A OpenAI apresentou seu primeiro chip de inteligência artificial personalizado, desenvolvido em parceria com a Broadcom. O movimento marca uma mudança importante na estratégia da empresa: reduzir a dependência de fornecedores externos e ganhar mais controle sobre sua própria infraestrutura de IA.
O processador, chamado Jalapeño, foi criado para acelerar tarefas usadas em chatbots como o ChatGPT e outras aplicações baseadas em modelos de linguagem. E, na prática, ele atua justamente no ponto mais sensível desse tipo de tecnologia: a geração de respostas em tempo real, explica a Reuters.
Jalapeño já passou por testes internos e promete mais eficiência no funcionamento de grandes modelos de linguagem. – Imagem: Divulgação/OpenAI
Onde o Jalapeño realmente faz diferença
O chip foi desenvolvido pelos engenheiros da OpenAI em parceria com a Broadcom, com foco em uma etapa específica chamada inferência — o momento em que o sistema processa uma pergunta e devolve uma resposta.
É um detalhe técnico, mas decisivo. É ali que tudo precisa acontecer rápido e sem travamentos.
chip desenvolvido em parceria entre OpenAI e Broadcom
foco em inferência de modelos de IA
otimização para grandes modelos de linguagem (LLMs)
desempenho comparável a chips da Nvidia e do Google
uso exclusivo pela OpenAI em seus sistemas
Segundo a empresa, os primeiros testes internos já mostraram bons resultados, com o chip rodando modelos avançados dentro do esperado. Ainda em fase inicial, mas já considerado promissor dentro da companhia.
OpenAI apresenta chip Jalapeño, criado com a Broadcom, para acelerar tarefas em chatbots como o ChatGPT. – Imagem: Ascannio/Shutterstock
A corrida por chips virou uma disputa direta entre gigantes
Google, Amazon e Meta também estão no mesmo caminho. Todas vêm investindo no desenvolvimento de chips próprios para tentar reduzir custos e, principalmente, não depender totalmente da Nvidia — hoje dominante nesse mercado.
O motivo é simples: a demanda por processamento explodiu com a popularização dos chatbots e das ferramentas generativas. E a infraestrutura virou gargalo.
Os engenheiros da OpenAI levaram cerca de nove meses para concluir o projeto do chip antes de enviá-lo para fabricação na TSMC, em Taiwan.
O desenvolvimento também teve um ponto curioso: parte do processo foi acelerada com uso de inteligência artificial, segundo a própria OpenAI. Ou seja, a IA ajudando a construir mais IA.
A corrida por chips de inteligência artificial cresce com a alta demanda por processamento em ferramentas generativas. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Mais do que software: o jogo agora é no hardware
De acordo com a Broadcom, o desempenho do Jalapeño é comparável ao de soluções como as GPUs Blackwell da Nvidia e às TPUs do Google. Mas, nos bastidores, o que importa mesmo é outra coisa.
Para a OpenAI, ter um chip próprio significa autonomia. Menos dependência da cadeia tradicional e mais controle sobre o ritmo de evolução dos seus modelos.
Acreditamos que ele apresentará alto desempenho em todos os tipos de futuras iterações de LLMs.
Richard Ho, chefe de hardware da OpenAI, à Reuters.
A empresa já trabalha em novas versões dentro de uma linha contínua de desenvolvimento. Enquanto isso, a produção dos sistemas de servidor ficará com a Celestica.
No fim das contas, o cenário fica cada vez mais claro: a disputa pela liderança em inteligência artificial não está só no código. Está no silício também. E isso muda o jogo — talvez mais do que parece à primeira vista.
Durante décadas, a principal forma de encontrar informações na internet foi por meio de mecanismos de busca. Usuários faziam pesquisas, escolhiam entre os links exibidos e acessavam sites para ler notícias, comparar produtos ou buscar respostas para suas dúvidas.
Com o avanço da inteligência artificial (IA) generativa, esse processo começa a mudar. Em vez de navegar por uma lista de resultados, um número crescente de pessoas está recorrendo diretamente a ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot para obter respostas prontas, recomendações personalizadas e comparações de produtos.
A mudança já aparece nos números. Dados da consultoria McKinsey mostram que 50% dos consumidores utilizam ferramentas de busca baseadas em IA. O impacto também começa a ser percebido no comércio eletrônico, onde plataformas de IA já influenciam a descoberta de produtos e o tráfego para lojas virtuais.
Mais do que alterar hábitos de pesquisa, a inteligência artificial começa a transformar a dinâmica que sustentou a internet por décadas. À medida que respostas passam a ser entregues diretamente por sistemas de IA, empresas, criadores de conteúdo e plataformas tentam entender como essa mudança pode afetar o tráfego na web, a descoberta de produtos e a produção de conteúdo online.
Estamos saindo de uma internet baseada em busca
A transformação vai além da popularização de novas ferramentas, segundo Edson Alves, CEO da Ikatec. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que a própria lógica de navegação da internet começa a mudar.
Estamos saindo de uma internet baseada em busca para uma internet baseada em respostas. Antes, o usuário fazia uma pergunta, recebia uma lista de links e precisava montar a resposta sozinho. Agora, ele faz uma pergunta e recebe uma síntese pronta, contextualizada e personalizada.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Segundo Alves, a mudança mais perceptível está no comportamento dos usuários. Em vez de utilizar combinações de palavras-chave para encontrar informações, as pessoas passaram a interagir com a tecnologia de forma mais próxima de uma conversa.
“As pessoas estão deixando de pesquisar por palavras-chave e passando a conversar com a tecnologia. Isso torna a experiência mais natural e reduz drasticamente o tempo necessário para encontrar informações relevantes”, afirma.
Durante décadas, mecanismos de busca como o Google funcionaram como principal porta de entrada para informações na internet – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
Uma tendência semelhante é observada por Danilo Fonseca, sócio da Saving. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que as buscas estão se tornando mais detalhadas e contextualizadas do que nos mecanismos de busca tradicionais.
As buscas têm sido cada vez mais em linguagem natural, diferente de como fazíamos no Google. Elas deixaram de ser ‘palavras-chave’ e viraram uma conversa.
Danilo Fonseca, sócio da Saving
Na prática, isso significa que o usuário não precisa mais limitar uma pesquisa a termos curtos como “melhor tênis de corrida” ou “melhor notebook”. Em vez disso, pode explicar seu contexto, objetivos e preferências para receber recomendações mais específicas.
De acordo com Fonseca, os modelos de IA conseguem considerar diferentes informações compartilhadas durante uma interação e consultar múltiplas fontes antes de formular uma resposta, aproximando a experiência de uma conversa com um assistente digital.
Quando a IA responde, quem perde o clique?
A mudança na forma de pesquisar começa a produzir efeitos em um dos pilares da internet moderna: o tráfego gerado por mecanismos de busca.
Durante décadas, buscadores funcionaram como intermediários entre usuários e sites. A pessoa fazia uma pesquisa, escolhia um resultado e acessava páginas para consumir notícias, comparar produtos ou buscar informações. Com a popularização das respostas geradas por IA, parte desse processo passa a acontecer sem que o usuário precise deixar a plataforma.
Os dados indicam que essa transformação já está em andamento. Segundo a Similarweb, a proporção de buscas realizadas no Google sem qualquer clique em sites externos passou de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025. Já um levantamento do Pew Research Center mostrou que usuários que recebem respostas geradas por IA clicam em links tradicionais com menos frequência do que aqueles que visualizam apenas resultados convencionais.
Para Alves, o impacto vai além de uma simples mudança tecnológica e levanta questões sobre o modelo econômico que sustentou grande parte da produção de conteúdo na internet.
Grande parte da produção de conteúdo foi financiada pelo tráfego gerado pelos buscadores. Se esse tráfego diminuir significativamente, será necessário encontrar novos modelos econômicos para manter a geração de conteúdo de qualidade.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Os efeitos já começam a aparecer para empresas que dependem desse tráfego. Dados divulgados pela Chartbeat indicam que pequenos publishers perderam cerca de 60% das visitas vindas de mecanismos de busca nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, o crescimento das visitas originadas por plataformas de IA ainda não foi suficiente para compensar essas perdas.
A inteligência artificial também cria novas formas de descoberta de conteúdo. Segundo a Similarweb, plataformas de IA geraram mais de 1,1 bilhão de visitas de referência em junho de 2025, um crescimento de 357% em relação ao ano anterior.
A IA está virando um consultor de compras
A influência da inteligência artificial não termina quando uma pergunta é respondida. Cada vez mais, essas plataformas também participam da descoberta de produtos, da comparação de alternativas e da tomada de decisão dos consumidores.
Para Edson Alves, essa é uma das mudanças mais relevantes provocadas pela popularização dos assistentes de IA. “A IA está se tornando um verdadeiro consultor digital. Em vez de pesquisar dezenas de sites, comparar avaliações e analisar características, o consumidor pode simplesmente pedir recomendações personalizadas”, afirma ele.
Ferramentas de IA começam a assumir tarefas que antes exigiam pesquisas manuais, incluindo comparação de produtos e recomendações de compra – Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock
Segundo o executivo, a descoberta de produtos e serviços passa a ocorrer de forma mais contextualizada. Em vez de depender exclusivamente de anúncios ou resultados de busca, o usuário pode solicitar análises comparativas e sugestões adaptadas às suas necessidades.
Isso reduz etapas da jornada de compra e aumenta a influência dos assistentes inteligentes nas decisões de consumo. A descoberta de produtos passa a ocorrer por recomendação contextual, não apenas por anúncios ou resultados de busca.
Edson Alves, CEO da Ikatec
O avanço dessa tendência coincide com o lançamento de ferramentas capazes de executar tarefas em nome dos usuários. Nos últimos meses, empresas como Google, OpenAI e Microsoft passaram a apresentar agentes que podem pesquisar produtos, comparar opções e auxiliar decisões de compra.
Para Danilo Fonseca, esse movimento foi um dos sinais mais claros de que a relação entre consumidores e marcas está entrando em uma nova fase.
Quando empresas como Google, OpenAI e Microsoft começaram a anunciar agentes capazes de pesquisar, comparar opções e até executar tarefas em nome do usuário, ficou claro que as marcas precisariam ser encontradas não apenas por pessoas.
Danilo Fonseca, sócio da Saving
Os números sugerem que essa transformação já está em andamento. Dados da Adobe apontam que o tráfego gerado por ferramentas de IA para sites de varejo dos Estados Unidos cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026. Durante a temporada de compras de fim de ano de 2025, o avanço chegou a 693% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na visão de Alves, a tendência é que os consumidores deleguem uma parcela cada vez maior da pesquisa inicial para sistemas capazes de reunir informações, comparar alternativas e apresentar recomendações em poucos segundos. No futuro, segundo ele, será possível pedir a uma IA indicações sobre softwares, veículos, fornecedores ou outros produtos complexos e receber análises prontas para apoiar a decisão.
Empresas tentam se adaptar às novas regras
A mudança no comportamento dos usuários está criando um novo desafio para empresas acostumadas a disputar visibilidade nos mecanismos de busca tradicionais.
Se durante anos a estratégia digital esteve concentrada em aparecer entre os primeiros resultados do Google, agora cresce a preocupação com a forma como marcas são interpretadas e apresentadas por ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity.
Para Edson Alves, essa mudança está criando uma nova dinâmica de competição no ambiente digital.
A disputa deixa de ser apenas pela primeira posição do Google e passa a ser pela relevância dentro do conhecimento consumido pelas IAs.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Segundo o executivo, fatores como autoridade da marca, reputação digital, consistência das informações e presença em múltiplas fontes tendem a ganhar importância em um cenário em que os sistemas de IA sintetizam conteúdos e destacam apenas algumas referências para os usuários.
Novas estratégias para um novo ambiente
A transformação já impulsiona o surgimento de estratégias voltadas especificamente para esse novo ambiente. O mercado passou a adotar termos como Generative Engine Optimization (GEO) e AI Search Optimization para descrever práticas que buscam aumentar as chances de uma marca ser citada ou recomendada por sistemas de inteligência artificial.
“O motivo é simples: onde existe atenção, existe valor econômico”, afirma Alves. Segundo ele, as empresas perceberam que ser mencionado por um assistente de IA pode ter um impacto semelhante ao de ocupar as primeiras posições em uma busca tradicional.
Empresas começam a adotar novas estratégias para monitorar como suas marcas aparecem em mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial – Imagem: Koupei Studio / Shutterstock
Na avaliação de Danilo Fonseca, sócio da Saving, a adaptação exige uma abordagem mais ampla do que as estratégias tradicionais de otimização para buscadores. “O jogo parece o mesmo, mas as regras são diferentes”, destaca ele.
Segundo o executivo, empresas precisam fortalecer sua presença em diferentes canais, incluindo sites próprios, veículos de imprensa, redes sociais, fóruns e blogs especializados. Isso porque os modelos de IA utilizam múltiplas fontes para construir respostas e recomendações.
A demanda por esse tipo de monitoramento já começa a aparecer no mercado. De acordo com Fonseca, muitos empresários passaram a pesquisar suas próprias marcas em plataformas como ChatGPT, Gemini e Perplexity para entender como são apresentados aos usuários.
Quando nos procuram sobre esse tema os clientes querem ser mencionados e considerados nas recomendações do ChatGPT e afins.
Danilo Fonseca, sócio da Saving
Uma das iniciativas surgidas nesse contexto é a plataforma ALVO, da Saving, desenvolvida para monitorar como empresas são apresentadas por ferramentas de IA e em diferentes canais digitais.
A nova economia da relevância
Embora as transformações provocadas pela inteligência artificial já sejam perceptíveis, ainda não existe consenso sobre como será a próxima etapa dessa evolução.
Para Danilo Fonseca, diferentes cenários permanecem em aberto. Um deles envolve o avanço dos chamados agentes de IA, capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e executar tarefas em nome dos usuários. Outro prevê uma valorização ainda maior de avaliações, recomendações e conteúdos produzidos por pessoas.
Independentemente do caminho que prevalecer, a tendência é que mecanismos de busca, plataformas de comércio eletrônico e assistentes de IA se tornem cada vez mais integrados.
“A tendência é de convergência”, afirma Edson Alves. Segundo ele, os mecanismos de busca devem incorporar mais capacidades conversacionais, enquanto plataformas de comércio eletrônico passam a utilizar assistentes inteligentes como parte da experiência de compra.
Na avaliação do executivo, a mudança também deve alterar a forma como conteúdos são produzidos e distribuídos na internet. Em vez de depender exclusivamente de técnicas tradicionais de otimização, empresas e criadores de conteúdo precisarão investir cada vez mais em autoridade, especialização e credibilidade.
Acredito que veremos o surgimento de uma nova economia da relevância, onde não basta estar na internet; será necessário ser reconhecido como uma fonte confiável pelas inteligências artificiais.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Durante décadas, o principal desafio da internet foi ser encontrado por pessoas. Agora, à medida que ferramentas de IA passam a intermediar parte dessas interações, a disputa começa a incluir outro objetivo: ser reconhecido também pelas máquinas que ajudam a decidir o que os usuários vão ver.
A Getty Images anunciou uma parceria com a OpenAI para integrar seu acervo licenciado ao ChatGPT. Na prática, a mudança deixa a experiência da IA mais visual e fácil de entender no dia a dia.
Mas o impacto vai além disso: o uso de imagens passa a ganhar mais espaço dentro das respostas.
Parceria leva acervo da Getty ao ChatGPT e torna buscas e respostas mais ricas, com apoio de conteúdo visual licenciado. Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital
O que muda dentro do ChatGPT
O acordo permite que imagens da Getty apareçam em buscas e respostas dentro da plataforma. Assim, o usuário deixa de consumir só texto em várias situações e passa a ter apoio visual.
Na visão da empresa, isso melhora a forma como a informação é encontrada e interpretada.
Conteúdo visual licenciado de alta qualidade torna a busca e a descoberta com inteligência artificial mais úteis e confiáveis.
Craig Peters, CEO da Getty Images, em nota.
Uma experiência mais visual no uso diário
A proposta da integração é tornar o ChatGPT mais visual no uso cotidiano, especialmente em temas como notícias, esportes e entretenimento.
Entre os principais pontos da parceria estão:
imagens da Getty aparecem dentro do ChatGPT
buscas e respostas passam a ter mais apoio visual
experiência mais completa no uso da IA
conteúdo licenciado e seguro no acervo
Na prática, isso reduz a dependência de respostas só em texto.
Nova integração entre OpenAI e Getty Images reforça tendência de inteligência artificial mais visual no dia a dia. – Imagem: JRdes/Shutterstock
Estratégia da Getty e avanço da IA
A Getty Images já é uma das maiores plataformas de conteúdo visual do mundo, com milhões de imagens e uma rede global de fotógrafos.
A empresa também reforça sua aposta em inteligência artificial, sempre com foco em uso licenciado e seguro de conteúdo.
É mais um passo na direção de uma inteligência artificial mais visual. E isso muda bastante a forma como o usuário interage com o ChatGPT no dia a dia.
A inteligência artificial está cada vez mais concentrada nas mãos de poucas empresas. Esse foi o alerta feito por Satya Nadella.
Na visão do CEO da Microsoft, esse cenário pode acabar criando um desequilíbrio difícil de reverter no futuro.
E há uma preocupação adicional no discurso: o atual rumo da IA pode não ser sustentável para usuários e empresas comuns.
O CEO da Microsoft questiona o domínio das big techs na corrida pela inteligência artificial global. – Imagem: FotoField/Shutterstock
“Não podemos deixar a IA dominar a economia”
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Nadella criticou o cenário atual da inteligência artificial, marcado pela forte concentração de poder em um pequeno grupo de companhias que lidera o desenvolvimento dos modelos mais avançados.
Na prática, ele questiona não só o modelo de negócio, mas também o impacto dessa centralização.
Você não pode dizer que todos os empregos de escritório vão acabar e, ao mesmo tempo, pedir poder ilimitado para construir data centers.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, ao WSJ.
Para ele, o ponto central é simples: não faz sentido imaginar um futuro em que poucas empresas controlem sozinhas o aprendizado da IA em escala global.
Microsoft aposta em modelos de IA mais acessíveis enquanto critica o atual cenário dominado por poucos players. – Imagem: Azulblue/Shutterstock
Microsoft muda estratégia e aposta em modelos mais baratos
Enquanto faz críticas ao setor, a própria Microsoft já começou a ajustar sua abordagem.
A empresa passou a lançar modelos de inteligência artificial mais baratos e a testar formas de reduzir custos para clientes que lidam com contas cada vez mais altas no uso dessas tecnologias.
O movimento aparece em diferentes frentes dentro dos produtos da companhia.
Entre as iniciativas estão:
modelos de IA mais acessíveis para empresas
opção de escolher diferentes modelos dentro do Copilot
agentes de IA para execução de tarefas mais longas
testes com modelos alternativos, como o DeepSeek
A ideia é reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar as opções disponíveis para os usuários.
Disputa aberta com os gigantes da tecnologia
Mesmo sem citar nomes diretamente, Nadella fez críticas que atingem empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que hoje lideram o desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.
O executivo defende uma mudança de direção: em vez de um mercado concentrado, a IA deveria evoluir como um ecossistema mais distribuído, com diferentes níveis de preço, acesso e capacidade.
Na prática, isso muda o centro da disputa global pela inteligência artificial.
A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI, também vem ampliando acordos com outras empresas e avaliando novas integrações em seus serviços.
O futuro do trabalho também entra na discussão: IA deve apoiar, não apenas substituir empregos, diz Nadella. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock
IA e o futuro do trabalho: ajuste, não ruptura
Outro ponto forte da fala de Nadella foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Ele defende que o debate não deve se limitar à substituição de empregos, mas sim à forma como as funções serão reorganizadas dentro das empresas.
A ideia, segundo ele, é que a adaptação seja gradual e baseada em equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano.
IA como apoio direto à produtividade
reorganização de funções dentro das empresas
organizações funcionando como sistemas contínuos de aprendizado
combinação entre conhecimento humano e inteligência artificial
A fala de Satya Nadella mostra uma mudança de tom dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre críticas à concentração de poder e a defesa de modelos mais acessíveis, a Microsoft tenta reposicionar seu papel na disputa global da inteligência artificial — um debate que segue aberto e sem previsão de consenso no setor.
A obra retrataria a crise de 2023 que levou à demissão e ao retorno de Altman ao cargo de CEO em poucos dias.
Filme mostraria a demissão e retorno de Sam Altman como CEO da OpenAI em poucos dias. – Imagem: Stock all/Shutterstock
A história dos cinco dias que virariam filme
Dirigido por Luca Guadagnino, “Artificial” se inspirava em um dos episódios mais turbulentos da história recente da OpenAI. A trama acompanharia os cinco dias entre a saída de Sam Altman do comando da empresa e sua rápida volta ao cargo.
O projeto estava em desenvolvimento havia cerca de um ano e tinha Andrew Garfield como protagonista. A proposta era levar para o cinema um episódio que repercutiu amplamente no setor de tecnologia.
O elenco que daria vida à história
Além de Andrew Garfield no papel de Altman, a produção reunia atores escolhidos para interpretar personagens inspirados em figuras reais ligadas aos acontecimentos de 2023.
Andrew Garfield no papel de Sam Altman
Monica Barbaro como Mira Murati
Ike Barinholtz interpretando Elon Musk
Yura Borisov como Ilya Sutskever
Enredo focado nos acontecimentos que marcaram a OpenAI em 2023
O longa colocaria nas telas alguns dos principais personagens envolvidos no episódio que abalou os bastidores da empresa naquele ano.
Andrew Garfield interpretaria Sam Altman em “Artificial”, projeto que acabou sendo cancelado pela Amazon MGM. Imagem: Divulgação/FX
Por que a decisão chamou atenção
Em comunicado ao Deadline, a Amazon MGM afirmou que acredita que o filme “será melhor servido se for lançado por outro estúdio” e informou que está trabalhando com a equipe de produção para encontrar uma nova distribuidora.
A decisão despertou interesse porque Amazon e OpenAI mantêm uma relação próxima. Em fevereiro, a gigante do comércio eletrônico anunciou um investimento de US$ 50 bilhões no laboratório de inteligência artificial.
Por enquanto, “Artificial” permanece sem uma distribuidora definida. O próximo passo da equipe será encontrar um novo estúdio interessado em assumir o projeto e viabilizar o lançamento do filme.
Pela primeira vez desde seu lançamento, o ChatGPT perdeu a marca de 50% de participação no mercado global de assistentes de IA. O movimento reflete o avanço de concorrentes que vêm atraindo cada vez mais usuários, segundo o relatório State of AI 2026, da Sensor Tower.
Embora siga na liderança, o chatbot da OpenAI viu sua fatia de mercado cair para 46,4% em maio. Enquanto isso, Gemini e Claude ganharam espaço em um setor que continua crescendo rapidamente, comenta o TechCrunch.
ChatGPT ainda lidera em usuários, mas já sente a pressão dos concorrentes no mercado global de IA. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock
ChatGPT segue líder, mas vê concorrência avançar
Até janeiro de 2026, o ChatGPT concentrava mais da metade do mercado de assistentes de IA. No fim de maio, sua participação havia recuado para 46,4%. O Gemini, do Google, alcançou 27,7%, enquanto o Claude, da Anthropic, chegou a 10,3%.
Apesar da queda relativa, o ChatGPT continua sendo o assistente de IA mais utilizado do mundo, com mais de 1,1 bilhão de usuários mensais. O Gemini aparece em segundo lugar, com 662 milhões, seguido pelo Claude, com 245 milhões.
O relatório também destaca que os usuários estão mais dispostos a experimentar diferentes plataformas. Um dos fatores observados foi o aumento das desinstalações após o anúncio do acordo entre a OpenAI e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O episódio sugere que muitos usuários levam em consideração não apenas os recursos oferecidos, mas também as decisões tomadas pelas empresas responsáveis pelas ferramentas.
Enquanto o crescimento do Gemini está ligado à integração com o ecossistema do Google, o Claude ganhou destaque em tarefas de produtividade e vem se aproximando dos índices de retenção do ChatGPT.
OpenAI testa anúncios no ChatGPT e amplia estratégia de monetização da plataforma de IA. Imagem: Ascannio/Shutterstock – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Mercado de IA acelera receitas e tempo de uso
A Sensor Tower estima que os usuários baixarão quase 2,3 bilhões de aplicativos de IA no primeiro semestre de 2026. Além disso, os gastos devem superar US$ 4,2 bilhões, acima dos US$ 1,83 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
Os principais destaques do levantamento incluem:
ChatGPT abaixo de 50% de participação pela primeira vez;
Crescimento consistente de Gemini e Claude;
Quase 2,3 bilhões de downloads previstos em 2026;
Mais de US$ 4,2 bilhões em gastos com aplicativos de IA;
Maior foco das empresas em monetização.
O estudo também aponta que o tempo gasto em aplicativos de IA deve saltar de 17,2 bilhões para cerca de 36 bilhões de horas entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Os três principais assistentes concentram 89% desse total.
As diferenças regionais também chamam atenção. A Ásia registrou queda de 3,3% nos downloads no primeiro trimestre de 2026, puxada por recuos na China e na Índia. Ainda assim, a região segue liderando em volume de instalações.
Anúncios e compras ganham espaço
A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026. Em maio, cerca de 17% dos usuários diários visualizaram publicidade na plataforma.
Ao mesmo tempo, o chatbot ampliou sua atuação no comércio eletrônico, direcionando tráfego para varejistas como Walmart, Target e Costco. Já a Amazon, que bloqueou os rastreadores web do ChatGPT, registrou crescimento estagnado nesse tipo de tráfego.
O relatório mostra que a disputa entre assistentes de IA está entrando em uma nova fase. Além de conquistar usuários, as empresas agora buscam aumentar receitas, fortalecer a retenção e ampliar sua presença em áreas como publicidade e compras digitais.
A Anthropic protocolou em 1º de junho seu pedido confidencial de abertura de capital nos EUA. A OpenAI seguiu no dia 8, uma semana depois. A disputa pelo IPO é só a mais recente batalha entre as duas empresas – e a Reuters revelou nesta quinta-feira (11) a história por trás da guerra.
ChatGPT em duas semanas
Em novembro de 2022, a OpenAI soube que a Anthropic desenvolvia um chatbot. Sam Altman imediatamente ordenou que a equipe acelerasse um produto concorrente, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.
Duas semanas depois, a OpenAI lançou o ChatGPT. “De repente, era: precisamos lançar isso em duas semanas”, disse um funcionário à agência. O produto se tornou o aplicativo de crescimento mais rápido da história.
A inversão de poder
Por três anos, a Anthropic correu para alcançar a OpenAI. No final de 2025, o cenário virou. A empresa lançou uma atualização poderosa do Claude Code e passou a liderar no mercado enterprise de programação com IA.
A OpenAI redirecionou recursos para o mercado corporativo. Reforçou o Codex, seu produto de codificação, e criou a DeployCo – joint venture com 19 firmas globais para levar engenheiros diretamente às empresas.
A Anthropic, que nasceu como dissidência da OpenAI, agora vale mais que a empresa original. “É uma guerra total entre eles”, disse à Reuters Anastasios Angelopoulos, CEO da Arena, empresa de benchmarking de IA.
A briga pelos números
As duas empresas divergem até na forma de reportar receita. A OpenAI acusa a Anthropic de inflar seus números em bilhões, segundo a Reuters.
A Anthropic contabiliza o valor total pago pelos clientes. A OpenAI registra apenas a receita líquida, já deduzidos os repasses à Microsoft. A Anthropic afirma seguir práticas contábeis estabelecidas.
A corrida pelo IPO
A OpenAI havia comunicado a alguns investidores que pretendia abrir capital em setembro. A Anthropic saiu na frente ao protocolar primeiro – e pode assim definir como empresas de IA reportam resultados para o mercado.
Internamente, Altman pressionou a CFO Sarah Friar pelo cronograma agressivo. Segundo a Reuters, ele disse que ela deveria resolver ou contratar outros banqueiros e advogados capazes de cumpri-lo.
A recusa no palco
A tensão entre os CEOs extrapolou o mundo corporativo. Em fevereiro, em uma cúpula de IA na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que os executivos presentes se dessem as mãos em gesto de unidade.
Altman e Amodei, lado a lado no palco, recusaram. O momento foi registrado em vídeo e viralizou.
A OpenAI está avaliando reduzir os preços cobrados pelo acesso aos seus modelos de inteligência artificial, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada na quarta-feira, com base em fontes próximas ao tema.
A movimentação não parece casual. Nos bastidores, a companhia estuda cortar de forma relevante o valor cobrado por tokens — unidade usada para medir e faturar o uso de sistemas de IA. A leitura no mercado é de que a decisão mira um ambiente mais competitivo, especialmente com a Anthropic ganhando espaço e pressionando margens.
Disputa entre OpenAI e Anthropic avança e pode impactar custos de acesso à inteligência artificial no mundo. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock
Preços atuais das duas plataformas
Hoje, a OpenAI trabalha com três faixas de assinatura: US$ 8 (cerca de R$ 40), US$ 20 (aproximadamente R$ 100) e US$ 100 ou mais (em torno de R$ 500) para acesso aos modelos GPT-5.5. A Anthropic segue uma estrutura parecida, com o Claude Pro a US$ 17 (aprox. R$ 85) por mês em plano anual e o Claude Max a partir de US$ 100 (cerca de R$ 500).
Na prática, os valores mostram duas estratégias muito próximas. A diferença real, neste momento, está na disputa por escala e fidelização de usuários.
Guerra de preços na IA pode ficar mais intensa com possível corte de valores pela OpenAI. Imagem: Hamara/Shutterstock
Disputa acirrada entre as empresas
Na segunda-feira, a OpenAI protocolou de forma confidencial um pedido de oferta pública inicial (IPO) junto à SEC, reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos. Pouco depois, a Anthropic avançou em direção semelhante.
Não é coincidência. As duas empresas disputam capital, usuários e influência ao mesmo tempo.
A Anthropic encerrou sua rodada Série H em 28 de maio com avaliação de US$ 965 bilhões (aproximadamente R$ 4,8 trilhões), superando levemente a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões) em março.
Enquanto isso, o ChatGPT atingiu a marca de 1 bilhão de usuários mensais ativos em maio — cerca de três anos após o lançamento. O ritmo supera plataformas como o Google Maps, que levou aproximadamente cinco anos para alcançar o mesmo patamar, segundo estimativas da Sensor Tower.
No fim, o que parece uma disputa de preços é, na prática, uma corrida mais ampla: quem vai definir não só o custo, mas o ritmo de expansão da inteligência artificial no mercado global.
A OpenAI começou a semana com um movimento que pode mudar sua posição na corrida da inteligência artificial. Na segunda-feira (8), a desenvolvedora do ChatGPT oficializou um pedido de oferta pública inicial (IPO), primeiro passo para abrir capital e vender ações nas bolsas de valores.
Segundo o The New York Times, o pedido foi confidencial e a OpenAI ainda não decidiu quando oficialmente abrirá capital. Em comunicado enviado ao site, a companhia afirmou que “pode demorar um pouco, porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada”.
A desenvolvedora não é a única em busca de um IPO. A rival Anthropic e a SpaceX também caminham para entrar na bolsa ainda este ano. No entanto, há riscos, principalmente considerando que a criadora do ChatGPT ainda não se tornou lucrativa.
Ao mesmo tempo, ao se abrir para o mercado, a empresa consegue captar financiamento para evoluir ainda mais na corrida da IA, à medida que rivais começam a se tornar importantes nesse setor.
O Olhar Digital mergulhou no que está por trás do IPO da OpenAI, qual deve ser o impacto para a empresa e para o mercado, e se o usuário final do ChatGPT precisa se preocupar.
OpenAI deu o primeiro passo em busca do IPO – Imagem: Melnikov Dmitriy/Shutterstock
ChatGPT foi o pontapé da corrida das IAs
A corrida das IAs é, basicamente, a disputa entre empresas do setor de tecnologia para apresentar ferramentas cada vez mais avançadas de inteligência artificial.
Tudo começou em novembro de 2022, quando o ChatGPT foi lançado pela OpenAI.
Na época, a desenvolvedora era uma empresa de pesquisa em IA respeitada no meio tecnológico (inclusive tendo recebido investimentos da Microsoft), mas desconhecida pelo público. A companhia operava através de uma fundação sem fins lucrativos, que controlava uma subsidiária de “lucro limitado”, criada especificamente para captar investimentos e financiar pesquisas.
Os modelos de linguagem também eram limitados em comparação ao que temos hoje. O ChatGPT foi lançado com o GPT-3.5. Desde então, os modelos ficaram mais confiáveis, multimodais (com capacidade para entender texto, áudio e imagens) e fáceis de usar, incluindo melhorias para conversas em linguagem natural.
Atualmente, estamos no GPT-5.5, que consegue operar computadores e realizar tarefas de forma autônoma, incluindo pesquisas online, análise de dados complexos e explorar diferentes ferramentas.
Voltando a 2022. A inteligência artificial generativa já existia. O diferencial do ChatGPT foi levar a tecnologia a usuários que nunca haviam entrado em contato com ela antes – e tudo de forma simples, em uma linguagem conversacional, sem necessidade de prompts elaborados ou conhecimento de programação.
Naquele momento, outras empresas de tecnologia perceberam que precisavam agir se não quisessem ficar para trás no setor. E a corrida começou: big techs como Microsoft, Google, Meta e Apple, e startups como Anthropic e Perplexity, passaram a correr atrás do prejuízo e desenvolveram suas próprias IAs.
Atualmente, o mesmo setor já está em outra fase, em que a tecnologia não é necessariamente o mais importante. Ao Olhar Digital, Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, defendeu que a corrida deixou de ser meramente tecnológica e virou uma disputa por capital. Isso porque o treinamento de modelos avançados exige investimentos – algo que as big techs conseguem financiar por muitos anos.
Já OpenAI e Anthropic, ambas startups, precisam se virar. É aí que entra o IPO. Segundo Flôres, a oferta pública inicial é uma forma de obter financiamento permanente para sustentar o crescimento, as pesquisas, aquisições e expansão global que permitem que as empresas se mantenham relevantes no setor.
O mercado está descobrindo que a inteligência artificial não é só uma revolução tecnológica. É também uma revolução financeira. A próxima disputa entre grandes empresas de IA não vai ser vencida pelos melhores algoritmos. Vai ser vencida por quem vai conseguir financiar mais a evolução mais rápido e por mais tempo.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Mas, antes de chegar lá, a OpenAI teve que mudar.
IPO virou uma forma de garantir financiamento para sustentar avanços da corrida de IA – Imagem: jackpress / Shutterstock
A empresa foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que a inteligência artificial beneficiasse a humanidade. Em 2019, veio a subsidiária com fins lucrativos.
Mais recentemente, em outubro de 2025, a desenvolvedora anunciou uma nova estrutura:
A organização sem fins lucrativos é agora a OpenAI Foundation;
A entidade com fins lucrativos agora é uma corporação de benefício público chamada OpenAI Group PBC. Ao contrário de uma empresa tradicional, essa entidade é obrigada a promover a missão original e considerar os interesses de todas as partes envolvidas, sem visar apenas o lucro. A desenvolvedora defende que isso “garante que a missão e o sucesso comercial da empresa avancem juntos”;
A OpenAI Foundation controla o OpenAI Group;
Ambas organizações têm a mesma missão: “garantir que a inteligência artificial geral (AGI) possa beneficiar toda a humanidade”.
Ainda segundo a OpenAI, a capitalização permite “levantar capital e atrair e reter os talentos necessários para promover sua missão, ao mesmo tempo em que mantém a mais forte representação de uma governança orientada pela missão em todo o setor atualmente”.
A nova estrutura demorou mais de um ano para ser finalizada – e veio acompanhada de polêmicas.
Em 2024, Elon Musk, um dos cofundadores da desenvolvedora, moveu um processo acusando a empresa, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman (ambos também são cofundadores) de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade.
O bilionário queria uma indenização de US$ 150 bilhões e a destituição de Altman e Brockman de seus respectivos cargos de liderança. Ele também tentou reverter a conversão da OpenAI em empresa com fins lucrativos.
A desenvolvedora negou as acusações, defendendo que as ações de Musk foram motivadas pela rivalidade entre os executivos e para beneficiar a própria empresa de IA do bilionário, a xAI.
O julgamento conduzido este ano em tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, terminou em decisão favorável à desenvolvedora. O júri responsável decidiu pela rejeição da ação de Elon Musk, já que ele teria entrado com a ação judicial após o prazo de prescrição para apresentar essa reivindicação ter expirado.
No X, Musk prometeu recorrer. O Olhar Digital deu os detalhes sobre o desfecho do julgamento neste link.
Troca de farpas entre Altman (esquerda) e Musk (direita) é antiga – Imagem: FotoField/Shutterstock
Enfim, a bolsa de valores
Menos de um ano depois de mudar sua estrutura para permitir um braço com fins lucrativos, a OpenAI vai em busca do IPO.
Segundo o NYT, esta pode ser uma das maiores ofertas públicas da história de Wall Street. A empresa foi avaliada em US$ 730 bilhões em uma rodada privada de financiamento este ano, sem contar os valores captados em uma rodada mais recente, de por volta de US$ 122 bilhões.
De acordo com Olívia Flôres de Brás, o IPO da OpenAI é um momento muito relevante para o mercado de tecnologia nesta década.
Estamos falando da primeira oportunidade para que os investidores realmente possam participar ativamente e diretamente do crescimento que colocou a inteligência artificial no centro de uma economia global.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Para ela, a abertura do capital é “uma arma muito competitiva” na corrida de IA.
Mas isso vem acompanhado de desafios.
Mesmo com o valor em alta, a companhia ainda enfrenta uma questão importante: a lucratividade. Ao mesmo tempo que espera gastar US$ 115 bilhões nos próximos quatro anos, divulgou ganhos de cerca de US$ 13 bilhões no ano passado, impulsionados principalmente pela venda de anúncios no ChatGPT e da venda de pacotes de produtos de IA para companhias. Ou seja, a conta não fecha.
Flôres acredita que isso não é um impeditivo. Ela lembrou que, em outras oportunidades, o mercado também financiou empresas que permaneceram anos sem registrar lucro, apenas pela posição de mercado dominante. “A questão central é a capacidade da OpenAI de transformar essa liderança tecnológica em geração sustentável de caixa”, defendeu.
Se por um lado a desenvolvedora garante financiamento constante e mais visibilidade, por outro também deve ser mais cobrada. A executiva explica que aberturas de capital deixam as companhias mais pressionadas para registrar resultados positivos, além de a OpenAI possivelmente perder a flexibilidade que tem enquanto empresa privada.
Para o usuário, o que muda com o IPO da OpenAI?
O movimento da OpenAI em direção à bolsa de valores não deve afetar apenas o mercado.
O IPO coloca mais pressão para a empresa ter crescimento e rentabilidade. Olívia Flôres de Brás defende que isso deve levar a desenvolvedora a realizar mudanças na estratégia comercial, algo que pode afetar os usuários finais dos produtos – como o ChatGPT.
Quando você acelera iniciativas de monetização, você amplia a oferta de planos corporativos, você vai ter que criar novos produtos, que expandir serviços voltados para as empresas. A estratégia de longo prazo provavelmente vai continuar sendo ampliar a base de usuários e ter uma consolidação de sistema, além do crescimento e desenvolvimento de tudo o que permeia a inteligência artificial. Mas o desafio será equilibrar o crescimento financeiro com a adoção de larga escala.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Mesmo com crescimento, OpenAI ainda não chegou à lucratividade – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
O volume supera com folga os US$ 75 bilhões que a companhia pretendia levantar, e a procura estaria entre três e quatro vezes acima do tamanho planejado da oferta.
A Anthropic, rival da OpenAI, é outra que quer entrar na bolsa de valores. No início deste mês, a desenvolvedora também protocolou de forma confidencial seu pedido junto ao órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos.
Para Flôres, a ‘onda’ recente de IPOs em empresas de tecnologia tem motivo:
O primeiro deles é que a inteligência artificial inaugurou um novo ciclo de investimentos globais. Ela comparou esse momento ao da chegada da internet e dos smartphones;
O segundo é que o mercado voltou a se interessar por empresas com potencial de crescimento, após longos anos de juros elevados e investimentos restritos;
O terceiro é que muitas empresas precisam de volumes muito grandes de capital. Quando as rodadas de financiamento privadas passam a ser insuficientes, vem o IPO. Trata-se da “forma natural de financiar a próxima fase dessas expansões”.
Vale lembrar que o pedido é apenas o primeiro passo para entrar na bolsa de valores. Nenhuma das três empresas concluiu o processo.
Masayoshi Son, CEO da SoftBank, afirmou que a inteligência artificial está se aproximando de um estágio de “superinteligência” à medida que modelos passam a participar do desenvolvimento de outros modelos. A declaração foi feita em entrevista à CNBC.
Segundo Son, engenheiros da OpenAI e o CEO da empresa, Sam Altman, relataram que um modelo de IA já está sendo usado para “projetar” uma versão futura da tecnologia. A SoftBank é um dos maiores acionistas da OpenAI e um dos principais investidores globais em tecnologia.
Para Son, os próprios engenheiros humanos deixarão de ser capazes de projetar os modelos mais avançados sem o apoio direto da IA. “Assim que isso acontece, o modelo gera o próximo modelo… e ele será exponencialmente mais inteligente do que todos nós. Isso é uma superinteligência”, afirmou.
A OpenAI não comenta modelos ainda não lançados. Porém, um porta-voz destacou que a empresa já utiliza inteligência artificial em algumas etapas do desenvolvimento de seus sistemas.
Em fevereiro, a OpenAI afirmou que o GPT-5.3-Codex foi seu “primeiro modelo que foi fundamental para a sua própria criação”. Segundo a desenvolvedora, versões iniciais da ferramenta foram usadas pela equipe do Codex no treinamento, gerenciamento de implantação e diagnóstico de resultados de testes e avaliações.
SoftBank é uma das investidoras da OpenAI – Imagem: Koshiro K / Shutterstock
Rumo à superinteligência?
A fala de Son vem em meio a uma discussão mais ampla sobre a chamada superinteligência artificial. Em 2024, o executivo da SoftBank havia definido o conceito como uma IA 10 mil vezes mais inteligente que os seres humanos e estimado que ela poderia surgir em até dez anos.
Agora, ele diz que esse prazo pode ser muito menor. “Na minha cabeça, eu achava que ia acontecer em quatro anos, em vez de dez. Agora, eu digo que vai acontecer nos próximos dois anos”, afirmou.
Son também disse usar o ChatGPT, da OpenAI, de duas a três horas por dia. Segundo ele, a ferramenta já é mais inteligente do que ele na “maioria dos assuntos”.
Na avaliação do CEO, em até dois anos a IA poderá superar os humanos em cerca de 70% a 80% das áreas. Nos campos em que ultrapassar a capacidade humana, poderá ser “10 vezes mais inteligente que a média das pessoas”.
O executivo tem defendido há anos que a inteligência artificial será a principal transformação tecnológica das próximas décadas. A SoftBank vem se posicionando nesse mercado por meio de investimentos na OpenAI, na empresa de design de chips Arm, em robótica e em tecnologias de condução autônoma.
Para Son, a revolução da IA será 50 vezes maior que a revolução da internet no início dos anos 2000.