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A usina secreta de Musk para IA que virou alvo de polêmica

A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, instalou 59 turbinas a gás para alimentar o data center Colossus 2, nos Estados Unidos, sem as licenças federais apontadas pela Reuters como necessárias. O caso colocou em discussão os impactos ambientais da corrida por infraestrutura para IA.

Os equipamentos ficam principalmente em Southaven, no Mississippi, perto da fronteira com o Tennessee, onde está o data center usado para operar sistemas como o chatbot Grok.

O projeto da xAI colocou em discussão o equilíbrio entre avanço tecnológico e proteção ambiental. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Projeto de energia própria da xAI chama atenção de reguladores

A análise da Reuters indica que a xAI instalou 59 turbinas movidas a gás natural para fornecer energia ao Colossus 2. O número é mais que o dobro das 27 unidades que a empresa havia informado anteriormente operar sem licença.

A reportagem teve acesso a documentos públicos, dados governamentais e comunicações entre representantes da companhia e órgãos ambientais. Os registros mostram que a maior parte das turbinas está em Southaven, enquanto a instalação de inteligência artificial fica em Memphis.

O modelo adotado pela xAI acompanha uma tendência do setor: empresas de tecnologia buscam geração própria de energia para atender ao consumo crescente dos grandes centros de dados usados no treinamento e funcionamento de sistemas de IA.

Após analisar os dados, o analista Ben King, do instituto Rhodium Group, afirmou: “Isso parece ser um nível sem precedentes de gás instalado atrás do medidor em um único local”.

mapa mostrando a cidade de Southaven, no Mississippi
Comunidades próximas ao empreendimento questionam possíveis impactos da geração de energia para a IA. – Imagem: SevenMaps/Shutterstock

Comunidades próximas relatam preocupação com poluição

A instalação também virou alvo de uma disputa judicial. A NAACP e o Southern Environmental Law Center entraram com uma ação contra a xAI, argumentando que as turbinas deveriam seguir regras do Clean Air Act, principal legislação ambiental dos Estados Unidos sobre qualidade do ar.

Entre os pontos levantados estão:

  • Possíveis emissões acima dos limites que exigiriam autorização federal.
  • Impactos em bairros historicamente negros próximos ao projeto.
  • Falta de avaliações ambientais mais amplas antes da operação.
  • Debate sobre os efeitos da expansão da IA em comunidades locais.

O Departamento de Qualidade Ambiental do Mississippi afirmou que turbinas temporárias ou móveis não precisam de licença, enquanto a EPA informou avaliar possíveis mudanças regulatórias para esses equipamentos.

Data center com servidores e representação gráfica de inteligência artificial
A corrida por mais poder computacional da IA também aumenta a demanda por novas estruturas de energia. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

Emissões estimadas aumentam debate ambiental

Segundo os cálculos da Reuters, apenas 30 das 59 turbinas poderiam liberar anualmente cerca de 2,5 mil toneladas curtas de óxidos de nitrogênio, 4 mil toneladas de monóxido de carbono e 22 toneladas de formaldeído.

Moradores dizem que o impacto já faz parte da rotina. Em Colonial Hills, no Mississippi, residentes relatam que o som das turbinas é constante e se parece com o de motores de avião.

“Essa é uma quantidade enorme de turbinas e uma quantidade inimaginável de poluição do ar”, disse Shannon Samsa, moradora de Southaven.

A análise também apontou que regiões próximas ao empreendimento têm maior presença de moradores negros e índices de doenças respiratórias acima das médias locais.

O caso da xAI evidencia um desafio crescente para o setor de tecnologia: ampliar a capacidade energética necessária para a inteligência artificial sem ignorar os impactos ambientais e sociais gerados por essa expansão.

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Você pode estar sendo reprovado pela mesma IA em várias vagas

Você envia um currículo, adapta outro para uma vaga diferente e tenta novamente. As respostas, quando chegam, costumam ser parecidas. Um estudo da Universidade Stanford indica que isso pode não ser mera coincidência.

Depois de analisar milhões de candidaturas, os pesquisadores concluíram que diferentes empresas podem utilizar sistemas de inteligência artificial capazes de repetir os mesmos padrões de aprovação e rejeição.

Enviar muitos currículos pode não ser suficiente quando empresas utilizam sistemas de IA com critérios semelhantes. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O que significa “monocultura algorítmica”?

A pesquisa Algorithmic Monocultures in Hiring avaliou cerca de 4 milhões de candidaturas enviadas por mais de 3,4 milhões de pessoas para 156 empresas de 11 setores da economia.

Todas essas organizações utilizavam algoritmos desenvolvidos pelo mesmo fornecedor. Esse detalhe permitiu identificar o fenômeno chamado “monocultura algorítmica”, inspirado na agricultura, onde grandes áreas são ocupadas por uma única cultura.

Quando muitas empresas recorrem a ferramentas semelhantes, cresce a chance de que elas avaliem candidatos usando praticamente a mesma lógica. E isso vale tanto para os acertos quanto para possíveis limitações dos modelos.

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Perfis semelhantes tendem a receber avaliações parecidas quando os sistemas compartilham critérios de classificação. – Imagem: Dai Yim/ Shutterstock

Por que tantas rejeições podem se repetir?

Outro achado importante envolve os chamados perfis semelhantes. De acordo com o estudo, candidatos com características parecidas tendem a receber avaliações semelhantes mesmo ao disputar vagas em empresas diferentes.

Os principais resultados mostram que:

  • Cerca de 10% dos candidatos que disputam quatro vagas são rejeitados em todas elas.
  • Entre os que se candidatam a dez vagas, aproximadamente 4% recebem dez rejeições consecutivas.
  • As rejeições ocorrem com uma frequência maior do que seria esperado em decisões independentes.
  • Muitos currículos são descartados antes mesmo da análise de um recrutador.

Para verificar se esse comportamento não era apenas fruto do acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e estudos anteriores sobre recrutamento sem centralização algorítmica. A análise mostrou que as recusas sucessivas refletem um padrão compartilhado entre diferentes processos seletivos.

Imagem mostra uma mão segurando um papel; nele está desenhado um navegador de internet e uma barra de buscas, na qual está escrita a palavra
Mesmo com a IA, enviar mais currículos ainda aumenta as chances de conseguir uma oportunidade, diz o estudo. – Imagem: Gonzalo Aragon/Shutterstock

Vale a pena continuar enviando currículos?

Segundo as simulações, sim. O estudo indica que aumentar o número de candidaturas ainda melhora as chances de conseguir uma oportunidade, embora esse efeito seja menor quando diferentes empresas utilizam sistemas semelhantes.

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Em um cenário de decisões independentes, cerca de dez candidaturas seriam suficientes para alcançar uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva. Quando os processos passam por plataformas centralizadas, esse número sobe para aproximadamente 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%.

Os autores também alertam para outro ponto: a concentração do mercado de tecnologia para recrutamento. Como poucos fornecedores atendem muitas empresas, eventuais limitações ou vieses podem se espalhar rapidamente. Além disso, a baixa transparência dessas plataformas dificulta estudos independentes e torna mais difícil entender como essas ferramentas influenciam o acesso ao emprego. Para muitos candidatos, toda essa etapa acontece sem que eles sequer saibam que um algoritmo analisou primeiro o currículo.

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Bancos canadenses entram na mira de alerta sobre IA

O regulador federal do sistema financeiro do Canadá alertou, em abril, grandes bancos e seguradoras do país sobre os riscos cibernéticos associados a modelos avançados de inteligência artificial, incluindo o Claude Mythos, da Anthropic. A orientação foi enviada a executivos responsáveis por tecnologia, segurança da informação e gestão de riscos, segundo informações exclusivas da Reuters.

O aviso da Autoridade de Supervisão de Instituições Financeiras do Canadá (OSFI, na sigla em inglês) apontou que ferramentas de inteligência artificial de fronteira podem reduzir o tempo disponível para que empresas identifiquem falhas, adotem medidas de proteção e respondam a incidentes digitais.

A comunicação ocorreu em meio ao avanço global das discussões sobre segurança envolvendo sistemas de IA altamente capazes. O órgão canadense afirmou que sua preocupação está na forma como as instituições administram os riscos dessas tecnologias, e não no uso de uma ferramenta específica.

Regulador canadense amplia vigilância sobre impacto da inteligência artificial no setor financeiro

Claude é a IA da empresa Anthropic – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Documentos obtidos pela Reuters por meio de um pedido de acesso à informação indicam que a OSFI encaminhou o alerta em 29 de abril a representantes das principais instituições financeiras canadenses. Entre os destinatários estavam diretores de tecnologia, responsáveis por segurança cibernética e executivos ligados à área de riscos.

A preocupação central do regulador é que modelos avançados de inteligência artificial possam modificar a dinâmica dos ataques digitais. Segundo a OSFI, sistemas desse tipo podem acelerar a descoberta e a exploração de vulnerabilidades, pressionando bancos e seguradoras a reagirem com maior velocidade.

Em resposta aos questionamentos da Reuters, o órgão publicou posteriormente um boletim público sobre inteligência artificial generativa e sistemas considerados agentes, reforçando uma abordagem baseada na avaliação de riscos. A instituição afirmou que sua atuação busca garantir práticas adequadas de governança e controle.

A OSFI informou que adota uma postura neutra em relação à tecnologia e concentra sua análise na maneira como as organizações reguladas utilizam e supervisionam essas soluções. A entidade destacou que instituições financeiras devem fortalecer processos de identificação, redução de impactos e resposta a ameaças.

A discussão sobre o tema também envolveu encontros entre representantes do setor bancário e autoridades. No início de abril, executivos de bancos canadenses participaram de reuniões com reguladores para tratar dos possíveis efeitos do Mythos, pouco depois de autoridades norte-americanas terem discutido riscos semelhantes com dirigentes de grandes bancos.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Entre as seis maiores instituições financeiras do Canadá, Royal Bank of Canada, TD Bank e BMO já haviam apresentado planos para ampliar aplicações de inteligência artificial, incluindo chatbots, ferramentas internas e redução da dependência de soluções terceirizadas. Bank of Nova Scotia, CIBC e National Bank também divulgaram iniciativas relacionadas à tecnologia.

O governo canadense informou ter acesso ao Project Glasswing, sistema que permite a empresas utilizarem o Mythos, embora não tenha revelado quais bancos do país adotam a ferramenta. Algumas instituições evitaram comentar diretamente o assunto e encaminharam posicionamentos à Associação Canadense de Bancos.

A entidade afirmou que os bancos investiram recursos significativos na proteção do sistema financeiro e seguem exigências da OSFI relacionadas ao gerenciamento de riscos cibernéticos e à comunicação de incidentes.

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Para Bruce Ross, diretor de tecnologia do Royal Bank of Canada, o avanço de modelos como o Mythos representa uma mudança no cenário de ataques digitais. Em entrevista concedida a Reuters em junho, o executivo afirmou que as organizações precisam desenvolver mecanismos próprios de defesa baseados em inteligência artificial.

A OSFI também destacou que sua responsabilidade inclui preservar a estabilidade do setor financeiro canadense e acompanhar riscos emergentes relacionados a novas tecnologias, interferência estrangeira e fatores geopolíticos.

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Especialistas defendem mudanças na IA antes que seja tarde demais

Mais de 200 pesquisadores e economistas, incluindo 15 vencedores do Prêmio Nobel e integrantes de empresas de tecnologia como OpenAI, Anthropic e Google, defenderam nesta segunda-feira (13) a criação urgente de políticas para enfrentar os efeitos econômicos da inteligência artificial.

O grupo afirma que a expansão da IA pode gerar uma mudança econômica superior à provocada pela Revolução Industrial, mas em um intervalo de adaptação muito menor, criando desafios para trabalhadores, empresas e governos.

A declaração conjunta foi divulgada por especialistas ligados às áreas de economia e tecnologia, que pedem estudos mais aprofundados e a construção antecipada de instituições capazes de lidar com possíveis impactos, como a substituição de empregos em larga escala.

Especialistas defendem preparação antes dos efeitos da IA atingirem a economia

Robô humanoide, movido à IA, trabalhadno em uma fábrica – Créditos: UBTECH / Divulgação

Os signatários da iniciativa argumentam que transformações tecnológicas anteriores deram mais tempo para que as sociedades ajustassem suas estruturas econômicas. Na avaliação apresentada pelo grupo, a inteligência artificial pode avançar em ritmo mais acelerado do que as mudanças provocadas pelo vapor, pela eletricidade e pelos computadores.

O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para se adaptar. A IA pode nos dar apenas alguns anos”, afirmou Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia e responsável pela organização da iniciativa ao lado dos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom Cunningham.

Korinek também integra a equipe de pesquisa econômica da Anthropic desde março. Segundo ele, esperar que todos os efeitos da tecnologia estejam completamente definidos antes de agir pode deixar governos e instituições sem tempo suficiente para responder às mudanças.

Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório
Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório – (Reprodução: Genesis AI)

A declaração pede que autoridades públicas e líderes do setor tecnológico invistam em pesquisas sobre os efeitos econômicos da inteligência artificial e desenvolvam medidas para garantir que os avanços da tecnologia tragam benefícios sociais.

Entre os participantes que apoiaram o documento estão Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI; Jeff Dean, cientista-chefe do Google DeepMind; Jack Clark, cofundador da Anthropic; além de integrantes da equipe econômica ligada ao desenvolvimento do chatbot Claude.

Também assinaram a manifestação pesquisadores reconhecidos internacionalmente, como Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, todos vencedores do Prêmio Nobel, conforme informado no documento divulgado pelo grupo.

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Mercado de smartphones sofre maior queda em 13 anos

O mercado global de smartphones teve um dos piores desempenhos recentes. A escassez de chips de memória reduziu as remessas de aparelhos no segundo trimestre, que chegaram ao menor nível para o período desde 2013.

De acordo com estimativas preliminares da Counterpoint Research, divulgadas pela Reuters, as fabricantes enviaram 11% menos aparelhos no período analisado. O principal motivo foi a disputa por componentes com o avanço da inteligência artificial.

Menos chips disponíveis significam mais pressão sobre preços de celulares em todo o mundo. – Imagem: Denis Klimov 3000/Shutterstock

IA muda a disputa por componentes

Os fornecedores de memória passaram a priorizar clientes ligados a data centers de inteligência artificial, reduzindo a disponibilidade de chips para empresas de eletrônicos de consumo.

Com menos componentes disponíveis e preços mais altos, fabricantes repassaram parte dos custos aos consumidores, principalmente nos modelos básicos e intermediários. Segundo a Counterpoint, a pressão deve continuar até 2027.

Entre os principais reflexos estão:

  • aumento nos preços dos aparelhos;
  • queda nas vendas de modelos de entrada;
  • redução das remessas globais;
  • maior dificuldade para fabricantes que dependem de celulares mais baratos.

A consultoria manteve a previsão de queda de cerca de 14% nas remessas globais de smartphones neste ano.

Apple desafia tendência de queda

Enquanto boa parte do setor recuou, a Apple conseguiu avançar. As remessas da companhia cresceram 3% no segundo trimestre, levando a marca a uma participação recorde de 20% no mercado global.

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O resultado foi impulsionado pela procura por modelos premium da linha iPhone e pela manutenção dos preços. Analistas, porém, esperam possíveis reajustes nos próximos meses.

A Samsung recuperou a liderança, com 24% de participação, beneficiada pelas vendas da linha Galaxy S26, pela disponibilidade de produtos e por aumentos menores em mercados como Índia e Oriente Médio.

Metade da população mundial possui um smartphone
Xiaomi, Oppo e Vivo sentiram mais os efeitos da crise por dependerem de modelos básicos e intermediários. – Imagem: Jack Skeens/Shutterstock

Marcas populares sentem mais a pressão

Xiaomi, Oppo e Vivo registraram as maiores quedas entre as cinco principais fabricantes. A maior exposição aos segmentos de entrada e intermediário deixou essas empresas mais vulneráveis ao aumento dos custos.

A análise da Counterpoint Research mostra que a indústria de celulares agora disputa espaço com uma nova demanda: a inteligência artificial. Enquanto data centers precisam de cada vez mais memória, fabricantes de smartphones tentam equilibrar preços e disponibilidade de componentes.

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IA pode ser culpada por crimes? Entenda este novo dilema

Quando uma inteligência artificial causa um dano, quem deve responder por isso? A pergunta deixou de ser apenas tema de ficção científica e passou a aparecer em processos judiciais envolvendo chatbots e sistemas capazes de tomar ações com pouca intervenção humana.

A expansão dos agentes de IA aumentou a preocupação de especialistas, empresas e famílias que buscam definir os limites de responsabilidade em uma tecnologia ainda em transformação.

Modelos de IA funcionam com probabilidades e podem gerar respostas inesperadas, segundo especialistas. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Chatbots avançam e chegam ao centro de disputas judiciais

Durante décadas, histórias de ficção científica discutiram se máquinas inteligentes poderiam ser responsabilizadas por suas ações. Agora, a questão chegou ao mundo real.

Segundo o The Washington Post, empresas de inteligência artificial passaram a enfrentar processos nos Estados Unidos e em outros países após acusações de que chatbots teriam incentivado automutilação ou oferecido orientações relacionadas a crimes.

O cenário ficou mais complexo com a evolução dos agentes de IA, sistemas projetados para realizar tarefas mais longas e independentes. A tecnologia já começa a ser usada para atividades que vão de organização pessoal a operações empresariais.

Os principais pontos do debate são:

  • responsabilidade das empresas que desenvolvem sistemas de IA;
  • limites das ações realizadas pelos usuários;
  • dificuldade de prever respostas e comportamentos inesperados;
  • criação de regras específicas para acompanhar a tecnologia.

“É uma área muito espinhosa. É um território desconhecido”, afirmou Andrew Yoon, integrante da CivAI, organização que analisa capacidades e riscos da inteligência artificial.

Empresas dizem que não conseguem controlar todos os usos

As empresas de IA argumentam que não podem prever todas as formas pelas quais seus sistemas serão utilizados. Diferentemente de programas tradicionais, esses modelos não seguem apenas comandos fixos: eles geram respostas com base em padrões aprendidos a partir de grandes volumes de dados.

Mesmo com mecanismos de segurança aprimorados, usuários ainda encontram maneiras de contornar restrições.

David Sacks, investidor de capital de risco e ex-consultor de IA da Casa Branca, afirma que os desenvolvedores não têm como saber exatamente todos os usos possíveis de seus produtos.

Eu simplesmente não acho que o desenvolvedor esteja em posição de saber exatamente como seu produto está sendo usado.

Andrew Yoon, integrante da CivAI, ao The Washington Post.

A imagem coloca ícones flutuando com referências de IA e o cérebro humano. Ao centro, a palavra
A evolução dos agentes de IA aumenta a pressão por regras mais claras sobre responsabilidade tecnológica. – Imagem: Suri_Studio / Shutterstock

Casos colocam limites da IA sob pressão

Algumas famílias já levaram a discussão aos tribunais. Um dos casos envolve Adam Raine, adolescente de 16 anos da Califórnia, cuja família afirma que conversas prolongadas com o ChatGPT tiveram relação com sua morte.

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Outro processo citado pelo jornal envolve Jonathan Gavalas, da Flórida, que teria desenvolvido um relacionamento com o chatbot Gemini, do Google.

“Isso é muito diferente porque parece um relacionamento pessoal, no qual o chatbot geralmente isola o usuário”, afirmou Jay Edelson, advogado que representa famílias em ações contra empresas de IA.

Para especialistas, as regras atuais podem não ser suficientes para lidar com agentes cada vez mais capazes de agir de forma independente. Gabriel Weil, pesquisador do Institute for Law & AI, defende que os criadores da tecnologia precisam assumir parte dos riscos.

“É preciso fazer com que eles assumam esse risco. Se o fizerem, terão todos os incentivos necessários para reduzi-lo”, disse Weil.

A disputa ainda está longe de uma conclusão. Enquanto a inteligência artificial avança, tribunais e governos tentam encontrar um equilíbrio entre estimular a inovação e proteger pessoas afetadas por decisões tomadas com ajuda dessas ferramentas.

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Você poderá falar com o Waze: veja como funciona a nova IA

Quem usa o Waze para escapar do trânsito ganhou novas ferramentas no Brasil. O aplicativo passou a receber funções com inteligência artificial que permitem conversar por voz, adaptar trajetos ao perfil do motorista e melhorar a navegação para motociclistas.

As novidades usam o Gemini, tecnologia de IA do Google, para interpretar pedidos feitos de forma mais natural e transformar informações do caminho em sugestões dentro do aplicativo.

Com IA do Gemini, o Waze transforma relatos de usuários em sugestões de melhorias para os mapas. – Imagem: Divulgação / Waze

Waze transforma avisos de trânsito em conversa por voz

Uma das principais mudanças é o Waze Map Mate, que permite avisar sobre problemas nas ruas usando apenas a voz. Em vez de procurar menus, o motorista pode descrever a situação enquanto dirige.

É possível informar acidentes, buracos, obras, congestionamentos e até mudanças em endereços com frases comuns do dia a dia. O Gemini interpreta o comando e cria uma sugestão de atualização para o mapa.

As informações, porém, não entram automaticamente no aplicativo. Antes disso, elas são analisadas pelos editores de mapas do Waze, responsáveis por verificar os dados enviados pelos usuários.

A novidade funciona em celulares Android e iPhone (iOS).

Ao fundo, logo do Waze; à frente, o aplicativo em execução
O Waze ganhou IA para criar uma navegação mais personalizada com base nos hábitos de cada usuário. – Imagem: Kemarrravv13/Shutterstock

Menos avisos e mais personalização no volante

Para quem acha que o aplicativo fala demais durante a viagem, o Waze adicionou o modo “Menos falante”. A opção reduz as mensagens de voz e mantém alertas importantes, como perigos, mudanças de faixa e conversões.

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O motorista pode escolher entre quatro configurações: “Normal”, “Menos falante”, “Apenas alertas” e “Desativado”.

O Gemini também amplia as buscas dentro do aplicativo. Agora, o usuário pode pedir sugestões como estacionamentos próximos, postos com preços mais baixos ou cafeterias abertas.

Além disso, o Waze passa a considerar hábitos de direção para sugerir caminhos. “Ele sugere rotas com base nas suas viagens anteriores e na análise dos padrões de trânsito locais”, explicou a empresa.

Modo Moto leva navegação adaptada para motociclistas

Quem anda de moto também ganhou uma opção específica de navegação. O novo Modo Moto considera características diferentes dos veículos de duas rodas para indicar caminhos mais adequados.

A inteligência artificial ajuda a analisar situações que podem afetar o trajeto, enquanto uma equipe de editores motociclistas auxilia na atualização das informações.

O recurso considera fatores como:

  • buracos e lombadas;
  • fim de acostamentos;
  • pontes estreitas;
  • restrições para motocicletas;
  • atalhos disponíveis apenas para motos.

A atualização reforça a disputa entre aplicativos de navegação para oferecer experiências mais inteligentes. Serviços como Google Maps, Siri e Alexa também passaram a incorporar recursos de inteligência artificial recentemente.

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O avanço da IA já mudou o perfil das vagas de trabalho

A inteligência artificial continua no centro das discussões sobre o futuro do trabalho. Um novo relatório da OCDE mostra, porém, que ela ainda não provocou uma onda de desemprego entre os países da organização.

Isso não significa que nada esteja mudando. As empresas passaram a valorizar novas competências, enquanto os jovens encontram mais obstáculos para conquistar as primeiras oportunidades.

Emprego continua em alta

O relatório Perspectivas do Emprego 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que a taxa de desemprego permanece em 4,9%, muito próxima do menor nível histórico, de 4,8%, registrado em junho de 2023. A previsão é de crescimento do emprego de 0,3% neste ano e de 0,6% no próximo.

Esses números reforçam que o avanço da inteligência artificial, até agora, não reduziu a oferta de trabalho nos países analisados.

“Até o momento, não há indícios de que o maior uso da inteligência artificial por parte das empresas esteja provocando uma queda generalizada da demanda por mão de obra”, afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante a apresentação do relatório.

Jovens enfrentam mais dificuldades

Se o cenário geral permanece favorável, a entrada dos jovens no mercado de trabalho segue mais complicada. Segundo a OCDE, os avanços recentes da inteligência artificial generativa provavelmente fazem parte desse contexto.

Ao mesmo tempo, as empresas passaram a dar mais importância às competências exigidas para diferentes funções.

O relatório destaca:

  • maior valorização de competências ligadas às novas tecnologias;
  • transformação das habilidades exigidas pelas empresas;
  • maior dificuldade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho;
  • manutenção do crescimento do emprego, apesar das mudanças.

“A IA está transformando o trabalho, mais do que reduzindo-o”, destacou Mathias Cormann, ao afirmar que a tecnologia ainda não enfraqueceu as perspectivas de emprego para jovens nem para os trabalhadores em geral.

Guerra pressiona, mas mercado resiste

O estudo também aponta que o mercado de trabalho mostrou resiliência mesmo com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia. A criação de empregos continuou sólida e o número de vagas, embora abaixo do pico registrado após a pandemia, estabilizou-se desde a escalada do conflito.

Leia mais:

O relatório ressalta que muitos trabalhadores ainda não percebem melhora na remuneração. Em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais permanecem inferiores aos registrados há cinco anos.

Os dados indicam que a inteligência artificial já influencia as competências buscadas pelas empresas, mas, segundo a própria OCDE, ainda não há sinais de uma redução generalizada dos empregos nos países que integram a organização.

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ChatGPT caiu? Chatbot da OpenAI começa o dia instável

Acordou, tentou usar o ChatGPT e não conseguiu? Saiba que você não está sozinho. Usuários de todo o mundo estão falando sobre o assunto nas redes sociais.

A OpenAI informou sobre a queda em sua página de status. A empresa diz ter constatado falhas para iOS e macOS – ou seja, sistemas operacionais dos smartphones e computadores da Apple. Nos testes que fizemos aqui no Olhar Digital, o problema se resumiu ao macOS.

  • iPhone: ChatGPT abriu normalmente
  • Android: ChatGPT abriu normalmente
  • PC Windows: ChatGPT abriu normalmente
  • MacBook: ChatGPT não funciona.

Quando tento acessar o ChatGPT pelo MacBook, aparece a seguinte mensagem: “Uma atividade incomum foi detectada no seu dispositivo. Tente novamente mais tarde”.

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O Downdetector, que monitora reclamações online de serviços digitais, mostra a alta de registros. O gráfico a seguir é dos Estados Unidos.

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Nas redes sociais, usuários comentam a queda:

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Detector de IA da Meta falha ao identificar suas próprias imagens após recorte, diz agência

A ferramenta de detecção de imagens geradas por IA lançada pela Meta nesta semana falhou em identificar suas próprias criações quando submetidas a um recorte simples, segundo análise realizada pela Reuters.

O teste usou 40 imagens geradas pelo Muse Image, novo modelo de geração de imagens da empresa. A ferramenta identificou corretamente todas as 40 originais. Mas, quando as mesmas imagens foram recortadas para aproximadamente um terço a metade do tamanho original, o detector falhou em 55% dos casos.

Como o sistema funciona – e por que falha

A Meta afirma que o sistema de detecção usa uma marca d’água invisível chamada Content Seal, embutida em cada imagem gerada pelo Muse Image. A tecnologia foi projetada para permitir que usuários verifiquem se uma imagem foi criada pelos modelos de IA da empresa – mesmo após edições comuns.

Questionada sobre os resultados da análise da Reuters, a Meta lembrou que a ferramenta ainda está em fase de prévia. A empresa afirmou que a marca d’água é projetada para resistir a edições comuns, mas que o sinal pode ser perdido em recortes severos.

O que dizem os especialistas

Siwei Lyu, professor de ciência da computação da Universidade Estadual de Nova York em Buffalo e pesquisador de forense de imagens de IA, disse à Reuters que sistemas baseados em marca d’água têm limitações conhecidas.

“Métodos baseados em marca d’água podem ser altamente eficazes quando a marca permanece intacta, mas qualquer modificação que remova ou enfraqueça o sinal embutido – como recorte, redimensionamento, compressão pesada ou edição – pode reduzir sua eficácia, dependendo de como a marca d’água foi projetada”, disse Lyu.

Sarah Barrington, pesquisadora de IA e doutoranda na Escola de Informação da UC Berkeley, reconheceu as limitações, mas ponderou: “Como muitas medidas preventivas de cibersegurança ou segurança física, pode não ser totalmente à prova de falhas, mas mesmo que detectemos apenas 90% dos casos, ainda é um grande salto em relação a 0%.”

Contexto e pressão regulatória

A descoberta ocorre em momento delicado: o ano inclui as eleições de meio de mandato nos EUA, quando a circulação de deepfakes e imagens manipuladas tende a aumentar.

Em março, o Conselho de Supervisão da Meta – órgão independente que toma decisões vinculantes sobre moderação de conteúdo – pediu à empresa que fizesse mais para combater a “proliferação de conteúdo de IA enganoso” em suas plataformas e investisse em ferramentas de detecção mais robustas.

A Meta não está sozinha no desafio. Google e OpenAI também alertaram publicamente que suas próprias ferramentas de detecção não são infalíveis contra técnicas de alteração de imagens.

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