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Corretora integra agente de IA para fazer investimentos e compras por você

Nesta quarta-feira (27), a plataforma Robinhood iniciou a oferta de uma nova funcionalidade que integra agentes de inteligência artificial às contas de investimento dos clientes. A ferramenta permite que sistemas externos, como modelos de IA e agentes de código, acessem fundos dedicados para executar operações financeiras de forma automatizada.

Segundo a empresa, o recurso também se estende ao cartão de crédito virtual vinculado ao serviço Gold, ampliando o alcance das decisões automatizadas para compras e pagamentos. O usuário pode determinar limites, condições de gasto e até exigir aprovação individual para cada transação.

A iniciativa surge em um contexto de expansão do uso de inteligência artificial no setor financeiro e tem como objetivo ampliar o controle automatizado sobre investimentos e consumo, mantendo camadas de segurança e supervisão ativa do cliente.

Para quem tem pressa:

  • A Robinhood passou a permitir que agentes de IA executem operações em contas de investimento e em cartões virtuais, dentro de limites definidos pelo usuário;
  • O sistema atua inicialmente apenas com ações e compras controladas, com notificações e possibilidade de desligamento a qualquer momento;
  • A empresa vê a novidade como parte da expansão da IA no setor financeiro, com foco em automação e maior controle do usuário.

Entenda como funciona o novo sistema e suas limitações

Agente de IA que faz investimentos na sua conta financeira na Robinhood – (Divulgação: Robinhood)

A nova ferramenta da Robinhood permite que agentes de inteligência artificial, como sistemas desenvolvidos por empresas externas, sejam conectados a uma conta separada destinada a investimentos. Nesse ambiente controlado, a IA pode executar ordens de compra e venda de ações conforme instruções definidas pelo usuário.

De acordo com a empresa, esse acesso não se estende, por enquanto, a derivativos, criptomoedas ou contratos de eventos; no entanto, há previsão para ampliar essas funcionalidades no futuro. Cada operação realizada pelo agente gera uma notificação imediata ao cliente, que também pode desconectar o sistema quando desejar.

Além do mercado de ações, o recurso foi expandido para o cartão de crédito virtual do serviço Gold. Nesse caso, a IA pode buscar por preços mais baixos, monitorar disponibilidade de produtos e até realizar compras dentro de parâmetros definidos, como passagens aéreas, reservas de restaurantes ou ingressos para eventos.

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Segurança, controle e objetivos da empresa

Vantagens também foram atribuídas ao cartão virtual da assinatura Gold
Vantagens também foram atribuídas ao cartão virtual da assinatura Gold – (Divulgação: Robinhood)

A companhia afirma que o sistema foi desenhado para preservar a autonomia do usuário, com mecanismos de limite de gastos e opções de supervisão total das operações. Isso inclui a possibilidade de exigir autorização prévia para cada transação realizada pelos agentes automatizados.

Executivos da empresa, entre eles o vice-presidente de gestão de produtos e o responsável pela área de pagamentos, destacaram que o recurso foi pensado para tornar o uso de inteligência artificial mais seguro e funcional dentro do ecossistema financeiro digital.

O movimento também reflete uma tendência mais ampla do mercado financeiro, no qual instituições vêm incorporando ferramentas de inteligência artificial para análise de portfólios, recomendações de investimento e automação de tarefas financeiras cotidianas.

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OpenAI investe mais de R$ 1 bilhão contra impacto da IA no emprego

A Fundação OpenAI, braço sem fins lucrativos que controla a criadora do ChatGPT, anunciou o compromisso inicial de destinar US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,270 bilhão) para ajudar o mercado de trabalho a enfrentar os impactos da automação. O montante será distribuído por meio de subsídios, parcerias e ações diretas focadas em mitigar os efeitos da inteligência artificial na economia global.

Foco no trabalhador e simulações econômicas

De acordo com informações obtidas pela Reuters, este é o primeiro grande investimento com esse propósito realizado pela organização. Os recursos serão direcionados para frentes de pesquisa e suporte prático:

  • Impacto no emprego: financiamento de estudos aprofundados sobre como a IA está transformando o mercado de trabalho.
  • Suporte a demitidos: auxílio direto a profissionais e comunidades afetadas pelo deslocamento de mão de obra no curto prazo.
  • Distribuição de renda: exploração de novas alternativas para pulverizar os ganhos econômicos gerados pela tecnologia.
  • Modelagem de cenários: apoio a projetos que utilizam simulações computacionais avançadas para prever a evolução das economias locais à medida que as ferramentas evoluem.

Urgência diante das demissões no setor técnico

Em comunicado oficial, a fundação destacou o senso de urgência por trás do investimento: “O ritmo atual das mudanças significa que a janela de oportunidade para acertar é menor do que estamos acostumados, e o custo de errar é profundo”.

O avanço de sistemas de IA capazes de automatizar tarefas técnicas complexas – como a escrita de códigos de programação – intensificou o temor de desemprego em massa. Gigantes do mercado e do setor financeiro, como a Block e o Standard Chartered, já citaram publicamente o ganho de eficiência com inteligência artificial como uma das justificativas para demissões recentes de pessoal.

Uma das maiores instituições de caridade do mundo

A estrutura financeira por trás da organização é robusta. A Fundação OpenAI passou a deter uma participação de 26% na divisão comercial da startup após uma reestruturação societária. Na época da transição, essa fatia foi avaliada em US$ 130 bilhões, o que posiciona a entidade como uma das maiores organizações filantrópicas do planeta.

Além deste fundo de US$ 250 milhões, a OpenAI já havia firmado o compromisso de investir ao menos US$ 1 bilhão por meio de seu braço sem fins lucrativos em projetos globais correlatos, incluindo iniciativas voltadas para ciências da vida e programas comunitários.

As primeiras ações práticas do novo fundo de amparo aos trabalhadores devem ser detalhadas ainda este ano. A fundação informou que está montando uma equipe interna própria para gerenciar e executar os programas de maneira direta, deixando de atuar apenas como uma intermediária na distribuição de verbas para outras ONGs.

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NASA testa chip de IA revolucionário para missões espaciais autônomas

A NASA completou a primeira rodada de testes ambientais do seu novo processador High Performance Spaceflight Computing (HPSC), um chip de inteligência artificial (IA) desenvolvido para dar às futuras naves espaciais capacidade de processamento autônomo. O sistema promete entregar 100 vezes mais poder computacional que os processadores atualmente em uso.

O desenvolvimento responde à crescente necessidade de sistemas que operem com mínima supervisão humana, especialmente em missões à Lua e Marte, onde os atrasos de comunicação dificultam o envio e recebimento rápido de dados. Segundo a NASA, sistemas autônomos podem acelerar o retorno científico por meio de análise de dados mais rápida.

O HPSC foi criado a partir de uma parceria entre o programa Game Changing Development da NASA e a empresa Microchip Technology, do Arizona (EUA). O processador é endurecido contra radiação para resistir às condições extremas do espaço, incluindo temperaturas severas e altos níveis de radiação que podem causar erros ou levar naves ao “modo de segurança”.

Sistema compacto com poder de processamento avançado

  • O processador utiliza arquitetura sistema-em-um-chip (SoC), integrando em um único microchip todos os elementos essenciais de computação: unidades de processamento central, descarregamentos computacionais, unidades de rede avançadas, memória e interfaces de entrada/saída;
  • Apesar do formato compacto, semelhante aos chips de smartphones, os SoCs da NASA são especificamente projetados para operar por anos a milhões de quilômetros da Terra;
  • “Construindo sobre o legado de processadores espaciais anteriores, este novo sistema multinúcleo é tolerante a falhas, flexível e de desempenho extremamente alto“, afirmou Eugene Schwanbeck, gerente do programa GCD da NASA. “O compromisso da NASA em avançar a computação de voo espacial é um triunfo de realização técnica e colaboração”;
  • Além do poder computacional, o HPSC oferece processamento de fluxo de dados de IA com capacidades de computação vetorial escaláveis;
  • O sistema é adaptável em consumo de energia, permitindo desligar funções não utilizadas ou operá-las em modo de baixa potência, otimizando a eficiência energética em missões com diferentes requisitos.
Novo chip tem mostrado desempenho 300 vezes superior – Imagem: Ryan Lannom/NASA/JPL-Caltech

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Testes rigorosos do chip de IA da NASA mostram desempenho 500 vezes superior

Os testes no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA simulam as condições que os chips enfrentarão no espaço. Técnicos submetem os processadores a radiação eletromagnética, temperaturas extremas e choques, replicando os efeitos de partículas solares e raios cósmicos que podem causar falhas nos sistemas.

“Estamos submetendo esses novos chips a um teste exaustivo, realizando testes de radiação, térmicos e de choque, enquanto também avaliamos seu desempenho por meio de uma rigorosa campanha de testes funcionais”, disse Jim Butler, gerente de projeto de Computação Espacial de Alto Desempenho no JPL. “Para simular o desempenho no mundo real, estamos usando cenários de pouso de alta fidelidade de missões reais da NASA.”

Os testes iniciaram em fevereiro e continuarão por vários meses. Até agora, os engenheiros observaram que o processador opera com desempenho 500 vezes superior aos chips endurecidos contra radiação atualmente utilizados. Uma vez certificado para voos espaciais, a NASA planeja incorporar o HPSC em orbitadores, rovers, habitats e missões do espaço profundo.

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A aliança inédita entre Anthropic e Vaticano que busca impor limites à IA

O papa Leão XIV criticou o avanço da inteligência artificial (IA) e a concentração de poder em big techs na sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas”. Durante o evento no Vaticano, o cofundador da Anthropic, Christopher Olah, disse que o desenvolvimento da IA não pode ficar restrito às empresas.

Para o pontífice, a IA precisa estar submetida às “mais rigorosas restrições éticas”, especialmente no que diz respeito a aplicações militares. E Olah defendeu maior supervisão de governos, líderes religiosos e da sociedade civil sobre a tecnologia.

Governança da IA exige fiscalização externa e debate ético mundo afora

Sendo o único representante de uma empresa de tecnologia convidado para o evento no Vaticano, Olah justificou sua presença destacando sua trajetória dedicada à segurança da IA e o diálogo frequente que mantém com comunidades religiosas. O executivo disse já ter debatido os dilemas éticos trazidos pela tecnologia com integrantes de mais de 15 religiões ao longo de sua carreira.

Cada laboratório de IA opera dentro de um conjunto de incentivos e restrições que às vezes podem conflitar com fazer a coisa certa“, apontou Olah ao ressaltar que mesmo pesquisadores bem-intencionados são afetados por essas forças comerciais e geopolíticas. 

Christopher Olah foi o único representante de uma empresa de tecnologia convidado para o evento no Vaticano – Imagem: Reprodução/redes sociais

Diante disso, ele reforçou a necessidade de auditoria externa. E alertou para “uma possibilidade real” de a IA substituir postos de trabalho em larga escala. “Se isso acontecer, apoiar aqueles que forem deslocados será um imperativo moral de proporções históricas”, declarou o canadense.

O cofundador da startup também direcionou críticas à autossuficiência do meio técnico e expressou preocupação com o atual estágio de evolução dos grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês). “Alguns podem acreditar que as questões de IA são mais bem tratadas por cientistas da computação como eu. Eles estão enganados.” 

O especialista também demonstrou apreensão com o ritmo do setor: “Acho que este é um momento assustador. As coisas estão mudando rápido. É uma tecnologia realmente poderosa“. Olah complementou afirmando que “existe o risco de as coisas correrem mal, e cabe a todos nós empurrar isso numa boa direção”.

Papa Leão XIV acenando com multidão ao redor
O papa Leão XIV criticou o avanço da IA e a concentração de poder em big techs na sua primeira encíclica – Imagem: Riccardo De Luca/Shutterstock

O papa Leão XIV agradeceu a Olah pela oportunidade de “juntos encontrarmos o caminho para a humanidade neste tempo de inteligência artificial”. Essa colaboração próxima entre a Igreja e um empresário do setor tecnológico foi classificada por especialistas como um fato sem precedentes. 

Estamos neste território estranho e desconhecido no qual a política, os negócios e agora a religião estão tão intimamente ligados uns aos outros“, analisou Margaret O’Mara, historiadora de tecnologia da Universidade de Washington, em entrevista ao The Washington Post

O’Mara relembrou que, em 1891, o papa Leão XIII publicou uma encíclica contra os impactos da Revolução Industrial e do capitalismo desenfreado sem contar com a cooperação de nenhum capitalista.

Essa convergência em Roma aprofunda o isolamento político da Anthropic em Washington, onde a empresa enfrenta forte oposição interna. Críticos alinhados à administração Trump, como o investidor Jason Calacanis, acusam o CEO da startup, Dario Amodei, de assustar o público desnecessariamente. 

O governo norte-americano adota uma postura de fomento acelerado à tecnologia para rivalizar com a China, colidindo frontalmente com as restrições contratuais exigidas pela Anthropic ao Pentágono para impedir o uso de seus modelos, como o recém-lançado Mythos, em sistemas de vigilância doméstica ou em armas autônomas.

(Essa matéria também usou informações da Reuters.)

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Chatbots de IA podem “prender” usuários ao passado

Os recursos de memória dos principais chatbots de inteligência artificial (IA) estão tornando as respostas mais personalizadas, mas também podem criar situações desconfortáveis. Usuários relatam que ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude passaram a insistir em informações antigas, interpretar dados de forma errada e até influenciar recomendações futuras com base em memórias desatualizadas.

O engenheiro de software Brian Del Rosario, que vive em Utah, nos Estados Unidos, contou ao Wall Street Journal que precisou avisar ao chatbot que havia se separado da esposa para evitar que a IA continuasse incluindo ela em planos de viagem. O problema é que, depois disso, o sistema passou a relacionar diversos assuntos ao divórcio.

ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot estão entre os chatbots de IA que oferecem recursos de memória e personalização – Imagem: jackpress / Shutterstock

Segundo ele, pedidos simples de ajuda com agenda ou desabafos sobre trabalho acabavam recebendo respostas ligadas à separação. “Eu não estava tentando fazer você opinar sobre meu divórcio a cada oportunidade”, afirmou.

Memória pode usar informações erradas

A proposta da memória em chatbots é simples: usar conversas anteriores para melhorar respostas futuras. O recurso foi adotado após o ChatGPT lançar sua versão em 2024. Desde então, concorrentes também passaram a oferecer sistemas parecidos.

Mas o mecanismo pode confundir informações. Um exemplo envolve alguém que pesquisa sintomas de TDAH para um filho e, semanas depois, recebe dicas de produtividade adaptadas para uma pessoa com dificuldades de atenção, como se o transtorno fosse do próprio usuário.

O Google reconheceu uma situação parecida em um exemplo divulgado pela empresa. Segundo a companhia, o sistema poderia concluir que alguém gosta de golfe após identificar várias fotos em campos esportivos, quando a pessoa apenas acompanhava o filho.

Pessoa segura smartphone com o aplicativo Gemini aberto, com logotipo do Google ao fundo
Gemini, chatbot de IA do Google, também conta com recursos de memória e personalização de respostas – Imagem: Poetra.RH / Shutterstock

A empresa afirma que passou a permitir que usuários mantenham a personalização ativa enquanto bloqueiam certas informações específicas. A OpenAI informou ter atualizado o funcionamento da memória para assinantes Plus e Pro. Já a Microsoft diz que usuários podem editar ou apagar lembranças armazenadas.

Informações antigas podem afetar recomendações

Outro problema citado é quando o chatbot continua usando dados que já não refletem mais a realidade da pessoa.

Um dos casos mencionados envolve alguém que informou estar treinando para uma maratona meses atrás, mas depois sofreu uma lesão no joelho sem atualizar a IA. Nesse cenário, sugestões de alimentação e exercícios continuariam voltadas para uma pessoa altamente ativa.

Del Rosario também relatou situação parecida após mencionar que tentava perder peso. Segundo ele, o chatbot passou a lembrar constantemente da dieta, inclusive em recomendações de restaurantes durante viagens.

Mike Taylor, consultor da empresa Every, também contou ter recebido sugestões de bares com cervejas típicas do Reino Unido depois de comentar que era britânico vivendo nos EUA. “Estou aqui pelos bares americanos, não pelos britânicos”, afirmou.

Especialistas veem risco em reforço de padrões

Joshua Joseph, cientista-chefe de IA do Berkman Klein Center, da Harvard University, comparou o funcionamento desses sistemas aos algoritmos de redes sociais. Segundo ele, pequenas interações podem alterar silenciosamente o tipo de resposta recebido no futuro.

Já Lucy Osler, professora da University of Exeter, afirmou que os chatbots podem acabar reforçando inseguranças e narrativas negativas sobre o próprio usuário.

Ela também alertou que a tendência das IAs de concordarem com as pessoas pode fortalecer pensamentos prejudiciais ou delirantes. O tema já motivou discussões sobre possíveis regras de segurança para adolescentes no uso dessas ferramentas.

As principais plataformas permitem desligar completamente a memória, apagar informações específicas ou usar conversas temporárias. Especialistas recomendam revisar regularmente os dados armazenados e evitar compartilhar informações sensíveis sem necessidade.

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IA impulsiona corrida por especialistas em cibersegurança

A expansão da inteligência artificial (IA) no setor de tecnologia está aumentando a procura por profissionais de cibersegurança, especialmente executivos e engenheiros capazes de lidar com falhas, ataques e proteção de dados. Empresas de recrutamento relatam uma disparada nas contratações diante do avanço de modelos de IA voltados à programação e à descoberta de vulnerabilidades em softwares.

Segundo executivos do setor ouvidos pelo The New York Times, a demanda cresceu nos últimos meses após o avanço de ferramentas capazes de gerar código automaticamente e identificar brechas em sistemas críticos. O movimento ocorre em meio a cortes de empregos em grandes empresas de tecnologia, que vêm redirecionando investimentos para projetos ligados à IA.

Busca por especialistas cresce após avanço de modelos de IA

Austin Cowan, headhunter da empresa de recrutamento executivo Heidrick & Struggles, afirmou que a companhia passou a receber uma quantidade muito maior de pedidos para encontrar profissionais com experiência em resposta a incidentes de segurança e revisão técnica de código.

Segundo ele, vagas que antes apareciam anualmente agora surgem semanalmente. Cowan atribuiu o cenário ao clima de incerteza provocado pela corrida da inteligência artificial.

A plataforma de empregos Glassdoor informou que as publicações de vagas em cibersegurança cresceram 11% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O aumento da procura ocorre porque empresas passaram a utilizar IA para gerar código em larga escala, prática que pode introduzir bugs e vulnerabilidades. Além disso, laboratórios de IA alertaram que modelos recentes podem facilitar a exploração dessas falhas por criminosos.

Modelos da Anthropic e OpenAI elevaram preocupação

Em abril, a startup Anthropic anunciou o modelo Mythos, descrito como altamente eficiente para encontrar e explorar falhas em softwares usados por redes elétricas, instituições financeiras e grandes empresas.

Pouco depois, a OpenAI revelou uma tecnologia semelhante, chamada GPT-5.4-Cyber. As duas empresas liberaram os sistemas apenas para grupos limitados de parceiros.

Modelos de gigantes da IA levantaram alerta de cibersegurança, especialmente o Mythos da Anthropic e o GPT-5.4-Cyber da OpenAI – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Michael Piacente, sócio-gerente da empresa de recrutamento Hitch Partners, afirmou que a procura por executivos técnicos de segurança aumentou entre cinco e sete vezes desde o segundo semestre do ano passado.

Segundo ele, a empresa precisou recusar parte dos pedidos devido à falta de profissionais qualificados disponíveis no mercado.

Engenheiros adaptam carreira para continuar competitivos

Lea Kissner, chefe de segurança da informação do LinkedIn, afirmou que o mercado para especialistas em segurança “está cada vez mais aquecido”. Ela disse que as empresas buscam profissionais com habilidades técnicas, capacidade de lidar com incertezas e conhecimento sobre infraestruturas corporativas complexas.

A executiva afirmou ainda que a IA aumentou a carga de trabalho das equipes de segurança e que ainda levará anos para que o setor compreenda como implementar uma segurança sustentável para sistemas baseados em inteligência artificial.

O movimento também tem levado profissionais a estudar IA para ampliar suas chances no mercado. Brian Gaudenti, engenheiro de segurança, contou que passou a usar ferramentas de IA para criar músicas, aplicativos e softwares após deixar seu emprego em novembro.

Segundo ele, incluir esses projetos no portfólio ajudou na conquista de uma nova vaga em uma startup de IA, onde passou a integrar a equipe de segurança.

Salários sobem com escassez de profissionais

Recrutadores afirmam que candidatos para cargos de alto nível em segurança passaram a ganhar maior poder de negociação. Cowan disse que pacotes salariais entre US$ 7 milhões e US$ 8 milhões se tornaram mais comuns para executivos da área.

Apesar do crescimento da cibersegurança e de áreas ligadas à IA, o setor de tecnologia segue registrando demissões em massa. A Meta demitiu cerca de 8 mil funcionários, o equivalente a 10% da equipe, enquanto a Amazon cortou 16 mil vagas em uma rodada recente de demissões.

Outras empresas, como Stripe, Snap e Block, também reduziram seus quadros nos últimos meses.

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Cofundador da Anthropic diz no Vaticano que IA não pode ficar apenas nas mãos das big techs

O desenvolvimento da inteligência artificial (IA) não pode ser deixado exclusivamente sob o controle das grandes empresas de tecnologia. O alerta foi feito por Chris Olah, cofundador da Anthropic, durante um evento no Vaticano nesta segunda-feira (25). De acordo com informações da Reuters, o executivo defendeu a urgência de uma maior supervisão externa, envolvendo governos, líderes religiosos e a sociedade civil organizada.

Olah participou da apresentação da primeira encíclica dedicada aos desafios da inteligência artificial. Sentado ao lado das autoridades católicas, o cofundador da empresa criadora do Claude afirmou que existe uma “possibilidade real” de a tecnologia substituir o trabalho humano em larga escala. Diante desse cenário, ele destacou que o suporte aos profissionais impactados se tornará um imperativo moral de proporções históricas.

Pressões comerciais e conflitos de interesse

O executivo admitiu abertamente que os principais laboratórios de IA do mundo operam sob fortes pressões comerciais, geopolíticas e pessoais. Segundo ele, esses fatores frequentemente entram em conflito com o que seria correto fazer para o bem comum da sociedade.

Mesmo os pesquisadores mais bem-intencionados acabam sofrendo a influência dessas forças de mercado. É por essa razão que, conforme relatado à Reuters, Olah considera o escrutínio de agentes externos indispensável para guiar a tecnologia em uma direção segura.

O evento marcou uma aproximação incomum entre o setor de tecnologia e a Igreja Católica, que vem tentando se posicionar como uma voz moral ativa diante dos rápidos avanços da IA.

O único representante do setor no Vaticano

A Anthropic foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI (criadora do ChatGPT), que deixaram a antiga companhia justamente por temerem que o desenvolvimento de ferramentas estivesse avançando rápido demais, sem os devidos testes de segurança.

Diferenciando-se de outras gigantes do setor, a Anthropic já enfrentou embates com a administração do presidente Donald Trump nos Estados Unidos ao insistir na implementação de barreiras de proteção. Essas travas limitam o uso de seus modelos de IA para fins militares, como o direcionamento autônomo de armas ou sistemas de vigilância doméstica.

Questionado pela Reuters sobre o motivo de ser o único representante de peso da tecnologia convidado para o evento, Olah apontou seu histórico de dedicação à segurança dos sistemas e sua interlocução constante com mais de 15 religiões diferentes para debater os impactos éticos da IA.

Um momento assustador: as três prioridades urgentes

Olah não escondeu sua preocupação com o ritmo atual das transformações e classificou o cenário atual como “um momento assustador”. Para o executivo, o público – especialmente os mais jovens – tem motivos legítimos para se preocupar com a velocidade e o poder dessa tecnologia.

Para evitar que a situação fuja do controle, o cofundador da Anthropic listou três frentes prioritárias que exigem atenção imediata do mundo:

  • Desemprego em massa: a necessidade de criar redes de apoio para conter o deslocamento da força de trabalho humana.
  • Desigualdade global: o desenvolvimento da IA hoje está concentrado em um pequeno grupo de nações ricas, tornando urgente o debate sobre como compartilhar esses ganhos globalmente.
  • Opacidade dos sistemas: o desafio técnico, ainda sem solução definitiva, de compreender e interpretar o comportamento cada vez mais complexo e “invisível” dos modelos avançados.

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Papa Leão XIV pede controle da IA em primeira encíclica

O papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) sua primeira carta encíclica, intitulada Magnifica Humanitas, documento em que faz um apelo pela proteção da dignidade humana diante do avanço da inteligência artificial (IA). Assinada em 15 de maio, a encíclica aborda impactos da tecnologia no trabalho, na comunicação, na política e em conflitos armados.

O texto foi apresentado no Vaticano com a presença do pontífice e de integrantes da cúpula da Igreja Católica, incluindo o cardeal Víctor Manuel Fernández, o cardeal Michael Czerny e o secretário de Estado Pietro Parolin. Também participaram as teólogas Anna Rowlands e Leocadie Lushombo, além de Christopher Olah, cofundador da Anthropic.

Texto assinado pelo papa Leão XIV foi divulgado pela Igreja Católica nesta segunda (25) – Imagem: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock

O que é uma encíclica?

  • Uma encíclica é um dos documentos mais importantes publicados por um papa.
  • Diferentemente de outros textos voltados principalmente à hierarquia da Igreja Católica, esse tipo de carta costuma ser direcionado também a “todas as pessoas de boa vontade”, abordando temas sociais, morais e políticos que afetam a humanidade.
  • Segundo o Vaticano, as encíclicas fazem parte do chamado Magistério Social da Igreja e buscam oferecer reflexões fundamentadas nas Escrituras e na tradição católica.
  • No caso de Magnifica Humanitas, o foco está nos impactos da inteligência artificial sobre a dignidade humana, o trabalho, a comunicação e os conflitos armados.

Encíclica relaciona IA à Doutrina Social da Igreja

Com 245 parágrafos divididos em cinco capítulos, a encíclica trata da “salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”. O documento retoma princípios da Doutrina Social da Igreja e estabelece paralelos entre a atual transformação tecnológica e os impactos sociais da Revolução Industrial discutidos na encíclica Rerum Novarum, publicada por Leão XIII em 1891.

Logo na introdução, Leão XIV afirma que a humanidade enfrenta uma “escolha decisiva” entre construir uma nova “torre de Babel” ou uma sociedade baseada na cooperação e na dignidade humana. O texto sustenta que a tecnologia não é um mal em si, mas também “não é neutra”, porque reflete os interesses de quem a desenvolve, financia e controla.

A encíclica defende ainda que o desenvolvimento tecnológico precisa ser acompanhado por regulamentação, mecanismos de responsabilidade e supervisão pública. O documento cita a necessidade de políticas capazes de conter os efeitos nocivos do poder tecnológico e critica a concentração dessas ferramentas nas mãos de poucos grupos econômicos.

Documento critica desemprego e “colonialismo de dados”

Entre os principais temas abordados está o impacto da IA sobre o trabalho. O papa afirma que a automação não pode justificar desemprego em massa nem precarização das relações trabalhistas. Segundo a encíclica, sistemas tecnológicos devem ser projetados com foco na pessoa humana, e não apenas em desempenho e lucro.

Mulher demitida carregando caixa para fora do escritório enquanto robô com inteligência artificial acena no fundo
Empresas de tecnologia têm usado avanço da IA para justificar demissões – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

O texto também critica novas formas de exploração ligadas à economia digital. A encíclica menciona o chamado “colonialismo de dados”, definido como o uso de informações pessoais e estratégicas para orientar interesses econômicos e ampliar desigualdades. Há ainda referências às condições de trabalhadores envolvidos na extração de minerais usados na indústria tecnológica.

Outro ponto destacado é a defesa de uma “ecologia da comunicação”, baseada em transparência, proteção de dados e combate à desinformação. O papa também pede uma educação voltada ao uso crítico das tecnologias digitais e alerta para riscos de dependência e controle social associados às plataformas digitais.

Papa condena armas autônomas letais

A encíclica dedica espaço à discussão sobre o uso militar da inteligência artificial. O texto condena armas autônomas letais e afirma que decisões sobre vida e morte não devem ser delegadas a algoritmos. Durante a apresentação do documento, Leão XIV resumiu essa preocupação ao declarar: “É preciso desarmar a IA”.

Segundo o Vaticano, o documento propõe superar a lógica da chamada “guerra justa” e reforçar mecanismos de diálogo internacional e cooperação multilateral. O texto afirma que a prosperidade tecnológica só contribui para a paz quando é distribuída de forma inclusiva e sustentável.

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Grok naufraga enquanto Musk tenta forçar seu uso

Novos dados revelam que o chatbot Grok, desenvolvido pela xAI de Elon Musk, teve presença quase inexistente no uso de inteligência artificial pelo governo americano em 2024. Um relatório da Reuters analisou mais de 400 exemplos de uso governamental de IA e encontrou apenas três menções ao Grok ou à xAI.

Em contraste, os modelos da OpenAI aparecem em mais de 230 exemplos, enquanto Google e Anthropic figuram dezenas de vezes cada. Quando o Grok aparece, é apenas para tarefas básicas como elaboração de documentos e gerenciamento de mídias sociais, sempre acompanhado de concorrentes como Microsoft e OpenAI.

Desempenho limitado em projetos governamentais

Em uma base de dados separada com projetos mais ambiciosos mas menor número de usuários, o padrão se repete. O Grok aparece apenas três vezes: duas para tarefas administrativas rotineiras na Election Assistance Commission e uma no Departamento de Energia, em um projeto piloto no Lawrence Livermore National Laboratory para resumos de documentos e pesquisas gerais.

A Reuters encontrou 140 entradas envolvendo Microsoft e OpenAI nesta base, além de pelo menos 10 entradas para Anthropic e dezenas para o Gemini do Google. Os dados não capturam agências de inteligência ou o Pentágono, onde a xAI conseguiu um contrato de US$ 200 milhões no ano passado e foi recentemente autorizada a operar em redes classificadas.

Fontes entrevistadas pela Reuters sugerem que a explicação é simples: o Grok não é tão bom quanto seus rivais. “Simplesmente não é o melhor modelo disponível”, disse uma fonte não identificada do Pentágono, acrescentando que funcionários tendem a preferir Gemini ou Claude.

Rankings públicos de modelos de IA corroboram essa visão. Anthropic, Google e OpenAI dominam as primeiras posições, enquanto o Grok raramente aparece entre os 10 melhores, exceto ocasionalmente em categorias de imagem ou vídeo.

A SpaceX incorporou a xAI; ambas são de Elon Musk – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Risco para o IPO da SpaceX

A situação é problemática para Musk e ainda mais para a SpaceX, que absorveu a xAI no início deste ano. Os documentos de IPO da empresa de foguetes mostram que ela colocou a IA – e especificamente o Grok – no centro de sua proposta para investidores.

A SpaceX afirma ter identificado “o maior mercado endereçável acionável da história humana”: uma oportunidade impressionante de US$ 28,5 trilhões. Praticamente todo esse valor estimado vem da IA, particularmente IA empresarial, não de foguetes ou satélites.

O desempenho do Grok em agências governamentais pode indicar como ele se sai em outros locais de trabalho. Como parte do esforço da xAI para conquistar clientes empresariais, Musk supostamente pressionou bancos a comprar assinaturas do Grok se quisessem participar do IPO da SpaceX.

Segundo a agência de notícias, em sua versão voltada ao consumidor, o Grok é deliberadamente desagradável. Musk posicionou o chatbot como uma alternativa menos tendenciosa e menos censurada a ferramentas como ChatGPT, mas isso se traduziu em um produto com padrões evidenciais frouxos, obsessão doentia por Musk e longo histórico de resultados ofensivos, conspiratórios e sexualizados.

O histórico do Grok inclui elogiar Adolf Hitler, questionar o número de mortos do Holocausto, espalhar milhões de deepfakes sexualizados não consensuais por todo o X, incluindo de crianças, e alimentar uma imitação racista e transfóbica da Wikipedia. Houve também a vez em que se chamou de “MechaHitler”.

A SpaceX parece entender o problema. Em seus documentos, a empresa alertou que os modos “picantes” ou “descontrolados” do Grok carregam “riscos elevados”, incluindo danos à reputação, escrutínio regulatório e processos judiciais. Como isso vai impactar o IPO? Vamos saber em breve.

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Autoridade da Coreia do Sul defende que riqueza da IA beneficie toda a sociedade

A Coreia do Sul precisa garantir que a riqueza gerada pela inteligência artificial traga benefícios para a população geral. A declaração foi feita pelo vice-primeiro-ministro do país, Bae Kyung-hoon, em um momento em que a nação asiática enfrenta fortes tensões trabalhistas na gigante Samsung e testemunha um rali histórico no mercado de ações impulsionado pela indústria de semicondutores.

Em entrevista concedida à CNBC, Bae afirmou que a era da IA acendeu um alerta global sobre como os lucros da tecnologia devem ser distribuídos, se a inovação vai agravar a desigualdade social e em que medida ela pode liderar demissões em massa. Ele defende que o objetivo de Seul é construir uma “sociedade inclusiva para a IA”, garantindo que ninguém seja deixado para trás.

“Os conflitos recentes entre trabalhadores e corporações podem ser vistos como parte dessa tendência mais ampla”, explicou o vice-premiê, referindo-se à Samsung.

Bae Kyung-hoon

Na empresa, uma greve de 18 dias planejada por trabalhadores sindicalizados foi suspensa após uma intervenção de última hora de autoridades governamentais para evitar o colapso na produção. Os funcionários exigiam a formalização de bônus em seus contratos e o repasse de 15% do lucro operacional da Samsung em formato de gratificações. Um acordo preliminar foi alcançado e segue em votação pelo sindicato.

Greve de 18 dias planejada por trabalhadores sindicalizados foi suspensa – Imagem: yllyso/Shutterstock

Para Bae, que também comanda o Ministério da Ciência e Tecnologia do país, os embates trabalhistas na era da IA não serão eventos isolados, já que superempresas tendem a concentrar cada vez mais mercado.

O rali dos semicondutores na Bolsa

A concentração de riqueza também se reflete no mercado financeiro. Impulsionado pelo boom da inteligência artificial, o índice Kospi, relacionado à bolsa de valores de Seul, aponta uma alta impressionante de mais de 86% em 2026, superando o ganho de 75% registrado no ano passado.

O movimento é liderado quase inteiramente por duas gigantes dos chips de memória:

  • Samsung: acumula uma valorização de quase 144% desde o início do ano.
  • SK Hynix: disparou quase 200% no mesmo período.

Questionado pela CNBC se essa dependência extrema do setor de tecnologia não seria uma fragilidade econômica, Bae defendeu que essas companhias sustentam um ecossistema gigante de fornecedores locais.

Além disso, ele revelou que a Coreia do Sul planeja avançar no próximo passo da indústria: a “IA física”. O termo refere-se à inteligência artificial incorporada diretamente no mundo real, como em robôs, veículos autônomos e maquinários industriais complexos capazes de sentir, raciocinar e agir fisicamente.

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