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Alphabet: atraso no Gemini 3.5 Pro amplia pressão antes de balanço trimestral

A Alphabet chega à divulgação de seus resultados do segundo trimestre sob pressão crescente de investidores, à medida que o adiamento do lançamento de um modelo estratégico de inteligência artificial (IA) se soma às preocupações sobre o retorno dos elevados investimentos em infraestrutura de data centers. O cenário contrasta com o entusiasmo registrado meses atrás, quando a empresa superou expectativas, impulsionada pelo forte desempenho de sua divisão de computação em nuvem.

A controladora do Google divulgará seus resultados financeiros do segundo trimestre na quarta-feira (22). Entre os fatores que têm chamado a atenção do mercado está o adiamento do lançamento do Gemini 3.5 Pro, seu próximo modelo principal de IA.

Inicialmente previsto para junho, o modelo foi desenvolvido para reforçar a competitividade da empresa no mercado de ferramentas de programação baseadas em IA e aplicações de IA agêntica. Apesar disso, a empresa diminuiu a ansiedade nesta terça-feira (21) ao lançar outras atualizações para o Gemini.

O atraso do lançamento do Gemini 3.5 Pro ocorre em momento em que modelos chineses de código aberto vêm aumentando a concorrência com os principais laboratórios estadunidenses na disputa por clientes. Ao mesmo tempo, crescem os receios em torno dos altos custos envolvidos no desenvolvimento da IA, alimentando preocupações de que as grandes empresas de tecnologia possam estar investindo em capacidade além da demanda futura.

“Embora o Google esteja perdendo o barco na programação com IA — e essa é uma preocupação real e crescente… a estratégia do Google gira totalmente em torno do ecossistema”, afirmou, à Reuters, Dave Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors.

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Empresa liberou novas versões do Gemini nesta terça, mas segue sem anunciar o Gemini 3.5 Pro – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Investimentos elevados e queda das ações

  • Em abril, a Alphabet elevou sua projeção de investimentos em capital para 2026, passando a estimar gastos entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões (R$ 915,4 bilhões/R$ 966,2 bilhões);
  • Paralelamente, anunciou planos para captar aproximadamente US$ 85 bilhões (R$ 432,3 bilhões) por meio de ofertas de ações, incluindo um investimento da Berkshire Hathaway;
  • Desde o fim de abril, as ações da Alphabet acumulam queda de cerca de 9%, período em que a companhia havia registrado um crescimento de 63% nas vendas de sua divisão de nuvem;
  • Com esse desempenho, os papéis ficaram atrás das demais empresas que compõem o grupo conhecido como “As Sete Magníficas”.

Além da pressão sobre os investimentos e do desempenho recente das ações, a empresa também perdeu profissionais de destaque para concorrentes. Entre eles estão o co-líder do projeto Gemini, Noam Shazeer, e o vencedor do Prêmio Nobel John Jumper, descrito como um executivo-chave do Google DeepMind.

Apesar dos desafios, analistas avaliam que a principal vantagem competitiva da Alphabet na corrida pela IA continua sendo sua ampla rede de distribuição voltada ao consumidor, combinada com seus modelos de IA, infraestrutura de computação em nuvem e chips personalizados.

No acumulado de 2026, as ações da companhia ainda registram valorização próxima de 13%, desempenho que coloca a Alphabet como a segunda empresa com melhor performance entre as integrantes das chamadas “As Sete Magníficas”.

Mercado espera novo avanço da receita

Para o segundo trimestre, analistas projetam uma desaceleração apenas moderada no crescimento da receita em comparação com os três primeiros meses de 2026, mantendo a divisão de nuvem como principal motor dos resultados.

Segundo dados compilados pela LSEG, a expectativa é de que a Alphabet registre receita de US$ 116,9 bilhões (R$ 594,7 bilhões) entre abril e junho, representando crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A previsão também aponta que as vendas da divisão de computação em nuvem mantenham um ritmo de expansão de 64%, enquanto a receita com publicidade deverá crescer de forma mais moderada, em 13,7%.

O desempenho da área de nuvem vem sendo impulsionado pela expansão dos contratos relacionados aos chips personalizados de IA desenvolvidos pelo Google, incluindo acordos bilionários firmados com a Meta e a Anthropic.

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IA encontra resposta que matemáticos buscavam há 87 anos

Um problema matemático que resistiu por 87 anos teve um desfecho inesperado: uma inteligência artificial ajudou um pesquisador a encontrar um contraexemplo capaz de derrubar uma das conjecturas mais conhecidas da área.

Segundo a New Scientist, a descoberta feita pelo matemático Levent Alpöge pode ser o caso mais complexo já resolvido com participação significativa de uma IA na matemática.

IA encontra falha em uma das maiores conjecturas da matemática moderna. Imagem: PeachShutterStock/Shutterstock

Conjectura de 1939 é derrubada por uma linha matemática

Alpöge, pesquisador da Universidade Harvard, publicou em 19 de julho, na rede social X, um contraexemplo de apenas 216 caracteres que contradiz a chamada conjectura de Jacobiano.

Formulada pelo matemático Ott-Heinrich Keller em 1939, a hipótese defendia que determinado tipo de função matemática também deveria funcionar no sentido inverso. O problema atravessou décadas sem uma resposta definitiva e chegou a integrar, em 1998, uma lista de 18 grandes desafios matemáticos para o século XXI criada por Stephen Smale.

Em sua publicação, Alpöge afirmou que contou com a ajuda de seu “amigo próximo Fable”, aparentemente uma referência ao Claude Fable 5, modelo de IA da Anthropic. O pesquisador também agradeceu ao sistema pelo trabalho realizado durante a final da Copa do Mundo.

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A participação do Fable na pesquisa mostra como modelos de IA começam a influenciar descobertas em áreas como a matemática. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas destacam avanço da inteligência artificial

Para Abhishek Saha, pesquisador da área de matemática da Queen Mary University of London, o resultado amplia o papel da IA na pesquisa matemática.

“Provavelmente esta é a maior conjectura na qual a IA desempenhou um papel significativo [ao provar ou refutar] até agora na matemática”, afirmou. “Isso é muito importante. A IA fez um progresso notável no último ano.”

Segundo Saha, o contraexemplo publicado é simples de verificar, e diversos matemáticos já confirmaram sua validade. A grande questão agora é entender como a IA chegou ao caminho da solução.

Entre os pontos que chamaram atenção estão:

  • a conjectura permaneceu sem resposta por 87 anos;
  • o contraexemplo possui apenas 216 caracteres;
  • a descoberta derruba a hipótese em determinadas condições;
  • o processo usado pela IA ainda não foi totalmente explicado.

O pesquisador destacou que o resultado surpreendeu porque muitos pesquisadores acreditavam que a conjectura parecia intuitivamente correta.

As pessoas tentavam provar a conjectura porque ela parecia, intuitivamente, muito verdadeira. Não acho que muitos estivessem tentando refutá-la. E agora temos esse contraexemplo em uma única sentença”, disse.

Abhishek Saha, pesquisador da área de matemática da Queen Mary University of London, ao New Scientist.

Schopenhauer, filósofo:
A solução inesperada abre uma nova discussão sobre como humanos e inteligência artificial podem trabalhar juntos na ciência. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Criatividade humana ainda tem papel central

Apesar do impacto da descoberta, o resultado ainda não encerra todas as questões envolvendo a conjectura de Jacobiano. O contraexemplo encontrado por Alpöge derruba a hipótese no caso de três variáveis, mas uma versão equivalente envolvendo apenas duas variáveis ainda pode permanecer válida, mantendo parte do problema em aberto.

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O avanço também reacendeu o debate sobre até onde a inteligência artificial pode chegar na matemática. Para Chris Bowman-Scargill, da Universidade de York, a tecnologia já mostrou capacidade para encontrar soluções em problemas complexos, mas isso não significa que a criatividade humana tenha perdido espaço.

O pesquisador lembra que algumas das maiores conquistas da área exigiram muito mais do que uma resposta final. Ele cita o Último Teorema de Fermat, solucionado por Andrew Wiles em 1994, como exemplo de um problema cuja resolução dependeu da criação de novas teorias matemáticas ao longo de anos de trabalho.

Na mesma linha, Ivan Fesenko, da Westlake University, avalia que modelos de IA cada vez mais avançados devem transformar a pesquisa matemática nos próximos anos. Para ele, a tecnologia pode alterar profundamente a maneira como novos conhecimentos são desenvolvidos, abrindo espaço para uma nova fase da descoberta científica.

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Google atualiza Gemini, lança concorrente do Mythos e apimenta corrida das IAs

O Google apresentou três novos modelos de inteligência artificial para acelerar a disputa com OpenAI e Anthropic. As novidades incluem versões mais rápidas, econômicas e especializadas em segurança digital.

Os lançamentos reforçam a estratégia da empresa para ampliar sua presença na corrida da IA, com foco em agentes inteligentes, programação e proteção contra ataques cibernéticos.

A nova geração de IA do Google aposta em velocidade, economia e recursos para agentes inteligentes em diferentes tarefas. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Gemini ganha versões mais rápidas e especializadas

O destaque é o Gemini 3.6 Flash, descrito pelo Google como o modelo Flash mais avançado da empresa. Ele promete melhor desempenho em programação, tarefas de conhecimento e recursos multimodais, consumindo 17% menos tokens do que a versão anterior e reduzindo os custos de uso.

Ao lado dele chegam o Gemini 3.5 Flash Cyber, ajustado para identificar e corrigir vulnerabilidades em softwares, e o Gemini 3.5 Flash-Lite, criado para tarefas de alto volume e agentes de IA que executam ações de forma autônoma.

“Os novos modelos Flash foram desenvolvidos para atingir o ponto ideal entre eficiência e qualidade”, afirmou Tulsee Doshi, diretora sênior de gerenciamento de produtos da equipe Gemini.

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A estratégia do Google reforça a disputa direta com OpenAI, Anthropic e outras empresas que lideram a corrida da IA. – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

Segurança e eficiência entram no centro da disputa

Além de aumentar o desempenho, o Google aposta na segurança como um dos diferenciais da nova geração de modelos. A empresa afirma que o Gemini 3.6 Flash recebeu reforços para resistir melhor a tentativas de uso indevido em ataques cibernéticos, sem comprometer aplicações legítimas.

Entre os principais anúncios estão:

  • Gemini 3.6 Flash, mais eficiente e econômico;
  • Gemini 3.5 Flash Cyber, voltado à segurança digital;
  • Gemini 3.5 Flash-Lite para agentes de IA e tarefas em larga escala;
  • início do pré-treinamento do Gemini 4.

Nos testes divulgados pela empresa, o Gemini 3.5 Flash Cyber encontrou 55 problemas no mecanismo V8 JavaScript Engine, incluindo 10 vulnerabilidades que outros modelos não haviam identificado. Por isso, inicialmente ele será disponibilizado apenas para governos e parceiros considerados confiáveis.

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A aposta do Google é oferecer um equilíbrio entre qualidade, velocidade e custo para ampliar o uso da IA em escala. Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock

Gemini 4 já começou a tomar forma

Enquanto os novos modelos chegam ao mercado, o Google informou que o Gemini 3.5 Pro continua em fase de testes e será liberado quando estiver pronto.

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A companhia também revelou que iniciou o pré-treinamento do Gemini 4, sinalizando que a próxima geração da plataforma já está em desenvolvimento. Paralelamente, o Gemini 3.6 Flash e o Flash-Lite começam a ser liberados para desenvolvedores, empresas e usuários do aplicativo Gemini, enquanto o Flash-Lite também será integrado gradualmente à Pesquisa do Google.

Corrida pela IA segue acelerada

Nos últimos meses, Google, OpenAI, Anthropic, Meta e startups chinesas intensificaram a competição por modelos cada vez mais eficientes e especializados. Com os novos lançamentos, o Google tenta recuperar terreno em uma disputa que muda rapidamente e em que custo, desempenho e segurança passaram a pesar tanto quanto a qualidade das respostas. Agora, resta acompanhar se essa estratégia será suficiente para reduzir a vantagem conquistada por alguns concorrentes nos últimos meses.

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    Google divulga novos modelos do Gemini

    O Google apresentou hoje novos modelos de inteligência artificial Gemini.

    São eles:

    • O Gemini 3.5 Flash Cyber ​​foi projetado para encontrar e corrigir vulnerabilidades de software e, inicialmente, seu uso será limitado a governos e parceiros confiáveis.
    • O Gemini 3.6 Flash aprimora os recursos da versão anterior, utiliza até 17% menos tokens e tem um custo por token menor.
    • O Flash-Lite é voltado para cargas de trabalho mais rápidas e de alto volume.

    REPORTAGEM EM ATUALIZAÇÃO

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      Descoberta brasileira revela pistas ocultas do Alzheimer

      Um novo mapa genético desenvolvido no Brasil identificou 129 possíveis alvos terapêuticos para o Alzheimer. A pesquisa usa inteligência artificial e análise de RNA para ampliar a busca por tratamentos e abrir novas possibilidades de diagnóstico para uma doença que ainda não possui cura.

      O estudo foi realizado pela startup paulista BioDecision Analytics e busca expandir o número de alvos investigados além de proteínas tradicionalmente associadas ao Alzheimer, como beta-amiloide e tau.

      Segundo Pesquisa para Inovação, publicação da FAPESP, a pesquisa analisou dados genéticos de milhares de amostras para encontrar alterações relacionadas à doença. O trabalho pode ajudar pesquisadores e empresas farmacêuticas a explorar novos caminhos para o desenvolvimento de medicamentos e exames de sangue.

      A inteligência artificial ajudou cientistas a identificar alterações genéticas que podem transformar o diagnóstico do Alzheimer. Imagem: Graphicscoco/iStock

      Pesquisa amplia a busca por novos alvos

      Durante décadas, a beta-amiloide concentrou grande parte das pesquisas sobre tratamentos contra o Alzheimer. Quando essa proteína se acumula de forma anormal no cérebro, forma placas que prejudicam a comunicação entre neurônios e desencadeiam processos inflamatórios.

      Um dos únicos alvos para o desenvolvimento de terapias da doença de Alzheimer conhecidos era a beta-amiloide. Por isso, era imperativo avaliar outros horizontes.

      Rodrigo Araldi, um dos fundadores da BioDecision, ao Pesquisa para Inovação.

      Para o pesquisador, a concentração em poucos alvos ajudou a limitar os avanços obtidos até agora.

      Para criar o mapa genético, a equipe utilizou 2.870 amostras de tecido cerebral e sangue de pessoas saudáveis e pacientes diagnosticados com Alzheimer. Os dados foram obtidos no Sequence Read Archive (SRA), banco público mantido pelo governo americano.

      As amostras do cérebro incluíram cinco regiões diferentes, escolhidas por suas funções específicas:

      • Hipocampo, relacionado à memória;
      • Córtex cingulado, ligado ao processamento de informações;
      • Área de Wernicke, associada à linguagem;
      • Córtex visual, responsável pela visão;
      • Área de Broca, envolvida na comunicação.

      A divisão das regiões foi considerada essencial pelos pesquisadores, já que o cérebro não é um tecido uniforme. Cada área possui características genéticas próprias, e misturar essas informações poderia esconder alterações importantes.

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      Além da memória, regiões diferentes do cérebro foram analisadas para entender melhor como o Alzheimer se desenvolve. – Imagem: PeopleImages/Shutterstock

      Inteligência artificial ajuda a encontrar padrões

      O processamento dos dados foi feito pela plataforma BDASeq®, desenvolvida pela BioDecision com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.

      A ferramenta analisa o sequenciamento de RNA para identificar quais genes apresentam alterações de atividade em pessoas com Alzheimer. Como o RNA participa da produção de proteínas nas células, essas mudanças podem revelar processos envolvidos no desenvolvimento da doença.

      João Rafael Dias Pinto, cofundador da BioDecision, explica que a combinação de diferentes métodos estatísticos ajuda a reduzir erros.

      “A maioria dos estudos utiliza um único método estatístico para fazer isso, o que gera muitos ruídos”, afirmou o pesquisador.

      A plataforma reúne oito técnicas estatísticas e conta com uma camada de inteligência artificial que cruza dados genéticos e informações clínicas. Dessa forma, os pesquisadores conseguem priorizar alterações com maior potencial para virar medicamentos ou ferramentas de diagnóstico.

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      Genes ligados à plasticidade neuronal aparecem como novos candidatos na busca por tratamentos contra a doença. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock

      Descoberta pode facilitar novos diagnósticos

      A análise identificou mais de 4.200 genes com expressão alterada em pacientes com Alzheimer. Entre eles, 75 foram relacionados à plasticidade neuronal, capacidade dos neurônios de criar novas conexões, processo afetado pela doença.

      Desse grupo, oito genes ainda não haviam sido apontados como possíveis alvos terapêuticos em estudos anteriores. Outro conjunto reuniu 74 genes alterados tanto no cérebro quanto no sangue, tornando-se candidatos a biomarcadores.

      Entre esses genes, 21 apresentaram precisão superior a 90% na diferenciação entre pessoas com Alzheimer e indivíduos saudáveis.

      “Hoje, o diagnóstico do Alzheimer é clínico, demorado e impreciso”, afirmou Araldi. “Com essa descoberta, abrimos a possibilidade de diagnósticos via exame de sangue, muito mais acessíveis.”

      Apresentado no Congresso AD/PD, realizado em Copenhague, na Dinamarca, o estudo representa uma nova frente de investigação sobre a doença. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda serão necessárias novas etapas antes que medicamentos ou exames baseados nesses achados possam chegar aos pacientes.

      A BioDecision também pretende ampliar o acesso à plataforma por nuvem, permitindo que laboratórios menores realizem análises avançadas sem depender de grandes estruturas computacionais.

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      Disputa pela IA leva EUA e China à mesa de negociação

      Em setembro deste ano, os Estados Unidos e a China devem realizar a primeira rodada oficial de negociações sobre inteligência artificial desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A iniciativa foi acertada após a cúpula entre Trump e Xi Jinping, realizada em maio, e deve anteceder a viagem do presidente chinês aos EUA, prevista para 24 de setembro. A apuração é exclusiva da Reuters.

      As conversas reúnem as duas maiores potências tecnológicas do mundo em meio ao avanço acelerado de modelos de IA considerados de fronteira e às preocupações relacionadas à segurança, ao uso militar da tecnologia, à infraestrutura crítica e aos impactos econômicos. A expectativa é que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, lidere a delegação norte-americana.

      Embora detalhes como local, participantes e pauta ainda estejam em definição, os governos trabalham nos preparativos da reunião. O encontro marca a retomada de um canal formal de diálogo sobre inteligência artificial entre Washington e Pequim sob a atual administração americana.

      Encontro busca aproximar posições sobre modelos avançados de inteligência artificial

      EUA vs. China (Imagem: Dilok Klaisataporn/iStock)

      Os dois países chegam às negociações com prioridades distintas, mas convergentes no objetivo de discutir mecanismos para reduzir os riscos associados às plataformas de inteligência artificial mais avançadas.

      Entre as preocupações compartilhadas estão o potencial emprego desses sistemas em operações militares, ataques cibernéticos contra infraestruturas estratégicas e os efeitos provocados sobre o mercado de trabalho.

      Do lado americano, as discussões ocorrem em um contexto de restrições já impostas à exportação de chips de inteligência artificial de alto desempenho para a China. Além disso, autoridades dos Estados Unidos avaliam possíveis limitações ao uso de modelos chineses de código aberto por empresas americanas, diante da rápida evolução tecnológica apresentada por esses sistemas.

      Em Pequim, o governo também analisa novas medidas relacionadas ao acesso internacional aos modelos de IA desenvolvidos no país. As autoridades chinesas estudam limitar a disponibilidade das ferramentas mais avançadas no exterior enquanto avaliam riscos ligados à segurança digital.

      Antes mesmo da definição da data do encontro, Scott Bessent já havia indicado que futuras conversas entre os dois governos buscariam impedir que modelos altamente sofisticados chegassem às mãos de atores não estatais. Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que as reuniões poderiam começar dentro de poucas semanas.

      Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
      Inteligência artificial – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

      Após a visita de Donald Trump à China, o governo chinês confirmou que os dois países haviam concordado em criar um mecanismo intergovernamental dedicado ao debate sobre inteligência artificial. Desde então, porém, Pequim não voltou a detalhar publicamente os preparativos para a iniciativa.

      Segundo analistas citados pela Reuters, a China pretende concentrar parte das discussões no modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, além de buscar esclarecimentos sobre a forma como os Estados Unidos pretendem controlar o lançamento de futuros sistemas de inteligência artificial de fronteira e sobre eventuais restrições direcionadas aos modelos chineses de código aberto.

      Enquanto isso, o governo americano mantém conversas com empresas do setor para elaborar padrões voluntários de segurança destinados ao lançamento de novos modelos de IA, embora ainda não tenha anunciado medidas regulatórias definitivas.

      A preparação chinesa para o encontro também segue em andamento. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que as autoridades continuarão debatendo internamente o tema antes de definir quais ministérios e representantes participarão das negociações.

      Uma das pessoas familiarizadas com os preparativos relatou à Reuters que a prioridade chinesa é estabelecer um diálogo técnico e prático sobre inteligência artificial, sem transformar o encontro em uma discussão predominantemente política.

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      IA aberta vira disputa entre China, EUA e grandes empresas

      Modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China ganharam espaço no mercado e abriram uma nova disputa no setor. Ferramentas mais baratas e abertas colocam em debate segurança, concorrência e o futuro dos investimentos bilionários em IA.

      Segundo o The Wall Street Journal, executivos da OpenAI e da Anthropic alertam para riscos, enquanto críticos questionam se o discurso também serve para conter novos concorrentes.

      A inteligência artificial chinesa avança com ferramentas mais baratas e adaptáveis para diferentes usos. – Imagem: rawf8/Shutterstock

      Modelos abertos mudam cenário da IA

      O lançamento de modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o Qwen 3.8 Max, da Alibaba, chamou atenção de usuários e investidores. As ferramentas são baseadas no conceito de “open weight”, que permite baixar, adaptar e personalizar os sistemas para diferentes aplicações.

      Esse formato ganhou força porque reduz barreiras para empresas interessadas em usar inteligência artificial sem depender apenas de soluções fechadas. Ao mesmo tempo, preocupa executivos que defendem maior controle sobre tecnologias avançadas.

      Dean Ball, chefe de futuros estratégicos da OpenAI, afirmou em uma publicação na rede X que um mundo dominado por modelos abertos poderia transformar a IA em uma espécie de infraestrutura pública digital. Ele classificou esse cenário como distópico, mas depois esclareceu que não defendia medidas contra modelos chineses.

      A discussão também envolve os altos custos para desenvolver sistemas de ponta. Empresas do setor investem bilhões de dólares em processamento e infraestrutura para melhorar suas ferramentas.

      Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
      OpenAI e Anthropic alertam para riscos de modelos avançados disponíveis para download e personalização. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

      Novos concorrentes desafiam gigantes da tecnologia

      A chegada de modelos chineses mais baratos fez investidores questionarem o espaço de empresas como OpenAI e Anthropic. A preocupação é que novos participantes consigam oferecer alternativas competitivas gastando menos.

      Outros grupos americanos também apostam em modelos abertos. A Thinking Machines Lab, liderada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lançou seu primeiro modelo com pesos abertos. A Nvidia começou a ganhar espaço com o Nemotron 3 Ultra, enquanto a Reflection AI, apoiada pela fabricante de chips, prepara seu primeiro lançamento.

      Entre os principais pontos do debate estão:

      • Modelos abertos podem ser baixados e modificados;
      • Empresas buscam reduzir custos no desenvolvimento de IA;
      • Especialistas apontam riscos de uso inadequado;
      • Governos avaliam regras para o setor.

      O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também alerta sobre os riscos de sistemas avançados disponíveis publicamente. Em entrevista à Bloomberg, afirmou que modelos com capacidades avançadas de segurança cibernética e acesso livre representam uma preocupação séria.

      Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
      A disputa da IA agora envolve não só tecnologia, mas também custos, segurança e controle. – Imagem: wildpixel/iStock

      Governo americano avalia resposta ao avanço chinês

      Autoridades dos Estados Unidos discutem possíveis medidas contra empresas chinesas de IA, incluindo restrições comerciais, alertas de segurança e regras para modelos abertos.

      Até agora, nenhuma dessas ações foi adotada. O desafio é equilibrar segurança e inovação, já que empresas menores dependem de ferramentas acessíveis para criar novos produtos.

      O governo Trump afirma que pretende fortalecer o ecossistema americano de código aberto e proteger a segurança nacional.

      Austin Carson, CEO da organização de políticas de IA SeedAI, defendeu a importância de modelos acessíveis. “Se você conhece código aberto, sabe que não pode vencer pela exclusão”, afirmou.

      A disputa atual mostra que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de criar sistemas mais avançados, empresas e governos agora precisam decidir quem terá acesso a essas tecnologias e quais limites devem existir para seu uso.

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      Meta abre vagas no Brasil para desenvolver apps de óculos inteligentes

      Desenvolvedores brasileiros terão a chance de criar aplicativos para os óculos inteligentes da Meta. A empresa abriu inscrições para um programa que reúne estudantes, pesquisadores e profissionais interessados em explorar os recursos do dispositivo.

      Realizada em parceria com o CEIA-UFG, a iniciativa oferece capacitação, hackathon e premiação em dinheiro. Ao mesmo tempo, reforça um debate que acompanha esses óculos desde o lançamento: a privacidade dos usuários.

      A Meta quer ideias para saúde, educação, turismo, acessibilidade e muito mais. A criatividade está liberada. Imagem: Divulgação/Meta

      Desenvolvedores brasileiros ganham espaço

      Depois de conquistar milhões de usuários, os óculos inteligentes da Meta entraram em uma nova fase. Agora, a empresa quer aumentar a quantidade de aplicativos compatíveis e aposta nos desenvolvedores brasileiros para acelerar esse processo.

      O Programa AI Glasses Brasil, criado em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), convida estudantes, pesquisadores e desenvolvedores a pensar em novas aplicações para recursos como câmera, áudio, comandos de voz e inteligência artificial.

      As propostas poderão envolver áreas como acessibilidade, educação, saúde, turismo, produtividade e criatividade.

      O programa será dividido em etapas:

      • Capacitação técnica online;
      • Maratona virtual de ideias com palestras, workshops e mentorias;
      • Hackathon presencial na sede da Meta, em São Paulo, para as equipes selecionadas;
      • Premiação em dinheiro e entrega de óculos inteligentes aos vencedores.

      As inscrições seguem abertas até 30 de julho. As equipes classificadas para a etapa presencial terão transporte e hospedagem pagos pela empresa. Os vencedores receberão US$ 3 mil (cerca de R$ 15 mil), enquanto o segundo e o terceiro lugares ganharão US$ 2 mil (cerca de R$ 10 mil) e US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil). Todos também receberão um par de óculos da Meta.

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      Estudantes, pesquisadores e desenvolvedores terão a chance de testar ideias em um hackathon da Meta. Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock

      O que os óculos já conseguem fazer

      Os recursos do aparelho vão além de fotografar e gravar vídeos. Também é possível enviar imagens pelo WhatsApp usando apenas comandos de voz, visualizar informações nas lentes e executar ações por gestos.

      Mesmo assim, a oferta de aplicativos ainda é pequena. Foi justamente por isso que a Meta disponibilizou um kit de desenvolvimento e agora tenta atrair novos criadores de soluções.

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      O desafio da Meta não é só criar novos aplicativos, mas também conquistar a confiança dos usuários. Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

      Privacidade continua cercada de dúvidas

      Quanto mais funções surgem, maiores ficam as preocupações. Um exemplo veio de estudantes de Harvard, que desenvolveram um sistema de reconhecimento facial para funcionar nos óculos da Meta e exibir informações encontradas na internet sobre pessoas filmadas pelas câmeras.

      Leia mais:

      Também há relatos do uso do equipamento por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos durante operações, ampliando as discussões sobre vigilância.

      Outro ponto sensível envolve as imagens registradas pelo aparelho. Fotos e vídeos ficam armazenados na nuvem da Meta e podem ser usados para treinar seus modelos de inteligência artificial, inclusive com participação de revisores humanos.

      A empresa também precisou reagir quando usuários passaram a tentar desativar o LED que indica uma gravação em andamento. Hoje, os óculos deixam de gravar caso esse indicador seja danificado. O programa abre espaço para novas aplicações, mas a expectativa é que elas avancem junto com mecanismos capazes de reforçar a proteção da privacidade.

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      Anthropic: Justiça dos EUA confirma acordo para fim de processo por direitos autorais

      A Justiça dos Estados Unidos aprovou definitivamente um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões) entre a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic e um grupo de autores que acusava a companhia de utilizar livros protegidos por direitos autorais para treinar o chatbot Claude sem autorização.

      A decisão foi tomada nesta segunda-feira (20) pela juíza federal Araceli Martinez-Olguín, de São Francisco, que deu aprovação final ao acordo e rejeitou as contestações de autores que alegavam que o valor da indenização era insuficiente.

      Segundo a Reuters, trata-se do maior acordo conhecido da história em um processo de direitos autorais nos Estados Unidos e do primeiro grande caso envolvendo treinamento de modelos de IA a ser encerrado por meio de um acordo.

      Processo contra a Anthropic foi movido por escritores em 2024

      • A ação coletiva foi apresentada em 2024 por um grupo de escritores, que acusou a Anthropic de utilizar versões pirateadas de seus livros sem autorização para treinar o Claude, seu modelo de IA generativa;
      • A empresa é apoiada pela Amazon e pela Alphabet, controladora do Google;
      • Em setembro do ano passado, o então juiz responsável pelo caso, William Alsup, já havia concedido uma aprovação preliminar ao acordo. Agora, a decisão foi confirmada de forma definitiva pela Justiça;
      • A Anthropic não comentou imediatamente a decisão judicial, segundo a Reuters.

      Juiz havia diferenciado treinamento da IA e armazenamento de livros

      Em junho do ano passado, Alsup decidiu que o uso das obras para treinar o Claude se enquadrava no princípio do “uso justo” previsto na legislação estadunidense.

      No entanto, o magistrado concluiu que a empresa violou os direitos autorais ao armazenar mais de sete milhões de livros pirateados em uma “biblioteca central”, independentemente de essas obras terem sido efetivamente utilizadas no treinamento da IA.

      O julgamento destinado a definir o valor da indenização pela suposta pirataria estava previsto para começar em dezembro do ano passado. Segundo o processo, os danos poderiam alcançar centenas de bilhões de dólares.

      Obras teriam sido utilizadas no treinamento do Claude – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

      Mais de 480 mil obras fazem parte do acordo

      Durante audiência judicial, o advogado dos autores informou que escritores e outros detentores de direitos autorais apresentaram pedidos relacionados a mais de 92% das mais de 480 mil obras abrangidas pelo acordo.

      Em nota divulgada após a decisão, o advogado principal dos autores, Justin Nelson, comemorou a aprovação definitiva. “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal de conceder aprovação final a este acordo histórico. Trata-se da maior recuperação por direitos autorais da história.”

      Ele acrescentou que a expectativa é iniciar os pagamentos aos autores contemplados pelo acordo o mais rapidamente possível. “Esperamos fazer as distribuições à classe o mais rápido possível.”

      Juíza rejeita críticas ao acordo

      O acordo recebeu objeções de alguns autores, que argumentavam que o valor da indenização era baixo, que os advogados dos autores receberiam uma parcela excessiva dos recursos e que determinados detentores de direitos autorais haviam sido excluídos indevidamente.

      Na decisão desta segunda, Araceli Martinez-Olguín rejeitou todas essas contestações. Segundo a magistrada, as críticas ao valor do acordo “não estão fundamentadas em uma avaliação realista dos riscos e benefícios de um julgamento”.

      A juíza também autorizou o pagamento de mais de US$ 101 milhões (R$ 515,7 milhões) em honorários advocatícios, de um total de US$ 187,5 milhões (R$ 957,3 milhões) solicitado pelos representantes legais dos autores.

      Outros processos contra a Anthropic continuam

      Embora o acordo encerre a ação coletiva, alguns autores e editoras optaram por não participar da conciliação. Esses titulares de direitos autorais ingressaram com processos separados contra a Anthropic, que continuam tramitando na Justiça estadunidense.

      O caso faz parte de uma série de ações movidas por autores, veículos de imprensa e outros detentores de direitos autorais contra empresas de tecnologia, que discutem a utilização de obras protegidas para o treinamento de modelos de linguagem baseados em IA. Segundo a Reuters, esse foi o primeiro grande processo desse tipo nos Estados Unidos a chegar a um acordo.

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      Trump perde peça-chave da estratégia de IA dos Estados Unidos

      O governo dos Estados Unidos perdeu, nesta segunda-feira (20), o responsável pelo comando de sua principal estrutura voltada à avaliação de sistemas de inteligência artificial. Chris Fall deixou a direção do Centro de Padrões e Inovação em Inteligência Artificial (CAISI) apenas três meses após ser escolhido para o cargo pela administração Donald Trump.

      Vinculado ao Departamento de Comércio americano, o órgão terá Arvind Raman, diretor do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), como diretor interino enquanto o governo não define um novo titular.

      A troca acontece em meio ao esforço de Washington para ampliar o acompanhamento de tecnologias avançadas de IA e à crescente disputa com empresas chinesas que buscam espaço no mercado dominado por companhias americanas.

      Troca de comando acontece em meio a mudanças na estratégia de IA do governo americano

      Estados Unidos e o drama com a inteligência artificial (Imagem: Pixels Hunter/Shutterstock)

      A saída de Fall aumenta as dúvidas sobre quem ocupará o papel central na definição das políticas de inteligência artificial dentro da Casa Branca. A administração Trump ainda não definiu um substituto permanente para David Sacks, que anteriormente atuava como responsável pela agenda de IA e criptomoedas do governo e deixou o posto em março.

      De acordo com Kristen Eichamer, porta-voz do Departamento de Comércio, Raman continuará acumulando a liderança do NIST enquanto assume temporariamente a direção do CAISI. A representante, no entanto, não informou o motivo da saída de Fall, nomeado para comandar a instituição em abril.

      O CAISI tem como objetivo auxiliar o governo americano na criação de processos de avaliação e cooperação técnica envolvendo sistemas comerciais de inteligência artificial. A estrutura faz parte do Departamento de Comércio e foi criada para contribuir com testes e pesquisas relacionados ao desenvolvimento dessas tecnologias.

      A movimentação ocorre após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva voltada à inteligência artificial. O documento estabelece que desenvolvedores de modelos podem fornecer voluntariamente seus sistemas ao governo para análises de capacidade antes de lançamentos completos.

      A medida também determinou que órgãos federais elaborassem, no prazo de 60 dias, uma estrutura de avaliação para essas tecnologias. Desde então, empresas que trabalham no lançamento de novos modelos passaram a lidar com um cenário considerado pouco definido.

      A OpenAI informou, em junho, que restringiu inicialmente a distribuição de sua série GPT-5.6 a parceiros considerados confiáveis após solicitação do governo americano. Antes disso, a Anthropic interrompeu temporariamente o acesso a seus modelos Fable 5 e Mythos 5 para cumprir uma determinação relacionada a controles de exportação emitida pelo Departamento de Comércio.

      Disputa com modelos chineses aumenta pressão sobre política tecnológica dos EUA

      Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
      EUA x China – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

      A reorganização interna acontece enquanto modelos de inteligência artificial de código aberto desenvolvidos na China ganham espaço no mercado americano. Entre os exemplos citados está a startup chinesa Moonshot AI, que apresentou recentemente o modelo Kimi K3 e afirmou ter reduzido a diferença em relação aos sistemas mais avançados de empresas dos Estados Unidos.

      A disputa envolve modelos proprietários desenvolvidos por companhias como OpenAI e Anthropic, que seguem entre os principais nomes do setor americano. Nesse cenário, a capacidade do governo de acompanhar, avaliar e estabelecer diretrizes para essas tecnologias passou a receber maior atenção.

      Nas últimas semanas, a administração Trump também iniciou a implementação de medidas previstas na ordem executiva por meio do chamado “Gold Eagle”, um sistema criado para identificar e corrigir vulnerabilidades de segurança digital.

      Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, o mecanismo já começou a receber e priorizar falhas identificadas em sistemas de cibersegurança, além de coordenar processos de verificação. O CAISI, porém, não foi apontado como participante da criação dessa iniciativa.

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