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Microsoft cria nova empresa de IA e investe US$ 2,5 bilhões em projeto ambicioso

A Microsoft decidiu acelerar sua presença na corrida da inteligência artificial. Agora, criou a Microsoft Frontier Company, uma unidade dedicada a levar IA diretamente para dentro de grandes empresas. O investimento é pesado: US$ 2,5 bilhões e cerca de 6 mil profissionais envolvidos.

Não é só mais uma iniciativa, segundo o TechCrunch, a empresa quer encurtar o caminho entre tecnologia e uso real no dia a dia corporativo.

Nova estratégia da Microsoft quer colocar IA dentro das empresas com equipes especializadas e foco em resultados. – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock

Um modelo mais prático para aplicar IA

Em vez de atuar apenas como fornecedora de ferramentas, a Microsoft quer colocar equipes técnicas dentro dos clientes. A ideia é simples de entender: implementar IA de forma direta, acompanhando o processo de perto.

Isso vai além do que tem sido chamado de Engenharia de Implantação em Campo, e será a maior e mais capaz organização de engenharia do setor, focada em resultados.

Judson Althoff, CEO de Negócios Comerciais da Microsoft, ao TechCrunch.

A empresa aposta na própria base de clientes para acelerar tudo isso. Já existe uma estrutura pronta de relacionamento com grandes corporações, o que ajuda a dar escala ao projeto.

Pontos centrais da iniciativa:

  • US$ 2,5 bilhões em investimento
  • Aproximadamente 6.000 especialistas
  • Uso de ferramentas de IA já existentes na Microsoft
Logo da OpenAI em um prédio
Gigantes da tecnologia disputam espaço na IA corporativa, com Microsoft, AWS e OpenAI investindo pesado. – Imagem: Stock all/Shutterstock

Disputa pela IA corporativa esquenta

O movimento da Microsoft não está isolado. Pelo contrário, ele faz parte de uma corrida cada vez mais intensa entre gigantes da tecnologia.

A Amazon Web Services anunciou recentemente US$ 1 bilhão para projetos semelhantes. OpenAI e Anthropic também seguem estratégias parecidas, misturando tecnologia de IA com equipes dedicadas à implementação.

O mercado, claramente, virou uma disputa por quem consegue colocar a IA funcionando na prática dentro das empresas — e não apenas como promessa.

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Microsoft já mira clientes como Unilever, Accenture e London Stock Exchange para acelerar sua nova aposta em IA. – Imagem: Konektus Photo/Shutterstock

Clientes grandes entram no centro da estratégia

A Microsoft parte de uma vantagem importante: já está dentro das maiores empresas do mundo. A companhia atende boa parte das organizações da Fortune 500.

Entre os primeiros nomes ligados à nova unidade estão London Stock Exchange Group, Unilever, Land O’Lakes e Accenture. Esses projetos iniciais devem funcionar como uma espécie de vitrine global.

No fim das contas, o recado é simples. A inteligência artificial deixou de ser apenas produto e passou a ocupar o centro da estratégia das big techs.

A Microsoft quer justamente isso: transformar IA em parte estrutural dos negócios, aproximando tecnologia e resultado de forma mais direta — e rápida.

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IA pressiona custos e Microsoft prepara nova onda de demissões

A Microsoft deve reduzir menos de 2,5% de sua força de trabalho em uma nova rodada de demissões que pode ser anunciada já na próxima semana, segundo o Business Insider. A movimentação ocorre enquanto o setor de tecnologia passa por uma fase de reorganização menos discreta do que parece à primeira vista.

O clima interno, segundo relatos do mercado, já vinha de ajustes graduais antes mesmo do anúncio.

Microsoft já havia cortado 4% da força de trabalho em 2025, indicando continuidade das mudanças internas. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock

Xbox entra no centro das mudanças e preocupa funcionários

Segundo a Reuters, os cortes devem atingir milhares de pessoas, com impacto em áreas como vendas e consultoria. O Xbox aparece entre as divisões mais sensíveis nesse processo.

Há cerca de 228 mil funcionários em tempo integral na Microsoft, conforme dados enviados à SEC em junho de 2025 — o que ajuda a dimensionar o peso de qualquer ajuste, mesmo que percentual.

No caso da divisão de games, o ambiente já vinha sendo descrito como de revisão constante de prioridades e gastos.

Logos das big techs em um smartphone; ao fundo, desfocado, logos de várias outras
Meta e Amazon, entre outras big techs, também anunciaram reduções recentes, reforçando tendência de reestruturação global no setor. – Imagem: gguy/Shutterstock

IA muda a lógica de custos e acelera reestruturações

O movimento da Microsoft se conecta a uma tendência mais ampla. Em várias empresas de tecnologia, mídia e finanças, os últimos meses foram marcados por ajustes semelhantes.

Por trás desse cenário, dois fatores aparecem com força: o custo crescente de infraestrutura de inteligência artificial e a necessidade de reorganizar estruturas após ciclos longos de expansão.

Meta e Amazon também já fizeram movimentos parecidos recentemente, com cortes significativos em suas equipes globais.

Logotipo da Microsoft exibido em smartphone com símbolo do Xbox ao fundo
Xbox entra no centro das mudanças internas e pode sofrer ajustes em orçamento e estratégia de marketing. – Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock

Um setor em transição mais lenta do que parecia

A divisão de jogos da Microsoft segue sob atenção. Além de possíveis cortes em marketing, há discussões internas sobre caminhos estratégicos para o futuro da unidade, segundo relatos do setor.

Leia mais:

Esse tipo de movimento não é isolado. O mercado de games também sente pressão de custos e mudanças nas prioridades das big techs.

A própria Microsoft já havia cortado cerca de 4% de sua força de trabalho em julho de 2025. Agora, a nova rodada reforça uma leitura mais ampla: o setor não está encolhendo, mas claramente deixou de crescer no mesmo ritmo de antes — especialmente enquanto redireciona energia para inteligência artificial.

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Realmente precisamos das IAs? A corrida bilionária ainda busca retorno

A corrida pela inteligência artificial (IA) está custando cada vez mais caro às gigantes da tecnologia. Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta devem investir juntas entre US$ 650 bilhões e US$ 720 bilhões em infraestrutura de IA ao longo de 2026, ampliando gastos com data centers, chips e desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados. Ao mesmo tempo, investidores e o próprio mercado ainda questionam quando esses investimentos começarão a gerar retorno financeiro.

As dúvidas, porém, vão além das big techs. Enquanto empresas buscam transformar projetos de IA em resultados concretos e consumidores avaliam se vale a pena pagar por recursos baseados na tecnologia, especialistas ouvidos pelo Olhar Digital afirmam que o desafio já não está apenas no desenvolvimento da IA, mas em como aplicá-la de forma estratégica, gerar retorno financeiro e construir modelos de negócio sustentáveis.

Bilhões em investimentos, resultados desiguais

Os investimentos bilionários em inteligência artificial não geram os mesmos resultados para todos os participantes desse mercado. Enquanto empresas responsáveis pela infraestrutura da tecnologia vivem um momento de forte expansão, companhias que desenvolvem aplicações ou incorporam IA aos seus produtos ainda buscam transformar esses aportes em crescimento sustentável.

Para Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação, essa diferença acontece porque a cadeia da inteligência artificial é composta por diferentes camadas, cada uma com desafios e oportunidades próprios. Ele recorre a uma analogia popularizada pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, que compara o mercado de IA a um “bolo de cinco camadas” (“Five-Layer Cake“): energia, chips, data centers, modelos e aplicações. Segundo o especialista, os resultados variam conforme a posição ocupada nessa cadeia.

Na segunda camada, para quem vende chips, como é o caso da Nvidia, os resultados têm sido incríveis, com recorde atrás de recorde, margens espetaculares, crescimento contínuo e uma trajetória muito positiva. Agora, à medida que vamos subindo nessa cadeia, chegando às aplicações e às big techs, o cenário muda um pouco. Os resultados em faturamento e o retorno sobre esses investimentos ainda não estão acontecendo em todas as frentes.

Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação

Data centers estão entre os principais destinos dos investimentos bilionários realizados por empresas que apostam na expansão da inteligência artificial – Imagem: Make more Aerials / Shutterstock

Na avaliação do especialista, esse comportamento é comum em grandes ciclos de inovação. Enquanto alguns segmentos conseguem capturar rapidamente o retorno dos investimentos, outros ainda passam por um período de adaptação até encontrar modelos de negócio sustentáveis — e nem todas as empresas conseguirão fazer essa transição com sucesso.

Essa diferença também aparece na avaliação de Lucas Gilbert, especialista em Tecnologia Digital. Segundo ele, fabricantes de chips e empresas responsáveis pela infraestrutura da inteligência artificial já conseguem transformar investimentos em faturamento. Mas a realidade é diferente para organizações que adotam a tecnologia em suas operações. Nelas, o desafio ainda é transformar ganhos de produtividade em resultados financeiros concretos.

O desafio não é adotar IA, mas gerar retorno

Levar a inteligência artificial para dentro das empresas deixou de ser o principal obstáculo. O desafio agora é transformar esse movimento em ganhos concretos para o negócio. Embora cada vez mais organizações testem ferramentas baseadas em IA, poucas conseguem incorporá-las à operação de forma a gerar impacto financeiro mensurável.

Na avaliação de Lucas Gilbert, essa dificuldade está menos relacionada à tecnologia e mais à forma como ela é implementada. Segundo ele, muitas empresas utilizam a IA para automatizar tarefas simples, mas “difícil é redesenhar o jeito que a empresa trabalha para que a IA realmente economize dinheiro ou gere receita”.

Equipe de profissionais utiliza recursos de inteligência artificial em ambiente corporativo.
Empresas ampliam o uso de ferramentas de inteligência artificial, mas transformar essa adoção em retorno financeiro ainda é um desafio para muitas organizações – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock

Pesquisas recentes ajudam a ilustrar esse cenário. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), por exemplo, apontou que 95% dos projetos-piloto de IA não geram impacto mensurável nos resultados das empresas. Já um levantamento da PwC mostrou que mais da metade dos CEOs ainda não observou benefícios financeiros relevantes com a tecnologia.

Para Gilbert, esse cenário não significa que a inteligência artificial tenha fracassado, mas que muitas empresas ainda não aprenderam a transformar ganhos individuais de produtividade em retorno financeiro para a organização.

O entusiasmo corre na velocidade de quem testa. O uso prático corre na velocidade de quem transforma a operação. E são velocidades bem diferentes.

Lucas Gilbert, especialista em Tecnologia Digital

Os dados sobre a maturidade da adoção corporativa ajudam a explicar esse descompasso. Segundo Alessandra Montini, professora e diretora do LabData, da FIA, embora praticamente todas as empresas reconheçam a importância estratégica da inteligência artificial, a maior parte ainda está nos estágios iniciais de implementação.

A especialista cita dados do estudo A Nova Força de Trabalho Híbrida, produzido pelo TEC Institute em parceria com a Skyone, segundo o qual 99% das organizações consideram agentes de IA centrais para os negócios nos próximos três anos. Apesar disso, 74% ainda se encontram em níveis iniciais ou intermediários de adoção. O levantamento também mostra que 57% das empresas não contam com orçamento dedicado para iniciativas de IA e que 59% afirmam não estar preparadas para operar, no curto prazo, com equipes formadas por pessoas e sistemas inteligentes.

O consumidor está disposto a pagar pela IA?

Se convencer empresas a transformar inteligência artificial em retorno financeiro já é um desafio, conquistar o consumidor representa outra etapa dessa equação. Embora ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude tenham popularizado a tecnologia, ainda há dúvidas sobre a disposição do público em pagar por esses recursos.

Os dados disponíveis indicam que a adoção cresce mais rapidamente do que a monetização. Um relatório da Menlo Ventures, baseado em uma pesquisa com mais de 5 mil adultos nos Estados Unidos, estima que cerca de 1,8 bilhão de pessoas já utilizaram ferramentas de IA em todo o mundo. Apesar disso, o mercado consumidor movimenta cerca de US$ 12 bilhões por ano, o que representa uma taxa de conversão de aproximadamente 3% para serviços premium. O levantamento também estima que o ChatGPT converta cerca de 5% de seus usuários ativos em assinantes pagos.

Pessoa utiliza o ChatGPT em um notebook.
Ferramentas como o ChatGPT popularizaram o uso da inteligência artificial, mas a parcela de consumidores que paga por recursos avançados ainda é relativamente pequena – Imagem: Thaspol Sangsee / Shutterstock

Na avaliação de Lucas Gilbert, esse cenário indica que o consumidor médio ainda vê a inteligência artificial como um recurso incorporado aos serviços que já utiliza, e não como uma assinatura indispensável. Segundo ele, quem mais aceita pagar pela tecnologia são profissionais que conseguem compensar esse custo com ganhos de produtividade.

Arthur Igreja observa o cenário por outro ângulo. Para o especialista, a disposição para pagar pela inteligência artificial já existe em diferentes perfis de usuários, desde consumidores que utilizam ferramentas para editar imagens e vídeos até profissionais que dependem da tecnologia em atividades mais avançadas. Na avaliação dele, a decisão de pagar depende menos do perfil do usuário e mais da capacidade da ferramenta de resolver um problema concreto.

Acredito que não é uma questão de um recorte de perfil de usuário ou de tipo de empresa, a questão é onde ela gera valor e gerou valor, alguém vai estar disposto a pagar para usar.

Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação

Realmente precisamos das IAs?

Embora os investimentos bilionários e o avanço da inteligência artificial tenham colocado a tecnologia no centro das discussões do setor, especialistas ouvidos avaliam que o valor da IA depende menos da sua presença em produtos e serviços e mais da capacidade de resolver problemas concretos.

Arthur Igreja avalia que a inteligência artificial representa uma transformação tecnológica sem volta. Isso, porém, não significa que todas as iniciativas terão sucesso ou que a tecnologia faça sentido em qualquer contexto. Segundo ele, o desafio das empresas é identificar onde a IA realmente agrega valor e onde sua adoção ocorre apenas pelo receio de ficar para trás em relação à concorrência.

Lucas Gilbert faz uma distinção semelhante. Para ele, a inteligência artificial entrega resultados consistentes em atividades repetitivas, de grande volume e com impacto fácil de mensurar, como atendimento ao cliente, detecção de fraudes, processamento de documentos e apoio à programação. Em contrapartida, o especialista afirma que muitas empresas passaram a incorporar recursos de IA em produtos e serviços mais para acompanhar uma tendência de mercado do que para resolver uma necessidade concreta dos usuários.

A pergunta que separa uma coisa da outra é simples: tira a IA daqui e alguém sente falta? Se a resposta é não, provavelmente era enfeite.

Lucas Gilbert, especialista em Tecnologia Digital

Para Alessandra Montini, a inteligência artificial tende a gerar mais valor quando deixa de ser tratada como uma ferramenta isolada e passa a fazer parte da estratégia das empresas. Na avaliação da diretora do LabData, da FIA, o potencial da tecnologia está menos na presença de recursos de IA e mais na capacidade de transformar processos e gerar resultados para o negócio.

As avaliações dos especialistas apontam para uma mesma direção: a inteligência artificial tende a gerar mais valor quando é aplicada para resolver problemas concretos e produzir resultados mensuráveis. Nos casos em que é incorporada apenas para acompanhar uma tendência de mercado, os benefícios costumam ser mais difíceis de justificar.

Mais do que desenvolver IA, o desafio é aplicá-la

As análises dos especialistas mostram que, embora a inteligência artificial avance em diferentes ritmos entre empresas e consumidores, o principal desafio para os próximos anos será transformar o potencial da tecnologia em resultados consistentes para empresas e usuários.

Alessandra Montini diz que esse desafio passa menos pelo desenvolvimento de modelos mais sofisticados e mais pela capacidade das empresas de incorporar a inteligência artificial à estratégia do negócio. Na avaliação da especialista, tratar a tecnologia apenas como uma ferramenta de produtividade limita seu potencial de gerar impacto nas organizações.

O principal desafio não é a tecnologia, mas a capacidade das empresas de integrá-la à estratégia do negócio. Muitas organizações ainda tratam a inteligência artificial como uma iniciativa isolada ou uma ferramenta de produtividade, quando seu maior potencial está na transformação dos processos e na geração de valor para o negócio.

Alessandra Montini, diretora do LabData da FIA

O conjunto de investimentos recordes, desafios de monetização e diferentes estágios de adoção mostra que a discussão sobre inteligência artificial já não gira apenas em torno da capacidade da tecnologia. O foco passa, cada vez mais, pela capacidade de transformar esse potencial em resultados concretos para empresas e consumidores.

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The New York Times amplia ação judicial contra Microsoft e OpenAI por uso de conteúdo em IA

O New York Times alterou o processo que move contra a OpenAI e a Microsoft desde 2023. Em uma nova petição apresentada nesta quinta-feira (25) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, o jornal modificou uma acusação contra a Microsoft e retirou outra que havia sido feita contra a OpenAI.

A ação original, aberta em dezembro de 2023, acusa as duas empresas de violar direitos autorais ao usar milhões de artigos do TNYT para treinar tecnologias de inteligência artificial, incluindo o chatbot ChatGPT. O jornal argumentou que essas tecnologias passaram a competir com ele como fonte de informação.

Entenda os desdobramentos do caso

Aplicativo do ChatGPT em um celular – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock

Na petição original, o TNYT já acusava a Microsoft de infração “contributiva” de direitos autorais, em parte por ter fornecido a infraestrutura computacional usada pela OpenAI para desenvolver seus sistemas de IA. No novo documento, o jornal amplia essa acusação: afirma que a Microsoft encorajou ativamente a OpenAI a treinar seus sistemas com artigos protegidos do Times e forneceu serviços desenvolvidos especificamente para auxiliar nesse treinamento.

Ao mesmo tempo, o Times retirou do processo a acusação de que a OpenAI teria cometido infração “secundária” de direitos autorais por não impedir que consumidores e empresas gerassem conteúdo protegido por meio de IA.

Graham James, porta-voz do Times, comentou as mudanças em nota: “Como alegamos há muito tempo, a Microsoft encorajou ativamente a OpenAI a roubar nossas obras protegidas por direitos autorais”, afirmou. “Além de alterar essa acusação e simplificar o caso para seus argumentos mais sólidos, nossas alegações centrais permanecem as mesmas desde o dia em que abrimos este processo.

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OpenAI, Microsoft, Google, Amazon… afinal, quem lidera a corrida da IA?

ChatGPT, Claude, Copilot ou Gemini? A corrida pela inteligência artificial deixou de ser apenas uma disputa para ver quem tem o melhor modelo ou o mais rápido. Cada vez mais, o fator determinante é outro: o acesso à energia elétrica.

Com a expansão acelerada dos data centers voltados para IA, gigantes da tecnologia como Amazon, Google, Microsoft e Meta enfrentam um desafio comum: garantir eletricidade suficiente para sustentar o crescimento de suas operações.

Segundo uma análise publicada pelo Wall Street Journal com base em dados da empresa de inteligência energética Aterio, a Amazon parte de uma posição privilegiada:

  • A companhia já possui a maior infraestrutura de computação em nuvem do mundo e opera data centers próprios com capacidade de consumo de até aproximadamente 9 gigawatts (GW) de energia;
  • O volume é comparável à capacidade total de geração elétrica do estado norte-americano da Dakota do Norte inteiro.

Para efeito de comparação, os data centers próprios da Microsoft e do Google consomem cerca de 5 GW cada, enquanto a Meta opera instalações com capacidade próxima de 4 GW.

Mas a vantagem atual não garante liderança no futuro.

De acordo com estimativas da Aterio, a Amazon deverá adicionar o maior volume absoluto de capacidade energética e de data centers até 2030. Já o Google tende a crescer em ritmo mais acelerado. Considerando espaços alugados de operadores terceirizados, a diferença entre as duas empresas diminui significativamente.

O Olhar Digital consultou especialistas para entender exatamente o que está em jogo nessa corrida e como deve ser o futuro do setor de IA.

O que está em jogo na corrida de IA?

Para Rudolf Buhler, coordenador dos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e Ciência de Dados do Instituto Mauá de Tecnologia, a disputa atual vai muito além dos modelos de IA. Segundo ele, é uma corrida por posição no mercado de computação do futuro.

O que está em jogo é quem vai fornecer a infraestrutura que outras empresas, governos e desenvolvedores vão usar para rodar suas próprias aplicações de IA.

Rudolf Buhler, coordenador no Instituto Mauá de Tecnologia

Na mesma linha, Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da Fundação Getúlio Vargas, avalia que o foco do mercado mudou. Para ele, o que está em disputa hoje é “o controle de toda a infraestrutura digital”.

Eduardo Barros, CEO da IDK Brasil, acrescenta que a inteligência artificial tende a se tornar uma tecnologia tão essencial quanto serviços básicos.

A IA não é mais uma ferramenta, uma tecnologia isolada ou um produto lançado. Ela vem como energia elétrica e como água… ela vai se tornar algo fundamental para toda a humanidade.

Eduardo Barros, CEO da IDK Brasil

No quesito infraestrutura, Amazon está na frente – Imagem: Reprodução/YouTube/Amazon

O maior limitador

A importância da energia para o avanço da IA ficou evidente após o CEO da Amazon afirmar que a eletricidade se tornou a “maior restrição” para os negócios de computação em nuvem e inteligência artificial da empresa. O comentário reflete a nova realidade do setor: as big techs estão construindo data centers em uma velocidade superior à capacidade de expansão das redes elétricas.

O relatório The Race to Power Data Centers, da Columbia Business School e publicado em janeiro deste ano, aponta a energia como um dos principais gargalos para a expansão da IA, especialmente nos Estados Unidos. Segundo o estudo, empresas de tecnologia frequentemente conseguem construir novas instalações antes mesmo de garantir conexão à rede elétrica ou acesso a novas fontes de geração.

Essa pressão ocorre em um contexto de crescimento acelerado da demanda energética global. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que os data centers consumiram cerca de 400 terawatts-hora (TWh) em 2024, o equivalente a aproximadamente 1,5% da eletricidade mundial. A projeção é que esse volume alcance 1.000 TWh até 2030 – cerca de 3% do consumo global.

A mudança de foco para infraestrutura tem uma explicação simples, segundo Buhler. “Porque sem energia, o modelo não roda. Não basta ter o melhor algoritmo se você não tem onde rodá-lo”, explicou.

Já para Corrêa, a discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver limitações físicas.

O gargalo estratégico de hoje não é mais escrever código que para de pé, mas sim conseguir manter o servidor ligado na tomada.

Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da Fundação Getúlio Vargas

Estratégias diferentes

Os hiperescaladores (empresas por trás dos data centers de grande porte) compartilham o mesmo desafio, mas vêm adotando estratégias distintas para garantir energia.

Sergio Toro, fundador da Aterio, explicou ao WSJ que a Amazon aposta em uma abordagem mais gradual e focada em confiabilidade e custo. A empresa busca construir a maior parte de sua infraestrutura por conta própria.

Isso permitiu que a companhia saísse na frente em algumas iniciativas:

  • A Amazon foi a primeira entre as gigantes da tecnologia a anunciar um contrato de compra de energia vinculado a uma usina nuclear em operação;
  • Posteriormente, Microsoft, Google e Meta passaram a firmar acordos semelhantes envolvendo usinas nucleares desativadas ou em processo de encerramento.

O Google, por outro lado, tem concentrado esforços em ampliar sua infraestrutura utilizando fontes renováveis.

A busca por energia também levanta preocupações sobre concentração de mercado. Buhler alerta que há um temor crescente de que as big techs passem a monopolizar parte da oferta de energia limpa disponível nos EUA. Segundo ele, isso poderia deixar consumidores e companhias menores dependentes de fontes mais antigas e mais poluentes.

Postes de energia elétrica
Com boom da IA, demanda por data centers cresceu – mas rede de energia elétrica pode não dar conta do recado – Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Combustíveis fósseis seguem no setor

Apesar dos compromissos ambientais assumidos pelo setor, a necessidade de expandir rapidamente a capacidade computacional tem levado empresas a recorrerem também ao gás natural, um combustível fóssil e poluente.

Embora os investimentos em fontes renováveis estejam crescendo, especialistas observam que a demanda por eletricidade avança em velocidade ainda maior. Para Buhler, a aposta em combustíveis fósseis vem justamente para dar conta dessa demanda.

Como exemplo:

  • Segundo levantamento da Cleanview citado pelo Wall Street Journal, Microsoft, Amazon e Meta possuem projetos associados a usinas autônomas movidas a gás para abastecer data centers;
  • A Microsoft, por exemplo, assinou um contrato de 20 anos com a Chevron para fornecer energia a uma instalação de IA no Texas;
  • O próprio Google também adotou medidas consideradas contraditórias por alguns especialistas. A companhia planeja alugar capacidade computacional da SpaceX, cujos data centers foram construídos utilizando sistemas energéticos movidos a gás natural fora da rede elétrica tradicional.

Ao mesmo tempo, os hiperescaladores vêm investindo em tecnologias capazes de oferecer energia limpa de forma contínua. Entre as apostas estão pequenos reatores nucleares modulares (SMRs), sistemas geotérmicos avançados, novas tecnologias de armazenamento em baterias e até conceitos mais experimentais, como energia solar transmitida do espaço.

Segundo a Columbia Business School, essas empresas já desempenham um papel central no financiamento de projetos renováveis. Amazon, Microsoft, Google e Meta respondem juntas por mais da metade dos novos contratos corporativos de compra de energia renovável nos Estados Unidos.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Para além da conta de luz: data centers também consomem volumes massivos de água e preocupam comunidades nos locais da instalação – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O que vai definir os vencedores da corrida de IA?

Especialistas acreditam que os vencedores serão definidos principalmente pela capacidade de construir e sustentar infraestrutura.

Para Buhler, fatores como acesso a energia, disponibilidade de data centers, capacidade de obter licenças regulatórias e transformar esses investimentos em receitas recorrentes serão decisivos. Na avaliação dele, a disputa não será vencida necessariamente pela empresa com o melhor modelo de IA, mas por quem conseguir construir, energizar e rentabilizar sua infraestrutura com mais eficiência.

Kenneth Corrêa compartilha uma visão semelhante. Segundo ele, a liderança ficará com as empresas capazes de dominar toda a cadeia tecnológica da IA, desde a infraestrutura física até a entrega dos serviços ao cliente final.

O especialista também acredita que a próxima etapa da competição será marcada pela expansão dos chamados agentes de IA. Nesse cenário, tende a levar vantagem quem oferecer a melhor base tecnológica para que empresas construam suas próprias redes de agentes inteligentes.

Na visão de Corrêa, os futuros líderes do setor serão aqueles que conseguirem combinar acesso confiável a energia, modelos avançados e um ecossistema robusto para clientes e desenvolvedores.

O jogo deixou de ser apenas sobre software e passou a ser sobre o controle de todo o ‘stack’ de inteligência artificial, do hardware físico à distribuição final.

Kenneth Corrêa, especialista em IA e professor da FGV

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Quase 400 jornais processam OpenAI e Microsoft por treinar IA com textos jornalísticos sem autorização

Um conjunto de editoras responsável por quase 400 jornais ingressou com uma ação judicial contra a OpenAI e a Microsoft nos Estados Unidos, acusando as empresas de utilizarem conteúdo jornalístico sem autorização para desenvolver sistemas de inteligência artificial. O processo foi apresentado na última quarta-feira (24) no Tribunal Distrital do Sul de Nova York.

Segundo a acusação, textos produzidos pelos veículos teriam sido coletados e copiados para abastecer modelos de linguagem empregados em ferramentas como ChatGPT e Microsoft Copilot. Os autores da ação sustentam que o material foi aproveitado sem qualquer compensação financeira aos detentores dos direitos.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço de disputas judiciais envolvendo empresas de tecnologia e organizações de mídia. Para os jornais, a falta de responsabilização pelo uso desse conteúdo pode comprometer a sustentabilidade econômica do jornalismo local.

Ação amplia embate entre imprensa e desenvolvedoras de IA

Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

De acordo com a petição apresentada à Justiça, as empresas teriam acessado páginas dos veículos de comunicação, reproduzido reportagens e armazenado esse material em seus próprios sistemas para o treinamento de modelos de inteligência artificial. Os autores também alegam que informações relacionadas à gestão de direitos autorais teriam sido removidas durante esse processo.

Conforme os jornais, os sistemas desenvolvidos pelas rés são capazes de reproduzir conteúdos derivados desse material quando acionados por usuários. A argumentação central da ação é que o valor gerado pelos produtos de inteligência artificial teria sido construído, em parte, a partir do trabalho produzido pelas empresas jornalísticas.

Representando os autores, o ex-procurador-geral de Nova Jersey, Matthew Platkin, afirmou que a ação reúne um dos maiores esforços já liderados por veículos locais e regionais contra desenvolvedoras de inteligência artificial. Em entrevista mencionada na Bloomberg Law News, ele destacou a relevância do jornalismo regional para a sociedade norte-americana.

O jornalismo local é uma fonte de informação confiável para a grande maioria dos americanos. Ele é a força vital da nossa democracia, e esse modelo de negócios realmente colocou a imprensa local em risco de extinção”, explicou o advogado.

Fachada do prédio do The New York Times
Fachada do The New York Times, em Nova York, EUA – Imagem: Osugi//Shutterstock

Na mesma entrevista, Platkin avaliou que acordos ou decisões futuras não deveriam beneficiar apenas grandes grupos de mídia, mas também organizações locais que continuam cobrindo temas pouco explorados por outros veículos.

Os jornais afirmam ainda ter investido bilhões de dólares na produção e proteção de seu conteúdo, inclusive por meio de sistemas de assinatura e barreiras de acesso. Mesmo assim, alegam que esse material teria sido utilizado pelas empresas sem autorização prévia.

Entre os pedidos apresentados à Justiça estão indenizações previstas na legislação de direitos autorais e medidas judiciais destinadas a interromper práticas consideradas irregulares pelos autores da ação.

Em resposta às acusações, a OpenAI declarou que seus modelos são desenvolvidos com base em informações disponíveis publicamente e que suas atividades estão amparadas pelo princípio do fair use. Já a Microsoft não havia se manifestado até o momento da publicação da reportagem da Bloomberg.

O caso se soma a uma série de processos recentes envolvendo o uso de conteúdo protegido por direitos autorais no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial. A reportagem cita iniciativas semelhantes movidas por organizações como CNN, New York Times, Reddit, Encyclopaedia Britannica e Merriam-Webster contra outras empresas do setor.

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IA no trabalho: O plano dos EUA para salvar empregos na era da IA

Uma nova iniciativa nos Estados Unidos quer preparar a força de trabalho para as mudanças provocadas pela inteligência artificial. O projeto reúne empresas, governos estaduais e organizações filantrópicas para lidar com os impactos da automação no mercado de trabalho.

A coalizão, chamada RAISE US, será liderada por nomes ligados ao governo e ao setor privado. Segundo o The Wall Street Journal, a proposta é apoiar a adaptação profissional em um cenário de adoção acelerada da inteligência artificial. E isso, segundo os organizadores, não é algo que possa ser deixado para depois.

Projeto aposta em integração entre empresas, governos e escolas para acelerar a requalificação profissional nos Estados Unidos. – Imagem: CL STOCK / Shutterstock

Um plano para reorganizar o mercado de trabalho

O grupo reúne empresas como Amazon, Microsoft e Bank of America, além de autoridades e ex-líderes políticos. A iniciativa busca criar uma estratégia centrada nos trabalhadores, indo além de programas tradicionais de treinamento.

Na prática, a discussão vai além de cursos ou capacitação pontual. O foco é reorganizar como empresas e governos lidam com transições de carreira em larga escala — algo que, segundo os participantes, já está acontecendo em diferentes setores.

  • criação de programas de requalificação profissional com foco em setores em expansão
  • revisão de políticas como o seguro-desemprego
  • incentivos para empresas manterem trabalhadores durante mudanças provocadas pela IA
  • integração entre governos estaduais, empresas e instituições educacionais
  • atenção especial a funções administrativas e de escritório

Um dos pontos levantados pelo grupo é a fragmentação das políticas de emprego nos Estados Unidos. Hoje, segundo eles, há iniciativas espalhadas demais e pouca coordenação entre estados e governo federal.

Mulher demitida carregando caixa para fora do escritório enquanto robô com inteligência artificial acena no fundo
Autoridades alertam que funções administrativas e de escritório estão entre as mais vulneráveis às mudanças tecnológicas. – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

Empresas e governos entram na discussão sobre IA

Durante o anúncio, executivos e autoridades destacaram que os efeitos da inteligência artificial vão além de avanços tecnológicos e já começam a reorganizar o trabalho em tempo real.

Brad Smith, vice-presidente do conselho e presidente da Microsoft, afirmou: “Precisaremos ganhar escala, e a expansão em larga escala nunca pode ser realizada por instituições isoladas.”

Gina Raimondo, diretora executiva da iniciativa e ex-secretária de Comércio dos EUA, reforçou que o foco atual ainda está desalinhado. “Não há atenção suficiente para garantir o futuro do trabalhador americano.”

Entre os participantes, há consenso de que empresas e governos precisam agir juntos — embora ainda não haja clareza sobre o ritmo nem a profundidade dessas mudanças.

Como a Inteligência Artificial vai mudar sua rotina em 2026
Autoridades alertam que funções administrativas e de escritório estão entre as mais vulneráveis às mudanças tecnológicas. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Testes regionais e impacto esperado

O plano prevê ações diferentes conforme o estado, sem um modelo único. Em Maryland, por exemplo, a proposta inclui ampliar programas de serviço e voluntariado para aproximar trabalhadores de áreas como saúde. No Arkansas, a iniciativa aposta em uma plataforma de orientação de carreira baseada em IA.

A coalizão reconhece que a inteligência artificial pode elevar produtividade e eficiência, mas também deve provocar deslocamento de trabalhadores em diferentes níveis da economia. Não há, neste momento, uma estimativa única sobre a dimensão desse impacto.

Pessoalmente, não acredito que não haverá nada para os humanos fazerem… Mas estou preocupada.

Gina Raimondo, diretora executiva da iniciativa e ex-secretária de Comércio dos EUA, ao WSJ.

A iniciativa ainda está em fase de estruturação e deve funcionar como base para políticas públicas e ações privadas voltadas à adaptação do mercado de trabalho à expansão da inteligência artificial — um processo que, segundo os envolvidos, ainda está longe de estar definido.

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Microsoft anuncia usina de gás para abastecer data centers de IA no Texas

A Microsoft e a Chevron anunciaram nesta segunda-feira (22) um plano conjunto para erguer uma usina de gás natural de grande porte no oeste do Texas, nos Estados Unidos. O objetivo é fornecer energia dedicada a data centers de inteligência artificial e serviços de nuvem da empresa de tecnologia.

O projeto prevê capacidade de 2,67 gigawatts e será sustentado por um contrato de compra de energia com duração de 20 anos. A geração ficará a cargo de turbinas da GE Vernova e de equipamentos da subsidiária Solar Turbines, vinculada à Caterpillar, garantindo fornecimento contínuo para a operação dos data centers.

Batizado de Project Kilby, o empreendimento surge em meio à pressão sobre metas ambientais da Microsoft, que prevê zerar suas emissões líquidas até 2030. Segundo estimativas citadas no planejamento, a operação pode gerar milhões de toneladas de dióxido de carbono e outros poluentes, o que intensifica o debate sobre o impacto ambiental da expansão da infraestrutura de IA.

Estrutura e operação do projeto energético

Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O projeto foi descrito pelas empresas como um dos maiores empreendimentos integrados entre geração de energia fóssil e infraestrutura de data centers nos Estados Unidos. A proposta consiste em instalar uma unidade de geração a gás diretamente vinculada ao consumo de energia dos centros de processamento da Microsoft.

De acordo com informações divulgadas, a planta terá escala suficiente para alimentar operações de computação em nuvem e inteligência artificial de alta demanda energética. O modelo prevê um fornecimento exclusivo de eletricidade ao longo de duas décadas, reforçando a dependência de infraestrutura energética dedicada.

Dizeres "CO₂" em uma nuvem
Imagem: New Africa/Shutterstock

A iniciativa também envolve tecnologia de turbinas de grande porte fornecidas pela GE Vernova, enquanto sistemas complementares de geração serão operados pela Solar Turbines, ligada à Caterpillar. A combinação busca garantir estabilidade energética para cargas contínuas e intensivas.

Apesar da dimensão do projeto, ele ocorre em um contexto de questionamento ambiental. Estimativas apontam potencial de emissão superior a 13 milhões de toneladas de dióxido de carbono, além de poluentes atmosféricos e substâncias classificadas como perigosas. Esses números contrariam compromissos climáticos assumidos pela Microsoft para a próxima década.

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Satya Nadella, da Microsoft, critica concentração da IA e acende alerta no setor

A inteligência artificial está cada vez mais concentrada nas mãos de poucas empresas. Esse foi o alerta feito por Satya Nadella.

Na visão do CEO da Microsoft, esse cenário pode acabar criando um desequilíbrio difícil de reverter no futuro.

E há uma preocupação adicional no discurso: o atual rumo da IA pode não ser sustentável para usuários e empresas comuns.

O CEO da Microsoft questiona o domínio das big techs na corrida pela inteligência artificial global. – Imagem: FotoField/Shutterstock

“Não podemos deixar a IA dominar a economia”

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Nadella criticou o cenário atual da inteligência artificial, marcado pela forte concentração de poder em um pequeno grupo de companhias que lidera o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Na prática, ele questiona não só o modelo de negócio, mas também o impacto dessa centralização.

Você não pode dizer que todos os empregos de escritório vão acabar e, ao mesmo tempo, pedir poder ilimitado para construir data centers.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, ao WSJ.

Para ele, o ponto central é simples: não faz sentido imaginar um futuro em que poucas empresas controlem sozinhas o aprendizado da IA em escala global.

Logo do Microsoft 365 Copilot em um tablet
Microsoft aposta em modelos de IA mais acessíveis enquanto critica o atual cenário dominado por poucos players. – Imagem: Azulblue/Shutterstock

Microsoft muda estratégia e aposta em modelos mais baratos

Enquanto faz críticas ao setor, a própria Microsoft já começou a ajustar sua abordagem.

A empresa passou a lançar modelos de inteligência artificial mais baratos e a testar formas de reduzir custos para clientes que lidam com contas cada vez mais altas no uso dessas tecnologias.

O movimento aparece em diferentes frentes dentro dos produtos da companhia.

Entre as iniciativas estão:

  • modelos de IA mais acessíveis para empresas
  • opção de escolher diferentes modelos dentro do Copilot
  • agentes de IA para execução de tarefas mais longas
  • testes com modelos alternativos, como o DeepSeek

A ideia é reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar as opções disponíveis para os usuários.

Disputa aberta com os gigantes da tecnologia

Mesmo sem citar nomes diretamente, Nadella fez críticas que atingem empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que hoje lideram o desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.

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O executivo defende uma mudança de direção: em vez de um mercado concentrado, a IA deveria evoluir como um ecossistema mais distribuído, com diferentes níveis de preço, acesso e capacidade.

Na prática, isso muda o centro da disputa global pela inteligência artificial.

A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI, também vem ampliando acordos com outras empresas e avaliando novas integrações em seus serviços.

Ilustração representa monitoramento digital de funcionários por ferramentas de inteligência artificial no ambiente de trabalho.
O futuro do trabalho também entra na discussão: IA deve apoiar, não apenas substituir empregos, diz Nadella. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock

IA e o futuro do trabalho: ajuste, não ruptura

Outro ponto forte da fala de Nadella foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Ele defende que o debate não deve se limitar à substituição de empregos, mas sim à forma como as funções serão reorganizadas dentro das empresas.

A ideia, segundo ele, é que a adaptação seja gradual e baseada em equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano.

  • IA como apoio direto à produtividade
  • reorganização de funções dentro das empresas
  • organizações funcionando como sistemas contínuos de aprendizado
  • combinação entre conhecimento humano e inteligência artificial

A fala de Satya Nadella mostra uma mudança de tom dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre críticas à concentração de poder e a defesa de modelos mais acessíveis, a Microsoft tenta reposicionar seu papel na disputa global da inteligência artificial — um debate que segue aberto e sem previsão de consenso no setor.

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A visão do CEO da Microsoft sobre o futuro da inteligência artificial

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que todos são “stakeholders” da inteligência artificial e que a tecnologia pode elevar salários e distribuir ganhos.

Em um evento do New York Times em San Francisco, ele falou sobre a reação negativa à IA, o risco de impactos no emprego e o avanço da discussão política em torno do tema.

CEO da Microsoft comenta reação negativa à IA e alerta para mudanças no mercado de trabalho. Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

IA e percepção pública

Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse em San Francisco que a inteligência artificial virou um dos assuntos mais sensíveis do momento nos Estados Unidos. Não é só pela velocidade dos avanços, mas pelo incômodo que a tecnologia vem gerando em parte da população.

A fala ocorreu durante o Hard Fork Live, evento do New York Times. No palco, ele reconheceu algo que já aparece em pesquisas e discussões do setor: a percepção da IA ainda é majoritariamente negativa em alguns grupos, mesmo com o crescimento acelerado das aplicações práticas.

E há um ponto que ele fez questão de destacar. Para Nadella, existe uma distância grande entre o que a tecnologia pode gerar em termos econômicos e o que as pessoas realmente enxergam no dia a dia.

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Microsoft aposta na OpenAI e vê a IA como peça central na nova disputa tecnológica global. Imagem: Renata Mendes via Gemini 3 Pro / Olhar Digital

“Stakeholders” e impacto social

O executivo não ignorou um dos pontos mais sensíveis do debate: o impacto no trabalho. Ele admitiu que a IA pode substituir funções, mas argumentou que os ganhos de produtividade tendem a aparecer, ao longo do tempo, na forma de salários mais altos.

Em um momento mais direto da conversa, ele resumiu o clima em torno da tecnologia com a frase: “Não dá para negar que a percepção é péssima”. Em seguida, reforçou a ideia de que o impacto da IA ​​não fica restrito às empresas de tecnologia: “todo mundo é uma parte interessada na IA”.

Esse debate já saiu do campo técnico há algum tempo. Nos Estados Unidos, a discussão passou a envolver políticos, economistas e grupos sociais diversos. Nomes como o senador Bernie Sanders e o presidente Donald Trump já trouxeram a ideia de que a riqueza gerada pela IA deveria ser compartilhada de forma mais ampla.

Satya Nadella ao lado de um smartphone exibindo o logo da Microsoft em sua tela
Nadella defende que os benefícios da IA devem ser compartilhados por toda a sociedade. – Imagem: QubixStudio/Shutterstock

Estratégia da Microsoft na corrida da IA

Dentro da Microsoft, a leitura é de que a corrida da inteligência artificial exige escolhas cada vez mais difíceis. A empresa foi uma das primeiras a apostar na OpenAI e ampliou esse investimento ao longo dos anos, ajudando a impulsionar ferramentas como o ChatGPT.

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Mas essa relação não ficou exatamente do mesmo jeito. Houve ajustes recentes para reduzir a dependência entre as duas empresas, embora a parceria siga estratégica para ambos os lados.

O ponto mais concreto levantado por Nadella, no entanto, não é político nem filosófico — é infraestrutura. A escassez de chips e memória já virou um gargalo real para o crescimento de data centers e para a expansão dos sistemas de IA.

Isso respinga em várias áreas da empresa, inclusive na divisão Xbox, que também disputa recursos dentro da Microsoft. No fim, segundo o executivo, o desafio é simples de dizer e difícil de resolver: crescer sem perder controle de custos, energia e capacidade computacional.

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