Times alterou o processo que move contra a OpenAI e a Microsoft desde 2023. Em uma nova petição apresentada nesta quinta-feira (25) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, o jornal modificou uma acusação contra a Microsoft e retirou outra que havia sido feita contra a OpenAI.
A ação original, aberta em dezembro de 2023, acusa as duas empresas de violar direitos autorais ao usar milhões de artigos do TNYT para treinar tecnologias de inteligência artificial, incluindo o chatbot ChatGPT. O jornal argumentou que essas tecnologias passaram a competir com ele como fonte de informação.
Entenda os desdobramentos do caso
Aplicativo do ChatGPT em um celular – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock
Na petição original, o TNYT já acusava a Microsoft de infração “contributiva” de direitos autorais, em parte por ter fornecido a infraestrutura computacional usada pela OpenAI para desenvolver seus sistemas de IA. No novo documento, o jornal amplia essa acusação: afirma que a Microsoft encorajou ativamente a OpenAI a treinar seus sistemas com artigos protegidos do Times e forneceu serviços desenvolvidos especificamente para auxiliar nesse treinamento.
Ao mesmo tempo, o Times retirou do processo a acusação de que a OpenAI teria cometido infração “secundária” de direitos autorais por não impedir que consumidores e empresas gerassem conteúdo protegido por meio de IA.
Graham James, porta-voz do Times, comentou as mudanças em nota: “Como alegamos há muito tempo, a Microsoft encorajou ativamente a OpenAI a roubar nossas obras protegidas por direitos autorais”, afirmou. “Além de alterar essa acusação e simplificar o caso para seus argumentos mais sólidos, nossas alegações centrais permanecem as mesmas desde o dia em que abrimos este processo.“
ChatGPT, Claude, Copilot ou Gemini? A corrida pela inteligência artificial deixou de ser apenas uma disputa para ver quem tem o melhor modelo ou o mais rápido. Cada vez mais, o fator determinante é outro: o acesso à energia elétrica.
Com a expansão acelerada dos data centers voltados para IA, gigantes da tecnologia como Amazon, Google, Microsoft e Meta enfrentam um desafio comum: garantir eletricidade suficiente para sustentar o crescimento de suas operações.
Segundo uma análise publicada pelo Wall Street Journal com base em dados da empresa de inteligência energética Aterio, a Amazon parte de uma posição privilegiada:
A companhia já possui a maior infraestrutura de computação em nuvem do mundo e opera data centers próprios com capacidade de consumo de até aproximadamente 9 gigawatts (GW) de energia;
O volume é comparável à capacidade total de geração elétrica do estado norte-americano da Dakota do Norte inteiro.
Para efeito de comparação, os data centers próprios da Microsoft e do Google consomem cerca de 5 GW cada, enquanto a Meta opera instalações com capacidade próxima de 4 GW.
Mas a vantagem atual não garante liderança no futuro.
De acordo com estimativas da Aterio, a Amazon deverá adicionar o maior volume absoluto de capacidade energética e de data centers até 2030. Já o Google tende a crescer em ritmo mais acelerado. Considerando espaços alugados de operadores terceirizados, a diferença entre as duas empresas diminui significativamente.
O Olhar Digital consultou especialistas para entender exatamente o que está em jogo nessa corrida e como deve ser o futuro do setor de IA.
O que está em jogo na corrida de IA?
Para Rudolf Buhler, coordenador dos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e Ciência de Dados do Instituto Mauá de Tecnologia, a disputa atual vai muito além dos modelos de IA. Segundo ele, é uma corrida por posição no mercado de computação do futuro.
O que está em jogo é quem vai fornecer a infraestrutura que outras empresas, governos e desenvolvedores vão usar para rodar suas próprias aplicações de IA.
Rudolf Buhler, coordenador no Instituto Mauá de Tecnologia
Na mesma linha, Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da Fundação Getúlio Vargas, avalia que o foco do mercado mudou. Para ele, o que está em disputa hoje é “o controle de toda a infraestrutura digital”.
Eduardo Barros, CEO da IDK Brasil, acrescenta que a inteligência artificial tende a se tornar uma tecnologia tão essencial quanto serviços básicos.
A IA não é mais uma ferramenta, uma tecnologia isolada ou um produto lançado. Ela vem como energia elétrica e como água… ela vai se tornar algo fundamental para toda a humanidade.
Eduardo Barros, CEO da IDK Brasil
No quesito infraestrutura, Amazon está na frente – Imagem: Reprodução/YouTube/Amazon
O maior limitador
A importância da energia para o avanço da IA ficou evidente após o CEO da Amazon afirmar que a eletricidade se tornou a “maior restrição” para os negócios de computação em nuvem e inteligência artificial da empresa. O comentário reflete a nova realidade do setor: as big techs estão construindo data centers em uma velocidade superior à capacidade de expansão das redes elétricas.
O relatório The Race to Power Data Centers, da Columbia Business School e publicado em janeiro deste ano, aponta a energia como um dos principais gargalos para a expansão da IA, especialmente nos Estados Unidos. Segundo o estudo, empresas de tecnologia frequentemente conseguem construir novas instalações antes mesmo de garantir conexão à rede elétrica ou acesso a novas fontes de geração.
Essa pressão ocorre em um contexto de crescimento acelerado da demanda energética global. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que os data centers consumiram cerca de 400 terawatts-hora (TWh) em 2024, o equivalente a aproximadamente 1,5% da eletricidade mundial. A projeção é que esse volume alcance 1.000 TWh até 2030 – cerca de 3% do consumo global.
A mudança de foco para infraestrutura tem uma explicação simples, segundo Buhler. “Porque sem energia, o modelo não roda. Não basta ter o melhor algoritmo se você não tem onde rodá-lo”, explicou.
Já para Corrêa, a discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver limitações físicas.
O gargalo estratégico de hoje não é mais escrever código que para de pé, mas sim conseguir manter o servidor ligado na tomada.
Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da Fundação Getúlio Vargas
Estratégias diferentes
Os hiperescaladores (empresas por trás dos data centers de grande porte) compartilham o mesmo desafio, mas vêm adotando estratégias distintas para garantir energia.
Sergio Toro, fundador da Aterio, explicou ao WSJ que a Amazon aposta em uma abordagem mais gradual e focada em confiabilidade e custo. A empresa busca construir a maior parte de sua infraestrutura por conta própria.
Isso permitiu que a companhia saísse na frente em algumas iniciativas:
A Amazon foi a primeira entre as gigantes da tecnologia a anunciar um contrato de compra de energia vinculado a uma usina nuclear em operação;
Posteriormente, Microsoft, Google e Meta passaram a firmar acordos semelhantes envolvendo usinas nucleares desativadas ou em processo de encerramento.
O Google, por outro lado, tem concentrado esforços em ampliar sua infraestrutura utilizando fontes renováveis.
A busca por energia também levanta preocupações sobre concentração de mercado. Buhler alerta que há um temor crescente de que as big techs passem a monopolizar parte da oferta de energia limpa disponível nos EUA. Segundo ele, isso poderia deixar consumidores e companhias menores dependentes de fontes mais antigas e mais poluentes.
Com boom da IA, demanda por data centers cresceu – mas rede de energia elétrica pode não dar conta do recado – Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Combustíveis fósseis seguem no setor
Apesar dos compromissos ambientais assumidos pelo setor, a necessidade de expandir rapidamente a capacidade computacional tem levado empresas a recorrerem também ao gás natural, um combustível fóssil e poluente.
Embora os investimentos em fontes renováveis estejam crescendo, especialistas observam que a demanda por eletricidade avança em velocidade ainda maior. Para Buhler, a aposta em combustíveis fósseis vem justamente para dar conta dessa demanda.
Como exemplo:
Segundo levantamento da Cleanview citado pelo Wall Street Journal, Microsoft, Amazon e Meta possuem projetos associados a usinas autônomas movidas a gás para abastecer data centers;
A Microsoft, por exemplo, assinou um contrato de 20 anos com a Chevron para fornecer energia a uma instalação de IA no Texas;
O próprio Google também adotou medidas consideradas contraditórias por alguns especialistas. A companhia planeja alugar capacidade computacional da SpaceX, cujos data centers foram construídos utilizando sistemas energéticos movidos a gás natural fora da rede elétrica tradicional.
Ao mesmo tempo, os hiperescaladores vêm investindo em tecnologias capazes de oferecer energia limpa de forma contínua. Entre as apostas estão pequenos reatores nucleares modulares (SMRs), sistemas geotérmicos avançados, novas tecnologias de armazenamento em baterias e até conceitos mais experimentais, como energia solar transmitida do espaço.
Segundo a Columbia Business School, essas empresas já desempenham um papel central no financiamento de projetos renováveis. Amazon, Microsoft, Google e Meta respondem juntas por mais da metade dos novos contratos corporativos de compra de energia renovável nos Estados Unidos.
Para além da conta de luz: data centers também consomem volumes massivos de água e preocupam comunidades nos locais da instalação – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
O que vai definir os vencedores da corrida de IA?
Especialistas acreditam que os vencedores serão definidos principalmente pela capacidade de construir e sustentar infraestrutura.
Para Buhler, fatores como acesso a energia, disponibilidade de data centers, capacidade de obter licenças regulatórias e transformar esses investimentos em receitas recorrentes serão decisivos. Na avaliação dele, a disputa não será vencida necessariamente pela empresa com o melhor modelo de IA, mas por quem conseguir construir, energizar e rentabilizar sua infraestrutura com mais eficiência.
Kenneth Corrêa compartilha uma visão semelhante. Segundo ele, a liderança ficará com as empresas capazes de dominar toda a cadeia tecnológica da IA, desde a infraestrutura física até a entrega dos serviços ao cliente final.
O especialista também acredita que a próxima etapa da competição será marcada pela expansão dos chamados agentes de IA. Nesse cenário, tende a levar vantagem quem oferecer a melhor base tecnológica para que empresas construam suas próprias redes de agentes inteligentes.
Na visão de Corrêa, os futuros líderes do setor serão aqueles que conseguirem combinar acesso confiável a energia, modelos avançados e um ecossistema robusto para clientes e desenvolvedores.
O jogo deixou de ser apenas sobre software e passou a ser sobre o controle de todo o ‘stack’ de inteligência artificial, do hardware físico à distribuição final.
Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da FGV
Um conjunto de análises sobre transações financeiras e interesse educacional indica que o uso pago do Anthropic por meio do assistente Claude vem crescendo de forma consistente entre consumidores nos Estados Unidos. O movimento aparece em dados de milhões de transações de cartões e em plataformas de ensino de tecnologia.
As informações mostram que esse avanço ocorre em um cenário de competição direta com o ChatGPT, que ainda mantém ampla liderança em volume total de usuários e receitas. Apesar disso, os sinais recentes apontam aumento de interesse e de pagamentos relacionados ao produto da Anthropic.
As tendências também são observadas em indicadores de busca e consumo de cursos, além de mudanças no contexto regulatório envolvendo modelos da empresa, o que adiciona pressão e atenção ao desempenho recente da companhia no mercado de inteligência artificial.
Crescimento de interesse e disputa no mercado de IA
Anthropic cresce – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Levantamentos baseados em bilhões de transações anônimas de cartões, analisados pela empresa de inteligência de dados Indagari, indicam que assinaturas e pagamentos ligados ao Claude avançaram de forma contínua ao longo de 2026 nos Estados Unidos. O recorte analisado inclui cerca de 28 milhões de consumidores e mostra aumento relevante no volume gasto com serviços associados ao sistema da Anthropic.
Segundo esses dados, o crescimento acumulado do grupo de consumidores pagantes ligado ao Claude chegou a aproximadamente 75% desde o início de 2026, com expansão mês a mês. O movimento teria persistido mesmo após um pico registrado em março, período associado a uma decisão da empresa de restringir usos militares e de vigilância em certos contextos.
Além disso, uma plataforma de ensino digital, a DataCamp, relatou aumento expressivo na procura por conteúdos relacionados ao Claude. A empresa afirmou que o termo passou a liderar buscas internas e que o interesse em cursos sobre o sistema cresceu significativamente em um curto intervalo de tempo, superando até mesmo buscas gerais sobre inteligência artificial em alguns recortes de usuários.
Comparação com o ChatGPT e consolidação do mercado
OpenAI continua na frente da Anthropic, por enquanto – Imagem: JarTee/Shutterstock
Apesar do avanço, o ChatGPT segue como a principal ferramenta de inteligência artificial voltada ao consumidor final, tanto em número de usuários quanto em receita estimada. Dados de empresas de inteligência de mercado indicam que a base do produto da OpenAI continua muito superior à do Claude.
Relatórios da empresa Sensor Tower mostram que o Claude apresentou expansão relevante em diferentes plataformas ao longo do ano, mas ainda permanece distante em escala quando comparado ao concorrente. A diferença é atribuída ao alcance já consolidado do ChatGPT no mercado global.
Mesmo assim, observadores do setor apontam que a distância pode estar diminuindo em termos de ritmo de crescimento e atenção do público, especialmente entre usuários que buscam ferramentas alternativas para tarefas específicas.
Fatores regulatórios e contexto empresarial
O desempenho recente da Anthropic também ocorre em meio a tensões regulatórias. Informações indicam que autoridades dos Estados Unidos teriam imposto restrições ao uso de modelos mais avançados da empresa em determinados contextos e regiões, o que levou à retirada temporária de algumas versões do mercado.
Entre os modelos afetados estariam versões chamadas Mythos 5 e Fable 5, associadas a capacidades avançadas em cibersegurança. A medida teria impactado a disponibilidade global desses sistemas.
Até o momento, a Anthropic não comentou oficialmente os dados de crescimento nem os efeitos das restrições. Ainda assim, as informações reunidas sugerem expansão simultânea de interesse consumidor e pressão regulatória.
Um conjunto de editoras responsável por quase 400 jornais ingressou com uma ação judicial contra a OpenAI e a Microsoft nos Estados Unidos, acusando as empresas de utilizarem conteúdo jornalístico sem autorização para desenvolver sistemas de inteligência artificial. O processo foi apresentado na última quarta-feira (24) no Tribunal Distrital do Sul de Nova York.
Segundo a acusação, textos produzidos pelos veículos teriam sido coletados e copiados para abastecer modelos de linguagem empregados em ferramentas como ChatGPT e Microsoft Copilot. Os autores da ação sustentam que o material foi aproveitado sem qualquer compensação financeira aos detentores dos direitos.
A iniciativa ocorre em meio ao avanço de disputas judiciais envolvendo empresas de tecnologia e organizações de mídia. Para os jornais, a falta de responsabilização pelo uso desse conteúdo pode comprometer a sustentabilidade econômica do jornalismo local.
Ação amplia embate entre imprensa e desenvolvedoras de IA
Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
De acordo com a petição apresentada à Justiça, as empresas teriam acessado páginas dos veículos de comunicação, reproduzido reportagens e armazenado esse material em seus próprios sistemas para o treinamento de modelos de inteligência artificial. Os autores também alegam que informações relacionadas à gestão de direitos autorais teriam sido removidas durante esse processo.
Conforme os jornais, os sistemas desenvolvidos pelas rés são capazes de reproduzir conteúdos derivados desse material quando acionados por usuários. A argumentação central da ação é que o valor gerado pelos produtos de inteligência artificial teria sido construído, em parte, a partir do trabalho produzido pelas empresas jornalísticas.
Representando os autores, o ex-procurador-geral de Nova Jersey, Matthew Platkin, afirmou que a ação reúne um dos maiores esforços já liderados por veículos locais e regionais contra desenvolvedoras de inteligência artificial. Em entrevista mencionada na Bloomberg Law News, ele destacou a relevância do jornalismo regional para a sociedade norte-americana.
“O jornalismo local é uma fonte de informação confiável para a grande maioria dos americanos. Ele é a força vital da nossa democracia, e esse modelo de negócios realmente colocou a imprensa local em risco de extinção”, explicou o advogado.
Fachada do The New York Times, em Nova York, EUA – Imagem: Osugi//Shutterstock
Na mesma entrevista, Platkin avaliou que acordos ou decisões futuras não deveriam beneficiar apenas grandes grupos de mídia, mas também organizações locais que continuam cobrindo temas pouco explorados por outros veículos.
Os jornais afirmam ainda ter investido bilhões de dólares na produção e proteção de seu conteúdo, inclusive por meio de sistemas de assinatura e barreiras de acesso. Mesmo assim, alegam que esse material teria sido utilizado pelas empresas sem autorização prévia.
Entre os pedidos apresentados à Justiça estão indenizações previstas na legislação de direitos autorais e medidas judiciais destinadas a interromper práticas consideradas irregulares pelos autores da ação.
Em resposta às acusações, a OpenAI declarou que seus modelos são desenvolvidos com base em informações disponíveis publicamente e que suas atividades estão amparadas pelo princípio do fair use. Já a Microsoft não havia se manifestado até o momento da publicação da reportagem da Bloomberg.
O caso se soma a uma série de processos recentes envolvendo o uso de conteúdo protegido por direitos autorais no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial. A reportagem cita iniciativas semelhantes movidas por organizações como CNN, New York Times, Reddit, Encyclopaedia Britannica e Merriam-Webster contra outras empresas do setor.
A saída de dois pesquisadores ligados ao Gemini voltou a pressionar as ações da Alphabet e colocou novamente o Google no centro da disputa por talentos de inteligência artificial.
Os profissionais devem deixar a empresa para atuar na Anthropic, concorrente direta no desenvolvimento de modelos generativos. O movimento acontece após uma sequência recente de baixas em áreas estratégicas da companhia, explica o The Wall Street Journal.
Google tenta conter percepção de perda de talentos em meio à corrida global por IA. – Imagem: kovop/Shutterstock
Novas saídas atingem equipe do Gemini
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, Jonas Adler e Alexander Pritzel planejam deixar o Google para se juntar à Anthropic. Ambos estão ligados ao desenvolvimento do Gemini, modelo de IA que compete diretamente com o Claude, da rival.
O mercado já vinha reagindo a mudanças anteriores na equipe de inteligência artificial do Google, e a nova informação reforçou a percepção de instabilidade em um dos grupos mais estratégicos da empresa.
As ações da Alphabet recuaram 1,3% no pré-mercado, para US$ 340,82 (cerca de R$ 1.874), ampliando perdas registradas em sessões anteriores.
A competição entre big techs acelera e transforma a disputa por pesquisadores em um dos principais fatores do mercado de IA. – Imagem: gguy/Shutterstock
Disputa por pesquisadores se intensifica entre big techs
A movimentação ocorre em meio à concorrência direta entre Google, OpenAI e Anthropic na contratação de especialistas em IA generativa.
Entre as saídas recentes estão:
Jonas Adler e Alexander Pritzel, que devem ir para a Anthropic
Noam Shazeer, que anunciou ida para a OpenAI
John Jumper, que deixou o Google recentemente
Engenheiros e pesquisadores em início de carreira que também saíram nos últimos dias
Na segunda-feira, as ações da Alphabet chegaram a cair 5%, o pior desempenho diário em mais de um ano após notícias relacionadas a mudanças na equipe de IA.
Nem Google nem Anthropic comentaram oficialmente as informações. Adler e Pritzel também não foram localizados para comentar.
Google tenta conter percepção de perda de talentos
Durante um evento em Cannes, o CEO do DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que o Google mantém uma posição sólida na área de pesquisa em inteligência artificial.
Temos, de longe, a maior e mais abrangente equipe de pesquisa entre todos os laboratórios existentes.
Demis Hassabis, CEO do DeepMind, em evento.
A fala ocorre em meio a uma sequência de movimentações entre pesquisadores de alto nível no setor, que vêm sendo disputados por diferentes laboratórios de IA.
Investidores acompanham a saída de profissionais do Google enquanto concorrentes avançam na contratação de especialistas em IA. – Imagem: hapabapa/iStock
Mercado acompanha próximos movimentos das big techs
Com novas saídas registradas em áreas-chave do Gemini, investidores seguem monitorando os próximos passos do Google e de seus concorrentes.
A disputa por pesquisadores continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor, enquanto empresas aceleram o desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados de inteligência artificial.
A Apple reajustou os preços de iPads, Macs e outros dispositivos nesta semana. A decisão vem depois da forte alta nos custos de chips de memória e armazenamento usados em eletrônicos, puxada pela expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial.
Segundo a empresa, o cenário da cadeia de suprimentos ficou mais pressionado nos últimos meses, o que acabou forçando ajustes em parte do portfólio, explica a Reuters. O impacto aparece principalmente em notebooks e tablets vendidos nos Estados Unidos e na Europa.
A corrida da inteligência artificial está elevando os custos de componentes em toda a indústria de tecnologia. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock
Pressão da IA eleva custo de componentes
O aumento está ligado à escalada dos preços da memória DRAM, presente em praticamente todos os dispositivos eletrônicos. Com a expansão dos data centers de IA, fabricantes de chips passaram a priorizar contratos de grande escala com empresas como a Nvidia. Na prática, isso reduz a disponibilidade para o mercado de consumo.
Dados da TrendForce mostram que a DRAM chegou a subir até 98% no primeiro trimestre de 2026. E o movimento não dá sinais de desaceleração. Analistas já tratam o fenômeno como “RAMageddon”, termo que acabou circulando com força no setor.
a demanda por infraestrutura de IA cresceu de forma acelerada
grandes contratos passaram a dominar a produção de memória
o mercado de consumo perdeu prioridade na cadeia de fornecimento
os preços da DRAM atingiram níveis históricos em 2026
o efeito chegou diretamente a PCs, notebooks e tablets
MacBook Air e iPad Air estão entre os produtos que receberam reajustes nesta nova rodada. – Imagem: Farknot Architect / Shutterstock
Reajustes atingem MacBooks, iPads e acessórios
Com os custos pressionando toda a cadeia, a Apple mexeu em várias linhas ao mesmo tempo — e sem muito alarde fora dos números. O MacBook Air com 512 GB passou de US$ 1.099 para US$ 1.299. O MacBook Pro de 1 TB foi de US$ 1.699 para US$ 1.999. Já o iPad Air de 128 GB subiu de US$ 599 para US$ 749.
O Mac de entrada também ficou mais caro, saindo de US$ 599 para US$ 699. Houve ainda ajustes no HomePod e na Apple TV. O iPhone, por enquanto, segue fora dessa rodada de aumentos.
Em comunicado, a Apple afirmou: “Nunca vimos um aumento tão grande e tão rápido no preço de componentes. Protegemos nossos clientes desses aumentos até agora, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços”.
Tim Cook já havia indicado a tendência em uma conversa com analistas: “Esperamos custos de memória significativamente mais altos”.
Analistas acompanham os próximos passos da Apple e o possível impacto sobre futuros iPhones. – Imagem: Terelyuk/Shutterstock
Mercado sente pressão e próximos passos ficam abertos
O efeito não ficou restrito à Apple. Outras fabricantes também começaram a revisar estratégias de preço, ainda que com margens diferentes de negociação na cadeia de suprimentos.
A Micron já fechou contratos bilionários para garantir fornecimento, enquanto o setor ajusta projeções de vendas. A IDC estima queda de até 14% no mercado de smartphones e mais de 11% no de PCs.
Nos bastidores, analistas observam que o próximo movimento pode envolver o iPhone, embora não haja confirmação. O mercado já trata essa possibilidade como um cenário em avaliação.
Por enquanto, o ambiente segue pressionado. A combinação entre demanda forte por IA e oferta limitada de memória mantém os preços elevados, e a normalização ainda não aparece no horizonte.
Uma nova iniciativa nos Estados Unidos quer preparar a força de trabalho para as mudanças provocadas pela inteligência artificial. O projeto reúne empresas, governos estaduais e organizações filantrópicas para lidar com os impactos da automação no mercado de trabalho.
A coalizão, chamada RAISE US, será liderada por nomes ligados ao governo e ao setor privado. Segundo o The Wall Street Journal, a proposta é apoiar a adaptação profissional em um cenário de adoção acelerada da inteligência artificial. E isso, segundo os organizadores, não é algo que possa ser deixado para depois.
Projeto aposta em integração entre empresas, governos e escolas para acelerar a requalificação profissional nos Estados Unidos. – Imagem: CL STOCK / Shutterstock
Um plano para reorganizar o mercado de trabalho
O grupo reúne empresas como Amazon, Microsoft e Bank of America, além de autoridades e ex-líderes políticos. A iniciativa busca criar uma estratégia centrada nos trabalhadores, indo além de programas tradicionais de treinamento.
Na prática, a discussão vai além de cursos ou capacitação pontual. O foco é reorganizar como empresas e governos lidam com transições de carreira em larga escala — algo que, segundo os participantes, já está acontecendo em diferentes setores.
criação de programas de requalificação profissional com foco em setores em expansão
revisão de políticas como o seguro-desemprego
incentivos para empresas manterem trabalhadores durante mudanças provocadas pela IA
integração entre governos estaduais, empresas e instituições educacionais
atenção especial a funções administrativas e de escritório
Um dos pontos levantados pelo grupo é a fragmentação das políticas de emprego nos Estados Unidos. Hoje, segundo eles, há iniciativas espalhadas demais e pouca coordenação entre estados e governo federal.
Autoridades alertam que funções administrativas e de escritório estão entre as mais vulneráveis às mudanças tecnológicas. – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock
Empresas e governos entram na discussão sobre IA
Durante o anúncio, executivos e autoridades destacaram que os efeitos da inteligência artificial vão além de avanços tecnológicos e já começam a reorganizar o trabalho em tempo real.
Brad Smith, vice-presidente do conselho e presidente da Microsoft, afirmou: “Precisaremos ganhar escala, e a expansão em larga escala nunca pode ser realizada por instituições isoladas.”
Gina Raimondo, diretora executiva da iniciativa e ex-secretária de Comércio dos EUA, reforçou que o foco atual ainda está desalinhado. “Não há atenção suficiente para garantir o futuro do trabalhador americano.”
Entre os participantes, há consenso de que empresas e governos precisam agir juntos — embora ainda não haja clareza sobre o ritmo nem a profundidade dessas mudanças.
Autoridades alertam que funções administrativas e de escritório estão entre as mais vulneráveis às mudanças tecnológicas. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Testes regionais e impacto esperado
O plano prevê ações diferentes conforme o estado, sem um modelo único. Em Maryland, por exemplo, a proposta inclui ampliar programas de serviço e voluntariado para aproximar trabalhadores de áreas como saúde. No Arkansas, a iniciativa aposta em uma plataforma de orientação de carreira baseada em IA.
A coalizão reconhece que a inteligência artificial pode elevar produtividade e eficiência, mas também deve provocar deslocamento de trabalhadores em diferentes níveis da economia. Não há, neste momento, uma estimativa única sobre a dimensão desse impacto.
Pessoalmente, não acredito que não haverá nada para os humanos fazerem… Mas estou preocupada.
Gina Raimondo, diretora executiva da iniciativa e ex-secretária de Comércio dos EUA, ao WSJ.
A iniciativa ainda está em fase de estruturação e deve funcionar como base para políticas públicas e ações privadas voltadas à adaptação do mercado de trabalho à expansão da inteligência artificial — um processo que, segundo os envolvidos, ainda está longe de estar definido.