Anthropic

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Microsoft aposta na Anthropic para avançar em agentes de IA

A Microsoft ampliou sua parceria com a Anthropic ao incorporar novas tecnologias da família de modelos Claude ao Microsoft 365 Copilot. O movimento ocorre em meio ao crescimento do interesse do mercado por agentes de inteligência artificial (IA) capazes de executar tarefas complexas dentro de softwares corporativos.

O tema ganhou destaque após o anúncio recente da nova geração do Copilot para o pacote Microsoft 365, que introduziu recursos agênticos integrados a aplicativos como Microsoft Word, Microsoft Excel, Microsoft PowerPoint e Microsoft Outlook. Como o Olhar Digital já mostrou, a atualização inclui ferramentas capazes de dividir tarefas em múltiplas etapas e executá-las diretamente no fluxo de trabalho.

Microsoft anunciou novidades para o Microsoft 365 Copilot, incluindo agentes da Anthropic (Imagem: IB Photography/ Shutterstock)

Mercado observa avanço dos agentes de IA

A aposta da Microsoft reflete uma tendência mais ampla na indústria de tecnologia: o desenvolvimento de agentes de IA que vão além da geração de texto ou imagens e passam a executar tarefas completas em aplicativos corporativos.

Ferramentas lançadas recentemente pela Anthropic chamaram atenção no Vale do Silício por demonstrarem a capacidade de automatizar atividades como criação de aplicativos, organização de grandes volumes de dados e construção de planilhas complexas com pouca supervisão humana.

Esse avanço tem levado analistas e investidores a discutir o impacto potencial da IA agêntica no mercado de software corporativo, já que parte dessas tarefas tradicionalmente depende de ferramentas especializadas.

Estratégia da Microsoft aposta em segurança corporativa

A Microsoft tenta se posicionar nesse cenário aproveitando sua base de clientes empresariais e a infraestrutura de segurança integrada ao ecossistema do Microsoft 365.

Em entrevista à Reuters, Jared Spataro, responsável pela área de IA no trabalho na empresa, afirmou que os recursos de agentes da companhia operam exclusivamente na nuvem e dentro do ambiente corporativo do usuário.

“Trabalhamos apenas em ambiente de nuvem e apenas em nome do usuário. Assim, é possível saber exatamente quais informações o sistema tem acesso”, afirmou o executivo. Segundo Spataro, muitas empresas demonstram preocupação em relação ao uso de agentes de IA sem mecanismos claros de controle de dados e segurança.

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Diversificação de modelos além da OpenAI

A aproximação com a Anthropic também ocorre em um momento em que investidores questionam a dependência da Microsoft de tecnologias da OpenAI, responsável por modelos utilizados amplamente em seus produtos de IA.

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Investidores questionavam a Microsoft sobre dependência de tecnologias da OpenAI (Imagem: LanKS / Shutterstock.com)

Com a integração dos modelos Claude ao Copilot, a empresa passa a adotar uma estratégia mais aberta, combinando diferentes sistemas de inteligência artificial dentro da mesma plataforma.

O objetivo, segundo a Microsoft, é permitir que o Copilot utilize automaticamente o modelo mais adequado para cada tarefa dentro do ambiente corporativo, sem exigir que o usuário escolha qual tecnologia utilizar.

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Após embate com a Anthropic, EUA querem regras para permitir uso irrestrito de IAs

Os Estados Unidos preparam novas regras para contratos civis envolvendo inteligência artificial, exigindo que empresas do setor permitam o uso de seus modelos para “qualquer finalidade legal” por parte do governo. As diretrizes surgem após o impasse entre o Pentágono e a Anthropic.

De acordo com uma versão preliminar das regras, divulgadas pelo Financial Times, desenvolvedoras que desejarem fornecer sistemas de IA ao governo americano terão de conceder uma licença irrevogável para utilizar suas tecnologias em todas as aplicações consideradas legais.

As orientações foram elaboradas pela Administração de Serviços Gerais (GSA), órgão responsável por coordenar compras e contratos para a administração pública. Embora as regras se destinem inicialmente a contratos civis, o modelo pode influenciar diretrizes semelhantes em acordos ligados ao setor militar.

Pentágono x Anthropic

O debate ocorre após uma decisão recente do Departamento de Defesa (agora Departamento de Guerra) envolvendo a Anthropic. Na quinta-feira (5), o Pentágono classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”.

A medida foi tomada depois de um desacordo entre a desenvolvedora e o governo. Segundo autoridades americanas, a Anthropic insistiu em adotar medidas de segurança consideradas excessivamente restritivas, o que teria dificultado o uso da tecnologia em aplicações governamentais.

Por outro lado, a Anthropic expressou preocupações acerca do uso de seu chatbot, o Claude, em aplicações voltadas para vigilância em massa de cidadãos americanos e armas autônomas. A empresa se recusou a flexibilizar suas regras para se adequar ao Pentágono, resultando na quebra da parceria. O Olhar Digital deu detalhes aqui.

Em paralelo, a GSA decidiu encerrar o contrato da empresa no programa OneGov, que disponibiliza ferramentas de software para órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário por meio de acordos previamente negociados.

Novas regras vêm depois do desacordo entre Anthropic e Pentágono (Imagem: Keith J Finks/Shutterstock)

Novas exigências dos EUA para empresas de IA

O rascunho das diretrizes também estabelece regras sobre o comportamento dos sistemas de inteligência artificial fornecidos ao governo. Entre os pontos previstos está a exigência de que os contratados não incluam deliberadamente vieses partidários ou ideológicos nas respostas geradas pelos modelos.

Além disso, as empresas terão de informar se seus sistemas foram adaptados ou configurados especificamente para atender a regulamentações ou exigências de conformidade fora do governo federal dos EUA.

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As novas regras fazem parte de uma iniciativa da administração para ampliar o uso de IA no setor público, ao mesmo tempo em que tenta estabelecer padrões para segurança, neutralidade e disponibilidade dessas tecnologias. A Casa Branca não comentou publicamente o assunto até o momento.

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Rivalidade entre OpenAI e Anthropic se intensifica e pode moldar futuro da IA

A disputa entre duas das empresas mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) — OpenAI e Anthropic — vem ganhando contornos cada vez mais pessoais e públicos, envolvendo seus líderes, Sam Altman e Dario Amodei, e levantando questionamentos sobre como a tecnologia será desenvolvida e utilizada nos próximos anos.

O episódio mais recente dessa rivalidade surgiu em meio a negociações com o Pentágono e expôs diferenças profundas entre as empresas sobre segurança, regulação e o uso militar da IA.

Rivalidade visível até em eventos públicos

  • A tensão entre Altman e Amodei chegou a se manifestar em um encontro recente com líderes de tecnologia na Índia;
  • Durante uma foto oficial com o primeiro-ministro do país, outros executivos deram as mãos em sinal de união — mas os dois rivais evitaram qualquer contato físico, limitando-se a um constrangido toque de cotovelos;
  • Para muitos observadores, a cena simbolizou a rivalidade crescente entre duas companhias que disputam usuários, talentos e investidores, especialmente em um momento em que ambas avaliam abrir capital ainda este ano;
  • Conflitos entre gigantes da tecnologia não são novidade no Vale do Silício. A história do setor inclui disputas, como Steve Jobs contra Bill Gates, Apple contra Samsung e Uber contra Lyft. Há ainda confrontos frequentes envolvendo Elon Musk e figuras, como Jeff Bezos e Mark Zuckerberg;
  • Embora rivalidades desse tipo muitas vezes estimulem inovação e concorrência, analistas alertam que a disputa entre OpenAI e Anthropic envolve um risco adicional: ambas concentram enorme influência sobre uma tecnologia ainda emergente, cujo impacto potencial é global.

Anthropic: origem da divisão da OpenAI

A Anthropic nasceu em 2021 justamente a partir de preocupações sobre segurança no desenvolvimento da IA. Amodei, então vice-presidente de pesquisa da OpenAI, deixou a empresa após questionar a rapidez com que a tecnologia estava sendo comercializada.

Ele levou consigo vários pesquisadores para fundar a nova companhia, estruturada como uma organização com fins lucrativos que afirma seguir padrões específicos de impacto social e responsabilidade.

As diferenças de visão entre os líderes são frequentemente apontadas como um dos motores da rivalidade. Altman é visto como um negociador agressivo, disposto a fechar grandes acordos para acelerar o crescimento da OpenAI. Já Amodei adota uma postura mais cautelosa e frequentemente alerta para riscos da tecnologia, como possíveis perdas massivas de empregos — comparáveis às da Grande Depressão.

Dario Amodei já criticou Sam Altman e a OpenAI em memorando interno (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

Crescimento acelerado da Anthropic

Durante anos, a OpenAI parecia ter uma vantagem confortável na corrida para levar a IA ao grande público. A empresa criou o aplicativo de consumo com crescimento mais rápido da história da tecnologia, acumulou mais de US$ 100 bilhões (R$ 524,4 bilhões) em caixa e firmou parcerias com grandes empresas de computação.

Nos últimos meses, porém, o cenário começou a mudar. A Anthropic conquistou milhares de grandes empresas como clientes e mais que dobrou sua previsão de receita anual, passando de US$ 9 bilhões (R$ 47,2 bilhões) para US$ 19 bilhões (R$ 99,6 bilhões). Em alguns círculos da indústria, sua tecnologia também passou a ser considerada a mais avançada entre as concorrentes.

Segundo o investidor de capital de risco Siri Srinivas, mudanças de narrativa no setor estão acontecendo cada vez mais rápido. “Levava anos para surgir uma história sobre uma empresa. Agora, as narrativas mudam em meses”, disse ao The New York Times.

A corrida pelo domínio da IA também inclui planos de abertura de capital. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que conversaram com o The Wall Street Journal, a Anthropic pretende realizar seu IPO antes da OpenAI, o que poderia dar à empresa uma vantagem inicial com investidores.

Situação semelhante ocorreu em 2019, quando a Lyft buscou abrir capital antes da Uber em meio à disputa entre as duas companhias de transporte por aplicativo.

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Conflito com o Pentágono

A rivalidade atingiu um novo patamar quando a Anthropic entrou em choque com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Durante negociações para contratos governamentais, a empresa tentou incluir cláusulas que impediriam o uso de sua IA em sistemas de armas autônomas e em vigilância doméstica em larga escala. Autoridades do Pentágono reagiram negativamente. Segundo o chefe de tecnologia do departamento, Emil Michael, cabe ao governo decidir como o Exército utiliza tecnologia. “Tem que ser nossa escolha”, afirmou.

Após Amodei se recusar a retirar essas condições, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, o que impede o uso de sua tecnologia em contratos de defesa.

Poucas horas depois de as negociações entre Anthropic e o Pentágono fracassarem, Altman anunciou que a OpenAI havia fechado seu próprio acordo com o Departamento de Defesa. A decisão provocou forte reação pública. Funcionários de tecnologia e usuários elogiaram a Anthropic por manter sua posição contra o uso da IA em vigilância e armamentos autônomos.

Manifestantes também se reuniram diante da sede da OpenAI, escrevendo mensagens como “Sem armas de IA” e “Quais são suas linhas vermelhas?” na calçada. Nas redes sociais, a hashtag “#FireSamAltman” (demita Sam Altman, em tradução livre) chegou a se tornar tendência.

Em contraste, apoiadores deixaram mensagens encorajadoras na sede da Anthropic, incluindo frases como “DEUS AMA A ANTHROPIC” e “VOCÊS NOS ENCORAJAM”.

Memorando interno da Anthropic e troca de acusações

Em um memorando interno divulgado posteriormente, Amodei criticou duramente a OpenAI e acusou a empresa de agir de forma enganosa. “Quero ser muito claro sobre as mensagens que estão vindo da OpenAI e a natureza mentirosa disso. Este é um exemplo de quem eles realmente são”, escreveu.

Ele também afirmou que a Anthropic perdeu o contrato porque se recusou a oferecer “elogios ao estilo de ditadores” ao governo de Donald Trump, algo que alegou que Altman estaria disposto a fazer. Após a repercussão pública do documento, Amodei pediu desculpas pelo tom da mensagem e afirmou que seu pensamento havia evoluído.

Altman também criticou indiretamente o rival ao comentar o papel do governo no setor. “O governo deve ser mais poderoso do que empresas privadas”, disse, durante conferência do banco Morgan Stanley.

A disputa também ganhou contornos políticos. O deputado democrata Ro Khanna elogiou a decisão da Anthropic de não ceder às exigências do Pentágono. Ao mesmo tempo, o presidente Trump criticou duramente a empresa. “Bem, eu demiti a Anthropic”, disse ele em entrevista ao Politico. “A Anthropic está em apuros”, acrescentou, afirmando que a empresa foi dispensada “como cães”.

CEO da OpenAI, Sam Altman, falando em evento
Altman fez críticas indiretas à rival (Imagem: alprodhk/Shutterstock)

Popularidade e números do mercado

Apesar das controvérsias, as duas empresas continuam crescendo rapidamente. A OpenAI informou recentemente que seus produtos são usados por mais de 900 milhões de pessoas, mais que dobrando sua base de clientes em um ano. Mais de nove milhões de empresas pagam para usar o ChatGPT em atividades profissionais e a receita da companhia pode ultrapassar US$ 25 bilhões (R$ 131,1 bilhões) neste ano.

Já o Claude, chatbot da Anthropic, alcançou o primeiro lugar entre os downloads da Apple App Store em 16 países. Mais de um milhão de pessoas passaram a baixar o aplicativo diariamente — entre elas, a cantora Katy Perry.

Rivalidade que pode influenciar futuro da IA

Apesar dos conflitos, Altman e Amodei frequentemente expressam visões semelhantes sobre a velocidade com que a IA está evoluindo e sobre seu potencial transformador. Ambos concordam que a tecnologia terá impacto profundo na sociedade — inclusive na economia e no mercado de trabalho.

A divergência central está em como chegar lá: avançar rapidamente para dominar o mercado ou priorizar limites e regras de segurança. Com as duas empresas sediadas a poucos quilômetros de distância em São Francisco (EUA), a rivalidade entre seus líderes tornou-se um dos principais motores — e também uma das maiores tensões — da corrida global pela liderança em IA. E, pelo tom das recentes trocas de acusações, dificilmente os dois executivos estarão de mãos dadas tão cedo.

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Anthropic: Amazon mantém oferta do Claude para clientes AWS

Após a confirmação de que a Anthropic foi classificada como risco na cadeia de suprimentos pelo Pentágono, a Amazon se pronunciou a respeito e disse que seguirá ofertando a inteligência artificial (IA) da empresa, o Claude, a seus clientes de nuvem, o Amazon Web Services (AWS). Somente os projetos que envolvem o Departamento de Defesa não receberão mais a oferta.

“Os clientes e parceiros da AWS podem continuar usando o Claude para todas as suas cargas de trabalho não associadas ao Departamento de Guerra (DoW). Para todas as cargas de trabalho do DoW que usam tecnologias da Anthropic, estamos dando suporte aos clientes e parceiros durante a transição para alternativas executadas na AWS”, disse um porta-voz da AWS em comunicado.

Amazon se junta a outras big techs para “defender” Anthropic

  • A Amazon, que detém a liderança no mercado de nuvem, segue o passo de suas concorrentes (Microsoft e Google) ao atualizar seus clientes sobre a disponibilidade da Anthropic;
  • Na quinta-feira (5), a Microsoft anunciou que o Claude segue acessível em produtos que não envolvam o Departamento de Defesa. Na manhã desta sexta-feira (6), foi a vez de o Google fazer o mesmo;
  • A gigante do e-commerce de Jeff Bezos é uma das maiores investidoras da Anthropic, com investimentos de US$ 8 bilhões (R$ 41,9 bilhões) desde 2023. Elas também possuem forte relação comercial.

Por sua vez, a AWS segue como a principal parceira de nuvem e treinamento da empresa de Dario Amodei, que se comprometeu a utilizar 500 mil chips personalizados da Amazon, o Trainium 2, como parte de um campus de data centers da AWS construído para a startup, nomeado Projeto Rainier. Seu custo é de US$ 11 bilhões (R$ 57,6 bilhões).

Startup está “em pé de guerra” com Pentágono (Imagem: gguy/Shutterstock)

Acesso ao Claude na AWS

Os modelos do Claude estão disponíveis via AWS Bedrock, no qual as empresas podem acessar vários modelos de IA de diferentes desenvolvedoras.

O Bedrock é fornecido por meio do serviço GovCloud, da AWS. Trata-se de uma região de nuvem dedicada e equipada para hospedagem de dados sensíveis e fluxos de trabalho regulamentados.

A Amazon conseguiu contratos bilionários com agências do governo dos EUA, fornecendo serviços de nuvem e IA. Em novembro de 2025, foram destinados, pela empresa, cerca de US$ 50 bilhões (R$ 262,2 bilhões) às infraestruturas de IA para clientes governamentais. À época, a big tech dizia ter mais de 11 mil agências dos EUA sob seu guarda-chuva.

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Anthropic vs Pentágono: linha do tempo

11 de julho de 2024: a Anthropic firmou uma parceria com a Palantir para integrar o Claude à plataforma de IA Palantir AIP. O objetivo era permitir que agências de inteligência e defesa dos EUA usassem a IA para analisar grandes volumes de dados complexos de forma segura.

14 de julho de 2025: o Pentágono concedeu à Anthropic um contrato de prototipagem no valor de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão). O objetivo era desenvolver capacidades de IA de fronteira para a segurança nacional. Outras empresas, como OpenAI e xAI, também receberam contratos de valores similares na mesma época.

Janeiro de 2026: o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, emitiu um memorando exigindo que todos os contratos de IA do Departamento de Defesa incluíssem uma cláusula de “qualquer uso lícito” em até 180 dias. A medida entrou em conflito direto com as políticas de segurança da Anthropic, que proíbem o uso do Claude para vigilância doméstica em massa ou armas totalmente autônomas.

24 de fevereiro de 2026: Hegseth reuniu-se com o CEO da Anthropic, Dario Amodei, exigindo formalmente a assinatura de um documento que garantisse ao exército acesso total e irrestrito aos modelos Claude, sem as “travas” de segurança da empresa.

27 de fevereiro de 2026: fim do prazo estipulado pelo Pentágono. A Anthropic recusou-se oficialmente a remover as salvaguardas. Em resposta, o presidente Donald Trump ordenou que todas as agências federais interrompessem o uso dos produtos da Anthropic. No mesmo dia, Hegseth declarou a empresa um “risco à cadeia de suprimentos”, proibindo qualquer contratante militar de fazer negócios com ela.

28 de fevereiro de 2026: a OpenAI, através de Sam Altman, aproveitou o vácuo deixado pela Anthropic e anunciou um novo acordo para implantar seus modelos na rede classificada do Departamento de Defesa, comprometendo-se com os termos de “uso lícito” exigidos pelo governo.
Enquanto os Estados Unidos baniam a Anthropic, o Pentágono iniciava a Operação Epic Fury, uma ofensiva aérea contra o Irã, usando as ferramentas de IA da empresa.

3 de março de 2026: Sam Altman, CEO da OpenAI, disse aos seus funcionários que não controla como o Pentágono utiliza o sistema de inteligência artificial da empresa.

4 de março de 2026: embora houvesse rumor de que Amodei e Hegseth voltariam a conversar, o Pentágono notificou formalmente a Anthropic de que a companhia e seus produtos (incluindo o chatbot Claude) foram classificados como um risco à cadeia de suprimentos dos Estados Unidos.

5 de março de 2026: Amodei afirmou que a Anthropic pretende contestar isso na Justiça. Segundo ele, a companhia “não teve outra escolha” senão recorrer aos tribunais após a designação oficial. Se a classificação de risco for mantida, empresas privadas com contratos federais podem ser forçadas a banir o uso do Claude, prejudicando uma das principais verticais de crescimento da empresa.

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Anthropic vai à Justiça contra Pentágono, diz CEO

No fim da noite desta quinta-feira (5), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, confirmou os rumores de que a Anthropic teria recebido a classificação de risco à cadeia de suprimentos pelo Pentágono.

Além disso, ele afirmou que a empresa pretende contestar isso na Justiça. Segundo ele, a companhia “não teve outra escolha” senão recorrer aos tribunais após a designação oficial.

Amodei confirmou que o governo dos EUA declarou a Anthropic como um risco de cadeia de suprimentos na quinta-feira (5). A classificação ocorre em meio a um impasse entre a startup e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DOD) sobre a forma como seus modelos de inteligência artificial (IA), o Claude, podem ser utilizados.

A empresa vinha se desentendendo com o Pentágono sobre limites para o uso da tecnologia. No fim da semana passada, a Anthropic foi informada — por meio de publicações em redes sociais — de que estava sendo incluída em uma lista que a impediria de participar de contratos governamentais.

A companhia buscava garantias de que sua tecnologia não seria utilizada para armas totalmente autônomas ou para vigilância doméstica em massa. Já o DOD queria que a Anthropic concedesse acesso irrestrito ao Claude para qualquer finalidade legal.

“Como afirmamos na sexta-feira passada, não acreditamos, e nunca acreditamos, que seja papel da Anthropic ou de qualquer empresa privada se envolver na tomada de decisões operacionais — esse é o papel dos militares”, escreveu Amodei.

“Nossas únicas preocupações sempre foram nossas exceções para armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa, que se relacionam a áreas de uso de alto nível, e não à tomada de decisões operacionais.”

CEO disse que não há outra saída senão ir à Justiça contra o Pentágono (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

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Anthropic: Amodei diz que não há outra saída

  • Segundo o executivo, a Anthropic é a única empresa estadunidense a ser publicamente classificada como risco para a cadeia de suprimentos;
  • A designação agora oficial exige que fornecedores e contratados do setor de defesa certifiquem que não utilizam os modelos da empresa em trabalhos realizados com o Pentágono;
  • Esse tipo de classificação costuma ser aplicado a organizações que operam em países considerados adversários dos Estados Unidos, como a empresa chinesa de tecnologia Huawei;
  • Ainda há incerteza sobre se empresas contratadas pelo setor de defesa poderão continuar usando a tecnologia da Anthropic em projetos que não estejam relacionados ao trabalho militar;
  • Amodei afirmou que a designação “não limita (e não pode limitar) o uso do Claude ou relações comerciais com a Anthropic quando não estão relacionadas a contratos específicos com o Departamento de Guerra”.

A Microsoft, que anunciou, em novembro, planos de investir até US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões) na Anthropic, afirmou, em comunicado, que seus advogados analisaram a designação e concluíram que os produtos da empresa podem continuar disponíveis para clientes que não sejam o DOD.

A Anthropic havia firmado em julho um contrato de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) com o Departamento de Defesa e foi o primeiro laboratório de inteligência artificial a integrar seus modelos a fluxos de trabalho de missões em redes classificadas. No entanto, com o avanço das divergências nas negociações, concorrentes também passaram a firmar acordos semelhantes.

A OpenAI, de Sam Altman, e a xAI, de Elon Musk, concordaram em implantar seus modelos em ambientes classificados. Altman anunciou o acordo de sua companhia com o Departamento de Defesa poucas horas depois de a Anthropic ter sido colocada na lista de restrições na sexta-feira (27).

Em uma publicação no X, Altman afirmou que a agência demonstrou “profundo respeito pela segurança e o desejo de fazer parceria para alcançar o melhor resultado possível”.

À frente e à esquerda, Sam Altman com um pequeno sorriso; à direita e ao fundo, o logo da OpenAI em uma tela
Executivo da OpenAI garantiu que o Departamento vai seguir suas restrições (Imagem: FotoField/Shutterstock)

Relação tensa

A relação entre a Anthropic e o governo do presidente Trump tem se tornado cada vez mais tensa nos últimos meses. Amodei chegou a pedir desculpas por um memorando interno crítico à administração que vazou para a imprensa na quarta-feira (4).

De acordo com uma reportagem do The Information, o executivo teria dito a funcionários que o governo não simpatizava com a Anthropic porque a empresa não havia feito doações nem oferecido “elogios no estilo ditador a Trump”.

Amodei afirmou que o memorando foi escrito na sexta-feira (27), após “um dia difícil para a empresa”, e que não reflete suas “opiniões cuidadosas ou ponderadas”. Ele acrescentou que o texto representa uma “avaliação desatualizada da situação atual”.

“A Anthropic não vazou essa publicação nem orientou ninguém a fazê-lo — não é do nosso interesse escalar essa situação”, escreveu o executivo.

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Ameaça real? Pentágono rotula Anthropic como “risco” e gera impasse

O Pentágono teria notificado formalmente a Anthropic de que a companhia e seus produtos (incluindo o chatbot Claude) foram classificados como um risco à cadeia de suprimentos dos Estados Unidos.

A medida, confirmada por autoridades de defesa à Bloomberg, ocorre em um momento de incerteza: embora o Financial Times tenha relatado horas antes que as partes haviam voltado negociar, a oficialização do status de risco sinaliza que a diplomacia entre o Vale do Silício e Washington pode ter fracassado.

Essa notificação é um golpe direto na Anthropic, atualmente avaliada em US$ 380 bilhões. Com uma receita projetada de US$ 20 bilhões para este ano, a startup depende de sua integração em sistemas como o Maven (da Palantir), utilizado em operações militares no Irã.

Se a classificação de risco for mantida, empresas privadas com contratos federais podem ser forçadas a banir o uso do Claude, prejudicando uma das principais verticais de crescimento da empresa.

Histórico das empresas

O embate entre o CEO da Anthropic, Dario Amodei, e o subsecretário de defesa, Emil Michael, atingiu níveis de hostilidade raros no setor. Michael chegou a acusar Amodei publicamente de ter um “complexo de Deus” e colocar a nação em perigo.

O cerne da disputa é uma cláusula sobre o uso do Claude para vigilância em massa e armas autônomas: termos que a Anthropic se recusa a flexibilizar, mas que rivais como OpenAI e xAI teriam aceitado sob a premissa de “qualquer uso legal”.

Um memorando interno da Anthropic, revelado pelo The Information, sugere que o Pentágono tentou uma manobra de última hora: o governo aceitaria os termos éticos da startup, desde que uma frase específica sobre “análise de dados adquiridos em massa” fosse removida.

A recusa de Amodei em ceder nesse ponto parece ter sido a gota d’água para que o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, cumprisse a promessa de rotularr a empresa como uma ameaça à segurança nacional.

Cenário do setor

O mercado agora observa se a retomada das conversas citada pelo Financial Times é uma tentativa real de conciliação ou apenas uma formalidade antes de uma batalha judicial. A classificação de “risco à cadeia de suprimentos” é uma ferramenta de pressão extrema, geralmente reservada a adversários geopolíticos, e sua aplicação a uma “queridinha” de Wall Street cria um precedente que pode vir ameaçar a autonomia das Big Techs.

Para a Anthropic, o desafio é sobreviver a essa decisão do governo sem comprometer os princípios de segurança que sustentam sua marca. Enquanto isso, a OpenAI se posiciona para ocupar a lacuna deixada no Pentágono, transformando o impasse ético em uma vantagem competitiva de bilhões de dólares.

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Mudou de ideia? Anthropic e Pentágono retomam conversas para uso militar do Claude

Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (agora renomeado para Departamento de Guerra) cortaram relações na sexta-feira passada. O desentendimento veio após a desenvolvedora de IA se recusar a flexibilizar suas regras para permitir o uso do Claude em aplicações perigosas, incluindo vigilância em massa de cidadãos americanos e armas autônomas.

Agora, parece que a Anthropic mudou de ideia. Segundo o Financial Times, que citou fontes familiarizadas com o assunto, o CEO Dario Amodei voltou a discutir um possível acordo com Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia. O objetivo seria estabelecer novos termos contratuais que permitam o uso do Claude nas forças armadas.

Mas o clima entre as partes é tenso. Após o desentendimento entre Anthropic e Pentágono, Michael criticou Amodei nas redes sociais, chamando-o de “mentiroso” com “complexo de Deus” e acusando-o de “colocar a segurança de nossa nação em risco”.

Do outro lado, Amodei também criticou o Pentágono e a rival OpenAI, que aproveitou a quebra de contrato para se aliar ao governo. Em um memorando interno divulgado pelo The Information, o executivo criticou o acordo entre OpenAI e Departamento de Defesa, classificando-o como “teatro da segurança” e afirmando que as mensagens entre as partes eram “mentiras descaradas”.

Amodei ainda sugeriu que o relacionamento da Anthropic com o governo federal pode ter se deteriorado por fatores políticos. No documento, ele afirmou que a empresa não fez doações ao presidente Donald Trump nem adotou uma postura pública de apoio semelhante à de outros líderes do setor de tecnologia.

O memorando também detalha um momento das negociações em que o Departamento de Defesa teria sinalizado que aceitaria os termos propostos pela startup, desde que uma cláusula específica fosse removida do contrato.

Perto do fim da negociação, o [departamento] ofereceu-se para aceitar os nossos termos atuais se excluíssemos uma frase específica sobre ‘análise de dados adquiridos em massa’, que era a única linha do contrato que correspondia exatamente ao cenário que mais nos preocupava. Achamos isso muito suspeito.

Anthropic, em memorando interno divulgado pelo The Information

Com a recusa da Anthropic, Pentágono se aliou à OpenAI (Imagem: Keith J Finks/Shutterstock)

Então, por que Anthropic voltou a negociar com o Pentágono?

Mesmo assim, a Anthropic tem motivo para voltar atrás.

Durante as negociações da semana passada, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que a desenvolvedora poderia ser classificada como um “risco para a cadeia de suprimentos” caso não se aliasse ao Pentágono. Esse tipo de designação costuma ser aplicado a empresas consideradas uma ameaça à segurança nacional – geralmente por vínculos com governos estrangeiros – e poderia prejudicar a Anthropic no setor de tecnologia.

Caso a desenvolvedora realmente seja incluída na lista, companhias que trabalham com contratos de defesa poderiam ser obrigadas a interromper o uso do Claude e encerrar parcerias com a startup.

Leia mais:

Relembrando: No centro dessa disputa estão as condições para o uso militar da tecnologia da Anthropic. A empresa afirma ter dois limites claros: não permitir aplicações de vigilância em massa contra cidadãos americanos e impedir o uso de sistemas de inteligência artificial em armas autônomas letais, capazes de operar sem supervisão humana.

O Departamento de Defesa, por sua vez, defende que a IA utilizada pela instituição esteja disponível para “qualquer uso legal”, um princípio que a Anthropic considera amplo demais e potencialmente incompatível com suas restrições éticas. Segundo relatos, outras empresas do setor – como OpenAI e xAI – teriam aceitado esse tipo de condição.

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Revés para a OpenAI: usuários estão desinstalando o ChatGPT em massa

A decisão da OpenAI de fechar uma parceria com o Departamento de Guerra (antigo Departamento de Defesa) dos Estados Unidos não caiu bem entre os usuários. As desinstalações do aplicativo do ChatGPT aumentaram em 295% no sábado (28 de fevereiro) em relação ao dia anterior.

Os dados são da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, divulgados pelo TechCrunch. O salto nesse número contrasta com a média diária registrada nos 30 dias anteriores, quando a mesma taxa ficava em torno de 9%.

E não foram apenas as desinstalações que afetaram o ChatGPT. Na sexta-feira (27), antes da divulgação do acordo da OpenAI com o Pentágono, a taxa de downloads havia crescido 14%. No sábado, depois do acordo, caiu 13% em relação ao dia anterior. No domingo, caiu mais 5%.

As quedas vieram após a OpenAI firmar um contrato de US$ 200 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão) com o Departamento de Guerra para fornecer IA voltada à vigilância militar. Antes disso, a Anthropic tinha um acordo com o Pentágono para a mesma finalidade, mas se recusou a flexibilizar suas regras de segurança para permitir o uso do Claude em operações militares perigosas. A rival desfez a parceria com o governo e a OpenAI entrou no lugar.

Mesmo com a perda do contrato federal, a Anthropic experienciou o efeito inverso: enquanto o ChatGPT caiu, o Claude cresceu em downloads.

Comparação nos downloads dos aplicativos ChatGPT (OpenAI) e Claude (Anthropic) [Imagem: Appfigures)

ChatGPT caindo, Claude crescendo

Após a recusa da Anthropic em ceder o Claude para aplicações militares perigosas, os downloads do aplicativo nos Estados Unidos subiram 37% na sexta-feira e 51% no sábado, de acordo com a Sensor Tower.

Os números sugerem que, aparentemente, parte dos consumidores aprovou a postura adotada pela desenvolvedora.

A repercussão também se refletiu no desempenho do aplicativo nas lojas digitais. No sábado, o Claude alcançou o primeiro lugar em downloads na App Store dos EUA – e continuou assim até segunda-feira (2). Para se ter uma ideia, uma semana antes, o app estava 20 posições abaixo no ranking.

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Além da Sensor Tower, outras empresas de monitoramento de mercado registraram tendências semelhantes:

  • A Appfigures apontou que, pela primeira vez, o total de downloads diários do Claude nos EUA superou o do ChatGPT;
  • Segundo as estimativas, o crescimento do app no sábado foi ainda mais expressivo, chegando a 88% em comparação com o dia anterior;
  • O avanço não ficou restrito ao mercado americano. A Appfigures informou que o Claude passou a ocupar o topo da categoria de aplicativos gratuitos para iPhone em seis países fora dos EUA: Bélgica, Canadá, Alemanha, Luxemburgo, Noruega e Suíça;
  • Já a Similarweb estimou que, na última semana, os downloads do Claude nos EUA foram cerca de 20 vezes maiores do que os registrados em janeiro. A empresa destacou que o aumento pode estar associado a múltiplos fatores, e não exclusivamente à controvérsia envolvendo o Pentágono.

A reação também apareceu nas avaliações do ChatGPT. De acordo com a Sensor Tower, as avaliações de uma estrela para o aplicativo cresceram 775% no sábado e 100% no domingo. No mesmo intervalo, as avaliações máximas (cinco estrelas) caíram 50%.

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Como a OpenAI aproveitou ‘vácuo’ da Anthropic para fornecer IA ao Pentágono

A OpenAI firmou um contrato de US$ 200 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão) com o Pentágono para fornecer inteligência artificial (IA) voltada à vigilância militar. O acordo foi fechado após o colapso das negociações entre o Departamento de Defesa e a Anthropic, que recusou os termos exigidos pelo governo.

A divergência central envolve o monitoramento de cidadãos americanos e o uso da tecnologia em operações de segurança nacional. Enquanto a Anthropic priorizou restrições éticas sobre vigilância doméstica, a OpenAI aceitou as condições governamentais para integrar seus modelos de linguagem à infraestrutura de defesa dos EUA.

Anthropic interrompe negociações por restrições ao monitoramento de cidadãos

As conversas entre a Anthropic e o Pentágono falharam minutos antes do prazo final estabelecido pelo Secretário de Defesa, Pete Hegseth, segundo o jornal The New York Times. O impasse central foi a exigência do governo pelo uso irrestrito das ferramentas de IA para vigilância doméstica. A empresa se recusou a ceder em pontos que violariam suas políticas de segurança e ética de dados pessoais.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, argumentou que a tecnologia atual não possui confiabilidade suficiente para operações militares letais sem supervisão humana (Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock)

O diretor de tecnologia do Departamento de Defesa, Emil Michael, liderou as tratativas de um contrato avaliado em US$ 200 milhões. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, argumentou que a tecnologia atual não possui confiabilidade suficiente para operações militares letais sem supervisão humana. A resistência da startup gerou atritos diretos com a cúpula do governo e resultou no fim do diálogo.

A Anthropic buscava garantir que seus modelos não fossem aplicados em ações de vigilância em solo americano. O Departamento de Defesa, contudo, demandava flexibilidade total para interpretar o que seria considerado monitoramento legal sob a legislação vigente. Essa divergência semântica e ética foi o principal gatilho para o encerramento do contrato na última sexta-feira (28).

O fracasso da parceria resultou na designação da Anthropic como risco à cadeia de suprimentos pelo governo federal. O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que agências federais suspendessem o uso das tecnologias da empresa logo após o colapso do acordo.

OpenAI aceita termos do Pentágono e assume contrato de inteligência militar

Pouco após o recuo da Anthropic, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um acordo com o Departamento de Defesa. A empresa assumiu o contrato de US$ 200 milhões para integrar seus modelos de linguagem nas operações de inteligência do Pentágono. A manobra foi vista como uma resposta estratégica para ocupar o vácuo deixado pela concorrente.

Logo da OpenAI em um smartphone
A OpenAI assumiu o contrato de US$ 200 milhões para integrar seus modelos de linguagem nas operações de inteligência do Pentágono (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

A OpenAI concordou com cláusulas que permitem a utilização de seus sistemas para análise de dados de vigilância. Altman defendeu a posição afirmando que a empresa não deseja opinar sobre a legalidade de ações militares específicas, mas fornecer tecnologia de ponta. O acordo permite que o Pentágono utilize a infraestrutura da OpenAI para fins de segurança nacional.

Críticos e especialistas em privacidade consultados pelo The Verge questionam a conformidade do pacto com os princípios de segurança originais da OpenAI. A mudança na política de uso da empresa, ocorrida anteriormente, já havia removido a proibição explícita de aplicações para “fins militares e bélicos”. Essa alteração facilitou juridicamente a assinatura do contrato e o uso de modelos como o GPT-4.

O Pentágono planeja utilizar a tecnologia para acelerar o desenvolvimento de sistemas autônomos e o processamento massivo de informações de inteligência. A parceria estabelece a OpenAI como o principal fornecedor de IA generativa para a defesa dos Estados Unidos. E o movimento consolida uma fase na qual a eficiência operacional militar sobrepõe-se a restrições de monitoramento.

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Claude: Anthropic libera recurso de memória para usuários gratuitos

A Anthropic anunciou que está levando mais um recurso antes restrito a assinantes pagos para o plano gratuito do Claude. A partir de agora, usuários da versão gratuita do chatbot poderão optar por permitir que a ferramenta faça referência a conversas anteriores para informar suas respostas.

A empresa tornou o Claude capaz de lembrar interações passadas pela primeira vez em agosto do ano passado. No fim do ano, adicionou a capacidade de compartimentalizar memórias. Agora, a funcionalidade de memória passa a integrar também o plano gratuito.

A mudança ocorre em um momento oportuno: mais cedo, a Anthropic facilitou a importação de conversas anteriores de um chatbot concorrente para o Claude.

Após ativar a memória, o usuário pode desativar o recurso a qualquer momento. É possível apenas pausar a funcionalidade — preservando as memórias para uso futuro — ou excluí-las completamente, garantindo que não fiquem armazenadas nos servidores da Anthropic.

Desenvolvedora do Claude, Anthropic entrou em rota de colisão com o governo dos EUA (Imagem: gguy/Shutterstock)

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Anthropic e Claude: popularidade em alta e disputa com o governo dos EUA

  • O Claude vive um momento de popularidade crescente. Recentemente, o aplicativo alcançou o primeiro lugar entre os apps gratuitos na App Store;
  • Ao mesmo tempo, a Anthropic está envolvida em uma disputa contratual de alto risco com o governo dos Estados Unidos relacionada a salvaguardas de IA;
  • Na sexta-feira (27), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, classificou a empresa como um “risco na cadeia de suprimentos” depois que a Anthropic se recusou a assinar um contrato que, segundo a startup, iria contra seus princípios de não militarizar a IA;
  • Após a declaração de Hegseth, a Anthropic afirmou que vai contestar a designação.

Por enquanto, resta acompanhar como a situação irá evoluir e quais podem ser as implicações para a empresa.

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