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Copa do Mundo terá IA, avatares e bola inteligente

A FIFA vai usar inteligência artificial na Copa do Mundo para criar avatares de jogadores, analisar lances e apoiar árbitros em tempo real.

A tecnologia promete tornar decisões mais rápidas e melhorar a experiência de torcedores e equipes durante o torneio, explica matéria do Euronews.

A bola Trionda será equipada com sensores de alta frequência capazes de registrar 500 medições por segundo, trazendo mais precisão para lances decisivos. Imagem: Divulgação/Fifa. – Fifa / Divulgação

Tecnologia chega ao coração do jogo

A bola oficial da Copa, a Trionda, contará com um sensor de movimento de 500 hertz, capaz de registrar 500 dados por segundo. Isso permite identificar com precisão toques, passes e até possíveis faltas em tempo quase real.

Além disso, a FIFA pretende reduzir erros de arbitragem ao combinar dados da bola com câmeras e sistemas automatizados de impedimento.

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Avatares 3D de todos os jogadores serão criados para auxiliar árbitros e enriquecer transmissões ao vivo com representações digitais detalhadas dos atletas. Imagem: Divulgação/Fifa – Imagem: Divulgação/Fifa

Avatares digitais e decisões mais rápidas

Todos os 1.248 jogadores da competição terão versões digitais criadas por IA. Antes do torneio, cada atleta passará por uma digitalização corporal rápida, gerando modelos 3D usados em análises e transmissões.

Esses avatares ajudam árbitros a entender melhor lances rápidos ou obstruídos, além de aparecerem nas transmissões ao vivo para o público.

Assistente de IA para treinadores e seleções

A FIFA também desenvolveu o Football AI Pro, um assistente inteligente que analisa partidas e gera insights táticos para as equipes.

Entre suas funções estão:

  • Análise de desempenho individual e coletivo
  • Sugestões estratégicas para treinadores
  • Resumos em texto, vídeo e gráficos
  • Acesso democratizado a dados para todas as seleções

O sistema transforma dados complexos em informações práticas, ajudando equipes a se prepararem melhor para cada confronto.

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A IA ajudará a identificar impedimentos e jogadas duvidosas em tempo real, oferecendo suporte mais rápido e preciso para a equipe de arbitragem. Imagem: Marta Fernandez Jimenez/Shutterstock

Experiência de transmissão mais imersiva

Outra novidade é a “Visão do Árbitro”, uma câmera com apoio de IA que mostra o jogo do ponto de vista do juiz de campo. A ideia é aproximar ainda mais os fãs da dinâmica real da partida.

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Segundo a FIFA, o objetivo é tornar o futebol mais justo, tecnológico e acessível, sem perder a essência do esporte.

Estamos garantindo que a inovação beneficie todos os jogadores, todas as equipes e todos os torcedores em todo o mundo… e, claro, beneficie o maior esporte de todos, o futebol.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante evento em janeiro.

Com a chegada dessas ferramentas, a Copa do Mundo promete ser uma das mais tecnológicas da história, unindo inovação, análise de dados e novas formas de acompanhar o futebol dentro e fora de campo.

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IA analisa posts no Reddit e revela efeitos do Ozempic

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia usaram modelos de inteligência artificial da OpenAI para analisar mais de 410 mil posts do Reddit ao longo de seis anos, mapeando menções às substâncias ativas semaglutida e tirzepatida — ou aos nomes comerciais dos medicamentos que as contêm, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound — em busca de possíveis efeitos colaterais relatados pelos próprios usuários.

O estudo, publicado na revista Nature Health, aponta que fóruns online podem funcionar como fonte de sinais para investigações clínicas futuras. Os pesquisadores deixam claro, porém, que a análise não substitui ensaios clínicos nem avaliações médicas formais.

Fóruns online como o Reddit foram analisados para identificar padrões de efeitos relatados por pacientes. Imagem: stefamerpik/Freepik

Os efeitos colaterais que chamaram atenção

Segundo o ScienceAlert, entre os relatos que se destacaram como potencialmente não reconhecidos pela literatura médica, dois grupos chamaram atenção: queixas relacionadas à saúde reprodutiva, incluindo irregularidades no ciclo menstrual, e problemas ligados à regulação de temperatura corporal, como calafrios e ondas de calor. Vale notar que esses efeitos estavam longe de ser os mais frequentemente mencionados nos posts.

Para as alterações de temperatura, há um mecanismo conhecido: a forma como o metabolismo queima energia é reconhecida por impactar o equilíbrio térmico do organismo. Para as alterações menstruais, há menos pesquisa disponível sobre como esses medicamentos afetam o ciclo.

A psicóloga Jena Shaw Tronieri, uma das pesquisadoras envolvidas, apontou que esses medicamentos atuam em uma região do cérebro chamada hipotálamo, que ajuda a regular uma ampla variedade de hormônios. “Isso não significa que os medicamentos estejam necessariamente causando esses sintomas, mas pode indicar que relatos de alterações menstruais e flutuações de temperatura corporal merecem ser estudados de forma mais sistemática”, afirmou.

Os relatos mais comuns nos posts incluíam sintomas já conhecidos, como náusea — o que, segundo o cientista da computação Sharath Chandra Guntuku, valida o método. “Alguns dos efeitos colaterais que encontramos, como náusea, são bem conhecidos, e isso mostra que o método está captando um sinal real. Os sintomas sub-relatados são pistas que vieram dos próprios pacientes, de forma espontânea, e os clínicos poderiam potencialmente prestar atenção a eles”, disse.

Sintomas apareceram com maior frequência:

  • alterações no ciclo menstrual;
  • calafrios;
  • ondas de calor;
  • mudanças na regulação da temperatura corporal;
  • queixas ligadas à saúde reprodutiva.
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Medicamentos atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue. Imagem: grinvalds/iStock

Reddit vira “laboratório” inesperado, mas com limitações

Os modelos GPT da OpenAI foram usados para processar o volume de texto e identificar padrões nos posts. Segundo Guntuku, esse tipo de varredura pode ser concluído rapidamente, o que representa uma vantagem em relação ao ritmo dos ensaios clínicos tradicionais.

Ensaios clínicos são o padrão ouro, mas por design são lentos. Isso não é uma substituição para os ensaios, mas pode se mover muito mais rápido, e essa velocidade importa quando um medicamento passa de nicho para mainstream quase da noite para o dia.

Sharath Chandra Guntuku, cientista da computação e pesquisador, em nota enviada ao Science Alert.

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Os pesquisadores reconhecem limitações importantes. Como pouco se sabe sobre o perfil dos usuários que fizeram as postagens, a análise não permite afirmar de forma definitiva que os medicamentos causam os sintomas relatados. Além disso, o Reddit tende a concentrar adultos jovens, do sexo masculino e residentes nos Estados Unidos — o que limita a representatividade da amostra.

Imagem mostra mãos segurando termômetro para medir a febre
Pesquisa aponta que redes sociais podem ajudar a identificar efeitos colaterais ainda pouco estudados, como febre, calafrios e alterações no ciclo menstrual. Imagem: Polina Tankilevitch / Pexels.

Contexto sobre os medicamentos GLP-1

Os medicamentos GLP-1 recebem esse nome por mimetizar o hormônio natural peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Eles atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue.

Esses tratamentos estão associados a benefícios no controle de peso e no manejo do diabetes, mas pesquisas sobre outros efeitos potenciais ainda estão em andamento. Entre as consequências investigadas estão possível proteção contra o Alzheimer, melhora da saúde cardiovascular e maior risco de pancreatite aguda ou crônica. Também é comum que pacientes recuperem a maior parte do peso após interromper o uso dos medicamentos.

O cientista Lyle Ungar destacou o papel complementar que as redes sociais podem ter nesse contexto. “Ensaios clínicos geralmente identificam os efeitos colaterais mais perigosos dos medicamentos, mas podem deixar de encontrar os sintomas que mais preocupam os pacientes. Mesmo que as redes sociais não sejam necessariamente representativas, uma grande coleção de posts pode refletir preocupações adicionais”, afirmou.

Para Guntuku, a principal vantagem dessa abordagem é a velocidade: “O ponto central desse tipo de abordagem é que ela pode se mover rapidamente, e é exatamente aí que ela é mais valiosa.”

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Dona do Google anuncia venda de ações para investir em IA

A Alphabet anunciou nesta segunda-feira (1º) planos para levantar US$ 80 bilhões por meio da venda de ações. Segundo a controladora do Google, os recursos serão destinados à expansão de sua infraestrutura de computação voltada à inteligência artificial (IA), em resposta ao aumento da demanda por seus produtos e serviços na área.

A operação inclui um investimento de US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway e ocorre em um momento de crescimento dos gastos da empresa com projetos relacionados à IA. A Alphabet afirma que pretende ampliar sua capacidade de atendimento diante de uma procura que já supera a oferta atualmente disponível.

Dona do Google quer expandir investimentos em IA, e vai usar a venda de ações para arrecadar dinheiro – Imagem: Gguy/Shutterstock

Recursos serão usados para ampliar capacidade de IA

Em documento divulgado ao mercado, a empresa informou que o capital captado será utilizado para financiar investimentos em sua infraestrutura de computação para inteligência artificial. A companhia destacou que vem registrando forte demanda por soluções e serviços de IA tanto entre consumidores quanto entre clientes corporativos.

De acordo com a Alphabet, o interesse por essas tecnologias está em níveis que excedem sua capacidade atual de fornecimento. A expansão dos investimentos, segundo a empresa, busca fortalecer sua infraestrutura básica para sustentar as oportunidades de crescimento identificadas no setor.

Plano combina diferentes ofertas de ações

Do total de US$ 80 bilhões previstos na operação, US$ 10 bilhões virão do aporte da Berkshire Hathaway.

Além disso, a Alphabet planeja levantar US$ 30 bilhões por meio de ofertas subscritas. Desse montante, US$ 15 bilhões serão obtidos com “ações depositárias representando ações preferenciais obrigatoriamente conversíveis”.

Os US$ 40 bilhões restantes deverão ser arrecadados por meio de um programa de oferta de mercado envolvendo ações das classes A e C da companhia. O início dessa etapa está previsto para o terceiro trimestre.

Gastos previstos aumentaram neste ano

O anúncio da captação ocorre após a Alphabet revisar suas projeções de investimentos para 2026. Em abril, a empresa elevou sua estimativa de despesas de capital para um intervalo entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões.

Anteriormente, a previsão era de investimentos entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões ao longo do ano. A atualização reflete o aumento dos gastos relacionados ao desenvolvimento e à expansão de projetos ligados à inteligência artificial.

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Microsoft Build 2026: novos modelos de IA, super app do Copilot e melhorias no Windows

A Microsoft deve aproveitar a conferência Build desta semana para mostrar até onde pretende levar sua aposta em inteligência artificial. Entre as novidades esperadas estão novos modelos de IA, mudanças importantes no Windows 11 e uma reformulação do Copilot.

O evento acontece em São Francisco em um momento sensível para a empresa, que tenta recuperar a confiança de desenvolvedores após problemas recentes envolvendo Windows e GitHub, afirma o The Verge.

Novo ambiente do Windows 11 promete menos distrações, ferramentas pré-instaladas e mais praticidade para programação. Imagem: aileenchik/Shutterstock

Windows com foco em desenvolvedores

A Microsoft deve apresentar uma experiência otimizada do Windows 11 para desenvolvedores, com ambiente sem distrações, aplicativos pré-instalados, ferramentas e scripts. A empresa também deve detalhar seus esforços para reescrever partes do Windows 11 com o objetivo de melhorar desempenho e experiência geral — um plano apresentado no início deste ano que já gerou melhorias iniciais.

Haverá ainda anúncios sobre como o Windows está se adaptando a novos chips, como o RTX Spark, da Nvidia. Fontes indicam que o evento terá foco maior em modelos de IA rodando localmente no Windows, permitindo que desenvolvedores usem capacidade de processamento local em vez de depender de modelos na nuvem. O chefe do Windows, Pavan Davuluri, havia antecipado na semana passada que “algo novo está chegando para desenvolvedores” no Build.

Durante a keynote, o CEO Satya Nadella deve discutir o anúncio do RTX Spark ao lado do CEO da Nvidia, Jensen Huang. A Qualcomm também deve marcar presença para falar sobre seu trabalho contínuo com a Microsoft no crescimento do Windows em processadores Arm. PCs compactos com RTX Spark da Microsoft e da HP estiveram notavelmente ausentes na lista de fabricantes exibida durante a keynote da Nvidia na Computex.

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Build 2026 deve revelar novos modelos de IA da Microsoft para Windows, chips Arm e processamento local. Imagem: TippaPatt / Shutterstock

Novo modelo de raciocínio e outros lançamentos de IA

Mustafa Suleyman, chefe da Microsoft AI, deve apresentar o MAI-Thinking-1, descrito como o primeiro modelo de raciocínio da empresa. De acordo com as fontes, a Microsoft não utilizou destilação para criar esse modelo — ou seja, ele não foi treinado a partir dos resultados de outro modelo de IA. O MAI-Thinking-1 deve ser direcionado principalmente para uso corporativo.

Além do modelo de raciocínio, outros lançamentos esperados incluem:

  • MAI-Image-2.5;
  • MAI-Image-2.5-Flash;
  • Novos modelos locais para Windows;
  • Recursos voltados para chips Arm;
  • RTX Spark;
  • Melhorias para IA executada localmente.

O próprio Suleyman havia antecipado o lançamento do MAI-Image-2.5 na semana passada, prometendo mais detalhes no Build.

Ao fundo, logo da Microsoft; à frente, logo do Copilot em um smartphone
Microsoft prepara aplicativo unificado para concentrar recursos de IA do Copilot em um só lugar. Imagem: Mijansk786/Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Super app do Copilot ainda em desenvolvimento

A Microsoft também deve apresentar seu “super app” do Copilot no evento. A publicação Fortune foi a primeira a reportar o projeto, descrevendo-o como um aplicativo que reúne os diferentes assistentes de IA do Copilot em uma única interface. Fontes confirmam que o desenvolvimento está em andamento, mas indicam que o screenshot vazado na sexta-feira anterior ao evento é apenas um mockup preparado para as demonstrações do Build.

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A imagem vazada também mostra uma prévia do Microsoft Scout, descrito como um novo agente de IA baseado no trabalho interno da Microsoft chamado OpenClaw. O super app do Copilot não estará disponível durante o Build, já que a empresa ainda está no processo de criação. A previsão é que ele chegue em prévia somente no final do verão no hemisfério norte.

GitHub sob pressão

O GitHub também deve ser tema no Build. A plataforma enfrenta uma série de problemas: onda de saídas, instabilidades e incidentes de segurança, com desenvolvedores de alto perfil passando a levantar alertas sobre a situação. Parte da organização do Build está sendo conduzida pela equipe do GitHub, e a expectativa é de que a Microsoft aborde os problemas da plataforma durante o evento.

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WeatherMesh 6: IA promete prever o clima com precisão inédita

Uma startup criada por estudantes de Stanford quer mudar a forma como o mundo acompanha a previsão do tempo. A WindBorne Systems lançou nesta semana o WeatherMesh 6, modelo de inteligência artificial que promete previsões mais rápidas e precisas do que sistemas tradicionais usados atualmente na Europa, explica o TechCrunch.

O novo sistema chamou atenção por desafiar diretamente o ECMWF, centro meteorológico europeu considerado uma das maiores referências globais em previsões climáticas. Segundo a empresa, o avanço veio da forma como os dados dos sensores são processados pela IA.

Startup americana usa IA e dados atmosféricos para melhorar previsões meteorológicas. Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Como a IA está mudando a previsão do tempo

A WindBorne nasceu em 2019 com uma proposta bem mais simples: desenvolver balões meteorológicos modernos para vender dados climáticos. Só que a evolução dos modelos de inteligência artificial voltados à meteorologia acabou mudando os rumos da empresa.

Com a chegada dessas ferramentas em 2022, a startup decidiu criar também seu próprio modelo de previsão. O resultado foi o WeatherMesh, que chega agora à sexta versão trazendo melhorias importantes na precisão das análises.

O WeatherMesh 6 é tão preciso com cinco dias de antecedência quanto uma previsão tradicional é no dia anterior.

Kai Marshland, diretor de produtos da WindBorne Systems ao TechCrunch.

Outro ponto que chama atenção é a velocidade. Enquanto modelos tradicionais costumam gerar previsões a cada seis horas, o WeatherMesh 6 atualiza os dados de hora em hora. Em regiões como Europa e Estados Unidos continentais, a resolução alcança 3 quilômetros.

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Sistema da WindBorne usa IA e dados atmosféricos para prever o tempo com mais eficiência. Imagem: Aree_S/Shutterstock

Balões viraram vantagem competitiva

Hoje, a empresa mantém cerca de 400 balões meteorológicos em operação simultânea, lançados de 15 locais ao redor do mundo. Esses equipamentos coletam dados atmosféricos continuamente e ajudam a alimentar o sistema de IA da companhia.

Boa parte da aposta da WindBorne está justamente aí: controlar a própria coleta de informações meteorológicas. Segundo John Dean, CEO da startup, esse diferencial pode ser decisivo no futuro do setor.

  • Previsões atualizadas a cada hora;
  • Resolução de até 3 km;
  • Cerca de 400 balões em operação;
  • Coleta de dados em 15 locais do mundo;
  • Modelo baseado em arquitetura Transformers.

“Pessoalmente, não entendo o modelo de negócios de uma empresa de meteorologia baseada em IA sem uma vantagem em termos de conjunto de dados”, disse Dean ao TechCrunch.

A empresa afirma que as melhorias mais recentes surgiram justamente da forma como esses dados são inseridos diretamente no modelo. Antes, grande parte dos sistemas de IA dependia de informações já processadas por órgãos como o ECMWF e a NOAA.

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Balões meteorológicos coletam dados em tempo real para modelo de IA da WindBorne. Imagem: CC0/Px Here

Startup também enfrentou turbulência

A expansão da WindBorne passou por um episódio delicado no ano passado. Um avião da United Airlines colidiu com um dos balões da empresa durante um voo. Apesar do susto, ninguém ficou ferido e os danos foram leves.

Depois do incidente, a startup adicionou transponders ADS-B aos balões. O sistema transmite a localização em tempo real para redes globais de monitoramento aéreo, numa tentativa de reduzir o risco de novos acidentes.

Além do avanço tecnológico, a empresa também vem crescendo financeiramente. A WindBorne já captou US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões) e alcançou uma avaliação estimada em US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 26 milhões) em 2024.

Hoje, a startup vende dados meteorológicos para a NOAA, além da Força Aérea e da Marinha dos Estados Unidos. A empresa também comercializa previsões para investidores e negociadores de commodities, embora continue priorizando o desenvolvimento do modelo e da infraestrutura de dados.

Com a inteligência artificial avançando rapidamente no setor meteorológico, empresas como a WindBorne tentam mostrar que previsões climáticas cada vez mais detalhadas podem chegar mais rápido, e depender menos dos sistemas tradicionais que dominaram essa área nas últimas décadas.

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IA pós-ChatGPT deixa 220 startups bilionárias em crise

Mais de 220 startups estadunidenses que atingiram avaliações bilionárias durante o boom de investimentos entre 2020 e 2022 perderam o status de “unicórnio“, com algumas empresas perdendo até 82% de seu valor. Segundo dados exclusivos da PitchBook fornecidos à CNBC, quase metade das 857 startups unicórnio dos Estados Unidos não conseguiu levantar novos investimentos nos últimos três anos.

As empresas que captaram recursos pela última vez em 2021 valem em média 68% menos hoje, enquanto aquelas que levantaram fundos em 2022 sofreram queda de 52% em suas avaliações. Entre os “unicórnios caídos” estão marcas conhecidas, como Glossier (queda de 45%), Calendly (-74%), Savage X Fenty (-61%) e AG1 (-47%).

O principal catalisador dessa transformação foi o boom da inteligência artificial (IA) que canalizou mais de US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão) para empresas, como OpenAI e Anthropic, redefinindo as avaliações de categorias inteiras de startups. A chegada do ChatGPT em novembro de 2022 marcou o que investidores chamam de “momento ChatGPT“.

Engenharia transformada pela IA generativa

“O momento ChatGPT foi quando as pessoas disseram: ‘Caramba, a próxima geração de empreendedores tem como linguagem de programação o inglês falado’”, disse Samir Kaul, sócio da Khosla Ventures e investidor inicial da OpenAI. Segundo Kaul, agora, 50 engenheiros conseguem fazer o trabalho que exigiria 500 profissionais cinco anos atrás, forçando uma reavaliação completa de como valorizar empresas.

Cinco anos atrás, capitalistas de risco investiam massivamente em startups estadunidenses de todos os setores, desde assinaturas de lingerie até software de agendamento, concedendo avaliações bilionárias antes mesmo da maioria gerar lucros. Era uma era efervescente alimentada por dinheiro barato e demanda impulsionada pela pandemia.

Mesmo após o Federal Reserve (FED) começar a elevar juros em 2022, muitos fundadores acreditavam que cresceriam o suficiente para justificar suas avaliações inflacionadas. Então chegou o ChatGPT, transformando completamente o cenário.

Startups presas entre dois mundos

  • Enquanto ações de empresas públicas de software, como Salesforce, ServiceNow e Workday foram duramente atingidas pela ameaça da IA, um ajuste silencioso ocorreu nos mercados privados;
  • Centenas de startups construídas antes de 2022 ficaram encalhadas — cortadas do financiamento venture capital devido a avaliações inflacionadas e tecnologia desatualizada, mas insuficientemente lucrativas para abrir capital;
  • “Muitas dessas empresas são pré-IA, não apenas em estrutura de custos, mas também em produtos”, disse Immad Akhund, CEO da Mercury, que oferece serviços bancários a um terço das empresas estadunidenses apoiadas por venture capital;
  • “Definitivamente estão numa situação difícil. Toda atenção está na IA, então, se você não é uma empresa AI-first, precisa de números muito fortes para levantar recursos.”
Chegada do ChatGPT em novembro de 2022 marcou o que investidores chamam de “momento ChatGPT” – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock

Software empresarial no epicentro da crise

As mais atingidas são empresas de software empresarial, que representam a maior categoria entre os unicórnios caídos. Há 75 empresas de software-como-serviço (SaaS) na lista da PitchBook — o dobro das fintechs, segundo maior grupo. Isso reflete tanto as enormes avaliações que startups de software comandaram em 2021 quanto o grau em que a IA generativa desestabilizou o setor.

David Zhu, ex-chefe de engenharia do DoorDash, prevê mudanças sísmicas: “A tese que eu tinha era que todas as empresas SaaS empresariais orientadas por fluxo de trabalho serão interrompidas ou mortas na próxima década“. O modelo SaaS, baseado em cobrança por usuário, é especialmente ameaçado pela ascensão de agentes autônomos.

Após deixar o DoorDash, onde liderou mais de 200 engenheiros, Zhu fundou a Reevo, plataforma de IA que automatiza equipes corporativas. Segundo ele, empresas pré-IA estão sobrecarregadas por modelos de pessoal inchados e software inadequado, dificultando transformações.

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Respostas limitadas e perspectivas sombrias

A maioria das empresas destacadas não respondeu pedidos de comentário da CNBC. Um porta-voz da Skydio, fabricante de drones cuja avaliação despencou de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,6 bilhões) para US$ 509 milhões (R$ 2,6 bilhões) segundo a PitchBook, chamou as estimativas de “especulação falsa“.

Para empresas sem financiamento desde 2021-2022, é improvável conseguir novos recursos, segundo investidores. Sem acesso a venture capital ou perspectiva de IPO, a saída mais provável é aquisição por fração da avaliação anterior.

“Quando vemos empresas não levantando recursos, é uma bandeira vermelha”, disse Andrew Akers, analista da PitchBook, explicando que geralmente significa crescimento fraco ou negativo. “Por baixo da superfície, acho que há muitos dominós para cair.”

O colapso do piso de avaliações

Alguns resets já ocorreram em 2026. Em fevereiro, o app de investimentos Stash foi adquirido pela Grab de Singapura por US$ 425 milhões (R$ 2,1 bilhões) — abaixo dos cerca de US$ 660 milhões (R$ 3,3 bilhões) que investidores colocaram na empresa.

No mesmo mês, a fintech Step foi comprada pelo YouTuber MrBeast por valor não divulgado, com investidores especulando preço bem inferior aos aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) que a startup havia levantado.

“Muitos desses negócios simplesmente não valem mais tanto, razão pela qual você os vê sendo adquiridos com grandes descontos”, disse Ryan Falvey, da Restive Ventures. As avaliações despencaram cerca de seis vezes desde o pico de 2021, quando chegavam a 50 vezes a receita futura, significando que uma empresa com a mesma receita vale cerca de 85% menos no mercado atual.

Antes do reset, startups podiam ser vendidas para empresas de tecnologia maiores por cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) por programador, segundo Kaul. Uma empresa com 100 engenheiros valeria pelo menos US$ 200-300 milhões (R$ 1 bilhão-R$ 1,5 bilhão). Mas essa suposição, que fornecia um piso para avaliações durante o boom, evaporou após ferramentas de IA permitirem que equipes menores construíssem produtos.

Startups pós-ChatGPT superam predecessoras

O resultado é que startups pós-ChatGPT estão superando competidoras mais antigas, segundo Falvey. Ele considera investimentos dos últimos três anos “indiscutivelmente os melhores” que sua empresa fez: “Notamos em 2023 que as empresas em que investimos pós-ChatGPT já estavam ganhando mais dinheiro que a maioria das empresas pré-ChatGPT.”

A IA generativa pode reduzir o capital necessário para construir empresas de software bem-sucedidas, desafiando premissas centrais do boom venture da última década. O impacto reverberará por todo ecossistema de financiamento empresarial, de venture capital a crédito privado até gigantes públicas.

Empresas de software mais antigas ainda dependem de modelos baseados em cobrança por número de funcionários usando produtos — abordagem que Kaul acredita que a IA minará conforme empresas automatizam mais trabalho de escritório. Fornecedores de software precisarão migrar para modelos de precificação baseados em resultados e infraestrutura nativa de IA para sobreviver.

“A pergunta que faço toda vez que uma delas apresenta é: por que OpenAI, Anthropic ou Google não podem fazer isso?”, disse Kaul. “Para a maioria delas, a resposta é: ‘Eles podem‘.”

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Análise com IA de refugiados pode levar crianças a serem presas, alertam organizações

Usar inteligência artificial (IA) para avaliar a idade de jovens que pediram asilo pode levar crianças a acabarem em prisões ou centros de detenção para adultos. É o que apontou uma coligação de mais de 100 organizações de apoio a crianças refugiadas.

O alerta vem após o governo do Reino Unido anunciar um contrato para implementar tecnologia baseada em IA para estimar a idade de jovens com pedidos de asilo que acabaram contestados.

Organizações beneficentes alertam sobre uso de IA para analisar refugiados no Reino Unido

Um relatório do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes alerta para os riscos do uso de reconhecimento via IA sobre jovens que não se enquadram nos padrões de idade para a sua faixa etária.

O consórcio, cujas organizações membros trabalham para promover e proteger os direitos de crianças refugiadas e migrantes, afirma que questões como trauma, subnutrição e jornadas angustiantes percorridas pelos jovens refugiados para chegarem vivos ao país podem confundir a avaliação feita pela IA.

O relatório, intitulado Benchmarks and Borders: the use of facial age estimation to assess the age of unpanied young people seeking asylum, não descarta completamente o uso de IA. Mas alerta para os riscos de se confiar exclusivamente nela. E reforça que a tecnologia não deve substituir avaliações de idade feitas por assistentes sociais.

O documento insta o Ministério do Interior a usar a IA de forma consultiva, e não determinante, com uma série de salvaguardas incorporadas, incluindo o acesso a um adulto responsável, aconselhamento jurídico e o direito de contestar as decisões.

O relatório também insta o governo a não substituir os erros humanos cometidos em alguns casos de avaliação de idade por erros de máquina. O documento ainda não foi publicado. Mas o jornal The Guardian teve acesso a ele.

Riscos de colocar IA na avaliação de idade de refugiados

“Por muito tempo, migrantes adultos que declaram idades falsas têm explorado o sistema e desviado apoio vital de crianças em situação de risco”, disse o ministro da Segurança de Fronteiras e Asilo, Alex Norris. “É por isso que estamos implementando tecnologia de IA para pôr um fim a isso, garantindo que aqueles que manipulam o sistema sejam identificados, detidos e deportados sem demora, e que aqueles que merecem apoio e proteção os recebam.”

“IA enfrenta os mesmos problemas de viés e imprecisão que a tomada de decisões humanas tem”, disse a copresidente do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes, Kamena Dorling – Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital

No entanto, a copresidente do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes, Kamena Dorling, disse que “as propostas do governo são profundamente preocupantes”. “A IA não consegue levar em conta os fatores que podem afetar significativamente a aparência de um jovem após fugir de conflitos e perseguições e enfrentar jornadas perigosas, incluindo traumas, desnutrição e exaustão.” 

“As evidências existentes também mostram que a IA enfrenta os mesmos problemas de viés e imprecisão que a tomada de decisões humanas, com padrões de erros semelhantes”, acrescentou Kamena.

Kama Petruczenko, analista sênior de políticas do Conselho para Refugiados e membro do consórcio, disse que “os próprios dados do governo já mostram que centenas de crianças estão sendo tratadas erroneamente como adultos devido a avaliações visuais falhas na fronteira, com consequências devastadoras para sua segurança e bem-estar”.

“A inteligência artificial e a tecnologia de estimativa de idade facial não são uma solução simples ou isenta de riscos para esses problemas antigos”, apontou Kama. “A baixa qualidade da imagem e o viés nos conjuntos de dados também podem afetar a precisão.”

A analista acrescentou que “há um risco real de que essa tecnologia crie uma falsa sensação de certeza em decisões que já são extremamente difíceis de acertar”. “Se avaliações falhas forem simplesmente automatizadas, mais crianças poderão acabar erroneamente em alojamentos para adultos, centros de detenção ou até mesmo prisões.”

O governo do Reino Unido informou que a IA estimará a idade de um indivíduo em segundos, analisando fotografias faciais já tiradas de pessoas que chegam em pequenas embarcações a Dover.

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IA: bilhões de SpaceX e OpenAI impulsionam apostas em empresas asiáticas

Investidores globais estão ampliando suas apostas em empresas asiáticas que podem se beneficiar da próxima fase de expansão da inteligência artificial (IA), impulsionada pelas esperadas captações bilionárias de companhias, como SpaceX, OpenAI e Anthropic.

A avaliação do mercado é que os recursos levantados por essas empresas deverão alimentar uma nova onda de investimentos em infraestrutura tecnológica, beneficiando fabricantes de componentes, materiais especializados, sistemas de resfriamento e equipamentos de energia em toda a cadeia de suprimentos da Ásia.

Boom da IA impulsiona mercado asiático

  • A tese vem ganhando força em momento em que os mercados buscam identificar os próximos vencedores do boom da IA;
  • Segundo analistas e gestores ouvidos pela Bloomberg, parte significativa dos recursos que deverão ser levantados pelas três empresas estadunidenses acabará chegando aos fornecedores asiáticos responsáveis por peças de servidores, componentes eletrônicos, materiais para semicondutores e soluções energéticas utilizadas em data centers;
  • O movimento ocorre após fabricantes de chips da região se tornarem alguns dos maiores beneficiários da expansão dos centros de dados;
  • Empresas, como a TSMC, a Samsung e a SK Hynix, alcançaram valorizações que as colocaram no grupo de companhias avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).

Contudo, após fortes altas nos preços das ações, parte dos investidores passou a demonstrar preocupação com os níveis elevados de avaliação dessas empresas. Com isso, cresce a busca por uma nova geração de vencedores ligados à infraestrutura da IA.

“Os IPOs relacionados à IA podem alimentar ainda mais o boom de investimentos em capital em um momento em que as ações asiáticas de semicondutores parecem esticadas”, afirmou Ken Wong, especialista em ações asiáticas da Eastspring Investments Hong Kong.

Segundo ele, a gestora está reduzindo sua exposição ao setor de semicondutores dentro de sua estratégia tecnológica para a Ásia e direcionando maior atenção para fabricantes de componentes eletrônicos.

OpenAI está na mesma linha da SpaceX e visa IPO bilionário – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Nova rodada de investimentos em IA

A disputa pela liderança em IA já levou gigantes da tecnologia, como a Meta e a Amazon, a realizar investimentos massivos em infraestrutura computacional.

Nesse contexto, as futuras ofertas públicas de ações de SpaceX, OpenAI e Anthropic são vistas como um fator que pode aliviar preocupações do mercado sobre a sustentabilidade do financiamento do setor, especialmente diante do aumento dos níveis de endividamento das empresas.

De acordo com Fabien Yip, analista de mercado da IG International, as listagens das três empresas poderão resultar em cerca de US$ 70 bilhões (R$ 352,6 bilhões) adicionais em gastos relacionados à IA, valor que se somaria aos mais de US$ 750 bilhões (R$ 3,8 trilhões) já comprometidos pelas principais empresas de computação em nuvem e infraestrutura digital.

Segundo Yip, os efeitos dessa expansão já podem ser observados nos resultados financeiros divulgados por fabricantes de chips. “O impacto sobre a Ásia é claramente visível”, afirmou. Para ela, à medida que a valorização ligada à IA amadurece, o movimento está se expandindo para além das empresas diretamente associadas ao desenvolvimento de chips.

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Fabricantes de componentes ganham destaque

Entre as operações mais lucrativas do mercado asiático neste ano estão fabricantes de componentes eletrônicos utilizados em servidores e fornecedores de materiais e processos empregados na produção de semicondutores.

A Samsung Electro-Mechanics e a Ibiden figuram entre os destaques do principal índice amplo de ações asiáticas da MSCI em 2026. Entre apostas consideradas menos óbvias, Yip destaca a fabricante japonesa de sanitários Toto, fornecedora de materiais cerâmicos utilizados em equipamentos para fabricação de semicondutores.

Os fabricantes asiáticos de chips vêm registrando lucros expressivos, impulsionados pela IA, beneficiados pelo forte poder de precificação decorrente da escassez de semicondutores. Agora, sinais de restrições de oferta começam a surgir em etapas posteriores da cadeia produtiva, tendência que pode se intensificar com a continuidade dos investimentos.

A maior conscientização dos investidores sobre esses novos gargalos, somada a fatores técnicos de mercado, tem contribuído para a ampliação do interesse por empresas além das grandes fabricantes de chips.

Servidores, conectividade e infraestrutura

Sam Konrad, gestor de portfólio da Jupiter Asset Management, vê oportunidades em empresas taiwanesas responsáveis pela montagem de servidores, como a Hon Hai e a Quanta, além da desenvolvedora de chips MediaTek.

O ciclo de investimentos em IA vai durar vários anos”, afirmou. “Os investidores provavelmente buscarão empresas que sejam beneficiárias diretas, mas que ainda negociem com múltiplos de avaliação baixos.”

Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management, acredita que a próxima etapa da valorização deverá ser mais seletiva. “A próxima fase da alta deve ser específica para determinadas ações, e não uma valorização generalizada dos semicondutores”, afirmou.

Segundo ele, sua equipe está concentrada em empresas ligadas a encapsulamento avançado de chips, substratos, testes, conectividade óptica, energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de servidores em Taiwan e na China, segmentos nos quais as perspectivas de crescimento dos lucros ainda podem justificar as avaliações de mercado.

Além disso, alguns investidores estão direcionando recursos para aplicações de IA além dos chatbots, incluindo robótica e veículos autônomos. Esse segmento emergente, conhecido como “IA física”, recebeu impulso dos esforços da Nvidia para expandir seus negócios nessa área, beneficiando empresas parceiras, como a LG.

Energia surge como novo gargalo

Outro setor que vem atraindo atenção crescente é o de energia, considerado fundamental para sustentar a proliferação de data centers. Fontes nucleares e alternativas de geração ganharam destaque, especialmente em um cenário de alta dos preços do petróleo, provocada pela guerra envolvendo o Irã.

Na Coreia do Sul, empresas, como a HD Hyundai Energy e a Daewoo Engineering & Construction, estão entre os principais destaques do mercado acionário local neste ano.

Na Índia, os investimentos do Adani Group em data centers abastecidos por energia renovável impulsionam o desempenho de suas subsidiárias do setor energético, representando uma das poucas apostas ligadas à inteligência artificial no país.

Jian Shi Cortesi, gestora da GAM Investment Management, considera o fornecimento de energia “o gargalo menos explorado” pelos investidores, mas alerta que a próxima fase da euforia em torno da IA pode envolver riscos maiores.

Segundo ela, caso a demanda por IA não justifique o volume de investimentos realizados, as empresas poderão reduzir seus gastos de capital, deixando o mercado diante de excesso de infraestrutura e de fortes quedas nas avaliações.

Logo da Anthropic em um smartphone na horizontal
Anthropic também está no bolo – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Fornecedores asiáticos devem ser beneficiados

Brian Ooi, gestor da Swiss-Asia Financial Services, avalia que as futuras captações de recursos de SpaceX, OpenAI e Anthropic representam um sinal positivo para a manutenção de investimentos em ações relacionadas à IA.

Ele também destaca oportunidades ligadas ao setor energético, especialmente em fabricantes de transformadores, células de combustível, cabos, turbinas a gás e outros equipamentos. Segundo Ooi, as três empresas terão mais recursos para sustentar seus planos de expansão.

“As três grandes ofertas relacionadas à IA fornecerão mais liquidez para que elas continuem investindo em gastos de capital, e elas já possuem planos significativos de investimentos”, afirmou. “Os fornecedores asiáticos serão beneficiados.”

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Aprender idiomas ainda faz sentido na era da IA?

Ferramentas de inteligência artificial já conseguem traduzir conversas em tempo real, dublar vídeos automaticamente e converter textos em dezenas de idiomas quase instantaneamente. Empresas como OpenAI, Google e Meta aceleraram uma transformação que parece tornar o aprendizado de línguas menos necessário. Afinal, se a IA traduz tudo, por que dedicar anos ao estudo de outro idioma?

A resposta envolve muito mais do que comunicação prática. Pesquisadores argumentam que aprender idiomas continua exercendo um papel importante no funcionamento cognitivo, na memória e até na forma como interpretamos culturas diferentes. Embora a IA facilite tarefas do dia a dia, ela não substitui completamente o processo mental e social envolvido na aprendizagem linguística, segundo informações do portal Phys.org.

Para quem tem pressa:

  • O multilinguismo não melhora todas as funções cognitivas igualmente;
  • Benefícios apareceram principalmente na memória visuoespacial;
  • Os efeitos foram mais evidentes em idosos;
  • O uso frequente de diferentes idiomas parece gerar ganhos acumulativos;
  • Tradutores automáticos não reproduzem esse mesmo estímulo cognitivo.

O esforço cognitivo continua sendo importante

Especialistas em psicologia cognitiva usam o termo “dificuldades desejáveis” para descrever atividades mentalmente exigentes que fortalecem o aprendizado no longo prazo. Aprender um idioma se encaixa exatamente nesse conceito. Construir frases, lembrar palavras e interpretar significados ativa redes neurais ligadas à memória, atenção e flexibilidade cognitiva.

Aprender uma nova língua ativa áreas ligadas à memória, atenção e flexibilidade cognitiva, funcionando como exercício mental contínuo. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Pesquisadores destacam que o uso contínuo de múltiplos idiomas pode ajudar na chamada “resiliência cognitiva”, capacidade do cérebro de manter funções mentais durante o envelhecimento. O cérebro precisa alternar contextos, resolver conflitos linguísticos e adaptar respostas constantemente, criando um tipo de exercício mental difícil de reproduzir apenas com tradutores automáticos.

Um estudo recente com 94 adultos entre 18 e 83 anos analisou tarefas ligadas à memória de trabalho, atenção e inibição cognitiva. Os resultados mostraram que pessoas com experiências multilíngues mais ricas apresentaram desempenho superior em memória visuoespacial, especialmente entre participantes mais velhos.

IA traduz palavras, mas não experiências culturais

Os sistemas atuais de tradução funcionam principalmente por reconhecimento de padrões. Eles conseguem entregar respostas rápidas e eficientes, mas ainda enfrentam dificuldades com humor, contexto cultural, emoção e nuances sociais da linguagem.

IA começa a desenvolver “linguagem secreta” para conversar entre si
Especialistas destacam que tradutores automáticos convertem palavras, mas não reproduzem nuances culturais, emocionais e sociais da linguagem. (ChatGPT / Olhar Digital)

Os pesquisadores ressaltam que traduzir não é o mesmo que participar de uma cultura. Aprender um idioma envolve compreender referências históricas, formas de pensar e maneiras específicas de expressar emoções. Esse processo cria uma relação mais profunda com outras sociedades e também com a própria identidade do falante.

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Participantes multilíngues do estudo descreveram experiências pessoais que ilustram isso. Alguns afirmaram pensar em um idioma, contar números em outro e usar uma terceira língua para expressar emoções intensas. Para os pesquisadores, essas mudanças mostram que diferentes idiomas podem representar diferentes formas de percepção e expressão.

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A IA que a Anthropic tem medo de lançar: o que você precisa entender sobre o Mythos

A Anthropic desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) capaz de revolucionar a cibersegurança. Mas, ao anunciá-lo, tomou uma decisão incomum: trancou o modelo a sete chaves. E distribuiu as chaves para algumas empresas. Por quê? Segundo a empresa, o modelo seria “perigoso demais” para cair nas mãos do público geral. “As consequências – para as economias, a segurança pública e a segurança nacional – podem ser graves”, declarou a empresa.

O Claude Mythos Preview (nome completo da criança) é o modelo de IA mais avançado já desenvolvido pela startup de Dario Amodei até o momento. Ele foi anunciado junto ao Projeto Glasswing, iniciativa liderada pela Anthropic em parceria com big techs como Apple, Google, Microsoft e Nvidia. Em suma, é um consórcio criado para testar o modelo em sigilo.

Até que ponto esse anúncio misterioso se sustenta? E até que ponto é mais uma jogada de marketing da Anthropic? O Olhar Digital mergulhou no tema e conversou com especialistas para te explicar o que importa.

O que o Mythos faz de verdade?

O modelo de IA opera como se fosse um engenheiro de software experiente. Para você ter ideia, ele consegue identificar bugs sutis e corrigir os próprios erros.

“O Mythos Preview encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas nos principais sistemas operacionais e navegadores”, informou a Anthropic. Até o momento, a startup divulgou uma fração do que afirma ter sido encontrado pelo modelo.

“Nos benchmarks de programação, ele [o Mythos] realmente mostrou uma evolução muito grande em comparação ao seu antecessor”, disse Carraro à reportagem – Imagem: Nwz/Shutterstock

Fabrício Carraro, Program Manager na Alura e colunista do Olhar Digital, explorou o System Card publicado pela empresa. É um documento de 245 páginas no qual a Anthropic detalha seus testes e benchmarks.

“Nos benchmarks de programação, ele [o Mythos] realmente mostrou uma evolução muito, muito grande em comparação ao seu antecessor, o Opus 4.6”, disse Carraro à reportagem.

Segundo a empresa, essa IA pode superar quase todos os humanos, exceto os mais qualificados, na identificação e exploração de vulnerabilidades de software. Daí o dito perigo em lançar o Mythos de forma ampla. Afinal, ele poderia ser usado como escudo e como arma. Mas existe uma peculiaridade.

“Diferente de um código convencional de computador que você pode entrar lá e olhar certinho o que que ele faz e o que não faz; se tem bug ou se não tem, uma inteligência artificial não funciona assim. Ela é uma caixa preta”, explicou Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, e também colunista do Olhar Digital. “A gente treina ela em atividades, mas a gente não sabe no final das contas as capacidades que ela tem.”

Pessoa segurando celular com logomarca do Claude Mythos na tela; ao fundo, monitor exibe linhas de código de programação
O Claude Mythos, da Anthropic, opera como se fosse um engenheiro de software experiente – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Quando o Anthropic diz ‘esse modelo é perigoso demais para a gente lançar’ é porque na fase de testes ele já fez algumas das coisas que a Anthropic não estava esperando

Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, em entrevista ao Olhar Digital

Além disso, avaliações independentes sugerem que o perigo é real. Só que mais limitado do que a Anthropic deu a entender no comunicado sobre o Mythos e o Projeto Glasswing.

Uma análise do Instituto de Segurança de IA (AISI, na sigla em inglês) do Reino Unido, que teve acesso antecipado ao modelo, constatou que a IA da Anthropic executou tarefas de hacking avançado em 73% das suas tentativas. Até abril, nenhuma IA conseguia fazer isso.

No entanto, vale destacar: nos testes do AISI, o Mythos enfrentou defesas de software quase inexistentes. Por isso, o instituto concluiu que, embora seja um modelo poderoso, a maior ameaça do Mythos é contra sistemas vulneráveis e mal defendidos.

Em entrevista à Scientific American, Ciaran Martin, professor na Universidade de Oxford, comparou o cenário a um atacante fazer gol contra o pior goleiro do mundo. Martin é ex-CEO do Centro Nacional de Segurança Cibernética (NSCS, na sigla em inglês) do Reino Unido.

Mythos: de inovação tecnológica para preocupação de segurança nacional

Para você se localizar, confira abaixo uma linha do tempo com pontos-chave do desenvolvimento, anúncio e repercussão do Mythos e do Projeto Glasswing:

Março de 2026: antecedentes e tensões

  • Início de março: Surge uma tensão pública entre o Pentágono (militares dos EUA) e a Anthropic;
  • 2 de março: O modelo Claude tem um aumento expressivo de popularidade após desentendimentos entre a empresa e militares;
  • 5 de março: O governo dos EUA, sob a administração Trump, anuncia o bloqueio da startup Anthropic por parte do Pentágono (o Olhar Digital explicou essa novela na época).

Abril de 2026: O lançamento e o alerta global

  • 7 de abril: A Anthropic anuncia oficialmente a existência do Claude Mythos Preview. A empresa declara que o modelo é capaz de encontrar e explorar falhas de segurança nos grandes sistemas operacionais e navegadores, mas toma a decisão inédita de não liberá-lo ao público devido aos riscos de ciberataques;
  • 8 de abril: Anthropic anuncia o Projeto Glasswing, iniciativa que reúne gigantes como Google, Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia e grandes bancos para usar o Mythos na proteção de suas infraestruturas;
  • 10 de abril: O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, convoca os presidentes dos maiores bancos americanos (como Goldman Sachs e Citi) para discutir os riscos cibernéticos impostos pelo novo modelo de IA.

Meados de abril de 2026: repercussão internacional e testes

  • 16 de abril: Bancos alemães iniciam consultas com autoridades e especialistas sobre os riscos do Mythos, enquanto o Banco da Inglaterra intensifica seus testes de risco;
  • 17 de abril: Relatórios do AISI do Reino Unido são divulgados, confirmando que o Mythos completou com sucesso uma simulação de ataque cibernético de 32 etapas, algo inédito para uma IA. Especialistas começam a debater se o modelo é uma revolução real ou parte de uma estratégia de marketing;
  • Semana de 17 de abril: O Mythos é tema de discussões em reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, sendo descrito pelo ministro das finanças do Canadá como um “desconhecido perigoso”.

Final de abril de 2026: brecha de segurança

  • 21 de abril: A Bloomberg revela que um pequeno grupo de usuários não autorizados conseguiu acesso ao Mythos por meio de um fórum privado. O acesso teria ocorrido no mesmo dia do anúncio original do modelo;
  • 22 de abril: A Anthropic confirma que investiga o relato de acesso não autorizado ao Claude Mythos Preview por meio de um fornecedor terceirizado.

Em 18 de maio, o Financial Times publicou que a Anthropic deverá apresentar ao Conselho de Estabilidade Financeira um relatório sobre os riscos cibernéticos identificados pelo Mythos.

Em suma, o contexto é:

  • O novo modelo de IA da Anthropic chamou atenção de bancos centrais e ministérios da Fazenda por sua capacidade de detectar vulnerabilidades em softwares, navegadores e infraestruturas importantes – o que também poderia facilitar ataques mais sofisticados ao sistema financeiro global;
  • A relevância do tema aumentou após o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmar que o Mythos poderia “desvendar todo o cenário de riscos cibernéticos” e ampliar ameaças a sistemas usados por bancos.

Avanço real ou jogada de marketing da Anthropic?

Em vez de lançar o Mythos para o público geral, a Anthropic concedeu acesso a empresas por meio do Projeto Glasswing. A startup descreveu essa iniciativa como “um esforço para proteger os softwares mais cruciais do mundo”.

Ícones de chatbots de inteligência artificial em tela inicial de celular Android
A Anthropic, desenvolvedora do Claude, compete com gigantes como OpenAI (ChatGPT), Google (Gemini) e Meta – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Entre as companhias de tecnologia que toparam participar do projeto, estão: Amazon Web Services (AWS), Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e CrowdStrike (sim, aquela empresa por trás do apagão global em 2024). “São empresas com muito foco em cibersegurança”, observou Carraro.

A Anthropic deu acesso, elas usaram e chancelaram. Ou seja, dá pra gente acreditar que realmente esse modelo é um grande salto de qualidade em relação ao Opus 4.6.

Fabrício Carraro, Program Manager na Alura, em entrevista ao Olhar Digital

Só que muitos analistas e especialistas independentes em cibersegurança ainda não puderam testar o Mythos por conta própria. Por isso, alguns continuam céticos sobre o desempenho do modelo.

Então, fica a pergunta: o Mythos representa um grande avanço para a IA ou seu anúncio foi uma jogada de marketing da Anthropic para inflar sua importância? Para o especialista da Alura, um pouco dos dois.

Carraro explicou que a Anthropic quer se posicionar como a principal empresa de IA voltada para negócios, programação e cibersegurança. Isso enquanto compete com gigantes como OpenAI (ChatGPT), Google (Gemini) e Meta.

Captura de tela de página sobre Projeto Glasswing no site da Anthropic
O Projeto Glasswing é um consórcio criado pela Anthropic para big techs testarem o Mythos em sigilo – Imagem: Reprodução/Anthropic

Por um lado, ele constatou a evolução da tecnologia da startup (no quesito código, pelo menos) ao analisar o System Card do Mythos. Por outro, observou com desconfiança o vazamento de dados sobre o modelo logo antes da empresa colocar no ar a página sobre o Projeto Glasswing – com vídeos bem produzidos e tudo.

“Ele [o Mythos] é excelente para programação, só que também tem o lado de marketing de eles se venderem como ‘nós somos a crista da onda’”, analisou Carraro. Para ele, é como se a Anthropic dissesse: “governo dos Estados Unidos, governo de outros países, empresas de qualquer setor, usem os nossos modelos, porque a gente pode dar acesso antecipado para [vocês] testarem o estado da arte ao qual os meros mortais não vão ter acesso”. 

Essa parte de ‘perigoso demais’ também encaixa um pouco nessa questão do marketing. Dá para as duas coisas serem verdade ao mesmo tempo.

Fabrício Carraro, em entrevista ao Olhar Digital

Seja como for, não é de hoje que o anúncio de um novo modelo de IA vem acompanhado dos termos “perigoso” e “revolucionário”. Cutucar medo e entusiasmo tornou-se uma marca registrada da indústria da IA.

Para o Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, o mais importante agora é: 1) não entrar em pânico; e 2) focar em acertar no básico quando o assunto é segurança cibernética.

Mythos reforça a necessidade de regulação da IA e a importância da pesquisa acadêmica

Se você chegou até aqui, talvez tenha pensado “foi bom a Anthropic ter segurado o Mythos, já que pode ser tão perigoso”. E é uma linha de raciocínio bem válida, tá? Mas, para Pena, essa decisão da Anthropic não é o suficiente para lidar com a situação.

“Para consertar tudo [que o Mythos achou de brecha]… a gente está falando de coisas tão estruturais”, disse o especialista em Machine Learning.

É muito recurso que tem que ser usado. E, às vezes, nem é possível porque tem sistema que [você] não pode tirar do ar para aplicar a segurança necessária. Então, eu não acho que [o Projeto Glasswing] vai resolver.

Roberto “Pena” Spinelli, em entrevista ao Olhar Digital

Segundo Pena, a solução seria regulação, a nível mundial, sobre o uso da IA e “as responsabilidades de cada um”. “A sociedade tem que exigir que a IA só possa entrar em sistemas que estejam seguros. E, se não dá para fazer isso, então não pode fazer”, disse o pesquisador.

Foto de explosão de bomba nuclear; explosão e fumaça projetam forma de cogumelo no horizonte
Para o especialista, evitar regular a IA a nível mundial é como dizer: “De vez em quando, alguém vai conseguir fazer uma bomba atômica no quintal” – Imagem: DOBUTSU/Shutterstock

Para entender esse raciocínio, imagine o desenvolvimento, sem regulação, de uma bomba atômica ou tecnologias com energia nuclear envolvida. Esse é o paralelo traçado pelo especialista na sua explicação.

“[É como se falássemos] Olha, de vez em quando vai ter alguém aí que vai conseguir fazer uma bomba atômica no quintal. E vai poder colocar todo mundo em risco. Não! Primeiro, você entende que o negócio é muito poderoso. Você regula”, disse Pena.

Neste ponto, entra também a importância da pesquisa acadêmica. “No geral, os cientistas têm uma probidade ética maior do que empresas”, disse o especialista. Mas, para ele, todos precisam remar para a mesma direção: regulação e responsabilização.

“Então, [quando] você vai fazer uma pesquisa ou desenvolver um produto, você precisa ter responsabilização. Você precisa ter um entendimento daquilo e garantir que o que você está colocando seja seguro”, reforçou Pena.

“Está faltando essa camada muito importante de regulação da inteligência artificial”, finalizou o pesquisador.

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