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Claude Fable 5 enfrenta limite de uso após superar expectativas da Anthropic

A Anthropic passou a aplicar nesta segunda-feira (20) novas regras de utilização do Claude Fable 5, estabelecendo diferentes condições de acesso conforme o tipo de assinatura dos usuários. A mudança ocorre após dificuldades para manter a disponibilidade estável do modelo desde seu lançamento.

Clientes dos planos Max e Team Premium receberam acesso incluído no pacote, mas com utilização limitada a metade da capacidade padrão. Já os assinantes Pro e Team Standard continuam dependendo de créditos para usar o recurso.

A empresa afirma que a alteração busca tornar a experiência mais previsível enquanto amplia sua infraestrutura computacional para acompanhar a procura pelo modelo. A capacidade poderá ser revista conforme novos recursos forem incorporados.

Entenda a nova política de acesso ao Claude Fable 5

Anthropic é a criadora do chatbot Claude – Imagem: Stockinq/Shutterstock

A partir das novas regras, usuários dos planos Max e Team Premium passaram a contar com o Claude Fable 5 dentro da própria assinatura, porém com uma restrição de uso equivalente a 50% da capacidade considerada padrão do modelo.

Para quem possui os planos Pro e Team Standard, a Anthropic manteve o sistema baseado em créditos. Como parte da transição, a companhia disponibilizou um crédito único de US$ 100 para utilização no Fable 5.

De acordo com a empresa, a alta procura pelo modelo foi o principal motivo para a revisão da política de acesso. A Anthropic informou que a demanda ultrapassou as previsões iniciais e dificultou a manutenção de uma oferta estável do serviço.

Antes da definição das novas condições, o acesso ao modelo passou por períodos de liberação, interrupção e retomada. A companhia também estendeu o período gratuito de uso mais de uma vez enquanto trabalhava na expansão da infraestrutura.

Segundo a Anthropic, a estratégia adotada foi liberar o acesso gradualmente, em vez de disponibilizar o modelo para todos os assinantes de uma única vez. A empresa afirmou que essa decisão teve como objetivo evitar uma experiência prejudicada por limitações técnicas.

Com a implementação das regras atuais, a criadora do Claude pretende reduzir alterações frequentes na disponibilidade do Fable 5 e oferecer maior previsibilidade aos usuários.

O que o Claude Fable 5 tem a oferecer?

notebook com várias linhas coloridas de código na tela
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Apresentado pela Anthropic como um modelo de quinta geração da linha Claude, o Fable 5 foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas em áreas como programação, análise de informações, interpretação visual e pesquisa científica. A empresa afirma que o sistema supera os modelos anteriores da própria companhia em diversos testes de capacidade, principalmente em atividades que exigem raciocínio prolongado.

Na área de desenvolvimento de software, o modelo ganhou destaque pela capacidade de atuar em projetos extensos. Segundo a Anthropic, testes iniciais mostraram que o Fable 5 conseguiu acelerar processos de engenharia, incluindo uma migração em uma base de código com 50 milhões de linhas que levaria mais de dois meses para ser realizada manualmente por uma equipe.

Outro avanço apontado pela empresa está no chamado trabalho de conhecimento, que envolve análise de documentos, interpretação de gráficos, tabelas e resolução de problemas complexos. Em avaliações voltadas ao raciocínio financeiro e analítico, a Anthropic afirma que o modelo apresentou desempenho superior entre sistemas avaliados.

O Fable 5 também recebeu melhorias na compreensão de imagens. A companhia destaca que o modelo consegue extrair informações precisas de figuras científicas, interpretar elementos visuais complexos e até reconstruir o código de uma aplicação a partir de capturas de tela.

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Google cria chip de IA secreto para deixar Gemini mais poderoso

O Google trabalha em um novo chip de IA que poderá ajudar a empresa a rodar modelos de inteligência artificial com mais eficiência. O projeto, chamado internamente de “Frozen v2”, deve ampliar a capacidade de processamento usada pelo Gemini.

Segundo a Reuters, o desenvolvimento faz parte da estratégia da companhia para enfrentar limitações de computação que já afetaram contratos do Google Cloud.

Google aposta em hardware próprio para acelerar o Gemini e ampliar sua capacidade na disputa pela liderança em inteligência artificial. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Frozen v2 terá partes do Gemini no próprio hardware

A principal novidade do chip é a possibilidade de incorporar elementos do Gemini diretamente ao hardware. A ideia é tornar a execução dos modelos mais eficiente, reduzindo a dependência de estruturas tradicionais de processamento.

Entre os detalhes divulgados estão:

  • O Google trabalha com previsão de uso do chip a partir de 2028;
  • O design ainda está sendo finalizado pelos engenheiros;
  • A eficiência pode ser de seis a dez vezes superior à dos atuais chips personalizados de IA da empresa;
  • O projeto será uma nova linha de hardware e não substituirá as TPUs.
Silhueta de pessoa com chip no lugar do cérebro, que também traz logotipo do Google
Google prepara uma nova geração de chips para IA em meio à crescente demanda por capacidade computacional. Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital

Google também enfrenta desafios com Gemini

O Frozen v2 não chega para eliminar as unidades de processamento tensorial (TPUs), tecnologia já utilizada pelo Google em tarefas de inteligência artificial. A proposta é criar uma alternativa especializada para atender às necessidades dos modelos mais avançados.

Leia mais:

Além da corrida por novos chips, o Google trabalha para aprimorar seus modelos de IA. A Reuters citou um relatório da Bloomberg segundo o qual a empresa adiou o lançamento de uma nova versão do Gemini após o sistema não atingir metas internas, principalmente em programação.

O desenvolvimento do Frozen v2 mostra que a disputa por inteligência artificial envolve não apenas criar modelos melhores, mas também construir a infraestrutura necessária para colocá-los em funcionamento.

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Como a IA ajuda terroristas a criarem bombas?

A inteligência artificial passou a ocupar um novo espaço nas estratégias de grupos terroristas, que, além de utilizarem a tecnologia para produzir propaganda e atrair seguidores, também recorrem a chatbots para pesquisas e preparação de bombas. O alerta consta em análises de organizações dedicadas ao monitoramento de ameaças digitais.

O levantamento da Tech Against Terrorism, observatório online apoiado pelo escritório de contraterrorismo das Nações Unidas, identificou que modelos de linguagem podem entregar informações consideradas aproveitáveis em parte das consultas feitas por usuários com base em situações associadas ao uso terrorista.

Os pesquisadores avaliaram mais de 2.300 solicitações enviadas a 27 sistemas de inteligência artificial e verificaram que 32% delas resultaram em respostas classificadas como utilizáveis. Quando os pedidos foram reformulados sob uma justificativa acadêmica, esse índice chegou a 42%.

Do uso de propaganda ao auxílio em etapas de preparação

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Nos últimos anos, organizações terroristas como Estado Islâmico e Al Qaeda passaram a empregar recursos de inteligência artificial principalmente para criar materiais de divulgação, incluindo vídeos, memes, podcasts e conteúdos destinados à radicalização de novos integrantes.

A utilização da tecnologia, porém, começou a aparecer em outras etapas. Especialistas apontam que casos recentes envolveram ferramentas de IA em atividades como planejamento, pesquisa, vigilância, representação visual de ações e produção de propaganda relacionadas a ataques registrados ou frustrados em diferentes países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Israel, Finlândia e Áustria.

As autoridades raramente divulgam detalhes sobre a participação exata dessas ferramentas em investigações, o que dificulta medir a extensão do fenômeno. Ainda assim, relatos apresentados em órgãos públicos indicam que suspeitos passaram a buscar em modelos de linguagem respostas relacionadas à fabricação de explosivos, justificativas ideológicas e validação de intenções violentas.

Pesquisadores também identificaram movimentos organizados em ambientes digitais. Estudos sobre apoiadores do Estado Islâmico e grupos de extrema direita apontaram discussões sobre maneiras de explorar sistemas de IA, compartilhar comandos de interação com chatbots e obter respostas específicas.

A análise dos pesquisadores Yuri Neves e Emily Klein, da organização Moonshot, identificou canais no Telegram voltados ao debate sobre inteligência artificial, incluindo grupos que compartilhavam instruções para manipular respostas dos sistemas e até dividiam custos de assinaturas de ferramentas.

A preocupação não está restrita a indivíduos isolados. Pesquisadores que analisaram a atuação do grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à Al Qaeda e baseado no Mali, levantaram a possibilidade de uso de IA em modificações relacionadas a drones.

O pesquisador Rueben Dass, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura, avaliou que a tecnologia passou a assumir parte do papel antes desempenhado por pessoas que atuavam como intermediárias virtuais entre organizações extremistas e potenciais autores de ataques.

Não acho que se possa dizer que os seres humanos tenham sido substituídos, mas, até certo ponto, esses atores isolados passaram a recorrer à IA, como o ChatGPT, para obter esse tipo de apoio”, explicou Rueben Dass, pesquisador da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em entrevista à Deutsche Welle.

Segundo Dass, a existência desses recursos não significa, necessariamente, que ataques se tornem mais bem-sucedidos. Para ele, o resultado de uma ação terrorista depende de vários fatores e não apenas da utilização de inteligência artificial.

O analista Moustafa Ayad, do Institute for Strategic Dialogue, no Reino Unido, afirmou que grupos ligados ao extremismo têm usado a tecnologia em diferentes níveis, desde materiais de comunicação até tentativas de contornar barreiras impostas pelos sistemas. “Também existe um grupo dedicado a tentar burlar os sistemas de IA (jailbreaking) e utilizá-los para apoiar o planejamento operacional e a preparação de ações.”

Tecnologia amplia velocidade e alcance de usuários mal-intencionados

Foto de silhueta de hacker encapuzado
Cibercriminoso – Imagem: iJeab/Shutterstock

Especialistas destacam que grande parte das informações buscadas por pessoas interessadas em cometer crimes violentos já existia antes da popularização da inteligência artificial. A diferença apontada está na facilidade de acesso, rapidez das respostas e possibilidade de interação contínua com os sistemas.

Para Adam Hadley, diretor da Tech Against Terrorism, a principal mudança está no formato conversacional dos modelos de linguagem, que podem funcionar como uma espécie de apoio interativo para usuários determinados a avançar em suas pesquisas.

O que esses modelos de IA mudam é a velocidade, a facilidade e a abrangência. Pessoas que antes não tinham tempo, recursos ou capacidade agora podem avançar muito mais longe e muito mais rápido”, disse Adam Hadley, diretor da Tech Against Terrorism, em declaração à Deutsche Welle.

Hadley também afirmou que a expansão desse tipo de ferramenta merece atenção especialmente diante do envolvimento crescente de adolescentes e crianças em processos de radicalização observados em países da Europa, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Emily Klein, pesquisadora da Moonshot, avaliou que a inteligência artificial não necessariamente cria novos terroristas, mas pode influenciar trajetórias de radicalização ao reforçar ideias extremistas já existentes.

Não há necessariamente evidências de que a IA esteja criando mais terroristas. A questão está mais relacionada à forma como a IA interage com as pessoas e influencia o percurso delas rumo à violência“, explicou Emily Klein, pesquisadora da Moonshot, em declaração reproduzida pela Deutsche Welle.

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Conheça a IA chinesa que deixa os Estados Unidos ansiosos

A startup chinesa Moonshot AI entrou no centro da disputa global por inteligência artificial após o lançamento do modelo Kimi K3 provocar forte repercussão no mercado e uma demanda acima da capacidade disponível. O movimento levou a empresa a suspender temporariamente novas assinaturas enquanto amplia sua infraestrutura e avança em seus planos de expansão.

Além da limitação operacional, a companhia trabalha na reorganização de sua estrutura societária para viabilizar uma eventual abertura de capital em Hong Kong e, paralelamente, busca captar novos recursos para financiar o crescimento. O interesse de investidores foi impulsionado pela recepção positiva ao novo modelo de IA.

O episódio também alimentou um debate no setor de tecnologia sobre a velocidade com que empresas chinesas reduzem a distância em relação às desenvolvedoras norte-americanas e sobre os impactos dessa competição para o mercado global de inteligência artificial.

Demanda supera previsões e empresa limita novas assinaturas

App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot – (Reprodução: Photo For Everything/Shutterstock)

A Moonshot informou que a procura pelo Kimi K3 ultrapassou as estimativas feitas pela companhia poucos dias após o lançamento do modelo. Segundo a empresa, o volume de solicitações passou a se aproximar do limite da infraestrutura disponível, o que motivou a interrupção temporária da entrada de novos assinantes.

A empresa afirmou que os clientes pagantes já existentes continuarão utilizando normalmente o serviço. Também anunciou que pretende dividir as futuras modalidades de assinatura, incluindo uma opção voltada especificamente para programação, como forma de distribuir melhor a capacidade computacional entre diferentes perfis de uso.

O Kimi K3 foi apresentado como um modelo de 2,8 trilhões de parâmetros e descrito pela Moonshot como o maior sistema de inteligência artificial de pesos abertos já lançado pela empresa. A companhia também sustentou que o modelo apresenta desempenho competitivo em diferentes avaliações técnicas, enquanto análises independentes apontaram resultados considerados fortes em algumas tarefas.

A elevada demanda ocorre em um momento em que modelos de grande porte exigem cada vez mais capacidade de processamento. Especialistas ouvidos pela Reuters observam que, embora sistemas de pesos abertos possam ser baixados e personalizados, o custo de infraestrutura torna improvável que a maioria dos usuários opere localmente um modelo desse porte.

Expansão financeira acompanha avanço tecnológico

Aplicativo da Kimi K3 em uma loja
Aplicativo da Kimi K3 em uma loja – (Reprodução: Robert Way/Shutterstock)

Ao mesmo tempo em que enfrenta o aumento da demanda, a Moonshot trabalha para fortalecer sua estrutura financeira. Fontes com conhecimento das negociações informaram à Reuters que a empresa reorganiza sua estrutura internacional como parte da preparação para uma eventual oferta pública inicial de ações em Hong Kong.

As mesmas fontes afirmaram que Goldman Sachs e China International Capital Corp participam das discussões sobre o possível IPO, embora o cronograma ainda permaneça indefinido. Procuradas pela agência, a Moonshot e o Goldman Sachs preferiram não comentar, enquanto a CICC não respondeu ao pedido de posicionamento.

Fundada em 2023 por Yang Zhilin, pesquisador que realizou estudos de doutorado na Carnegie Mellon University, a startup levantou mais de US$ 2 bilhões em maio com investidores como Meituan, China Mobile e CPE.

De acordo com documentos obtidos pela Reuters, o total captado ao longo de sua trajetória supera US$ 5,5 bilhões, enquanto uma nova rodada de até US$ 2 bilhões vem sendo buscada após a avaliação da empresa alcançar US$ 30 bilhões em junho.

Lançamento amplia debate sobre a disputa entre China e Estados Unidos

queda de braço entre robô humanoide americano e chinês
Além da corrida das IAs, China e EUA travam duelo na robótica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

A repercussão do Kimi K3 ultrapassou os aspectos técnicos e financeiros. O lançamento provocou uma ampla discussão entre investidores, executivos e analistas sobre a velocidade da evolução da inteligência artificial chinesa e seus efeitos sobre as empresas que lideram esse mercado nos Estados Unidos.

Para parte dos participantes desse debate, o novo modelo reforça a percepção de que as empresas chinesas avançam mais rapidamente do que o esperado na redução da distância tecnológica em relação às concorrentes norte-americanas.

Outra corrente argumenta que desempenho técnico não garante liderança comercial, especialmente para companhias que já construíram ecossistemas consolidados de produtos, clientes e desenvolvedores.

Em entrevista à Bloomberg Tech, Saam Motamedi, sócio da Greylock e investidor em OpenAI e Anthropic, defendeu que o desempenho do Kimi K3 não elimina as vantagens competitivas das empresas norte-americanas. “Acho que tanto a Anthropic quanto a OpenAI têm múltiplas vantagens competitivas. Elas possuem receitas muito significativas. São as empresas de crescimento mais rápido da história da humanidade.”

Na mesma entrevista, o investidor afirmou que OpenAI e Anthropic deixaram de atuar apenas como desenvolvedoras de modelos e passaram a operar negócios completos de inteligência artificial, com produtos próprios, ecossistemas de desenvolvedores e clientes corporativos.

Outro argumento ganhou força entre os investidores. A avaliação é de que modelos mais baratos e acessíveis podem reduzir a rentabilidade das empresas focadas exclusivamente em modelos de fronteira, mas ampliar o uso da inteligência artificial em diversos segmentos da economia.

Nesse cenário, fornecedores de infraestrutura, fabricantes de semicondutores e empresas de software poderiam ser beneficiados pelo crescimento da demanda decorrente da redução dos custos de utilização da tecnologia.

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Por que um supercomputador sabe mais de futebol que muita gente?

Acertar o campeão de uma Copa do Mundo nunca foi tarefa simples. Mesmo assim, antes de a bola rolar em 2026, o supercomputador da Opta acertou as quatro seleções que acabariam nas semifinais.

O resultado nasceu de milhares de simulações matemáticas alimentadas por um enorme volume de dados. Nada de bola de cristal: só estatística e poder de processamento.

Cada passe, finalização e desarme pode entrar na conta dos supercomputadores que fazem previsões para o futebol. – Imagem: Anton Vierietin/Shutterstock

O que está por trás das previsões

A ideia de tentar antecipar o resultado de uma partida existe há séculos. A diferença é que, hoje, praticamente tudo o que acontece em campo vira dado. Cada passe, finalização, desarme ou assistência pode entrar na conta.

É aí que entram os supercomputadores. Em vez de apostar na intuição, eles analisam milhões de informações e cruzam estatísticas sobre equipes e jogadores. No caso da Opta, o sistema combina inteligência artificial, modelos estatísticos e um amplo banco de dados para simular o torneio milhares de vezes e calcular as probabilidades de cada seleção.

Entre os fatores avaliados estão:

  • Desempenho recente das equipes;
  • Histórico de confrontos entre os adversários;
  • Estatísticas individuais dos jogadores;
  • Lesões, suspensões e outros fatores que podem influenciar cada partida.

Essas máquinas nasceram longe do futebol. O CDC 6600, lançado em 1964 e considerado por muitos o primeiro supercomputador, foi desenvolvido para aplicações científicas, como simulações nucleares, previsões meteorológicas e pesquisas aeroespaciais. Só décadas depois esse tipo de processamento passou a ser usado também no esporte.

Imagem de IA e outros ícones sendo tocados por um dedo humano
O sistema da Opta combina inteligência artificial, estatísticas e um enorme banco de dados para projetar cenários. Imagem: NicoElNino/Shutterstock

Por que um PC comum não consegue fazer o mesmo?

Antes do Mundial de 2026, a Opta simulou a competição 25 mil vezes. A Espanha aparecia com a maior probabilidade de conquistar o título, à frente de França, Inglaterra e Argentina.

As projeções mudavam conforme a Copa avançava. Cada rodada acrescentava novos dados ao modelo, que recalculava as probabilidades considerando apenas os cenários ainda possíveis. Depois das quartas de final, a França assumiu a liderança nas estimativas.

Na prática, um computador doméstico conseguiria executar parte desses cálculos. O problema é o tempo necessário e a quantidade de memória exigida. Já um supercomputador divide bilhões de operações matemáticas entre milhares de processadores funcionando em paralelo.

A Opta não divulga as características da máquina que utiliza. Como comparação, o El Capitan reúne mais de 11 mil unidades de processamento, cerca de 1,1 milhão de núcleos de CPU e 46 mil GPUs.

Bola de futebol dentro do gol
Mesmo com toda a tecnologia, um gol improvável ainda pode mudar completamente o rumo de uma partida. – Imagem: Rost-9D/iStock

O futebol continua desafiando os cálculos

O desempenho da Opta impressionou, mas as previsões trabalham apenas com probabilidades. Elas indicam o cenário mais provável, nunca um resultado garantido.

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A própria história do futebol mostra isso. O Fluminense escapou do rebaixamento em 2009 depois de uma arrancada improvável, enquanto o Palmeiras conquistou o Brasileirão de 2023 mesmo quando aparecia atrás nas projeções estatísticas.

Os modelos matemáticos tendem a ficar cada vez mais precisos, mas sempre haverá espaço para uma virada inesperada, um gol improvável ou uma atuação fora do comum. No fim das contas, a decisão continua acontecendo dentro das quatro linhas.

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Celulares com IA fazem tarefas sem abrir aplicativos

A inteligência artificial embarcada nos smartphones ganhou destaque durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai. Segundo matéria da AFP publicada no TechXplore, fabricantes apresentaram aparelhos capazes de executar tarefas por comando de voz, sem que o usuário precise abrir diversos aplicativos.

A proposta pode mudar a forma como usamos o celular, embora ainda encontre resistência de empresas que controlam algumas das maiores plataformas digitais.

A inteligência artificial quer transformar o smartphone em um verdadeiro assistente pessoal. – Imagem: MAYA LAB/Shutterstock

A promessa vai além dos aplicativos

Pelo menos três fabricantes levaram ao evento modelos equipados com agentes de IA. A ideia é transformar o smartphone em um assistente capaz de resolver tarefas sozinho, como comparar preços, organizar viagens, editar vídeos ou fazer pedidos de comida.

Entre os destaques estava o NaviX Ultra, da Nubia, equipado com o chatbot Doubao, desenvolvido pela ByteDance, dona do TikTok. Ao anunciar o aparelho, a empresa afirmou: Uma nova era dos smartphones com agentes de IA começa.”

O conceito não é exatamente novo. Um protótipo chamado “Doubao Phone” já havia demonstrado esse tipo de integração, mas acabou perdendo parte de suas funções depois que grandes plataformas restringiram o acesso do assistente.

As demonstrações incluíram recursos como:

  • Fazer pedidos de comida por comando de voz.
  • Comparar preços em diferentes lojas.
  • Organizar viagens e compras.
  • Editar vídeos e apoiar tarefas de produtividade.
Ilustração mostra ícones de aplicativos de delivery em um smartphone.
Fazer compras, pedir comida e editar vídeos, tudo sem aplicativos: essa é a aposta da nova geração de celulares. – Imagem ilustrativa gerada por IA

O desafio está fora do celular

Curiosamente, o maior obstáculo não é a inteligência artificial. O problema está na integração com aplicativos e serviços de empresas concorrentes, que nem sempre aceitam compartilhar esse acesso.

Para Kiranjeet Kaur, diretora associada de pesquisa da IDC, isso acontece porque as plataformas querem preservar o relacionamento direto com seus usuários. Elas perdem o controle para outra empresa.”

A especialista acrescenta que o setor ainda busca um modelo realmente eficiente. “Os agentes de IA são o sonho de todos, mas ainda não chegamos lá, afirma, lembrando que essas soluções ainda apresentam falhas em diferentes situações.

Segundo a imprensa especializada chinesa, citada pela matéria, o NaviX Ultra procura atuar em parceria com os aplicativos, sem tentar acessar sistemas de forma não autorizada.

Como usar apps para cuidar das plantas sem virar escravo do celular
Novos aparelhos prometem reduzir a necessidade de abrir aplicativos para executar ações do dia a dia. – Imagem criada com inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

A corrida está só começando

Outras empresas também apostam nesse caminho. A Honor apresentou o “Robot Phone”, equipado com uma câmera instalada em um pequeno braço robótico capaz de interpretar gestos, acompanhar músicas, fazer selfies e estabilizar vídeos. Já a startup StepFun revelou o STEPX Neo, integrado a serviços como Alipay e Didi para reunir compras, viagens, produtividade e edição de vídeos.

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Fora da China, Google e Brain Technologies também ampliam seus investimentos em celulares com inteligência artificial.

Marc Einstein, analista da Counterpoint Research, acredita que ainda não há um vencedor nessa disputa. Para ele, nos próximos cinco a dez anos, a relação entre usuários e smartphones poderá mudar profundamente, reduzindo a dependência dos aplicativos tradicionais e abrindo espaço para assistentes de IA cada vez mais presentes no cotidiano.

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Casa Branca passa a controlar acesso a modelos de IA de ponta

O governo Donald Trump deu novos passos para assumir o controle sobre o lançamento de modelos de inteligência artificial (IA) de fronteira, passando a ditar quais empresas e entidades têm acesso às versões mais recentes dessas ferramentas. A informação foi apurada pela CNBC com duas fontes familiarizadas com o assunto.

Até agora, essa decisão cabia às próprias empresas de IA estadunidenses. Anthropic e OpenAI eram as responsáveis por definir quem acessava seus modelos mais avançados — o que geralmente incluía grandes clientes corporativos.

A Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, o Mythos, a um grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing. A OpenAI, por sua vez, foi solicitada pela administração a restringir o lançamento recente do GPT-5.6 e mantém um consórcio semelhante, chamado Daybreak, para seu modelo de cibersegurança.

Um oficial da Casa Branca disse à CNBC que o governo não fornece aprovações para lançamentos de IA de empresas privadas. Segundo o oficial, quaisquer engajamentos, testes ou reuniões com especialistas do governo são “voluntários” e “as decisões sobre o momento e o escopo dos lançamentos cabem inteiramente às empresas”. O oficial remeteu à CNBC o recente decreto executivo do presidente Trump.

“A administração continua colaborando com todos os laboratórios de fronteira estadunidenses para fortalecer a segurança dessa tecnologia sem sufocar a inovação”, escreveu o oficial.

Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, Mythos, a grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing – Imagem: gguy/Shutterstock

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Bloqueios e negociações

  • No mês passado, porém, o governo Trump bloqueou o Claude Mythos 5 e o Fable 5 por “preocupações de segurança nacional”, restabelecendo o acesso semanas depois, após negociações intensas com a Anthropic;
  • Também no mês passado, a OpenAI anunciou que limitaria novos modelos de IA a “parceiros confiáveis” para atender a pedidos do governo;
  • Em junho, Trump assinou um decreto executivo pedindo que as empresas dessem ao governo acesso antecipado a modelos para fins de teste;
  • Nesta semana, a administração lançou seu próprio programa, chamado “Gold Eagle”, voltado à colaboração com o setor privado para identificar e corrigir vulnerabilidades cibernéticas.

O chamado clearinghouse colocaria a Casa Branca no comando de aprovar quais empresas podem acessar novos modelos de IA, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato para discutir informações que não são públicas.

Segundo essa fonte, os lançamentos futuros exigirão aprovação explícita do governo para definir quais parceiros podem ser envolvidos. As iniciativas lideradas pelas empresas, como o Project Glasswing e o Daybreak, têm seu futuro em dúvida diante dessas movimentações.

O governo caminha sobre uma linha tênue em um momento em que ferramentas de IA sofisticadas representam riscos massivos de cibersegurança e modelos de código aberto mais baratos da China fecham rapidamente a distância em relação aos laboratórios estadunidenses de fronteira.

A startup chinesa Moonshot AI apresentou, nesta sexta-feira (17), seu modelo Kimi K3, que alcançou desempenho próximo ao do Fable e do GPT-5.6 e superou os modelos estadunidenses de fronteira em pelo menos um benchmark independente.

David Sacks, fundador da Craft Ventures e ex-czar de IA da Casa Branca, classificou o avanço como “preocupante”. “É assim que se perde a corrida da IA”, escreveu. “O resto do mundo não vai jogar pelas nossas regras se nos atolarmos.”

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A IA está ficando comum — e isso pode ser má notícia para a OpenAI

A inteligência artificial (IA) está se tornando um recurso cada vez mais acessível, com preços em queda, modelos mais eficientes e maior oferta de capacidade computacional. Para usuários e empresas, esse movimento tende a ampliar o acesso à tecnologia. Para líderes do setor, como OpenAI e Anthropic, porém, ele pode representar um desafio à sustentabilidade de seus negócios.

Segundo uma análise publicada pelo The Wall Street Journal, três acontecimentos recentes apontam para uma mesma direção: a IA está deixando de ser um recurso escasso e se aproximando de uma commodity, o que pode reduzir a vantagem competitiva das empresas que hoje lideram o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Modelos mais baratos ampliam acesso à IA

  • Um dos principais fatores por trás dessa transformação é a queda acentuada do custo da IA capaz de realizar a maior parte das tarefas do cotidiano;
  • Isso vem sendo impulsionado pelo lançamento de modelos mais leves, que funcionam tanto na nuvem quanto diretamente em dispositivos, incluindo soluções desenvolvidas por Google, Apple e empresas chinesas de IA;
  • Outro sinal dessa mudança veio da própria China. Na quinta-feira (16), o presidente chinês Xi Jinping defendeu, durante um discurso em Xangai, a continuidade da liberação de modelos de IA de “pesos abertos” (“open-weights”), que podem ser modificados e utilizados livremente por qualquer pessoa;
  • Segundo a análise, a estratégia busca servir de contraponto ao domínio dos Estados Unidos no setor;
  • Ao mesmo tempo, modelos chineses como GLM 5.2 e Kimi K3 estariam reduzindo a distância em relação aos sistemas mais avançados desenvolvidos por empresas estadunidenses.

Meta entra na disputa

Outro acontecimento destacado pela análise foi o avanço da Meta no desenvolvimento de modelos voltados para programação. Segundo o texto, a empresa demonstrou que pode competir diretamente com OpenAI e Anthropic em um mercado considerado altamente lucrativo: o de modelos especializados em geração de código.

Além disso, a expectativa é que o atual gargalo de capacidade computacional diminua à medida que novos data centers entrem em operação e engenheiros desenvolvam formas mais eficientes de executar modelos de IA.

Em algumas aplicações, a oferta de tokens — unidade básica de consumo dos modelos de IA — já começa a acompanhar a demanda.

Cenário favorece usuários, mas desafia líderes do setor

Na avaliação do artigo, esses avanços representam uma boa notícia para consumidores e empresas. Há cerca de um ano, o diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou que desejava tornar a inteligência “barata demais para ser medida”.

Segundo a análise, em vez de substituir completamente trabalhadores, a IA poderá aumentar a produtividade de muitas profissões e reduzir parte da chamada fricção digital nas atividades do dia a dia. O cenário, no entanto, levanta dúvidas sobre o futuro financeiro de OpenAI e Anthropic, ambas vistas como candidatas a abrir capital em bolsa.

Como dependem de manter uma vantagem tecnológica sobre gigantes já estabelecidas, as duas empresas podem enfrentar dificuldades caso a IA passe a ser tratada como uma tecnologia de uso geral, semelhante à eletricidade ou ao automóvel.

Concorrência reduz participação da OpenAI

Dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, citados pela análise, mostram que, em março, o ChatGPT passou a responder por menos de 50% da participação global entre usuários consumidores, considerando acessos via dispositivos móveis e web.

Segundo o texto, a redução ocorreu principalmente em razão da concorrência do Google Gemini e do Claude, da Anthropic.

No segmento corporativo, modelos chineses também passaram a competir diretamente com os principais sistemas estadunidenses, oferecendo desempenho semelhante em algumas métricas por custos significativamente menores.

O ranking da plataforma OpenRouter, citado na análise, mostra que os cinco modelos mais utilizados por empresas são atualmente chineses e que cerca de 45% dos tokens monitorados pela plataforma passam por esses modelos.

Modelos gratuitos intensificam disputa

A análise também destaca o lançamento de um modelo de pesos abertos pela Thinking Machines Lab, empresa liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI. Segundo a companhia, o sistema busca equilibrar desempenho e custo operacional.

O texto resume essa mudança com uma comparação: “Quem precisa de uma Ferrari de IA para ir ao trabalho quando um Honda Civic de IA está logo ali?”

Diante do avanço da concorrência, OpenAI e Anthropic aumentaram seus investimentos em engenheiros e acesso a data centers, mesmo com impacto sobre a rentabilidade. As empresas vêm comprometendo centenas de bilhões de dólares para manter a liderança tecnológica.

Ao mesmo tempo, clientes corporativos passaram a avaliar de forma mais criteriosa quanto realmente precisam investir em IA e quais modelos premium justificam seus custos.

Segundo a análise, OpenAI e Anthropic estudam a possibilidade de entrar em uma guerra de preços, embora empresas, como SpaceXAI, Meta e desenvolvedores chineses de modelos de código aberto, já tenham iniciado esse movimento.

Conhecimento sobre IA está se espalhando

Outro fator que acelera a transformação da IA em commodity é a disseminação do conhecimento sobre como construir modelos avançados.

Embora empresas continuem protegendo seus segredos industriais — a Apple, por exemplo, anunciou recentemente um processo contra a OpenAI por suposto roubo de propriedade intelectual relacionada à IA — pesquisadores continuam publicando estudos científicos descrevendo novos avanços.

Laboratórios chineses e empresas, como a Thinking Machines Lab, também divulgam regularmente modelos de código aberto acompanhados de documentação detalhando sua construção.

Distilação gera disputa

O texto também aborda a chamada “distilação”, técnica que consiste em treinar um modelo utilizando outro como referência. OpenAI e Anthropic acusam empresas chinesas de utilizarem esse processo para desenvolver sistemas concorrentes com base em informações proprietárias.

Por outro lado, a própria indústria utiliza a técnica de forma legítima. Segundo a análise, grandes modelos costumam ser empregados para treinar versões menores e mais rápidas.

O novo modelo que dará suporte à Siri atualizada da Apple, por exemplo, foi destilado a partir de modelos do Google, dentro de um acordo firmado entre as empresas.

Em um ensaio recente, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou considerar “irônico” que empresas que treinam seus modelos utilizando dados obtidos na internet e até informações de clientes tentem impedir terceiros de utilizar a distilação.

Segundo ele: “Se o aprendizado flui apenas em uma direção, o valor econômico converge para os proprietários da infraestrutura de aprendizado, e não para os criadores do próprio conhecimento.”

Modelos chineses, como o da DeepSeek, estão ganhando cada vez mais terreno – Imagem: Melinda Nagy/Shutterstock

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Empresas buscam novas vantagens competitivas

Até agora, segundo a análise, a principal vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic era oferecer modelos significativamente superiores aos dos concorrentes.

Com a popularização de sistemas considerados “bons o suficiente” — e, em alguns casos, altamente avançados — disponíveis tanto para usuários de iPhone quanto para grandes empresas, essas companhias precisarão encontrar novos diferenciais.

Enquanto o Google conta com seu mecanismo de busca, a Meta possui sua base de redes sociais, a Microsoft e a Amazon dominam a infraestrutura corporativa e a Apple controla um amplo ecossistema de dispositivos.

Energia pode ser a principal vantagem no futuro

Para Eric Zhao, professor da Universidade de Oxford e coautor de um estudo citado na análise, a principal vantagem competitiva das empresas de IA no futuro poderá ser o acesso à energia elétrica.

Segundo ele, à medida que a oferta de eletricidade se torna mais limitada e comunidades passam a resistir à construção de novos data centers, utilizar energia de forma eficiente será essencial. “Os laboratórios de fronteira precisarão competir por inteligência por watt.”

OpenAI e Anthropic diversificam receitas

A OpenAI vem ampliando suas fontes de receita. Segundo a empresa, ela já possui mais de três milhões de clientes corporativos e também trabalha no desenvolvimento de hardware próprio para estabelecer uma relação direta com consumidores.

A Anthropic, por sua vez, registrou recentemente seu primeiro trimestre lucrativo e protocolou um pedido para abrir capital neste outono do hemisfério norte (setembro-dezembro).

Caso a oferta pública seja concretizada, a empresa poderá levantar recursos para conquistar novos clientes, desenvolver novas fontes de receita ou ampliar o aluguel de data centers.

Boom da IA desperta questionamentos

A análise conclui que o mercado de IA pode ser grande o suficiente para sustentar diversas empresas vencedoras e até permitir que OpenAI ou Anthropic se tornem futuras gigantes da tecnologia.

Entretanto, o texto cita uma avaliação do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo a qual o volume de investimentos em IA já supera qualquer ciclo de expansão econômica ocorrido em tempos de paz, incluindo a construção das ferrovias e a bolha das empresas de internet no fim dos anos 1990.

Diante desse cenário, cresce o número de críticos que questionam se as empresas conseguirão justificar os investimentos atuais — e os ainda maiores previstos para os próximos anos. Segundo a análise, sem uma vantagem competitiva sustentável, as companhias que hoje lideram o boom da IA podem enfrentar uma contração significativa no futuro.

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Apple e Google são pressionadas a remover apps de IA que geram nudez falsa

Nesta sexta-feira (17), o gabinete do procurador municipal de São Francisco enviou notificações à Apple e ao Google para que removam de suas lojas 13 aplicativos de troca facial associados à criação de imagens de nudez geradas artificialmente sem autorização das pessoas retratadas.

A medida mira ferramentas que permitem alterar fotos de pessoas com inteligência artificial para produzir conteúdos sexualizados. Segundo a prefeitura, as plataformas digitais lucram com esses serviços por meio de pagamentos realizados dentro dos aplicativos.

A iniciativa ocorre após investigações apontarem que aplicativos apresentados como ferramentas de edição de imagem podem ser usados para produzir deepfakes de teor sexual, afetando principalmente mulheres e meninas.

Empresas são cobradas por falhas de controle sobre aplicativos

Play Store é a loja de aplicativos do sistema operacional Android – Imagem: winnond/Shutterstock

As cartas enviadas às duas empresas foram assinadas pelo procurador municipal de São Francisco, David Chiu, que afirmou que a criação de imagens íntimas sem consentimento representa uma prática ilegal e prejudicial. De acordo com ele, Apple e Google precisam impedir que seus ambientes digitais sejam utilizados para facilitar abusos.

O representante da cidade argumentou que as companhias devem interromper relações comerciais com desenvolvedores responsáveis por aplicativos desse tipo. A cobrança também envolve os sistemas de pagamento das lojas virtuais, pelos quais as empresas recebem parte das receitas geradas pelos aplicativos.

Apple e Google afirmaram que possuem regras contra pornografia, assédio e conteúdos abusivos em suas plataformas. A Apple informou que já removeu três dos aplicativos indicados pela prefeitura e iniciou procedimentos para encerrar as contas dos desenvolvedores envolvidos. A empresa acrescentou que outros criadores poderão ser excluídos caso não corrijam violações identificadas.

O Google declarou que retirou centenas de aplicativos com recursos de “nudificação” por descumprirem suas políticas. A companhia informou ainda que suspendeu ferramentas semelhantes e restringiu termos de busca relacionados a esse tipo de serviço dentro da loja de aplicativos.

Pesquisas citadas na investigação municipal apontaram que o problema não está restrito a aplicativos explicitamente divulgados como ferramentas para nudez artificial. Estudos encontraram programas de troca de rostos que, embora apresentados como recursos de edição comuns, permitiam a criação de imagens sexualizadas sem mecanismos eficazes de proteção.

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Imagem: PixieMe/Shutterstock

Um levantamento mencionado no texto identificou centenas de aplicativos de troca facial disponíveis nas lojas da Apple e do Google. Entre os programas analisados, uma parcela significativa permitia a criação de montagens com imagens nuas, mesmo sem serem anunciados oficialmente para essa finalidade.

A expansão dessas ferramentas ocorreu junto ao avanço dos sistemas de inteligência artificial generativa, que reduziram a dificuldade técnica para produzir imagens falsas realistas. De acordo com especialistas citados na reportagem, bastam uma fotografia de referência e poucos comandos para gerar esse tipo de conteúdo.

A prefeitura de São Francisco afirmou que continuará avaliando medidas legais contra empresas que permitirem a circulação dessas ferramentas. O objetivo declarado pelo órgão é pressionar as plataformas a reforçarem seus mecanismos de análise antes da publicação de novos aplicativos.

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Juiz dos EUA libera demissões na Meta em caso sobre inteligência artificial

Um juiz federal dos Estados Unidos negou, nesta sexta-feira (17), o pedido de um grupo de 26 funcionários da Meta Platforms para impedir temporariamente demissões que, segundo eles, teriam sido definidas com auxílio de ferramentas de inteligência artificial capazes de prejudicar trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica.

A decisão foi tomada pelo juiz William Orrick, em Oakland, na Califórnia, onde tramita a disputa. O magistrado considerou que os empregados não demonstraram, neste momento, que a perda dos postos de trabalho representaria um dano irreparável capaz de justificar uma ordem emergencial contra os desligamentos previstos.

A controvérsia envolve cortes anunciados pela Meta em maio, quando a empresa informou a redução de aproximadamente 8 mil vagas, equivalente a cerca de 10% de sua força global de trabalho. Os funcionários questionam se critérios baseados em sistemas de IA influenciaram a escolha dos nomes incluídos na lista de dispensas.

Funcionários alegam que ferramentas de IA afetaram critérios de seleção

Fachada da Meta – Imagem: Derick Hudson/iStock

Os trabalhadores afirmam que a empresa utilizou mecanismos automatizados para avaliar desempenho, produtividade e adoção de recursos de inteligência artificial, fatores que teriam colocado em desvantagem pessoas afastadas por motivos médicos ou por responsabilidades familiares.

A ação judicial sustenta que sistemas internos da Meta, incluindo um assistente baseado em modelo de linguagem chamado “Metamate”, além de ferramentas voltadas ao acompanhamento de produtividade, participaram da análise dos funcionários. Conforme a acusação, esses recursos teriam considerado dados como comunicações internas, documentos, histórico de navegação, conteúdo de tela e registros de uso de teclado.

Os autores do processo também afirmam que os sistemas continuaram sendo usados como referência durante períodos de férias e licenças protegidas por lei. Na avaliação deles, isso teria reduzido indicadores associados à utilização de inteligência artificial e influenciado negativamente suas posições na seleção para desligamento.

A Meta rejeitou as acusações e declarou que as decisões relacionadas às demissões foram tomadas por pessoas, não por sistemas automatizados. A companhia não apresentou comentários específicos sobre a decisão judicial.

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Funcionário recolhendo seus pertences de um escritório após ser demitido (Imagem: 4 PM production/Shutterstock)

A defesa dos funcionários argumentou que a interrupção imediata das demissões era necessária porque os empregados poderiam perder não apenas salários, mas também benefícios importantes, como opções de ações e cobertura de saúde.

Durante uma audiência, a advogada Barbara Cowan afirmou que determinadas perdas não poderiam ser compensadas posteriormente, citando situações envolvendo nascimento de filhos e tratamentos médicos.

A representante jurídica da Meta, Erin Connell, contestou essa interpretação. Segundo ela, os trabalhadores não ficariam sem cobertura de saúde e eventuais prejuízos financeiros poderiam ser recuperados caso eles obtivessem vitória na arbitragem.

O juiz Orrick manteve a possibilidade de rever sua decisão caso novas provas apresentem detalhes adicionais sobre a participação da inteligência artificial no processo de redução de pessoal. A disputa seguirá em arbitragem privada, conforme previsto nos acordos firmados entre a empresa e seus empregados.

O caso é acompanhado como uma das primeiras ações contra uma grande empresa dos Estados Unidos a questionar judicialmente o suposto uso de inteligência artificial como elemento de apoio em decisões de demissão.

Os funcionários envolvidos atuavam em diferentes áreas, incluindo engenharia, gestão, pesquisa e design. Eles foram informados sobre os cortes em maio e, segundo documentos apresentados no processo, muitos permanecem na folha de pagamento até a conclusão dos desligamentos, embora tenham perdido acesso aos sistemas internos da empresa desde 20 de maio.

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