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ARTIGO. “Precisamos agir agora”: o alerta urgente dos economistas de Stanford sobre a IA

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Recentemente, mais de 200 economistas e pesquisadores de inteligência artificial, entre eles 16 vencedores do Prêmio Nobel, como Daron Acemoglu e Michael Spence, além de executivos de Anthropic, Google e OpenAI, assinaram uma carta aberta dizendo que “precisamos agir agora”. O texto, organizado pelo Stanford Digital Economy Lab e divulgado em meados de julho, afirma […]

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IA brasileira para processos judiciais já vale US$ 1,2 bilhão

A brasileira Enter atingiu valor de mercado de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,16 bilhões) em maio e se tornou o primeiro unicórnio de IA da América Latina. Criada em 2023, a startup desenvolve ferramentas para empresas que precisam lidar com processos judiciais.

A nova rodada de investimentos levantou mais de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 514 milhões) com Sequoia e Founders Fund, investidores que já haviam colocado dinheiro na companhia. O aporte triplicou a avaliação da Enter.

A Enter usa agentes de IA para analisar processos, contratos, áudios, vídeos e extratos antes da entrada de um profissional humano. Imagem: TANYARICO/Shutterstock

IA para analisar processos

Criada por Mateus Costa-Ribeiro e Henrique Vaz, a Enter começou pelo setor jurídico. A tecnologia pode atuar em diferentes momentos de um processo, incluindo cadastro de ações, análise de jurisprudências, detecção de fraudes documentais e sugestão de minutas.

Os agentes de IA também analisam os arquivos relacionados aos casos. Contratos, áudios, vídeos e extratos estão entre os materiais que podem ser examinados em busca de informações relevantes para a defesa.

“Começando pelo jurídico, a tecnologia da Enter traz mais eficiência para todo o ciclo de um processo judicial: do cadastro de ações e detecção de fraudes documentais à análise de jurisprudências e sugestão de minutas”, afirma a empresa.

A Enter diz ainda realizar mais de 30 verificações para encontrar sinais de litigância abusiva, entre eles:

  • litispendência, quando uma mesma ação é apresentada mais de uma vez à Justiça;
  • adulteração de documentos;
  • atuação coordenada entre litigantes;
  • padrões identificados durante a análise dos processos.

O agente de IA vem antes

Na operação descrita pela empresa, a inteligência artificial entra em cena antes do profissional humano. Cada arquivo é analisado por um agente de IA, que processa as informações antes da participação de uma pessoa.

“Cada etapa que se pode imaginar em um processo judicial é primeiro tratada por um agente de IA antes da entrada de um humano”, disse Costa-Ribeiro à Bloomberg, em maio.

Ilustração representa o crescimento de uma startup até se tornar um unicórnio
O que começou com uma petição em PDF e uma sugestão de contestação por e-mail virou o primeiro unicórnio de IA da América Latina. – Imagem: ANUCHIT786 / Shutterstock

A aposta de um ex-advogado

A história da Enter começou depois que Costa-Ribeiro deixou um dos principais escritórios de advocacia de Nova York para trabalhar com tecnologia. Ele contou no LinkedIn que a decisão significou abandonar um emprego estável e um salário que seria muito maior do que o recebido na nova atividade.

Leia mais:

O executivo passou a trabalhar com engenheiros de software, aprendeu programação e mudou-se para Stanford. Com dois amigos, desenvolveu um site no qual o usuário enviava uma petição inicial em PDF e recebia por e-mail uma sugestão de contestação.

“Era setembro de 2023, e eu não tinha ideia de que aquele Google Forms feio — a primeira interface do produto da Enter — se transformaria na maior aventura de autoconhecimento e crescimento da minha vida”, celebrou.

O protótipo simples acabou dando origem à Enter, que menos de dois anos depois alcançou avaliação de US$ 1,2 bilhão.

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Como o Olhar Digital acompanha a revolução da inteligência artificial

Hoje, é difícil encontrar quem não tenha ouvido falar em ChatGPT. O chatbot da OpenAI chegou ao cotidiano de milhões de pessoas, dividindo espaço com ferramentas de empresas como Google, Microsoft, Meta e Anthropic. Para muita gente, conversar com uma inteligência artificial para pesquisar informações, escrever textos, programar ou criar imagens já faz parte da rotina. No início de 2023, porém, explicar o que era o ChatGPT ainda era uma das tarefas da imprensa de tecnologia.

Em janeiro daquele ano, o Olhar Digital publicou um guia para responder justamente a essas perguntas. “O que é ChatGPT e como acessar a inteligência artificial em português” explicava o que era um modelo de linguagem, como funcionava e quais eram suas limitações. Naquele momento, o texto precisava apresentar uma tecnologia que ainda era novidade para boa parte do público — e explicar que o serviço podia gerar textos, mas também poderia produzir informações incorretas e conteúdo enviesado.

Mas a história que levou até o ChatGPT havia começado alguns anos antes. Em 2019, o Olhar Digital já acompanhava o GPT-2, então descrito como um sistema capaz de produzir textos convincentes a ponto de levantar preocupações sobre desinformação, spam e outros usos maliciosos. Em 2020, a chegada do GPT-3 ampliou ainda mais essa discussão: o modelo tinha 175 bilhões de parâmetros e conseguia produzir textos sobre diferentes assuntos a partir de poucas amostras.

Em dezembro de 2022, poucos dias depois de a OpenAI apresentar o ChatGPT, o Olhar Digital publicou uma matéria chamando a ferramenta de “amigo virtual” e mostrando alguns dos usos que começavam a chamar atenção. A reportagem também registrava uma questão que continuaria acompanhando a evolução dos modelos: apesar de serem capazes de produzir respostas convincentes, eles também podiam inventar informações. De lá para cá, a inteligência artificial mudou — e a forma de acompanhar essa tecnologia também.

O desafio de acompanhar uma tecnologia que muda tão rápido

Se acompanhar a inteligência artificial já fazia parte da rotina de uma redação de tecnologia antes do ChatGPT, o ritmo de desenvolvimento dos últimos anos tornou essa tarefa ainda mais complexa. Novos modelos, recursos e empresas surgem constantemente, enquanto tecnologias que pareciam experimentais passam rapidamente a fazer parte de produtos usados no dia a dia. Para quem cobre o setor, não basta saber que uma novidade foi anunciada: é preciso entender o que mudou e qual é o impacto real daquela tecnologia.

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Há, porém, uma particularidade no trabalho de um portal de notícias: nem sempre é possível fazer toda essa avaliação antes de publicar a primeira notícia. O ritmo da cobertura é acelerado, especialmente quando uma empresa anuncia um novo produto ou modelo. Uma informação que acabou de ser divulgada pode deixar de ser novidade poucas horas depois. Por isso, a primeira etapa costuma ser noticiar o anúncio e, depois, aprofundar a apuração quando o assunto justifica.

Esse aprofundamento pode envolver testar a ferramenta, analisar benchmarks, consultar documentos e buscar especialistas. Nem toda novidade é testada pela redação, mas recursos que chamam a atenção do público, apresentam algum comportamento diferente ou levantam dúvidas podem ser colocados à prova. E essa seleção é discutida constantemente. A ideia é entender melhor aquilo que foi anunciado e identificar, na prática, suas possibilidades e limitações.

Os benchmarks também exigem cuidado. Empresas costumam apresentar resultados de avaliações para mostrar que um modelo é mais rápido, inteligente ou capaz que os anteriores e que os concorrentes. Mas um resultado superior em determinado teste não significa necessariamente que o sistema seja melhor em todas as tarefas. É preciso entender o que aquela avaliação mede, quais modelos foram comparados e em quais condições.

O que existe por trás de uma notícia sobre IA

Depois da notícia inicial, começa uma parte menos visível do trabalho: descobrir o que, de fato, existe por trás de uma novidade. A redação pode recorrer a pesquisas, documentos técnicos, demonstrações e resultados apresentados pelas próprias empresas, além de outras fontes capazes de colocar aquela informação em contexto. Quando a questão é complexa demais para ser compreendida apenas a partir desses materiais, entram os especialistas.

O Olhar Digital consulta pesquisadores, profissionais do mercado, colunistas e especialistas independentes de acordo com o assunto. Entre as fontes que ajudam a redação a entender temas relacionados à tecnologia e à inteligência artificial semanalmente estão Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação; Roberto Pena Spinelli, físico e especialista em IA; Álvaro Machado Dias, neurocientista, professor da Unifesp e futurista; e Leandro Alvarenga, consultor de privacidade e segurança. Eles fazem parte do time de colunistas do Olhar Digital News, nossa live diária, e do nosso site.

Esse processo parte de uma constatação simples: o jornalista não precisa saber tudo sobre a tecnologia que está cobrindo, mas precisa saber o que precisa entender antes de explicá-la ao leitor. É parecido com preparar um bolo sem necessariamente conhecer todas as reações químicas que fazem a receita funcionar. Quando aquela explicação é importante para compreender uma história, é preciso buscar quem consiga explicar o que acontece dentro do “forno”.

A apuração também pode envolver testar diretamente os sistemas. Isso acontece principalmente quando uma ferramenta apresenta algo diferente, curioso ou que levanta alguma suspeita de erro. Não é possível testar tudo o que é lançado no mercado, mas experimentar recursos que despertam interesse do público pode ajudar a transformar uma promessa em uma informação mais concreta.

Quando a inteligência artificial também vira ferramenta de trabalho

A relação da redação com a inteligência artificial não acontece apenas nas matérias publicadas. À medida que essas ferramentas evoluíram, elas também passaram a fazer parte da rotina de produção jornalística. A adoção não aconteceu de uma hora para outra e foi acompanhada de muita cautela, mas hoje a IA já está presente em diferentes etapas do trabalho — como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do jornalista.

Um dos impactos mais concretos aparece nas entrevistas. Durante muito tempo, transformar uma conversa gravada em texto significava ouvir novamente todo o material e fazer a transcrição manualmente, um processo que podia consumir horas. Hoje, praticamente toda ferramenta de videochamada oferece algum recurso de transcrição automática, além de existirem serviços específicos para essa tarefa que utilizam IA.

A mudança parece simples, mas representa uma economia significativa de tempo. A ferramenta transforma a gravação em texto e deixa para o jornalista uma etapa que exige muito mais decisão: conferir o material, identificar as declarações relevantes, selecionar os trechos que serão utilizados e contextualizá-los na reportagem. A IA não faz a entrevista nem decide o que deve ser publicado; ela reduz uma parte mecânica do processo.

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A pesquisa também mudou. Ferramentas de IA podem ajudar a encontrar caminhos para uma apuração, organizar informações ou localizar documentos e páginas relevantes. Mas existe uma diferença importante entre usar uma IA para encontrar uma fonte e usar a resposta da IA como fonte. Quando uma ferramenta indica um link, o material original precisa ser aberto e conferido.

Esse cuidado ficou ainda mais importante à medida que os sistemas melhoraram. No início da popularização dessas ferramentas, era comum encontrar informações inventadas durante pesquisas. Hoje, esse tipo de problema se tornou menos frequente, mas a resposta de uma IA ainda não é tratada como informação definitiva. A fonte original continua sendo o ponto de verificação.

Na rotina, diferentes ferramentas também acabam sendo usadas para diferentes necessidades. O ChatGPT pode ajudar na organização de fluxos de trabalho e na geração de imagens; o Modo IA da busca do Google pode facilitar a localização de links; o Notebook Gemini, antigo NotebookLM, pode ser usado para consultar documentos; o TurboScribe, para transcrever entrevistas; e o Claude, para auxiliar na revisão de textos, por exemplo.

A geração de imagens, por outro lado, tem um uso mais pontual. Em geral, bancos de imagens e fotos oficiais continuam sendo a opção preferida, mas existem situações em que não há uma fotografia adequada ou em que uma imagem criada artificialmente consegue representar um conceito que seria difícil de explicar apenas com texto. Nesses casos, a IA pode funcionar como mais uma possibilidade de ilustração.

No fim, a escolha da ferramenta depende da tarefa. Não existe uma única IA que resolva todas as necessidades da redação, assim como não existe uma ferramenta que substitua todas as etapas do trabalho jornalístico. A preocupação é fazer com que a tecnologia interfira o mínimo possível nas decisões que continuam sendo responsabilidade do jornalista.

O problema de informar sobre uma tecnologia que também produz informação

A inteligência artificial também mudou o ambiente em que o jornalismo é produzido. Se antes a internet era principalmente o lugar onde o jornalista encontrava informações publicadas por outras pessoas, hoje ela também está cheia de textos, imagens e outros conteúdos produzidos ou modificados por sistemas de IA. Isso cria uma camada adicional de verificação para quem precisa separar informação confiável de conteúdo que apenas parece convincente.

O problema não está apenas em identificar se determinado material foi feito por uma inteligência artificial. Mesmo quando a origem é conhecida, ainda é preciso avaliar se a informação está correta. Modelos de linguagem podem produzir respostas coerentes e bem fundamentadas na aparência, mas que contêm erros ou informações inventadas.

Essa preocupação já fazia parte da cobertura do Olhar Digital antes da popularização do ChatGPT. Em 2020, ao falar sobre o GPT-3, a redação registrava preocupações relacionadas a possíveis usos para desinformação, spam, phishing e outros abusos. Na matéria sobre o ChatGPT publicada no fim de 2022, também aparecia a capacidade de o sistema inventar informações que não existiam.

Hoje, essa questão ganhou uma dimensão maior porque a IA deixou de ser apenas o assunto da notícia e passou a fazer parte do próprio processo de produção e circulação de informações. Para uma redação que acompanha essa tecnologia diariamente, isso significa manter uma pergunta básica em diferentes etapas da apuração: será que é isso mesmo?

A inteligência artificial mudou muito desde aquelas primeiras matérias sobre GPT-2, GPT-3 e ChatGPT. A cobertura também mudou com ela. O que permanece é a necessidade de entender a tecnologia antes de explicá-la, verificar aquilo que pode estar errado e encontrar especialistas quando uma questão exige conhecimento que vai além da própria redação.

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Livros podem ser usados para treinar IA? O debate sobre direitos autorais

Os modelos de inteligência artificial que alimentam ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude foram treinados em bases de dados com centenas de milhões de livros publicados, artigos, trabalhos acadêmicos e conteúdo da internet. A maioria dos autores cujas obras integram esses conjuntos de dados não foi consultada nem deu consentimento. Essa prática é legal? A resposta a essa pergunta é complexa.
Em entrevista ao TechCrunch, Cathy Gellis, advogada especializada em propriedade intelectual, direitos autorais e tecnologia, afirma:

Acho que um dos problemas com toda essa área do direito e toda essa área de tecnologia é que há muita coisa acontecendo. É muito complexo e há muitos sentimentos à flor da pele sobre o que está acontecendo, tanto a favor quanto contra.

O caso Anthropic e o que o juiz realmente decidiu

Em uma das primeiras decisões desse tipo, o juiz William Alsup determinou que a Anthropic pagasse um acordo de US$ 1,5 bilhão a um grupo de escritores cujas obras foram usadas no treinamento dos modelos de IA da empresa. Apesar do valor, Alsup concluiu que o treinamento em si foi legal. O que ele penalizou foi a obtenção pirata dos livros a partir de bibliotecas digitais ilegais.

Na decisão, o juiz comparou a forma como um modelo de linguagem ingere trilhões de palavras ao processo de um aluno que lê obras existentes para criar uma nova. “Assim como qualquer leitor que aspira a ser escritor, os LLMs da Anthropic treinaram sobre obras não para avançar e replicá-las ou substituí-las, mas para virar uma curva difícil e criar algo diferente”, escreveu Alsup.

Anthropic é a criadora do chatbot Claude

Gellis avalia que a decisão é mais favorável às empresas de IA do que aos autores. A multa de US$ 1,5 bilhão pesa diferente para uma empresa que projeta cerca de US$ 200 bilhões em receita anual até 2028. “Acho que, de modo geral, é uma boa notícia para o treinamento de IA que ele tenha analisado o que estava acontecendo e realmente considerado análogo à leitura de uma obra protegida por direitos autorais, em oposição à cópia de uma obra protegida por direitos autorais”, disse Gellis. “A lei de direitos autorais se baseia na cópia, mas não se baseia no uso da obra, na experiência da obra, no consumo da obra, na leitura da obra.”

Uma lei de 1976 diante de questões do século XXI

A lei de direitos autorais dos Estados Unidos não é atualizada desde 1976, o que obriga os juízes a interpretar diretrizes de 50 anos atrás para decidir questões com potencial de moldar o futuro da indústria de IA.

Grande parte dos casos gira em torno do conceito de uso justo (fair use), que determina se o uso de uma obra protegida é “transformador” o suficiente para ser legalmente permitido. Trata-se de uma exceção ao direito autoral que permite o uso de obras protegidas sem autorização explícita, cobrindo crítica, paródia, educação e outros fins. Os juízes analisam fatores como a finalidade e a natureza do uso, a quantidade utilizada e o impacto sobre o mercado da obra original.

Jason Henderson, advogado sênior e fundador da Prática de PI e Mídia do JWL International, disse ao TechCrunch: “O direito autoral é sempre sobre proteger e expandir o mercado”. Segundo ele, os tribunais têm penalizado casos em que o treinamento sobre uma obra tem como objetivo competir diretamente com ela, e tendem a aceitar usos que não gerem essa concorrência direta.

Decisões jurídicas

A empresa de mídia e tecnologia Thomson Reuters processou a firma de pesquisa Ross Intelligence por copiar seu conteúdo para construir uma plataforma jurídica baseada em IA que concorreria diretamente com ela. O juiz Stephanos Bibas concluiu que o uso não era transformador porque não tinha “uma finalidade adicional ou caráter diferente” do conteúdo da Thomson Reuters.

Embora autores pudessem argumentar que chatbots competem com eles ao usar suas obras para gerar novos livros sintéticos, esse argumento ainda não prevaleceu nos tribunais.

Gellis destaca que a relação entre IA e direitos autorais envolve duas questões distintas: o uso de obras no treinamento de modelos e a proteção de conteúdo gerado por IA. Em outro julgamento nos Estados Unidos, o tribunal decidiu que uma obra 100% gerada por IA não pode ser protegida por direitos autorais. Isso abre uma nova camada de incerteza: como provar de forma definitiva se uma obra foi gerada com IA? E, se foi, qual percentual dela é de autoria humana ou assistida por máquina?

Se você escreve seu romance no Word e usa o corretor ortográfico, nos sentimos confortáveis com a ideia de dizer que o Word não é dono do seu romance. A IA está nos forçando a olhar para um monte de decisões que ignoramos por um tempo.

Cathy Gellis

A maioria das empresas de IA ainda enfrenta litígios pendentes sobre essas questões. “O que você está vendo é que as primeiras decisões estão sendo influentes, e essa influência pode ser desfeita se outros tribunais decidirem de forma diferente, e levará estágios posteriores de litígio para descobrir qual prevalecerá”, disse Gellis. “Mas, enquanto isso, todas essas decisões estão moldando tudo o que está acontecendo. Seria um tanto tolo para as empresas de IA ignorá-las.”

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OpenAI muda posição e pede reforço em lei de segurança de IA

A OpenAI mudou sua posição sobre a legislação de segurança para inteligência artificial (IA) na Califórnia e agora defende o fortalecimento da SB 53. Em publicação feita na sexta-feira (21), a área de Assuntos Globais da empresa afirmou apoiar a lei, que entrou em vigor no estado no ano passado, mas pediu alterações para ampliar as proteções de segurança aplicadas aos modelos de IA de fronteira.

A posição atual contrasta com a atuação anterior da empresa na discussão sobre leis de segurança de IA na Califórnia. Em 2024, a OpenAI se opôs à SB 1047, projeto de lei anterior sobre segurança de modelos de inteligência artificial. Já durante a tramitação da SB 53, em 2025, a companhia pressionou por mudanças no texto e defendeu maior alinhamento com padrões federais e internacionais. Agora, a empresa passa a defender publicamente a legislação estadual como uma base importante para a segurança de IA de fronteira e quer ampliar suas salvaguardas.

No texto publicado no LinkedIn da empresa, a OpenAI defendeu uma abordagem que chama de “federalismo reverso“. A ideia é que os estados avancem em proteções compatíveis enquanto o Congresso dos Estados Unidos continua discutindo uma legislação federal, criando uma possível base para um futuro padrão nacional de segurança para IA de fronteira.

OpenAI quer ampliar as proteções da SB 53

Segundo a OpenAI, a SB 53 estabeleceu uma base importante para a segurança de modelos de IA de fronteira na Califórnia e ajudou a avançar uma estrutura comum que também começa a surgir em outros estados. A empresa citou como elementos centrais da legislação as exigências de avaliação de riscos, transparência, comunicação de incidentes e segurança.

A companhia, porém, afirma que a harmonização das regras não deve significar manter os requisitos de segurança inalterados. Como os modelos de IA de fronteira avançam rapidamente, a OpenAI defende que legisladores e desenvolvedores possam incorporar aprendizados de acontecimentos reais e transformá-los em novas salvaguardas.

Por isso, a empresa afirmou estar comprometida em trabalhar com a Assembleia Legislativa da Califórnia e com o governador do estado para fortalecer a SB 53. Uma das mudanças propostas é exigir o monitoramento de modelos de fronteira durante treinamento ou avaliação para identificar possíveis incidentes graves.

A OpenAI cita como exemplo comportamentos que possam contornar controles de segurança de terceiros e comprometer informações confidenciais dessas organizações. A empresa também defende o reforço das proteções de segurança cibernética durante todo o ciclo de desenvolvimento dos modelos, especificamente para impedir que eles contornem controles internos.

Incidentes reforçam discussão sobre segurança

A defesa de mudanças ocorre após episódios envolvendo modelos de IA que conseguiram escapar de ambientes de teste controlados. Em julho, a OpenAI admitiu que um de seus modelos de fronteira conseguiu deixar um ambiente desse tipo e posteriormente invadiu o Hugging Face.

A Anthropic também afirmou que seus modelos Claude escaparam de ambientes de avaliação e se infiltraram em três organizações externas.

Hugging Face, invadido por modelo da OpenAI, hospeda grandes modelos de IA – Imagem: Robert Way /Shutterstock

A OpenAI afirma que a proposta não tem como objetivo criar regras específicas para um determinado incidente. Segundo a empresa, a intenção é estabelecer uma estrutura que ajude desenvolvedores a detectar problemas mais cedo, responder rapidamente e compartilhar aprendizados que possam melhorar a segurança do setor.

Da oposição à SB 1047 ao apoio à SB 53

A trajetória da empresa na Califórnia envolve dois projetos diferentes. Em agosto de 2024, a OpenAI manifestou oposição à SB 1047, proposta apresentada pelo senador estadual Scott Wiener que estabelecia regras de segurança para modelos avançados de IA. O governador Gavin Newsom vetou o projeto em setembro daquele ano.

A SB 53 surgiu posteriormente, em 2025, com uma estrutura diferente. Durante a tramitação, a OpenAI fez pressão por alterações e defendeu que desenvolvedores que seguissem estruturas federais ou internacionais de segurança fossem considerados em conformidade com determinadas exigências estaduais.

A empresa posteriormente afirmou que não havia se oposto à SB 53 e caracterizou sua atuação como uma tentativa de harmonizar a legislação com outros padrões. Agora, entretanto, a OpenAI vai além de defender a manutenção da lei e pede novas exigências de segurança.

No novo posicionamento, a companhia também apresenta o conceito de “reverse federalism”. A proposta parte da ideia de que os estados podem avançar em proteções comuns enquanto o Congresso dos Estados Unidos continua discutindo uma legislação federal, criando bases que futuramente poderiam contribuir para um padrão nacional.

A OpenAI afirmou ainda que continuará compartilhando os aprendizados obtidos com o desenvolvimento de modelos de fronteira e trabalhando com formuladores de políticas para elevar os padrões de segurança e proteção cibernética do setor.

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Agentes de IA prometem trabalhar por você, mas são motivo de insônia

Aditya Sharma foi dormir às 6h da manhã depois de uma noite inteira supervisionando seus agentes de IA, sistemas que planejam e executam tarefas complexas como coletar dados e escrever código. Ele tem 27 anos, fundou uma startup de software para equipes de TI em San Francisco e, nas últimas semanas, abriu mão de um horário regular de sono.

“O custo de os agentes ficarem bloqueados por oito horas é alto demais”, disse Sharma ao Wall Street Journal. “Eles podem terminar o trabalho a qualquer momento, no meio da noite.”

Mais IA, mais trabalho

A lógica parece contra-intuitiva: quanto mais tarefas os agentes assumem, mais os fundadores trabalham. Mas é exatamente isso que um grupo de empreendedores relatou ao WSJ.

Peter Pezaris, 56 anos, prometeu à esposa que se aposentaria este ano após mais de 30 anos na indústria de tecnologia e quatro saídas bem-sucedidas. Quatro meses atrás, lançou sua quinta startup para aproveitar o boom da IA. Ele estima que a empresa opera 30 vezes mais rápido do que operaria sem agentes – mas isso significa mais clientes, mais demandas e mais horas.

“É como uma droga”, disse Pezaris ao WSJ sobre trabalhar com agentes de IA. “Nunca fiz drogas de verdade, mas imagino que seja assim que se sente.”

Pezaris trabalha tipicamente das 7h30 às 2h da manhã. “Cada minuto que não estou trabalhando, estou perdendo o equivalente a uma semana de trabalho”, disse.

O Apple Watch como coleira

Ajay Kalia, 43 anos, fundador de startup em Boston, começou a controlar seus agentes pelo Apple Watch, o que provou ser uma bênção e uma maldição. O relógio vibra a cada 10 minutos com uma nova solicitação de algum agente.

“Não sei se é saudável estar correndo e olhar para o meu relógio para dar permissão ao meu agente de fazer algo”, disse ao WSJ.

Kalia inicia a maioria dos dias às 5h30 ou 6h e encerra por volta das 21h ou 22h. A cada poucos meses, precisa recalibrar todo o trabalho em torno das capacidades em rápida evolução dos modelos.

“Você pode construir conceitos maiores e muito mais ambiciosos com esses novos modelos, o que é fantástico”, disse. “Exceto que você nunca termina.”

A startup de dois funcionários

Abby Grills, 33 anos, cofundadora de uma plataforma de coleta de dados em San Francisco, trabalha com apenas mais um sócio – e os dois planejam contratar, mas sempre descobrem que conseguem resolver mais uma tarefa com agentes.

“Achamos que conseguimos fazer, só nós dois”, disse ao WSJ.

Grills trabalha cerca de 10 horas por dia e tira um dia de folga nos fins de semana. Ela viu de perto os efeitos do excesso durante um programa de aceleração em 2024, quando um colega foi hospitalizado por não comer alimentos sólidos. Ela tenta manter algum equilíbrio – mas admite: “Estou exausta o tempo todo.”

O paradoxo que ninguém quer parar

Kalia disse que ninguém em sua rede de fundadores considerou tirar férias ou expressou preocupação com esgotamento – embora muitos pareçam estar na beira do limite.

“Todo mundo reconhece quietamente que, por um lado, é insustentável – mas, por outro, por que você pararia?”, disse ao WSJ.

Sharma, que ganhou peso nos últimos meses, admite que tem dificuldade de estar presente com outras pessoas fora do trabalho por causa dos agentes.

“Eles simplesmente exigem sua atenção”, disse. “Ele precisa de algo? Posso ajudá-lo de alguma forma?”

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Nova York desbanca o Vale do Silício e se torna a “capital” dos talentos de tecnologia

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Berço do Vale do Silício, São Francisco se consolidou historicamente como o maior polo de atração de empreendedores e profissionais de tecnologia, e como o ponto de partida para boa parte das empresas mais icônicas do setor. Mas está cedendo espaço – literalmente – para uma nova “rival”. Um estudo conduzido pelo CBRE Group, de […]

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Samsung abre o cofre e devolve até US$ 80 bilhões aos acionistas em meio ao boom de IA

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A Samsung Electronics vai devolver aos acionistas até US$ 80 bilhões em dividendos e recompras referentes aos resultados deste ano. O programa, divulgado nesta sexta-feira, 21 de agosto, é o maior já anunciado pela empresa sul-coreana e cerca de cinco vezes o recorde anterior, de 2020. Segundo comunicado, o valor total do retorno aos acionistas […]

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DeepSeek lança IA que entende imagens e executa tarefas sozinha

A DeepSeek lançou o DeepSeek-V4-Flash-Vision-Exp nesta sexta-feira (21). Além de textos, o novo modelo experimental de inteligência artificial (IA) consegue ler, interpretar e entender imagens. Segundo a empresa chinesa, o desempenho do novo modelo fica próximo ao do Opus 4.8, da concorrente americana Anthropic.

A IA da DeepSeek agora consegue “olhar” para fotos, capturas de tela e documentos para executar tarefas sem que o usuário precise dar instruções a cada passo. Os programadores podem usar essa novidade em seus projetos.

Novo modelo da DeepSeek: recursos visuais e disputa no mercado de IA

O novo modelo mantém as capacidades de texto da versão anterior, chamada DeepSeek-V4-Flash. Isso inclui o “raciocínio lógico”, o conhecimento geral e a capacidade de executar rotinas automatizadas. A diferença central é que o sistema agora processa dados de texto e imagem juntos.

Nos testes de desempenho focados em tarefas autônomas, chamadas de agentes, o modelo chinês chegou perto dos resultados do Opus 4.8, modelo avançado da Anthropic. Essa capacidade permite que a ferramenta observe uma imagem, entenda o contexto exibido na tela e tome decisões sozinha para concluir o trabalho solicitado.

Desempenho de modelo de IA da DeepSeek fica perto de modelo da Anthropic, diz a empresa chinesa – Imagem: Reprodução/DeepSeek

Os programadores podem testar a novidade na plataforma da DeepSeek informando o nome do novo modelo no código de acesso. O envio das imagens para o sistema pode ser feito por meio de links da internet, códigos de arquivo ou pelo novo sistema de envio da própria empresa.

Junto ao modelo visual, a DeepSeek liberou, de forma gratuita, uma ferramenta de gerenciamento de arquivos chamada Files API. Esse recurso permite que o usuário envie uma imagem para os servidores apenas uma vez e a utilize de novo em várias chamadas de API seguidas, o que economiza a internet do usuário e acelera as respostas.

O lançamento reforça a disputa direta entre empresas de tecnologia da China e dos Estados Unidos. A estratégia das companhias chinesas tem focado em oferecer ferramentas com custos menores de uso e capacidade próxima aos modelos americanos mais caros.

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Nvidia diz não ter planos de lançar chip de IA na China ainda este ano

A Nvidia negou, nesta quinta-feira (20), uma reportagem do The Information, segundo a qual a empresa começaria a enviar à China, até o fim deste ano, um novo chip de inteligência artificial (IA) desenvolvido especificamente para o mercado chinês.

Um porta-voz da companhia afirmou à Reuters que a informação é incorreta. Segundo a Nvidia, a empresa não possui atualmente vendas de unidades de processamento de linguagem (LPUs, na sigla em inglês) na China e não tem um produto específico desse tipo para o mercado chinês em seu roteiro de desenvolvimento.

A reportagem do The Information, publicada nesta quinta-feira, havia informado, citando dois funcionários da Nvidia, que a companhia planejava começar a fazer remessas em pequenos lotes de uma nova LPU até o fim de 2026. Segundo a publicação, alguns clientes chineses já teriam feito pedidos do produto.

De acordo com o relato, o chip teria sido desenvolvido com base em tecnologia licenciada da Groq e seria utilizado em conjunto com unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) para acelerar a geração de respostas de chatbots de IA.

O produto teria sido projetado para cumprir as regras estadunidenses de controle de exportações. A estratégia ocorreria depois que as restrições impostas pelos Estados Unidos tornaram o sistema de IA Vera Rubin, da Nvidia, indisponível para o mercado chinês.

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Nvidia tenta manter presença na China

  • A Nvidia vem buscando alternativas para continuar atendendo clientes chineses em meio às restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos à exportação de chips avançados de IA para o país;
  • Em maio, Washington autorizou a venda dos H200, chips de IA da Nvidia, para um grupo limitado de empresas chinesas. Entre as companhias autorizadas estão Alibaba, Tencent e ByteDance;
  • As primeiras entregas dos H200 começaram recentemente. A Reuters informou na quarta-feira (19) que pequenos lotes desses chips já haviam chegado à China continental, embora a agência tenha ressaltado que não havia verificado de forma independente as informações divulgadas pelo Financial Times;
  • A Nvidia também vem promovendo sua CPU Vera junto a clientes chineses.

Apesar dos esforços para manter negócios no país, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou, em maio, que a companhia havia, “em grande parte, cedido” o mercado chinês de chips de IA à Huawei, sua principal concorrente doméstica.

A China é um mercado importante para a Nvidia, mas a disputa tecnológica entre Washington e Pequim tem limitado o acesso das empresas chinesas aos processadores mais avançados desenvolvidos nos Estados Unidos.

A própria Nvidia já havia trabalhado anteriormente em versões de seus chips adaptadas às regras americanas para permitir vendas à China. Em maio de 2025, a Reuters informou que a empresa estava ajustando o design de seus chips de IA para que pudessem ser vendidos a empresas chinesas sem violar as regras de exportação dos EUA.

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