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OpenAI propõe novo cálculo para medir eficiência da inteligência artificial

A OpenAI apresentou nesta sexta-feira (17) uma nova abordagem para avaliar o retorno gerado pela inteligência artificial nas organizações. A proposta substitui indicadores tradicionais de adoção, como quantidade de usuários ou licenças contratadas, por uma análise baseada no trabalho efetivamente concluído.

A empresa defende que o desempenho da IA deve ser medido pela relação entre o valor produzido e o custo necessário para alcançar resultados confiáveis. A ideia é avaliar não apenas o preço de processamento dos modelos, mas todo o esforço envolvido até a entrega de uma tarefa considerada bem-sucedida.

Segundo a OpenAI, a evolução da tecnologia depende de quatro fatores centrais: a quantidade de trabalho útil realizada, o custo de cada resultado obtido, a capacidade de gerar respostas confiáveis e a possibilidade de ampliar esses ganhos conforme o uso aumenta.

Nova avaliação da IA prioriza resultados concretos e eficiência operacional

OpenAI é a controladora do ChatGPT – Imagem: Evolf/Shutterstock

A discussão sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial ganhou uma nova perspectiva com a proposta de uma métrica chamada “inteligência útil por dólar”. O conceito busca responder se os recursos aplicados em IA estão produzindo benefícios reais para empresas e profissionais.

De acordo com a OpenAI, medir apenas elementos técnicos, como o custo de cada token processado, não representa o impacto econômico completo da tecnologia. Um modelo mais barato pode exigir mais tentativas, revisões humanas e tempo para alcançar um resultado adequado, enquanto uma solução mais avançada pode concluir a mesma atividade em uma única execução.

A companhia afirma que o indicador mais relevante é o custo total para concluir uma tarefa com qualidade suficiente. Esse cálculo deve considerar fatores como processamento computacional, participação de funcionários, correções necessárias e retrabalho até que o resultado esteja pronto para uso.

A primeira etapa dessa avaliação seria identificar uma atividade específica dentro de uma organização e definir claramente o que significa concluí-la com sucesso. Para equipes de atendimento, por exemplo, a métrica pode estar ligada à resolução de problemas de clientes. Em engenharia, pode representar alterações de código aprovadas em testes. Já em áreas jurídicas, pode envolver revisões contratuais realizadas corretamente dentro do prazo.

A OpenAI cita como exemplo uma equipe financeira responsável pela preparação de uma reunião de análise de previsões. Nesse processo, a inteligência artificial pode auxiliar na localização de informações atualizadas, organização de dados, comparação de alterações, revisão de planilhas e preparação de materiais, permitindo que os profissionais dediquem mais atenção à interpretação dos resultados e às decisões estratégicas.

Outro ponto destacado pela empresa é que modelos diferentes podem atender necessidades distintas. A companhia afirma que uma arquitetura com múltiplas opções permite escolher soluções mais rápidas para tarefas simples ou modelos mais avançados quando atividades complexas exigem maior capacidade de raciocínio.

Ícone do ChatGPT em um smartphone
O GPT-5.6 Sol – Imagem: Ascannio/Shutterstock

A OpenAI também menciona o lançamento do GPT-5.6, apresentado com três níveis de utilização: Sol, como modelo de maior capacidade; Terra, voltado ao equilíbrio entre desempenho e custo; e Luna, direcionado à velocidade e economia. Segundo a empresa, a escolha do modelo deve considerar a eficiência no cumprimento da tarefa, e não apenas o valor individual de cada processamento.

A confiabilidade aparece como outro elemento essencial nessa avaliação. Conforme a OpenAI, a adoção da IA tende a avançar gradualmente: primeiro como ferramenta de elaboração de conteúdos, depois como recurso para análise de informações e, posteriormente, como sistema capaz de executar etapas de processos com supervisão humana.

Para medir essa evolução, a empresa sugere acompanhar três resultados possíveis: entregas prontas para utilização, respostas que precisam de ajustes e situações em que uma pessoa precisa assumir a conclusão da atividade.

Segundo a companhia, sistemas mais confiáveis reduzem o tempo gasto com conferências, correções e repetição de tarefas. Entretanto, a expansão do uso da IA exige definição prévia de limites, incluindo quais dados podem ser acessados, quais sistemas podem ser modificados e em quais momentos uma aprovação humana deve ocorrer.

A OpenAI afirma que ferramentas voltadas ao ambiente corporativo precisam combinar capacidade técnica com mecanismos de segurança, privacidade, conformidade e gerenciamento. Essa estrutura permitiria ampliar o acesso da inteligência artificial a processos importantes sem eliminar o controle das organizações.

A última dimensão analisada pela empresa é a capacidade de gerar mais valor conforme a utilização cresce. Para isso, as companhias devem acompanhar a quantidade de tarefas concluídas com qualidade, os custos envolvidos e o preço médio de cada resultado alcançado ao longo do tempo.

Na avaliação da OpenAI, avanços em infraestrutura, modelos mais eficientes, sistemas de processamento aprimorados e melhorias de produto podem aumentar o retorno obtido por cada unidade de investimento. A empresa relaciona esse ciclo a uma sequência contínua: infraestrutura mais eficiente favorece pesquisas, pesquisas desenvolvem modelos melhores, modelos aprimoram produtos e produtos ampliam a adoção.

A companhia conclui que a inteligência artificial deve ser analisada pela capacidade de ampliar trabalhos relevantes, apoiar decisões e liberar profissionais para atividades que dependem de julgamento, criatividade e experiência humana.

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Google tem dificuldades para superar rivais com novo Gemini

O Google adiou o lançamento do Gemini 3.5 Pro, seu modelo de inteligência artificial mais avançado, enquanto tenta melhorar principalmente recursos de programação. O atraso aumentou a preocupação interna sobre a capacidade da empresa de acompanhar rivais como OpenAI e Anthropic.

Segundo a Bloomberg, funcionários e pesquisadores avaliam que a demora acontece em um momento em que novos modelos de IA avançam rapidamente e mudam a disputa entre as grandes empresas de tecnologia.

O Gemini 3.5 Flash recebeu avaliações positivas por velocidade, mas alguns clientes apontam limitações em tarefas mais complexas. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Novo Gemini passa por ajustes antes do lançamento

O Gemini 3.5 Pro deveria representar um salto importante para o Google, mas a empresa decidiu ampliar o período de desenvolvimento para aprimorar suas capacidades, principalmente na criação e análise de códigos.

Funcionários atuais e antigos ouvidos pela Bloomberg afirmam que a companhia enfrenta dificuldades para alinhar diferentes áreas envolvidas em inteligência artificial. Equipes do Google DeepMind, Google Cloud e outros departamentos trabalham em soluções próprias, o que pode tornar decisões e lançamentos mais lentos.

A empresa também precisa integrar a tecnologia a produtos amplamente usados, como busca, mapas e YouTube.

Em comunicado, um porta-voz do Google afirmou: “Estamos enviando rapidamente uma ampla variedade de modelos, mantendo-os altamente econômicos para os clientes”.

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O Google tenta integrar o Gemini a serviços como Busca, YouTube e Maps, processo que aumenta a complexidade do desenvolvimento. – Imagem: Carlos Alvarez/iStock

Programação vira uma das principais batalhas da IA

O desenvolvimento de ferramentas capazes de gerar código se tornou uma prioridade no setor. Dentro do Google, porém, a concentração de esforços ainda enfrenta obstáculos.

Entre os principais desafios estão:

  • Disputa interna por capacidade de processamento;
  • Ferramentas de IA criadas por equipes diferentes;
  • Receios anteriores sobre vazamento de códigos proprietários;
  • Equilíbrio entre velocidade, segurança e padrões internos.

O Google afirma que avançou no uso da tecnologia dentro da própria empresa. Segundo a companhia, 75% do código produzido atualmente é gerado com auxílio de IA, revisado por funcionários e aprovado antes de chegar aos produtos.

Logos de Anthropic e OpenAI
O atraso do Gemini acontece em um momento de forte competição, com novos modelos sendo lançados por OpenAI e Anthropic. – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

Google tenta recuperar ritmo diante dos concorrentes

Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, o Google acelerou seus esforços em inteligência artificial e declarou um “código vermelho” para reduzir barreiras internas e responder ao avanço da tecnologia.

Mesmo assim, funcionários dizem que a empresa ainda enfrenta disputas internas por recursos e prioridades. Pesquisadores apontam que o Gemini tem como diferencial o acesso aos dados da busca do Google, enquanto Anthropic e OpenAI ganharam destaque com modelos considerados mais fortes em determinadas tarefas.

A insatisfação com a posição da empresa também contribuiu para a saída de pesquisadores para outros laboratórios, segundo ex-funcionários.

Enquanto aguardam o Gemini 3.5 Pro, clientes tiveram avaliações diferentes sobre o Gemini 3.5 Flash. Rodrigo Davies, gerente de produto da Figma, afirmou que o modelo encontrou um equilíbrio entre velocidade e qualidade.

Já Freddy Vega, CEO e fundador da Platzi, disse que a ferramenta ainda apresenta limitações em algumas tarefas e que sua equipe passou a utilizar o Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic.

O desafio do Google agora não é apenas criar modelos mais avançados, mas transformar sua estrutura interna em uma vantagem competitiva em uma área onde velocidade e capacidade de adaptação se tornaram fatores decisivos.

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China lança ofensiva de IA aberta para enfrentar gigantes dos EUA

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, o presidente chinês Xi Jinping apresentou a estratégia de Pequim para ampliar sua participação na corrida global pela inteligência artificial.

A proposta chinesa aposta em modelos abertos, cooperação internacional e maior participação de países em desenvolvimento nas decisões sobre o futuro da tecnologia.

A China quer ampliar a cooperação em IA com países do BRICS, ASEAN, América Latina e África. – Imagem: Techa Tungateja/iStock

Xi defende IA aberta como caminho para ampliar acesso

Em seu discurso, Xi afirmou que o mundo deve aproveitar a “oportunidade histórica” dos modelos de inteligência artificial de código aberto. Segundo a Reuters, o presidente chinês também alertou para o risco de novas desigualdades caso apenas algumas nações concentrem o acesso às ferramentas mais avançadas.

A ideia defendida por Pequim é que sistemas abertos possam ser utilizados e adaptados por diferentes países, empresas e pesquisadores. O movimento contrasta com a estratégia de grandes companhias americanas, como OpenAI e Anthropic, que trabalham principalmente com modelos proprietários.

A Reuters destacou que empresas chinesas como Moonshot AI, Z.ai e MiniMax vêm acelerando seus lançamentos e oferecendo soluções com custos menores. O avanço dessas companhias coloca em dúvida a antiga percepção de que a China estaria sempre atrás dos Estados Unidos no desenvolvimento de IA.

Entre as principais iniciativas defendidas pelo governo chinês estão:

  • ampliar treinamentos e cooperação internacional em IA;
  • criar centros voltados ao desenvolvimento da tecnologia;
  • participar da construção de padrões globais;
  • estabelecer mecanismos para reduzir riscos de sistemas autônomos.
Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
China e Estados Unidos travam uma disputa que envolve tecnologia, chips e as regras do futuro da inteligência artificial. – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Disputa por IA envolve modelos, chips e influência

A competição entre Pequim e Washington não está apenas nos softwares. O Wall Street Journal explicou que os dois países seguem estratégias diferentes: empresas americanas investem em sistemas fechados, enquanto companhias chinesas têm apostado em modelos abertos.

O jornal também destacou que empresas como DeepSeek, Moonshot e Zhipu AI buscam avançar apesar das restrições dos Estados Unidos ao acesso chinês a chips de alta capacidade e equipamentos usados na fabricação de semicondutores.

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Nesse cenário, o lançamento do Kimi K3 pela Moonshot AI ganhou destaque. O modelo foi apresentado como uma evolução importante do ecossistema chinês e chamou atenção por suas capacidades avançadas.

Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial precisa continuar sob controle humano para reduzir riscos.
Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial precisa continuar sob controle humano para reduzir riscos. – Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock

Pequim busca espaço nas regras globais da IA

Além de desenvolver tecnologia, a China tenta influenciar as normas que vão orientar o uso da inteligência artificial. Xi anunciou ações de cooperação com países do BRICS, ASEAN, América Latina e África, além da criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), que reúne 29 países.

A mensagem de Xi é clara: a China não seguirá ninguém, tanto em tecnologia de IA quanto em padrões.

George Chen, da The Asia Group, à Reuters

Xi também defendeu que sistemas inteligentes permaneçam sob controle humano e pediu mecanismos internacionais para lidar com possíveis riscos.

Para Kai-Fu Lee, empresário e investidor citado pelo Wall Street Journal, a abertura pode atrair países preocupados com a concentração tecnológica. “AI development should not be a solo performance by a single country, but a symphony of global collaboration”, afirmou.

A disputa pela liderança da IA agora envolve não apenas quem cria os sistemas mais avançados, mas também quem consegue definir as regras para seu uso em escala mundial.

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A China acaba de lançar o maior modelo aberto de IA do mundo

A startup chinesa Moonshot entrou de vez na disputa pela liderança da inteligência artificial ao apresentar o Kimi K3. Com 2,8 trilhões de parâmetros, a empresa afirma ter criado o maior modelo de pesos abertos do mundo.

Segundo a Reuters, o lançamento mostra a velocidade com que a China vem reduzindo a distância em relação aos sistemas mais avançados desenvolvidos nos Estados Unidos.

Avaliações independentes apontam desempenho do Kimi K3 próximo aos modelos mais avançados do mercado. – Imagem: Reprodução/Kimi K3

Kimi K3 aposta em tamanho e abertura

O Kimi K3 foi projetado para executar tarefas de raciocínio avançado, programação de longo prazo e atividades intensivas em conhecimento. Segundo a Moonshot, ele é o primeiro modelo de pesos abertos a se aproximar da marca de 3 trilhões de parâmetros.

Mas o tamanho não é a única novidade. O modelo traz uma janela de contexto de 1 milhão de tokens, capaz de processar uma quantidade muito maior de informações em um único comando do que versões anteriores.

Entre os recursos destacados pela empresa estão:

  • 2,8 trilhões de parâmetros;
  • janela de contexto de 1 milhão de tokens;
  • foco em raciocínio avançado e programação complexa;
  • modelo de pesos abertos, permitindo personalização pelos usuários.

Na prática, isso permite que desenvolvedores baixem, executem e adaptem o sistema para diferentes aplicações, algo que não acontece com modelos fechados.

Logo da Alibaba ao fundo, com sombras de pessoas e outros objetos à frente
Apoiada por Alibaba e Tencent, a Moonshot amplia investimentos para fortalecer sua posição no mercado de inteligência artificial. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Testes colocam o modelo entre os mais competitivos

Segundo a Moonshot, o Kimi K3 apresentou desempenho competitivo em relação ao Fable 5 e superou Opus 4.8, GPT 5.6 Sol e GPT 5.5 em otimização de kernels de GPU, técnica usada para aproveitar melhor o hardware e reduzir a latência.

Os resultados também apareceram em avaliações independentes. A Arena.ai colocou o modelo na primeira posição em um benchmark voltado à criação de interfaces web. Já a Vals AI o classificou em segundo lugar, atrás apenas do Fable 5 e à frente do GPT-5.6 Sol. A Artificial Analysis apontou desempenho semelhante ao GPT-5.5 e ao Claude Opus 4.8 em testes de tarefas complexas realizadas em múltiplas etapas.

Especialistas fazem ponderações

O avanço, porém, não elimina algumas limitações. “Eles podem ser executados por uma fração do custo que a OpenAI cobra de seus clientes”, afirmou Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia. Ao mesmo tempo, ele observou que “isso não significa necessariamente que você tenha o melhor desempenho automaticamente”.

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Ryan Fedasiuk, pesquisador do American Enterprise Institute, destacou que executar localmente um modelo desse porte exigiria equipamentos avaliados em centenas de milhares de dólares.

Bandeiras de EUA e China com um punho fechado no meio
O lançamento reforça o ritmo acelerado da evolução da IA na China e aumenta a pressão sobre concorrentes dos Estados Unidos. – Imagem: CHIEW/Shutterstock

Empresa amplia investimentos

A Reuters informa que a Moonshot, apoiada por Alibaba e Tencent, continua expandindo sua capacidade financeira e tecnológica. Segundo reportagem da Bloomberg citada pela agência, a startup busca captar US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,1 bilhões) com uma avaliação próxima de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 166,5 bilhões) antes de uma possível abertura de capital em Hong Kong.

Com o anúncio do Kimi K3, a empresa reforça sua estratégia de disputar espaço no mercado global de inteligência artificial em um momento de forte aceleração do setor.

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Os deepfakes ficaram muito melhores; cientistas respondem com nova IA

Uma equipe internacional de pesquisadores desenvolveu um novo método para identificar vídeos manipulados por inteligência artificial (IA), os chamados deepfakes, com uma taxa média de acerto superior a 95%.

A abordagem, criada por cientistas da Universidade de Tóquio (Japão) e do Instituto Max Planck de Informática (Alemanha), deixa de procurar imperfeições visuais e passa a analisar se as expressões faciais correspondem naturalmente à fala da pessoa.

Segundo os pesquisadores, o sistema conseguiu detectar manipulações que passaram despercebidas por diversos detectores já existentes, representando um avanço na busca por ferramentas mais eficazes contra vídeos falsificados.

O trabalho foi apresentado no artigo “ExposeAnyone: Personalized Audio-to-Expression Diffusion Models Are Robust Zero-Shot Face Forgery Detectors”, divulgado durante a edição de 2026 da Conferência IEEE/CVF sobre Visão Computacional e Reconhecimento de Padrões (CVPR, na sigla em inglês).

Nossa abordagem de detecção de falsificação facial por autoaprendizagem: pré-treinamos nosso modelo de difusão de áudio para expressão em uma coleção de vídeos não rotulados em larga escala. Em seguida, personalizamos nosso modelo pré-treinado com vídeos de referência de uma pessoa de interesse (POI) inserindo um adaptador específico para o sujeito. Finalmente, autenticamos os vídeos suspeitos da POI pela distância de reconstrução por difusão – Imagem: arXiv (2026)

Deepfakes se tornam cada vez mais difíceis de identificar

Os pesquisadores destacam que a IA generativa já é capaz de produzir imagens e vídeos praticamente indistinguíveis de gravações reais para o olho humano.

Embora essa tecnologia tenha diversas aplicações úteis, ela também amplia os riscos de desinformação, roubo de identidade e fraudes. Por isso, desenvolver métodos confiáveis para identificar deepfakes tornou-se uma das principais áreas de pesquisa em IA.

O estudo foi conduzido por Kaede Shiohara e Toshihiko Yamasaki, da Universidade de Tóquio, em parceria com Vladislav Golyanik, pesquisador sênior e chefe do grupo 4D and Quantum Vision do Instituto Max Planck de Informática.

Método abandona busca por artefatos visuais

Segundo os autores, os detectores de deepfake mais precisos disponíveis atualmente costumam utilizar aprendizado supervisionado, sendo treinados com grandes conjuntos de vídeos autênticos e manipulados.

Esse modelo, porém, apresenta uma limitação importante: ele pode acabar aprendendo características específicas de determinados métodos de falsificação, fenômeno conhecido como overfitting, tornando-se menos eficiente diante de técnicas inéditas.

Já os métodos autossupervisionados utilizam apenas vídeos autênticos durante o treinamento. Embora sejam considerados mais resistentes ao surgimento de novas tecnologias de deepfake, normalmente apresentam níveis inferiores de precisão.

Os pesquisadores afirmam que a nova técnica é a primeira abordagem autossupervisionada capaz de combinar robustez com altas taxas de detecção, superando os métodos supervisionados existentes.

Expressões faciais são comparadas com a fala

  • Em vez de procurar inconsistências em pixels ou outros artefatos visuais, o sistema concentra sua análise nos movimentos naturais do rosto;
  • A tecnologia utiliza o modelo FLAME, amplamente empregado em computação gráfica e animação facial, que representa matematicamente expressões faciais por meio de 53 parâmetros;
  • Durante o desenvolvimento do sistema, os pesquisadores realizaram um pré-treinamento utilizando mais de 450 horas de vídeos públicos. Com esse material, o modelo aprendeu a prever quais movimentos faciais seriam naturalmente esperados a partir de uma determinada trilha de áudio;
  • Depois desse treinamento inicial, o sistema pode ser adaptado para uma pessoa específica utilizando apenas cerca de 60 segundos de vídeo, tornando-se um detector personalizado de deepfakes.

Na etapa de análise, o software compara os movimentos faciais observados no vídeo com aqueles previstos a partir da fala. Quando existem diferenças significativas entre os dois conjuntos de informações, isso é interpretado como um forte indicativo de manipulação.

“A combinação de aprendizado autossupervisionado e análise facial baseada no FLAME torna nossa abordagem particularmente robusta contra novos métodos de geração de deepfake, bem como contra distorções como compressão de imagem ou ruído”, afirmou Vladislav Golyanik.

Diagrama que explica como o sistema funciona
Framework ExposeAnyone para detecção de falsificação facial – Imagem: arXiv (2026)

Testes incluíram vídeos produzidos pelo Sora 2

Nos experimentos realizados pela equipe, o método alcançou uma precisão média superior a 95% em diversos conjuntos de dados de referência utilizados pela comunidade científica, superando o desempenho das técnicas consideradas estado da arte.

Um dos desafios mais difíceis foi a avaliação em um conjunto de dados criado pelos próprios pesquisadores com vídeos gerados pelo Sora 2, modelo de geração de vídeos da OpenAI.

Segundo o estudo, enquanto detectores anteriores obtiveram resultados próximos ao acaso — equivalentes a um simples lançamento de moeda —, o novo sistema conseguiu identificar corretamente quase 95% dos vídeos manipulados.

Sistema ainda não funciona em tempo real contra deepfakes

Apesar dos resultados, os pesquisadores reconhecem que a tecnologia ainda possui limitações. O método exige um longo processo de pré-treinamento executado em hardware de alto desempenho e, no estágio atual, ainda não pode ser utilizado em aplicações em tempo real.

Mesmo assim, a equipe considera que a abordagem representa um caminho promissor para o desenvolvimento da próxima geração de sistemas capazes de detectar deepfakes com maior confiabilidade, inclusive diante de técnicas de manipulação cada vez mais sofisticadas.

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China está criando robôs que aprendem com o mundo real

Um robô organizando pacotes de salgadinhos em uma prateleira parece uma cena comum de fábrica, mas faz parte de uma estratégia ambiciosa da China. Empresas do país estão colocando humanoides em ambientes reais para coletar informações e criar máquinas capazes de aprender tarefas humanas.

Segundo a Bloomberg, a aposta está na inteligência incorporada, uma tecnologia que combina robótica e inteligência artificial para desenvolver equipamentos mais adaptados ao mundo físico.

A inteligência incorporada une robótica e IA para ensinar máquinas a entender melhor o ambiente ao redor. Imagem: Divulgação/Unitree Robotics

Robôs começam a aprender longe dos laboratórios

Nos arredores de Pequim, um braço robótico humanoide pega um pacote de batatas Lay’s e o coloca em uma prateleira. Em outro local, trabalhadores registram atividades simples, como retirar almofadas de um sofá e dobrar lençóis. As imagens serão usadas para aprimorar os sistemas de IA dos robôs.

A movimentação mostra uma mudança no foco da indústria chinesa. Depois de ganhar atenção com os movimentos de artes marciais do modelo G1, da Unitree Robotics, fabricantes passaram a concentrar esforços na capacidade de aprendizado das máquinas.

Empresas como Alibaba, Xiaomi e startups do setor estão desenvolvendo modelos de inteligência incorporada, que permitem aos robôs aprender a partir de experiências físicas.

A estratégia chinesa também se diferencia pelo treinamento. Enquanto empresas americanas utilizam dados comprados, simulações e trabalhadores em países de baixo custo, como Índia e Vietnã, fabricantes chineses buscam colocar seus próprios robôs em situações reais para gerar aprendizado.

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A disputa tecnológica entre China e EUA também chegou ao universo dos robôs humanoides. – Imagem: CHIEW/Shutterstock

China vê humanoides como alternativa para falta de trabalhadores

A liderança chinesa na robótica industrial já é expressiva. Segundo dados citados pela Bloomberg, o país instalou cerca de 300 mil robôs em 2024, contra aproximadamente 38 mil nos Estados Unidos.

Com o envelhecimento populacional, Pequim aposta nos humanoides para reduzir os efeitos de uma possível falta de mão de obra. Analistas do Barclays estimam que essas máquinas poderiam compensar até 60% de uma futura escassez de trabalhadores.

Entre as iniciativas em andamento estão:

  • O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China pretende colocar 10 mil robôs humanoides em fábricas até o fim do ano;
  • Investidores já direcionaram pelo menos 100 bilhões de yuans (cerca de R$ 82 bilhões) ao setor em 2025, valor superior ao aplicado nos cinco anos anteriores;
  • Centros de coleta de informações estão sendo criados para treinar máquinas em casas, lojas e linhas de montagem;
  • Empresas chinesas querem usar robôs em situações reais para gerar milhões de horas de aprendizado.
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Robôs que aprendem com experiências físicas podem ser a próxima grande evolução da inteligência artificial. Imagem: Divulgação/Unitree Robotics

Dados viram o principal desafio da corrida tecnológica

Criar robôs mais inteligentes exige uma quantidade enorme de informações. Diferentemente dos modelos de linguagem, essas máquinas precisam aprender movimentos físicos, como segurar objetos frágeis ou evitar que um copo caia.

Jacqueline Du, analista da Goldman Sachs em Hong Kong, afirmou que “as empresas líderes agora estão em torno de 500 mil” horas de dados coletados.

Leia mais:

A China abriu 64 centros de coleta de dados e tem outros 20 em construção. Esses espaços reproduzem ambientes como supermercados, escritórios, fábricas e residências.

“É aqui que os EUA não têm nenhuma vantagem”, afirmou Gan Ruyi, chefe de algoritmos da X Square Robot. Segundo ele, a capacidade chinesa de organizar trabalhadores e colocar máquinas em larga escala pode ser um diferencial.

Nos Estados Unidos, empresas como Tesla, Figure AI, Apptronik e Agility Robotics também avançam com testes. A Figure AI divulgou uma demonstração em que seus robôs separaram quase 60 mil pacotes durante 50 horas de transmissão ao vivo, em velocidade próxima à de um trabalhador humano.

Empresas chinesas criticaram o teste por considerarem o ambiente muito controlado. Para Ai Wen, diretor de projetos da Agibot, “a demonstração da Figure ainda está em um laboratório”, enquanto os robôs chineses seriam treinados diretamente em linhas de produção.

De acordo com a Bloomberg, o futuro dos humanoides dependerá da capacidade de transformar experiências do cotidiano em aprendizado para máquinas cada vez mais autônomas.

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IA vira motor de negócios bilionários para bancos de Wall Street

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma aposta tecnológica e passou a movimentar grandes operações financeiras. Bancos de investimento estão participando de captações, empréstimos e negócios ligados à expansão da infraestrutura necessária para sistemas de IA.

Segundo a Reuters, as instituições avaliam que esse ciclo de investimentos pode durar vários anos, embora o mercado ainda discuta se os valores das empresas de tecnologia estão em níveis sustentáveis.

Grandes bancos acompanham o avanço da IA e projetam um ciclo de investimentos que pode durar vários anos. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Grandes negócios de IA movimentam bancos de investimento

A corrida para ampliar a capacidade computacional já gerou operações bilionárias no mercado financeiro. Entre os exemplos citados pela Reuters estão a oferta de American Depositary Receipts (ADRs) da fabricante de chips SK Hynix, avaliada em US$ 26,5 bilhões (cerca de R$ 143 bilhões), e o IPO da SpaceX, que chegou a US$ 86 bilhões (aproximadamente R$ 464 bilhões).

Os bancos também passaram a financiar projetos de infraestrutura, principalmente relacionados à construção de data centers e ao aumento da capacidade de processamento necessária para aplicações de inteligência artificial.

Durante uma teleconferência de resultados, o CEO da Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que “a construção da infraestrutura de IA ainda está em seus estágios iniciais” e que esse ciclo de investimentos deve continuar impulsionando atividades estratégicas, financiamentos e formação de capital.

Para Solomon, o setor está no meio de um “superciclo de investimentos em IA”, com empresas buscando diferentes formas de financiamento para sustentar seus projetos.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data centers estão no centro da expansão da inteligência artificial e dos novos aportes bilionários do mercado. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Gastos com data centers crescem nas projeções do mercado

O entusiasmo dos bancos convive com uma preocupação entre investidores. Em julho, ações de empresas de tecnologia, especialmente fabricantes de chips, sofreram pressão diante dos questionamentos sobre as altas avaliações do setor.

Mesmo com essa cautela, as previsões de gastos com infraestrutura continuam aumentando. Segundo Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, as estimativas para investimentos em data centers subiram nos últimos meses:

  • A previsão para 2026 passou de US$ 575 bilhões (cerca de R$ 3,1 trilhões) para aproximadamente US$ 850 bilhões (R$ 4,6 trilhões);
  • A expectativa para 2027 aumentou de US$ 700 bilhões (R$ 3,8 trilhões) para US$ 1,3 trilhão (R$ 7 trilhões);
  • O investimento em 2028 pode alcançar US$ 1,5 trilhão (R$ 8,1 trilhões);
  • O Morgan Stanley estima que os gastos ligados à IA podem chegar a US$ 10 trilhões (R$ 54 trilhões) em vários anos.
Ilustração de caixa de texto para prompt em plataforma de inteligência artificial
O avanço dos sistemas de IA exige mais infraestrutura, energia e centros de processamento em escala global. – Imagem: S and V Design/Shutterstock

Bancos ampliam atuação enquanto acompanham riscos

A inteligência artificial também ganhou espaço nas conversas entre executivos do setor financeiro. A CEO do Citi, Jane Fraser, afirmou que a tecnologia está “dominando muitas das conversas”, principalmente devido ao aumento dos gastos em tecnologia, data centers, energia e defesa.

O Bank of America concedeu uma linha de crédito de US$ 520 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) para a OpenAI. A instituição também afirma ter ajudado empresas relacionadas à IA a levantar quase US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,7 trilhões) desde 2025.

Leia mais:

Para Stephen Biggar, diretor de pesquisa de serviços financeiros da Argus Research, o ciclo de investimentos já influencia diferentes áreas do mercado. “O superciclo de investimentos impulsionado pela IA beneficiou emissões de ações, atividades de fusões e aquisições e financiamentos de dívida”, afirmou.

Jeremy Barnum, diretor financeiro do JPMorgan Chase, destacou que a expansão dos data centers também movimenta setores indiretos, como construção e serviços especializados.

Segundo a Reuters, o aumento dos investimentos em inteligência artificial abriu uma nova frente de negócios para Wall Street, mas o mercado ainda acompanha se esse ritmo de expansão continuará nos próximos anos.

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Supercomputador crava favorito para a final da Copa 2026

Faltam poucos dias para a final da Copa do Mundo de 2026, mas uma projeção já chama atenção. Segundo o supercomputador da Opta, a Espanha chega à decisão contra a Argentina com as maiores chances de levantar a taça.

O confronto será disputado neste domingo (19), em Nova Jersey, e também marcará a estreia de um show no intervalo em uma final de Mundial, além da presença confirmada de Donald Trump.

Espanha busca o segundo título mundial, enquanto a Argentina tenta conquistar a quarta taça da história. – Imagem: Paparacy/Shutterstock

Supercomputador coloca a Espanha na frente

Os números colocam a seleção espanhola como favorita antes mesmo de a bola rolar. De acordo com o supercomputador da Opta, a Espanha, líder do ranking europeu, tem 56,05% de probabilidade de vencer a partida no tempo regulamentar.

A Argentina, primeira colocada da América do Sul e atual detentora de três títulos mundiais, aparece com 43,95% de chances de conquistar a vitória nos 90 minutos.

Caso a projeção se confirme, os espanhóis conquistarão o segundo título mundial da história. Já os argentinos tentam levantar a quarta taça.

Supercomputador TX-GAIN do MIT redefine limites da inteligência artificial
Espanha x Argentina: a projeção do supercomputador aumenta a expectativa para a decisão. – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com

Tudo o que já está confirmado para a decisão

A final será disputada no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. Durante a Copa, o estádio recebeu temporariamente o nome de New York-New Jersey Stadium e tem capacidade para até 82.500 torcedores. O local também recebeu a final e as duas semifinais da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025.

O último encontro entre Espanha e Argentina aconteceu em 27 de março de 2018, em um amistoso disputado no Estádio Wanda Metropolitano, em Madri. Naquela ocasião, os espanhóis venceram por 6 a 1.

Confira os principais detalhes da final:

  • Data: domingo, 19 de julho;
  • Horário: 16h (horário de Brasília) e 19h (GMT);
  • Local: MetLife Stadium (New York-New Jersey Stadium);
  • Espanha busca o segundo título; Argentina tenta conquistar o quarto.

Show de intervalo será uma estreia na Copa

Pela primeira vez, uma final de Copa do Mundo terá um show de intervalo inspirado no formato do Super Bowl.

Madonna, Justin Bieber, Shakira, BTS, Burna Boy, Gustavo Dudamel e o coral PS22, com participação do Coldplay, estão entre as atrações previstas. A apresentação deve durar cerca de 11 minutos, enquanto o intervalo poderá ser estendido para até 30 minutos.

Antes da partida, uma cerimônia de encerramento começará 90 minutos antes do apito inicial. Tom Cruise, Robbie Williams e Nicole Scherzinger estão entre os artistas esperados. A FIFA também confirmou a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deverá entregar o troféu ao campeão.

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Segundo a Opta, a Espanha tem mais chances de vencer, mas a decisão será definida dentro das quatro linhas. – Imagem: kovop/Shutterstock

Mundial de 2030 já tem sedes definidas

Após a decisão deste domingo, as atenções se voltarão para a Copa do Mundo de 2030, que será realizada em Marrocos, Espanha e Portugal. Como parte das comemorações pelos 100 anos do torneio, também haverá partidas no Uruguai, na Argentina e no Paraguai. A cidade da final ainda será definida, embora Madri apareça como a principal candidata.

Se a previsão do supercomputador da Opta se confirmar, a Espanha encerrará a Copa de 2026 com o segundo título mundial de sua história. Mas, antes do apito final, os números continuarão sendo apenas uma projeção diante de uma das decisões mais aguardadas do futebol.

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29 países criam aliança global para discutir os rumos da inteligência artificial

Vinte e nove países assinaram nesta quinta-feira (16) um acordo para estabelecer a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, entidade intergovernamental destinada a ampliar a colaboração internacional e discutir regras globais para o setor.

A cerimônia de assinatura ocorreu em Xangai, na China, antes da Conferência Mundial de Inteligência Artificial, evento em que Pequim pretende apresentar sua visão sobre o papel do país na definição dos rumos da governança da tecnologia.

Entre os signatários estão Rússia, Belarus, Sérvia, Cuba, Brasil e Venezuela, além de dez países africanos e doze nações asiáticas. A sede da nova organização ficará em Xangai, conforme informou a agência estatal chinesa Xinhua.

Novo organismo nasce com proposta de ampliar coordenação internacional sobre IA

China mapa – Imagem: superbeststock/Shutterstock

A criação da entidade foi proposta pela China durante a edição anterior da Conferência Mundial de Inteligência Artificial, mas, até então, nenhum país havia anunciado oficialmente sua adesão como membro fundador.

O acordo firmado reúne governos que pretendem participar de uma estrutura multilateral voltada ao debate sobre inteligência artificial em escala internacional. A iniciativa surge em meio ao avanço acelerado da tecnologia e às discussões sobre como estabelecer mecanismos de cooperação entre diferentes países.

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Influência da IA na China – Imagem: Pixels Hunter / Shutterstock.com

A assinatura ocorreu na véspera da participação prevista do presidente chinês Xi Jinping na conferência anual realizada em Xangai. Segundo a programação divulgada, o líder chinês deve apresentar uma proposta mais ampla sobre a atuação de Pequim na formulação de diretrizes internacionais para a inteligência artificial.

Com a formalização do acordo, a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial passa a contar com seus primeiros integrantes oficiais. O grupo fundador reúne países de diferentes regiões, incluindo representantes da Europa, Ásia, África e América Latina.

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Samsung enfrenta nova investigação que envolve Google e Nvidia

Samsung passou a ser alvo de uma investigação comercial nos Estados Unidos após uma denúncia apresentada pela Netlist. O caso envolve chips de memória presentes em servidores que sustentam boa parte dos serviços de inteligência artificial.

Segundo a Reuters, a apuração também alcança produtos vendidos por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer que utilizam esses componentes.

A denúncia da Netlist coloca memórias DRAM da Samsung no centro de um novo embate bilionário no setor de IA. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock

Caso ganha força em meio ao avanço da IA

A Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC) abriu um processo para investigar se chips de memória da Samsung infringem patentes registradas pela americana Netlist. A denúncia envolve memórias DRAM (Dynamic Random Access Memory), responsáveis pelo armazenamento temporário de dados utilizados pelos processadores.

Na prática, esses componentes são indispensáveis para os servidores que operam aplicações de IA em grandes data centers.

A Netlist solicita que a USITC bloqueie a importação dos chips contestados e dos produtos que os utilizam, além de impedir sua comercialização no mercado americano.

Uma disputa que vem de longe

O processo é mais um desdobramento de uma batalha judicial travada há anos entre as duas empresas por tecnologias de memória de alto desempenho.

Em 2024, um júri do Texas determinou que a Samsung pagasse US$ 118 milhões (cerca de R$ 601,8 milhões) à Netlist por infringir patentes relacionadas ao processamento de dados em memórias. Um ano antes, outra decisão fixou uma indenização de US$ 303 milhões (aproximadamente R$ 1,55 bilhão) em um caso semelhante.

Agora, caberá a um juiz da USITC analisar as provas e apresentar uma decisão inicial, que ainda poderá ser revisada pela comissão.

Google VS Nvidia
Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer também aparecem no caso por venderem produtos com os chips investigados. – Imagem: Evolf / Shutterstock

Mercado acompanha os próximos passos

Não por acaso, a investigação ocorre justamente quando cresce a procura por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Empresas de tecnologia aceleram investimentos em data centers, elevando a demanda por memórias produzidas por Samsung, SK Hynix e Micron. Segundo a Reuters, esse movimento também contribuiu para aumentar os preços desses componentes.

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A USITC deverá definir, em até 45 dias, o cronograma do caso. Se decidir restringir a importação ou a venda dos produtos investigados, a medida entrará em vigor imediatamente e poderá ser revertida apenas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos dentro do prazo de 60 dias.

Ilustração de chip de inteligência artificial sobre circuito eletrônico.
O caso coloca sob os holofotes um dos mercados mais estratégicos da atualidade: os chips para inteligência artificial. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Decisão pode afetar toda a cadeia

A abertura do processo não significa que houve violação das patentes, mas coloca sob pressão uma cadeia de fornecimento estratégica para o setor de IA.

Enquanto a comissão analisa os argumentos apresentados por Netlist e Samsung, fabricantes e empresas que utilizam essas memórias acompanham o caso de perto. O desfecho poderá influenciar não apenas as duas companhias, mas também um mercado cada vez mais dependente de servidores e data centers para atender ao avanço da inteligência artificial.

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