A decisão foi adicionada às diretrizes da plataforma e cita que a razão da proibição é o fato de haver a tendência de artigos escritos por IA violarem “diversas políticas de conteúdo fundamentais da Wikipédia“.
Segundo o The Verge, essa modificação aplica-se à versão em inglês do site. O Olhar Digital entrou em contato com a empresa para saber se a versão brasileira também está sob essa nova regulação e aguarda retorno.
Apesar da proibição, os usuários ainda poderão usar a IA em certos cenários, como o uso de grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) para “sugerir correções básicas” nos textos, mas apenas se “não introduzir conteúdo próprio“.
Além disso, os editores podem usar a tecnologia para traduzir artigos de outro idioma para o inglês, mas as regras de traduções assistidas por modelos de linguagem devem ser seguidas. Elas dizem que os editores devem ter conhecimento suficiente do idioma original para garantir a precisão da tradução.
Editores ainda podem usar a tecnologia para traduzir artigos de outro idioma para o inglês em certos casos (Imagem: Primakov/Shutterstock)
Além disso, a nova política aponta que algumas pessoas “podem ter estilos de escrita semelhantes aos de mestres em direito” e que os editores precisarão encontrar mais do que “sinais estilísticos ou linguísticos” para justificar restrições às suas capacidades de realizar traduções;
“É melhor considerar a conformidade do texto com as políticas de conteúdo essenciais e as edições recentes feitas pelo editor em questão”, diz a norma;
Essa prática de criação de artigos com IA na Wikipédia vem acontecendo há meses;
Isso fez com que a comunidade implementasse nova política para permitir a “exclusão rápida” de artigos mal escritos;
Além disso, os editores criaram o WikiProject AI Cleanup, que combate o conteúdo escrito por IA e ajuda outros editores a identificar esse tipo de texto.
As mudanças foram propostas por um usuário e deram início às discussões sobre os editores. A proposta foi então aprovada com “apoio esmagador“. Os defensores dela concluíram que essa política “visa problemas flagrantes com o uso de LLM, ao mesmo tempo que permite alguma margem para o que é considerado uso decente”.
Uma equipe internacional de pesquisadores utilizou inteligência artificial (IA) para analisar as emissões de incêndios florestais na Amazônia em 2024, e os resultados são alarmantes.
Segundo o estudo, publicado na revistaGeophysical Research Letters, as emissões de carbono podem ter sido até três vezes maiores do que se estimava até agora, revelando uma dimensão inédita do impacto ambiental.
Em resumo:
Pesquisadores usaram IA para analisar incêndios na Amazônia em 2024;
Emissões de carbono podem ser até três vezes maiores que estimativas;
Incêndios atingiram níveis recordes, afetando Amazônia e Cerrado;
Satélites e modelos estimaram CO como indicador de CO₂ liberado;
Combustão lenta contribuiu significativamente para as emissões daquele ano.
Queimada na Floresta Amazônica brasileira para abrir espaço para pastagem. Crédito: Pedarilhosbr – Shutterstock
Incêndios de 2024 foram os maiores em 20 anos na Amazônia
Os incêndios florestais são recorrentes na região central da América do Sul, agravados pelo desmatamento e pela seca. Em 2024, a atividade de fogo alcançou seu nível mais alto em duas décadas, atingindo vastas áreas da Amazônia e do Cerrado, a savana tropical mais biodiversa do mundo, que cobre cerca de um quinto do Brasil e partes da Bolívia e do Paraguai.
O estudo combinou dados de satélite sobre monóxido de carbono com modelos de incêndios florestais. O monóxido de carbono foi usado como indicador para estimar a emissão de dióxido de carbono, principal gás de efeito estufa. Esse método revelou que as estimativas tradicionais subestimam significativamente o volume de carbono liberado.
De acordo com os pesquisadores, a produção real de carbono pode ter sido entre 1,5 e três vezes maior do que o apontado pelos modelos convencionais. Isso representa um desafio para os cálculos globais de carbono e para os modelos climáticos, que dependem de dados precisos sobre emissões para prever o aquecimento do planeta.
Área queimada e desmatada na Floresta Nacional de Jamanxim, Pará. Crédito: Marcio Isensee – Shutterstock
O estudo foi liderado pela Universidade Técnica de Dresden, em cooperação com o Instituto Meteorológico Real dos Países Baixos (KNMI) e a BeZero Carbon, de Londres, com financiamento da Agência Espacial Europeia (ESA). Uma descoberta importante foi que a combustão lenta, ou seja, brasas que continuam queimando por dias, contribuiu muito para as emissões de 2024.
Jos de Laat, cientista sênior do KNMI, explicou em um comunicado que a pesquisa analisou uma área de cerca de 4 milhões de km², principalmente próxima à fronteira entre Brasil e Bolívia. “Os incêndios e a poluição concentrados ali afetaram a qualidade do ar em toda a região”. Ele acrescentou que os métodos atuais não reproduzem com precisão o que os satélites captam, ignorando fontes importantes de emissões.
Fumaça de incêndios florestais na Amazônia boliviana, em setembro de 2024. Crédito: Dados modificados do Copernicus Sentinel (2024), processados pela ESA.
IA agiliza avaliação de grandes conjuntos de dados
Para melhorar a análise, os cientistas treinaram um sistema de IA capaz de processar grandes volumes de dados rapidamente. Isso permitiu avaliar múltiplos anos e regiões, mesmo com alta demanda computacional. Além disso, combinaram dados das missões Sentinel-2, Sentinel-3 e Sentinel-5P, da ESA, ampliando a precisão das estimativas.
O monóxido de carbono é mais fácil de detectar do espaço do que o dióxido de carbono, que já está presente na atmosfera em níveis elevados e quase constantes. Pequenas variações de CO2 passam despercebidas pelos satélites. Já o monóxido de carbono existe em concentrações muito baixas e variáveis, tornando o aumento gerado pelos incêndios mais fácil de medir.
A pesquisa faz parte do projeto internacional Sense4Fire, financiado pela ESA. O objetivo é entender melhor as condições que favorecem a ignição de incêndios e aprimorar estimativas de emissões de carbono causadas por chamas e brasas. Técnicas avançadas de sensoriamento remoto e modelos computacionais complexos foram aplicados para analisar a vegetação, umidade e condições da superfície.
As imagens comparam estimativas de emissões de incêndios (à esquerda), feitas pelo sistema GFAS do Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS), com dados reais captados pelo satélite Copernicus Sentinel-5P (à direita). As medições foram feitas sobre áreas do Brasil, Bolívia e Paraguai em setembro de 2024, mostrando diferenças entre modelos e observações diretas do espaço. Crédito: ESA (fonte de dados: J. De Laat et al, 2026).
Stephen Plummer, cientista da agência, destacou que as conclusões ajudam a revisar como calculamos as emissões de CO2, um dos principais gases do efeito estufa. Ele ressaltou que os satélites Sentinel fornecem dados precisos que permitem compreender melhor como a Terra reage aos incêndios e contribuem para melhorar políticas climáticas baseadas em ciência.
O Sentinel-5P, lançado em 2017, possui o espectrômetro Tropomi, capaz de medir gases como CO, metano e dióxido de nitrogênio com resolução inédita. Isso possibilita monitorar a poluição de incêndios em detalhes e integrar informações sobre vegetação e condições do solo, tornando as estimativas de emissões mais precisas do que os métodos tradicionais.
Jos de Laat acrescentou que os métodos e dados gerados serão incorporados em futuros projetos do programa Horizonte Europa e do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS). Isso garante que as novas técnicas continuem a fornecer informações confiáveis e apoiem políticas públicas e científicas sobre mudanças climáticas.
A OpenAI suspendeu indefinidamente o desenvolvimento do “modo adulto” do ChatGPT. A modalidade permitiria ter conversas de natureza sexual com o chatbot, mas foi alvo de críticas dentro da própria desenvolvedora.
A informação foi divulgada pelo site Financial Times. A versão erótica foi arquivada como parte de uma estratégia mais ampla da empresa para focar em seus produtos principais e segue a interrupção do Sora, rede social de vídeos gerados por IA (mais detalhes abaixo).
A decisão ocorre após resistência interna de funcionários e investidores preocupados com os possíveis efeitos nocivos do conteúdo sexualizado de IA na sociedade. De acordo com o FT, a OpenAI quer dedicar mais tempo pesquisando os efeitos de longo prazo desse tipo de interação antes de tomar uma decisão definitiva sobre o produto.
A empresa afirmou que atualmente não há “evidência empírica” sobre esses impactos.
Na semana passada, o Wall Street Journal também reportou que o modo adulto havia sido adiado devido a preocupações internas relacionadas à moderação e proteção de crianças.
Mais cedo nesta semana, OpenAI comunicou interrupção do Sora (Imagem: Tada Images/Shutterstock)
Não foi só o ChatGTP erótico: OpenAI revisita suas prioridades
A suspensão indefinida do projeto ocorre em um momento em que a OpenAI reavalia suas prioridades. A companhia tem enfrentado pressão crescente de rivais no setor de IA, levando a uma estratégia que prioriza produtos centrais em detrimento de funcionalidades experimentais.
Ainda nesta semana, a desenvolvedora comunicou a descontinuação do Sora, aplicativo de geração de vídeos de IA. A ação também faz parte da estratégia de priorizar produtos mais consolidados e rentáveis.
O encerramento resultou na recisão do contrato de US$ 1 bilhão com a Disney. O Olhar Digital deu os detalhes aqui.
Nesta terça-feira (24), o Google revelou o TurboQuant, uma tecnologia de compressão ultraeficiente que promete mudar a forma como as inteligências artificiais lidam com grandes volumes de informação. O sistema permite que os modelos “lembrem” de muito mais dados ao mesmo tempo em que ocupam menos espaço físico na memória do hardware, tudo isso sem perder a precisão nas respostas.
Para entender o impacto do TurboQuant, é preciso conhecer o KV Cache, que funciona como uma “memória de curto prazo” para a IA. Nessa memória temporária, o sistema anota as características mais importantes de uma conversa ou documento para não precisar reprocessar tudo do zero a cada nova interação.
Atualmente, essa “memória de curto prazo” é o grande vilão do consumo de hardware: quanto mais a IA precisa lembrar, mais memória RAM de alta performance ela exige, o que encarece o serviço e limita a capacidade dos chatbots. O TurboQuant consegue comprimir esses dados em pelo menos 6 vezes, permitindo que a IA lide com contextos imensos de forma muito mais leve e econômica.
PolarQuant e QJL: a matemática da eficiência
O funcionamento do TurboQuant baseia-se em dois pilares técnicos que simplificam o armazenamento de dados:
PolarQuant (troca de coordenadas): em vez de usar mapas complexos para localizar cada bit de informação, o algoritmo converte os dados para um sistema polar (baseado em ângulos e raios). Isso simplifica a geometria dos dados e remove o “peso morto” que métodos antigos de compressão carregavam.
QJL (o revisor de 1 bit): para garantir que nenhuma informação vital seja perdida ao “espremer” os dados, o Google utiliza o QJL. Ele atua como um revisor matemático que elimina distorções, garantindo que a IA continue precisa mesmo operando com arquivos reduzidos.
O “momento DeepSeek” do Google
Segundo o TechCrunch, a inovação está sendo comparada ao “momento DeepSeek” do Google, uma referência ao modelo chinês que provou ser possível alcançar alta performance com custos de hardware reduzidos. Em testes realizados com modelos como Gemma e Mistral, o TurboQuant não apenas economizou espaço, mas também aumentou a velocidade de processamento em até 8 vezes em aceleradores H100.
Embora ainda seja um avanço de laboratório que será detalhado na conferência ICLR 2026, a tecnologia deve ser integrada a sistemas de busca semântica e modelos como o Gemini, tornando as interações com IA muito mais ágeis. É importante notar, porém, que o TurboQuant foca na memória de uso (inferência) e não diminui a necessidade de RAM para o treinamento de novos modelos.
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Na Meta, empresa de Mark Zuckerberg, o C-Level pode ter um papel ainda mais essencial na elevação do valuation da companhia para US$ 9 trilhões, o que representaria um aumento de cerca de 500% em relação ao valor de mercado atual da companhia, de US$ 1,5 trilhão. A estratégia da empresa é incentivá-los a expandir […]
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A ideia de navegar por sites, comparar preços e decidir manualmente uma compra pode estar com os dias contados. No lugar desse modelo, começa a ganhar espaço o chamado agent commerce, em que o consumidor pode delegar a agentes de inteligência artificial a jornada de consumo, da busca pelo produto até o pagamento. Essa transformação […]
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Não são poucas as facetas de Salim Ismail. Aos 60 anos, o indo-canadense foi vice-presidente do Yahoo e um dos fundadores da Singularity University. E, hoje, divide seu tempo entre as personas de escritor, palestrante, podcaster, estrategista, futurista, investidor e empreendedor, à frente da OpenExO. Com essa bagagem, ele desembarcou nesta semana em Porto Alegre, […]
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A decisão da OpenAI de encerrar o Sora, rede social de vídeos gerados por IA, abriu espaço para movimentações rápidas no setor. E uma delas veio de Elon Musk: o bilionário está planejando uma atualização “épica” para o Grok Imagine, seu modelo de IA para geração de vídeos.
Pouco depois do anúncio da OpenAI (mais detalhes abaixo), Musk indicou no X (antigo Twitter) que está preparando uma atualização para seu próprio gerador de vídeos. “O próximo lançamento do Grok Imagine será épico. Estamos investindo pesado”, escreveu. Ele também compartilhou exemplos de vídeos gerados pela ferramenta.
Publicação de Musk vem após decisão da OpenAI de encerrar o Sora
O timing de Musk foi bem calculado. O bilionário ‘twittou’ sobre o Grok Imagine pouco depois da rival OpenAI ter anunciado o encerramento do Sora.
O movimento ocorre em um momento de reconfiguração estratégica no mercado de IA. A OpenAI justificou que a descontinuidade da rede social de vídeos de IA faz parte de um redirecionamento para produtos mais alinhados a geração de receita, como ferramentas de produtividade, programação e soluções corporativas. Com isso, a OpenAI passa a concentrar esforços em iniciativas consideradas mais estratégicas para seu futuro, especialmente diante de planos de abertura de capital.
O fim do Sora também teve impacto imediato em parcerias: a Disney, que havia firmado um acordo bilionário envolvendo o uso de personagens em conteúdos gerados por IA, decidiu abandonar o investimento. O Olhar Digital deu os detalhes aqui.
Enquanto isso, a xAI tenta avançar no segmento deixado pela rival. A aposta de Musk reforça a disputa crescente entre empresas de tecnologia pela liderança em ferramentas criativas baseadas em IA.
Com o forte crescimento da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, a demanda por data centers específicos vem aumentando no mundo todo. Sendo assim, as empresas que operam no setor estão construindo grandes complexos voltados para a tecnologia.
Um exemplo é a xAI, que construiu um supercomputador em Abilene, Texas (EUA), em 2024, mas que enfrentou resistência local por conta do consumo de recursos locais, que poderiam prejudicar a população que vive nos arredores.
No Brasil, a Scala Data Centers está se preparando para construir um complexo de data centers no em Eldorado do Sul (RS), que promete ser o maior complexo de infraestrutura digital da América Latina.
Em outubro de 2024, o governo estadual fechou parceria com a empresa para a realização do projeto. À época, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Ernani Polo (PP), disse que o contrato “é oportunidade de transformar o Rio Grande do Sul no novo Vale do Silício no Brasil“.
“A interlocução entre o governo estadual e Eldorado do Sul assegurou alinhamento em infraestrutura urbana, planejamento territorial e qualificação de mão de obra, além de diálogo com o setor elétrico para viabilizar a demanda energética do campus”, explicou, ao Olhar Digital, Leandro Evaldt, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul.
“Essa atuação está inserida no Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável, que trabalha seus cinco habilitadores — capital humano, infraestrutura, ambiente de negócios, inovação e recursos naturais — como bases para atrair investimentos estruturantes como esse”, afirma.
Novo Vale do Silício no Brasil?
O empreendimento é chamado de Scala AI City. Confira mais informações do projeto, segundo dados do governo do Estado do Rio Grande do Sul:
O investimento inicial é de cerca de R$ 3 bilhões, com espaço total de mais de sete milhões de metros quadrados;
Contudo, as empresas que utilizarão as instalações injetarão mais R$ 4 bilhões, podendo passar dos R$ 600 bilhões no projeto total;
A título de comparação, o maior investimento do Estado realizado até hoje é de R$ 24 bilhões — a ampliação da CMPC, fábrica de celulose chilena, em 2024;
Mais de três mil empregos diretos e indiretos deverão ser gerados;
Quanto à capacidade inicial de TI do data center, serão 54 MW, podendo chegar a 4,75 GW;
O governo estadual afirma que a região escolhida tem segurança comprovada contra desastres naturais, grande oferta de energia elétrica e capacidade imobiliária;
O data center será ligado a outro do mesmo tipo, que se encontra em Porto Alegre (RS). Futuramente, ele será conectado ao cabo submarino Malbec, que liga São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Buenos Aires (Argentina).
Segundo a Scala, atualmente, o projeto está na fase de masterplan (plano diretor), com permits e validações em aspectos, como viabilidade, mobilidade, sustentabilidade, entre outros, sendo analisados.
A primeira etapa do empreendimento deverá entrar em operação em breve e, inicialmente, será híbrido, ou seja, servirá para cloud e IA.
Para Evaldt, o projeto é “estratégico” para o Estado. “O Estado já vinha estruturando políticas para inserir o RS na economia digital, e o projeto da Scala se conecta diretamente a essa visão de futuro”, disse ao OD.
“Estamos falando da criação de um novo eixo econômico, baseado em dados, inteligência artificial e serviços digitais de alta complexidade, posicionando o RS em uma indústria estratégica para as próximas décadas”, prosseguiu.
O secretário também explanou quais serão os benefícios da obra para a região. “A localização também favorece a logística, integração com redes de fibra óptica e acesso a talentos formados nas universidades da região”, pontuou.
“A escolha demonstra racionalidade técnica e visão de longo prazo, consolidando o município como núcleo de um novo cluster digital no Sul do país”. “O governo vê o projeto como um marco estruturante capaz de posicionar o RS como hub estratégico de infraestrutura digital na América Latina”, finalizou.
Dona do empreendimento frisa que o Scala AI City será dotado dos “mais altos padrões de sustentabilidade, inovação e governança” durante sua construção (Imagem: Nomad_Soul/Shutterstock)
Questões ambientais preocupam na construção da cidade de data centers
Porém, há preocupações com relação ao meio ambiente. Isso porque os data centers demandam muita energia e água para alimentar seu hardware e resfriamento, sem contar o lixo eletrônico gerado.
“Data centers consomem muita água. Isso é um problema porque a escassez de água está se tornando uma das principais razões de conflitos no mundo”, aponta Golestan Radwan, diretora digital do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Uma lei municipal aprovada exclusivamente para o projeto aponta que o licenciamento da obra “se dará de forma simplificada e autodeclaratória“.
A Scala garante que a operação do data center “não teria qualquer efeito no abastecimento elétrico da cidade ou de municípios vizinhos”, além de que a “energia utilizada será 100% renovável e certificada, com fornecimento garantido por parcerias estratégicas”, mas não cita de onde será obtida a energia demandada.
A Scala alega usar “tecnologias de resfriamento sem desperdício de água no resfriamento” e que não há “necessidade de reposição, mas apenas uma carga inicial no sistema”.
O governo estadual, por sua vez, afirma que, “com o auxílio do clima mais ameno do sul do Brasil, os data centers serão mais eficientes“, com eficiência energética e de água zerados, “ou seja, não utilizarão troca de água em seus sistemas de refrigeração”.
A dona do empreendimento frisa que o Scala AI City será dotado dos “mais altos padrões de sustentabilidade, inovação e governança” durante sua construção e prossegue, dizendo que “cumpre rigorosamente todos os requisitos legais em todos os seus empreendimentos“. A companhia enfatiza ainda que o licenciamento seguirá a mesma conduta.
Sobre a capacidade energética, a Scala aponta que os 4,75 GW de processamento de dados a serem alcançados quando a “cidade data center” estiver funcionando a pleno vapor a transformará “em um dos maiores polos de processamento de dados do mundo“.
Só que a quantidade de gigawatts anunciada é superlativa, já que, hoje, o Brasil tem capacidade total de 777 MW, tendo capacidade real de 54 MW. Ao colunista Renan Setti, do jornal O Globo, o CEO e cofundador da Scala, Marcos Peigo, comentou mais sobre as questões de capacidade da futura Scala AI City.
“O sonho é construir uma cidade. O plano eventual é ter até 4.750 MW, com consumo equivalente ao de todo o estado do Rio [de Janeiro]. No mundo, não há nada parecido; o maior de que tenho notícia é um projeto com cerca de 1.500 MW anunciados… Exigiria um investimento nosso da ordem de US$ 50 bilhões [R$ 261,7 bilhões] e seria um trabalho para dez, 20 anos…”
Enquanto isso, a prefeita de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho (PSDB), ressalta que vai “olhar para todos os detalhes do empreendimento“, mesmo que a lei municipal deixe o licenciamento ambiental mais simples. “Qualquer intervenção tem algum impacto. O trabalho da prefeitura tem que ser amenizar isso de alguma forma, mas sem prejudicar o investimento e o desenvolvimento do município“, prossegue.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul diz que “o Estado já levou ao governo federal a pauta que visa criar ambiente regulatório favorável aos data centers e às questões ligadas à inteligência artificial. Caso se efetive, será uma conquista que beneficiaria todo o país“, não citando informações sobre riscos e impactos ambientais.
Em setembro de 2024, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), defendeu a celeridade do processo no Brasil. “Se não construirmos imediatamente este ambiente favorável, corremos o risco de ver a transição energética acontecer em outros países, deixando-nos para trás. Agir agora é crucial para garantir que o Brasil não fique no final da fila nesta importante transformação global”, pontuou.
Por que Eldorado do Sul?
A Scala justifica a escolha da região para construir sua “cidade data center” não só pelas condições citadas nesta reportagem, mas, também, por fatores ligados ao “maior desafio para o setor, especialmente com a ascensão da IA“, sem contar que o município tem “robusta estrutura de transmissão, com uma subestação de capacidade de até 5 GW — a esmagadora maioria não utilizada”.
O governo do Estado também ressalta o clima ameno do sul do Brasil, que contribui para que a Scala AI City seja construída na região, pois, teoricamente, temperaturas mais baixas favorecem o resfriamento dos servidores, que demandariam menos energia elétrica para isso.
O hidrólogo Iporã Brito Possanttiressalta a necessidade de estudo sobre quais os possíveis impactos ao meio ambiente que esse tipo de projeto pode causar.
“Esse tipo de impacto precisa ser previsto no licenciamento. É importante que não haja isenção desses estudos para qualquer empreendimento, porque, depois, quem vai precisar pagar para corrigir e mitigar os impactos é a sociedade, os governos. É uma questão de economia e de justiça“, afirma.
“Não podemos simplesmente achar que uma inovação tecnológica, que é bem-vinda e necessária, está desprovida de impacto”, pontua ao Repórter Brasil o professor Ricardo Soares.
De acordo com a EBC, em 2024, o município da futura cidade data center teve toda a área urbana afetada pelas enchentes de 2024 (que assolaram o Estado todo), que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é consequência da crise climática que o planeta enfrenta.
Em contrapartida, o terreno no qual o empreendimento será erguido ficou intacto.
O Google ampliou as capacidades de sua inteligência artificial (IA) de criação musical Lyria 3, que agora passa a gerar faixas com até três minutos de duração. A atualização chega com a versão Lyria 3 Pro, elevando em seis vezes o limite anterior, que era de apenas 30 segundos.
A mudança também amplia o controle do usuário sobre as composições. Além de definir estilo, humor ou instrumentação, agora é possível orientar melhor a estrutura das músicas geradas.
Controle aprimorado sobre arranjos musicais
O Lyria 3 Pro permite solicitar elementos específicos dentro da faixa, como introduções, refrões e pontes, oferecendo mais precisão na construção dos arranjos. A ferramenta segue a lógica de outros geradores de música por IA, como Suno e Udio, em que o usuário descreve o que deseja e o sistema produz a faixa correspondente.
O modelo também pode gerar letras a partir de prompts, incluindo referências vindas de texto, imagens ou vídeos, ampliando as possibilidades de criação dentro da plataforma.
Expansão para múltiplas plataformas Google
Uma das principais novidades está na integração com outros produtos do Google. Agora, é possível criar músicas diretamente dentro do Gemini, sem a necessidade de baixar aplicativos específicos.
O modelo também será incorporado ao Vertex AI para clientes corporativos, ao Google AI Studio e à API do Gemini para desenvolvedores, além de chegar ao Google Vids e à plataforma ProducerAI, adquirida recentemente pela empresa. A maior duração das faixas deve ser especialmente relevante para usuários do ProducerAI, que concorre diretamente com o Suno.
Integração com o Gemini é novidade comemorada pelo Google (Imagem: miss.cabul / Shutterstock.com)
A possibilidade de gerar músicas completas, em vez de trechos curtos, levanta questionamentos sobre imitação de artistas e violação de direitos autorais. Em comunicado, o Google afirmou que “Lyria 3 e Gemini não imitam artistas” e que, ao citar um criador em um prompt, o modelo utiliza isso apenas como inspiração ampla.
A empresa também informou que verifica as saídas do Lyria 3 Pro em relação a conteúdos existentes para evitar material que infrinja direitos. Além disso, as músicas geradas recebem uma marca d’água silenciosa SynthID, usada para identificar que foram criadas por inteligência artificial.