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Anthropic lança novo modelo de IA para fortalecer cibersegurança

A Anthropic está introduzindo um novo modelo de inteligência artificial (IA) voltado para cibersegurança, denominado Project Glasswing. Este projeto surge em parceria com gigantes da tecnologia, como Nvidia, Google, Amazon Web Services, Apple e Microsoft, além de outras empresas.

O objetivo principal do Project Glasswing é permitir que grandes companhias e, potencialmente, o governo, detectem vulnerabilidades em seus sistemas com mínima intervenção humana. Parte desse esforço inclui disponibilizar para os parceiros selecionados o acesso ao modelo Claude Mythos Preview, que atualmente não será disponibilizado ao público devido a preocupações envolvendo segurança.

Newton Cheng, responsável pela equipe de cibersegurança da Anthropic, destacou que o modelo foi concebido para oferecer aos defensores cibernéticos uma vantagem inicial na identificação de ameaças. Ele mencionou que, embora o Claude Mythos Preview não tenha sido especificamente treinado para cibersegurança, suas fortes habilidades de codificação e raciocínio de agente demonstraram-se valiosas para esse propósito.

Recursos e funções do Claude Mythos Preview

  • Apesar de não divulgar detalhes específicos sobre as conquistas do modelo em cibersegurança, a Anthropic afirmou em seu blog que o Claude Mythos Preview foi capaz de identificar milhares de vulnerabilidades críticas em sistemas operacionais e navegadores web importantes nas últimas semanas;
  • Uma característica destacada pela empresa foi a capacidade do modelo de operar de forma autônoma, sem a necessidade de direção humana para descobrir e desenvolver explorações relacionadas a essas vulnerabilidades;
  • O acesso ao Claude Mythos Preview é restrito para impedir que adversários possam explorar as mesmas fraquezas que o modelo é capaz de identificar;
  • Parceiros do projeto incluem não apenas empresas de tecnologia, como JPMorgan Chase, Broadcom e Cisco, mas, também, organizações, como a Linux Foundation e a Palo Alto Networks, totalizando cerca de 40 entidades que mantêm ou constroem infraestrutura de software.
Microsoft é uma das empresas participantes – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

A Anthropic também está investindo financeiramente para apoiar o uso do modelo entre seus parceiros, comprometendo até US$ 100 milhões (R$ 515,1 mil) em créditos de uso, além de US$ 4 milhões (R$ 20,6 milhões) em doações diretas para organizações, como a Linux Foundation e a Apache Software Foundation.

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Anthropic: perspectivas futuras e envolvimento com o governo

O futuro desse projeto pode incluir a transformação em um serviço pago, caso ele prove ser suficientemente eficaz para os clientes manterem seu uso. Este movimento chega em um momento em que empresas de IA enfrentam pressão para se tornarem lucrativas.

Apesar de recentes desentendimentos públicos com a administração Trump, a Anthropic está em discussões contínuas com funcionários do governo dos EUA sobre as capacidades ofensivas e defensivas do Claude Mythos Preview. Embora não tenham sido revelados quais oficiais foram informados, a empresa mostrou compromisso em colaborar com vários níveis do governo.

O vazamento de dados que trouxe à tona a existência do modelo no mês passado foi atribuído a um erro humano, e Dianne Penn, chefe de gerenciamento de produtos da Anthropic, assegurou que medidas estão sendo tomadas para melhorar os processos internos da empresa.

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Custos bilionários colocam pressão sobre modelo de negócios da IA

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está redefinindo não apenas a tecnologia, mas também a lógica financeira das empresas do setor. Em um cenário marcado por investimentos massivos, gastar grandes quantias passou a ser parte essencial da estratégia para crescer — ainda que isso signifique operar no vermelho por anos.

De acordo com documentos financeiros obtidos pelo The Wall Street Journal, as empresas OpenAI e Anthropic projetam gastar juntas quase US$ 65 bilhões (R$ 335,4 bilhões) em 2026 apenas com custos de treinamento e operação de seus modelos de IA. O valor supera a receita gerada por ambas no mesmo período.

A tendência é de forte crescimento. Esses custos combinados devem chegar a US$ 127 bilhões (R$ 655,5 bilhões) no próximo ano e atingir quase US$ 250 bilhões (R$ 1,2 trilhão) até 2029, segundo projeções apresentadas pelas próprias companhias a investidores privados.

No caso da OpenAI, a expectativa é que os gastos com treinamento e inferência — processo pelo qual os modelos respondem às consultas dos usuários — continuem superando a receita até 2029. Já a Anthropic prevê ultrapassar esse ponto já no próximo ano. Ainda assim, outros custos devem manter a empresa controladora do chatbot Claude no prejuízo antes dos impostos também até o fim da década.

Apesar das projeções, o cenário pode mudar. Há a possibilidade de crescimento de receitas em ritmo mais acelerado do que o estimado atualmente. Ainda assim, o histórico recente do setor aponta para uma escalada contínua dos custos.

OpenAI e Anthropic investem pesado, mesmo que isso signifique prejuízo no começo – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência com gigantes pressiona modelo

  • Além dos altos gastos, OpenAI e Anthropic enfrentam concorrência direta de gigantes da tecnologia que também investem pesadamente em IA, mas contam com negócios principais altamente lucrativos para financiar essas iniciativas;
  • Empresas, como Alphabet (dona do Google) e Meta, devem gerar juntas cerca de US$ 334 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em fluxo de caixa operacional neste ano, segundo estimativas da FactSet — uma vantagem significativa frente às startups focadas exclusivamente em IA;
  • Nesse contexto, surge a dúvida sobre o apetite dos investidores. Tanto OpenAI quanto Anthropic estariam planejando realizar ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) ainda em 2026, mesmo diante de prejuízos elevados;
  • Casos anteriores mostram que isso não é inédito. A Amazon, por exemplo, operou com prejuízo por anos após seu IPO em 1997, segundo dados da S&P Global Market Intelligence, e acabou se tornando um investimento bem-sucedido no longo prazo;
  • Ainda assim, há diferenças importantes. Na época de sua abertura de capital, a Amazon valia cerca de US$ 430 milhões (R$ 2,2 bilhões) — menos de 0,01% do valor do índice S&P 500. Já OpenAI e Anthropic somam hoje mais de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,1 trilhões) em valor de mercado, de acordo com a PitchBook, o equivalente a mais de 2% do índice;
  • Esse contraste indica que a capacidade de controlar custos será um fator decisivo para atrair e manter investidores.

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Estratégias para crescer e atrair clientes

Para ampliar receitas, a Anthropic aposta no mercado corporativo. A empresa planeja investir US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) em uma nova joint venture com grandes companhias de private equity, voltada à venda de ferramentas de IA para empresas de seus portfólios.

A iniciativa também deve atuar como braço de consultoria, orientando clientes sobre como integrar as soluções da startup em suas operações — uma estratégia para acelerar a adoção da tecnologia no ambiente empresarial.

Outro movimento relevante envolve infraestrutura. A Broadcom firmou contrato para fornecer à Anthropic, a partir de 2027, capacidade computacional equivalente a 3,5 gigawatts, utilizando chips TPU desenvolvidos pelo Google.

IA se expande — e enfrenta resistência

Enquanto empresas investem pesado, o impacto da IA já se espalha por diferentes setores. Um exemplo é o sucesso dos óculos inteligentes Ray-Ban, da Meta, que venderam 7,2 milhões de unidades no ano passado, segundo a IDC. A Meta vê o produto como uma porta de entrada para suas soluções de IA, enquanto sua parceira EssilorLuxottica também colhe benefícios comerciais.

Por outro lado, o avanço da infraestrutura necessária para sustentar a IA começa a enfrentar resistência. No Estado do Maine (EUA), uma proposta legislativa pode transformar a região na primeira a impor uma moratória à construção de novos data centers. Movimentos semelhantes já surgem em mais de dez estados estadunidenses, além de dezenas de municípios.

A reação indica que, além dos desafios financeiros, o crescimento da IA também levanta questões sociais e regulatórias — ampliando a complexidade de um setor que já lida com custos cada vez mais elevados.

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Anthropic defende “humanização” para tornar modelos de IA mais seguros

A Anthropic, uma das principais empresas à frente no desenvolvimento da inteligência artificial, está desafiando um dos maiores tabus do setor: a humanização das máquinas.

Em um novo artigo científico intitulado “Emotion Concepts and their Function in a Large Language Model”, especialistas da empresa argumentam que atribuir características humanas à IA pode ser a chave para evitar comportamentos nocivos, como a mentira e a adulação excessiva.

De acordo com o Mashable, o estudo sugere que, ao entender o que chamam de “maquiagem psicológica” do modelo, os desenvolvedores podem criar ferramentas mais confiáveis e seguras.

Como o Claude simula emoções

Os pesquisadores descrevem o treinamento do Claude (o principal chatbot da empresa) como o trabalho de um “ator de método”. Para ser um assistente útil, a IA precisa “entrar no personagem”. Como o modelo emula traços humanos, ele pode ser influenciado de forma semelhante a uma pessoa: por meio de bons exemplos e curadoria de dados.

A tese é que, ao utilizar materiais de treinamento com representações positivas de regulação emocional (como empatia e resiliência), a IA tende a mimetizar esses padrões em suas interações.

Mapeando 171 “emoções funcionais”

Embora não exista evidência de que a IA sinta emoções reais, os pesquisadores buscaram o que chamam de “emoções funcionais”. Eles identificaram 171 conceitos discretos dentro do Claude Sonnet 4.5, incluindo:

  • Positivos: alegria, gratidão, serenidade e empatia.
  • Negativos: ansiedade, culpa, hostilidade e frustração.

O estudo revelou que esses “estados emocionais” influenciam diretamente o resultado entregue ao usuário. Sob “emoções positivas”, o Claude mostrou-se mais propenso a evitar danos. Já sob estados negativos, a IA tende a adotar comportamentos perigosos, como o hábito de dizer apenas o que o usuário quer ouvir (mesmo que seja mentira) para evitar conflitos.

Os riscos de tratar máquinas como pessoas

Apesar dos benefícios técnicos, a própria Anthropic admite na publicação original, citada pelo Mashable, que essa abordagem pode ser “perturbadora”. A humanização excessiva traz riscos reais e documentados:

  1. Dependência emocional: usuários que acreditam estar em relacionamentos reais com IAs.
  2. Surtos e delírios: casos de “psicose de IA”, em que a mimetização humana leva usuários a estados mentais alterados.
  3. Perda de responsabilidade: ao tratar a máquina como um ser humano, minimiza-se a responsabilidade dos desenvolvedores e a agência humana sobre a tecnologia.

O desafio do “desconhecido”

A conclusão mais intrigante – e talvez assustadora – do artigo é o que ele revela sobre o estado atual da tecnologia. Se os próprios criadores do Claude ainda estão tentando decifrar por que a IA se comporta de determinada maneira usando termos da psicologia humana, fica claro que o entendimento técnico sobre o funcionamento interno desses modelos ainda é limitado.

A estratégia da Anthropic parece ser uma tentativa de “hackear” a capacidade de mimetização da IA para forçar comportamentos éticos, mesmo que o caminho para isso envolva o controverso processo de tratar códigos e algoritmos como se tivessem personalidade.

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Polêmica com governo dos EUA faz assinaturas do Claude dispararem

O número de pessoas que pagam para usar o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, mais do que dobrou em 2026. Os dados vêm de um levantamento da Indagari — consultoria que analisa o mercado acompanhando transações de cartões de crédito de 28 milhões de consumidores nos Estados Unidos, segundo o TechCrunch.

O crescimento mais forte aconteceu entre janeiro e fevereiro. Esse período foi marcado por comerciais da empresa no Super Bowl e por uma disputa pública entre a Anthropic e o governo americano.

Entenda a polêmica com o governo dos EUA

O conflito com o Departamento de Defesa dos EUA (DoD) começou quando a Anthropic proibiu o uso de sua tecnologia para operações militares letais ou vigilância em massa de cidadãos. O governo chegou a classificar a empresa como um “risco de suprimento”, o que gerou processos judiciais e muita exposição na mídia.

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Ao mesmo tempo, a empresa veiculou anúncios criticando a presença de propaganda em outras IAs, prometendo que o Claude continuaria livre de anúncios para quem utiliza a ferramenta.

Novos recursos no plano pago

A maioria dos novos assinantes optou pelo plano “Claude Pro”, que custa 20 dólares por mês. O interesse pelo serviço pago cresceu com o lançamento de ferramentas que automatizam tarefas:

  • Claude Code e Cowork: Focados em ajudar programadores e aumentar a produtividade no trabalho.
  • Computer Use: Recurso que permite à IA realizar comandos sozinha no computador, como clicar em botões e rolar páginas.
Opus é a versão mais recente e mais avançada da IA da empresa de Dario Amodei (Imagem: Robert Way/Shutterstock)

Como essas funções não existem na versão gratuita, muitos usuários decidiram começar a pagar para testar as novidades.

Disputa com o ChatGPT

Mesmo com esse avanço, o Claude ainda está longe do alcance do ChatGPT. Os dados da Indagari mostram que, embora o ChatGPT tenha tido um pico de cancelamentos quando anunciou parcerias com militares, ele continua sendo a maior plataforma de IA do mundo e segue atraindo novos assinantes em um ritmo veloz.

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Anthropic, dona do Claude, trabalha em modelo de IA mais avançado

A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic confirmou que está desenvolvendo e já iniciou testes com um novo modelo de IA mais avançado do que qualquer versão anterior, após um vazamento de dados revelar sua existência.

Segundo a companhia, o sistema representa “uma mudança de patamar” em desempenho e é “o mais capaz que já construímos até hoje”.

De acordo com um porta-voz, o modelo já está sendo testado por um grupo restrito de clientes com acesso antecipado. A confirmação veio depois que descrições do sistema foram encontradas acidentalmente em um cache de dados público, analisado pela revista Fortune.

Vazamento expõe novo modelo e estratégia da Anthropic

  • O material vazado incluía um rascunho de postagem de blog, disponível em um repositório público e não protegido até a noite de quinta-feira (26), no qual o modelo era identificado como Claude Mythos. No documento, a empresa afirmava que o sistema poderia representar riscos inéditos de segurança cibernética;
  • O mesmo conjunto de arquivos também revelou detalhes sobre um encontro exclusivo de CEOs na Europa, parte da estratégia da Anthropic para comercializar seus modelos de IA a grandes empresas;
  • Os documentos foram encontrados em um vazamento de dados público e desprotegido, segundo análise de Roy Paz, pesquisador sênior de segurança em IA da LayerX Security, e Alexandre Pauwels, pesquisador da Universidade de Cambridge;
  • Ao todo, cerca de três mil ativos ligados ao blog da empresa — que não haviam sido publicados oficialmente — estavam acessíveis, segundo Pauwels.

Após ser informada pela Fortune, a Anthropic desativou o acesso público ao repositório. Em nota, a empresa atribuiu o incidente a um “erro humano” na configuração de seu sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS, na sigla em inglês), classificando os arquivos como “rascunhos iniciais de conteúdo considerados para publicação”.

Novo nível de modelos: Capybara

Além do nome Mythos, o rascunho também descrevia uma nova categoria de modelos chamada Capybara. Segundo o documento, “‘Capybara’ é um novo nome para uma nova camada de modelo: maior e mais inteligente do que nossos modelos Opus — que, até agora, eram os mais poderosos”.

A Anthropic atualmente organiza seus modelos em três níveis: Opus (mais avançados), Sonnet (intermediários) e Haiku (mais leves e rápidos). O Capybara surgiria como uma camada superior ao Opus, com maior capacidade — e também custo mais elevado.

“Comparado ao nosso melhor modelo anterior, Claude Opus 4.6, o Capybara alcança pontuações dramaticamente mais altas em testes de programação, raciocínio acadêmico e cibersegurança, entre outros”, diz o texto.

O documento afirma ainda que o treinamento do Claude Mythos já foi concluído e o descreve como, “de longe, o modelo de IA mais poderoso que já desenvolvemos”.

Questionada pela Fortune, a empresa confirmou o desenvolvimento do novo sistema: “Estamos desenvolvendo um modelo de propósito geral com avanços significativos em raciocínio, programação e cibersegurança”, disse o porta-voz. “Dada a força de suas capacidades, estamos analisando como lançá-lo.”

O material analisado indica que o lançamento será gradual, começando com um grupo restrito de usuários, devido ao alto custo operacional e ao fato de o modelo ainda não estar pronto para uso amplo.

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Opus é a versão mais recente e mais avançada da IA da empresa de Dario Amodei (Imagem: Robert Way/Shutterstock)

Riscos inéditos em cibersegurança

Um dos principais pontos destacados no rascunho é o potencial de risco do modelo na área de segurança digital. “Ao nos prepararmos para lançar o Claude Capybara, queremos agir com cautela extra e entender os riscos que ele apresenta — inclusive, além do que aprendemos em nossos próprios testes”, afirma o documento.

A empresa demonstra preocupação específica com o uso malicioso da tecnologia: o sistema estaria “atualmente muito à frente de qualquer outro modelo de IA em capacidades cibernéticas” e “prenuncia uma onda de modelos capazes de explorar vulnerabilidades muito mais rapidamente do que os esforços de defesa”.

Na prática, isso significa que hackers poderiam utilizar o modelo para realizar ataques cibernéticos em larga escala. Por esse motivo, a estratégia inicial de lançamento prioriza defensores de segurança digital. “Estamos liberando o acesso antecipado para organizações, dando a elas uma vantagem inicial na melhoria da robustez de seus sistemas contra a onda iminente de exploits impulsionados por IA”, diz o texto.

A Anthropic não é a única a alertar para esse tipo de risco. Modelos recentes também têm ultrapassado limites considerados críticos em cibersegurança. Em fevereiro, a OpenAI classificou seu GPT-5.3-Codex como de “alta capacidade” para tarefas relacionadas à área.

A própria Anthropic já havia enfrentado desafios semelhantes com o Opus 4.6, capaz de identificar vulnerabilidades desconhecidas em códigos — uma característica de uso duplo, que pode tanto fortalecer defesas quanto facilitar ataques.

A empresa também revelou que grupos hackers, incluindo organizações ligadas ao governo chinês, já tentaram explorar seus sistemas.

Em um caso documentado, um grupo patrocinado pelo Estado chinês utilizou o Claude Code para infiltrar cerca de 30 organizações, incluindo empresas de tecnologia, instituições financeiras e agências governamentais. Após detectar a operação, a Anthropic investigou o caso por dez dias, baniu as contas envolvidas e notificou as vítimas.

Especialistas apontam que o vazamento ocorreu devido à configuração padrão do CMS utilizado pela empresa, que torna os arquivos públicos automaticamente, a menos que o usuário altere manualmente as permissões.

A Anthropic confirmou que “um problema com uma de nossas ferramentas externas de CMS levou ao acesso a conteúdo em rascunho”, novamente atribuindo a falha a erro humano. Embora muitos arquivos fossem materiais descartados — como imagens e banners —, alguns pareciam documentos internos, incluindo registros relacionados a benefícios de funcionários.

Entre os arquivos, também havia um PDF com detalhes de um retiro exclusivo para CEOs europeus, que será realizado no Reino Unido e contará com a presença do CEO da empresa, Dario Amodei.

O evento de dois dias é descrito como um encontro “íntimo”, voltado a “conversas reflexivas” em uma mansão do século XVIII transformada em hotel e spa. Os participantes, não identificados nominalmente, são descritos como alguns dos líderes empresariais mais influentes da Europa.

Segundo a empresa, o encontro faz parte de uma série de eventos organizados ao longo do último ano. “Esperamos receber líderes empresariais europeus para discutir o futuro da IA”, afirmou o porta-voz.

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Claude agora usa seu computador para executar tarefas

A Anthropic anunciou uma nova funcionalidade que permite enviar comandos ao Claude pelo smartphone para que o assistente execute tarefas diretamente no computador do usuário. A novidade foi apresentada na segunda-feira (23) e faz parte da estratégia da empresa de avançar no desenvolvimento de agentes de IA.

Segundo a companhia, após receber um comando, o Claude consegue abrir aplicativos, navegar em um navegador e preencher planilhas. Em um vídeo divulgado, um usuário pede que o sistema exporte uma apresentação em PDF e a anexe a um convite de reunião, tarefa que é realizada pelo assistente.

OpenClaw como referência no avanço dos agentes

A atualização reforça o movimento do setor em direção a agentes capazes de executar tarefas de forma autônoma. Esse tipo de tecnologia ganhou destaque após o lançamento do OpenClaw, que se tornou viral.

O OpenClaw se conecta a modelos da OpenAI e da própria Anthropic, permitindo que usuários enviem comandos por aplicativos como WhatsApp e Telegram. Assim como o novo recurso do Claude, ele roda localmente no dispositivo, o que possibilita acesso a arquivos.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou à CNBC na semana passada que o OpenClaw é “definitivamente o próximo ChatGPT”. A empresa também anunciou o NemoClaw, uma versão corporativa do sistema.

Já a OpenAI contratou, no mês passado, Peter Steinberger, criador do OpenClaw, com o objetivo de “impulsionar a próxima geração de agentes pessoais”.

Funcionalidades e limitações técnicas

A Anthropic afirma que o uso do computador ainda está em estágio inicial, especialmente quando comparado à capacidade do Claude de programar ou interagir com texto.

“O Claude pode cometer erros e, embora continuemos aprimorando nossas salvaguardas, as ameaças estão em constante evolução”, informou a empresa.

A companhia diz ter desenvolvido o recurso com salvaguardas para minimizar riscos. O sistema também solicita permissão antes de acessar novos aplicativos.

Sistema solicita permissão antes de acessar novos aplicativos (Imagem: Divulgação / Anthropic)

Ferramentas adicionais e uso contínuo

Os usuários também podem recorrer ao Dispatch, recurso lançado na semana passada dentro do Claude Cowork. A ferramenta permite manter uma conversa contínua com o assistente pelo celular ou desktop, além de atribuir tarefas ao agente.

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Dispatch também é uma opção para usuários do Claude (Imagem: Divulgação / Anthropic)

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Movimento das empresas por agentes de IA

A iniciativa da Anthropic ocorre em meio a uma disputa mais ampla entre empresas de tecnologia para desenvolver agentes capazes de executar tarefas em nome dos usuários ao longo do dia.

Esses sistemas buscam ampliar as capacidades dos assistentes de IA ao permitir que realizem ações diretamente em dispositivos e aplicativos, em vez de apenas responder comandos em texto.

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Estudo da Anthropic revela o que as pessoas amam e temem na IA

A Anthropic concluiu o maior estudo qualitativo já realizado sobre percepções de inteligência artificial (IA): mais de 80 mil entrevistas em 159 países revelam que as mesmas funcionalidades que as pessoas mais valorizam na IA são exatamente as que mais as assustam. É o que os pesquisadores chamaram de problema “light and shade” — luz e sombra.

O estudo, conduzido pela empresa por trás do chatbot Claude, identificou tanto os usos mais transformadores da tecnologia — de apoio emocional a ucranianos em meio à guerra até a possibilidade de pais saírem mais cedo do trabalho para buscar os filhos na escola — quanto os medos que acompanham cada um desses benefícios.

Estudo foi conduzido pela dona do Claude, a Anthropic (Imagem: gguy/Shutterstock)

O dilema da “luz e sombra”

O padrão se repete ao longo do estudo: quem valoriza a IA para apoio emocional tem três vezes mais chances de temer se tornar dependente dela. O principal achado da pesquisa apresenta uma verdade desconfortável — não há como separar o benefício do receio.

Um trabalhador ucraniano ilustra essa contradição. Mudo, ele criou junto com a IA um bot de texto-para-voz. “Consigo me comunicar com amigos quase ao vivo, sem tomar o tempo deles lendo. Algo que eu sonhava e achava impossível”, relatou.

Mas essa mesma tecnologia que liberta também gera ansiedade. Um advogado israelense compartilhou sua experiência no estudo: “Uso IA para revisar contratos, economizar tempo… e ao mesmo tempo tenho medo: estou perdendo minha capacidade de ler sozinho? O pensamento era a última fronteira”.

Trabalho: automação e o medo da dependência cognitiva

A automação de tarefas no ambiente de trabalho foi um dos principais casos de uso da IA identificados na pesquisa. Os entrevistados relataram que a tecnologia os libera para se concentrar em atividades mais importantes — e, quando questionados sobre o que realmente queriam conquistar com essa eficiência, a resposta foi tempo com a família.

Os advogados exemplificam a ambiguidade de forma extrema. Quase metade deles já enfrentou problemas com a falta de confiabilidade da IA, mas também são os profissionais que mais relatam benefícios reais na tomada de decisões — as maiores taxas entre todas as profissões analisadas.

Os cinco medos que definem nossa relação com a IA

  • Apenas 11% dos entrevistados disseram não ter nenhum receio sobre inteligência artificial. Os outros 89% apontaram cinco preocupações principais.
  • A falta de confiabilidade lidera a lista. Cerca de 27% dos participantes temem que a IA tome decisões ruins ou incorretas — número superior aos 22% que citaram melhoria na tomada de decisões como benefício.
  • O impacto no mercado de trabalho e na economia aparece em segundo lugar, preocupando 22% dos entrevistados, que temem estagnação salarial e aumento da desigualdade.
  • Empatados em terceiro, com 22% cada, estão dois receios interligados: a IA tomando decisões sem supervisão humana e os seres humanos se tornando passivos diante da tecnologia.
  • A perda da capacidade de pensamento crítico preocupa 16% dos participantes, enquanto 15% se inquietam com a falta de regulamentação e a ausência de responsabilização clara quando algo dá errado.

Geografia da confiança: países ricos versus países em desenvolvimento

Globalmente, 67% dos entrevistados têm visão positiva da IA, mas as diferenças regionais revelam perspectivas muito distintas.

América do Norte, Europa Ocidental e Oceania demonstram maior ceticismo. As preocupações se concentram em lacunas na governança, falhas regulatórias e vigilância. São regiões onde a IA já está integrada ao ambiente de trabalho, e as pessoas conseguem ver seus efeitos acontecendo na prática.

Do outro lado, África Subsaariana, América Latina e Sul da Ásia encaram a IA com otimismo. Para esses entrevistados, a tecnologia funciona como um equalizador econômico, facilitando a criação de negócios e o acesso à educação. “Estou em um país com desvantagem tecnológica, e não posso me dar ao luxo de muitas falhas. Com IA, alcancei nível profissional em cibersegurança, design UX, marketing e gestão de projetos simultaneamente. É um equalizador”, disse um usuário de Camarões.

O Leste Asiático apresenta um padrão distinto: pouca preocupação sobre quem controla a IA, mas grande ansiedade em relação à atrofia cognitiva.

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Por que países mais pobres confiam mais na IA?

A tendência geral aponta que, quanto mais rica a região, maior o ceticismo. Em países desenvolvidos, a automação já está presente no trabalho e as pessoas conseguem ver a substituição humana acontecendo. Nos países em desenvolvimento, a IA ainda não penetrou massivamente nos ambientes profissionais, e preocupações econômicas mais urgentes fazem com que a tecnologia seja encarada como oportunidade — não como ameaça.

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Automação já está mais presente no trabalho em países desenvolvidos (Imagem: Stokkete / Shutterstock.com)

O futuro moldado por 80 mil vozes

A Anthropic afirmou que os achados da pesquisa vão influenciar diretamente o desenvolvimento futuro do Claude. A empresa reconhece que entender as nuances da percepção pública é fundamental para criar uma tecnologia que sirva genuinamente às necessidades humanas.

O estudo deixa claro que a relação das pessoas com a IA não é simples. As mesmas funcionalidades que geram entusiasmo também alimentam o medo — e essa dualidade é o traço mais honesto de como a humanidade está vivendo essa transformação.

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Pentágono quer banir Claude, mas militares resistem à troca

Funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, ex-servidores e contratados de TI que atuam junto às Forças Armadas afirmam que não querem abrir mão das ferramentas de inteligência artificial (IA) da Anthropic, que consideram superiores às alternativas disponíveis. Isso ocorre mesmo depois de o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter classificado a empresa como um risco à cadeia de suprimentos no início de março, proibindo seu uso no Pentágono e entre contratados após um prazo de seis meses.

A decisão surgiu de um desentendimento entre a Anthropic e o Departamento de Defesa sobre os limites de uso das ferramentas de IA militares. Apesar da ordem formal, parte do pessoal está descumprindo o prazo de transição, e alguns já planejam retomar o uso da plataforma caso o impasse seja resolvido. O movimento indica que a retirada do Claude das redes militares será um processo lento e custoso.

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, classificou o Claude como risco à cadeia de suprimentos militares (Imagem: Joshua Sukoff / Shutterstock.com)

Profissionais de TI frustrados com a ordem

A resistência interna é palpável. “As pessoas de carreira em TI no Departamento de Defesa odeiam essa decisão porque finalmente tinham conseguido que os operadores se sentissem confortáveis usando IA”, afirmou um contratado ouvido pela Reuters, que disse considerar o modelo Claude “o melhor”, enquanto o Grok, da xAI, frequentemente apresentava respostas inconsistentes para uma mesma consulta.

As ferramentas de IA tornaram-se essenciais para as Forças Armadas dos EUA, sendo usadas em tarefas que vão desde o direcionamento de armamentos e planejamento de operações até o manuseio de material classificado e a análise de informações. A Anthropic firmou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa em julho de 2025 e se integrou rapidamente ao fluxo de trabalho militar. O Claude foi o primeiro modelo de IA aprovado para operar em redes militares classificadas, e seu nível de adoção era considerado elevado.

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Apesar de proibição do Pentágono, militares insistem em não abrir mão do Claude (Imagem: gguy / Shutterstock.com)

Recertificação pode levar até 18 meses

Substituir sistemas que utilizam os produtos da Anthropic não é tarefa simples. Joe Saunders, CEO da empresa contratada RunSafe Security, que ajudou as Forças Armadas a incorporar chatbots de IA, explicou que a recertificação de um sistema já existente para uma nova plataforma pode levar de 12 a 18 meses. “Não é só caro, é uma perda de produtividade”, afirmou.

Um funcionário do Pentágono disse que tarefas antes realizadas pelo Claude, como consultas a grandes volumes de dados, passaram a ser feitas manualmente com ferramentas como o Microsoft Excel. O Claude Code, ferramenta da Anthropic usada para escrever código, era amplamente utilizado internamente. Sua ausência deixou desenvolvedores frustrados, segundo relatos de servidores seniores.

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Sistema da Palantir também afetado

A retirada tem implicações que vão além do uso direto. O Maven Smart System, da Palantir — plataforma de análise de inteligência e direcionamento de armamentos usada por militares — foi construído com fluxos de trabalho e prompts desenvolvidos com o Claude Code, segundo fontes da Reuters. A Palantir, que mantém contratos relacionados ao Maven com o Departamento de Defesa e outras agências de segurança nacional com valor potencial acima de US$ 1 bilhão, terá de substituir o Claude por outro modelo e reconstruir partes do software.

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A Palantir, muito utilizada no setor militar dos Estados Unidos, construiu sua plataforma Maven Smart System com base nos códigos do Claude (Imagem: Hiroshi-Mori-Stock / Shutterstock.com)

Alguns desenvolvedores estão “empurrando com a barriga” a substituição, pois ainda usam o Claude para criar fluxos de trabalho automatizados. Um diretor de informação de uma agência federal afirmou que planeja adiar o processo, apostando que o governo do país e a Anthropic chegarão a um acordo antes do prazo de seis meses. O Pentágono usou ferramentas do Claude para apoiar operações militares durante o conflito com o Irã, e fontes da Reuters disseram que a tecnologia continua em uso apesar do bloqueio.

“O que estamos vendo aqui é a tensão da adoção, tanto dentro do Pentágono quanto no nível político”, afirmou Roger Zakheim, diretor da Ronald Reagan Presidential Foundation and Institute.

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Anthropic x Pentágono: disputa reacende debate sobre uso da IA em atividades militares

A disputa entre a Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos reacendeu um debate antigo no setor de tecnologia: até que ponto empresas do Vale do Silício devem permitir que suas ferramentas sejam utilizadas em aplicações militares?

Nos últimos dias, o conflito entre a desenvolvedora e o governo americano se intensificou após a Anthropic processar o Pentágono, alegando que sua inclusão em uma lista de “risco à segurança nacional” viola direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. A ação judicial ocorre depois de meses de impasse entre as duas partes sobre as condições de uso do Claude.

No centro da disputa está a recusa da Anthropic em autorizar determinados usos de seus modelos de IA, especialmente em sistemas de vigilância em massa e em armamentos totalmente autônomos capazes de tomar decisões letais.

Segundo a empresa, aceitar a exigência do governo de permitir “qualquer uso legal” de sua tecnologia comprometeria princípios de segurança adotados desde sua fundação e poderia abrir espaço para abusos.

A posição da Anthropic colocou em evidência um tema que acompanha o avanço da inteligência artificial: quais limites éticos devem existir quando tecnologias comerciais passam a integrar operações militares?

Para Margaret Mitchell, pesquisadora de IA e cientista-chefe de ética da Hugging Face, a disputa atual não é entre empresas que apoiam ou rejeitam o uso militar da tecnologia. Na avaliação dela, quem busca encontrar “mocinhos e vilões” nesse debate dificilmente encontrará uma separação tão evidente.

Da esquerda para a direita: CEO da OpenAI, Sam Altman; Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth; e CEO da Anthropic, Dario Amodei (Imagem: FotoField e Joshua Sukoff – Shutterstock / Reprodução – TechCrunch)

Mudança de postura no Vale do Silício sobre IA militar

A tensão ocorre em um momento em que as grandes empresas de tecnologia têm se aproximado cada vez mais do setor de defesa. Esse movimento ganhou força durante o governo de Donald Trump, que tem incentivado o uso de inteligência artificial em órgãos federais e ampliado investimentos em capacidades militares.

A possibilidade de contratos lucrativos e de longo prazo com o governo também contribuiu para esse alinhamento. Além disso, o avanço tecnológico da China e o aumento global dos gastos militares passaram a influenciar decisões estratégicas de empresas do setor.

Essa realidade contrasta com a postura adotada há menos de uma década por parte da indústria. Um exemplo é o do Projeto Maven, do Google:

  • Em 2018, milhares de funcionários do Google protestaram contra a participação da empresa no Projeto Maven, um programa do Departamento de Defesa voltado à análise de imagens captadas por drones militares;
  • Na época, mais de 3 mil trabalhadores da companhia assinaram uma carta aberta afirmando que o Google não deveria se envolver em projetos ligados à guerra;
  • Após a mobilização interna, a empresa decidiu não renovar o contrato e publicou diretrizes que proibiam o desenvolvimento de tecnologias capazes de causar danos diretos a pessoas.

Com o passar dos anos, porém, essa postura foi sendo flexibilizada. O Google posteriormente removeu de suas políticas parte da linguagem que restringia o desenvolvimento de tecnologias militares e passou a firmar novos acordos que permitem o uso de suas ferramentas pelas forças armadas.

Recentemente, a empresa anunciou que disponibilizará o Gemini para apoiar o desenvolvimento de agentes de IA em projetos militares.

Outras empresas seguiram um caminho semelhante. A OpenAI, que anteriormente proibia o acesso de forças armadas aos seus modelos, flexibilizou sua política a partir de 2024. A empresa, juntamente com Google, Anthropic e xAI, assinou um contrato de até US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para integrar tecnologias de IA a sistemas militares.

No mesmo dia em que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos do governo, a OpenAI firmou um novo acordo permitindo que sua tecnologia seja usada em projetos militares confidenciais.

Enquanto isso, companhias focadas diretamente em tecnologia de defesa, como Palantir e Anduril, transformaram a colaboração com o Pentágono em parte central de seus negócios.

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Maioria das grandes empresas de tecnologia na corrida de IA já tem contratos com o Pentágono (Imagem: Keith J Finks/Shutterstock)

A posição da Anthropic

Mesmo com o confronto jurídico com o governo, a Anthropic não se posiciona como uma empresa contrária à colaboração com o setor militar.

O cofundador e CEO da companhia, Dario Amodei, afirmou recentemente que a empresa compartilha muitos objetivos com o Departamento de Defesa. Segundo ele, a Anthropic apoia o uso da inteligência artificial para defesa nacional, desde que certas linhas não sejam ultrapassadas.

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Apesar das restrições defendidas pela empresa, documentos judiciais indicam que o governo dos Estados Unidos já utiliza o modelo Claude em diversas atividades militares. Entre elas estariam análise de ameaças, processamento de documentos confidenciais e operações relacionadas ao campo de batalha.

O Olhar Digital fez uma linha do tempo do conflito entre a Anthropic e o Pentágono. Você pode acessá-la neste link.

(O texto usou informações do jornal The Guardian.)

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Claude vai revisar códigos e encontrar bugs por você

A codificação por engenheiro no Claude cresceu 200% no último ano, segundo a Anthropic. Mas, com o aumento da produtividade, os desenvolvedores não estão conseguindo revisar seus próprios códigos. Pensando nisso, a empresa anunciou o Code Review, um novo recurso de IA que ajuda os profissionais a identificar bugs em softwares antes que eles sejam incorporadas ao código final.

A ferramenta foi integrada ao Claude Code e utiliza múltiplos agentes de IA para revisar automaticamente alterações em projetos de programação.

Segundo a Anthropic, o lançamento responde a um problema crescente no desenvolvimento moderno: o aumento acelerado da produção de código, que levou ao desafio de manter o ritmo de revisão. Em vários casos, as solicitações recebem apenas uma análise rápida, o que aumenta o risco de bugs passarem despercebidos.

O Claude Review busca reduzir esse problema ao realizar revisões automatizadas mais profundas, capazes de detectar falhas que revisores humanos podem deixar escapar.

Por enquanto, a funcionalidade está disponível em versão prévia para clientes dos planos Team e Enterprise.

Como funciona o Code Review

O sistema foi projetado para analisar pull requests – mecanismo usado por desenvolvedores para submeter mudanças de código para revisão antes da integração ao software.

Quando um pull request é aberto, o sistema envia automaticamente uma equipe de agentes de IA para examinar o código. Esses agentes trabalham em paralelo, analisando o projeto sob diferentes perspectivas.

Depois dessa etapa, os resultados são consolidados em um relatório único. O sistema gera:

  • Um comentário geral com uma visão de alto nível da revisão;
  • Anotações diretamente nas linhas de código, apontando possíveis problemas.

Os erros encontrados são classificados por gravidade para ajudar os desenvolvedores a priorizar correções.

As revisões também se adaptam à complexidade das mudanças. Alterações maiores ou mais críticas recebem mais agentes e uma análise mais detalhada, enquanto modificações menores passam por revisões mais rápidas. De acordo com testes da empresa, uma revisão completa costuma levar cerca de 20 minutos.

A Anthropic afirma que já utiliza o sistema internamente em grande parte de seus projetos. Antes da adoção da ferramenta, apenas 16% dos pull requests recebiam comentários substanciais de revisão. Após a implementação do Code Review, esse índice subiu para 54%.

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Os testes também mostram que mudanças maiores tendem a apresentar mais problemas. Em solicitações com mais de 1.000 linhas de código alteradas, cerca de 84% continham falhas. Já em alterações menores, com menos de 50 linhas, o índice cai para 31%.

Em um dos casos citados pela empresa, uma mudança aparentemente simples de apenas uma linha poderia ter quebrado o sistema de autenticação de um serviço em produção. O bug foi detectado pela ferramenta antes que a alteração fosse incorporada ao projeto.

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