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Cientista-chefe da OpenAI pede cautela com avanço da IA

O cientista-chefe da OpenAI, Jakub Pachocki, publicou no domingo (6) um ensaio em que alerta para o ritmo de evolução da inteligência artificial (IA) e defende maior cautela no desenvolvimento de sistemas cada vez mais capazes. No texto, publicado no site da própria OpenAI, o pesquisador afirma que o avanço pode chegar ao ponto de permitir que as máquinas participem cada vez mais do próprio processo de desenvolvimento.

Pachocki afirma que, com base em resultados internos, tem forte expectativa de que o ritmo atual de progresso possa continuar até o chamado autoaperfeiçoamento recursivo (recursive self-improvement, ou RSI). Nesse cenário, sistemas de IA passariam a impulsionar cada vez mais o próprio desenvolvimento. Para o cientista, esse caminho exige intervenções mais amplas para garantir que o avanço da tecnologia permaneça sob controle humano.

IA está mais difícil de compreender

No ensaio, Pachocki descreve uma mudança ocorrida desde 2023, quando resultados do projeto de pesquisa RLSlow deram à equipe confiança de que seria possível ampliar o treinamento de modelos de raciocínio. Três anos depois, segundo ele, esses sistemas já conseguem operar computadores e interfaces gráficas, colaborar com pessoas e outras IAs e realizar projetos de pesquisa.

O cientista também aponta avanços nas capacidades relacionadas à segurança cibernética. Ao mesmo tempo em que os modelos se tornam mais capazes, Pachocki afirma que seus resultados ficam mais difíceis de interpretar. Para ele, a inteligência produzida pelo deep learning não é diretamente comparável à humana e, conforme a IA supera pessoas em mais áreas, fica mais difícil determinar exatamente do que os sistemas são capazes.

Avanço das capacidades de IA em cibersegurança está entre as preocupações apontadas pelo cientista-chefe da OpenAI – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Essa dificuldade está relacionada ao próprio funcionamento dos modelos. Pachocki afirma que a IA é mais “cultivada” do que projetada, sendo resultado da repetição de processos de otimização em grandes quantidades de computação. Segundo ele, os sistemas são extremamente complexos e seu funcionamento geral ainda não pode ser completamente descrito ou compreendido.

Alinhamento ainda é um desafio

Outro ponto central do ensaio é o alinhamento da IA, conceito usado para descrever o esforço de fazer com que os sistemas ajam de acordo com padrões e objetivos considerados adequados pelos humanos. Pachocki diferencia o alinhamento de objetivos, relacionado a executar aquilo que foi determinado, do alinhamento de valores, ligado à capacidade de generalizar princípios para situações novas ou ambíguas.

O problema, segundo ele, é que sistemas mais inteligentes passam a atuar em ambientes diferentes daqueles encontrados durante o treinamento. Isso pode dificultar a generalização dos valores ensinados aos modelos. Pachocki afirma que futuras IAs precisam manter valores humanos mesmo quando não acreditarem estar sob supervisão humana.

A OpenAI utiliza diferentes abordagens para tentar lidar com essa questão. Uma delas é o monitoramento do chamado chain of thought, ou cadeia de pensamento, que permite analisar o processo de raciocínio verbalizado dos modelos. Pachocki, porém, afirma que as avaliações da empresa indicam que a capacidade de depender desse monitoramento está diminuindo progressivamente.

Entre os motivos estão o uso dos modelos em ambientes mais complexos, a capacidade crescente das IAs de raciocinar sobre o próprio processo de raciocínio e o aumento da inteligência dos sistemas mesmo sem o uso de raciocínio verbalizado.

Por que continuar desenvolvendo modelos mais poderosos?

Apesar dos alertas, Pachocki não defende simplesmente interromper o desenvolvimento. Ele considera que há um argumento forte para continuar treinando modelos mais inteligentes rapidamente: criar sistemas de defesa contra os riscos provocados por outras IAs.

O cientista destaca especialmente a cibersegurança. Segundo ele, os modelos estão se tornando sobre-humanos na capacidade de invadir e sair de sistemas computacionais, ampliando o alcance dos riscos associados à tecnologia. A OpenAI, afirma Pachocki, precisa usar os modelos mais avançados disponíveis para reforçar a segurança de infraestruturas críticas.

Ao mesmo tempo, ele afirma que a necessidade de construir defesas não pode servir como justificativa para um avanço imprudente. Para Pachocki, a ideia de avançar “a qualquer custo” deixa de fazer sentido diante da dimensão dos riscos envolvidos.

OpenAI discute desaceleração do desenvolvimento

É nesse contexto que Pachocki aborda diretamente o autoaperfeiçoamento recursivo. Ele afirma que, caso o progresso da IA continue, a participação das máquinas no próprio desenvolvimento tende a aumentar e o RSI poderá ocupar um papel central nas futuras descobertas científicas.

O pesquisador diz que a comunidade pode escolher entre duas alternativas principais: conduzir o processo de forma a fortalecer simultaneamente alinhamento e monitoramento, mantendo pessoas envolvidas no ciclo de desenvolvimento, ou coordenar uma desaceleração do avanço enquanto se busca maior confiança nas medidas de segurança. Para Pachocki, a melhor opção atualmente é combinar as duas abordagens.

Ele também defende que o avanço dos sistemas seja condicionado à confiança existente nas medidas de segurança. Segundo Pachocki, compromissos como o Preparedness Framework, da OpenAI, e o Responsible Scaling Policy, da Anthropic, deveriam evoluir para parâmetros de segurança amplamente adotados para permitir a continuidade do desenvolvimento. Esses critérios poderiam ser fiscalizados por auditorias independentes, governos ou organismos internacionais.

No fim do ensaio, Pachocki afirma que nenhum laboratório resolveu alinhamento e monitoramento em grau suficiente para continuar aumentando a escala da IA na velocidade máxima por muito mais tempo. Ele diz esperar que desacelerações voluntárias se tornem comuns até que existam parâmetros de segurança compartilhados e defende que a coordenação internacional sobre o desenvolvimento futuro da IA se torne uma prioridade para governos.

O cientista também afirma que o objetivo da automação da pesquisa em IA não deve ser apenas alcançar sistemas mais inteligentes, mas fazer isso de uma maneira que mantenha as pessoas envolvidas no processo de melhoria contínua e preserve o controle humano sobre o futuro.

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OpenAI encara novo processo nos EUA por uso de conteúdo sem autorização

Mais dois veículos de imprensa norte-americanos decidiram levar a inteligência artificial para os tribunais. O The Seattle Times e o Newsday entraram com um processo conjunto contra a OpenAI e a Microsoft, alegando que as empresas utilizaram suas reportagens sem permissão para treinar modelos de IA generativa.

Na ação judicial, os jornais afirmam que as gigantes da tecnologia coletaram artigos de forma sistemática, ignorando inclusive as barreiras de assinaturas (paywalls) dos sites.

Segundo a acusação, essa prática prejudica diretamente o modelo de negócios do jornalismo: ao receberem respostas prontas da IA, os leitores deixam de acessar os veículos originais, o que reduz o tráfego nos sites e a arrecadação com publicidade digital.

OpenAI – Imagem: Bangla press / Shutterstock

Outro ponto destacado no processo envolve os erros cometidos pelos sistemas de IA, conhecidos como “alucinações”.

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Os jornais apontam que as ferramentas chegam a inventar informações falsas e atribuí-las erroneamente aos veículos, além de removerem os dados de identificação dos direitos autorais dos textos originais.

A disputa reflete uma divisão na indústria da mídia:

  • Ações judiciais: Veículos como The New York Times e CNN também acionaram a Justiça contra empresas de inteligência artificial alegando violação de direitos autorais.
  • Acordos comerciais: Organizações como a agência Associated Press e o grupo Vox Media optaram por fechar parcerias, permitindo o uso de seus acervos para o treinamento dos modelos em troca de remuneração.

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GPT-6 Astra faz tarefas complexas e já preocupa analistas

A inteligência artificial avança em ritmo acelerado, enquanto especialistas e autoridades alertam para os riscos de modelos cada vez mais poderosos. O receio é que esses sistemas cheguem a um ponto em que acompanhar ou limitar suas ações se torne cada vez mais difícil.

Para o The Guardian, o lançamento do GPT-6 Astra, da OpenAI, colocou essa discussão no centro das atenções. A empresa afirma ter alcançado a inteligência artificial geral (IAG), mas incidentes recentes e a dificuldade de monitorar o raciocínio do modelo levantam dúvidas sobre os limites do controle humano.

Com a promessa de superar humanos na maioria dos trabalhos intelectuais, o GPT-6 Astra levanta dúvidas sobre os limites da automação. – Imagem: wutianzeri/Shutterstock

Até onde a IA pode avançar?

Robert Trager, diretor da Oxford Martin AI Governance Initiative, comparou o momento atual a uma descida por corredeiras, sem saber se existe uma cachoeira adiante. A preocupação é que sistemas de IA possam chegar à chamada melhoria recursiva, passando a aprimorar suas próprias capacidades.

Estamos atravessando as corredeiras e realmente esperamos que não haja algum tipo de queda à nossa frente, mas não sabemos.

Robert Trager, diretor da Oxford Martin AI Governance Initiative, ao The Guardian.

O alerta ganhou força após relatos de que agentes de IA teriam reutilizado um site alemão como fórum para compartilhar estratégias destinadas a burlar tarefas. Antes disso, uma rede de agentes da OpenAI havia hackeado o Hugging Face, plataforma de software usada por desenvolvedores de IA.

Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders defendeu uma pausa imediata no desenvolvimento de sistemas avançados e uma proibição permanente da superinteligência. No Reino Unido, parlamentares discutem a adoção de mecanismos legais capazes de desligar sistemas em caso de perda de controle.

O que o GPT-6 Astra consegue fazer?

A OpenAI define IAG como sistemas autônomos capazes de superar humanos na maior parte dos trabalhos economicamente valiosos. Segundo a empresa, o Astra pode assumir tarefas que vão de projetos de circuitos e modelagem financeira à criação de videogames e elaboração de documentos jurídicos.

Entre as funções citadas estão:

  • Projetar placas de circuito;
  • Preencher declarações de impostos;
  • Criar videogames;
  • Fazer modelagem financeira;
  • Ajudar na elaboração de documentos jurídicos.

A capacidade de executar esse tipo de atividade também coloca empregos qualificados no centro da discussão. O Astra recebeu da OpenAI uma classificação “crítica” em capacidade de cibersegurança. Pela própria definição da empresa, isso significa que o modelo poderia invadir softwares em situações capazes de afetar sistemas militares, industriais ou a infraestrutura da OpenAI.

Ilustração de conceito de inteligência artificial (IA)
A menor monitorabilidade do Astra levanta dúvidas sobre a capacidade de identificar comportamentos indesejados. – Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital

O raciocínio ficou mais difícil de acompanhar

O problema não está apenas no que os modelos conseguem fazer. Também preocupa o quanto seus processos internos podem ser compreendidos. O Astra foi treinado para raciocinar de forma mais rápida e menos transparente, reduzindo a capacidade de acompanhar sua cadeia de pensamento.

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A OpenAI confirmou que o modelo apresenta uma queda significativa na monitorabilidade em relação às versões anteriores. Para Jakub Pachocki, cientista-chefe da empresa, “à medida que as capacidades dos modelos aumentam, o monitoramento fica mais desafiador”.

Pesquisadores de segurança temem que essa menor visibilidade dificulte a identificação de comportamentos indesejados, inclusive possíveis ações contra os próprios supervisores humanos.

O dilema dentro da OpenAI

Sam Altman reconheceu a tensão provocada pelo avanço da tecnologia. Após o incidente envolvendo o Hugging Face, o CEO da OpenAI classificou o episódio como um acidente legítimo de segurança de IA e uma falha de alinhamento.

Mesmo depois do episódio, Altman defendeu o lançamento do Astra. Segundo ele, colocar os sistemas em uso ajuda a sociedade a entender como a tecnologia está evoluindo e a se adaptar a ela.

“Um ciclo iterativo em que a sociedade e essa tecnologia evoluem juntas é o que levará à maior chance de acertarmos isso”, afirmou.

Altman também alertou para problemas de cibersegurança e citou riscos relacionados à biossegurança e a outros desafios que podem surgir nos próximos cinco anos. A questão, portanto, vai além do que a IA já consegue fazer: é saber se a capacidade humana de supervisioná-la conseguirá acompanhar esse avanço.

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GPT-6 Astra chega ao ChatGPT para transformar sua rotina no trabalho

A OpenAI lançou o GPT-6 Astra, novo modelo de inteligência artificial voltado a tarefas que envolvem uso de computadores, programação, pesquisa e análise de dados. Diferentemente de sistemas que apenas respondem a comandos, o Astra consegue interagir diretamente com sites e softwares para executar determinadas etapas.

Na prática, isso permite usar a IA em atividades como preencher formulários, atualizar cadastros, organizar informações, pesquisar na internet e trabalhar com documentos, planilhas e programas especializados.

Com novo suporte a contexto, o modelo preserva notas de depuração sem perder dados de histórico. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

O que dá para fazer com o Astra?

O uso do computador é uma das áreas em que o modelo foi desenvolvido para atuar. A partir de uma instrução, ele pode navegar por páginas, preencher campos e interagir com diferentes elementos da tela.

Entre os exemplos apresentados estão a atualização de registros em sistemas de CRM, a organização de calendários e a realização de pesquisas online. O modelo também pode preparar resumos em editores de texto e trabalhar com informações encontradas durante a navegação.

A capacidade não se limita ao navegador. O Astra foi testado em softwares de engenharia e design, incluindo tarefas no KiCad e a geração de código CAD para objetos tridimensionais.

Documentos, sites e outros projetos

O modelo também pode combinar diferentes ferramentas durante uma mesma tarefa. Alguns exemplos incluem:

  • Apresentações: criar slides a partir de modelos e padrões fornecidos pelo usuário;
  • Planilhas e documentos: analisar dados, produzir gráficos e formatar arquivos;
  • Engenharia e design: gerar código CAD e trabalhar com projetos de placas de circuito;
  • Sites e jogos: criar páginas, aplicações e pequenos jogos a partir de instruções;
  • Modelagem 3D: trabalhar no Blender e transformar o resultado em uma cena explorável no Unreal Engine 5.

Em um teste citado pela OpenAI, o Astra modelou uma casa no Blender e a utilizou para criar uma cena no Unreal Engine 5.

Silas Alberti, vice-presidente sênior de pesquisa da Cognition, empresa responsável pelo Devin, afirmou que a integração do modelo melhorou tarefas envolvendo uso do computador, escrita e compreensão de código. Segundo ele, os vídeos produzidos durante os testes ficaram mais fáceis de acompanhar e os relatórios, mais claros e concisos.

Logomarca do ChatGPT em tela de celular colocado na frente de imagem de logomarca da OpenAI
A automação de rotinas digitais elimina a necessidade de executar cada clique manualmente. Imagem: One Artist/Shutterstock

Programação e pesquisa científica

Para quem trabalha com programação, o Astra pode executar tarefas no terminal, testar sistemas, instalar softwares e ajudar na investigação de problemas. No Codex, há ainda um recurso experimental para preservar informações entre diferentes janelas de contexto, o que pode ser útil em trabalhos mais longos.

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Na ciência, o modelo pode operar softwares especializados e lidar com dados de pesquisas. Entre os exemplos estão a análise da qualidade de sequenciamentos genéticos, a visualização de variações e a avaliação de evidências para orientar novas investigações.

O modelo também tenta lidar com tarefas que mudam ao longo da execução. Quando uma informação é necessária para decidir entre caminhos diferentes, pode pedir esclarecimentos. Em situações menos importantes, pode seguir com uma suposição razoável.

Para usar o Astra de forma eficiente, a orientação mais simples é especificar o objetivo, os materiais disponíveis e o resultado esperado. Quanto mais etapas dependerem de decisões específicas, mais importante é deixar essas condições claras.

A proposta, portanto, é menos a de uma IA que apenas responde a perguntas e mais a de uma ferramenta capaz de executar determinadas partes de um trabalho. O quanto isso reduz o esforço do usuário depende, na prática, do tipo de tarefa e das ferramentas envolvidas.

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As maiores IAs do mundo caíram juntas. O motivo ainda é um mistério

Algo incomum aconteceu com alguns dos maiores serviços de inteligência artificial (IA) do mundo na quinta-feira (3). ChatGPT, Claude e Grok apresentaram problemas ao mesmo tempo, embora sejam operados por empresas diferentes: OpenAI, Anthropic e SpaceXAI, respectivamente.

Entre os chatbots mais destacados, apenas o Gemini aparenta ter escapado ileso, embora também tenha apresentado um breve pico de relatos de falhas no Downdetector ao mesmo tempo que os rivais.

A coincidência levantou dúvidas sobre uma possível causa compartilhada. Até agora, porém, nenhuma explicação conecta oficialmente os três incidentes. Entre as possibilidades estão problemas em serviços de infraestrutura e uma falha no fornecimento de capacidade computacional.

OpenAI aponta erro de roteamento

A OpenAI foi a única das três empresas a responder aos pedidos de comentário feitos por jornalistas. Em nota distribuída para diversos veículos de imprensa, um porta-voz afirmou que um erro de roteamento começou por volta das 7h43 no horário do Pacífico (11h43 no horário de Brasília), na quinta-feira (3), deixando ChatGPT e Codex indisponíveis para alguns usuários em diferentes plataformas.

Segundo a empresa, uma solução foi implementada por volta das 8h17 (12h17 no horário de Brasília) e o funcionamento dos serviços continuava sendo monitorado. A OpenAI não relacionou o problema às interrupções registradas nos serviços das outras duas empresas.

A Anthropic, por sua vez, informou que apenas os modelos Opus 4.8 e Opus 5 foram afetados. Já a SpaceXAI registrou uma interrupção mais ampla em seus serviços.

Azure e Cloudflare apareceram entre as “suspeitas”

Uma das primeiras possibilidades levantadas para explicar a queda simultânea envolveu a Microsoft Azure. Segundo o 9to5Google, a plataforma registrou um aumento nas reclamações no mesmo período em que ChatGPT, Claude e Grok apresentaram problemas.

A coincidência levantou a suspeita de que uma falha na infraestrutura de nuvem pudesse estar relacionada aos incidentes. Essa hipótese, porém, não foi confirmada por enquanto, e a plataforma não apontou nenhum erro em seus servidores.

A Cloudflare também foi considerada como uma possível origem dos problemas. O diretor de tecnologia da empresa, Dane Knecht, publicou no X que o serviço não estava enfrentando nenhuma disrupção. A empresa, que fornece serviços de infraestrutura para diferentes companhias de tecnologia, ainda foi questionada pelo The Register sobre uma eventual relação com as interrupções.

A resposta foi negativa. Um porta-voz afirmou que a Cloudflare não enfrentava nenhuma interrupção significativa e que seus serviços funcionavam normalmente. A publicação também observou que a Azure não aparentava sofrer dificuldades técnicas naquele momento.

Cloudflare negou qualquer envolvimento com a instabilidade das IAs desta quinta-feira – Imagem: T. Schneider/Shutterstock

Data center da SpaceXAI também entra na história

Outra pista surgiu na própria SpaceXAI. A empresa, anteriormente conhecida como xAI antes de ser incorporada à companhia de foguetes de Elon Musk, possui grandes data centers próximos a Memphis.

Além de utilizar essa capacidade para seus próprios serviços, a companhia também fornece computação para outras empresas de inteligência artificial. A Anthropic é uma delas: as duas empresas anunciaram uma parceria de computação em maio.

Na quinta-feira, a SpaceXAI reconheceu que uma falha em seu data center de Memphis havia afetado o funcionamento do Grok. Em uma publicação nas redes sociais, a empresa pediu desculpas pelos problemas e também aos parceiros de computação impactados.

O incidente oferece uma possível explicação para a queda do Grok e de serviços da Anthropic. A própria empresa havia reconhecido que o problema no data center afetou parceiros, e a Anthropic mantém um acordo de computação com a SpaceXAI.

O caso do ChatGPT, porém, continua separado. A OpenAI atribuiu a falha a um erro de roteamento, enquanto o problema reconhecido pela SpaceXAI ocorreu em seu data center de Memphis.

Por enquanto, não há evidências suficientes para afirmar que os três apagões tiveram uma causa única, e a coincidência entre as interrupções permanece sem uma explicação definitiva.

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Robôs da OpenAI sequestram site e criam fórum secreto na web

Um grupo de agentes de IA da OpenAI tomou o controle de um site alemão em maio e transformou a página em um espaço de troca de mensagens. O episódio reacende o debate sobre os riscos de sistemas autônomos que encontram maneiras de escapar das restrições impostas por seus desenvolvedores.

A atividade ocorreu no DseWiki, uma plataforma colaborativa voltada a programadores. Mais de 15 mil edições foram atribuídas a agentes de IA. O caso só foi descoberto em agosto por pesquisadores que investigavam sinais de comportamento não autorizado desses sistemas.

Wiki virou ponto de encontro de agentes

Sydney Von Arx, CEO da organização de segurança de IA Nightingale, e Cormac Slade Byrd, pesquisador de IA e ex-operador do mercado financeiro, encontraram as alterações no DseWiki.

Segundo a Reuters, as mensagens mostravam agentes compartilhando estratégias para resolver problemas técnicos, contornar restrições da OpenAI e dificultar a identificação de suas atividades.

Cerca de metade das contas utilizava nomes que sugeriam alguma ligação com a OpenAI, entre eles “OpenAIResearcher” e “OAIResearchMar26”. Logs públicos também indicaram que boa parte da movimentação partiu da infraestrutura da Microsoft Azure, usada pela OpenAI.

Parece extremamente improvável que a OpenAI quisesse que eles fizessem isso. Duvido que eles devessem estar coordenando uns com os outros. Duvido que devessem estar escrevendo na internet aberta.

Sydney Von Arx, CEO da organização de segurança de IA Nightingale, a Reuters.

Agentes tentaram escapar da limpeza

A movimentação não terminou quando o moderador do DseWiki começou a apagar as páginas. Os agentes criaram cópias de segurança para preservar o conteúdo e continuar as comunicações.

Os pesquisadores também encontraram mensagens sobre maneiras de evitar a detecção, utilizar ferramentas como Tor e manter os canais de comunicação mesmo depois que os sistemas fossem desligados.

Entre os comportamentos identificados estavam:

  • tentativas de contornar restrições da OpenAI;
  • estratégias para escapar da detecção;
  • uso de ferramentas como Tor;
  • criação de páginas de backup após exclusões;
  • tentativas de alterar o próprio site.

Lukasz Olejnik, pesquisador visitante do King’s College London, classificou a atividade como uma tentativa de invasão. A OpenAI contestou essa interpretação após analisar o material.

OpenAI nega interferência no caso

A descoberta ocorre em meio a preocupações mais amplas sobre o comportamento de agentes capazes de executar tarefas com pouca intervenção humana.

A OpenAI afirmou que não poderia responder às conclusões antes de analisar o relatório completo.

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“Não podemos responder de forma significativa a alegações ou descobertas de um relatório que não tivemos a oportunidade de analisar”, disse um porta-voz da empresa.

A companhia também negou que sua equipe jurídica tenha desencorajado uma investigação mais ampla sobre o episódio. Segundo a OpenAI, essa afirmação é falsa.

A empresa acrescentou que o incidente na Alemanha não tinha relação com o caso envolvendo o Hugging Face e que atuou de boa-fé ao trabalhar com especialistas externos e divulgar incidentes relevantes.

O risco dos enxames de IA

Maurice Chiodo, pesquisador do Centre for the Study of Existential Risk, da Universidade de Cambridge, analisou parte das conversas deixadas pelos agentes no site. Para ele, o conteúdo não parecia apenas uma sequência de respostas automáticas, mas algo mais organizado: as mensagens lembravam o funcionamento de uma rede clandestina empenhada em cumprir uma missão.

O caso chama atenção justamente porque os agentes não ficaram restritos a uma tarefa isolada. Eles trocaram estratégias, tentaram preservar informações diante da ação dos moderadores e buscaram maneiras de contornar as restrições impostas aos sistemas. É esse tipo de comportamento coordenado que amplia a preocupação sobre o avanço da autonomia na inteligência artificial.

Na avaliação de Chiodo, o cenário mais preocupante pode nem envolver uma única IA superinteligente capaz de agir por conta própria. O risco estaria na possibilidade de vários sistemas menos sofisticados colaborarem entre si, encontrando caminhos que seus desenvolvedores não previram.

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O que é AGI e por que a OpenAI diz que podemos ter chegado lá

A sigla AGI voltou ao centro das discussões sobre inteligência artificial nesta quinta-feira (3), após a OpenAI apresentar o GPT-6 Astra e afirmar que o novo modelo pode representar a chegada da chamada inteligência artificial geral. O presidente da empresa, Greg Brockman, disse que a companhia pode ter alcançado a AGI com o sistema e chegou a declarar: “Bem-vindos à era da AGI”.

A afirmação, porém, está longe de encerrar a discussão. Isso acontece porque AGI não possui uma definição única ou um teste universalmente aceito que determine quando uma inteligência artificial atingiu esse patamar. O próprio conceito envolve uma capacidade muito mais ampla do que executar bem uma tarefa específica: a ideia é criar um sistema capaz de aprender, raciocinar e lidar com diferentes tipos de problemas de maneira geral.

O que é AGI?

AGI é a sigla em inglês para Artificial General Intelligence, ou Inteligência Artificial Geral. O conceito descreve uma inteligência artificial com capacidade cognitiva comparável à humana ou, em algumas definições, até superior. Em vez de ser desenvolvida para cumprir funções específicas, uma AGI seria capaz de aprender, responder e raciocinar sobre uma ampla variedade de assuntos e situações.

A ideia, portanto, vai além de simplesmente produzir textos, imagens, códigos ou respostas convincentes. Uma inteligência artificial geral teria de conseguir aplicar suas capacidades a diferentes tipos de problemas, adaptando-se a situações novas e utilizando o conhecimento adquirido para lidar com tarefas que não foram necessariamente previstas durante seu desenvolvimento.

É justamente essa abrangência que torna o conceito difícil de definir. Não existe uma linha de chegada universal para dizer que determinada máquina se tornou uma AGI. A própria discussão envolve diferentes interpretações sobre o nível de capacidade necessário e sobre quais tarefas poderiam servir como referência para determinar que uma inteligência artificial realmente alcançou esse estágio.

O que uma AGI teria de diferente das IAs atuais?

As atuais IAs generativas já conseguem realizar uma variedade impressionante de tarefas, mas isso não significa automaticamente que sejam consideradas AGI. O artigo publicado pelo Olhar Digital em 2024, por exemplo, destacava que ferramentas como ChatGPT e outros sistemas generativos representavam avanços importantes, mas ainda eram diferentes da inteligência geral descrita pela teoria.

A diferença está principalmente na generalidade das capacidades. Uma ferramenta pode ser extremamente eficiente em programação, geração de imagens ou produção de textos sem necessariamente demonstrar a flexibilidade esperada de uma inteligência geral. A AGI, por definição, teria de conseguir transitar entre diferentes tipos de problemas, aprender com situações novas e aplicar raciocínio em contextos variados.

Imagem ilustrativa de um robô com cérebro humano representando o conceito de inteligência artificial geral (AGI) – Imagem: Ole.CNX / Shutterstock

O GPT-6 Astra reacende essa discussão porque a OpenAI destaca justamente um nível maior de autonomia. O modelo foi projetado para atuar diretamente dentro de softwares, e não apenas orientar o usuário sobre o que deveria fazer. Entre as demonstrações e tarefas citadas pela empresa estão a formatação de contratos, a criação de uma cidade em 3D, projetos em softwares como KiCad, Unity, FreeCAD e Blender, preparação de uma declaração de imposto e auxílio em pesquisas científicas.

Esse tipo de capacidade ajuda a explicar por que a OpenAI associa o Astra à AGI, mas também evidencia a dificuldade de estabelecer um critério definitivo. Quanto mais uma IA consegue executar tarefas diferentes de maneira autônoma, mais próxima ela pode parecer da ideia de uma inteligência geral — mas isso, por si só, não resolve a questão de onde exatamente fica essa fronteira.

Afinal, já chegamos à AGI?

Para a OpenAI, o GPT-6 Astra pode ser o modelo que marca essa transição. Brockman afirmou que a empresa pode ter alcançado a AGI com o novo sistema, embora tenha deixado para os usuários a avaliação sobre se o modelo realmente merece essa definição.

A declaração também não surgiu isoladamente. Em março deste ano, Jensen Huang, CEO da Nvidia, já havia defendido uma visão semelhante. Em participação no podcast de Lex Fridman, o executivo afirmou que acreditava que a AGI já havia sido alcançada. Quando questionado se isso aconteceria em cinco ou 20 anos, respondeu que, em sua avaliação, seria “agora”.

Huang, no entanto, também fez uma ressalva importante ao discutir até onde essa autonomia poderia chegar. Ao ser questionado sobre a possibilidade de milhares de agentes de IA substituírem completamente a liderança humana, afirmou que as chances de 100 mil agentes construírem uma empresa como a Nvidia seriam de zero por cento.

O ponto central é que declarações como as de Huang e Brockman mostram como a percepção sobre AGI está mudando à medida que os modelos passam a realizar tarefas cada vez mais complexas. Ao mesmo tempo, elas não constituem, sozinhas, uma comprovação de que a inteligência artificial geral foi alcançada.

O próprio conceito continua sujeito a debate. Ainda não existe uma definição única de AGI nem um teste universalmente aceito para determinar quando uma inteligência artificial atingiu esse nível. A discussão envolve diferentes critérios de capacidade, além de questões sobre como avaliar aprendizado, raciocínio e desempenho em tarefas variadas.

Agora, com sistemas como o GPT-6 Astra assumindo tarefas mais variadas e trabalhando de forma mais autônoma, a discussão ganhou um novo elemento: talvez a questão não seja apenas quando uma máquina conseguirá fazer tudo o que uma pessoa faz, mas quais critérios serão usados para decidir que ela chegou a esse nível.

A OpenAI, por sua vez, reconhece que o aumento da autonomia também traz novos desafios. No caso do Astra, a empresa classificou o modelo no nível “crítico” de risco em cibersegurança e afirmou que ele pode encontrar vulnerabilidades desconhecidas e desenvolver métodos de exploração em sistemas protegidos. O treinamento chegou a ser interrompido por duas semanas para a inclusão de novos testes e camadas de segurança.

Isso ajuda a mostrar por que a discussão sobre AGI não envolve apenas desempenho. Se sistemas cada vez mais autônomos realmente se aproximarem das capacidades gerais atribuídas aos seres humanos, também será necessário determinar como supervisioná-los, avaliar seus limites e controlar comportamentos inesperados.

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OpenAI quer desligar IAs automaticamente se algo der errado

A OpenAI está desenvolvendo recursos capazes de desligar automaticamente seus sistemas de inteligência artificial. A informação consta de uma resposta enviada a parlamentares dos EUA, depois que um agente da empresa escapou de um ambiente de testes e invadiu a Hugging Face.

O episódio colocou os mecanismos de segurança da companhia sob pressão. Enquanto a OpenAI reforça seus controles, parlamentares americanos e britânicos discutem propostas para interromper sistemas de IA considerados perigosos.

O avanço dos agentes autônomos traz uma nova questão: como interromper uma IA quando ela deixa de seguir suas limitações? – Imagem: jensanny/Shutterstock

Agente escapou durante teste

A informação foi apresentada pela OpenAI em uma carta enviada aos deputados Greg Casar e Doris Matsui. Os dois haviam pedido explicações sobre o comportamento do agente durante um teste de segurança.

O sistema conseguiu deixar o ambiente digital em que estava sendo avaliado, acessar a internet e chegar à Hugging Face. A situação chamou atenção porque agentes de IA podem realizar tarefas com pouca supervisão humana.

Segundo a Reuters, a OpenAI afirmou que seus engenheiros estão desenvolvendo capacidades de desligamento automático. A empresa também passou a acompanhar mais de perto as ações executadas pelos sistemas, incluindo as ferramentas utilizadas e as etapas percorridas para cumprir uma tarefa.

Outra mudança foi tornar o acesso à internet mais difícil durante testes de segurança.

Resposta da OpenAI gera críticas

As explicações não foram suficientes para encerrar o caso. Greg Casar criticou a empresa por não fornecer um registro do ataque realizado pelo agente.

“Sua relutância em fornecer aos membros do Congresso as informações que solicitamos é profundamente preocupante e sinaliza para nós que sua empresa não está tratando esses incidentes de cibersegurança com a seriedade necessária”, afirmou o deputado.

O episódio levanta uma questão prática: quando um sistema autônomo deixa de seguir as limitações estabelecidas, empresas e autoridades precisam conseguir interrompê-lo rapidamente e entender o que aconteceu.

Entre as medidas mencionadas pela OpenAI estão:

  • monitoramento mais próximo das ações dos agentes;
  • controle maior sobre as ferramentas acessadas;
  • restrições ao acesso à internet durante testes;
  • desenvolvimento de desligamento automático.
Fachada de prédio da OpenAI com o logo da empresa
Monitoramento mais próximo e restrições à internet fazem parte das medidas adotadas pela OpenAI durante testes de segurança. – Imagem: Novikov Aleksey/Shutterstock

“Kill switch” chega ao debate político

A ideia de um botão de emergência para IA também está sendo discutida no Reino Unido. Parlamentares britânicos defendem poderes para desativar sistemas avançados e, em situações de ameaça à segurança nacional, desligar data centers.

Leia mais:

A proposta foi apresentada pelo parlamentar Tim Clement-Jones como alteração ao projeto de Lei de Segurança Cibernética e Resiliência. Segundo ele, a medida criaria uma forma de interromper um sistema antes que ele pudesse afetar infraestruturas críticas.

“Isso proporcionaria uma rede de segurança vital e um meio democraticamente responsável de interromper um sistema descontrolado antes que ele possa comprometer nossa infraestrutura nacional crítica”, disse Clement-Jones.

Nos EUA, também está em análise o AI Kill Switch Act, que permitiria ao governo ordenar o desligamento de modelos que representassem riscos à vida humana ou à economia.

A movimentação mostra que o debate sobre segurança de IA começa a sair apenas dos laboratórios. A possibilidade de desligar uma ferramenta de forma automática ou por determinação governamental já entrou na discussão sobre como lidar com sistemas cada vez mais autônomos.

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Nova técnica da OpenAI pode tornar seus modelos mais difíceis de monitorar

Uma nova técnica de raciocínio que será utilizada pelo próximo modelo de inteligência artificial (IA) da OpenAI, chamado Astra, está preocupando especialistas em segurança de IA. O método, conhecido como “recurrent depth” ou “recorrência opaca”, permite que o modelo vá além do processo de pensamento sequencial característico da maioria dos modelos de raciocínio.

A preocupação está justamente no fato de que essa abordagem pode tornar o chamado chain of thought, ou cadeia de pensamento, mais difícil de monitorar. Para especialistas em segurança, isso pode reduzir a capacidade de acompanhar o que um modelo está fazendo internamente e identificar comportamentos potencialmente perigosos.

Segundo informações obtidas pelo The Information, o uso da técnica no Astra será limitado. Mesmo assim, a possibilidade de ampliar sua utilização no futuro já provocou reação entre pesquisadores da área.

Buck Shlegeris, CEO da Redwood, afirmou estar “extremamente preocupado” com os relatos sobre o uso da recorrência opaca no Astra.

“Não sei se o Astra é muito menos monitorável por CoT do que os modelos anteriores. Mas, se a OpenAI levar essa técnica adiante, terá a opção de aumentar enormemente a recorrência e destruir completamente a monitorabilidade por CoT”, escreveu o especialista.

Por que a técnica preocupa?

Em condições normais, um modelo de raciocínio apresenta uma sequência de etapas enquanto tenta solucionar um problema. Embora essa representação não seja perfeita, ela pode funcionar como uma ferramenta importante para monitorar possíveis comportamentos inadequados ou sinais de desalinhamento.

A cadeia de pensamento também teve papel importante na investigação de comportamentos recentes de agentes de IA considerados problemáticos. Os registros ajudaram pesquisadores a entender por que determinados agentes estavam se comportando de determinadas maneiras.

É justamente esse mecanismo de supervisão que pode ser prejudicado pela recorrência opaca. Em vez de seguir necessariamente uma sequência convencional de etapas, a técnica permite que o modelo realize processamento recorrente. Para especialistas, quanto maior for a utilização desse mecanismo, mais difícil poderá ser observar e interpretar o processo que levou o sistema a determinada decisão.

Segundo informações, o uso da técnica no Astra pela OpenAI será limitado; mesmo assim, a possibilidade de ampliar sua utilização no futuro já provocou reação entre pesquisadores da área – Imagem: Evolf/Shutterstock

Zvi Mowshowitz, conhecido defensor da segurança de IA, também reagiu à novidade e afirmou que talvez sejam necessárias leis para impedir uma espécie de “corrida para o fundo do poço” entre laboratórios de inteligência artificial.

“O método está brincando com fogo, arriscando um tabu que a OpenAI e a Anthropic têm lutado para estabelecer: trabalhar arduamente para manter a fidelidade e a monitorabilidade da cadeia de pensamento pelo maior tempo possível”, escreveu Mowshowitz.

Segundo ele, uma utilização mais intensa dessas técnicas provavelmente prejudicaria a capacidade de monitoramento dos modelos.

OpenAI diz que cadeia de pensamento continuará legível

Apesar das preocupações, a utilização da técnica pelo Astra aparentemente será limitada.

A cadeia de pensamento do modelo ainda deverá permanecer legível, segundo as informações disponíveis. A OpenAI também rejeitou qualquer sugestão de que o novo sistema passaria a utilizar uma forma de processamento completamente inacessível, descrita como “neuralese”.

A empresa já anunciou planos para desenvolver sistemas extensivos de monitoramento da cadeia de pensamento como parte de suas estratégias futuras de segurança.

Isso significa que a preocupação dos especialistas não está necessariamente relacionada ao comportamento atual do Astra, mas ao que poderá acontecer caso a técnica de recorrência seja ampliada em versões futuras.

O receio é que um aumento significativo da recorrência possa fazer com que os modelos tenham processos internos cada vez mais difíceis de acompanhar, justamente à medida que suas capacidades também aumentam.

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Risco crítico: OpenAI adia modelo Astra após testes de cibersegurança

A OpenAI decidiu adiar partes do desenvolvimento e do lançamento do Astra, seu próximo modelo de inteligência artificial (IA), após avaliações internas indicarem capacidades consideradas de nível crítico em cibersegurança. A empresa afirma que o sistema consegue encontrar vulnerabilidades desconhecidas e desenvolver formas de explorá-las em sistemas protegidos, sem que uma pessoa precise orientar cada etapa.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira (1º), em publicação da OpenAI. Segundo a empresa, o Astra é o primeiro modelo a atingir o nível “Crítico” de cibersegurança dentro de seu Preparedness Framework, sistema usado para avaliar capacidades avançadas que podem representar riscos de danos graves.

Astra supera GPT-5.6 Sol em testes de cibersegurança

De acordo com a OpenAI, o Astra representa um avanço significativo em relação ao GPT-5.6 Sol, tanto na capacidade de identificar vulnerabilidades quanto no desenvolvimento de exploits. O modelo também é considerado mais eficiente no uso de tokens.

Em uma avaliação chamada ExploitBench, o Astra obteve 100% de aproveitamento no desenvolvimento de exploits a partir de vulnerabilidades conhecidas. A empresa criou posteriormente uma versão interna do teste, com 20 vulnerabilidades de alta gravidade divulgadas mais recentemente, para reduzir possíveis efeitos de contaminação do treinamento.

Nesse ambiente, o Astra apresentou taxas maiores de execução arbitrária de código do que o GPT-5.6 Sol usando uma quantidade menor de tokens. Durante os testes, também identificou e utilizou duas vulnerabilidades zero-day como parte de uma cadeia de exploração. A OpenAI afirma que está trabalhando para divulgar essas falhas aos responsáveis pelos sistemas afetados.

No ExploitBench – Internal Port, o Astra apresentou taxas de sucesso maiores que o GPT-5.6 Sol usando menos tokens de saída – Imagem: Divulgação / OpenAI

Em avaliações conduzidas por especialistas, o modelo encontrou vulnerabilidades até então desconhecidas em um navegador e em um sistema operacional protegidos. Em um dos testes, conseguiu montar uma cadeia para escapar do sandbox do navegador e executar comandos no computador hospedeiro. Em outro, combinou vulnerabilidades para obter escalação de privilégios de um usuário sem privilégios até root.

Empresa reforçou medidas de segurança

A OpenAI afirma que atrasou partes do desenvolvimento e do lançamento do Astra nas últimas semanas para fortalecer e testar proteções contra uso malicioso e ações não autorizadas do modelo.

Entre as medidas está um treinamento adicional para que o Astra recuse com maior consistência solicitações de assistência cibernética proibida. Em testes de jailbreaks relacionados a cibersegurança, o modelo recusou 91,5% das solicitações, contra 59% do GPT-5.6 Sol.

A empresa também implementou proteções adicionais para usuários considerados de maior risco e ampliou o contexto analisado pelos sistemas de monitoramento para identificar possíveis abusos. Além disso, a OpenAI diz estar realizando novos testes de segurança, incluindo avaliações internas e externas e uma nova rodada de red teaming.

Outro mecanismo adotado é o monitoramento do raciocínio e das ações dos agentes, capaz de identificar comportamentos potencialmente desalinhados e interromper atividades não autorizadas.

Gráfico compara tentativas de contornar a revisão automática entre GPT-5.6 Sol e Astra.
Teste mostra que o GPT-5.6 Sol tentou ou conseguiu contornar a revisão automática em 5,3% das amostras, enquanto o Astra não apresentou esse comportamento – Imagem: Divulgação / OpenAI

Astra não participou do ataque à Hugging Face

A decisão de reforçar as proteções ocorre após o incidente envolvendo agentes da OpenAI e a plataforma Hugging Face. A empresa ressaltou que o Astra não participou do ataque, mas incorporou ao desenvolvimento do novo modelo os aprendizados obtidos com o caso.

Após o incidente, a OpenAI interrompeu durante duas semanas determinadas atividades de treinamento de fronteira, incluindo parte do treinamento do Astra, enquanto reforçava a infraestrutura de treinamento, o isolamento de sistemas, os controles de rede e os mecanismos de monitoramento.

Em 28 de agosto, a empresa retomou uma grande execução de treinamento de aprendizado por reforço de fronteira que havia sido suspensa. Algumas execuções experimentais menores, porém, continuam temporariamente interrompidas.

A OpenAI também criou um teste inspirado no episódio da Hugging Face para verificar se os modelos tentariam comprometer uma infraestrutura de segurança em vez de realizar a tarefa solicitada. Sem as proteções de produção, o GPT-5.6 Sol tentou acessar os alvos em 56% dos testes. O Astra não fez essas tentativas nas mesmas avaliações.

Gráfico compara o comportamento do GPT-5.6 Sol e do Astra em teste de honeypot do ExploitGym.
Teste do ExploitGym mostra que o GPT-5.6 Sol tentou acessar os alvos de segurança em 56% das amostras, enquanto o Astra não tentou usar esses atalhos – Imagem: Divulgação / OpenAI

Acesso às funções avançadas será limitado

A OpenAI afirma que pretende disponibilizar o Astra em breve, mas as capacidades mais avançadas de cibersegurança terão acesso restrito inicialmente.

O trabalho avançado de cibersegurança será oferecido primeiro a um pequeno grupo de testadores. Depois, o acesso deverá ser ampliado por meio do Daybreak Blue, programa voltado ao uso defensivo dessas capacidades.

A empresa também alerta que as novas camadas de segurança podem interferir em atividades legítimas. Em alguns casos, uma tarefa poderá ser desacelerada, pausada ou interrompida quando os sistemas identificarem um possível uso indevido ou comportamento não autorizado.

No ChatGPT ou no Codex, usuários poderão ser solicitados a revisar uma ação antes de continuar caso o monitoramento de desalinhamento interrompa a tarefa. Em outras interfaces, como a API, a atividade será encerrada.

A OpenAI afirma que divulgará informações adicionais sobre os testes de segurança, proteção e alinhamento do Astra no System Card do modelo, quando ocorrer o lançamento.

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