A OpenAI prepara a maior reformulação do ChatGPT desde o seu lançamento. A empresa, avaliada em US$ 850 bilhões, busca novas fontes de crescimento.
O objetivo é transformar o chatbot em um superapp focado em ferramentas de programação e agentes de inteligência artificial. A mudança antecede a abertura na Bolsa (IPO) planejada para este ano.
“Isso transcenderá a superfície… o que estamos construindo é um sistema em que você terá seu próprio agente pessoal capaz de ajudá-lo… em todos os aspectos da sua vida, seja pessoal ou profissional.”, disse Thibault Sottiaux, que anteriormente dirigia o Codex e agora lidera todos os principais produtos e plataformas da OpenAI, ao Financial Times.
Foco em agentes e receita corporativa
A estratégia marca um desvio no modelo atual focado em conversação comum. Fontes internas indicam que a empresa agora prioriza clientes corporativos lucrativos para competir com a Anthropic.
Executivos da companhia acreditam que o futuro do setor está em sistemas que executam tarefas complexas sozinhos. “O chat está morto”, afirmou um funcionário sênior ao Financial Times.
A reformulação começará nas próximas semanas com mudanças na interface do site e dos aplicativos. O novo design vai direcionar os usuários para ferramentas de parceiros externos.
Expansão do Codex e cortes de produtos
A nova fase dará maior destaque ao Codex, a plataforma de desenvolvimento de software da OpenAI. O produto de programação registrou um crescimento expressivo recentemente.
A base de usuários do Codex aumentou seis vezes desde fevereiro, atingindo 5 milhões de usuários ativos semanais. O salto ocorreu após o lançamento de uma versão para desktop.
Cerca de 2 milhões de empresas usam os serviços da OpenAI atualmente. O segmento corporativo gera 40% da receita da empresa, com projeção de atingir 50% até o fim do ano.
Reorganização interna e IPO
Para acelerar a transição, a OpenAI unificou suas equipes de produtos sob o comando de Thibault Sottiaux. Paralelamente, iniciativas voltadas ao consumidor final foram encerradas.
A empresa cancelou um recurso de compras internas no ChatGPT e descontinuou o gerador de vídeos Sora. O encerramento do Sora ocorre menos de um ano após seu lançamento.
A guinada comercial aproxima a OpenAI da rival Anthropic, focada em monetização ágil. Ambas as empresas tentam atrair investidores institucionais, demonstrando capacidade de gerar lucro antes do IPO.
A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (4) uma atualização em seu sistema de memória para o ChatGPT. Segundo a empresa, a novidade traz uma arquitetura mais avançada para sintetizar informações sobre os usuários, com o objetivo de melhorar a atualização de contexto, a continuidade entre conversas e a relevância das respostas ao longo do tempo.
De acordo com a companhia, a nova tecnologia começa a ser disponibilizada para assinantes dos planos Plus e Pro nos Estados Unidos e deverá chegar a outros países, além dos usuários dos planos Free e Go, nas próximas semanas. A mudança busca resolver desafios relacionados à obsolescência de informações, precisão dos dados armazenados e escalabilidade do sistema para centenas de milhões de usuários.
Como a memória do ChatGPT evoluiu
A OpenAI relembra que o recurso de memória foi lançado inicialmente em abril de 2024. Na época, o sistema permitia que o ChatGPT armazenasse informações fornecidas explicitamente pelos usuários para utilizá-las em conversas futuras.
OpenAI relembrou a trajetória do recurso de memórias salvas do ChatGPT – Imagem: Divulgação / OpenAI
Segundo a empresa, esse modelo dependia de comandos claros para registrar informações e funcionava de forma semelhante a anotações pontuais. Com o passar do tempo, porém, essas memórias poderiam se tornar desatualizadas ou perder relevância.
Em abril de 2025, a OpenAI ampliou a capacidade do ChatGPT ao introduzir a primeira versão do chamado Dreaming, um processo que permite ao modelo revisar o histórico de conversas e organizar memórias automaticamente em segundo plano. A proposta era reduzir a dependência de solicitações explícitas para armazenar informações.
Agora, a companhia afirma ter desenvolvido uma arquitetura de memória baseada nessa tecnologia, descrita como mais eficiente em termos computacionais e mais capaz de manter informações relevantes atualizadas.
Resumo de memórias ficará visível ao usuário
Uma das novidades anunciadas é a criação de uma página de resumo das memórias sintetizadas pelo sistema. Segundo a OpenAI, o recurso permitirá visualizar rapidamente os principais pontos que o ChatGPT conhece sobre cada usuário.
Nova página de resumo de memória mostra informações que o ChatGPT reuniu sobre o usuário e permite corrigir ou remover dados, segundo a OpenAI – Imagem: Divulgação / OpenAI
A empresa diz que será possível revisar, corrigir, atualizar ou complementar essas informações diretamente pela interface. Os usuários também poderão indicar quais assuntos desejam que o chatbot considere com mais frequência em futuras interações.
Três objetivos para a memória
A OpenAI afirma que avalia a qualidade do sistema de memória com base em três critérios principais: a capacidade de manter informações relevantes entre conversas, o respeito a preferências e restrições informadas pelos usuários e a atualização dessas informações conforme o tempo passa.
Como exemplo, a companhia afirma que o ChatGPT pode lembrar detalhes de projetos de longo prazo, considerar preferências pessoais ao responder solicitações e atualizar automaticamente informações temporárias, como viagens concluídas ou eventos já encerrados.
OpenAI afirma que a capacidade de recuperar informações factuais aumentou de 41,5% em 2024 para 82,8% em 2026 – Imagem: Divulgação / OpenAI
Nos testes internos divulgados pela empresa, a taxa de sucesso na recuperação de informações factuais passou de 41,5% no sistema de 2024 para 82,8% na nova geração de memória baseada em Dreaming. Já a aderência a preferências aumentou de 31,4% para 71,3%, enquanto a capacidade de manter informações corretas ao longo do tempo subiu de 9,4% para 75,1%.
Expansão para mais usuários
A OpenAI afirma que avanços recentes reduziram em aproximadamente cinco vezes o custo computacional necessário para operar o sistema Dreaming. Segundo a empresa, essa redução tornou viável ampliar o recurso para mais usuários e aumentar a capacidade de memória disponível nos planos pagos.
A companhia descreve a atualização como sua arquitetura de memória mais avançada até o momento e afirma que continuará trabalhando em melhorias futuras para o recurso.
Segundo comunicado da empresa divulgado pela Reuters nesta quarta-feira (03), a estratégia visa moldar a regulamentação do setor sem travar o avanço tecnológico.
Altman cumpre agenda em Washington para pedir ao Congresso o aumento de verbas para testes de IA no Departamento de Comércio.
Testes de segurança nacional
Atualmente, o órgão já colabora com a OpenAI e a Anthropic na avaliação de tecnologias em desenvolvimento.
A OpenAI quer expandir a iniciativa com cientistas especializados em segurança cibernética, armas biológicas e defesa nacional.
Exigências federais podem prejudicar lucros ao atrasar lançamentos ou forçar mudanças nos produtos por motivos de segurança.
A concorrente Anthropic, criadora do Claude, protocolou seu pedido confidencial de IPO nos Estados Unidos na última segunda-feira (1º).
Altman se reúne nesta quarta-feira (03) com parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson.
Macron convida Altman para cúpula do G7
O presidente francês, Emmanuel Macron, convidou Sam Altman para participar da cúpula do G7, que ocorre entre 15 e 17 de junho. Segundo informou a OpenAI à CNBC, esta será a primeira participação do executivo no encontro dos chefes de Estado.
O diretor de assuntos globais da OpenAI, Chris Lehane, afirmou que Altman integrará as discussões de liderança focadas em inteligência artificial. A expectativa da empresa é fechar um conjunto de compromissos voluntários de segurança digital com os países do bloco econômico.
A prioridade de Altman no evento será a segurança dos jovens e a governança imediata dos riscos cibernéticos e biológicos da tecnologia. A preocupação cresceu após os lançamentos recentes de modelos robustos, como o GPT-5.5 Cyber e o Mythos, da concorrente Anthropic.
Para mitigar riscos e fechar parcerias estatais, a empresa aposta no programa “OpenAI for Countries”, lançado no fim de 2025. A ofensiva diplomática de Macron também visa atrair capital para expandir a infraestrutura de tecnologia e dados em território francês.
Recentemente, o SoftBank anunciou o investimento de € 45 bilhões em cinco anos para construir infraestrutura de IA na França. O país também garantiu € 7,5 bilhões do fundo MGX com o Bpifrance e mais € 2 bilhões da Salesforce.
O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, ultrapassou um bilhão de usuários ativos mensais globais em maio de 2026, segundo estimativas da empresa de pesquisa de mercado Sensor Tower.
O marco foi atingido cerca de três anos após o lançamento — o mais rápido entre todos os aplicativos a alcançar esse número, de acordo com o levantamento.
Claude perdeu usuários entre os estadunidenses para o ChatGPT – Imagem: Stockinq/Shutterstock
Um bilhão de usuários ativos mensais
O ChatGPT superou o ritmo com que Google Maps, TikTok, Instagram e YouTube chegaram à mesma marca de um bilhão de usuários mensais ativos;
O Claude, da Anthropic, registrou 56 milhões de usuários ativos mensais globais no segundo trimestre de 2026, com crescimento anual de cerca de 640%, segundo a Sensor Tower;
No mesmo período, o ChatGPT expandiu sua base em 62%;
A Sensor Tower também identificou um efeito sobre o comportamento dos usuários: estadunidenses que instalaram o Claude no primeiro trimestre de 2026 passaram 5% menos tempo no ChatGPT no mês seguinte à instalação, em comparação com a média dos oito meses anteriores.
IA pós-ChatGPT deixa 220 startups bilionárias em crise
Mais de 220 startups estadunidenses que atingiram avaliações bilionárias durante o boom de investimentos entre 2020 e 2022 perderam o status de “unicórnio“, com algumas empresas perdendo até 82% de seu valor. Segundo dados exclusivos da PitchBook fornecidos à CNBC, quase metade das 857 startups unicórnio dos Estados Unidosnão conseguiu levantar novos investimentos nos últimos três anos.
As empresas que captaram recursos pela última vez em 2021 valem em média 68% menos hoje, enquanto aquelas que levantaram fundos em 2022 sofreram queda de 52% em suas avaliações. Entre os “unicórnios caídos” estão marcas conhecidas, como Glossier (queda de 45%), Calendly (-74%), Savage X Fenty (-61%) e AG1 (-47%).
A Microsoft anunciou nesta terça-feira seus primeiros modelos proprietários de inteligência artificial voltados para desenvolvedores, durante a conferência Build realizada em San Francisco. A iniciativa marca uma mudança no posicionamento da empresa, que até agora atuou principalmente como fornecedora de infraestrutura de nuvem e investidora em outras companhias de IA.
O primeiro modelo apresentado é o MAI-Code-1-Flash, descrito como o modelo inaugural da Microsoft no segmento de codificação por IA. Ele recebe descrições em texto e gera código-fonte para aplicativos e sites. O segundo é o MAI-Thinking-1, um modelo de raciocínio de tamanho médio. Ambos têm eficiência como ponto central de divulgação.
Novos modelos da Microsoft prometem criar códigos com mais eficiência e menor custo para desenvolvedores e empresas. Imagem: bluestork/Shutterstock
Microsoft aposta em eficiência e custo como diferenciais
Kyle Daigle, chefe de marketing para desenvolvedores da Microsoft e diretor de operações do GitHub, descreveu o MAI-Thinking-1 em um post como “construído para alta eficiência e desempenho, mas, principalmente, com baixo custo em tokens”. Tokens são a unidade usada por desenvolvedores para pagar pelo uso de modelos de IA.
O modelo de codificação foi descrito por Daigle como “ultra-eficiente em inferência”. O MAI-Thinking-1 está disponível em prévia privada pelo Microsoft Foundry, serviço voltado à integração de modelos em aplicações. Clientes podem manifestar interesse em testá-lo antes da disponibilização ampla e poderão aumentar a precisão do modelo incorporando dados próprios.
Para a Microsoft, desenvolver modelos próprios traz benefícios econômicos que podem ser repassados aos desenvolvedores: a empresa pode rodar esses modelos na própria infraestrutura Azure, sem pagar a terceiros como o OpenAI.
Novos modelos da Microsoft chegam para disputar espaço com o GPT-5 no mercado de inteligência artificial generativa. Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock – Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock
Desempenho comparado ao GPT-5 da OpenAI
Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, afirmou que, após ajustar seus modelos para as necessidades da consultoria McKinsey, a Microsoft conseguiu superar o GPT-5 da OpenAI com eficiência de custo dez vezes maior.
O que vocês acabaram de ver é uma mudança bastante significativa. Acreditamos que chegou a hora de cada empresa deixar de apenas consumir um modelo de fronteira para participar plenamente no ecossistema de fronteira.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência.
Estratégia tenta diminuir dependência da OpenAI
A Microsoft investiu US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) no OpenAI e US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) na Anthropic, disponibilizando os modelos de ambas pelo Azure. A Anthropic anunciou na segunda-feira que protocolou confidencialmente um pedido de IPO; o OpenAI também estuda uma oferta pública, possivelmente ainda este ano.
O MAI-Code-1-Flash está disponível no serviço GitHub Copilot e no editor Visual Studio Code. Além dos dois modelos principais, a Microsoft anunciou versões atualizadas de modelos em nuvem para reconhecimento de voz, geração de voz sintética e geração de imagens, além de modelos Aion de menor porte que podem rodar em PCs com Windows.
Em maio, o Google anunciou o Gemini 3.5 Flash, modelo capaz de codificar e executar outras tarefas nos data centers da empresa.
Novas IAs da Microsoft foram desenvolvidas para funcionar localmente em computadores com sistema Windows. Imagem: tomeqs/Shutterstock – Imagem: tomeqs/Shutterstock
Novos recursos chegam ao GitHub e Windows
Os anúncios da Build não ficaram restritos à programação. A Microsoft também revelou atualizações em modelos de reconhecimento de fala, geração de voz sintética e criação de imagens na nuvem.
Outro destaque foi a chegada dos pequenos modelos Aion, desenvolvidos para funcionar diretamente em computadores com Windows.
Entre os principais anúncios da empresa estão:
MAI-Code-1-Flash para geração de código;
MAI-Thinking-1 focado em raciocínio lógico;
novos recursos de voz, imagem e reconhecimento de fala;
modelos Aion otimizados para PCs com Windows;
integração dos modelos ao GitHub Copilot e Visual Studio Code.
A OpenAI lançou novos recursos para o Codex com foco em usuários corporativos. A expansão visa levar a ferramenta para além da programação de software.
Segundo relatório divulgado pela empresa, a base de usuários ativos semanais do Codex ultrapassou 5 milhões. O número representa uma alta de seis vezes desde fevereiro deste ano.
Os profissionais de escritório já somam 20% do total de usuários. Esse segmento cresce três vezes mais rápido do que o grupo de desenvolvedores.
Plug-ins para áreas de negócios
Para atrair esse público, a OpenAI liberou seis plug-ins dedicados a funções específicas. As ferramentas atendem setores como análise de dados, design de produto e vendas.
O pacote também inclui recursos voltados para o mercado financeiro. Há módulos prontos para uso em investimentos de capital e banco de investimento.
Cada plug-in combina integrações e contextos específicos para simular as tarefas de cada profissão. Os recursos funcionam diretamente dentro do aplicativo do Codex.
A OpenAI também apresentou a função Sites, que exporta projetos como páginas web interativas e hospedadas. O modelo substitui a entrega em arquivos locais isolados.
Para sustentar o ecossistema, a companhia fechou parcerias com Wix, Figma e Replit. As empresas Lovable, Base44 e Emergent também participam do projeto.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia usaram modelos de inteligência artificial da OpenAI para analisar mais de 410 mil posts do Reddit ao longo de seis anos, mapeando menções às substâncias ativas semaglutida e tirzepatida — ou aos nomes comerciais dos medicamentos que as contêm, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound — em busca de possíveis efeitos colaterais relatados pelos próprios usuários.
O estudo, publicado na revista Nature Health, aponta que fóruns online podem funcionar como fonte de sinais para investigações clínicas futuras. Os pesquisadores deixam claro, porém, que a análise não substitui ensaios clínicos nem avaliações médicas formais.
Fóruns online como o Reddit foram analisados para identificar padrões de efeitos relatados por pacientes. Imagem: stefamerpik/Freepik
Os efeitos colaterais que chamaram atenção
Segundo o ScienceAlert, entre os relatos que se destacaram como potencialmente não reconhecidos pela literatura médica, dois grupos chamaram atenção: queixas relacionadas à saúde reprodutiva, incluindo irregularidades no ciclo menstrual, e problemas ligados à regulação de temperatura corporal, como calafrios e ondas de calor. Vale notar que esses efeitos estavam longe de ser os mais frequentemente mencionados nos posts.
Para as alterações de temperatura, há um mecanismo conhecido: a forma como o metabolismo queima energia é reconhecida por impactar o equilíbrio térmico do organismo. Para as alterações menstruais, há menos pesquisa disponível sobre como esses medicamentos afetam o ciclo.
A psicóloga Jena Shaw Tronieri, uma das pesquisadoras envolvidas, apontou que esses medicamentos atuam em uma região do cérebro chamada hipotálamo, que ajuda a regular uma ampla variedade de hormônios. “Isso não significa que os medicamentos estejam necessariamente causando esses sintomas, mas pode indicar que relatos de alterações menstruais e flutuações de temperatura corporal merecem ser estudados de forma mais sistemática”, afirmou.
Os relatos mais comuns nos posts incluíam sintomas já conhecidos, como náusea — o que, segundo o cientista da computação Sharath Chandra Guntuku, valida o método. “Alguns dos efeitos colaterais que encontramos, como náusea, são bem conhecidos, e isso mostra que o método está captando um sinal real. Os sintomas sub-relatados são pistas que vieram dos próprios pacientes, de forma espontânea, e os clínicos poderiam potencialmente prestar atenção a eles”, disse.
Sintomas apareceram com maior frequência:
alterações no ciclo menstrual;
calafrios;
ondas de calor;
mudanças na regulação da temperatura corporal;
queixas ligadas à saúde reprodutiva.
Medicamentos atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue. Imagem: grinvalds/iStock
Reddit vira “laboratório” inesperado, mas com limitações
Os modelos GPT da OpenAI foram usados para processar o volume de texto e identificar padrões nos posts. Segundo Guntuku, esse tipo de varredura pode ser concluído rapidamente, o que representa uma vantagem em relação ao ritmo dos ensaios clínicos tradicionais.
Ensaios clínicos são o padrão ouro, mas por design são lentos. Isso não é uma substituição para os ensaios, mas pode se mover muito mais rápido, e essa velocidade importa quando um medicamento passa de nicho para mainstream quase da noite para o dia.
Sharath Chandra Guntuku, cientista da computação e pesquisador, em nota enviada ao Science Alert.
Os pesquisadores reconhecem limitações importantes. Como pouco se sabe sobre o perfil dos usuários que fizeram as postagens, a análise não permite afirmar de forma definitiva que os medicamentos causam os sintomas relatados. Além disso, o Reddit tende a concentrar adultos jovens, do sexo masculino e residentes nos Estados Unidos — o que limita a representatividade da amostra.
Pesquisa aponta que redes sociais podem ajudar a identificar efeitos colaterais ainda pouco estudados, como febre, calafrios e alterações no ciclo menstrual. Imagem: Polina Tankilevitch / Pexels.
Contexto sobre os medicamentos GLP-1
Os medicamentos GLP-1 recebem esse nome por mimetizar o hormônio natural peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Eles atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue.
Esses tratamentos estão associados a benefícios no controle de peso e no manejo do diabetes, mas pesquisas sobre outros efeitos potenciais ainda estão em andamento. Entre as consequências investigadas estão possível proteção contra o Alzheimer, melhora da saúde cardiovascular e maior risco de pancreatite aguda ou crônica. Também é comum que pacientes recuperem a maior parte do peso após interromper o uso dos medicamentos.
O cientista Lyle Ungar destacou o papel complementar que as redes sociais podem ter nesse contexto. “Ensaios clínicos geralmente identificam os efeitos colaterais mais perigosos dos medicamentos, mas podem deixar de encontrar os sintomas que mais preocupam os pacientes. Mesmo que as redes sociais não sejam necessariamente representativas, uma grande coleção de posts pode refletir preocupações adicionais”, afirmou.
Para Guntuku, a principal vantagem dessa abordagem é a velocidade: “O ponto central desse tipo de abordagem é que ela pode se mover rapidamente, e é exatamente aí que ela é mais valiosa.”
Investidores globais estão ampliando suas apostas em empresas asiáticas que podem se beneficiar da próxima fase de expansão da inteligência artificial (IA), impulsionada pelas esperadas captações bilionárias de companhias, como SpaceX, OpenAI e Anthropic.
A avaliação do mercado é que os recursos levantados por essas empresas deverão alimentar uma nova onda de investimentos em infraestrutura tecnológica, beneficiando fabricantes de componentes, materiais especializados, sistemas de resfriamento e equipamentos de energia em toda a cadeia de suprimentos da Ásia.
Boom da IA impulsiona mercado asiático
A tese vem ganhando força em momento em que os mercados buscam identificar os próximos vencedores do boom da IA;
Segundo analistas e gestores ouvidos pela Bloomberg, parte significativa dos recursos que deverão ser levantados pelas três empresas estadunidenses acabará chegando aos fornecedores asiáticos responsáveis por peças de servidores, componentes eletrônicos, materiais para semicondutores e soluções energéticas utilizadas em data centers;
O movimento ocorre após fabricantes de chips da região se tornarem alguns dos maiores beneficiários da expansão dos centros de dados;
Empresas, como a TSMC, a Samsung e a SK Hynix, alcançaram valorizações que as colocaram no grupo de companhias avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).
Contudo, após fortes altas nos preços das ações, parte dos investidores passou a demonstrar preocupação com os níveis elevados de avaliação dessas empresas. Com isso, cresce a busca por uma nova geração de vencedores ligados à infraestrutura da IA.
“Os IPOs relacionados à IA podem alimentar ainda mais o boom de investimentos em capital em um momento em que as ações asiáticas de semicondutores parecem esticadas”, afirmou Ken Wong, especialista em ações asiáticas da Eastspring Investments Hong Kong.
Segundo ele, a gestora está reduzindo sua exposição ao setor de semicondutores dentro de sua estratégia tecnológica para a Ásia e direcionando maior atenção para fabricantes de componentes eletrônicos.
OpenAI está na mesma linha da SpaceX e visa IPO bilionário – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
Nova rodada de investimentos em IA
A disputa pela liderança em IA já levou gigantes da tecnologia, como a Meta e a Amazon, a realizar investimentos massivos em infraestrutura computacional.
Nesse contexto, as futuras ofertas públicas de ações de SpaceX, OpenAI e Anthropic são vistas como um fator que pode aliviar preocupações do mercado sobre a sustentabilidade do financiamento do setor, especialmente diante do aumento dos níveis de endividamento das empresas.
De acordo com Fabien Yip, analista de mercado da IG International, as listagens das três empresas poderão resultar em cerca de US$ 70 bilhões (R$ 352,6 bilhões) adicionais em gastos relacionados à IA, valor que se somaria aos mais de US$ 750 bilhões (R$ 3,8 trilhões) já comprometidos pelas principais empresas de computação em nuvem e infraestrutura digital.
Segundo Yip, os efeitos dessa expansão já podem ser observados nos resultados financeiros divulgados por fabricantes de chips. “O impacto sobre a Ásia é claramente visível”, afirmou. Para ela, à medida que a valorização ligada à IA amadurece, o movimento está se expandindo para além das empresas diretamente associadas ao desenvolvimento de chips.
Entre as operações mais lucrativas do mercado asiático neste ano estão fabricantes de componentes eletrônicos utilizados em servidores e fornecedores de materiais e processos empregados na produção de semicondutores.
A Samsung Electro-Mechanics e a Ibiden figuram entre os destaques do principal índice amplo de ações asiáticas da MSCI em 2026. Entre apostas consideradas menos óbvias, Yip destaca a fabricante japonesa de sanitários Toto, fornecedora de materiais cerâmicos utilizados em equipamentos para fabricação de semicondutores.
Os fabricantes asiáticos de chips vêm registrando lucros expressivos, impulsionados pela IA, beneficiados pelo forte poder de precificação decorrente da escassez de semicondutores. Agora, sinais de restrições de oferta começam a surgir em etapas posteriores da cadeia produtiva, tendência que pode se intensificar com a continuidade dos investimentos.
A maior conscientização dos investidores sobre esses novos gargalos, somada a fatores técnicos de mercado, tem contribuído para a ampliação do interesse por empresas além das grandes fabricantes de chips.
Servidores, conectividade e infraestrutura
Sam Konrad, gestor de portfólio da Jupiter Asset Management, vê oportunidades em empresas taiwanesas responsáveis pela montagem de servidores, como a Hon Hai e a Quanta, além da desenvolvedora de chips MediaTek.
“O ciclo de investimentos em IA vai durar vários anos”, afirmou. “Os investidores provavelmente buscarão empresas que sejam beneficiárias diretas, mas que ainda negociem com múltiplos de avaliação baixos.”
Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management, acredita que a próxima etapa da valorização deverá ser mais seletiva. “A próxima fase da alta deve ser específica para determinadas ações, e não uma valorização generalizada dos semicondutores”, afirmou.
Segundo ele, sua equipe está concentrada em empresas ligadas a encapsulamento avançado de chips, substratos, testes, conectividade óptica, energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de servidores em Taiwan e na China, segmentos nos quais as perspectivas de crescimento dos lucros ainda podem justificar as avaliações de mercado.
Além disso, alguns investidores estão direcionando recursos para aplicações de IA além dos chatbots, incluindo robótica e veículos autônomos. Esse segmento emergente, conhecido como “IA física”, recebeu impulso dos esforços da Nvidia para expandir seus negócios nessa área, beneficiando empresas parceiras, como a LG.
Energia surge como novo gargalo
Outro setor que vem atraindo atenção crescente é o de energia, considerado fundamental para sustentar a proliferação de data centers. Fontes nucleares e alternativas de geração ganharam destaque, especialmente em um cenário de alta dos preços do petróleo, provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Na Coreia do Sul, empresas, como a HD Hyundai Energy e a Daewoo Engineering & Construction, estão entre os principais destaques do mercado acionário local neste ano.
Na Índia, os investimentos do Adani Group em data centers abastecidos por energia renovável impulsionam o desempenho de suas subsidiárias do setor energético, representando uma das poucas apostas ligadas à inteligência artificial no país.
Jian Shi Cortesi, gestora da GAM Investment Management, considera o fornecimento de energia “o gargalo menos explorado” pelos investidores, mas alerta que a próxima fase da euforia em torno da IA pode envolver riscos maiores.
Segundo ela, caso a demanda por IA não justifique o volume de investimentos realizados, as empresas poderão reduzir seus gastos de capital, deixando o mercado diante de excesso de infraestrutura e de fortes quedas nas avaliações.
Anthropic também está no bolo – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Fornecedores asiáticos devem ser beneficiados
Brian Ooi, gestor da Swiss-Asia Financial Services, avalia que as futuras captações de recursos de SpaceX, OpenAI e Anthropic representam um sinal positivo para a manutenção de investimentos em ações relacionadas à IA.
Ele também destaca oportunidades ligadas ao setor energético, especialmente em fabricantes de transformadores, células de combustível, cabos, turbinas a gás e outros equipamentos. Segundo Ooi, as três empresas terão mais recursos para sustentar seus planos de expansão.
“As três grandes ofertas relacionadas à IA fornecerão mais liquidez para que elas continuem investindo em gastos de capital, e elas já possuem planos significativos de investimentos”, afirmou. “Os fornecedores asiáticos serão beneficiados.”
A OpenAI afirmou que um de seus modelos internos de inteligência artificial resolveu um problema matemático aberto há oito décadas, em um resultado que foi posteriormente revisado e validado por matemáticos. O anúncio foi feito na semana passada e envolve o chamado problema da distância unitária no plano, formulado pelo matemático húngaro Paul Erdős em 1946.
Segundo a empresa, a solução representa um avanço importante na capacidade da IA de lidar com questões matemáticas complexas. A OpenAI também afirma que esta seria a primeira vez que uma inteligência artificial resolve de forma autônoma um problema em aberto considerado central para uma área específica da matemática.
Modelo interno da OpenAI conseguiu resolver um problema matemático que persistia sem solução há 80 anos – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
O que é o problema da distância unitária no plano
O problema proposto por Erdős busca responder a uma pergunta aparentemente simples: qual é o número máximo de pares de pontos que podem estar separados por exatamente uma unidade de distância em um plano bidimensional?
Na formulação original, Erdős sugeriu que esse número cresceria um pouco mais rápido do que a quantidade total de pontos considerados. Desde então, matemáticos tentam estabelecer limites para a questão.
Até agora, o limite superior mais preciso conhecido havia sido definido em 1984. De acordo com a OpenAI, seu modelo encontrou um conjunto de configurações que ultrapassou o limite associado ao trabalho anterior.
Modelo não foi treinado especificamente para matemática
Um dos aspectos destacados pela OpenAI é que o modelo utilizado seria de raciocínio geral e não teria sido treinado especificamente para resolver esse problema nem para atuar exclusivamente em matemática.
Em um artigo de pesquisa associado ao trabalho, os cientistas da empresa afirmaram que o sistema empregou uma abordagem considerada inédita para substituir uma teoria normalmente ligada ao problema da distância unitária no plano.
A OpenAI afirmou ainda que os conceitos utilizados já eram conhecidos por especialistas em teoria algébrica dos números, mas que foi surpreendente identificar implicações dessas ideias para questões geométricas.
Revisão humana confirmou os resultados
Apesar de atribuir a descoberta à inteligência artificial, a OpenAI destacou que matemáticos externos foram convidados para revisar e confirmar os resultados. Esses pesquisadores também produziram um artigo complementar explicando o contexto da solução encontrada pelo modelo.
O matemático Thomas Bloom, da Universidade de Manchester e responsável pelo site dedicado aos problemas de Erdős, afirmou no trabalho complementar que a demonstração produzida pela IA era válida, mas foi significativamente aprimorada por pesquisadores humanos da OpenAI e por outros matemáticos envolvidos.
Segundo Bloom, a participação humana continua sendo fundamental para discutir, interpretar, aperfeiçoar a prova matemática e investigar suas consequências.
Comunidade matemática reage de forma positiva
As reações de matemáticos citadas pela OpenAI foram majoritariamente favoráveis. Tim Gowers, professor de matemática da Universidade de Cambridge, classificou a solução como um marco para a matemática produzida por inteligência artificial.
De acordo com ele, se o artigo tivesse sido escrito por um pesquisador humano e submetido à revista Annals of Mathematics, sua recomendação seria pela aceitação sem hesitação. Gowers também afirmou que nenhuma demonstração gerada por IA havia alcançado um nível semelhante anteriormente.
A OpenAI argumenta que o resultado serve como uma demonstração de que sistemas de IA podem contribuir para pesquisas de fronteira. Ainda assim, a empresa ressalta que a tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio aos matemáticos, e não como substituta do trabalho humano.
Histórico de alegações semelhantes
O anúncio ocorre após um episódio envolvendo declarações feitas pela OpenAI em outubro do ano passado. Na ocasião, representantes da empresa, incluindo o gerente Kevin Weil e o executivo Sebastien Bubkeck, afirmaram que o GPT-5 havia resolvido dez problemas matemáticos não solucionados atribuídos a Erdős e avançado em outros onze.
Posteriormente, Bubkeck retirou a afirmação e apagou sua publicação inicial após especialistas, entre eles Thomas Bloom, apontarem que os problemas mencionados já haviam sido resolvidos anteriormente por matemáticos humanos.
A OpenAI pediu à Justiça dos Estados Unidos a rejeição de um processo movido pela Nippon Life Insurance Company, que acusa a empresa de prestar consultoria jurídica sem autorização por meio do ChatGPT.
A companhia afirmou em documento apresentado na sexta-feira (15) no tribunal federal de Chicago que o chatbot de inteligência artificial (IA) “não é um advogado” e não exerce a advocacia.
Segundo a OpenAI, não existem fundamentos para sustentar a ação da seguradora, que alega que o ChatGPT ajudou uma reclamante a sobrecarregar um tribunal federal com processos considerados sem mérito.
“No processo, a OpenAI afirmou que ‘o ChatGPT não é uma pessoa e não tem nem usa nenhum grau de conhecimento ou habilidade jurídica’.”
Uso de IAs em processos
O caso ocorre em um contexto de aumento do número de ações judiciais apresentadas sem auxílio de advogados e com apoio de ferramentas de IA generativa, capazes de redigir e protocolar documentos judiciais;
A ação da Nippon está entre os primeiros processos a acusar uma grande plataforma de IA de praticar advocacia sem autorização;
A disputa teve origem em um processo anterior envolvendo a ex-funcionária Graciela Dela Torre, que havia acionado a Nippon em razão de benefícios de invalidez de longo prazo. O caso foi encerrado por meio de acordo em 2024.
De acordo com a seguradora, Dela Torre posteriormente abriu um novo processo e utilizou o ChatGPT para inundar o tribunal com dezenas de moções e notificações produzidas por IA que, segundo a empresa, não serviram “a nenhum propósito legal ou processual legítimo”.
Ação da Nippon está entre os primeiros processos a acusar uma grande plataforma de IA de praticar advocacia sem autorização – Imagem: Stock all/Shutterstock
O que a OpenAI relata sobre o caso envolvendo o ChatGPT
A OpenAI rebateu as acusações e afirmou que “a aparente frustração da Nippon por ter que se defender de um processo não é base para responsabilizar a OpenAI”.
A empresa também definiu o ChatGPT como “uma ferramenta útil e um auxílio à pesquisa que promove o acesso à justiça nos tribunais” e argumentou que os usuários concordam em não utilizar o conteúdo gerado pela plataforma como substituto para aconselhamento profissional.
“Dela Torre tinha o direito de se representar contra a Nippon e tinha o direito de usar o ChatGPT como uma ferramenta para isso”, afirmou a OpenAI ao tribunal.
“Se ela apresentou argumentos apropriados, é uma questão de suas ações, e cabia ao juiz do tribunal distrital que presidia seus casos decidir”, acrescentou a companhia.
Nem a OpenAI nem um advogado da Nippon comentaram o caso.