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USP desenvolve IA que ajuda dentistas a detectar cáries em radiografias

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial capaz de reconhecer dentes e apontar sinais de cárie em radiografias odontológicas. Criada em Ribeirão Preto, a tecnologia foi desenvolvida para auxiliar dentistas na interpretação das imagens e pode contribuir para tornar avaliações clínicas mais rápidas e precisas.

O sistema nasceu da colaboração entre especialistas em computação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto e profissionais da Faculdade de Odontologia da USP. A iniciativa reúne cerca de 30 pesquisadores no grupo InReDD, dedicado à criação de soluções digitais para a odontologia.

Baseada em redes neurais convolucionais, a ferramenta foi treinada com milhares de radiografias previamente avaliadas por especialistas. A proposta não é substituir o cirurgião-dentista, mas oferecer uma segunda avaliação capaz de apoiar decisões relacionadas ao diagnóstico e ao planejamento de tratamentos.

Uma segunda avaliação para o dentista

Radiografia – (Reprodução: umpo/Shutterstock)

O funcionamento da tecnologia começa pela preparação de uma grande quantidade de imagens odontológicas acompanhadas de avaliações feitas por especialistas. Esse material serve como referência para o treinamento do sistema, que procura estabelecer relações entre os padrões presentes nas radiografias e as alterações que precisa reconhecer.

A estrutura utilizada pertence à categoria das redes neurais convolucionais, desenvolvida especialmente para lidar com informações visuais. Conforme a explicação de Alessandra Alaniz Macedo, professora da área de Ciências da Computação da FFCLRP e uma das coordenadoras do projeto, esse tipo de arquitetura é adequado para tarefas que envolvem imagens, como as radiografias odontológicas.

Durante o treinamento, o modelo confronta suas próprias previsões com aquilo que foi previamente estabelecido pelos especialistas. Quando encontra diferenças, ajusta seus parâmetros para reduzir os erros. Esse ciclo permite que a ferramenta aprimore progressivamente sua capacidade de localizar alterações nas imagens.

A construção de um sistema desse tipo, porém, não se resume à programação do algoritmo. A seleção e preparação dos dados, o treinamento e a verificação do desempenho também fazem parte do processo científico conduzido pelos pesquisadores de computação.

Na rotina de um consultório, uma das possibilidades apontadas pelo grupo é utilizar a inteligência artificial como uma espécie de apoio adicional à análise feita pelo profissional. A ferramenta pode colaborar tanto na identificação de problemas quanto na elaboração do planejamento de um caso clínico.

O alcance pretendido pelo projeto vai além das radiografias. Segundo a equipe, soluções de inteligência artificial também podem ser empregadas em atividades administrativas de consultórios, como agendamento, atendimento de dúvidas simples e produção de materiais destinados à comunicação com pacientes.

Limites e responsabilidade profissional

Mulher com boca aberta
(Imagem: Narongrit Doungmanee/iStock)

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que a tecnologia ainda não deve ocupar o lugar do dentista. Um dos obstáculos está na dificuldade de explicar integralmente como determinados modelos chegam às conclusões que apresentam, característica que faz com que sejam frequentemente associados à ideia de uma “caixa-preta”.

Camila Tirapelli, professora da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto e coordenadora do projeto ao lado de Alessandra Macedo, destaca que nenhum sistema de inteligência artificial é infalível. Por isso, a interpretação do resultado e a decisão sobre a conduta clínica permanecem sob responsabilidade do profissional.

A qualidade das informações utilizadas no treinamento também interfere diretamente no desempenho do sistema. De acordo com Tirapelli, dados inadequados podem levar a ferramenta a reproduzir erros presentes no material utilizado para ensiná-la. A integração entre profissionais da saúde e da computação, portanto, é apontada como elemento importante para a construção de modelos confiáveis.

Para os pacientes, a expectativa é de que ferramentas desse tipo possam reduzir o tempo necessário para determinadas avaliações e contribuir para diagnósticos mais precisos. Na pesquisa científica, a capacidade de processar grandes quantidades de radiografias também pode facilitar a identificação de padrões populacionais e apoiar investigações epidemiológicas em saúde bucal.

As soluções produzidas pelo InReDD foram pensadas para diferentes públicos, entre eles dentistas, radiologistas e pesquisadores. Embora os resultados obtidos até agora sejam considerados promissores, os sistemas ainda passam por aperfeiçoamentos antes de uma utilização mais ampla na prática clínica.

Pesquisa reúne computação e odontologia

O trabalho é resultado de uma cooperação entre duas unidades da USP em Ribeirão Preto e reúne pesquisadores, estudantes e docentes de diferentes níveis de formação. O grupo conta com participação de graduandos, mestrandos, doutorandos, um mestre, um pesquisador de pós-doutorado e professores das áreas envolvidas.

A iniciativa também recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O projeto que deu origem à ferramenta busca integrar recursos de inteligência artificial e odontologia por meio da chamada fusão multimodal, ampliando as possibilidades de aplicação da computação na saúde bucal.

Para Alessandra Macedo, a combinação de diferentes funcionalidades em uma mesma solução representa um diferencial do trabalho desenvolvido pela equipe. O projeto já resultou em pesquisas acadêmicas, além de dissertações e teses, e também deu origem a um produto tecnológico cujo código foi registrado pela USP.

A expectativa dos pesquisadores é que novos estudos permitam aprimorar as ferramentas e ampliar suas aplicações. O horizonte apontado pelo grupo é uma odontologia em que a inteligência artificial esteja incorporada como recurso complementar, com a decisão clínica continuando sob responsabilidade do profissional.

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Os desafios de se regulamentar a IA no Brasil e no mundo

A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita a laboratórios e empresas. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens, vídeos e áudios já fazem parte do cotidiano, enquanto sistemas de IA também passam a ser usados em atividades menos visíveis, como análise de crédito, recrutamento, atendimento e tomada de decisões.

Quanto maior a presença da tecnologia, maior também é a preocupação com o que pode acontecer quando esses sistemas falham, reproduzem vieses ou são explorados de forma maliciosa. A discussão sobre regulamentação nasce justamente desse conflito: como aproveitar as possibilidades da inteligência artificial sem deixar de controlar os riscos que ela pode produzir?

A possibilidade que o sistema de IA não funcione como pré-definido para o desenvolvedor ou funcione de maneira errada (…) leva à necessidade de se regular, definir medidas para, de um lado, mapear quais riscos existem e, de outro lado, adotar todas as medidas necessárias para minimizar e, idealmente, eliminar esses riscos.

Luca Belli, professor da FGV Direito Rio

A resposta não é simplesmente proibir usos considerados problemáticos. A ideia de uma regulamentação é estabelecer diferentes níveis de proteção de acordo com o impacto que cada aplicação pode produzir. Mas definir esses níveis não é uma tarefa simples — e cada país tem buscado uma solução diferente.

O que o mundo está fazendo

A União Europeia foi uma das primeiras grandes jurisdições a criar uma legislação abrangente para inteligência artificial. O modelo europeu parte de uma classificação baseada em risco e coloca a proteção dos direitos fundamentais entre suas principais preocupações.

“A abordagem europeia é muito baseada em riscos e direitos fundamentais”, explica Belli. “Porém, digamos que o problema da abordagem europeia é que não olhou, pelo menos até muito recentemente, a necessidade de se desenvolver alternativas para não ficarem presos em sistemas totalmente desenvolvidos por estrangeiros, principalmente Estados Unidos e China” – completa o professor.

A experiência europeia, porém, não é a única. Estados Unidos e China também tratam a inteligência artificial como uma tecnologia estratégica, mas partem de prioridades diferentes, que incluem desenvolvimento industrial, liderança tecnológica e interesses de segurança nacional.

Para países que ainda estão construindo suas próprias regras, olhar para essas experiências significa mais do que escolher qual legislação copiar. A regulamentação também pode afetar a capacidade de desenvolver tecnologia, atrair investimentos e competir em um mercado dominado por empresas de poucos países.

E o Brasil?

É nesse cenário que entra o debate brasileiro. O país começou a discutir uma regulamentação específica para inteligência artificial há alguns anos. O PL 2.338/2023 foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e passou a ser analisado pela Câmara dos Deputados.

A proposta brasileira também adota uma abordagem baseada em risco. Em vez de impor exatamente as mesmas obrigações para qualquer sistema de IA, a lógica é considerar o potencial de impacto de cada aplicação.

A gente não está discutindo hoje se a inteligência deve ou não ser regulada. Na verdade, é qual o modelo regulatório que o Brasil quer adotar. Na prática, o texto adotado pelo Senado hoje segue uma lógica de regulação baseada em risco.

Leandro Alvarenga, consultor de privacidade e segurança – além de colunista do Olhar Digital

Na prática, isso significa que a regulamentação precisa definir quais sistemas representam riscos maiores e, a partir daí, estabelecer obrigações proporcionais. É nesse ponto que aparece uma das principais dificuldades do debate brasileiro.

Uma regra pode aumentar a segurança e a proteção de direitos, mas também pode criar custos para quem desenvolve ou utiliza essas tecnologias. E esses custos não são necessariamente iguais para uma grande empresa e para uma startup.

“Se nós regularmos demais, corremos o risco de exportar a inovação e importar tecnologia. Se nós regularmos de menos, corremos o risco de importar problemas e exportar direitos” – completa Alvarenga.

A preocupação é especialmente relevante no Brasil, onde grande parte do mercado é formada por pequenas e médias empresas. Uma obrigação que uma grande companhia consegue incorporar a suas estruturas pode representar uma barreira muito maior para uma empresa menor.

“A gente não pode deixar de lado os direitos fundamentais, mas é preciso que a gente evite que o custo regulatório se torne uma barreira de entrada e favoreça as grandes empresas que não são brasileiras e dificulte o desenvolvimento de inovação. A maior provocação é: se uma startup brasileira não consegue cumprir as exigências, mas uma big tech consegue, estamos protegendo os cidadãos brasileiros ou apenas transferindo o mercado para fora do país?” – questiona Leandro Alvarenga.

O problema, portanto, não é apenas decidir se a IA deve ser regulada, mas encontrar um ponto em que a proteção não acabe reduzindo a capacidade de inovação do próprio país.

O problema de regular uma tecnologia que muda

Existe uma dificuldade que diferencia a inteligência artificial de muitas tecnologias anteriores: a velocidade de evolução.

Uma legislação pode levar anos entre a elaboração de uma proposta, a discussão no Congresso, a aprovação e a implementação. Nesse intervalo, os sistemas que ela pretende regular podem ganhar novas capacidades e mudar significativamente.

Ela impacta a vida das pessoas e a regulamentação serve para isso, para definir parâmetros razoáveis de convivência, utilização e reconhecimento dos eventuais males. Agora, um risco que se corre é óbvio. A tecnologia avança a passos muito largos. É isso que está acontecendo com a IA. Basta fazer uma breve retrospectiva do que aconteceu de 2022 para cá. Ano após ano, a tecnologia se torna diferente e mais poderosa, e, portanto, com mais capacidades, com alcance majorado. Ou seja, para variar, nós temos o debate em relação à regulamentação e à legislação, que, normalmente, não consegue acompanhar o ritmo da tecnologia. O que não quer dizer que não seja absolutamente essencial que esse debate aconteça e que exista proatividade em relação a isso.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação

O problema, portanto, não termina com a aprovação de uma lei. É preciso pensar em como manter as regras aplicáveis quando a tecnologia mudar.

Para Luca Belli, uma legislação representa, no melhor dos casos, o conhecimento disponível no momento em que é criada. No caso da inteligência artificial, esse conhecimento pode envelhecer rapidamente: “A lei é, na melhor das hipóteses, uma fotografia fidedigna do estado da arte e das melhores práticas no momento da adoção da lei. O problema é que, particularmente no caso da inteligência artificial, a evolução tecnológica é extremamente rápida”.

Uma possibilidade é criar regras suficientemente claras para estabelecer limites e responsabilidades, mas que tenham mecanismos capazes de acompanhar novas situações sem exigir que toda mudança tecnológica dependa de uma nova lei.

“A gente não precisa engessar a tecnologia com uma lei excessivamente detalhada. Porém, a gente precisa criar um modelo de implementação, de especificação da lei que permita adaptar a lei a circunstâncias específicas. Senão, a flexibilidade da lei […] se torna uma razão de incerteza jurídica – completa o professor da FGV.

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Centros de dados orbitais criam oportunidade bilionária para o mercado de seguros

SpaceX e Blue Origin avançam com projetos para levar centros de processamento de dados à órbita terrestre, enquanto seguradoras avaliam como cobrir uma infraestrutura que ainda não possui histórico suficiente para permitir cálculos confiáveis de risco.

As iniciativas, apresentadas em 2026, envolvem constelações de milhares de satélites destinadas a concentrar capacidade computacional fora da Terra. Google também pesquisa uma arquitetura semelhante, e a startup Starcloud já colocou em órbita um processador gráfico da Nvidia.

A possível transferência de parte da infraestrutura de inteligência artificial para o espaço abre uma nova frente para o mercado segurador, mas também impõe desafios relacionados a capacidade financeira, regulamentação, precificação e riscos técnicos que podem exigir lançamentos adicionais para reparos ou substituições.

Uma nova classe de risco para as seguradoras

(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

A proposta mais ambiciosa parte da SpaceX. Em janeiro, a empresa apresentou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos um pedido relacionado a uma constelação que pode chegar a 1 milhão de satélites. A ideia é utilizar essa estrutura para formar um centro orbital voltado à computação de inteligência artificial.

Elon Musk sustenta que a combinação entre energia solar disponível no espaço, redução dos custos de lançamento e aumento das despesas para ampliar a oferta de energia em instalações terrestres pode tornar esse modelo economicamente competitivo. Na avaliação apresentada por ele, essa mudança poderia ocorrer em um horizonte de dois a três anos.

A Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, segue uma trajetória semelhante, embora com prazo considerado mais longo. Em março, a companhia apresentou planos para 51.600 satélites destinados a centros de dados em baixa órbita terrestre. Bezos classificou a ideia como viável, mas considerou o prazo de dois a três anos excessivamente otimista.

O movimento não se limita às duas empresas. O Google pesquisa o chamado Project Suncatcher, uma rede interligada de satélites abastecidos por energia solar e equipados com seus chips de inteligência artificial. Enquanto isso, a Starcloud já realizou uma demonstração prática ao enviar para o espaço uma unidade Nvidia H100.

Se esses projetos alcançarem a escala prevista, o valor dos equipamentos instalados fora da Terra poderá atingir centenas de bilhões de dólares. É justamente nesse cenário que surge uma oportunidade potencial para as seguradoras, que teriam diante de si uma nova categoria de ativos de grande valor.

Patton Kline, responsável pela área de aviação e espaço da Marsh nos Estados Unidos, considera que o setor segurador precisa acompanhar essa transformação. A análise apresentada por ele é que empresas concentradas apenas na cobertura de ativos terrestres podem perder uma oportunidade de expansão caso a computação orbital se consolide.

Atualmente, cerca de 30 seguradoras no mundo têm especialização em coberturas espaciais, de acordo com Kline. O mercado movimenta entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões em prêmios anuais, valor que seria pequeno diante da escala necessária para proteger uma eventual infraestrutura orbital avaliada em centenas de bilhões de dólares.

A expansão também poderia apresentar uma característica atraente para o setor: os riscos associados aos ativos espaciais não estariam diretamente ligados a eventos que tradicionalmente afetam instalações em terra, como furacões e terremotos. Ainda assim, ampliar a capacidade de cobertura para uma infraestrutura dessa natureza não seria uma tarefa simples.

O problema de calcular o risco

Página da SpaceX no Twitter aberta em celular rodeado de notas de dólar numa mesa
SpaceX – Imagem: FellowNeko/Shutterstock

Andreas Berger, presidente-executivo do grupo de resseguros Swiss Re, aponta que a computação orbital reúne duas áreas que já apresentam forte expansão, a infraestrutura de inteligência artificial e o setor espacial comercial. A combinação, porém, cria lacunas que dificultam a construção de produtos de seguros sustentáveis.

Entre os obstáculos estão a ausência de referências suficientes para medir a frequência e o impacto de determinados eventos, além de dúvidas sobre regulamentação e disponibilidade de capital para absorver perdas de grande magnitude. Para as seguradoras, a dificuldade central está em estabelecer preços sem dispor de modelos suficientemente confiáveis.

Os problemas técnicos ampliam essa incerteza. Equipamentos em órbita estariam sujeitos a falhas durante o lançamento, radiação, defeitos de hardware, dificuldades para controlar o calor e colisões provocadas pelo aumento de detritos espaciais.

Há ainda uma diferença fundamental em relação aos centros de dados terrestres. Uma falha em um equipamento instalado no espaço não poderia ser resolvida simplesmente com a chegada de uma equipe de manutenção. Dependendo do problema, seria necessário organizar um novo lançamento para reparar ou substituir o componente afetado.

O setor segurador, portanto, enfrenta uma situação ambígua. De um lado, a expansão dos centros de dados orbitais pode criar um mercado multibilionário de cobertura. De outro, a falta de regulamentação consolidada, de capital suficiente e de modelos capazes de dimensionar os riscos torna incerta a velocidade com que esse mercado poderá amadurecer.

Para os projetos de computação orbital avançarem, não basta colocar os equipamentos em órbita. Será necessário também estabelecer condições para que investidores, empresas espaciais e seguradoras consigam estimar perdas, definir preços e determinar quem assumirá os riscos de uma infraestrutura ainda sem precedente em escala comercial.

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IA da Meta pode “ler pensamentos”? Não é bem assim

Pesquisadores da divisão de Inteligência Artificial (IA) da Meta anunciaram um avanço significativo no campo das interfaces cérebro-computador (BCI). O novo sistema, batizado de Brain2QWERTY v2, é capaz de traduzir a atividade cerebral diretamente em frases de texto em tempo real, eliminando totalmente a necessidade de implantes cirúrgicos. 

A tecnologia utiliza sensores magnéticos externos para captar os sinais neurais, alcançando níveis de precisão que até então eram exclusivos de procedimentos invasivos.

O objetivo central do projeto é restaurar a capacidade de comunicação de milhões de pessoas impactadas por lesões cerebrais, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) ou condições neurodegenerativas que afetam a fala. 

Embora cirurgias com eletrodos intracranianos já tenham demonstrado eficácia em neuropróteses, a complexidade e os riscos biológicos desses procedimentos limitam sua adoção em larga escala. A nova abordagem não invasiva surge como uma alternativa segura e escalável para fechar essa lacuna.

Nova IA da Meta detecta intenção motora

Apesar do fascínio que a tecnologia desperta, existe uma distinção técnica – e filosófica –  sobre o que o sistema realmente faz.  Em entrevista ao programa Olhar Digital News, na coluna Olhar do Amanhã, o neurocientista, futurista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Álvaro Machado Dias, esclareceu à apresentadora Marisa Silva que a máquina não lê pensamentos, mas sim a intenção motora de executar uma ação.

“Eles não capturam o pensamento, eles só capturam essa intenção motora. O que acontece é o seguinte: quando a gente vai digitar alguma coisa, existe uma ‘cápsula de pensamento’, um snippet, um trechinho, que serve para o planejamento motor”, explicou Machado Dias. “Existe uma área chamada suplementar motora no córtex pré-frontal que serve ao planejamento e se mantém sincrônica durante o processo de digitação. A digitação em si é fluida, mas o planejamento está lá.”

Álvaro Machado Dias em participação no programa Olhar Digital News, com Marisa Silva, falando sobre a nova IA da Meta. – Crédito: Olhar Digital

Para capturar essa dinâmica, a Meta utilizou a magnetoencefalografia (MEG), um equipamento de grande porte que combina a precisão temporal da eletroencefalografia (EEG) com a resolução espacial da ressonância magnética funcional. Na prática, a máquina consegue mapear onde e quando a atividade elétrica ocorre no cérebro enquanto a pessoa planeja digitar.

Diferente de métodos anteriores, que dependiam da identificação manual de padrões neurais, o Brain2QWERTY v2 emprega aprendizado profundo de ponta a ponta (end-to-end deep learning). A arquitetura processa sinais brutos e ajusta grandes modelos de linguagem (LLMs) com base nos dados neurais. 

Como aponta o neurocientista, o segredo do sucesso do sistema está no trabalho conjunto entre o sensor e o modelo de linguagem. “A máquina identifica um pouquinho o que está sendo lido e um LLM tenta traduzir que raios é aquilo no contexto da frase. A combinação das duas coisas gera uma leitura que não é do pensamento em si. Ninguém está extraindo o pensamento da mente das pessoas, mas sim desse comportamento que está na sua essência, direcionando o que vai ser escrito, portanto, a intenção.”

Saltos de precisão e a escala de dados

Para treinar o modelo, a equipe da Meta coletou dados de nove voluntários ao longo de 10 horas de gravação por indivíduo, totalizando cerca de 22 mil frases registradas enquanto os participantes digitavam sob o equipamento de MEG.

Os resultados impressionaram a comunidade científica: o Brain2QWERTY v2 atingiu uma taxa média de precisão de palavras de 61%, superando drasticamente o marco de apenas 8% registrado por outras metodologias não invasivas. No participante com o melhor desempenho, a precisão alcançou 78%, sendo que mais da metade de suas frases foi traduzida com no máximo um erro pontual.

Além disso, os pesquisadores observaram que a precisão melhora de forma log-linear à medida que o volume de dados aumenta. Isso sugere que a diferença de desempenho que ainda separa os métodos sem cirurgia dos implantes cirúrgicos invasivos pode ser reduzida gradualmente apenas com o aumento da escala de treinamento do modelo.

Privacidade cognitiva e o debate sobre os neurodireitos

O especialista enfatizou que a leitura de pensamentos representaria um risco de invasão e manipulação “à revelia”, enquanto a intenção preserva a autonomia e a consciência do indivíduo.

Para ele, o avanço desse tipo de tecnologia abre portas para debates urgentes no campo dos neurodireitos e da privacidade cognitiva. Se um dispositivo é capaz de prever com fluidez o que você pretende escrever, o uso comercial dessa informação por grandes corporações de tecnologia acende um alerta.

“A coisa começa a funcionar. Daqui a pouco, a máquina está, através dessa sua intenção, identificando o que você vai digitar e, portanto, o que você está almejando ou pensando indiretamente, e te oferecendo propaganda”, alertou o professor da Unifesp. “Está aí o risco. É um risco do bom e velho uso da manipulação através do contexto, para te entubar alguma coisa – seja um produto ou seja uma mensagem ideológica, o que pode se tornar muito mais problemático.”

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Este gráfico mostra que, antes de você digitar (ponto 0), o cérebro antecipa o que vai escrever: primeiro ele processa o sentido geral da frase, depois escolhe a palavra, pensa na sílaba e, só no final, na letra exata. – Crédito: AI Meta / Brain2qwerty / Divulgação

A discussão sobre neurodireitos também se estende para a gestão de dados biológicos e genéticos que possam prever doenças neurodegenerativas ou transtornos mentais, correndo o risco de serem utilizados de forma discriminatória por planos de saúde e corporações em países onde não há blindagem jurídica estrita.

Leia mais:

O mistério que permanece indecodificável pela IA da Meta

Apesar dos rápidos avanços da IA aplicada à neurociência, cientistas concordam que a mente humana mantém seu núcleo preservado. A conversão de impulsos neurais em experiência consciente e abstrata continua sendo um terreno intocado.

“Essas leituras de pensamento hoje são sempre proxies [aproximações]. Elas não estão efetivamente no domínio do simbólico. Quando você imagina alguma coisa, você pensa em palavras, tudo isso envolve algo que para nós segue misterioso: como essa atividade neurológica, que lembra um pouco o código Morse, se converte na experiência mental que a gente tem. Isso ninguém sabe, e talvez seja o maior mistério que a gente tem para desvendar em todos os tempos”, concluiu Machado Dias.

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Apple tem nova aposta para a China – e não é o iPhone

A Apple treinou um modelo de linguagem próprio para o mercado chinês com apoio da Alibaba, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters. A iniciativa representa uma mudança na estratégia da empresa para levar inteligência artificial aos iPhones e outros dispositivos vendidos no país.

Até agora, a Apple vinha recorrendo principalmente a modelos de empresas chinesas. Agora, passa a desenvolver sua própria tecnologia enquanto tenta cumprir as regras locais e reagir à concorrência de fabricantes como a Huawei.

A parceria com a Alibaba foi confirmada em 2025. Agora, a Apple também treina um modelo próprio específico para o mercado chinês. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Modelo foi criado para o mercado chinês

Na China, modelos americanos como Claude, da Anthropic, e ChatGPT, da OpenAI, não estão disponíveis. Por isso, a Apple vinha trabalhando com parceiros locais para levar recursos de IA generativa aos seus aparelhos.

O novo modelo pode dar à empresa mais controle sobre a experiência oferecida aos usuários chineses. Ainda não se sabe, porém, como ele será usado junto às tecnologias de terceiros.

O Apple Intelligence é esperado na China nos próximos meses, depois de uma atualização do iOS.

Alibaba ajuda no desenvolvimento

A parceria entre Apple e Alibaba veio a público em fevereiro de 2025. Naquele momento, Joe Tsai, presidente da Alibaba, revelou que a Apple havia avaliado diferentes empresas chinesas antes de fechar o acordo.

“Eles conversaram com várias empresas na China. No fim, escolheram fazer negócios conosco”, afirmou Tsai.

O lançamento do Apple Intelligence acabou atrasado enquanto a Apple adaptava seus recursos às exigências chinesas. O processo regulatório terminou no mês passado, quando a Administração do Ciberespaço da China registrou o serviço de IA generativa da companhia.

Na versão destinada ao país, o modelo Qwen, da Alibaba, será incorporado ao Apple Intelligence. A tecnologia da Baidu também deve fazer parte do serviço.

Os principais componentes dessa operação são:

  • modelo próprio da Apple voltado à China;
  • suporte da Alibaba durante o treinamento;
  • integração do Qwen ao Apple Intelligence;
  • tecnologia da Baidu prevista para o serviço;
  • aprovação regulatória para a IA generativa da Apple.
Logo da Apple ao lado de inteligência artificial (IA)
O desafio da Apple na China vai além de criar uma IA: é preciso adaptar o serviço às regras locais e competir com fabricantes avançados – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Apple tenta recuperar espaço na China

A China representa um mercado importante para a Apple, mas a empresa perdeu terreno para fabricantes locais. A falta de recursos de IA nos iPhones vendidos no país foi apontada como um dos fatores que pesaram sobre as vendas, enquanto concorrentes ofereciam aparelhos com assistentes de inteligência artificial integrados.

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A combinação de tecnologia própria com modelos chineses também coloca a Apple em uma posição incomum para uma companhia estrangeira. A fórmula pode ajudá-la a atender às exigências de Pequim e, ao mesmo tempo, manter parte do controle sobre seus recursos de IA.

Ainda falta uma peça importante nessa equação: não está claro qual será o papel do modelo treinado pela Apple ao lado do Qwen, da Baidu e de outras tecnologias de terceiros. Essa definição deverá determinar como o Apple Intelligence funcionará nos dispositivos vendidos na China.

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IA amplia conversas entre máquinas, mas pode tornar o contato humano mais raro

A inteligência artificial deixou de atuar apenas como ferramenta de apoio e passou a ocupar posições antes reservadas às pessoas em processos de trabalho, estudos, atendimento e relacionamentos. Em muitos casos, sistemas automatizados já produzem mensagens, avaliam conteúdos e tomam decisões em nome de seus usuários.

O movimento cria uma nova dinâmica: em vez de uma pessoa conversar diretamente com outra, dois sistemas podem assumir os lados de uma mesma interação. Pesquisadores e especialistas citados pelo The New York Times alertam que esse ciclo pode reproduzir erros, reforçar limitações compartilhadas pelos modelos e reduzir o espaço destinado à imprevisibilidade das relações humanas.

O fenômeno, descrito na reportagem como um possível “bot loop”, tende a ganhar força à medida que agentes digitais passam a executar tarefas cada vez mais complexas. A perspectiva é de que contatos entre máquinas se tornem mais frequentes no trabalho, na educação, no atendimento ao consumidor e até na vida afetiva.

Quando a inteligência artificial passa a conversar por nós

Agente de IA – Imagem: Koupei Studio / Shutterstock

Um exemplo dessa transformação aparece no mercado de trabalho. Christian Vinson, de 30 anos, utilizou dois chatbots para organizar informações sobre sua trajetória profissional e adaptar cartas de apresentação a centenas de oportunidades. O candidato empregou a tecnologia para disputar vagas em um ambiente no qual empresas também recorrem a sistemas automatizados para selecionar currículos. Ele acabou contratado por um banco de investimentos em Nova York.

A situação resume uma mudança mais ampla. A mesma tecnologia pode participar tanto da produção quanto da avaliação de um conteúdo, criando uma espécie de circuito fechado entre sistemas artificiais. Na educação, estudantes recorrem a chatbots para elaborar trabalhos enquanto professores e instituições utilizam ferramentas de inteligência artificial para analisá-los.

O mesmo padrão aparece na comunicação profissional. Funcionários enviam textos produzidos por sistemas automatizados, e os destinatários podem responder utilizando ferramentas semelhantes. A conversa permanece formalmente entre pessoas, mas uma parcela crescente de sua elaboração é transferida para máquinas.

A expansão também alcança conteúdos de entretenimento e informação. A reportagem cita podcasts nos quais apresentadores artificiais conversam com convidados artificiais e observa que empresas de tecnologia já exploram ambientes nos quais agentes de inteligência artificial podem interagir diretamente entre si.

Esse cenário se aproxima da chamada teoria da internet morta, segundo a qual uma parcela cada vez maior do tráfego digital seria produzida por softwares. O novo fenômeno apontado pela reportagem é mais específico: ocorre quando os humanos deixam de participar diretamente das duas pontas de uma interação e passam a funcionar como responsáveis por colocar os sistemas em contato.

A tendência pode aparecer até em situações corriqueiras. Diante de um problema doméstico, por exemplo, uma pessoa poderia delegar a um assistente digital a tarefa de procurar profissionais, comparar condições e entrar em contato com eles. Do outro lado, os prestadores de serviço também poderiam utilizar agentes automatizados para administrar as solicitações recebidas.

Jiaxin Pei, professora assistente da Escola de Informação da Universidade do Texas em Austin, identifica nesse processo uma espécie de circuito que pode se prolongar indefinidamente. A preocupação está no fato de que, à medida que os dois lados passam a utilizar agentes digitais, a comunicação pode deixar de exigir participação humana direta.

A substituição também começa a atingir a representação pessoal. Justin Lester, pastor da Califórnia, treinou um agente de inteligência artificial para atender fiéis quando não está disponível. A reportagem considera que o passo seguinte pode envolver agentes digitais representando simultaneamente as pessoas dos dois lados de uma conversa ou reunião.

Executivos também já utilizam avatares alimentados por inteligência artificial para participar de encontros com funcionários. A possibilidade levantada no texto é que, no futuro, os próprios empregados recorram a representações digitais para essas mesmas reuniões.

O problema dos erros que se multiplicam

Telemedicina só chega a 10% dos municípios brasileiros
(Créditos: Phanphen Kaewwannarat / iStock)

A automação da comunicação não elimina os problemas dos sistemas de inteligência artificial. Ao contrário, quando uma ferramenta entrega informações a outra, uma falha inicial pode atravessar várias etapas sem ser percebida por uma pessoa.

Soheil Feizi, professor associado de ciência da computação da Universidade de Maryland, chama atenção para um risco específico: sistemas semelhantes podem compartilhar as mesmas limitações. Quando um modelo comete um erro e outro sistema recebe aquela informação como se fosse correta, a falha pode ganhar força em vez de ser corrigida.

Um estudo citado na reportagem sobre o uso de inteligência artificial em hospitais apresenta um cenário desse tipo. Uma ferramenta poderia analisar imagens de raios X, outra utilizar a avaliação para organizar os quartos e uma terceira definir a ordem de atendimento. Caso o primeiro sistema erre e não exista uma verificação humana, a informação incorreta poderá influenciar todas as decisões seguintes.

Há ainda outro mecanismo de retroalimentação. Pesquisas mencionadas no texto indicam que sistemas de inteligência artificial podem demonstrar preferência por conteúdos produzidos por outras inteligências artificiais. Um estudo citado encontrou maior aprovação de currículos elaborados por máquinas por parte de sistemas automatizados de seleção.

Esse comportamento pode produzir efeitos especialmente delicados em processos nos quais a própria inteligência artificial participa tanto da produção quanto da avaliação. A reportagem relaciona essa possibilidade ao uso de leitores automatizados em processos de admissão universitária, nos quais textos produzidos por estudantes podem ser avaliados por ferramentas semelhantes às que ajudaram a produzi-los.

A perda da fricção humana

Além dos erros técnicos, especialistas entrevistados pela reportagem apontam uma consequência menos mensurável: a possível transformação das expectativas sobre o que significa conversar com outra pessoa.

Sarah Davis, antropóloga cultural e reitora do St. John’s College, em Santa Fe, no Novo México, considera que a fluidez das interações entre máquinas pode fazer com que as pessoas passem a rejeitar características inevitáveis dos relacionamentos humanos. Para ela, a convivência depende também de dificuldades, divergências e momentos de desconforto.

A preocupação é que uma comunicação excessivamente previsível torne a interação humana menos atraente. Se sistemas artificiais conseguem oferecer respostas rápidas, organizadas e constantemente disponíveis, a tolerância às imperfeições das pessoas pode diminuir.

A reportagem ressalta que a discussão não precisa necessariamente terminar em um cenário no qual máquinas assumirão completamente a comunicação. Uma possibilidade considerada mais provável é uma mudança gradual na proporção entre diferentes tipos de interação, com a participação humana direta ocupando uma parcela menor do cotidiano.

Nesse futuro, conversar com uma pessoa poderia deixar de ser algo presumido e passar a ser um serviço diferenciado. O contato humano direto, hoje esperado em diversas situações, poderia adquirir um caráter de exclusividade, acessível principalmente a quem tivesse condições de pagar por ele.

A ironia apontada pela reportagem está justamente aí. Os indivíduos que mais se beneficiarem economicamente da expansão da inteligência artificial poderiam ter recursos para comprar experiências humanas que se tornariam progressivamente mais raras para o restante da sociedade.

O avanço dos agentes digitais, portanto, não representa apenas uma mudança na forma como ferramentas tecnológicas executam tarefas. Ele também pode alterar quem participa das conversas, quem toma decisões e quanto contato direto entre pessoas permanece em atividades que antes dependiam essencialmente de relações humanas.

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Brasil supera EUA na adoção de agentes de IA pelas empresas

O Brasil já aparece entre os mercados com maior adoção corporativa de inteligência artificial. Segundo estudo global da Sinch com 2.527 executivos, 76% das empresas brasileiras mantêm agentes de IA em produção. A taxa supera a média mundial, de 62%, e a dos Estados Unidos, de 67%.

O cenário de expansão tem um contraponto: problemas de governança ainda levam empresas a recuar em projetos de IA. No país, 80% das organizações já interromperam ou reverteram alguma implementação. Em 39% desses casos, houve vazamento de dados ou de informações pessoais.

Agentes de IA deixaram a fase de teste em muitas empresas brasileiras. O desafio agora é manter a tecnologia segura e sob controle. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Investimentos devem continuar

A intenção de ampliar os gastos mostra que esses problemas não frearam os planos das companhias. O levantamento aponta que 66% das empresas brasileiras pretendem aumentar em mais de 25% os investimentos em IA. Só a Índia apresenta uma taxa maior, de 71%.

A infraestrutura também entrou na pauta. Hoje, 48% das empresas brasileiras avaliam novos fornecedores para dar suporte aos projetos de inteligência artificial. O índice é inferior apenas ao da Índia, que chega a 50%.

América Latina corre mais riscos

A diferença de ritmo fica ainda mais evidente na comparação entre as regiões. Na América Latina, 21% das empresas planejam elevar os investimentos em IA em mais de 50%. Na América do Norte, são 12%.

A região latino-americana, porém, também registra mais problemas relacionados à proteção de dados. Segundo a pesquisa, 41% das organizações precisaram desligar agentes de IA após vazamentos. Na América do Norte, o percentual foi de 26%.

Nas Américas, 87,2% das empresas consideram a infraestrutura de comunicação essencial para seus projetos de IA. O mesmo percentual diz ter avaliado ou negociado com novos fornecedores nos últimos 12 meses.

Os números que ajudam a dimensionar o cenário brasileiro são:

  • 76% das empresas já operam agentes de IA em produção;
  • 80% interromperam ou reverteram implementações por questões de governança;
  • 39% dos rollbacks ocorreram após vazamentos de dados ou informações pessoais;
  • 66% pretendem elevar os investimentos em mais de 25%;
  • 48% estão avaliando novos fornecedores.
Mão de robô tocando um cadeado holográfico
Na América Latina, 41% das organizações desligaram agentes de IA após vazamentos. Na América do Norte, foram 26%. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Segurança vira parte da equação

Para Mario Marchetti, CEO da Sinch na América Latina, o momento exige uma mudança de foco. “O desafio agora não é mais adotar IA, mas garantir que ela seja segura, governada e capaz de entregar experiências consistentes para o cliente”, afirma.

Leia mais:

O estudo The AI Production Paradox ouviu executivos seniores de dez países e seis setores da economia. Os resultados mostram que colocar agentes de IA em funcionamento já é uma realidade para muitas empresas brasileiras. O próximo passo será manter esses sistemas operando sem abrir mão da segurança e da governança.

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O lado B da IA: custo dos golpes despenca e ataques sofisticados se multiplicam

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O alvoroço em torno da inteligência artificial (IA) tem sido alimentado pelo enorme potencial que essa tecnologia tem de escancarar novas portas e transformar empresas e negócios, de todos os setores. O que também vale – e já está se mostrando verdade – para um segmento, em particular: o cibercrime. “Os crimes de roubo de […]

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A nova missão dos CEOs é ser um maestro de agentes de IA, segundo o futurista Neil Redding

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À parte dessas facetas e dos trabalhos desenvolvidos com empresas como Apple, Nike e Visa, o americano Neil Redding, consultor, palestrante e arquiteto de inovação, é mais conhecido como “futurista do agora”, ao abordar como tecnologias emergentes e inovadoras já estão transformando o mercado. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) generativa tem sido um tema […]

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O megateste do boom da IA: Anthropic mira valuation de US$ 2 trilhões em IPO que pode superar o da SpaceX

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A startup Anthropic, criadora do agente Claude, está prestes a levar o boom da inteligência artificial ao seu maior teste público, no IPO esperado para outubro. O entusiasmo não vem da própria empresa — que entrou em período de silêncio após protocolar documentos na SEC, órgão regulador do mercado financeiro americano — mas de investidores […]

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