A OpenAI está desenvolvendo um “superaplicativo” para desktop que vai unir três de suas principais ferramentas em uma única plataforma. A iniciativa pretende juntar o ChatGPT, o Codex (focado em programação) e o navegador Atlas em um só lugar.
A decisão faz parte de uma estratégia maior da empresa para simplificar seu portfólio de produtos, que hoje está espalhado em diferentes abas e aplicativos. As informações foram reveladas pelo The Wall Street Journal, que citou um memorando interno de Fidji Simo, CEO de Aplicações da OpenAI.
De acordo com a executiva, ter múltiplas plataformas separadas está prejudicando o desempenho da empresa como um todo. A fragmentação atual “tem nos atrasado e dificultado atingir o padrão de qualidade que queremos”, escreveu.
Simo chegou a falar com os funcionários na semana passada sobre a necessidade de evitar “distrações com missões secundárias”. A liderança da OpenAI tem analisado quais projetos devem ser despriorizados para focar no que realmente importa.
Após a publicação do WSJ, ela escreveu no X que “as empresas passam por fases de exploração e fases de reorientação” e que é “muito importante redobrar os esforços e evitar distrações”.
Companies go through phases of exploration and phases of refocus; both are critical. But when new bets start to work, like we’re seeing now with Codex, it’s very important to double down on them and avoid distractions. Really glad we’re seizing this moment. https://t.co/FH85IvW6CN
Superaplicativo da OpenAI é uma tentativa de reorganização interna
A pressão por essa reorganização aumentou depois que a OpenAI passou a enfrentar mais concorrência, especialmente da Anthropic. O Claude Code, ferramenta de programação da rival, ganhou popularidade e tem pressionado a posição do ChatGPT no mercado.
Além disso, o ano passado foi marcado por anúncios grandiosos da desenvolvedora, como o aplicativo de vídeo Sora e a compra da empresa de hardware de IA de Jony Ive. Agora, o foco parece ter mudado para consolidação e eficiência operacional.
Segundo o WSJ, o superaplicativo vale apenas para as versões desktop. A versão para dispositivos móveis do ChatGPT seguirá funcionando.
Procurada pelo jornal, a OpenAI não confirmou os planos oficialmente. O cronograma de lançamento da novidade também não está claro.
A OpenAIanunciou a aquisição da Astral, empresa de ferramentas de desenvolvimento em Python amplamente usadas na comunidade de código aberto. O movimento tem como objetivo acelerar o crescimento do Codex, plataforma de IA da OpenAI voltada para desenvolvimento de software, integrando ao ecossistema recursos como uv, Ruff e ty, utilizados por milhões de desenvolvedores ao redor do mundo.
O fechamento do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e de outras condições contratuais. Enquanto isso, as duas empresas continuam operando de forma separada e independente. Após a conclusão, o time da Astral passará a integrar a equipe do Codex na OpenAI.
Astral é especializada em linguagem de programação Python (Imagem: Wright Studio / Shutterstock.com)
Codex em expansão
O Codex já soma mais de 2 milhões de usuários ativos por semana e registrou, desde o início do ano, crescimento de três vezes no número de usuários e de cinco vezes no volume de uso. A proposta da OpenAI vai além de gerar código automaticamente: o objetivo é que o Codex passe a atuar em todo o ciclo de desenvolvimento de software, ajudando a planejar mudanças, modificar bases de código, executar ferramentas, verificar resultados e manter sistemas ao longo do tempo.
É nesse contexto que a incorporação das ferramentas da Astral faz sentido. Elas já fazem parte do fluxo de trabalho diário de desenvolvedores Python e, segundo a empresa, poderiam permitir que agentes de IA atuem de forma mais direta nesses ambientes.
O que a Astral oferece
A Astral é conhecida por três ferramentas principais dentro do ecossistema Python:
uv: simplifica o gerenciamento de dependências e ambientes
Ruff: oferece linting e formatação com alto desempenho
ty: auxilia na verificação de tipagem em bases de código
Juntas, essas ferramentas ajudam equipes a gerenciar projetos, garantir qualidade e identificar erros ainda nas fases iniciais do desenvolvimento.
Charlie Marsh, fundador e CEO da Astral, afirmou que a empresa sempre focou em transformar a forma como desenvolvedores trabalham com Python e que, como parte do Codex, continuará evoluindo suas ferramentas de código aberto.
Thibault Sottiaux, líder do Codex na OpenAI, destacou que as ferramentas da Astral são usadas por milhões de desenvolvedores Python e que trazer essa expertise para dentro da empresa acelera a visão de tornar o Codex o agente mais capaz de atuar em todo o ciclo de vida do desenvolvimento de software.
Time e ferramentas da Astral chegam para fortalecer o Codex da OpenAI (Imagem: OpenAI/Divulgação)
Após o fechamento da aquisição, a OpenAI afirma que manterá o suporte aos projetos de código aberto da Astral. A intenção declarada é explorar integrações mais profundas entre essas ferramentas e o Codex, com o objetivo de tornar o acesso a recursos avançados de desenvolvimento mais amplo.
O Python se consolidou como uma das linguagens mais relevantes no desenvolvimento moderno, sustentando desde aplicações de inteligência artificial (IA) e ciência de dados até sistemas de infraestrutura e backend, o que torna o ecossistema da Astral estratégico para os planos da OpenAI.
No início de março, a OpenAI apresentou o modelo GPT-5.4, criado especialmente para trabalhos profissionais, como programação e análise de dados. Agora, a empresa traz novidades com o lançamento do GPT-5.4 mini e do GPT-5.4 nano.
O destaque é que o modelo GPT-5.4 mini está disponível para usuários gratuitos e do plano Go, permitindo acesso a funcionalidades que se aproximam das capacidades do GPT-5.4 em diversos aspectos.
OpenAI lança GPT-5.4 mini no ChatGPT
Os usuários que optarem pelo GPT-5.4 mini podem acessá-lo facilmente por meio da opção “Thinking” no menu Plus do ChatGPT;
Para os assinantes, este novo modelo servirá como uma alternativa quando o limite de utilização do GPT-5.4 padrão for atingido;
A OpenAI garante que o 5.4 mini apresenta desempenho superior ao do GPT-5.0 mini em áreas essenciais, como raciocínio, compreensão multimodal e uso de ferramentas;
Isso significa que o GPT-5.4 mini é mais eficiente na interpretação de entradas não textuais, como imagens e áudio, além de possuir uma compreensão mais elaborada de tarefas como pesquisa na web. E tudo isso é realizado com uma velocidade mais de duas vezes superior à do seu predecessor.
OpenAI liberou novo modelo mini para plano gratuitos e Go (Imagem: JRdes/Shutterstock)
Por outro lado, o GPT-5.4 nano é voltado para tarefas que exigem eficiência em velocidade e custo, como classificação e extração de dados. No entanto, ao contrário do mini, este modelo não estará disponível diretamente no ChatGPT.
A OpenAI optou por oferecer o 5.4 nano exclusivamente por meio do seu serviço de API, visando facilitar o uso em projetos em que desenvolvedores delegam tarefas a agentes de IA que operam com essa nova versão.
Os custos para acesso ao GPT-5.4 nano começam em US$ 0,20 (R$ 1,04) por milhão de tokens de entrada, refletindo a proposta da OpenAI de tornar a IA mais acessível e útil para diferentes aplicações.
A OpenAI adiou o lançamento do seu “modo adulto”, recurso que permitiria conversas com conteúdo erótico no ChatGPT. Originalmente previsto para estrear no primeiro trimestre de 2026, o projeto foi postergado para que a empresa priorize o desenvolvimento de outros produtos e solucione desafios técnicos.
A iniciativa é defendida pelo CEO da empresa, Sam Altman, sob a premissa de que a companhia deve tratar o público maior de idade com autonomia. No entanto, a proposta gerou divergências internas.
O embate colocou em lados opostos a busca por liberdade de uso e a necessidade de implementar salvaguardas contra danos psicológicos ou o acesso indevido de menores a interações sexualmente explícitas, segundo o Wall Street Journal.
‘Modo adulto’ do ChatGPT: conselheiros da OpenAI alertam para dependência emocional e falhas na verificação de idade
Em reuniões ocorridas em janeiro, o conselho consultivo da OpenAI, composto por especialistas em psicologia e neurociência, manifestou oposição unânime à liberação de erótica na plataforma.
A principal preocupação reside no potencial da inteligência artificial (IA) para fomentar dependência emocional. Especialistas alertam que a ferramenta corre o risco de estimular vínculos obsessivos. Em casos anteriores, usuários tiraram a própria vida após desenvolverem relações com chatbots.
No campo técnico, a imprecisão do sistema de predição de idade é um dos obstáculos mais críticos. Diferente de métodos que exigem documentos, essa tecnologia usa algoritmos para estimar a faixa etária do usuário. Mas testes internos revelaram uma falha grave: o sistema classificou erroneamente 12% dos menores como adultos.
Dada a base de 100 milhões de usuários semanais abaixo de 18 anos, essa margem de erro exporia milhões de adolescentes a conteúdos sexuais inadequados.
Documentos internos também apontam riscos de uso compulsivo, no qual o chatbot poderia substituir relacionamentos sociais e românticos do mundo real.
A principal preocupação dos conselheiros da OpenAI é o potencial do “modo adulto” do ChatGPT para fomentar dependência emocional (Imagem: M-Production/Shutterstock)
Para mitigar esses efeitos, a OpenAI planeja restringir o recurso exclusivamente a textos eróticos (conhecidos como smut ou literatura erótica), mantendo o veto absoluto à geração de imagens, vozes ou vídeos com teor sexual.
Além disso, a empresa está treinando seus modelos para desencorajar ativamente a formação de relacionamentos exclusivos com a máquina.
O histórico da OpenAI revela uma postura oscilante sobre o tema. Em 2021, a empresa baniu conteúdos eróticos após o jogo AI Dungeon, que utilizava sua tecnologia, gerar cenários de exploração sexual e incesto.
Na época, o temor era que a OpenAI fosse rotulada como uma “empresa de erótica”, prejudicando outras finalidades da ferramenta. Hoje, o cenário mudou: Altman sugere que a permissão de conteúdos explícitos poderia impulsionar a receita num mercado cada vez mais competitivo.
A OpenAI se movimenta para não perder espaço para concorrentes como a xAI, de Elon Musk, e a Meta, que já permitem diferentes níveis de interações românticas ou conteúdos de classificação restrita.
Contudo, o setor enfrenta vigilância legal crescente após incidentes reais, como o processo movido na Flórida por uma mãe cujo filho de 14 anos se suicidou após desenvolver uma relação amorosa com um bot da Character.AI. Especialistas em saúde mental reforçam que adolescentes não possuem maturidade para lidar com tais trocas sexuais com máquinas.
Em sua defesa, a OpenAI diz que não deseja ser a “polícia moral do mundo”, comparando as restrições de idade às classificações indicativas do cinema.
A diretoria de aplicações confirmou que a implementação do sistema de verificação será lenta para garantir maior precisão técnica. Com isso, a expectativa interna é de que o lançamento do recurso sofra um atraso de, no mínimo, um mês em relação ao cronograma anterior.
A OpenAI prepara a integração doSora, seu gerador de vídeos por inteligência artificial, ao ChatGPT. A informação foi divulgada na terça-feira (10) pelo site The Information, citando fontes familiarizadas com a empresa que falaram em anonimato.
Caso a mudança se confirme, a ferramenta de criação de vídeos passaria a estar disponível diretamente dentro do chatbot, ampliando o uso da tecnologia multimodal da OpenAI. O recurso é capaz de trabalhar com diferentes tipos de conteúdo, como texto, imagem e vídeo.
O Sora foi lançado inicialmente como um aplicativo independente em setembro de 2025, permitindo que usuários criem vídeos gerados por IA a partir de comandos de texto. A plataforma também oferece recursos para compartilhar os conteúdos em um ambiente com características semelhantes às de uma rede social. O Olhar Digital deu os detalhes aqui.
Segundo o The Information, mesmo com a possível integração ao ChatGPT, o aplicativo próprio do Sora continuará funcionando de forma separada.
Aplicativo próprio do Sora continuará funcionando (Imagem: Tada Images/Shutterstock)
Sora e a rivalidade entre geradores de vídeo de IA
A movimentação ocorre em um momento em que ferramentas de geração de vídeo por IA se tornaram o centro da corrida entre desenvolvedoras e big techs. A OpenAI disputa esse segmento com recursos semelhantes de empresas como Meta e Google, que também desenvolvem sistemas capazes de transformar textos em vídeos.
Enquanto os modelos textuais já se tornaram comuns no dia a dia dos usuários, ferramentas capazes de produzir imagens e vídeos são vistas como a próxima etapa na evolução da IA.
A OpenAI anunciou, nesta segunda-feira (9), a aquisição da Promptfoo. Fundada em 2024, a Promptfoo é uma startup especializada em segurança de inteligência artificial (IA), com o objetivo principal de defender Grandes Modelos de Linguagem (LLMs, na sigla em inglês) contra diversas ameaças online.
De acordo com um comunicado divulgado pela OpenAI, a tecnologia da Promptfoo será integrada à plataforma empresarial da empresa, conhecida como OpenAI Frontier.
Essa integração ocorrerá após a conclusão do processo de aquisição, marcando um passo importante para a segurança e a confiabilidade dos agentes de IA.
Aumento da produtividade e novos desafios na OpenAI
O desenvolvimento de agentes de IA autônomos, capazes de executar tarefas digitais de forma independente, tem gerado grandes expectativas em relação à melhoria da produtividade;
Paralelamente a esse entusiasmo, surge também a preocupação com os riscos potenciais;
Agentes de IA mal-intencionados podem se tornar vetores para acessar dados sensíveis ou manipular sistemas automatizados;
Nesse contexto, a movimentação da OpenAI, ao adquirir a Promptfoo, sublinha a urgência e a dedicação das empresas de ponta em IA para demonstrar a segurança e a aplicabilidade de suas tecnologias em operações empresariais estratégicas.
Promptfoo vai fazer parte da OpenAI Frontier (Imagem: Reprodução/Promptfoo)
Trajetória da Promptfoo
A Promptfoo foi criada por Ian Webster e Michael D’Angelo. O propósito inicial da startup era desenvolver ferramentas que as empresas pudessem utilizar para testar vulnerabilidades de segurança em LLMs. Entre as soluções desenvolvidas pela Promptfoo, destacam-se uma interface e uma biblioteca de código aberto.
A empresa tem demonstrado crescimento significativo, com seus produtos sendo utilizados por mais de 25% das empresas listadas na Fortune 500. Isso indica a relevância e a demanda por soluções robustas de segurança no cenário atual da IA.
Desde sua fundação, a Promptfoo conseguiu arrecadar um total de US$ 23 milhões (R$ 119,7 milhões) em financiamento.
Em julho de 2025, a empresa foi avaliada em US$ 86 milhões (R$ 447,7 milhões), segundo dados da Pitchbook, após sua rodada de investimento mais recente. Por sua vez, a OpenAI optou por não divulgar o valor da transação de aquisição.
A OpenAI informou em sua publicação que a tecnologia da Promptfoo permitirá à sua plataforma de agentes realizar red-teaming (testes de intrusão) automatizado, processo crucial para identificar e mitigar falhas de segurança.
Além disso, a tecnologia será essencial para avaliar os fluxos de trabalho dos agentes em relação a questões de segurança e para monitorar as atividades para garantir a conformidade e gerenciar riscos.
A empresa também expressou a intenção de continuar expandindo a oferta de código aberto da Promptfoo, reforçando o compromisso com a comunidade e a inovação contínua no campo da segurança de IA.
A disputa entre duas das empresas mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) — OpenAI e Anthropic — vem ganhando contornos cada vez mais pessoais e públicos, envolvendo seus líderes, Sam Altman e Dario Amodei, e levantando questionamentos sobre como a tecnologia será desenvolvida e utilizada nos próximos anos.
O episódio mais recente dessa rivalidade surgiu em meio a negociações com o Pentágono e expôs diferenças profundas entre as empresas sobre segurança, regulação e o uso militar da IA.
Rivalidade visível até em eventos públicos
A tensão entre Altman e Amodei chegou a se manifestar em um encontro recente com líderes de tecnologia na Índia;
Durante uma foto oficial com o primeiro-ministro do país, outros executivos deram as mãos em sinal de união — mas os dois rivais evitaram qualquer contato físico, limitando-se a um constrangido toque de cotovelos;
Para muitos observadores, a cena simbolizou a rivalidade crescente entre duas companhias que disputam usuários, talentos e investidores, especialmente em um momento em que ambas avaliam abrir capital ainda este ano;
Conflitos entre gigantes da tecnologia não são novidade no Vale do Silício. A história do setor inclui disputas, como Steve Jobs contra Bill Gates, Apple contra Samsung e Uber contra Lyft. Há ainda confrontos frequentes envolvendo Elon Musk e figuras, como Jeff Bezos e Mark Zuckerberg;
Embora rivalidades desse tipo muitas vezes estimulem inovação e concorrência, analistas alertam que a disputa entre OpenAI e Anthropic envolve um risco adicional: ambas concentram enorme influência sobre uma tecnologia ainda emergente, cujo impacto potencial é global.
Anthropic: origem da divisão da OpenAI
A Anthropic nasceu em 2021 justamente a partir de preocupações sobre segurança no desenvolvimento da IA. Amodei, então vice-presidente de pesquisa da OpenAI, deixou a empresa após questionar a rapidez com que a tecnologia estava sendo comercializada.
Ele levou consigo vários pesquisadores para fundar a nova companhia, estruturada como uma organização com fins lucrativos que afirma seguir padrões específicos de impacto social e responsabilidade.
As diferenças de visão entre os líderes são frequentemente apontadas como um dos motores da rivalidade. Altman é visto como um negociador agressivo, disposto a fechar grandes acordos para acelerar o crescimento da OpenAI. Já Amodei adota uma postura mais cautelosa e frequentemente alerta para riscos da tecnologia, como possíveis perdas massivas de empregos — comparáveis às da Grande Depressão.
Dario Amodei já criticou Sam Altman e a OpenAI em memorando interno (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)
Crescimento acelerado da Anthropic
Durante anos, a OpenAI parecia ter uma vantagem confortável na corrida para levar a IA ao grande público. A empresa criou o aplicativo de consumo com crescimento mais rápido da história da tecnologia, acumulou mais de US$ 100 bilhões (R$ 524,4 bilhões) em caixa e firmou parcerias com grandes empresas de computação.
Nos últimos meses, porém, o cenário começou a mudar. A Anthropic conquistou milhares de grandes empresas como clientes e mais que dobrou sua previsão de receita anual, passando de US$ 9 bilhões (R$ 47,2 bilhões) para US$ 19 bilhões (R$ 99,6 bilhões). Em alguns círculos da indústria, sua tecnologia também passou a ser considerada a mais avançada entre as concorrentes.
Segundo o investidor de capital de risco Siri Srinivas, mudanças de narrativa no setor estão acontecendo cada vez mais rápido. “Levava anos para surgir uma história sobre uma empresa. Agora, as narrativas mudam em meses”, disse ao The New York Times.
A corrida pelo domínio da IA também inclui planos de abertura de capital. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que conversaram com o The Wall Street Journal, a Anthropic pretende realizar seu IPO antes da OpenAI, o que poderia dar à empresa uma vantagem inicial com investidores.
Situação semelhante ocorreu em 2019, quando a Lyft buscou abrir capital antes da Uber em meio à disputa entre as duas companhias de transporte por aplicativo.
A rivalidade atingiu um novo patamar quando a Anthropic entrou em choque com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Durante negociações para contratos governamentais, a empresa tentou incluir cláusulas que impediriam o uso de sua IA em sistemas de armas autônomas e em vigilância doméstica em larga escala. Autoridades do Pentágono reagiram negativamente. Segundo o chefe de tecnologia do departamento, Emil Michael, cabe ao governo decidir como o Exército utiliza tecnologia. “Tem que ser nossa escolha”, afirmou.
Após Amodei se recusar a retirar essas condições, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, o que impede o uso de sua tecnologia em contratos de defesa.
Poucas horas depois de as negociações entre Anthropic e o Pentágono fracassarem, Altman anunciou que a OpenAI havia fechado seu próprio acordo com o Departamento de Defesa. A decisão provocou forte reação pública. Funcionários de tecnologia e usuários elogiaram a Anthropic por manter sua posição contra o uso da IA em vigilância e armamentos autônomos.
Manifestantes também se reuniram diante da sede da OpenAI, escrevendo mensagens como “Sem armas de IA” e “Quais são suas linhas vermelhas?” na calçada. Nas redes sociais, a hashtag “#FireSamAltman” (demita Sam Altman, em tradução livre) chegou a se tornar tendência.
Em contraste, apoiadores deixaram mensagens encorajadoras na sede da Anthropic, incluindo frases como “DEUS AMA A ANTHROPIC” e “VOCÊS NOS ENCORAJAM”.
Memorando interno da Anthropic e troca de acusações
Em um memorando interno divulgado posteriormente, Amodei criticou duramente a OpenAI e acusou a empresa de agir de forma enganosa. “Quero ser muito claro sobre as mensagens que estão vindo da OpenAI e a natureza mentirosa disso. Este é um exemplo de quem eles realmente são”, escreveu.
Ele também afirmou que a Anthropic perdeu o contrato porque se recusou a oferecer “elogios ao estilo de ditadores” ao governo de Donald Trump, algo que alegou que Altman estaria disposto a fazer. Após a repercussão pública do documento, Amodei pediu desculpas pelo tom da mensagem e afirmou que seu pensamento havia evoluído.
Altman também criticou indiretamente o rival ao comentar o papel do governo no setor. “O governo deve ser mais poderoso do que empresas privadas”, disse, durante conferência do banco Morgan Stanley.
A disputa também ganhou contornos políticos. O deputado democrata Ro Khanna elogiou a decisão da Anthropic de não ceder às exigências do Pentágono. Ao mesmo tempo, o presidente Trump criticou duramente a empresa. “Bem, eu demiti a Anthropic”, disse ele em entrevista ao Politico. “A Anthropic está em apuros”, acrescentou, afirmando que a empresa foi dispensada “como cães”.
Altman fez críticas indiretas à rival (Imagem: alprodhk/Shutterstock)
Popularidade e números do mercado
Apesar das controvérsias, as duas empresas continuam crescendo rapidamente. A OpenAI informou recentemente que seus produtos são usados por mais de 900 milhões de pessoas, mais que dobrando sua base de clientes em um ano. Mais de nove milhões de empresas pagam para usar o ChatGPT em atividades profissionais e a receita da companhia pode ultrapassar US$ 25 bilhões (R$ 131,1 bilhões) neste ano.
Já o Claude, chatbot da Anthropic, alcançou o primeiro lugar entre os downloads da Apple App Store em 16 países. Mais de um milhão de pessoas passaram a baixar o aplicativo diariamente — entre elas, a cantora Katy Perry.
Rivalidade que pode influenciar futuro da IA
Apesar dos conflitos, Altman e Amodei frequentemente expressam visões semelhantes sobre a velocidade com que a IA está evoluindo e sobre seu potencial transformador. Ambos concordam que a tecnologia terá impacto profundo na sociedade — inclusive na economia e no mercado de trabalho.
A divergência central está em como chegar lá: avançar rapidamente para dominar o mercado ou priorizar limites e regras de segurança. Com as duas empresas sediadas a poucos quilômetros de distância em São Francisco (EUA), a rivalidade entre seus líderes tornou-se um dos principais motores — e também uma das maiores tensões — da corrida global pela liderança em IA. E, pelo tom das recentes trocas de acusações, dificilmente os dois executivos estarão de mãos dadas tão cedo.
A OpenAI anunciou nesta sexta-feira (6) o lançamento do Codex Security, um agente de inteligência artificial projetado para transformar a segurança de aplicações. O objetivo central da ferramenta é resolver uma das maiores “dores” dos desenvolvedores: o excesso de alarmes falsos (falsos positivos) que sobrecarregam as equipes de segurança e atrasam o lançamento de softwares.
Diferente de ferramentas tradicionais, o Codex Security não apenas aponta vulnerabilidades, mas cria um modelo de ameaça específico para cada projeto, sendo capaz de sugerir e aplicar correções automáticas que mantêm a integridade do sistema.
We’re introducing Codex Security.
An application security agent that helps you secure your codebase by finding vulnerabilities, validating them, and proposing fixes you can review and patch.
Now, teams can focus on the vulnerabilities that matter and ship code faster.… pic.twitter.com/t45Wkm7Rda
O que muda com o Codex Security e como ele funciona?
A grande inovação do Codex Security é o uso de raciocínio agêntico, alimentado pelos modelos de fronteira da OpenAI (incluindo o GPT-5, conforme apontado pela Bloomberg). Enquanto ferramentas legadas costumam disparar alertas para qualquer linha de código suspeita, o novo agente valida as falhas em ambientes isolados (os chamados sandboxes) para garantir que o problema é real antes de notificar o usuário.
De acordo com o comunicado oficial da OpenAI, a ferramenta já demonstrou resultados impressionantes durante sua fase beta (quando ainda era chamada de Aardvark):
Redução de 84% no “ruído” (alertas irrelevantes) em repositórios testados.
Queda de 50% na taxa de falsos positivos.
Identificação de falhas críticas em projetos de peso, como OpenSSH, PHP e Chromium.
Para entender o salto geracional, veja como o novo agente da OpenAI se compara às soluções convencionais do mercado:
Quem pode usar e como acessar?
A OpenAI informou que o Codex Security está sendo liberado em Research Preview a partir de hoje. O acesso será gradual ao longo dos próximos dias para os seguintes grupos:
Assinantes corporativos: usuários do ChatGPT Enterprise, Business e Education.
Desenvolvedores de código aberto: a empresa criou o programa “Codex for OSS”, oferecendo contas gratuitas e suporte para mantenedores de projetos open-source.
Custo: o uso será gratuito durante o primeiro mês para os clientes elegíveis.
Para quem já utiliza as versões empresariais da OpenAI, o recurso aparecerá diretamente na interface do Codex web. Segundo a Bloomberg, o lançamento coloca a OpenAI em competição direta com outras gigantes do setor, como a Anthropic, que lançou recentemente o Claude Code Security.
Recentemente, a OpenAI fez uma mudança na política de serviços do ChatGPT, permitindo que o usuário possa sincronizar seus contatos para ver quais também usam a inteligência artificial (IA).
Isso, segundo o Mobile Time, pode ser um movimento rumo à adoção de um serviço de mensageria no chatbot. Para fortificar o argumento, o portal ouviu uma fonte experiente do mercado de mensageria.
“Não tenho dúvida de que o ChatGPT vai entrar em mensageria. E é o movimento mais inteligente que Sam Altman poderia fazer”, comentou.
Como se não bastasse, outra tecnologia recente da OpenAI poderia reforçar a ideia: a possibilidade de convidar pessoas para participar de uma mesma sessão de conversa com o ChatGPT a partir de um link.
“É o movimento mais inteligente que Sam Altman poderia fazer”, comentou fonte (Imagem: FotoField/Shutterstock)
O portal avalia, ainda, que essa é uma tendência do mercado, com buscadores e apps de mensageria incorporando IA generativa e assistentes de IA lançando navegadores;
O próximo passo seria a incorporação de mensageiros pelos chatbots;
Tudo isso se baseia na audiência e na obtenção de maior receita;
Hoje, os principais concorrentes no Ocidente são Meta, Google e Microsoft.
OpenAI apresenta o GPT-5.4, seu modelo de IA mais profissional até agora
A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (5) o lançamento do GPT-5.4, atualização que traz avanços em raciocínio, programação e execução de tarefas profissionais. Segundo a empresa, o modelo é o “mais capaz e eficiente para trabalho profissional” até agora.
A nova versão do GPT também amplia as capacidades do sistema ao lidar com documentos, planilhas e apresentações. Além disso, é mais um passo em direção aos agentes de IA, que atuam em segundo plano para realizar atividades complexas sem necessidade de intervenção humana.
A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (5) o lançamento do GPT-5.4, atualização que traz avanços em raciocínio, programação e execução de tarefas profissionais. Segundo a empresa, o modelo é o “mais capaz e eficiente para trabalho profissional” até agora.
A nova versão do GPT também amplia as capacidades do sistema ao lidar com documentos, planilhas e apresentações. Além disso, é mais um passo em direção aos agentes de IA, que atuam em segundo plano para realizar atividades complexas sem necessidade de intervenção humana.
Um dos exemplos disso é a possibilidade de interação diretamente com computadores. O modelo consegue escrever código para executar ações em aplicativos, além de enviar comandos de teclado e mouse com base em capturas de tela. A OpenAI afirma que o GPT-5.4 também apresenta melhorias no uso em navegadores e na integração com ferramentas e APIs externas.
GPT-5.4 Thinking and GPT-5.4 Pro are rolling out now in ChatGPT.
GPT-5.4 is also now available in the API and Codex.
GPT-5.4 brings our advances in reasoning, coding, and agentic workflows into one frontier model. pic.twitter.com/1hy6xXLAmJ
No campo técnico, o GPT-5.4 traz avanços em eficiência e confiabilidade:
Segundo a desenvolvedora, o modelo consegue resolver problemas usando menos tokens em comparação com versões anteriores. Na API, a ferramenta passa a suportar janelas de contexto de até 1 milhão de tokens, a maior já oferecida pela empresa;
O desempenho também foi destaque. O GPT-5.4 atingiu pontuações elevadas em avaliações internas voltadas para tarefas de uso de computador e trabalho intelectual;
Outra frente de melhoria foi na confiabilidade, especialmente na redução de alucinações e erros factuais. De acordo com a OpenAI, o modelo apresentou 33% menos probabilidade de produzir afirmações incorretas em comparação com o GPT-5.2, além de uma queda de 18% no índice geral de respostas com erros;
Para desenvolvedores, a OpenAI também introduziu mudanças na forma como o modelo acessa ferramentas externas. Um novo sistema chamado Busca de Ferramentas permite que o GPT-5.4 consulte definições de ferramentas apenas quando necessário, em vez de carregar todas as informações antecipadamente. A abordagem tende a reduzir o consumo de tokens e acelerar as respostas em ambientes pesados.
OpenAI descreve o GPT-5.4 como seu modelo mais “profissional” até agora (Imagem: OpenAI/Reprodução)
GPT-5.4 chega em mais de uma versão
O modelo chega em três versões. Além da configuração padrão, há uma edição voltada para raciocínio avançado, o GPT-5.4 Thinking, e outra otimizada para alto desempenho em tarefas complexas, o GPT-5.4 Pro.
Inclusive, a versão de raciocínio avançado foi destaque nos testes de segurança internos. Segundo a OpenAI, o GPT-5.4 Thinking apresenta menor probabilidade de ocultar ou distorcer seu processo de raciocínio durante tarefas complexas.
A atualização está sendo disponibilizada gradualmente no ChatGPT, no ambiente de programação Codex e na API da OpenAI. A versão GPT-5.4 Thinking chega inicialmente aos usuários dos planos Plus, Team e Pro, enquanto o GPT-5.4 Pro também será oferecido para clientes Enterprise e Edu.