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O plano da EXA para criar um “Porto Digital” no Piauí

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Fruto de uma joint venture entre a FS Security, holding de cibersegurança, e a TIM, a EXA nasceu em 2022 e, já no mesmo ano, desembarcou em Parnaíba, no Piauí, onde instalou uma de suas filiais. Quatro anos depois, está reforçando seus laços com a cidade de pouco mais de 170 mil habitantes. O município […]

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CEO da Microsoft muda o discurso e critica gigantes de IA após perder terreno para Anthropic e OpenAI

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A Microsoft foi uma das grandes propulsoras de inteligência artificial generativa no mundo. Agora, Satya Nadella, o CEO da companhia, está assustado com os rumos que a tecnologia está tomando. Em entrevista ao The Wall Street Journal (WSJ), o executivo fez duras críticas à forma como a corrida pelo domínio da IA tem se desenvolvido, […]

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Europa pode ficar para trás na disputa global pela IA até 2031, preveem analistas

Um exercício narrativo produzido por analistas em Bruxelas projeta um futuro em que, até 2031, Estados Unidos e China consolidam vantagem decisiva na inteligência artificial. Nesse quadro, a Europa aparece como espectadora de uma disputa tecnológica que redefine economia, política e segurança global.

A história imaginada ganhou circulação entre autoridades europeias após ser associada a movimentos reais de restrição tecnológica e a debates sobre infraestrutura de IA, incluindo a limitação de acesso a modelos avançados como o Claude Fable pela administração norte-americana. O material foi elaborado por integrantes ligados ao Arq Foundation.

O enredo foi usado como alerta por seus autores, que defendem ser necessário acelerar investimentos em datacenters e capacidade computacional, enquanto críticos apontam que o cenário mistura tendências reais com extrapolações incertas sobre o futuro da tecnologia.

Cenário de disputa tecnológica e projeção europeia

Potências vêm brigando pelo controle da tecnologia no mundo todo – Imagem: Pla2na/Shutterstock

A narrativa chamada, “Europe 2031”, foi desenvolvida em Bruxelas por pesquisadores associados ao Arq Foundation, organização que não revela sua fonte de financiamento. O texto apresenta uma Europa que teria perdido relevância tecnológica por não acompanhar o ritmo de investimento dos Estados Unidos e da China em inteligência artificial e infraestrutura digital.

Segundo o engenheiro e pesquisador Maximilian Negele, que atuou no projeto após passagem por um instituto de pesquisa norte-americano, existe um descompasso de comunicação entre centros decisórios europeus e polos de inovação em San Francisco. Ele descreve a situação europeia como uma evolução lenta diante de mudanças aceleradas no setor tecnológico global.

No cenário ficcional, empresas norte-americanas teriam direcionado enormes volumes de capital para a construção de datacenters e reorganizado completamente seus modelos de trabalho com IA, enquanto a Europa manteria políticas mais cautelosas e menor ritmo de adoção tecnológica.

Economia global, infraestrutura e concentração de poder

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O enredo descreve um futuro em que os Estados Unidos alcançariam cerca de 70% da capacidade global de processamento computacional, elemento considerado essencial para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial avançados. Essa concentração colocaria a Europa em posição de dependência tecnológica.

O texto também menciona movimentos corporativos de grande escala envolvendo empresas como OpenAI, Nvidia e Oracle, com acordos bilionários que, segundo o próprio material, já apresentariam sinais de instabilidade ou revisão. Projetos de expansão de infraestrutura nos Estados Unidos, incluindo iniciativas no Texas, aparecem como símbolo dessa corrida por capacidade computacional.

Nesse contexto, a Europa teria dificuldades em converter ativos estratégicos, como a empresa holandesa ASML, em vantagem política ou econômica, mesmo diante de tensões com Estados Unidos e China.

Política, regulação e disputa por soberania

A projeção também aborda impactos políticos, sugerindo que a ausência de liderança europeia em IA poderia intensificar crises econômicas, aumento do desemprego e instabilidade institucional. O texto inclui ainda a hipótese de uso de tecnologias avançadas em ciberataques e vigilância.

O debate ganhou eco entre autoridades, como o eurodeputado espanhol Nicolás Casares, que reconhece a utilidade do cenário como provocação, mas alerta para exageros na forma como os riscos são apresentados. Para ele, a discussão central envolve quem controla a infraestrutura de inteligência artificial e quem se beneficia dela.

Os autores defendem que a solução passa por expansão acelerada de datacenters e flexibilização regulatória na Europa, enquanto críticos argumentam que essa corrida pode reforçar dependência tecnológica em vez de autonomia.

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Google sob pressão: ações da Alphabet despencam após saída de pesquisadores de inteligência artificial

As ações da Alphabet, controladora do Google, registraram forte retração de aproximadamente 5% em um único pregão nesta segunda-feira (22), configurando o pior desempenho da companhia em mais de um ano. O movimento ocorreu em meio ao avanço das preocupações do mercado com o ritmo de desenvolvimento em inteligência artificial e com a capacidade da empresa de manter vantagem competitiva.

O recuo também coincidiu com a saída de nomes relevantes ligados às áreas de pesquisa em IA, o que ampliou a percepção de instabilidade interna. Investidores passaram a reagir não apenas aos resultados imediatos, mas também ao cenário mais amplo de disputa por talentos e direção tecnológica.

Entre os fatores adicionais, análises de mercado apontaram dúvidas sobre o retorno dos elevados investimentos em infraestrutura de IA, além de sinais de que o setor pode estar se tornando mais homogêneo e menos diferenciado entre os grandes players.

Pressão na corrida da inteligência artificial e saída de pesquisadores

Gemini é o sistema de IA do Google – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O desempenho negativo das ações foi associado a uma sequência de saídas em posições estratégicas da área de inteligência artificial da empresa. Entre elas, destaca-se a ida de Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia e co-líder do projeto Gemini, para a OpenAI, empresa concorrente no segmento de IA.

Outro movimento relevante foi a saída de John Jumper, vice-presidente da DeepMind e pesquisador de destaque responsável pelo desenvolvimento do AlphaFold, sistema capaz de prever estruturas de proteínas em larga escala. Jumper, reconhecido com o Nobel em 2024 ao lado de Demis Hassabis, deixou a companhia após anos de atuação.

Segundo relatos do mercado, essas movimentações alimentaram a leitura de que há uma disputa crescente por talentos entre os principais laboratórios de inteligência artificial, o que pode afetar a continuidade de projetos estratégicos.

Debate sobre custos, concorrência e visão do mercado

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A pressão sobre a Alphabet também foi reforçada por preocupações relacionadas ao volume de investimentos em inteligência artificial. A empresa teria ampliado significativamente seus aportes em infraestrutura, incluindo emissão de cerca de 141 bilhões de dólares em dívida e capital desde outubro.

De acordo com a avaliação atribuída ao CEO da Microsoft, Satya Nadella, o setor pode estar passando por um processo de comoditização, no qual modelos de IA se tornam mais semelhantes entre si e menos exclusivos, o que reduziria diferenciais competitivos entre empresas.

Nesse contexto, investidores passaram a questionar se os altos gastos realizados pela Alphabet estariam de fato construindo vantagens sustentáveis ou apenas pressionando margens futuras.

Impactos operacionais e percepção do mercado

Além do cenário financeiro e estratégico, usuários relataram instabilidades em serviços amplamente utilizados, como Gmail e YouTube, no mesmo período da queda das ações. Embora não haja indicação de causa direta entre os eventos, a coincidência contribuiu para ampliar a atenção do mercado sobre a operação da empresa.

A combinação entre pressão competitiva, mudanças internas e dúvidas sobre a eficiência dos investimentos em IA resultou em um dia de forte volatilidade para a companhia no mercado acionário.

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Microsoft anuncia usina de gás para abastecer data centers de IA no Texas

A Microsoft e a Chevron anunciaram nesta segunda-feira (22) um plano conjunto para erguer uma usina de gás natural de grande porte no oeste do Texas, nos Estados Unidos. O objetivo é fornecer energia dedicada a data centers de inteligência artificial e serviços de nuvem da empresa de tecnologia.

O projeto prevê capacidade de 2,67 gigawatts e será sustentado por um contrato de compra de energia com duração de 20 anos. A geração ficará a cargo de turbinas da GE Vernova e de equipamentos da subsidiária Solar Turbines, vinculada à Caterpillar, garantindo fornecimento contínuo para a operação dos data centers.

Batizado de Project Kilby, o empreendimento surge em meio à pressão sobre metas ambientais da Microsoft, que prevê zerar suas emissões líquidas até 2030. Segundo estimativas citadas no planejamento, a operação pode gerar milhões de toneladas de dióxido de carbono e outros poluentes, o que intensifica o debate sobre o impacto ambiental da expansão da infraestrutura de IA.

Estrutura e operação do projeto energético

Data center de inteligência artificial (IA) – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O projeto foi descrito pelas empresas como um dos maiores empreendimentos integrados entre geração de energia fóssil e infraestrutura de data centers nos Estados Unidos. A proposta consiste em instalar uma unidade de geração a gás diretamente vinculada ao consumo de energia dos centros de processamento da Microsoft.

De acordo com informações divulgadas, a planta terá escala suficiente para alimentar operações de computação em nuvem e inteligência artificial de alta demanda energética. O modelo prevê um fornecimento exclusivo de eletricidade ao longo de duas décadas, reforçando a dependência de infraestrutura energética dedicada.

Dizeres "CO₂" em uma nuvem
Imagem: New Africa/Shutterstock

A iniciativa também envolve tecnologia de turbinas de grande porte fornecidas pela GE Vernova, enquanto sistemas complementares de geração serão operados pela Solar Turbines, ligada à Caterpillar. A combinação busca garantir estabilidade energética para cargas contínuas e intensivas.

Apesar da dimensão do projeto, ele ocorre em um contexto de questionamento ambiental. Estimativas apontam potencial de emissão superior a 13 milhões de toneladas de dióxido de carbono, além de poluentes atmosféricos e substâncias classificadas como perigosas. Esses números contrariam compromissos climáticos assumidos pela Microsoft para a próxima década.

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Como a IA está mudando a forma de pesquisar, comprar e navegar na internet

Durante décadas, a principal forma de encontrar informações na internet foi por meio de mecanismos de busca. Usuários faziam pesquisas, escolhiam entre os links exibidos e acessavam sites para ler notícias, comparar produtos ou buscar respostas para suas dúvidas.

Com o avanço da inteligência artificial (IA) generativa, esse processo começa a mudar. Em vez de navegar por uma lista de resultados, um número crescente de pessoas está recorrendo diretamente a ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot para obter respostas prontas, recomendações personalizadas e comparações de produtos.

A mudança já aparece nos números. Dados da consultoria McKinsey mostram que 50% dos consumidores utilizam ferramentas de busca baseadas em IA. O impacto também começa a ser percebido no comércio eletrônico, onde plataformas de IA já influenciam a descoberta de produtos e o tráfego para lojas virtuais.

Mais do que alterar hábitos de pesquisa, a inteligência artificial começa a transformar a dinâmica que sustentou a internet por décadas. À medida que respostas passam a ser entregues diretamente por sistemas de IA, empresas, criadores de conteúdo e plataformas tentam entender como essa mudança pode afetar o tráfego na web, a descoberta de produtos e a produção de conteúdo online.

Estamos saindo de uma internet baseada em busca

A transformação vai além da popularização de novas ferramentas, segundo Edson Alves, CEO da Ikatec. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que a própria lógica de navegação da internet começa a mudar.

Estamos saindo de uma internet baseada em busca para uma internet baseada em respostas. Antes, o usuário fazia uma pergunta, recebia uma lista de links e precisava montar a resposta sozinho. Agora, ele faz uma pergunta e recebe uma síntese pronta, contextualizada e personalizada.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Segundo Alves, a mudança mais perceptível está no comportamento dos usuários. Em vez de utilizar combinações de palavras-chave para encontrar informações, as pessoas passaram a interagir com a tecnologia de forma mais próxima de uma conversa.

“As pessoas estão deixando de pesquisar por palavras-chave e passando a conversar com a tecnologia. Isso torna a experiência mais natural e reduz drasticamente o tempo necessário para encontrar informações relevantes”, afirma.

Durante décadas, mecanismos de busca como o Google funcionaram como principal porta de entrada para informações na internet – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Uma tendência semelhante é observada por Danilo Fonseca, sócio da Saving. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que as buscas estão se tornando mais detalhadas e contextualizadas do que nos mecanismos de busca tradicionais.

As buscas têm sido cada vez mais em linguagem natural, diferente de como fazíamos no Google. Elas deixaram de ser ‘palavras-chave’ e viraram uma conversa.

Danilo Fonseca, sócio da Saving

Na prática, isso significa que o usuário não precisa mais limitar uma pesquisa a termos curtos como “melhor tênis de corrida” ou “melhor notebook”. Em vez disso, pode explicar seu contexto, objetivos e preferências para receber recomendações mais específicas.

De acordo com Fonseca, os modelos de IA conseguem considerar diferentes informações compartilhadas durante uma interação e consultar múltiplas fontes antes de formular uma resposta, aproximando a experiência de uma conversa com um assistente digital.

Quando a IA responde, quem perde o clique?

A mudança na forma de pesquisar começa a produzir efeitos em um dos pilares da internet moderna: o tráfego gerado por mecanismos de busca.

Durante décadas, buscadores funcionaram como intermediários entre usuários e sites. A pessoa fazia uma pesquisa, escolhia um resultado e acessava páginas para consumir notícias, comparar produtos ou buscar informações. Com a popularização das respostas geradas por IA, parte desse processo passa a acontecer sem que o usuário precise deixar a plataforma.

Os dados indicam que essa transformação já está em andamento. Segundo a Similarweb, a proporção de buscas realizadas no Google sem qualquer clique em sites externos passou de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025. Já um levantamento do Pew Research Center mostrou que usuários que recebem respostas geradas por IA clicam em links tradicionais com menos frequência do que aqueles que visualizam apenas resultados convencionais.

Para Alves, o impacto vai além de uma simples mudança tecnológica e levanta questões sobre o modelo econômico que sustentou grande parte da produção de conteúdo na internet.

Grande parte da produção de conteúdo foi financiada pelo tráfego gerado pelos buscadores. Se esse tráfego diminuir significativamente, será necessário encontrar novos modelos econômicos para manter a geração de conteúdo de qualidade.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Os efeitos já começam a aparecer para empresas que dependem desse tráfego. Dados divulgados pela Chartbeat indicam que pequenos publishers perderam cerca de 60% das visitas vindas de mecanismos de busca nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, o crescimento das visitas originadas por plataformas de IA ainda não foi suficiente para compensar essas perdas.

A inteligência artificial também cria novas formas de descoberta de conteúdo. Segundo a Similarweb, plataformas de IA geraram mais de 1,1 bilhão de visitas de referência em junho de 2025, um crescimento de 357% em relação ao ano anterior.

A IA está virando um consultor de compras

A influência da inteligência artificial não termina quando uma pergunta é respondida. Cada vez mais, essas plataformas também participam da descoberta de produtos, da comparação de alternativas e da tomada de decisão dos consumidores.

Para Edson Alves, essa é uma das mudanças mais relevantes provocadas pela popularização dos assistentes de IA. “A IA está se tornando um verdadeiro consultor digital. Em vez de pesquisar dezenas de sites, comparar avaliações e analisar características, o consumidor pode simplesmente pedir recomendações personalizadas”, afirma ele.

Mão robótica empurra um carrinho de compras com caixas sobre uma superfície refletiva.
Ferramentas de IA começam a assumir tarefas que antes exigiam pesquisas manuais, incluindo comparação de produtos e recomendações de compra – Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock

Segundo o executivo, a descoberta de produtos e serviços passa a ocorrer de forma mais contextualizada. Em vez de depender exclusivamente de anúncios ou resultados de busca, o usuário pode solicitar análises comparativas e sugestões adaptadas às suas necessidades.

Isso reduz etapas da jornada de compra e aumenta a influência dos assistentes inteligentes nas decisões de consumo. A descoberta de produtos passa a ocorrer por recomendação contextual, não apenas por anúncios ou resultados de busca.

Edson Alves, CEO da Ikatec

O avanço dessa tendência coincide com o lançamento de ferramentas capazes de executar tarefas em nome dos usuários. Nos últimos meses, empresas como Google, OpenAI e Microsoft passaram a apresentar agentes que podem pesquisar produtos, comparar opções e auxiliar decisões de compra.

Para Danilo Fonseca, esse movimento foi um dos sinais mais claros de que a relação entre consumidores e marcas está entrando em uma nova fase.

Quando empresas como Google, OpenAI e Microsoft começaram a anunciar agentes capazes de pesquisar, comparar opções e até executar tarefas em nome do usuário, ficou claro que as marcas precisariam ser encontradas não apenas por pessoas.

Danilo Fonseca, sócio da Saving

Os números sugerem que essa transformação já está em andamento. Dados da Adobe apontam que o tráfego gerado por ferramentas de IA para sites de varejo dos Estados Unidos cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026. Durante a temporada de compras de fim de ano de 2025, o avanço chegou a 693% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na visão de Alves, a tendência é que os consumidores deleguem uma parcela cada vez maior da pesquisa inicial para sistemas capazes de reunir informações, comparar alternativas e apresentar recomendações em poucos segundos. No futuro, segundo ele, será possível pedir a uma IA indicações sobre softwares, veículos, fornecedores ou outros produtos complexos e receber análises prontas para apoiar a decisão.

Empresas tentam se adaptar às novas regras

A mudança no comportamento dos usuários está criando um novo desafio para empresas acostumadas a disputar visibilidade nos mecanismos de busca tradicionais.

Se durante anos a estratégia digital esteve concentrada em aparecer entre os primeiros resultados do Google, agora cresce a preocupação com a forma como marcas são interpretadas e apresentadas por ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity.

Para Edson Alves, essa mudança está criando uma nova dinâmica de competição no ambiente digital.

A disputa deixa de ser apenas pela primeira posição do Google e passa a ser pela relevância dentro do conhecimento consumido pelas IAs.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Segundo o executivo, fatores como autoridade da marca, reputação digital, consistência das informações e presença em múltiplas fontes tendem a ganhar importância em um cenário em que os sistemas de IA sintetizam conteúdos e destacam apenas algumas referências para os usuários.

Novas estratégias para um novo ambiente

A transformação já impulsiona o surgimento de estratégias voltadas especificamente para esse novo ambiente. O mercado passou a adotar termos como Generative Engine Optimization (GEO) e AI Search Optimization para descrever práticas que buscam aumentar as chances de uma marca ser citada ou recomendada por sistemas de inteligência artificial.

“O motivo é simples: onde existe atenção, existe valor econômico”, afirma Alves. Segundo ele, as empresas perceberam que ser mencionado por um assistente de IA pode ter um impacto semelhante ao de ocupar as primeiras posições em uma busca tradicional.

Painéis com gráficos, métricas de desempenho e indicadores digitais sobrepostos a um notebook utilizado por uma pessoa.
Empresas começam a adotar novas estratégias para monitorar como suas marcas aparecem em mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial – Imagem: Koupei Studio / Shutterstock

Na avaliação de Danilo Fonseca, sócio da Saving, a adaptação exige uma abordagem mais ampla do que as estratégias tradicionais de otimização para buscadores. “O jogo parece o mesmo, mas as regras são diferentes”, destaca ele.

Segundo o executivo, empresas precisam fortalecer sua presença em diferentes canais, incluindo sites próprios, veículos de imprensa, redes sociais, fóruns e blogs especializados. Isso porque os modelos de IA utilizam múltiplas fontes para construir respostas e recomendações.

A demanda por esse tipo de monitoramento já começa a aparecer no mercado. De acordo com Fonseca, muitos empresários passaram a pesquisar suas próprias marcas em plataformas como ChatGPT, Gemini e Perplexity para entender como são apresentados aos usuários.

Quando nos procuram sobre esse tema os clientes querem ser mencionados e considerados nas recomendações do ChatGPT e afins.

Danilo Fonseca, sócio da Saving

Uma das iniciativas surgidas nesse contexto é a plataforma ALVO, da Saving, desenvolvida para monitorar como empresas são apresentadas por ferramentas de IA e em diferentes canais digitais.

A nova economia da relevância

Embora as transformações provocadas pela inteligência artificial já sejam perceptíveis, ainda não existe consenso sobre como será a próxima etapa dessa evolução.

Para Danilo Fonseca, diferentes cenários permanecem em aberto. Um deles envolve o avanço dos chamados agentes de IA, capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e executar tarefas em nome dos usuários. Outro prevê uma valorização ainda maior de avaliações, recomendações e conteúdos produzidos por pessoas.

Independentemente do caminho que prevalecer, a tendência é que mecanismos de busca, plataformas de comércio eletrônico e assistentes de IA se tornem cada vez mais integrados.

“A tendência é de convergência”, afirma Edson Alves. Segundo ele, os mecanismos de busca devem incorporar mais capacidades conversacionais, enquanto plataformas de comércio eletrônico passam a utilizar assistentes inteligentes como parte da experiência de compra.

Na avaliação do executivo, a mudança também deve alterar a forma como conteúdos são produzidos e distribuídos na internet. Em vez de depender exclusivamente de técnicas tradicionais de otimização, empresas e criadores de conteúdo precisarão investir cada vez mais em autoridade, especialização e credibilidade.

Acredito que veremos o surgimento de uma nova economia da relevância, onde não basta estar na internet; será necessário ser reconhecido como uma fonte confiável pelas inteligências artificiais.

Edson Alves, CEO da Ikatec

Durante décadas, o principal desafio da internet foi ser encontrado por pessoas. Agora, à medida que ferramentas de IA passam a intermediar parte dessas interações, a disputa começa a incluir outro objetivo: ser reconhecido também pelas máquinas que ajudam a decidir o que os usuários vão ver.

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Chatbot Claude pode exigir documentos ou selfie dos usuários, diz nova política da Anthropic

A empresa de inteligência artificial Anthropic passou a prever, em sua política de privacidade atualizada, a possibilidade de exigir verificação de identidade de usuários do assistente Claude. A medida se aplica a situações específicas em que contas forem sinalizadas, sem detalhamento público de todos os critérios.

Segundo a companhia, quando acionado, esse procedimento, o usuário poderá ser solicitado a enviar documentos oficiais, como passaporte ou carteira de motorista, além de imagem facial ou vídeo. A verificação será realizada com apoio de uma empresa terceirizada.

De acordo com a empresa, a mudança busca reforçar processos de revisão de contas e oferecer uma via de contestação a usuários que tenham sido marcados por possível fraude, em vez de simples bloqueio permanente.

Mudança na política de verificação da Anthropic e impacto no Claude

IA poderosa da Anthropic causa muitas preocupações – Crédito: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

A atualização da política de privacidade da Anthropic foi registrada em junho e está prevista para entrar em vigor em 8 de julho. O texto estabelece que a verificação de idade ou identidade poderá ocorrer em “certas circunstâncias”, sem detalhar todos os cenários possíveis.

Quando o mecanismo for acionado, usuários do Claude podem precisar enviar cópias digitais de documentos oficiais e também uma selfie ou gravação em vídeo. O sistema inclui ainda a criação de um modelo geométrico facial, tratado como dado biométrico em algumas jurisdições.

A verificação será feita por meio da empresa Persona, responsável por processar os dados enviados. A Anthropic informou que também registra o resultado da checagem, como confirmação de idade mínima.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Segundo a companhia, a medida se aplica a uma parcela reduzida de usuários, especialmente aqueles com contas sinalizadas por suspeita de irregularidade. A empresa não detalhou a quantidade exata de pessoas impactadas, mas afirmou que sua base pode alcançar dezenas de milhões de usuários mensais.

No contexto mais amplo, a decisão ocorre em meio a pressões regulatórias e disputas políticas nos Estados Unidos envolvendo acesso e controle de ferramentas de inteligência artificial. O caso também se conecta a tensões recentes entre a empresa e autoridades federais, incluindo críticas relacionadas a modelos de segurança e possíveis usos indevidos da tecnologia.

Além disso, já houve episódios em que o Departamento de Defesa norte-americano classificou a empresa como “risco na cadeia de suprimentos”, após divergências sobre o uso da tecnologia em aplicações militares e de vigilância.

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Banco Central Europeu revela impacto limitado da IA sobre empregos e salários nos EUA

Um estudo divulgado recentemente pelo Banco Central Europeu analisou o efeito da expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho dos Estados Unidos entre 2019 e 2025. A investigação considera como o avanço dessas tecnologias pode alterar funções profissionais, especialmente em setores mais expostos à automação.

Segundo a análise, apesar das preocupações sobre substituição em larga escala de trabalhadores, o impacto agregado sobre emprego e salários no país ainda não se mostrou significativo no período observado. O levantamento indica que mudanças vêm ocorrendo de forma gradual, com realocação de profissionais entre diferentes áreas.

O documento também observa que funções consideradas de maior risco de substituição por IA perderam participação relativa, enquanto ocupações menos expostas ganharam espaço, sinalizando uma reorganização progressiva do mercado de trabalho norte-americano.

Reorganização gradual do trabalho diante da IA

Banco Central Europeu – Imagem: Todamo/Shutterstock

O relatório do Banco Central Europeu descreve que empresas vêm aumentando investimentos em inteligência artificial nos últimos anos, o que alimentou receios sobre substituição de mão de obra e ampliação de desigualdades. Ainda assim, o estudo indica que, até o momento, os efeitos gerais permanecem contidos.

Entre 2019 e 2025, ocupações com alto risco de substituição por IA cresceram em ritmo menor do que aquelas consideradas menos vulneráveis. Segundo o documento, a diferença chega a cerca de 15 pontos percentuais em termos de crescimento relativo.

O levantamento também aponta queda média superior a 4% no número de empregos mais expostos, como economistas e designers gráficos. Em sentido oposto, funções com menor risco, como eletricistas e professores do ensino médio, registraram alta aproximada de 13% no mesmo intervalo.

A participação desses dois grupos no total de empregos também se alterou: as ocupações menos vulneráveis passaram de 23% para 25%, enquanto as mais expostas recuaram de 35% para 33%, indicando redistribuição no mercado de trabalho.

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

No campo da renda, o estudo não identificou impacto relevante sobre o crescimento salarial desde 2019. Ainda assim, o documento ressalta que efeitos mais intensos podem surgir no futuro, à medida que ferramentas de IA evoluem para modelos mais generativos e a adaptação do mercado se intensifica.

Em uma das passagens do relatório, o Banco Central Europeu afirma: “Sobretudo entre 2019 e 2025, os empregos com alto risco de substituição cresceram cerca de 15 pontos percentuais a menos do que os empregos com baixo risco de substituição.”

Em outra parte, o órgão acrescenta: “O risco de substituição por IA não teve impacto significativo no crescimento dos salários desde 2019.”

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Google e estúdio A24 fecham parceria de US$ 75 milhões para criar ferramentas de IA voltadas ao cinema

Nesta segunda-feira (22), o Google e o laboratório DeepMind anunciaram uma colaboração com o estúdio A24 para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial voltadas ao cinema. O acordo prevê um aporte financeiro de cerca de 75 milhões de dólares, conforme noticiado pelo The Wall Street Journal, e representa a primeira participação acionária do Google em um estúdio audiovisual.

A iniciativa busca aproximar pesquisa avançada em IA e a produção cinematográfica, com foco em tecnologias capazes de otimizar processos criativos e ampliar possibilidades narrativas. A parceria não é exclusiva e deverá se desdobrar em diferentes projetos ao longo do tempo, sem conceder ao Google acesso ao catálogo de obras do estúdio.

Embora apresentada como um movimento de inovação, a colaboração ocorre em meio a debates da indústria sobre direitos autorais e o uso de dados públicos no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Os envolvidos descrevem o projeto como uma tentativa de equilibrar avanço tecnológico e preservação do controle criativo.

Parceria entre Google DeepMind e A24 aposta em novas ferramentas para cinema

Google – Imagem: ZikG/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, o acordo firmado entre Google e A24 prevê atuação em múltiplas frentes ao longo dos próximos anos. A proposta inclui o desenvolvimento de soluções para diferentes etapas da produção e também para a distribuição de filmes, mantendo restrições de acesso ao acervo do estúdio.

Em comunicado oficial, o Google afirmou que a colaboração tem como objetivo aproximar tecnologia de ponta e criação artística, permitindo que os próprios criadores influenciem o desenvolvimento das ferramentas. “Isso garante que as ferramentas do futuro sejam moldadas pelos criadores que as utilizam.”

Scott Belsky, sócio do A24 e ex-diretor de estratégia da Adobe, destacou que as soluções em desenvolvimento não seguem o modelo tradicional de geração por comando.

silhueta de homem no celular à frente do logo da google deepmind
(Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)

De acordo com ele, a proposta prioriza a preservação do controle artístico e o incentivo à experimentação. “Não vai se parecer em nada com o tipo de IA de geração por comandos que deixa as pessoas desconfortáveis” e “há usos melhores que preservam o controle criativo e incentivam a tomada de riscos”, disse em entrevista ao jornal estadunidense.

O cineasta e criador Kane Parsons, associado a produções no YouTube e ao projeto Backrooms, apresentou uma visão crítica sobre o uso de IA generativa. Ele afirmou não ver prazer na utilização dessa tecnologia e a descreveu como reflexo de questões culturais mais amplas.

“A IA generativa parece menos uma inovação do que um sintoma de uma decadência cultural e econômica mais ampla” e “não sinto nenhum prazer em usar essa tecnologia em qualquer projeto”, concluiu.

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Sua empresa está atrasada em IA? Um em cada quatro funcionários pode pedir demissão por causa disso

A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para o futuro e passou a fazer parte da rotina de profissionais de áreas como direito, contabilidade, auditoria, compliance e gestão de riscos. O problema é que muitas empresas ainda não conseguiram acompanhar essa transformação.

É o que aponta o relatório Future of Professionals 2026, da empresa de conteúdo e tecnologia Thomson Reuters. O estudo foi elaborado com base em entrevistas realizadas com 1.816 profissionais de 62 países, e mostra que a adoção da IA avança em um ritmo superior à capacidade das organizações de incorporá-la de forma organizada.

O resultado é uma combinação de riscos que envolve perda de clientes, evasão de talentos e aumento do uso de ferramentas não autorizadas.

Os dados revelam que 74% dos profissionais já utilizam ferramentas de inteligência artificial semanalmente. Apesar disso, 91% acreditam que suas organizações ainda estão aquém do potencial que a tecnologia poderia entregar.

A distância entre expectativa e execução já tem efeitos concretos. Segundo o relatório, quase um quarto dos profissionais considera deixar o emprego nos próximos dois anos caso não enxergue avanços significativos na adoção da IA dentro das empresas.

Estamos vendo surgir uma divisão clara. Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro.

Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters

74% dos profissionais já utilizam ferramentas de IA semanalmente – mas empresas não acompanham ritmo de adoção – Imagem: ktsdesign/Shutterstock

Clientes estão exigindo IA – e empresas podem perder receita

A pressão não vem apenas dos funcionários.

O relatório mostra que 78% dos clientes corporativos consideram as melhorias de qualidade proporcionadas pela inteligência artificial essenciais ou muito importantes. Mas apenas 6% acreditam que os fornecedores de serviços profissionais já entregam o nível esperado de evolução.

Diante dessa percepção, 32% dos clientes afirmam que pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Nos Estados Unidos, a Thomson Reuters estima que esse movimento pode colocar aproximadamente US$ 143 bilhões em receitas dos mercados jurídico e contábil sob revisão.

A disputa por talentos

A pesquisa indica que o acesso a ferramentas profissionais de IA já começa a influenciar decisões de carreira:

  • Globalmente, 24% dos profissionais que enxergam diferença entre o potencial da tecnologia e o que suas empresas efetivamente entregam afirmam que considerariam deixar seus empregos nos próximos dois anos;
  • Em 13% dos casos, essa decisão poderia ocorrer já nos próximos 12 meses;
  • Ao mesmo tempo, 62% dos entrevistados disseram que o acesso a ferramentas avançadas de IA teria peso na decisão de aceitar uma nova proposta de trabalho.

Os dados sugerem que a inteligência artificial começa a ocupar um papel semelhante ao que outras tecnologias corporativas desempenharam no passado: deixa de ser um diferencial e passa a ser uma expectativa básica por parte dos profissionais.

Ao Olhar Digital, Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters, explicou que os maiores impactados são funcionários em meio de carreira:

O maior risco de saída não está nos profissionais mais jovens; está no meio de carreira. São profissionais operacionalmente críticos, que tocam o dia a dia e gerenciam relações com clientes. Essa parcela do mercado já incorporou IA ao próprio padrão profissional.

Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters

relatório future of professionals da Thomson Reuters
Entre os profissionais cujas empresas ou departamentos possuem uma estratégia de IA definida, 35% afirmam que a prática diária não corresponde a essa estratégia. Esses são os motivos mais comuns – Imagem: Thomson Reuters

Quanto mais empresas demoram, mais cresce o Shadow AI

Isso também ajuda a explicar por que muitas empresas enfrentam dificuldades para conter o Shadow AI, quando funcionários recorrem a ferramentas de IA externas para dar conta de demandas de produtividade.

Um dos alertas do relatório envolve justamente o avanço dessa prática. O termo descreve o uso de ferramentas de inteligência artificial sem aprovação, monitoramento ou conhecimento das empresas. O Olhar Digital deu detalhes sobre os riscos dessa prática nesta outra reportagem.

  • Segundo o levantamento, um terço dos profissionais de direito, contabilidade e compliance em todo o mundo já utiliza ferramentas de IA não autorizadas por suas organizações;
  • Na América Latina, o índice é ainda maior: 46% dos profissionais afirmam recorrer a soluções não homologadas pelas empresas;
  • Entre aqueles que consideram que suas organizações avançam lentamente na adoção da tecnologia, o percentual chega a 55%.

Para o executivo, o problema não é técnico: “é falha de gestão de mudança”. Ele citou as causas mais comuns:

As quatro causas mais comuns no nosso estudo são claras: as ferramentas certas não estão no ponto (47%), as pessoas não foram preparadas para trabalhar do jeito esperado (43%), a estratégia não foi traduzida em prioridades operacionais (32%) e não há entendimento compartilhado da estratégia (30%).

Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters

Mesmo com o uso não autorizado, os próprios profissionais demonstram clareza sobre os requisitos necessários para utilizar IA em ambientes corporativos. Na região, 98% afirmam que as ferramentas precisam garantir proteção de dados confidenciais. Outros 98% exigem conteúdo verificado e confiável, enquanto 95% consideram fundamental que os resultados possam ser justificados e auditados.

Apesar disso, muitos recorrem a soluções externas por falta de alternativas corporativas.

Para Kelly Stefani, CRO da Agility, o fenômeno está menos relacionado à má-fé dos funcionários e mais à ausência de direcionamento por parte das empresas:

As pessoas estão sendo cobradas para entregar mais, em menos tempo e com mais qualidade. Quando descobrem uma ferramenta que ajuda a resumir documentos, criar apresentações, organizar dados ou escrever melhor, naturalmente elas querem usar.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Segundo a executiva, o principal risco surge quando a organização perde visibilidade sobre como essas ferramentas estão sendo utilizadas. “O maior risco do Shadow AI é a empresa perder visibilidade sobre onde seus dados estão circulando. E quando não há visibilidade, não há governança”, declarou.

Ela explica que os impactos vão além da segurança da informação e envolvem questões regulatórias, estratégicas e operacionais, como propostas comerciais e planos de negócio. “É capital intelectual sendo colocado fora do ambiente controlado da organização”, explicou.

Para Stefani, o uso descoordenado da tecnologia dificulta auditorias, aumenta riscos de vazamento e impede que as empresas consigam transformar a IA em uma vantagem competitiva consistente. Isso cria não só um problema de tecnologia, mas de governança e até de cultura da companhia.

Robô com IA no mercado de trabalho
Um terço dos profissionais utiliza IA não aprovada pela empresa – Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

O desafio não é adotar IA, mas transformá-la em estratégia

Os resultados do estudo indicam que a principal barreira para as organizações não é a adoção da inteligência artificial. Isso porque a tecnologia já está sendo utilizada diariamente pelos profissionais, independentemente de haver ou não uma estratégia formal definida pelas empresas.

O desafio agora é transformar esse uso em processos estruturados e seguros.

Para Steve Hasker, a diferença entre experimentar IA e incorporá-la efetivamente às operações será determinante para o futuro das organizações.

“Nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto. Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente.”

Os dados do relatório sugerem que, à medida que a tecnologia se consolida no ambiente corporativo, o risco para as empresas não está mais em decidir se devem usar inteligência artificial, mas em quanto tempo conseguirão fazê-lo de forma estruturada antes que clientes, funcionários e processos sigam por conta própria.

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