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Co-fundador da Super Micro é acusado de ajudar China a obter chips da Nvidia

Co-fundador da Super Micro, Wally Liaw, de 71 anos, está no foco de uma investigação que pode abalar o mercado global de inteligência artificial. Promotores dos Estados Unidos acusam o executivo de ter ajudado clientes chineses a violar as leis de controle de exportação da Casa Branca.

O caso coloca a empresa, líder global em tecnologia de servidores de alto desempenho, no centro da guerra tecnológica entre EUA e China. As duas potências correm para desenvolver as ferramentas de IA mais avançadas do mundo, e os chips da Nvidia são considerados peças fundamentais nessa disputa.

A celebração que virou pesadelo

Na conferência anual de tecnologia da Nvidia, realizada nesta semana, Liaw estava ao lado do CEO da Super Micro quando cumprimentou Jensen Huang, chefe-executivo da gigante dos chips. A empresa chegou a postar no X (antigo Twitter) uma foto do aperto de mãos, destacando a parceria.

Dois dias depois, Liaw foi preso. As acusações envolvem exatamente o produto que estava sendo celebrado na conferência — servidores da Super Micro equipados com processadores de IA de alta performance da Nvidia.

A Super Micro é uma das principais fabricantes de servidores do mundo, especialmente aqueles otimizados para rodar aplicações de inteligência artificial. Seus produtos combinam hardware de diferentes fornecedores, incluindo os cobiçados chips H100 e H200 da Nvidia, considerados essenciais para treinar modelos de linguagem como o ChatGPT.

EUA e China disputam a hegemonia tecnológica global (Imagem: Knight00730/Shutterstock)

Um histórico de problemas

Esta não é a primeira vez que Liaw enfrenta questões legais relacionadas à sua empresa. Ele retornou à Super Micro após um escândalo contábil que abalou a companhia anos atrás. Na época, a empresa enfrentou investigações por práticas contábeis questionáveis.

Agora, aos 71 anos, o executivo é acusado de um crime muito mais grave: supostamente ajudar a China a contornar as restrições norte-americanas sobre tecnologia sensível. As acusações federais sugerem que ele orquestrou um esquema para exportar ilegalmente servidores contendo os chips mais avançados da Nvidia.

A Super Micro viu suas ações despencarem mais de 33% após a notícia, refletindo a preocupação dos investidores sobre o impacto do caso no futuro da empresa.

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Caso coloca em dúvida o futuro da Super Micro (Imagem: CryptoFX/Shutterstock)

A batalha pelos chips de IA

  • Os processadores da Nvidia estão no centro de uma corrida global por supremacia em inteligência artificial.
  • Os chips H100 e H200, especificamente, são considerados os mais poderosos disponíveis para treinar modelos de IA em larga escala.
  • Empresas de tecnologia ao redor do mundo competem ferozmente para conseguir esses componentes.
  • O governo dos EUA implementou restrições rigorosas sobre a exportação desses chips para a China, tentando impedir que o país rival acelere seu desenvolvimento em IA militar e de vigilância.
  • As regras proíbem a venda direta dos processadores mais avançados para empresas chinesas, forçando a empresa a criar versões menos potentes especificamente para o mercado do país asiático.
  • Segundo a acusação federal, Liaw teria facilitado a venda de US$ 2,5 bilhões em servidores equipados com chips da Nvidia para clientes da China.
  • A Super Micro, como integradora de sistemas, tem acesso privilegiado aos chips da gigante.
  • A empresa compra os processadores diretamente do fabricante e os instala em servidores customizados para diferentes aplicações.
  • Essa posição na cadeia de suprimentos poderia facilitar esquemas de desvio, caso confirmadas as acusações.

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O futuro chegou, mas veio de carro

A realidade dos carros voadores e autônomos versus o imaginário humanos.

Quando é que a gente pode oficialmente dizer: “chegamos no futuro”?

Porque, na minha cabeça — colonizada por Jetsons, Blade Runner e De Volta para o Futuro — a resposta sempre foi muito clara: quando tivermos carros voadores. Simples assim.

E aí você cresce, começa a frequentar o SXSW — esse festival no Texas que é um grande parque de diversões do “futuro iminente” — e passa mais de uma década ouvindo a mesma frase com pequenas variações: eVTOLs já existem, estarão disponíveis “daqui a uns 2 anos”.

Dois anos. Sempre dois anos.

O futuro dos carros tá mais atrasado que obra em cidade do interior — ou falta cimento, ou falta mão de obra. Ou falta bateria do eVTOL, ou legislação.

Só que… dessa vez chegou.

E não foi na palestra, não foi no PowerPoint. Não era só vídeo conceitual com aquela trilha sonora épica por trás.

Foi voando mesmo.

Não ouvi dizer — eu estava lá.

E era a pilota.

No chão: a simplicidade radical da autonomia total

A primeira quebra de expectativa nem veio do céu. Veio do asfalto mesmo.

Chamei um Uber para ir até o lugar do eVTOL — e veio um Waymo. Um carro autônomo. Um motorista invisível dirigindo é, ao mesmo tempo, futurista e estranhamente banal.

Sem bom dia, sem balinha, sem discussão sobre política e nem perguntando de onde você é e o que faz em Austin.

Você pede pelo próprio Uber. Às vezes, quando escolhe “elétrico”, ele simplesmente… aparece. E te cumprimenta:

“Boa tarde, Vanessa.”

Confesso que dei aquela olhada meio desconfiada — tipo quando o elevador fala com você pela primeira vez.

Respondi. Perguntei como ia o dia — mas ele não te escuta.

Ainda assim, o volante gira sozinho, o carro entra no trânsito caótico de Austin e… funciona perfeitamente.

Nenhum drama ou emoção — rola até um anticlímax.

Porque é isso: o futuro, quando funciona, é tipo 10 minutos de êxtase e vídeo… e depois você já tá fazendo outra coisa.

No ar: o voo que a lei ainda não permite ser livre

Ano passado, um dos destaques do SXSW foi a apresentação da Hexa, o carro voador da LIFT Aircraft.

Ok, não é um carro voador como o DeLorean, como minha criança interior esperava. Na prática, parece um drone gigante pilotado. E o nome técnico é eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical).

Os eVTOLs também têm sido prometidos em Austin há pelo menos uma década. As narrativas sempre envolveram promessas futuristas de viagens rápidas entre cidades por custos acessíveis, mas que nunca se concretizaram.

Lembro especificamente de um painel da Embraer com a Uber que me prometeu que, em 2026, estaríamos fazendo voos de eVTOL na distância Rio–SP como um Uber por 100 dólares.

Balela. Até agora.

Pela primeira vez disponível para uso público, o eVTOL da LIFT Aircraft, chamado HEXA, ofereceu uma experiência única: por 199 dólares, você pode pilotar a aeronave você mesmo. O processo é um misto de alta tecnologia e simplicidade de videogame.

Após um treinamento de uma hora, você se vê no comando de um joystick que controla subida, descida e direção. O HEXA é projetado para ser intuitivo. Mesmo eu, que confesso ter poucas habilidades com jogos eletrônicos (como meu marido reforça semanalmente), consegui pilotar com sucesso.

O contraste: autonomia na rua, “pilotagem” obrigatória no céu

Aqui reside a ironia mais fascinante da mobilidade atual.

Enquanto no Waymo (carro) a autonomia é total, no HEXA (eVTOL) a “pilotagem” humana é uma exigência legal, não técnica.

Existe um entrave jurídico que pode parecer absurdo: a legislação do Texas ainda não prevê carros voadores autônomos. A tecnologia da LIFT Aircraft permitiria que o HEXA fosse absolutamente autônomo, dispensando qualquer ação do passageiro.

No entanto, para operar legalmente, a aeronave foi desenhada para que o usuário precise estar “dirigindo” ativamente.

Os sistemas de segurança da aeronave só “pegam no volante” em casos de emergência, se o piloto não obedecer aos comandos de segurança ou tiver um problema de saúde. O controle autônomo está lá, mas o fato é que a lei exige uma pessoa no comando, criando uma “pilotagem maquiada” por pura necessidade burocrática.

Você dirige — mas, se não gostarem, assumem o controle.


O mercado atual e o caminho pela frente

Este contraste entre o Waymo e o HEXA ilustra perfeitamente onde estamos:

A tecnologia está pronta: tanto a condução autônoma em ruas quanto o voo elétrico vertical e autônomo já são realidades técnicas viáveis e seguras.

O ecossistema está em construção: a transição para um futuro de mobilidade aérea urbana comercialmente viável — e não apenas “por diversão” — vai demorar. Como observei em Austin, não adianta ter o carro voador; precisamos de gestão do espaço aéreo, infraestrutura de baterias e recarregamento, “vertipontos” e, crucialmente, uma legislação que acompanhe a inovação.

Essa experiência me fez refletir sobre como nós, muitas vezes, superestimamos o impacto da tecnologia a curto prazo, mas subestimamos o seu poder de transformação a longo prazo. Quem disse isso não sou eu — é a Lei de Amara.

Aplicando aqui: eu sabia que os carros autônomos viriam, mas os futuristas erraram a data. Demorou mais do que o prometido, mas agora que está aqui, a sensação é de que essa transição será irreversível.

E é aqui que reside o grande aprendizado: a tecnologia muitas vezes está pronta antes do ecossistema. Não basta ter o carro autônomo; precisamos de estradas adaptadas, regras de trânsito atualizadas, aceitação pública e, acima de tudo, confiança.

O imaginário humano sempre corre mais rápido que a burocracia.

Em Austin, voei no futuro que a ficção nos prometeu — mas também tirei da cabeça a ideia de que terei um pousando no meu teto para ir ao aeroporto num futuro próximo.

Aprendi que o caminho para que esses veículos façam parte do nosso dia a dia ainda precisa ser pavimentado — tanto no chão quanto nas leis que regem o céu.

O futuro chegou.

Mas falta assinar muito papelzinho.

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Nem Claude, nem ChatGPT: Pentágono escolhe IA para Forças Armadas dos EUA

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos decidiu transformar o sistema de inteligência artificial Maven, da Palantir, em um programa oficial das Forças Armadas, consolidando o uso da tecnologia no longo prazo. A medida foi comunicada pelo subsecretário de Defesa, Steve Feinberg, em uma carta enviada a líderes do Pentágono e vista pela Reuters.

Segundo o documento, a formalização do modelo deve ser concluída até o fim do atual ano fiscal, em setembro. A decisão garante financiamento contínuo e facilita a adoção da plataforma em todos os ramos militares, ampliando sua presença nas operações.

O Maven é um sistema de comando e controle que utiliza inteligência artificial para processar grandes volumes de dados do campo de batalha. A plataforma integra informações de satélites, drones, radares e relatórios de inteligência para identificar possíveis ameaças e alvos, como veículos, instalações e estoques de armamentos.

Atualmente, o sistema já é amplamente utilizado pelas forças armadas dos EUA e tem sido empregado em operações recentes no Oriente Médio. Durante esse período, a tecnologia auxiliou na execução de milhares de ações militares direcionadas.

A reorganização também prevê mudanças na gestão do programa. A supervisão do Maven será transferida da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial para o Escritório de Inteligência Artificial Digital do Pentágono, enquanto os contratos futuros com a Palantir ficarão sob responsabilidade do Exército.

Decisão do Pentágono vem em meio à disputa com a Anthropic (Imagem: RixAiArt / Shutterstock)

Pentágono reforça IA nas forças armadas

Para o governo americano, a iniciativa reforça a estratégia de ampliar o uso de inteligência artificial nas decisões militares. No comunicado, Feinberg destacou a importância de integrar essas tecnologias de forma mais profunda às operações, tornando a tomada de decisão assistida por IA um elemento central da defesa.

A decisão representa mais um avanço da Palantir dentro do setor público dos EUA. A empresa tem acumulado contratos de alto valor com o governo, incluindo um acordo com o Exército que pode chegar a US$ 10 bilhões. Esse crescimento contribuiu para a valorização da companhia, que hoje tem valor de mercado próximo a US$ 360 bilhões.

Apesar do avanço, o uso de IA em operações militares continua cercado de debates. Especialistas e organizações internacionais alertam para riscos éticos e de segurança, especialmente em sistemas que podem influenciar decisões letais. A Palantir afirma que sua tecnologia não executa ataques de forma autônoma e que a decisão final sobre alvos permanece sob controle humano.

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O Maven surgiu inicialmente como parte de um projeto do Pentágono em 2017 voltado à análise de imagens de drones. Desde então, evoluiu para uma plataforma mais ampla, com dezenas de milhares de usuários e contratos que já ultrapassam a casa de bilhões de dólares.

A decisão do Pentágono vem em meio à disputa com a Anthropic, que se negou a flexibilizar suas regras para permitir o uso do Claude em aplicações militares. O Olhar Digital deu os detalhes sobre essa ‘briga’ aqui.

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Governo Trump apresenta nova estrutura política nacional de IA

Nesta sexta-feira (20), o governo dos Estados Unidos divulgou um arcabouço legislativo para uma política nacional única sobre inteligência artificial (IA).

O objetivo do governo de Donald Trump é o de criar diretrizes uniformes de segurança em torno da IA, enquanto impede que os estados promulguem leis próprias sobre a tecnologia.

Trump centraliza a IA

  • O plano de seis frentes propõe várias regulações sobre produtos e infraestrutura de IA, indo de implantação de regras para a segurança infantil à padronização do licenciamento e uso de energia por data centers;
  • Há ainda um estímulo ao Congresso para que aborde questões delicadas sobre direitos de propriedade intelectual e elabore regras que “impeçam que sistemas de IA sejam usados ​​para silenciar ou censurar expressões políticas legítimas ou dissidências”;
  • Em comunicado, o governo Trump diz querer trabalhar com o Congresso “nos próximos meses” para que a proposta vire um projeto de lei pronto para sanção presidencial;
  • A ideia é transformar a proposta em lei “ainda este ano” e a Casa Branca entende que ela pode ter apoio bipartidário, segundo Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, em entrevista à Fox News.

Com as preocupações cada vez maiores em cima da IA e de seus impactos, legisladores de Nova York, Califórnia e outros estados pressionam o governo para implantar suas próprias regulações estaduais.

Líderes da indústria de IA se opõem aos esforços estaduais, alegando que uma “colcha de retalhos” de leis prejudicaria a inovação e permitiria que concorrentes globais, como a China, ganhassem grande vantagem na corrida pelo domínio da tecnologia.

Trump trouxe a IA para seu governo e visa criar leis para regulação da tecnologia (Imagem: Chip Somodevilla/Shutterstock)

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Em dezembro, Trump já havia assinado uma ordem executiva para um padrão regulatório nacional único para a IA.

No documento apresentado nesta sexta, a Casa Branca diz que “o Congresso deve se antecipar às leis estaduais de IA que impõem encargos indevidos para garantir um padrão nacional minimamente oneroso e consistente com essas recomendações, e não cinquenta padrões discordantes”.

Kratsios voltou a se pronunciar nesta sexta e, em comunicado, afirmou que “a estrutura legislativa nacional de IA da Casa Branca liberará o engenho americano para vencer a corrida global da IA, proporcionando avanços que criarão empregos, reduzirão custos e melhorarão a vida dos americanos em todo o país”.

“Ao mesmo tempo, aborda preocupações reais de frente — proteger nossas crianças online, proteger as famílias de custos de energia mais altos, respeitar os direitos dos criadores e apoiar os trabalhadores americanos — para que todos os cidadãos possam confiar e se beneficiar dessa tecnologia incrível”, completou.

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Estudo da Anthropic revela o que as pessoas amam e temem na IA

A Anthropic concluiu o maior estudo qualitativo já realizado sobre percepções de inteligência artificial (IA): mais de 80 mil entrevistas em 159 países revelam que as mesmas funcionalidades que as pessoas mais valorizam na IA são exatamente as que mais as assustam. É o que os pesquisadores chamaram de problema “light and shade” — luz e sombra.

O estudo, conduzido pela empresa por trás do chatbot Claude, identificou tanto os usos mais transformadores da tecnologia — de apoio emocional a ucranianos em meio à guerra até a possibilidade de pais saírem mais cedo do trabalho para buscar os filhos na escola — quanto os medos que acompanham cada um desses benefícios.

Estudo foi conduzido pela dona do Claude, a Anthropic (Imagem: gguy/Shutterstock)

O dilema da “luz e sombra”

O padrão se repete ao longo do estudo: quem valoriza a IA para apoio emocional tem três vezes mais chances de temer se tornar dependente dela. O principal achado da pesquisa apresenta uma verdade desconfortável — não há como separar o benefício do receio.

Um trabalhador ucraniano ilustra essa contradição. Mudo, ele criou junto com a IA um bot de texto-para-voz. “Consigo me comunicar com amigos quase ao vivo, sem tomar o tempo deles lendo. Algo que eu sonhava e achava impossível”, relatou.

Mas essa mesma tecnologia que liberta também gera ansiedade. Um advogado israelense compartilhou sua experiência no estudo: “Uso IA para revisar contratos, economizar tempo… e ao mesmo tempo tenho medo: estou perdendo minha capacidade de ler sozinho? O pensamento era a última fronteira”.

Trabalho: automação e o medo da dependência cognitiva

A automação de tarefas no ambiente de trabalho foi um dos principais casos de uso da IA identificados na pesquisa. Os entrevistados relataram que a tecnologia os libera para se concentrar em atividades mais importantes — e, quando questionados sobre o que realmente queriam conquistar com essa eficiência, a resposta foi tempo com a família.

Os advogados exemplificam a ambiguidade de forma extrema. Quase metade deles já enfrentou problemas com a falta de confiabilidade da IA, mas também são os profissionais que mais relatam benefícios reais na tomada de decisões — as maiores taxas entre todas as profissões analisadas.

Os cinco medos que definem nossa relação com a IA

  • Apenas 11% dos entrevistados disseram não ter nenhum receio sobre inteligência artificial. Os outros 89% apontaram cinco preocupações principais.
  • A falta de confiabilidade lidera a lista. Cerca de 27% dos participantes temem que a IA tome decisões ruins ou incorretas — número superior aos 22% que citaram melhoria na tomada de decisões como benefício.
  • O impacto no mercado de trabalho e na economia aparece em segundo lugar, preocupando 22% dos entrevistados, que temem estagnação salarial e aumento da desigualdade.
  • Empatados em terceiro, com 22% cada, estão dois receios interligados: a IA tomando decisões sem supervisão humana e os seres humanos se tornando passivos diante da tecnologia.
  • A perda da capacidade de pensamento crítico preocupa 16% dos participantes, enquanto 15% se inquietam com a falta de regulamentação e a ausência de responsabilização clara quando algo dá errado.

Geografia da confiança: países ricos versus países em desenvolvimento

Globalmente, 67% dos entrevistados têm visão positiva da IA, mas as diferenças regionais revelam perspectivas muito distintas.

América do Norte, Europa Ocidental e Oceania demonstram maior ceticismo. As preocupações se concentram em lacunas na governança, falhas regulatórias e vigilância. São regiões onde a IA já está integrada ao ambiente de trabalho, e as pessoas conseguem ver seus efeitos acontecendo na prática.

Do outro lado, África Subsaariana, América Latina e Sul da Ásia encaram a IA com otimismo. Para esses entrevistados, a tecnologia funciona como um equalizador econômico, facilitando a criação de negócios e o acesso à educação. “Estou em um país com desvantagem tecnológica, e não posso me dar ao luxo de muitas falhas. Com IA, alcancei nível profissional em cibersegurança, design UX, marketing e gestão de projetos simultaneamente. É um equalizador”, disse um usuário de Camarões.

O Leste Asiático apresenta um padrão distinto: pouca preocupação sobre quem controla a IA, mas grande ansiedade em relação à atrofia cognitiva.

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Por que países mais pobres confiam mais na IA?

A tendência geral aponta que, quanto mais rica a região, maior o ceticismo. Em países desenvolvidos, a automação já está presente no trabalho e as pessoas conseguem ver a substituição humana acontecendo. Nos países em desenvolvimento, a IA ainda não penetrou massivamente nos ambientes profissionais, e preocupações econômicas mais urgentes fazem com que a tecnologia seja encarada como oportunidade — não como ameaça.

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Automação já está mais presente no trabalho em países desenvolvidos (Imagem: Stokkete / Shutterstock.com)

O futuro moldado por 80 mil vozes

A Anthropic afirmou que os achados da pesquisa vão influenciar diretamente o desenvolvimento futuro do Claude. A empresa reconhece que entender as nuances da percepção pública é fundamental para criar uma tecnologia que sirva genuinamente às necessidades humanas.

O estudo deixa claro que a relação das pessoas com a IA não é simples. As mesmas funcionalidades que geram entusiasmo também alimentam o medo — e essa dualidade é o traço mais honesto de como a humanidade está vivendo essa transformação.

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IA identifica pegadas de dinossauros e revela acidentalmente pistas sobre aves

Um estudo publicado na revista PNAS mostra que a inteligência artificial (IA) está transformando a forma como cientistas analisam pegadas de dinossauros. Essas marcas antigas revelam informações importantes sobre esses animais, mas são complexas e difíceis de interpretar.

Cada pegada não é só um “buraco no solo”. Ela registra peso, deslizamento dos dedos e deformações da lama. Com o tempo, erosão e compactação alteram o formato original, tornando a identificação um desafio para os paleontólogos.

Para superar esse desafio, pesquisadores desenvolveram o DinoTracker, um aplicativo que permite enviar fotos ou esboços de pegadas. O sistema fornece uma análise sobre qual dinossauro provavelmente deixou cada marca, ajudando a transformar interpretações subjetivas em dados consistentes.

Uma representação artística de uma rede neuronal a analisar os contornos de uma pegada de dinossauro. Crédito: Tone Blakesley

O problema é que as pegadas não se fossilizam de maneira uniforme. Dois animais com pés iguais podem deixar rastros diferentes, dependendo do solo, da umidade, da velocidade e do peso – e essas variações confundem até os especialistas mais experientes.

Após treinar a IA, o DinoTracker foi testado com pegadas fósseis conhecidas. O resultado mostrou cerca de 90% de concordância com análises humanas, inclusive em casos controversos. Embora não ofereça certezas absolutas, funciona como uma segunda opinião confiável.

Fósseis mostram semelhança com aves

Uma descoberta inesperada envolveu pegadas com mais de 200 milhões de anos que lembram marcas de aves. Isso sugere duas possibilidades: aves podem ter surgido antes do que se pensava, ou alguns dinossauros primitivos tinham pés muito parecidos com os das aves modernas.

O sistema também reexaminou pegadas antigas na Ilha de Skye, Escócia, feitas há 170 milhões de anos. Antes difíceis de identificar, agora a IA indica que podem ter sido deixadas por parentes antigos dos dinossauros bico-de-pato. Se confirmado, isso muda a compreensão sobre a expansão dessa linhagem.

O DinoTracker não é apenas uma ferramenta de pesquisa. Pegadas são comuns em descobertas paleontológicas, e a IA permite analisar rapidamente grandes volumes de dados. No campo, ajuda a testar hipóteses. Na educação, transforma pegadas em experiências interativas, tornando o aprendizado mais envolvente.

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IA oferece forma objetiva de classificar pegadas de dinossauros

Segundo Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, “este estudo oferece uma forma objetiva de classificar pegadas, abrindo novas possibilidades para entender como esses animais viviam e evoluíram”.

De qualquer forma, pegadas são únicas e complexas. O DinoTracker não substitui a interpretação humana, mas trata variações como informação, não como ruído. Reconhecendo padrões e deformações, acelera pesquisas e amplia a participação científica.

Mais do que facilitar estudos, a ferramenta aproxima as pessoas do mundo antigo. Cada pegada é um instante de contato entre o animal e o solo. Interpretar esses rastros com mais clareza ajuda a compreender melhor a vida, os movimentos e a evolução dos dinossauros.

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CEO da Nvidia propõe pagar funcionários com tokens de IA

A proposta pode soar como ficção científica, mas já está sendo discutida nos corredores do Vale do Silício. Jensen Huang, CEO da Nvidia, sugeriu um novo modelo de remuneração que daria aos engenheiros “tokens de IA” além do salário base — uma forma de pagar funcionários para usar agentes de inteligência artificial (IA) como multiplicadores de produtividade.

Durante a GPU Technology Conference, conferência anual da Nvidia realizada na segunda-feira, Huang detalhou como funcionaria esse sistema. Os tokens — unidades de dados usadas por sistemas de IA para executar ferramentas e automatizar tarefas — estão se tornando uma das “ferramentas de recrutamento no Vale do Silício”, segundo ele.

O executivo apresentou números concretos para ilustrar sua visão. “Os engenheiros vão ganhar algumas centenas de milhares de dólares por ano como salário base. Vou dar a eles provavelmente metade disso além do salário base em forma de tokens”, explicou Huang. A justificativa é direta: “todo engenheiro que tem acesso a tokens será mais produtivo”.

CEO da Nvidia quer dar “tokens de IA” como bônus para engenheiros (Imagem: CL STOCK / Shutterstock.com)

Centenas de milhares de funcionários digitais

A proposta de tokens faz parte de uma visão mais ampla que Huang tem construído publicamente sobre o futuro do trabalho. No mês passado, ele disse à CNBC que os funcionários da Nvidia um dia trabalhariam ao lado de centenas de milhares de agentes de IA.

“Tenho 42 mil funcionários biológicos e vou ter centenas de milhares de funcionários digitais”, declarou o CEO. Essa transformação envolveria engenheiros supervisionando uma frota de agentes de IA capazes de completar tarefas complexas e de múltiplas etapas de forma autônoma, com mínima intervenção humana.

O receio do “apocalipse dos empregos”

As declarações de Huang surgem em um momento de crescente preocupação sobre o impacto dos agentes de IA no mercado de trabalho. Howard Marks, fundador da Oaktree Capital Management, alertou investidores, em um memorando, sobre “um salto incrível nas capacidades da IA” que agora permite que ela “aja de forma autônoma”.

Segundo Marks, essa diferença é fundamental: “É o que separa um mercado de US$ 50 bilhões de um de múltiplos trilhões de dólares”. A capacidade de substituir trabalho humano define o potencial transformador dessa tecnologia.

O Goldman Sachs estima que a IA poderia automatizar tarefas que representam 25% de todas as horas de trabalho nos Estados Unidos. O banco projeta um aumento de produtividade de 15% com a IA, o que poderia levar ao deslocamento de 6% a 7% dos empregos durante o período de adoção.

“Os riscos estão inclinados para um deslocamento maior se a IA se mostrar mais disruptiva para o trabalho do que tecnologias anteriores”, disse ao CNBC Joseph Briggs, economista sênior global do Goldman Sachs. Ele também aponta que 60% dos trabalhadores atuais estão empregados em ocupações que não existiam em 1940 — dado extraído de um estudo do economista David Autor —, sugerindo que novas funções surgirão mesmo com a obsolescência de outras.

Paradoxo entre demissões e escassez de talentos

O mercado de trabalho atual vive um “paradoxo de talentos” peculiar. 98% dos executivos C-suite esperam que a IA leve a reduções de pessoal nos próximos dois anos, enquanto 54% citam a escassez de talentos como seu principal desafio macroeconômico — é o que aponta Lewis Garrad, líder da prática de carreira na consultoria Mercer Asia, em entrevista ao CNBC.

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Mercado de trabalho deve mudar de forma radical com o crescimento da IA (Imagem: Moor Studio/iStock)

Cerca de 65% dos executivos esperam que 11% a 30% de sua força de trabalho seja realocada ou requalificada devido à IA até 2026, estima Garrad. Os empregos de nível inicial enfrentam o maior risco, já que a IA elimina as tarefas “trampolim” historicamente usadas para treinar novos trabalhadores — aprofundando o déficit de habilidades num momento em que a demanda por profissionais com conhecimento em IA só cresce.

Ao CNBC, Andreas Welsch, fundador da consultoria Intelligence Briefing e autor de “The Human Agentic AI Edge”, identificou quais funções estão na linha de frente: papéis envolvendo análise de dados, processamento de documentos, comparação de informações e elaboração de relatórios iniciais estão “em primeiro lugar” para deslocamento.

A visão otimista de Huang sobre software

Contrariando as preocupações sobre desemprego, Huang adota uma perspectiva otimista sobre o impacto dos agentes de IA na indústria de software, descrevendo-a como “contraintuitiva”. Em vez de reduzir a demanda por software, os agentes de IA se tornarão seus clientes mais vorazes.

A lógica do CEO é direta: mais agentes de IA significam maior demanda pela infraestrutura de software subjacente — os programas, ferramentas e recursos computacionais que os alimentam. “O número de compiladores C que usamos, o número de programas Python que temos, o número de instâncias, estão crescendo muito, muito rápido — porque o número de agentes que temos que usam essas ferramentas está aumentando”, explicou.

Também ao CNBC, Bruno Guicardi, presidente e fundador da empresa de tecnologia da informação CI&T, descreveu a mudança como uma transformação paradigmática. “Uma nova camada de abstração está sendo criada através de agentes. Agora os engenheiros de software podem ‘dizer’ o que os computadores devem fazer, não em uma linguagem de programação, mas em inglês simples. Trabalho que costumava levar meses para ser feito agora leva alguns dias. E vemos isso apenas se acelerando daqui em diante.”

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Desafios de implementação na prática

Apesar do otimismo, a integração de capacidades de IA nos fluxos de trabalho corporativos existentes pode se mostrar mais difícil que a própria tecnologia. Welsch citou ao CNBC uma estatística reveladora: aproximadamente 80% a 85% dos projetos de IA falharam desde 2018 — um dado preocupante para uma indústria repleta de entusiasmo.

“Seria indesejável ter centenas de milhares de agentes que criam mais problemas do que resolvem”, alertou o consultor.

Em entrevista ao CNBC, Briggs reconheceu que a transição não será sem atritos, mesmo no cenário mais otimista, antecipando um pico na taxa bruta de desemprego de cerca de meio ponto percentual durante a transição do mercado de trabalho para uma nova era.

Ainda assim, o economista enfatiza que novos empregos surgirão, lembrando que a mudança tecnológica sempre foi um dos principais motores do crescimento ocupacional a longo prazo. Dezenas de milhões de pessoas trabalham hoje em setores como computação, economia gig, e-commerce, criação de conteúdo e videogames — indústrias que eram ficção científica há uma geração.

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Nova IA gera vídeos realistas em menos de um segundo

A Runway se uniu à Nvidia e apresentou um novo modelo de inteligência artificial capaz de gerar vídeos em tempo real. O que mais chamou atenção foi a velocidade: o sistema consegue produzir o primeiro frame em menos de 100 milissegundos – mais rápido do que um piscar de olhos.

A tecnologia foi demonstrada durante a conferência GTC, da Nvidia, nesta semana. A IA ainda não tem nome oficial, mas já se destaca por iniciar transmissões quase instantaneamente, com imagens realistas e em alta definição.

Na prática, o modelo é um salto em relação às ferramentas atuais, que ainda apresentam atrasos na criação de vídeos. Com a nova abordagem, a promessa é de experiências interativas em tempo real, abrindo caminho para aplicações como ambientes virtuais dinâmicos, personagens digitais responsivos e até mundos gerados sob demanda – algo que a Runway já vem apostando há algum tempo.

Preocupações com IA de geração de vídeos

Ao mesmo tempo, o avanço levanta preocupações. A popularização recente de conteúdos gerados por IA – como vídeos hiper-realistas e simulações de figuras públicas – já dificulta a distinção entre o que é autêntico e o que foi criado artificialmente. Com a geração em tempo real, esse desafio tende a se intensificar, especialmente se as ferramentas passarem a reagir ao comportamento e às expressões dos usuários de forma imediata.

Apesar do potencial, a tecnologia ainda depende de infraestrutura altamente robusta. A demonstração foi executada no Vera Rubin, supercomputador da Nvidia equipado com dezenas de CPUs e GPUs, e grandes volumes de memória. Por ora, o acesso é limitado a grandes empresas e instituições governamentais.

Ainda assim, o site New Atlas aponta que barreiras de hardware tendem a diminuir com o tempo. Isso indica que sistemas desse tipo podem, eventualmente, chegar a aplicações mais amplas – ampliando tanto as possibilidades criativas quanto os desafios relacionados à autenticidade e segurança digital.

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OpenAI planeja lançar superaplicativo com o ChatGPT

A OpenAI está desenvolvendo um “superaplicativo” para desktop que vai unir três de suas principais ferramentas em uma única plataforma. A iniciativa pretende juntar o ChatGPT, o Codex (focado em programação) e o navegador Atlas em um só lugar.

A decisão faz parte de uma estratégia maior da empresa para simplificar seu portfólio de produtos, que hoje está espalhado em diferentes abas e aplicativos. As informações foram reveladas pelo The Wall Street Journal, que citou um memorando interno de Fidji Simo, CEO de Aplicações da OpenAI.

De acordo com a executiva, ter múltiplas plataformas separadas está prejudicando o desempenho da empresa como um todo. A fragmentação atual “tem nos atrasado e dificultado atingir o padrão de qualidade que queremos”, escreveu.

Simo chegou a falar com os funcionários na semana passada sobre a necessidade de evitar “distrações com missões secundárias”. A liderança da OpenAI tem analisado quais projetos devem ser despriorizados para focar no que realmente importa.

Após a publicação do WSJ, ela escreveu no X que “as empresas passam por fases de exploração e fases de reorientação” e que é “muito importante redobrar os esforços e evitar distrações”.

Superaplicativo da OpenAI é uma tentativa de reorganização interna

A pressão por essa reorganização aumentou depois que a OpenAI passou a enfrentar mais concorrência, especialmente da Anthropic. O Claude Code, ferramenta de programação da rival, ganhou popularidade e tem pressionado a posição do ChatGPT no mercado.

Além disso, o ano passado foi marcado por anúncios grandiosos da desenvolvedora, como o aplicativo de vídeo Sora e a compra da empresa de hardware de IA de Jony Ive. Agora, o foco parece ter mudado para consolidação e eficiência operacional.

Segundo o WSJ, o superaplicativo vale apenas para as versões desktop. A versão para dispositivos móveis do ChatGPT seguirá funcionando.

Procurada pelo jornal, a OpenAI não confirmou os planos oficialmente. O cronograma de lançamento da novidade também não está claro.

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Jeff Bezos negocia fundo de R$ 522,2 bilhões para transformar manufatura com IA, diz jornal

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, iniciou conversas preliminares para levantar US$ 100 bilhões (R$ 522,2 bilhões) destinados à criação de um novo fundo voltado à aquisição de empresas industriais e à aplicação de inteligência artificial (IA) para acelerar processos de automação, segundo informações do The Wall Street Journal.

De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, Bezos tem se reunido com alguns dos maiores gestores de ativos do mundo em busca de financiamento para o projeto. Há alguns meses, o empresário viajou ao Oriente Médio para discutir a iniciativa com representantes de fundos soberanos da região. Mais recentemente, esteve em Singapura com o mesmo objetivo.

Como deve ser o fundo de investimento de Bezos

  • O fundo, descrito em documentos a investidores como um “veículo de transformação da manufatura”, pretende adquirir companhias em setores industriais estratégicos, como fabricação de chips, defesa e aeroespacial;
  • Caso se concretize, o projeto terá dimensões comparáveis a alguns dos maiores fundos de aquisição do mundo e rivalizará com o SoftBank Vision Fund, que também conta com cerca de US$ 100 bilhões;
  • A iniciativa está ligada ao Project Prometheus, startup na qual Bezos foi recentemente nomeado co-CEO;
  • A empresa desenvolve modelos de IA capazes de compreender e simular o mundo físico;
  • A ideia é utilizar essa tecnologia para aumentar a eficiência e a lucratividade das empresas adquiridas pelo fundo — uma estratégia semelhante à já adotada por firmas de investimento em setores, como contabilidade e gestão imobiliária.

Separadamente, o Project Prometheus também negocia levantar até US$ 6 bilhões (R$ 31,3 bilhões) em financiamento. A empresa nomeou recentemente David Limp para seu conselho de administração. Limp é CEO da Blue Origin, companhia criada por Bezos em 2000 e que recebe aportes anuais bilionários do empresário.

Nos últimos anos, enquanto grande parte da revolução da IA se concentrou em modelos de linguagem, bilhões de dólares começaram a ser direcionados a empresas que buscam aplicar sistemas de IA voltados ao espaço físico em áreas, como robótica e manufatura.

Modelos baseados em linguagem já vêm sendo utilizados para automatizar atividades, como engenharia de software, além de impactar funções em setores, como finanças e mercado imobiliário. Esse movimento tem influenciado o mercado: investidores venderam ações de algumas empresas após startups, como Anthropic e OpenAI, lançarem ferramentas específicas para essas áreas.

Empresas também passaram a citar a adoção de IA em dezenas de milhares de demissões no último ano, embora economistas apontem que cortes também podem estar relacionados a contratações excessivas durante a pandemia.

A automação impulsionada por IA também avança sobre a manufatura, ainda que startups e empresas focadas nesse segmento estejam em estágio inicial.

Ex-CEO da Amazon quer que IA balize indústria (Imagem: Poetra.RH/Shutterstock)

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O impacto sobre empregos ainda é incerto, mas companhias de tecnologia e comércio eletrônico já utilizam essas soluções há anos em centros logísticos. A própria Amazon, uma das maiores empregadoras dos Estados Unidos, se aproxima de ter um número de robôs equivalente ao de trabalhadores humanos.

Bezos se junta, assim, a outros nomes da geração anterior do Vale do Silício que vêm intensificando sua atuação na corrida pela inteligência artificial. O ex-CEO da Uber, Travis Kalanick, anunciou recentemente a Atoms, expansão de sua startup com a ambição de transformar a indústria com IA. Já Elon Musk tem promovido planos da Tesla para desenvolver robôs humanoides.

Bezos assumiu o cargo de co-CEO do Project Prometheus no ano passado, seu primeiro papel formal de liderança em uma empresa de tecnologia desde que deixou o comando da Amazon, em julho de 2021. Atualmente, ele permanece como presidente do conselho da companhia.

A tecnologia desenvolvida pelo Prometheus busca simular o comportamento do mundo físico. Entre os exemplos citados, estão a capacidade de modelar o fluxo de ar ao redor da asa de um avião ou prever com precisão onde uma peça metálica pode se romper sob pressão. Inicialmente, a empresa pretende comercializar ferramentas de software voltadas à simulação e ao design em engenharia.

Bezos divide o comando da startup com Vik Bajaj, professor da Escola de Medicina de Stanford e cofundador da divisão de ciências da vida do Google, hoje conhecida como Verily. A empresa também recrutou profissionais de laboratórios de ponta em IA, como OpenAI e Google DeepMind, e levantou US$ 6,2 bilhões (R$ 32,3 bilhões) em financiamento no ano passado.

O JPMorgan Chase também está em negociações preliminares para apoiar o projeto por meio de sua iniciativa Security and Resiliency Initiative. O banco lançou, em dezembro passado, um fundo de US$ 10 bilhões (R$ 52,2 bilhões) para essa frente e contratou Todd Combs, ex-gestor da Berkshire Hathaway, para ajudar a liderar o programa.

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