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Quase 400 jornais processam OpenAI e Microsoft por treinar IA com textos jornalísticos sem autorização

Um conjunto de editoras responsável por quase 400 jornais ingressou com uma ação judicial contra a OpenAI e a Microsoft nos Estados Unidos, acusando as empresas de utilizarem conteúdo jornalístico sem autorização para desenvolver sistemas de inteligência artificial. O processo foi apresentado na última quarta-feira (24) no Tribunal Distrital do Sul de Nova York.

Segundo a acusação, textos produzidos pelos veículos teriam sido coletados e copiados para abastecer modelos de linguagem empregados em ferramentas como ChatGPT e Microsoft Copilot. Os autores da ação sustentam que o material foi aproveitado sem qualquer compensação financeira aos detentores dos direitos.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço de disputas judiciais envolvendo empresas de tecnologia e organizações de mídia. Para os jornais, a falta de responsabilização pelo uso desse conteúdo pode comprometer a sustentabilidade econômica do jornalismo local.

Ação amplia embate entre imprensa e desenvolvedoras de IA

Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

De acordo com a petição apresentada à Justiça, as empresas teriam acessado páginas dos veículos de comunicação, reproduzido reportagens e armazenado esse material em seus próprios sistemas para o treinamento de modelos de inteligência artificial. Os autores também alegam que informações relacionadas à gestão de direitos autorais teriam sido removidas durante esse processo.

Conforme os jornais, os sistemas desenvolvidos pelas rés são capazes de reproduzir conteúdos derivados desse material quando acionados por usuários. A argumentação central da ação é que o valor gerado pelos produtos de inteligência artificial teria sido construído, em parte, a partir do trabalho produzido pelas empresas jornalísticas.

Representando os autores, o ex-procurador-geral de Nova Jersey, Matthew Platkin, afirmou que a ação reúne um dos maiores esforços já liderados por veículos locais e regionais contra desenvolvedoras de inteligência artificial. Em entrevista mencionada na Bloomberg Law News, ele destacou a relevância do jornalismo regional para a sociedade norte-americana.

“O jornalismo local é uma fonte de informação confiável para a grande maioria dos americanos. Ele é a força vital da nossa democracia, e esse modelo de negócios realmente colocou a imprensa local em risco de extinção”, explicou o advogado.

Fachada do prédio do The New York Times
Fachada do The New York Times, em Nova York, EUA – Imagem: Osugi//Shutterstock

Na mesma entrevista, Platkin avaliou que acordos ou decisões futuras não deveriam beneficiar apenas grandes grupos de mídia, mas também organizações locais que continuam cobrindo temas pouco explorados por outros veículos.

Os jornais afirmam ainda ter investido bilhões de dólares na produção e proteção de seu conteúdo, inclusive por meio de sistemas de assinatura e barreiras de acesso. Mesmo assim, alegam que esse material teria sido utilizado pelas empresas sem autorização prévia.

Entre os pedidos apresentados à Justiça estão indenizações previstas na legislação de direitos autorais e medidas judiciais destinadas a interromper práticas consideradas irregulares pelos autores da ação.

Em resposta às acusações, a OpenAI declarou que seus modelos são desenvolvidos com base em informações disponíveis publicamente e que suas atividades estão amparadas pelo princípio do fair use. Já a Microsoft não havia se manifestado até o momento da publicação da reportagem da Bloomberg.

O caso se soma a uma série de processos recentes envolvendo o uso de conteúdo protegido por direitos autorais no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial. A reportagem cita iniciativas semelhantes movidas por organizações como CNN, New York Times, Reddit, Encyclopaedia Britannica e Merriam-Webster contra outras empresas do setor.

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Anthropic volta a roubar talentos do Google em IA

A saída de dois pesquisadores ligados ao Gemini voltou a pressionar as ações da Alphabet e colocou novamente o Google no centro da disputa por talentos de inteligência artificial.

Os profissionais devem deixar a empresa para atuar na Anthropic, concorrente direta no desenvolvimento de modelos generativos. O movimento acontece após uma sequência recente de baixas em áreas estratégicas da companhia, explica o The Wall Street Journal.

Google tenta conter percepção de perda de talentos em meio à corrida global por IA. – Imagem: kovop/Shutterstock

Novas saídas atingem equipe do Gemini

Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, Jonas Adler e Alexander Pritzel planejam deixar o Google para se juntar à Anthropic. Ambos estão ligados ao desenvolvimento do Gemini, modelo de IA que compete diretamente com o Claude, da rival.

O mercado já vinha reagindo a mudanças anteriores na equipe de inteligência artificial do Google, e a nova informação reforçou a percepção de instabilidade em um dos grupos mais estratégicos da empresa.

As ações da Alphabet recuaram 1,3% no pré-mercado, para US$ 340,82 (cerca de R$ 1.874), ampliando perdas registradas em sessões anteriores.

Logos das bigtechs em um smartphone
A competição entre big techs acelera e transforma a disputa por pesquisadores em um dos principais fatores do mercado de IA. – Imagem: gguy/Shutterstock

Disputa por pesquisadores se intensifica entre big techs

A movimentação ocorre em meio à concorrência direta entre Google, OpenAI e Anthropic na contratação de especialistas em IA generativa.

Entre as saídas recentes estão:

  • Jonas Adler e Alexander Pritzel, que devem ir para a Anthropic
  • Noam Shazeer, que anunciou ida para a OpenAI
  • John Jumper, que deixou o Google recentemente
  • Engenheiros e pesquisadores em início de carreira que também saíram nos últimos dias

Na segunda-feira, as ações da Alphabet chegaram a cair 5%, o pior desempenho diário em mais de um ano após notícias relacionadas a mudanças na equipe de IA.

Nem Google nem Anthropic comentaram oficialmente as informações. Adler e Pritzel também não foram localizados para comentar.

Google tenta conter percepção de perda de talentos

Durante um evento em Cannes, o CEO do DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que o Google mantém uma posição sólida na área de pesquisa em inteligência artificial.

Temos, de longe, a maior e mais abrangente equipe de pesquisa entre todos os laboratórios existentes.

Demis Hassabis, CEO do DeepMind, em evento.

A fala ocorre em meio a uma sequência de movimentações entre pesquisadores de alto nível no setor, que vêm sendo disputados por diferentes laboratórios de IA.

Logo do Google em frete a um prédio
Investidores acompanham a saída de profissionais do Google enquanto concorrentes avançam na contratação de especialistas em IA. – Imagem: hapabapa/iStock

Mercado acompanha próximos movimentos das big techs

Com novas saídas registradas em áreas-chave do Gemini, investidores seguem monitorando os próximos passos do Google e de seus concorrentes.

Leia mais:

A disputa por pesquisadores continua sendo um dos principais pontos de atenção do setor, enquanto empresas aceleram o desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados de inteligência artificial.

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Apple aumenta preços de Macs e iPads; IA está por trás da alta

A Apple reajustou os preços de iPads, Macs e outros dispositivos nesta semana. A decisão vem depois da forte alta nos custos de chips de memória e armazenamento usados em eletrônicos, puxada pela expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo a empresa, o cenário da cadeia de suprimentos ficou mais pressionado nos últimos meses, o que acabou forçando ajustes em parte do portfólio, explica a Reuters. O impacto aparece principalmente em notebooks e tablets vendidos nos Estados Unidos e na Europa.

A corrida da inteligência artificial está elevando os custos de componentes em toda a indústria de tecnologia. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Pressão da IA eleva custo de componentes

O aumento está ligado à escalada dos preços da memória DRAM, presente em praticamente todos os dispositivos eletrônicos. Com a expansão dos data centers de IA, fabricantes de chips passaram a priorizar contratos de grande escala com empresas como a Nvidia. Na prática, isso reduz a disponibilidade para o mercado de consumo.

Dados da TrendForce mostram que a DRAM chegou a subir até 98% no primeiro trimestre de 2026. E o movimento não dá sinais de desaceleração. Analistas já tratam o fenômeno como “RAMageddon”, termo que acabou circulando com força no setor.

  • a demanda por infraestrutura de IA cresceu de forma acelerada
  • grandes contratos passaram a dominar a produção de memória
  • o mercado de consumo perdeu prioridade na cadeia de fornecimento
  • os preços da DRAM atingiram níveis históricos em 2026
  • o efeito chegou diretamente a PCs, notebooks e tablets
iPads, AirPods, Apple Watch, Macs e HomePods já são montados no Vietnã
MacBook Air e iPad Air estão entre os produtos que receberam reajustes nesta nova rodada. – Imagem: Farknot Architect / Shutterstock

Reajustes atingem MacBooks, iPads e acessórios

Com os custos pressionando toda a cadeia, a Apple mexeu em várias linhas ao mesmo tempo — e sem muito alarde fora dos números. O MacBook Air com 512 GB passou de US$ 1.099 para US$ 1.299. O MacBook Pro de 1 TB foi de US$ 1.699 para US$ 1.999. Já o iPad Air de 128 GB subiu de US$ 599 para US$ 749.

O Mac de entrada também ficou mais caro, saindo de US$ 599 para US$ 699. Houve ainda ajustes no HomePod e na Apple TV. O iPhone, por enquanto, segue fora dessa rodada de aumentos.

Em comunicado, a Apple afirmou: “Nunca vimos um aumento tão grande e tão rápido no preço de componentes. Protegemos nossos clientes desses aumentos até agora, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços”.

Tim Cook já havia indicado a tendência em uma conversa com analistas: “Esperamos custos de memória significativamente mais altos”.

Vários iPhones coloridos de costas
Analistas acompanham os próximos passos da Apple e o possível impacto sobre futuros iPhones. – Imagem: Terelyuk/Shutterstock

Mercado sente pressão e próximos passos ficam abertos

O efeito não ficou restrito à Apple. Outras fabricantes também começaram a revisar estratégias de preço, ainda que com margens diferentes de negociação na cadeia de suprimentos.

Leia mais:

A Micron já fechou contratos bilionários para garantir fornecimento, enquanto o setor ajusta projeções de vendas. A IDC estima queda de até 14% no mercado de smartphones e mais de 11% no de PCs.

Nos bastidores, analistas observam que o próximo movimento pode envolver o iPhone, embora não haja confirmação. O mercado já trata essa possibilidade como um cenário em avaliação.

Por enquanto, o ambiente segue pressionado. A combinação entre demanda forte por IA e oferta limitada de memória mantém os preços elevados, e a normalização ainda não aparece no horizonte.

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IA no trabalho: O plano dos EUA para salvar empregos na era da IA

Uma nova iniciativa nos Estados Unidos quer preparar a força de trabalho para as mudanças provocadas pela inteligência artificial. O projeto reúne empresas, governos estaduais e organizações filantrópicas para lidar com os impactos da automação no mercado de trabalho.

A coalizão, chamada RAISE US, será liderada por nomes ligados ao governo e ao setor privado. Segundo o The Wall Street Journal, a proposta é apoiar a adaptação profissional em um cenário de adoção acelerada da inteligência artificial. E isso, segundo os organizadores, não é algo que possa ser deixado para depois.

Projeto aposta em integração entre empresas, governos e escolas para acelerar a requalificação profissional nos Estados Unidos. – Imagem: CL STOCK / Shutterstock

Um plano para reorganizar o mercado de trabalho

O grupo reúne empresas como Amazon, Microsoft e Bank of America, além de autoridades e ex-líderes políticos. A iniciativa busca criar uma estratégia centrada nos trabalhadores, indo além de programas tradicionais de treinamento.

Na prática, a discussão vai além de cursos ou capacitação pontual. O foco é reorganizar como empresas e governos lidam com transições de carreira em larga escala — algo que, segundo os participantes, já está acontecendo em diferentes setores.

  • criação de programas de requalificação profissional com foco em setores em expansão
  • revisão de políticas como o seguro-desemprego
  • incentivos para empresas manterem trabalhadores durante mudanças provocadas pela IA
  • integração entre governos estaduais, empresas e instituições educacionais
  • atenção especial a funções administrativas e de escritório

Um dos pontos levantados pelo grupo é a fragmentação das políticas de emprego nos Estados Unidos. Hoje, segundo eles, há iniciativas espalhadas demais e pouca coordenação entre estados e governo federal.

Mulher demitida carregando caixa para fora do escritório enquanto robô com inteligência artificial acena no fundo
Autoridades alertam que funções administrativas e de escritório estão entre as mais vulneráveis às mudanças tecnológicas. – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

Empresas e governos entram na discussão sobre IA

Durante o anúncio, executivos e autoridades destacaram que os efeitos da inteligência artificial vão além de avanços tecnológicos e já começam a reorganizar o trabalho em tempo real.

Brad Smith, vice-presidente do conselho e presidente da Microsoft, afirmou: “Precisaremos ganhar escala, e a expansão em larga escala nunca pode ser realizada por instituições isoladas.”

Gina Raimondo, diretora executiva da iniciativa e ex-secretária de Comércio dos EUA, reforçou que o foco atual ainda está desalinhado. “Não há atenção suficiente para garantir o futuro do trabalhador americano.”

Entre os participantes, há consenso de que empresas e governos precisam agir juntos — embora ainda não haja clareza sobre o ritmo nem a profundidade dessas mudanças.

Como a Inteligência Artificial vai mudar sua rotina em 2026
Autoridades alertam que funções administrativas e de escritório estão entre as mais vulneráveis às mudanças tecnológicas. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Testes regionais e impacto esperado

O plano prevê ações diferentes conforme o estado, sem um modelo único. Em Maryland, por exemplo, a proposta inclui ampliar programas de serviço e voluntariado para aproximar trabalhadores de áreas como saúde. No Arkansas, a iniciativa aposta em uma plataforma de orientação de carreira baseada em IA.

A coalizão reconhece que a inteligência artificial pode elevar produtividade e eficiência, mas também deve provocar deslocamento de trabalhadores em diferentes níveis da economia. Não há, neste momento, uma estimativa única sobre a dimensão desse impacto.

Pessoalmente, não acredito que não haverá nada para os humanos fazerem… Mas estou preocupada.

Gina Raimondo, diretora executiva da iniciativa e ex-secretária de Comércio dos EUA, ao WSJ.

A iniciativa ainda está em fase de estruturação e deve funcionar como base para políticas públicas e ações privadas voltadas à adaptação do mercado de trabalho à expansão da inteligência artificial — um processo que, segundo os envolvidos, ainda está longe de estar definido.

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Alibaba é acusado de tentar “copiar” IA da Anthropic

A Anthropic afirma que o Alibaba teria tentado extrair capacidades do seu modelo de inteligência artificial Claude em uma operação descrita como a maior já registrada pela empresa nesse tipo de atividade. O caso foi levado ao Senado dos Estados Unidos em uma carta datada de 10 de junho de 2026.

Segundo documentos citados pela Reuters e confirmados pela CNBC, a investigação envolve milhões de interações com o sistema e o uso de contas falsas em larga escala.

Caso entre Anthropic e Alibaba envolve suposta “destilação” de IA para replicar modelos mais avançados de inteligência artificial. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

O que é a “destilação” de IA

A chamada destilação é um método em que um modelo de IA mais simples aprende a partir das respostas de um sistema mais avançado. A CNBC explica que essa técnica é comum no desenvolvimento de inteligência artificial, mas pode ser usada de forma indevida para tentar replicar capacidades de modelos mais sofisticados.

A operação teria ocorrido entre 22 de abril e 5 de junho de 2026, somando cerca de 28,8 milhões de interações feitas por aproximadamente 25 mil contas falsas, conforme a Reuters. O volume, por si só, já chama atenção pelo nível de coordenação descrito nos documentos.

Leia mais:

A Anthropic afirma que os envolvidos estariam ligados ao Alibaba e ao laboratório de IA Alibaba Qwen. O grupo chinês não respondeu às acusações até o momento.

O que diz a carta enviada ao Senado dos EUA

A carta enviada aos senadores Tim Scott e Elizabeth Warren descreve o caso como o maior ataque de destilação já identificado pela empresa. O documento afirma que a prática teria como objetivo acelerar o desenvolvimento de modelos chineses com base em tecnologias mais avançadas.

A Anthropic também afirma ter identificado movimentações semelhantes envolvendo outros laboratórios de IA da China, como DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax, indicando que esse tipo de atividade estaria se tornando mais frequente no setor.

Em comunicado citado pela CNBC, um porta-voz da Anthropic afirmou:

  • “Acreditamos que combater a ameaça da destilação ilícita exige ação coordenada entre governo e indústria”
  • “Continuaremos trabalhando com o Congresso e o governo para manter a liderança americana em IA”
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Alibaba e laboratório Qwen são citados em suposto envolvimento, mas empresa chinesa não respondeu às acusações até o momento. – Imagem: jackpress / Shutterstock

IA, geopolítica e disputa por tecnologia

O caso surge em meio a uma tensão crescente entre Estados Unidos e China no campo da inteligência artificial. A Reuters lembra que o Alibaba foi incluído pelo Pentágono em uma lista de empresas ligadas ao setor militar chinês, classificação que o grupo contesta.

Ao mesmo tempo, o governo dos EUA vem ampliando mecanismos para monitorar o uso de modelos de IA por empresas estrangeiras. A CNBC destaca que memorandos recentes reforçam a cooperação entre governo e setor privado para identificar esse tipo de atividade com mais rapidez.

Segundo a matéria, a própria Anthropic também enfrenta restrições regulatórias, incluindo limitações de exportação de modelos como Fable 5 e Mythos 5, citando preocupações de segurança nacional.

Entre os principais pontos citados pelas duas agências estão:

  • uso de contas falsas em larga escala para simular interações com IA
  • milhões de consultas a sistemas avançados
  • tentativa de replicação de capacidades de modelos de ponta
  • possível envolvimento de laboratórios chineses de IA
  • aumento das tensões regulatórias entre EUA e China

O caso reforça como a disputa por inteligência artificial já não se limita à tecnologia, mas envolve também política e segurança nacional.

A Anthropic afirma que continuará colaborando com autoridades dos Estados Unidos enquanto o caso não tem resposta oficial do Alibaba. Até o momento, a empresa chinesa não se pronunciou detalhadamente sobre as acusações.

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China alerta para riscos da IA e cobra regras globais para regulamentação

A ausência de regulação sobre tecnologias emergentes, especialmente a inteligência artificial, pode levar o mundo a perder o controle sobre seus efeitos, afirmou o primeiro-ministro da China, Li Qiang, durante evento econômico internacional realizado na cidade de Dalian.

O discurso ocorreu na abertura de uma conferência ligada ao Fórum Econômico Mundial, nesta quarta-feira (24), onde o líder chinês destacou que o ritmo acelerado das inovações tecnológicas supera a capacidade atual de governança global.

Segundo Li Qiang, a IA já amplia a eficiência produtiva, mas também traz riscos crescentes ligados à ética, segurança e instabilidade econômica, exigindo coordenação internacional urgente.

IA, economia global e disputas geopolíticas entram no centro do debate

Bandeira chinesa – Imagem: superbeststock/Shutterstock

Durante sua fala no encontro econômico conhecido como “Davos de Verão”, Li Qiang defendeu que o avanço tecnológico não pode ocorrer sem mecanismos de supervisão, sob risco de consequências graves caso a regulação não acompanhe o desenvolvimento do setor.

Em declaração atribuída ao premiê chinês, ele afirmou que”a velocidade do progresso tecnológico não tem precedentes“, apontando como a inteligência artificial já impacta diretamente a inovação e a produtividade em escala global. A fala ocorreu diante de líderes empresariais e representantes de diferentes países reunidos em Dalian.

O dirigente também alertou para riscos éticos e estruturais associados à tecnologia, reforçando que a falta de governança pode ampliar problemas já observados, como insegurança digital e possíveis usos militares da IA.

No mesmo evento, representantes do Fórum Econômico Mundial ressaltaram que a tecnologia pode abrir oportunidades em áreas como educação e saúde, embora o desafio central esteja em transformar esses avanços em resultados concretos na economia real.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data centers de IA consomem grandes volumes de energia e água, segundo alerta feito pela ONU em Londres. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Além do debate tecnológico, o encontro foi marcado por preocupações com o cenário econômico global, afetado por tensões geopolíticas e conflitos internacionais. Entre os fatores citados estão disputas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além de impactos no comércio e no transporte de energia.

A instituição responsável pelo fórum também destacou a revisão para baixo das projeções de crescimento mundial, indicando um ambiente econômico descrito como pouco favorável.

Li Qiang ainda apresentou a economia chinesa como um ponto de estabilidade em meio às incertezas globais, embora o próprio país enfrente desafios internos, como desaceleração do consumo e crise no setor imobiliário.

A relação entre China e Estados Unidos também apareceu no debate, com analistas citando a possibilidade de escalada de tensões entre as duas potências. Um dos especialistas mencionados avaliou que o cenário estratégico entre os dois países segue sensível, apesar de sinais recentes de diálogo diplomático.

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Gêmeos digitais ganham IA e ajudam empresas a testar decisões antes de executá-las

A Unilever anunciou neste mês uma parceria com a Accenture para ampliar o uso de gêmeos digitais em sua rede global de manufatura. A empresa pretende criar mais de 40 novos modelos nos próximos 18 meses para otimizar processos, melhorar a qualidade dos produtos e aumentar a eficiência energética de suas fábricas.

O movimento reflete uma transformação mais ampla que vem ocorrendo na tecnologia. Os chamados gêmeos digitais — réplicas virtuais de equipamentos, processos ou operações — deixaram de ser apenas ferramentas de simulação para incorporar inteligência artificial (IA), sensores e dados em tempo real. Com isso, passaram a ser usados para prever falhas, testar cenários e apoiar decisões antes que elas sejam aplicadas no mundo físico.

A mudança tem levado empresas de diferentes setores a adotar a tecnologia para monitorar ativos, reduzir desperdícios, antecipar problemas operacionais e até avaliar os impactos de mudanças antes de colocá-las em prática. Os usos já se espalham por áreas como manufatura, energia, logística, infraestrutura, saúde e óleo e gás.

Como os gêmeos digitais deixaram de ser apenas simulações

Em linhas gerais, um gêmeo digital é uma representação virtual de um ativo físico, processo ou operação alimentada por dados reais. A tecnologia permite acompanhar o comportamento desses sistemas e realizar simulações para entender como eles reagiriam a diferentes condições.

Apesar da crescente adoção da tecnologia, ainda existem equívocos sobre seu funcionamento. “Um equívoco frequente é imaginar que um gêmeo digital seja apenas uma representação gráfica sofisticada ou um modelo 3D”, afirma Beto Macedo, diretor executivo do CESAR — centro de inovação e pesquisa tecnológica sediado em Recife. Segundo ele, o valor da tecnologia está na capacidade de conectar dados, modelos matemáticos, simulações e inteligência analítica para apoiar decisões.

Para Tiago Amor, CEO da Lecom, a principal mudança está na forma como as organizações utilizam essas representações para tomar decisões.

Historicamente, as empresas tomam decisões olhando para o passado, através de relatórios e indicadores. Com um gêmeo digital, elas começam a testar o futuro antes de executá-lo. É uma mudança importante porque reduz o espaço do achismo e amplia a capacidade de previsão.

Tiago Amor, CEO da Lecom

Embora simulações digitais sejam utilizadas há décadas, os avanços em computação em nuvem, internet das coisas (IoT), sensores conectados e inteligência artificial ampliaram significativamente suas capacidades. O que antes dependia de atualizações periódicas agora pode acompanhar operações em tempo real.

“As simulações tradicionais eram como fotografias. O gêmeo digital funciona mais como um organismo vivo”, compara Amor. “Há alguns anos, uma empresa criava um modelo virtual, fazia testes, tomava uma decisão e depois precisava reconstruir tudo novamente quando a realidade mudava. Hoje, os modelos são atualizados continuamente e passam a acompanhar o comportamento real da operação.”

Segundo Vinícius Girardi, head da operação de energia da ESSS — empresa brasileira especializada em simulação computacional para engenharia —, essa transformação só se tornou possível graças à combinação entre sensores mais acessíveis, transmissão de dados em alta velocidade e avanços na capacidade de processamento.

De acordo com o executivo, a tecnologia permitiu levar para o ambiente operacional modelos que antes eram utilizados apenas de forma isolada ou com longos intervalos entre as análises. “O que os gêmeos digitais fizeram foi trazer essas simulações que antes eram feitas de forma offline e que tomavam muito tempo para um loop em tempo real e de tomada de decisão imediata”, explica ele.

Gêmeos digitais permitem criar versões virtuais de equipamentos e processos para simular cenários e apoiar decisões antes da implementação no mundo real – Imagem: bixstock / Shutterstock

Quando a inteligência artificial entra na equação

Se os sensores e a conectividade permitiram que os gêmeos digitais acompanhassem o mundo físico em tempo real, a inteligência artificial ampliou sua capacidade de análise e previsão. Em vez de apenas reproduzir o comportamento de uma operação, esses sistemas passaram a identificar padrões, antecipar problemas e sugerir caminhos para reduzir riscos ou melhorar resultados.

Para Amor, essa é a principal transformação pela qual a tecnologia está passando: “A inteligência artificial está transformando o gêmeo digital de um espelho em um conselheiro. Antes, o papel principal era mostrar o que estava acontecendo. Agora, ele começa a indicar o que provavelmente vai acontecer e, em alguns casos, quais caminhos fazem mais sentido.”

Segundo o executivo, isso é especialmente relevante em ambientes complexos, onde falhas raramente acontecem por uma única causa. “Operações complexas raramente quebram por um único motivo. Elas quebram por uma combinação de pequenos sinais que ninguém conseguiu conectar a tempo”, afirma Amor.

O executivo argumenta que o valor da tecnologia não está apenas na previsão de falhas em equipamentos. Segundo ele, os modelos também ajudam a visualizar impactos indiretos de decisões operacionais e entender como mudanças em uma área podem gerar consequências em diferentes partes da organização.

A IA generativa também abriu novas possibilidades de interação. Em vez de depender exclusivamente de relatórios ou dashboards, gestores podem consultar os sistemas utilizando linguagem natural para obter previsões e simular cenários operacionais.

Segundo Macedo, a inteligência artificial amplia o valor dos gêmeos digitais ao transformar grandes volumes de dados operacionais em conhecimento acionável.

Estamos entrando em uma fase em que os gêmeos digitais deixam de ser apenas ferramentas de visualização e passam a atuar como sistemas inteligentes de suporte à decisão.

Beto Macedo, diretor executivo do CESAR

Profissional acompanha dados operacionais em ambiente industrial utilizando sistemas de inteligência artificial para análise e tomada de decisão.
A integração entre inteligência artificial e gêmeos digitais permite analisar grandes volumes de dados e apoiar decisões operacionais em tempo real – Imagem: DC Studio / Shutterstock

Apesar dos avanços, especialistas alertam que a tecnologia continua dependente da qualidade dos dados utilizados para alimentar os modelos. “A IA não transforma dados ruins em boas decisões. Um gêmeo digital só é realmente poderoso quando está conectado a dados confiáveis, processos bem compreendidos e governança”, destaca Amor.

Na visão da Dassault Systèmes, a integração entre inteligência artificial e gêmeos digitais representa uma evolução das simulações tradicionais, que normalmente são usadas para responder perguntas específicas dentro de cenários previamente definidos.

“A combinação de gêmeos virtuais e IA cria um ambiente capaz de aprender continuamente com dados do mundo real, gerar hipóteses, explorar alternativas e apoiar tomadas de decisão mais complexas”, diz Alejandro Chocolat, managing director da companhia para a América Latina.

A empresa defende o conceito de “IA Industrial”, que combina IA com modelos baseados em física, engenharia e outras disciplinas científicas. Segundo Chocolat, essa abordagem busca reduzir a dependência exclusiva de correlações estatísticas. “A IA torna-se mais confiável quando conectada a gêmeos virtuais, porque seus resultados podem ser validados por modelos científicos e de engenharia.”

O executivo cita setores como aviação e saúde para ilustrar a necessidade de sistemas mais previsíveis e auditáveis.

Quando você projeta uma aeronave, não pode se dar ao luxo de ter alucinações da IA, porque vidas humanas estão em jogo. O mesmo vale para a administração de medicamentos.

Alejandro Chocolat, managing director da Dassault Systèmes para a América Latina

Da fábrica à plataforma de petróleo

Os gêmeos digitais já são utilizados em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde linhas de manufatura até operações de exploração de petróleo em alto-mar.

Os resultados já começam a aparecer em aplicações industriais. Na Unilever, a companhia afirma que gêmeos digitais utilizados em fábricas ao redor do mundo ajudaram a reduzir desperdícios, melhorar a qualidade dos produtos e aumentar a eficiência operacional. Em uma unidade nos Estados Unidos, a empresa diz ter reduzido em 20% o desperdício na produção de desodorantes e ampliado em 10% a capacidade da linha de fabricação.

Na indústria de óleo e gás, onde falhas podem representar perdas financeiras e riscos operacionais significativos, a tecnologia vem sendo utilizada em diferentes etapas da cadeia produtiva. Um dos exemplos está em projetos desenvolvidos pela ESSS para a Petrobras. Segundo Girardi, os gêmeos digitais são empregados desde a fase de perfuração até atividades ligadas à produção.

Hoje, por exemplo, todos os poços perfurados pela Petrobras são monitorados através do nosso gêmeo digital.

Vinícius Girardi, head da operação de energia da ESSS

Representação de um gêmeo digital de plataforma offshore da Petrobras, combinando a instalação física com sua réplica virtual baseada em dados.
A Petrobras utiliza gêmeos digitais para monitorar operações, simular cenários e otimizar atividades em áreas como perfuração, produção e refino – Imagem: Divulgação / Petrobras

Segundo Girardi, os sistemas ajudam a identificar anomalias durante a perfuração e podem sugerir ajustes operacionais relacionados à velocidade, vazão e taxa de penetração na rocha.

Uma das vantagens da tecnologia, destaca o executivo, é permitir que múltiplos poços sejam monitorados simultaneamente por algoritmos capazes de identificar potenciais problemas ou oportunidades de melhoria mais rapidamente do que seria possível apenas com análise humana.

A ESSS também utiliza gêmeos digitais voltados à otimização da produção. Nesse caso, alterações em variáveis operacionais podem disparar automaticamente simulações e cálculos para encontrar novas configurações de funcionamento dentro dos limites de segurança dos equipamentos.

Outro exemplo citado pelo executivo da ESSS envolve a detecção antecipada de bloqueios em linhas de produção causados pela formação de hidratos, compostos que podem interromper o escoamento de petróleo e gás. “A detecção antecipada do bloqueio pode gerar um gatilho para uma ação de remediação no campo”, afirma Girardi.

Além do setor de energia, a tecnologia também vem sendo aplicada em logística e infraestrutura. A Dassault Systèmes cita como exemplo um projeto desenvolvido com a MRS Logística para criar um gêmeo virtual das operações ferroviárias da companhia.

Segundo Chocolat, a iniciativa integra dados operacionais, de infraestrutura e manutenção em um único ambiente digital, permitindo simular diferentes cenários de operação e apoiar decisões relacionadas à capacidade da malha ferroviária.

Na área da saúde, os usos avançam para aplicações ainda mais complexas. A Dassault Systèmes desenvolve projetos voltados à criação de modelos virtuais do cérebro e do coração humano para estudar doenças e avaliar tratamentos antes de procedimentos clínicos.

Representação digital de um coração humano utilizada em simulações médicas e estudos para personalização de tratamentos.
Projetos como o Living Heart utilizam gêmeos digitais para simular procedimentos e avaliar tratamentos sem a necessidade de intervenções em pacientes reais – Imagem: AlpakaVideo / Shutterstock

De acordo com a empresa, os chamados Living Brain e Living Heart permitem testar intervenções em ambientes digitais, reduzindo riscos e ampliando a compreensão sobre o comportamento de sistemas biológicos complexos.

A evolução dos sistemas também aponta para um aumento gradual da autonomia. Na parceria anunciada com a Accenture, a Unilever afirma que os modelos utilizam IA para prever necessidades de manutenção, melhorar o desempenho das operações e apoiar decisões mais rápidas. Segundo a empresa, à medida que os sistemas aprendem e ganham a confiança das equipes, parte dos ajustes poderá ser realizada automaticamente, sob supervisão humana.

O próximo passo são os smart twins

Para especialistas do setor, a evolução dos gêmeos digitais não deve parar na capacidade de reproduzir cenários ou apoiar análises. A tendência é que esses sistemas passem a assumir um papel cada vez mais ativo na recomendação e execução de ações.

Na Petrobras, essa próxima etapa já aparece nas discussões sobre os chamados smart twins. “Entendemos o conceito de Smart Twin como uma evolução do Digital Twin somada à inteligência artificial e agentes de IA que podem tomar decisões, atuar ou sugerir ações baseados em histórico e aprendizado”, explica Girardi.

Na prática, a diferença está no nível de autonomia. Enquanto um gêmeo digital convencional reproduz o comportamento de um ativo e permite realizar análises e simulações, um smart twin passa a identificar oportunidades de otimização e potenciais problemas operacionais de forma mais independente.

“O smart twin vai além, pois ao emular o comportamento do ativo, deve identificar potenciais problemas operacionais ou oportunidades de melhoria e deve agir, seja aplicando diretamente essas sugestões ou, ao menos, sugerindo a um operador humano a ação”, explica Girardi.

Segundo ele, esses sistemas também tendem a se tornar mais precisos à medida que acumulam experiência. Girardi explica que os smart twins aprendem conforme suas sugestões são aceitas ou rejeitadas pelos operadores, tornando-se gradualmente assistentes mais eficientes para apoiar a operação.

Operador acompanha dados e indicadores em centro de monitoramento industrial utilizado para supervisão e otimização de operações.
Especialistas apontam que a próxima evolução dos gêmeos digitais envolve sistemas capazes de analisar cenários, aprender com dados históricos e recomendar ações para operadores – Imagem: kittirat roekburi / Shutterstock

A Dassault Systèmes enxerga uma direção semelhante. Para Chocolat, a próxima fase da tecnologia passa pela convergência entre gêmeos virtuais, IA Industrial e agentes inteligentes capazes de atuar como copilotos especializados. “A próxima etapa é a convergência entre gêmeos virtuais, IA Industrial e agentes inteligentes capazes de recomendar ações e executar tarefas de forma assistida.”

Segundo o executivo, a expectativa é que essas plataformas sejam capazes de interpretar cenários, propor alternativas e coordenar processos de forma cada vez mais sofisticada, sem eliminar a supervisão humana em atividades críticas.

Apesar dos avanços, a adoção em larga escala ainda enfrenta obstáculos. Amor afirma que muitas organizações continuam lidando com dados dispersos, processos pouco padronizados e sistemas que não se comunicam adequadamente. “Um gêmeo digital é tão bom quanto os dados que recebe”, afirma o CEO da Lecom. Macedo também aponta um desafio semelhante e destaca que a complexidade aumenta à medida que as empresas tentam expandir os modelos para representar sistemas industriais inteiros, com milhares de variáveis interagindo simultaneamente.

Segundo o diretor executivo do CESAR, a adoção de gêmeos digitais também tende a ocorrer de forma gradual. Para ele, a tecnologia faz parte de uma jornada mais ampla de transformação digital que exige integração de sistemas, maturidade na gestão de dados e evolução contínua dos modelos utilizados pelas organizações.

Para Amor, os desafios não são apenas tecnológicos, mas também organizacionais e culturais. Isso porque a adoção da tecnologia frequentemente exige mudanças na forma como empresas coletam informações, tomam decisões e estruturam seus processos.

Ainda assim, a expectativa é que a adoção continue avançando à medida que ferramentas de IA, computação em nuvem e integração de dados se tornem mais acessíveis. “Durante muito tempo, gêmeos digitais foram associados a grandes indústrias e projetos multimilionários. Mas a combinação entre nuvem, plataformas low-code, inteligência artificial, IoT, integração de dados e automação está reduzindo a barreira de entrada”, afirma Amor.

Na avaliação do executivo, o próximo ciclo de expansão deve ultrapassar os ativos físicos e alcançar operações inteiras, incluindo cadeias de suprimentos, centros de atendimento, jornadas de clientes e processos administrativos. “O próximo ciclo de crescimento não virá apenas dos ativos físicos. Virá das operações digitais.”

Isso significa que a tecnologia tende a avançar para áreas que não envolvem necessariamente máquinas ou equipamentos industriais, mas também processos de negócio e fluxos administrativos que podem ser simulados e otimizados digitalmente.

Se essa previsão se confirmar, os gêmeos digitais devem deixar de ser uma ferramenta restrita a grandes ativos industriais para se espalhar por processos administrativos, cadeias de suprimentos e operações digitais, ampliando o alcance da tecnologia para além das fábricas e equipamentos que marcaram sua primeira fase de adoção.

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OpenAI entra na disputa dos chips e desafia Nvidia e Google

A OpenAI apresentou seu primeiro chip de inteligência artificial personalizado, desenvolvido em parceria com a Broadcom. O movimento marca uma mudança importante na estratégia da empresa: reduzir a dependência de fornecedores externos e ganhar mais controle sobre sua própria infraestrutura de IA.

O processador, chamado Jalapeño, foi criado para acelerar tarefas usadas em chatbots como o ChatGPT e outras aplicações baseadas em modelos de linguagem. E, na prática, ele atua justamente no ponto mais sensível desse tipo de tecnologia: a geração de respostas em tempo real, explica a Reuters.

Jalapeño já passou por testes internos e promete mais eficiência no funcionamento de grandes modelos de linguagem. – Imagem: Divulgação/OpenAI

Onde o Jalapeño realmente faz diferença

O chip foi desenvolvido pelos engenheiros da OpenAI em parceria com a Broadcom, com foco em uma etapa específica chamada inferência — o momento em que o sistema processa uma pergunta e devolve uma resposta.

É um detalhe técnico, mas decisivo. É ali que tudo precisa acontecer rápido e sem travamentos.

  • chip desenvolvido em parceria entre OpenAI e Broadcom
  • foco em inferência de modelos de IA
  • otimização para grandes modelos de linguagem (LLMs)
  • desempenho comparável a chips da Nvidia e do Google
  • uso exclusivo pela OpenAI em seus sistemas

Segundo a empresa, os primeiros testes internos já mostraram bons resultados, com o chip rodando modelos avançados dentro do esperado. Ainda em fase inicial, mas já considerado promissor dentro da companhia.

pinça segura um chip em primeiro plano com o logo da Broadcom ao fundo
OpenAI apresenta chip Jalapeño, criado com a Broadcom, para acelerar tarefas em chatbots como o ChatGPT. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

A corrida por chips virou uma disputa direta entre gigantes

Google, Amazon e Meta também estão no mesmo caminho. Todas vêm investindo no desenvolvimento de chips próprios para tentar reduzir custos e, principalmente, não depender totalmente da Nvidia — hoje dominante nesse mercado.

O motivo é simples: a demanda por processamento explodiu com a popularização dos chatbots e das ferramentas generativas. E a infraestrutura virou gargalo.

Os engenheiros da OpenAI levaram cerca de nove meses para concluir o projeto do chip antes de enviá-lo para fabricação na TSMC, em Taiwan.

O desenvolvimento também teve um ponto curioso: parte do processo foi acelerada com uso de inteligência artificial, segundo a própria OpenAI. Ou seja, a IA ajudando a construir mais IA.

Logo do ChatGPT em na tela de um notebook e na tela de um smartphone
A corrida por chips de inteligência artificial cresce com a alta demanda por processamento em ferramentas generativas. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Mais do que software: o jogo agora é no hardware

De acordo com a Broadcom, o desempenho do Jalapeño é comparável ao de soluções como as GPUs Blackwell da Nvidia e às TPUs do Google. Mas, nos bastidores, o que importa mesmo é outra coisa.

Para a OpenAI, ter um chip próprio significa autonomia. Menos dependência da cadeia tradicional e mais controle sobre o ritmo de evolução dos seus modelos.

Acreditamos que ele apresentará alto desempenho em todos os tipos de futuras iterações de LLMs.

Richard Ho, chefe de hardware da OpenAI, à Reuters.

A empresa já trabalha em novas versões dentro de uma linha contínua de desenvolvimento. Enquanto isso, a produção dos sistemas de servidor ficará com a Celestica.

No fim das contas, o cenário fica cada vez mais claro: a disputa pela liderança em inteligência artificial não está só no código. Está no silício também. E isso muda o jogo — talvez mais do que parece à primeira vista.

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Anthropic lança Claude Tag, novo assistente corporativo

A empresa Anthropic anunciou nesta terça-feira (23) que passou a testar um novo recurso chamado Claude Tag, integrado ao Slack, com foco em atuar como um assistente de inteligência artificial dentro de ambientes corporativos. A ferramenta permite que usuários acionem o sistema em conversas e deleguem tarefas diretamente nas interações do dia a dia, quase como um “companheiro de trabalho”.

O recurso está em fase de prévia de pesquisa e será disponibilizado inicialmente em versão beta para clientes dos planos Claude Enterprise e Claude Team que utilizam o Slack, uma plataforma online que organiza fluxos e comunicação de trabalho. A proposta é inserir a IA como um membro ativo das equipes, acompanhando o fluxo de trabalho.

Segundo a empresa, o sistema foi criado para operar com maior compreensão do contexto organizacional, acumulando informações ao longo das interações e ampliando sua utilidade dentro das rotinas corporativas.

Assistente de IA ganha atuação contínua em conversas de trabalho

Slack – Imagem: Tada Images/Shutterstock

O Claude Tag representa uma evolução das integrações anteriores da Anthropic com o Slack, nas quais o assistente já podia ser acionado sob demanda em mensagens diretas ou em canais para auxiliar usuários.

Agora, o sistema passa a operar com uma lógica de presença contínua, acompanhando discussões em canais específicos e mantendo memória sobre o que foi discutido, o que permite retomadas de contexto entre diferentes usuários.

De acordo com a empresa, essa memória pode ser enriquecida com informações adicionais do ambiente corporativo, desde que haja autorização para acesso a outros canais da organização.

Cada instância do assistente fica vinculada a um escopo definido pelos administradores, que determinam onde ele pode atuar e quais dados pode acessar, evitando que informações de áreas distintas se misturem.

Execução de tarefas, automação e atuação proativa

Ao fundo, linhas de código; à frente, em um celular segurado por uma mão, o logo da Anthropic
Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Quando recebe uma solicitação, o Claude Tag pode dividir o pedido em etapas e executar cada uma delas usando as ferramentas disponíveis, respondendo diretamente dentro das conversas do Slack.

Além disso, o sistema conta com um modo de atuação proativa, no qual pode intervir espontaneamente em discussões, destacar informações relevantes e retomar tópicos que ficaram sem resposta.

A Anthropic afirma que o objetivo é aproximar a experiência de interação de um trabalho colaborativo, no qual a IA participa ativamente do fluxo de produção das equipes.

Contexto empresarial e disputa no mercado de IA

O lançamento ocorre em um cenário em que outras empresas também apostam na incorporação de contexto organizacional em sistemas de inteligência artificial voltados ao ambiente corporativo.

Entre os exemplos citados estão iniciativas da Microsoft, com soluções baseadas em Graph e Copilot, além de plataformas como Snowflake e Databricks, que buscam estruturar dados empresariais para consumo por agentes de IA.

Também há concorrência de empresas como Glean, que trabalham na criação de camadas de inteligência capazes de conectar modelos de linguagem às informações internas das organizações.

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China surpreende e tira dos EUA o título de supercomputador mais poderoso do mundo

A China voltou ao topo do ranking mundial de supercomputadores pela primeira vez desde 2017, depois que um sistema instalado em Shenzhen foi reconhecido como o mais rápido do planeta, destaca o The New York Times. O resultado reacende a corrida tecnológica com os Estados Unidos em áreas estratégicas como ciência, inteligência artificial e segurança nacional.

Batizado de LineShine, o equipamento superou o antigo líder americano nos testes de desempenho e chamou atenção por seguir um caminho pouco comum: alcançar alta velocidade sem depender de GPUs.

Supercomputador chinês LineShine surpreende especialistas ao assumir liderança mundial e reacender disputa tecnológica com os EUA. – Imagem: Knight00730/Shutterstock

China volta ao topo depois de oito anos

Desenvolvido em Shenzhen, o LineShine foi avaliado pelos testes do ranking Top500 e desbancou o El Capitan, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que ocupava a liderança desde novembro de 2024.

Segundo Jack Dongarra, um dos organizadores do Top500, a máquina chinesa registrou desempenho mais de 20% superior ao do rival americano. O pesquisador visitou recentemente o centro de computação e saiu impressionado com o que viu.

“É um sistema impressionante”, disse. “Eles nos superaram ao desenvolver um sistema que não depende de GPUs.”

A conquista encerra um jejum de oito anos. Há bastante tempo especialistas acreditavam que a China tinha sistemas capazes de alcançar o topo, mas os laboratórios do país vinham evitando apresentar seus resultados ao ranking internacional.

Representação de um data center
Sistema de Shenzhen impressiona ao combinar 14 milhões de núcleos e arquitetura baseada em tecnologia da Arm Holdings. Imagem: vectorfusionart/Shutterstock

O detalhe que tornou o LineShine diferente

Mais do que a velocidade, foi a arquitetura da máquina que chamou atenção. Atualmente, os sistemas mais poderosos do mundo dependem de GPUs para lidar com tarefas complexas. O LineShine seguiu outro caminho e combinou CPUs tradicionais com circuitos dedicados a acelerar cálculos vetoriais e matriciais.

Para Dongarra, essa estrutura pode representar uma maneira mais eficiente de aproximar a inteligência artificial das aplicações científicas.

Alguns números ajudam a dimensionar o tamanho do projeto:

  • Uso exclusivo de microprocessadores convencionais (CPUs);
  • Cerca de 14 milhões de núcleos de computação;
  • Estrutura distribuída em 90 gabinetes de hardware;
  • Circuitos especializados para cálculos matriciais e vetoriais;
  • Arquitetura baseada em instruções licenciadas da Arm Holdings.

Uma curiosidade permanece sem resposta. Os responsáveis pelo projeto não revelaram qual empresa fabricou os chips nem quais tecnologias foram utilizadas em sua produção.

A rivalidade entre China e EUA ganhou um novo capítulo

O desempenho do LineShine surge em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips avançados. Enquanto OpenAI, Google e Anthropic seguem expandindo seus modelos de IA, os chineses vêm apostando em soluções alternativas para continuar avançando.

Ilustração de chip da China
Supercomputador chinês reforça mudança de rota na indústria ao priorizar CPUs em vez de chips gráficos especializados. Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Para Jimmy Goodrich, pesquisador do Instituto de Conflitos Globais e Cooperação da Universidade da Califórnia, o resultado expõe uma brecha nas regras atuais.

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“O governo dos EUA deveria ter controles mais rigorosos sobre a exportação e a fabricação de CPUs para o mercado chinês”, afirmou. “É uma brecha nas regulamentações atuais.”

Embora especialistas observem que os grandes sistemas americanos de IA ainda levem vantagem em algumas tarefas, o retorno da China ao topo não chega a ser uma surpresa completa. Segundo Addison Snell, da Intersect360 Research, a maior novidade não foi descobrir que os chineses tinham uma máquina capaz de liderar o ranking, mas sim a decisão de finalmente buscar reconhecimento internacional para o projeto.

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