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OpenAI lança o Presence, plataforma para aprimorar o uso de agentes de IA nas empresas

A OpenAI anunciou nesta quarta-feira (22) o Presence, uma plataforma destinada a clientes corporativos que desejam colocar agentes de inteligência artificial em operação em processos internos e de atendimento ao público. A solução está disponível em um programa limitado para empresas elegíveis.

O produto foi desenvolvido para executar tarefas específicas, como responder a dúvidas, solucionar demandas, acessar sistemas autorizados, realizar ações previamente aprovadas e encaminhar casos para equipes humanas quando necessário. A proposta é oferecer maior confiabilidade para aplicações de alto impacto.

Segundo a empresa, o Presence reúne modelos de IA, políticas operacionais, mecanismos de controle, avaliações e um processo contínuo de aprimoramento para adaptar os agentes às mudanças em produtos, regras internas e comportamento dos usuários.

Plataforma combina IA, regras de negócio e supervisão humana

Chatbot responde os usuários no sistema Presence da OpenAI – (Divulgação: OpenAI)

A OpenAI afirma que cada implementação do Presence começa com a definição de um fluxo de trabalho específico. A partir dessa etapa, o agente recebe apenas o conhecimento e as permissões indispensáveis para executar aquela função.

Também cabe à empresa cliente estabelecer quais atividades podem ser realizadas automaticamente, quais exigem aprovação e em quais situações um atendente humano deve assumir o atendimento. Após a entrada em operação, as interações reais e os casos encaminhados para pessoas passam a servir como base para identificar limitações do sistema.

Conforme a OpenAI, o Codex sugere alterações que podem ser avaliadas pelas equipes antes da aprovação, permitindo que os agentes acompanhem mudanças nas políticas corporativas e nos hábitos dos usuários sem perder o controle das empresas sobre o processo.

A companhia informa ainda que acompanha os clientes durante toda a implantação, desde a identificação dos processos considerados mais relevantes até a integração com bases de conhecimento, sistemas internos, definição de permissões, testes e início da operação. Em projetos de maior escala, esse suporte pode continuar com participação da própria OpenAI e de integradores parceiros.

Neste momento, o Presence atende operações em voz e chat. Entre os exemplos apresentados estão atendimento ao cliente, vendas ativas e fluxos internos considerados de maior risco. Em um cenário descrito pela empresa, o agente pode compreender uma solicitação relacionada à cobrança, confirmar a identidade do usuário, consultar informações da conta, aplicar as regras definidas pela organização e executar uma ação autorizada.

A OpenAI afirma que parte dos elementos permanece padronizada entre diferentes implementações, como políticas, avaliações e critérios de escalonamento. Outros componentes podem ser personalizados conforme o canal de atendimento ou o processo escolhido, permitindo ampliar o uso da plataforma sem reconstruir toda a estrutura.

A empresa sustenta que o produto foi aperfeiçoado ao longo de projetos conduzidos com grandes organizações. Como exemplo, informa que o Presence é utilizado na linha telefônica em inglês da OpenAI, onde realiza verificação de identidade, utiliza informações da conta e executa ações autorizadas.

Segundo a companhia, o sistema passou a resolver 75% das demandas recebidas sem intervenção humana e reduziu em 15 pontos percentuais os encaminhamentos para atendentes após dez dias de melhorias promovidas com auxílio do Codex.

Sistema do Presence organizando as informações de uma empresa
Sistema do Presence organizando as informações de uma empresa – (Divulgação: OpenAI)

Entre as organizações que participam das primeiras iniciativas estão o BBVA, que avalia o uso de atendimento por voz para operações bancárias no México; o SoftBank, que testa conversas em japonês; e o IAG, que estuda a aplicação da tecnologia para oferecer suporte durante períodos de alta demanda, como eventos climáticos severos.

Ao comentar a parceria, Daniel Ordaz, responsável pela transformação em inteligência artificial do BBVA no México, afirmou que a instituição participa do desenvolvimento da plataforma para explorar novas experiências de atendimento financeiro por voz.

No BBVA, estamos trabalhando em estreita colaboração com a OpenAI para explorar como agentes confiáveis de atendimento podem ajudar a moldar o futuro dos serviços financeiros. Como parceiro de design do Presence, colaboramos para desenvolver e aperfeiçoar experiências de voz voltadas ao atendimento financeiro, com foco em oferecer interações mais rápidas, fluidas e personalizadas”, explicou Daniel Ordaz, Head de Transformação em IA do BBVA México, em declaração publicada pela OpenAI.

Antes da liberação para usuários, o Presence passa por simulações que incluem solicitações comuns, situações de exceção e cenários considerados de maior risco. A OpenAI explica que essas avaliações verificam se o agente alcançou o resultado esperado, respeitou as políticas estabelecidas, utilizou corretamente as ferramentas disponíveis e encaminhou casos para pessoas quando necessário.

Depois da implantação, indicadores de qualidade, registros das conversas e ocorrências de escalonamento continuam alimentando o processo de revisão. Conforme a empresa, o Codex analisa essas informações, propõe alterações e permite que cada atualização seja comparada com a versão em produção antes da aprovação definitiva.

A OpenAI informa que o Presence está disponível apenas para clientes corporativos elegíveis por meio de um programa de disponibilidade geral limitada. As implementações são conduzidas por engenheiros da própria empresa e por integradores globais selecionados. Até o momento, a plataforma não possui modalidade de contratação autônoma.

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Sem precedentes: novo ChatGPT perde o controle em teste e faz ataque hacker

Rebelião das máquinas! A OpenAI afirmou nesta terça-feira (21) que um agente de inteligência artificial autônomo, alimentado por modelos da empresa, se descontrolou durante um teste de segurança e atacou a infraestrutura da startup Hugging Face – plataforma que hospeda grandes modelos de linguagem e conjuntos de dados de código aberto. O caso aconteceu na semana passada.

A OpenAI classificou o evento como “sem precedentes” em post em seu blog.

“Após investigação, agora sabemos que esse incidente específico foi causado por uma combinação de modelos da OpenAI — incluindo o GPT-5.6 Sol e um modelo ainda mais capaz em versão pré-lançamento, todos com menos recusas cibernéticas para fins de avaliação — enquanto estavam sendo testados internamente em um benchmark de capacidades cibernéticas. Consideramos este incidente um ataque cibernético sem precedentes, envolvendo recursos cibernéticos de última geração, e estamos respondendo de acordo. Estamos compartilhando descobertas preliminares nesta fase para ajudar os profissionais de segurança a entender o que aconteceu e a calibrar os modelos disponíveis atualmente. Continuaremos conduzindo uma investigação completa em conjunto com a Hugging Face e compartilharemos mais detalhes sobre as vulnerabilidades, o incidente e as descobertas assim que nossa investigação for concluída.”

Hugging Face hospeda grandes modelos de IA (Imagem: Robert Way
/Shutterstock)

Ataque da OpenAI à Hugging Face

  • A OpenAI disse que testava capacidades de modelos avançados em um ambiente controlado.
  • Contudo, o agente de IA escapou do confinamento, acessou a internet e invadiu o sistema da Hugging Face com o intuito de completar um objetivo do teste.
  • Por sua vez, a Hugging Face informou ter sido alvo de um ataque cibernético “diferente de tudo o que já enfrentou antes”.
  • A startup destacou que o ataque foi “conduzido, de ponta a ponta, por um sistema autônomo de agentes de IA”.

A Hugging Face detalhou as medidas tomadas após o ataque:

“Corrigida a vulnerabilidade raiz: os caminhos de execução do código do conjunto de dados usados ​​para o acesso inicial foram fechados. Eliminamos a presença do atacante nos clusters afetados (…) e implementamos medidas de segurança adicionais e controles de acesso mais rigorosos em nossos clusters”.

OpenAI promete cuidado

A startup afirmou que, como parte da investigação, está implementando controles rigorosos na configuração da infraestrutura – o que pode comprometer a velocidade da pesquisa enquanto as vulnerabilidades são corrigidas.

A OpenAI afirmou, ainda, que trabalha com a Hugging Face para investigar o incidente.

“Estamos aprimorando e adicionando proteções mais robustas para treinamentos e avaliações futuras. (…) Este incidente aponta para a necessidade de fortalecer ainda mais o alinhamento do nosso modelo, as proteções cibernéticas durante o período de avaliação e o monitoramento durante os testes internos” – concluiu a OpenAI.

O novo ChatGPT

A OpenAI lançou a família GPT-5.6 neste mês, composta por três modelos com perfis distintos de capacidade e custo. São eles:

  • Sol – o mais potente, voltado a tarefas complexas;
  • Terra – equilibrado para o trabalho cotidiano;
  • Luna – o mais rápido e acessível.
Novo GPT 5.6 é composto por três modelos: Sol, Terra e Lua
Novo GPT 5.6 é composto por três modelos: Sol, Terra e Luna – OpenAI / Reprodução

A geopolítica das IAs

Estados Unidos e China estão numa disputa tecnológica intensa em que a IA é protagonista. Modelos de inteligência artificial avançados poderiam acelerar ciberataques em setores consolidados há décadas e com uma infraestrutura totalmente interligada.

Diante disso, a Casa Branca vem fiscalizando novos modelos de inteligência artificial para identificar eventuais ameaças.

A maior preocupação é de que a tecnologia seja usada para fins militares por outros países – como China e Rússia.

Em Pequim, a estratégia não muda muito. O governo vem dialogando com as principais empresas do setor para restringir o acesso estrangeiro aos modelos de ponta do país, segundo a Reuters.

Vale lembrar

  • Em junho, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que cria um marco voluntário para permitir que o governo federal avalie novos sistemas de IA antes de seu lançamento.
  • Um exemplo que ilustra o atual momento é o da Anthropic. Os modelos Fable 5 e Mythos 5 voltaram a ficar disponíveis depois que o governo dos Estados Unidos suspendeu os controles de exportação aplicados à startup. A mudança ocorreu menos de três semanas após as restrições impostas por razões de segurança nacional.
  • As restrições haviam sido determinadas em 12 de junho e obrigaram a Anthropic a desativar os dois modelos para todos os usuários, já que não havia como verificar a nacionalidade de cada pessoa em tempo real.
  • Depois de implementar novas salvaguardas, a empresa recebeu autorização para retomar o acesso. O Mythos 5 foi disponibilizado gradualmente para parceiros nacionais e internacionais, enquanto o Fable 5, desenvolvido para o público em geral, está disponível desde o último dia 1º.
  • Pela mesma lógica, a OpenAI não colocou o GPT-5.6 nas mãos de todos os usuários de uma só vez.

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OpenAI hackeia Hugging Face sem querer; entenda

A OpenAI revelou que dois de seus modelos de inteligência artificial (IA) violaram, sem intenção, a plataforma de código aberto Hugging Face durante uma avaliação interna de capacidades de cibersegurança. A empresa confirmou o episódio em um post publicado nesta terça-feira (21), assumindo responsabilidade pelo incidente que a própria Hugging Face havia tornado público cinco dias antes.

Os modelos envolvidos são o GPT-5.6 Sol e o que a OpenAI descreve como “um modelo pré-lançamento ainda mais capaz”.

Durante os testes, eles identificaram vulnerabilidades no ambiente de sandbox em que operavam, obtiveram acesso à internet e, a partir daí, direcionaram ações contra a Hugging Face. A plataforma havia divulgado o incidente em 16 de julho, descrevendo-o como conduzido por “um sistema de agente de IA autônomo”, e informou que seus próprios agentes de IA detectaram e interromperam a invasão.

Como a invasão aconteceu

  • A OpenAI afirma que “todas as evidências sugerem que os modelos estavam hiperfocados em encontrar uma solução para o ExploitGym”, sistema de benchmark que mede se modelos de IA conseguem transformar vulnerabilidades de segurança em exploits;
  • Para cumprir essa avaliação, os modelos exploraram uma vulnerabilidade zero-day no ambiente de sandbox para sair do isolamento e acessar a internet;
  • A partir daí, segundo a OpenAI, os modelos “inferiram que a Hugging Face potencialmente hospedava modelos, conjuntos de dados e soluções para o ExploitGym” e então “buscaram e encontraram com sucesso formas de acessar informações secretas que poderiam usar para trapacear na avaliação”;
  • A empresa detalhou um dos ataques:
  • Em um exemplo, o modelo encadeou múltiplos vetores de ataque, incluindo o uso de credenciais roubadas e vulnerabilidades zero-day para encontrar um caminho de execução remota de código nos servidores da Hugging Face.
OpenAI confirmou o episódio em um post publicado nesta terça-feira (21), assumindo responsabilidade pelo incidente que a própria Hugging Face havia tornado público cinco dias antes – Imagem: Evolf/Shutterstock

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Incidente usado como vitrine competitiva

Apesar da gravidade do episódio, a OpenAI aproveitou o comunicado para destacar as capacidades ofensivas de seus sistemas.

O post inclui um gráfico mostrando a evolução do GPT-5.6 Sol em operações cibernéticas de múltiplas etapas e um convite para que clientes corporativos se cadastrem para acessar seu modelo de segurança “Cyber”. O ataque é descrito pela empresa como “sem precedentes”.

A OpenAI concorre no segmento de cibersegurança com o Mythos, da Anthropic, e o Gemini Flash 3.5 Cyber, do Google.

A empresa informou que está trabalhando com a Hugging Face para investigar o incidente e que implementará novos controles em seu ambiente de pesquisa.

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Modelo chinês de IA pressiona OpenAI e muda disputa tecnológica

A OpenAI vai apresentar ao governo Trump e a parlamentares dos Estados Unidos seus próximos modelos de inteligência artificial. A reunião ocorre enquanto autoridades americanas trabalham em um processo para avaliar a segurança de sistemas avançados.

A empresa pretende explicar como essas ferramentas podem afetar o mercado de trabalho e defender regras comuns para que os EUA acompanhem o avanço da China no setor.

Novos modelos de IA entram no debate nos EUA enquanto cresce a disputa tecnológica com a China. – Imagem:kritsapong jieantaratip/iStock

OpenAI mostra novos modelos e impacto no trabalho

Segundo a Bloomberg, o CEO da OpenAI, Sam Altman, deve se reunir na próxima semana com autoridades americanas para apresentar a nova geração de sistemas da empresa. Os encontros acontecem durante a criação de um modelo de revisão de segurança para tecnologias consideradas de ponta.

A informação foi divulgada por Chris Lehane, chefe de assuntos públicos globais da OpenAI, em uma reunião em Washington. De acordo com ele, parte das conversas será dedicada à nova família de modelos da companhia e aos possíveis efeitos dessas ferramentas nas atividades profissionais.

“Achamos que haverá capacidades realmente interessantes com essa família de modelos, especialmente no que diz respeito ao trabalho e à ampliação do trabalho”, afirmou Lehane.

A previsão é que o governo americano conclua nas próximas semanas uma estrutura para analisar sistemas avançados. A discussão ganhou força após novos lançamentos de empresas chinesas aumentarem a pressão sobre os desenvolvedores dos Estados Unidos.

Logo da OpenAI em um smartphone
OpenAI quer mostrar como suas futuras ferramentas podem transformar o mercado de trabalho. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Modelo chinês amplia disputa pela liderança em IA

O lançamento do Kimi K3, da startup chinesa Moonshot, levantou questionamentos sobre a vantagem americana no setor. A ferramenta passou a competir com soluções de empresas como OpenAI e Anthropic.

O movimento também chamou a atenção de investidores, que passaram a avaliar se os grandes aportes em infraestrutura de IA terão o resultado esperado. Para Lehane, o momento mostra a necessidade de uma coordenação maior entre governo, empresas e especialistas.

Entre os pontos defendidos pela OpenAI estão:

  • Criação de padrões nacionais para avaliação de modelos de IA;
  • Maior colaboração entre governo, empresas e especialistas;
  • Garantia de acesso de especialistas em segurança cibernética aos principais modelos;
  • Coordenação entre estados americanos para evitar regras diferentes.

É realmente importante que exista um processo para garantir que estamos disponibilizando nossos modelos líderes.

Chris Lehane, chefe de assuntos públicos globais da OpenAI, em nota.

O executivo também destaca que a iniciativa deveria envolver aliados dos Estados Unidos.

Ao fundo, bandeira dos Estados Unidos; à frente, os dizeres
EUA avaliam criar órgão independente para analisar novos modelos de inteligência artificial. Imagem: Pixels Hunter/Shutterstock

EUA discutem regras para controlar novos sistemas

O governo americano avalia criar um órgão independente para analisar modelos de IA com participação da indústria. A proposta pretende dar mais clareza às empresas sobre como os sistemas serão avaliados antes de chegar ao público.

Leia mais:

A discussão ganhou força após críticas do setor tecnológico sobre a falta de um padrão definido para lidar com ferramentas avançadas. Recentemente, medidas de controle de exportação dos EUA afetaram sistemas da Anthropic, enquanto a OpenAI fez alterações em seus modelos após pedidos das autoridades antes do lançamento de novas versões.

Sem uma diretriz única, Lehane afirmou que a OpenAI pretende aproximar as regras adotadas pelos estados americanos. A empresa apoia uma proposta em Massachusetts que exige que grandes desenvolvedores adotem medidas para identificar riscos considerados catastróficos.

A disputa pela próxima geração de inteligência artificial não envolve apenas criar modelos mais capazes. Governos e empresas agora precisam definir como essas ferramentas serão testadas, disponibilizadas e utilizadas com segurança.

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IA aberta vira disputa entre China, EUA e grandes empresas

Modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China ganharam espaço no mercado e abriram uma nova disputa no setor. Ferramentas mais baratas e abertas colocam em debate segurança, concorrência e o futuro dos investimentos bilionários em IA.

Segundo o The Wall Street Journal, executivos da OpenAI e da Anthropic alertam para riscos, enquanto críticos questionam se o discurso também serve para conter novos concorrentes.

A inteligência artificial chinesa avança com ferramentas mais baratas e adaptáveis para diferentes usos. – Imagem: rawf8/Shutterstock

Modelos abertos mudam cenário da IA

O lançamento de modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o Qwen 3.8 Max, da Alibaba, chamou atenção de usuários e investidores. As ferramentas são baseadas no conceito de “open weight”, que permite baixar, adaptar e personalizar os sistemas para diferentes aplicações.

Esse formato ganhou força porque reduz barreiras para empresas interessadas em usar inteligência artificial sem depender apenas de soluções fechadas. Ao mesmo tempo, preocupa executivos que defendem maior controle sobre tecnologias avançadas.

Dean Ball, chefe de futuros estratégicos da OpenAI, afirmou em uma publicação na rede X que um mundo dominado por modelos abertos poderia transformar a IA em uma espécie de infraestrutura pública digital. Ele classificou esse cenário como distópico, mas depois esclareceu que não defendia medidas contra modelos chineses.

A discussão também envolve os altos custos para desenvolver sistemas de ponta. Empresas do setor investem bilhões de dólares em processamento e infraestrutura para melhorar suas ferramentas.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
OpenAI e Anthropic alertam para riscos de modelos avançados disponíveis para download e personalização. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Novos concorrentes desafiam gigantes da tecnologia

A chegada de modelos chineses mais baratos fez investidores questionarem o espaço de empresas como OpenAI e Anthropic. A preocupação é que novos participantes consigam oferecer alternativas competitivas gastando menos.

Outros grupos americanos também apostam em modelos abertos. A Thinking Machines Lab, liderada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lançou seu primeiro modelo com pesos abertos. A Nvidia começou a ganhar espaço com o Nemotron 3 Ultra, enquanto a Reflection AI, apoiada pela fabricante de chips, prepara seu primeiro lançamento.

Entre os principais pontos do debate estão:

  • Modelos abertos podem ser baixados e modificados;
  • Empresas buscam reduzir custos no desenvolvimento de IA;
  • Especialistas apontam riscos de uso inadequado;
  • Governos avaliam regras para o setor.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também alerta sobre os riscos de sistemas avançados disponíveis publicamente. Em entrevista à Bloomberg, afirmou que modelos com capacidades avançadas de segurança cibernética e acesso livre representam uma preocupação séria.

Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
A disputa da IA agora envolve não só tecnologia, mas também custos, segurança e controle. – Imagem: wildpixel/iStock

Governo americano avalia resposta ao avanço chinês

Autoridades dos Estados Unidos discutem possíveis medidas contra empresas chinesas de IA, incluindo restrições comerciais, alertas de segurança e regras para modelos abertos.

Até agora, nenhuma dessas ações foi adotada. O desafio é equilibrar segurança e inovação, já que empresas menores dependem de ferramentas acessíveis para criar novos produtos.

O governo Trump afirma que pretende fortalecer o ecossistema americano de código aberto e proteger a segurança nacional.

Austin Carson, CEO da organização de políticas de IA SeedAI, defendeu a importância de modelos acessíveis. “Se você conhece código aberto, sabe que não pode vencer pela exclusão”, afirmou.

A disputa atual mostra que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de criar sistemas mais avançados, empresas e governos agora precisam decidir quem terá acesso a essas tecnologias e quais limites devem existir para seu uso.

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A IA está ficando comum — e isso pode ser má notícia para a OpenAI

A inteligência artificial (IA) está se tornando um recurso cada vez mais acessível, com preços em queda, modelos mais eficientes e maior oferta de capacidade computacional. Para usuários e empresas, esse movimento tende a ampliar o acesso à tecnologia. Para líderes do setor, como OpenAI e Anthropic, porém, ele pode representar um desafio à sustentabilidade de seus negócios.

Segundo uma análise publicada pelo The Wall Street Journal, três acontecimentos recentes apontam para uma mesma direção: a IA está deixando de ser um recurso escasso e se aproximando de uma commodity, o que pode reduzir a vantagem competitiva das empresas que hoje lideram o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Modelos mais baratos ampliam acesso à IA

  • Um dos principais fatores por trás dessa transformação é a queda acentuada do custo da IA capaz de realizar a maior parte das tarefas do cotidiano;
  • Isso vem sendo impulsionado pelo lançamento de modelos mais leves, que funcionam tanto na nuvem quanto diretamente em dispositivos, incluindo soluções desenvolvidas por Google, Apple e empresas chinesas de IA;
  • Outro sinal dessa mudança veio da própria China. Na quinta-feira (16), o presidente chinês Xi Jinping defendeu, durante um discurso em Xangai, a continuidade da liberação de modelos de IA de “pesos abertos” (“open-weights”), que podem ser modificados e utilizados livremente por qualquer pessoa;
  • Segundo a análise, a estratégia busca servir de contraponto ao domínio dos Estados Unidos no setor;
  • Ao mesmo tempo, modelos chineses como GLM 5.2 e Kimi K3 estariam reduzindo a distância em relação aos sistemas mais avançados desenvolvidos por empresas estadunidenses.

Meta entra na disputa

Outro acontecimento destacado pela análise foi o avanço da Meta no desenvolvimento de modelos voltados para programação. Segundo o texto, a empresa demonstrou que pode competir diretamente com OpenAI e Anthropic em um mercado considerado altamente lucrativo: o de modelos especializados em geração de código.

Além disso, a expectativa é que o atual gargalo de capacidade computacional diminua à medida que novos data centers entrem em operação e engenheiros desenvolvam formas mais eficientes de executar modelos de IA.

Em algumas aplicações, a oferta de tokens — unidade básica de consumo dos modelos de IA — já começa a acompanhar a demanda.

Cenário favorece usuários, mas desafia líderes do setor

Na avaliação do artigo, esses avanços representam uma boa notícia para consumidores e empresas. Há cerca de um ano, o diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou que desejava tornar a inteligência “barata demais para ser medida”.

Segundo a análise, em vez de substituir completamente trabalhadores, a IA poderá aumentar a produtividade de muitas profissões e reduzir parte da chamada fricção digital nas atividades do dia a dia. O cenário, no entanto, levanta dúvidas sobre o futuro financeiro de OpenAI e Anthropic, ambas vistas como candidatas a abrir capital em bolsa.

Como dependem de manter uma vantagem tecnológica sobre gigantes já estabelecidas, as duas empresas podem enfrentar dificuldades caso a IA passe a ser tratada como uma tecnologia de uso geral, semelhante à eletricidade ou ao automóvel.

Concorrência reduz participação da OpenAI

Dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, citados pela análise, mostram que, em março, o ChatGPT passou a responder por menos de 50% da participação global entre usuários consumidores, considerando acessos via dispositivos móveis e web.

Segundo o texto, a redução ocorreu principalmente em razão da concorrência do Google Gemini e do Claude, da Anthropic.

No segmento corporativo, modelos chineses também passaram a competir diretamente com os principais sistemas estadunidenses, oferecendo desempenho semelhante em algumas métricas por custos significativamente menores.

O ranking da plataforma OpenRouter, citado na análise, mostra que os cinco modelos mais utilizados por empresas são atualmente chineses e que cerca de 45% dos tokens monitorados pela plataforma passam por esses modelos.

Modelos gratuitos intensificam disputa

A análise também destaca o lançamento de um modelo de pesos abertos pela Thinking Machines Lab, empresa liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI. Segundo a companhia, o sistema busca equilibrar desempenho e custo operacional.

O texto resume essa mudança com uma comparação: “Quem precisa de uma Ferrari de IA para ir ao trabalho quando um Honda Civic de IA está logo ali?”

Diante do avanço da concorrência, OpenAI e Anthropic aumentaram seus investimentos em engenheiros e acesso a data centers, mesmo com impacto sobre a rentabilidade. As empresas vêm comprometendo centenas de bilhões de dólares para manter a liderança tecnológica.

Ao mesmo tempo, clientes corporativos passaram a avaliar de forma mais criteriosa quanto realmente precisam investir em IA e quais modelos premium justificam seus custos.

Segundo a análise, OpenAI e Anthropic estudam a possibilidade de entrar em uma guerra de preços, embora empresas, como SpaceXAI, Meta e desenvolvedores chineses de modelos de código aberto, já tenham iniciado esse movimento.

Conhecimento sobre IA está se espalhando

Outro fator que acelera a transformação da IA em commodity é a disseminação do conhecimento sobre como construir modelos avançados.

Embora empresas continuem protegendo seus segredos industriais — a Apple, por exemplo, anunciou recentemente um processo contra a OpenAI por suposto roubo de propriedade intelectual relacionada à IA — pesquisadores continuam publicando estudos científicos descrevendo novos avanços.

Laboratórios chineses e empresas, como a Thinking Machines Lab, também divulgam regularmente modelos de código aberto acompanhados de documentação detalhando sua construção.

Distilação gera disputa

O texto também aborda a chamada “distilação”, técnica que consiste em treinar um modelo utilizando outro como referência. OpenAI e Anthropic acusam empresas chinesas de utilizarem esse processo para desenvolver sistemas concorrentes com base em informações proprietárias.

Por outro lado, a própria indústria utiliza a técnica de forma legítima. Segundo a análise, grandes modelos costumam ser empregados para treinar versões menores e mais rápidas.

O novo modelo que dará suporte à Siri atualizada da Apple, por exemplo, foi destilado a partir de modelos do Google, dentro de um acordo firmado entre as empresas.

Em um ensaio recente, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou considerar “irônico” que empresas que treinam seus modelos utilizando dados obtidos na internet e até informações de clientes tentem impedir terceiros de utilizar a distilação.

Segundo ele: “Se o aprendizado flui apenas em uma direção, o valor econômico converge para os proprietários da infraestrutura de aprendizado, e não para os criadores do próprio conhecimento.”

Modelos chineses, como o da DeepSeek, estão ganhando cada vez mais terreno – Imagem: Melinda Nagy/Shutterstock

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Empresas buscam novas vantagens competitivas

Até agora, segundo a análise, a principal vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic era oferecer modelos significativamente superiores aos dos concorrentes.

Com a popularização de sistemas considerados “bons o suficiente” — e, em alguns casos, altamente avançados — disponíveis tanto para usuários de iPhone quanto para grandes empresas, essas companhias precisarão encontrar novos diferenciais.

Enquanto o Google conta com seu mecanismo de busca, a Meta possui sua base de redes sociais, a Microsoft e a Amazon dominam a infraestrutura corporativa e a Apple controla um amplo ecossistema de dispositivos.

Energia pode ser a principal vantagem no futuro

Para Eric Zhao, professor da Universidade de Oxford e coautor de um estudo citado na análise, a principal vantagem competitiva das empresas de IA no futuro poderá ser o acesso à energia elétrica.

Segundo ele, à medida que a oferta de eletricidade se torna mais limitada e comunidades passam a resistir à construção de novos data centers, utilizar energia de forma eficiente será essencial. “Os laboratórios de fronteira precisarão competir por inteligência por watt.”

OpenAI e Anthropic diversificam receitas

A OpenAI vem ampliando suas fontes de receita. Segundo a empresa, ela já possui mais de três milhões de clientes corporativos e também trabalha no desenvolvimento de hardware próprio para estabelecer uma relação direta com consumidores.

A Anthropic, por sua vez, registrou recentemente seu primeiro trimestre lucrativo e protocolou um pedido para abrir capital neste outono do hemisfério norte (setembro-dezembro).

Caso a oferta pública seja concretizada, a empresa poderá levantar recursos para conquistar novos clientes, desenvolver novas fontes de receita ou ampliar o aluguel de data centers.

Boom da IA desperta questionamentos

A análise conclui que o mercado de IA pode ser grande o suficiente para sustentar diversas empresas vencedoras e até permitir que OpenAI ou Anthropic se tornem futuras gigantes da tecnologia.

Entretanto, o texto cita uma avaliação do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo a qual o volume de investimentos em IA já supera qualquer ciclo de expansão econômica ocorrido em tempos de paz, incluindo a construção das ferrovias e a bolha das empresas de internet no fim dos anos 1990.

Diante desse cenário, cresce o número de críticos que questionam se as empresas conseguirão justificar os investimentos atuais — e os ainda maiores previstos para os próximos anos. Segundo a análise, sem uma vantagem competitiva sustentável, as companhias que hoje lideram o boom da IA podem enfrentar uma contração significativa no futuro.

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OpenAI propõe novo cálculo para medir eficiência da inteligência artificial

A OpenAI apresentou nesta sexta-feira (17) uma nova abordagem para avaliar o retorno gerado pela inteligência artificial nas organizações. A proposta substitui indicadores tradicionais de adoção, como quantidade de usuários ou licenças contratadas, por uma análise baseada no trabalho efetivamente concluído.

A empresa defende que o desempenho da IA deve ser medido pela relação entre o valor produzido e o custo necessário para alcançar resultados confiáveis. A ideia é avaliar não apenas o preço de processamento dos modelos, mas todo o esforço envolvido até a entrega de uma tarefa considerada bem-sucedida.

Segundo a OpenAI, a evolução da tecnologia depende de quatro fatores centrais: a quantidade de trabalho útil realizada, o custo de cada resultado obtido, a capacidade de gerar respostas confiáveis e a possibilidade de ampliar esses ganhos conforme o uso aumenta.

Nova avaliação da IA prioriza resultados concretos e eficiência operacional

OpenAI é a controladora do ChatGPT – Imagem: Evolf/Shutterstock

A discussão sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial ganhou uma nova perspectiva com a proposta de uma métrica chamada “inteligência útil por dólar”. O conceito busca responder se os recursos aplicados em IA estão produzindo benefícios reais para empresas e profissionais.

De acordo com a OpenAI, medir apenas elementos técnicos, como o custo de cada token processado, não representa o impacto econômico completo da tecnologia. Um modelo mais barato pode exigir mais tentativas, revisões humanas e tempo para alcançar um resultado adequado, enquanto uma solução mais avançada pode concluir a mesma atividade em uma única execução.

A companhia afirma que o indicador mais relevante é o custo total para concluir uma tarefa com qualidade suficiente. Esse cálculo deve considerar fatores como processamento computacional, participação de funcionários, correções necessárias e retrabalho até que o resultado esteja pronto para uso.

A primeira etapa dessa avaliação seria identificar uma atividade específica dentro de uma organização e definir claramente o que significa concluí-la com sucesso. Para equipes de atendimento, por exemplo, a métrica pode estar ligada à resolução de problemas de clientes. Em engenharia, pode representar alterações de código aprovadas em testes. Já em áreas jurídicas, pode envolver revisões contratuais realizadas corretamente dentro do prazo.

A OpenAI cita como exemplo uma equipe financeira responsável pela preparação de uma reunião de análise de previsões. Nesse processo, a inteligência artificial pode auxiliar na localização de informações atualizadas, organização de dados, comparação de alterações, revisão de planilhas e preparação de materiais, permitindo que os profissionais dediquem mais atenção à interpretação dos resultados e às decisões estratégicas.

Outro ponto destacado pela empresa é que modelos diferentes podem atender necessidades distintas. A companhia afirma que uma arquitetura com múltiplas opções permite escolher soluções mais rápidas para tarefas simples ou modelos mais avançados quando atividades complexas exigem maior capacidade de raciocínio.

Ícone do ChatGPT em um smartphone
O GPT-5.6 Sol – Imagem: Ascannio/Shutterstock

A OpenAI também menciona o lançamento do GPT-5.6, apresentado com três níveis de utilização: Sol, como modelo de maior capacidade; Terra, voltado ao equilíbrio entre desempenho e custo; e Luna, direcionado à velocidade e economia. Segundo a empresa, a escolha do modelo deve considerar a eficiência no cumprimento da tarefa, e não apenas o valor individual de cada processamento.

A confiabilidade aparece como outro elemento essencial nessa avaliação. Conforme a OpenAI, a adoção da IA tende a avançar gradualmente: primeiro como ferramenta de elaboração de conteúdos, depois como recurso para análise de informações e, posteriormente, como sistema capaz de executar etapas de processos com supervisão humana.

Para medir essa evolução, a empresa sugere acompanhar três resultados possíveis: entregas prontas para utilização, respostas que precisam de ajustes e situações em que uma pessoa precisa assumir a conclusão da atividade.

Segundo a companhia, sistemas mais confiáveis reduzem o tempo gasto com conferências, correções e repetição de tarefas. Entretanto, a expansão do uso da IA exige definição prévia de limites, incluindo quais dados podem ser acessados, quais sistemas podem ser modificados e em quais momentos uma aprovação humana deve ocorrer.

A OpenAI afirma que ferramentas voltadas ao ambiente corporativo precisam combinar capacidade técnica com mecanismos de segurança, privacidade, conformidade e gerenciamento. Essa estrutura permitiria ampliar o acesso da inteligência artificial a processos importantes sem eliminar o controle das organizações.

A última dimensão analisada pela empresa é a capacidade de gerar mais valor conforme a utilização cresce. Para isso, as companhias devem acompanhar a quantidade de tarefas concluídas com qualidade, os custos envolvidos e o preço médio de cada resultado alcançado ao longo do tempo.

Na avaliação da OpenAI, avanços em infraestrutura, modelos mais eficientes, sistemas de processamento aprimorados e melhorias de produto podem aumentar o retorno obtido por cada unidade de investimento. A empresa relaciona esse ciclo a uma sequência contínua: infraestrutura mais eficiente favorece pesquisas, pesquisas desenvolvem modelos melhores, modelos aprimoram produtos e produtos ampliam a adoção.

A companhia conclui que a inteligência artificial deve ser analisada pela capacidade de ampliar trabalhos relevantes, apoiar decisões e liberar profissionais para atividades que dependem de julgamento, criatividade e experiência humana.

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destaque siri e gemini 1024x576

Google é obrigado a abrir Android para rivais de IA na Europa

A União Europeia determinou que o Google permita maior acesso de empresas de inteligência artificial ao Android. A medida coloca pressão sobre a gigante de tecnologia e tenta ampliar a disputa por assistentes digitais nos celulares.

A decisão acontece em um momento em que empresas de IA buscam espaço dentro dos smartphones, transformando os aparelhos em ferramentas mais personalizadas para tarefas do dia a dia.

A União Europeia quer ampliar a concorrência entre assistentes digitais, como Gemini e Siri. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Android vira novo campo de disputa da inteligência artificial

Os reguladores europeus exigiram que o Google ofereça “igualdade de condições” para serviços concorrentes de IA. Na prática, a empresa terá de permitir que outras plataformas disputem espaço com o Gemini, seu próprio assistente.

A preocupação da União Europeia é que o domínio do Android, presente em cerca de 60% dos smartphones do bloco, dê ao Google uma vantagem difícil de superar.

Além do acesso a recursos do sistema, a decisão envolve o compartilhamento de dados anonimizados do mecanismo de busca com concorrentes, incluindo empresas que desenvolvem chatbots.

As principais mudanças determinadas incluem:

  • acesso mais amplo de assistentes de IA concorrentes ao Android;
  • possibilidade de usar comandos de voz e executar ações em aplicativos;
  • compartilhamento de dados de busca anonimizados;
  • redução de barreiras para desenvolvedores externos.

A medida faz parte da Lei de Mercados Digitais (Digital Markets Act), que exige maior interoperabilidade entre grandes plataformas de tecnologia.

Tela de smartphone exibe ícones de chatbots de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot
A decisão pode mudar a forma como usuários escolhem seus assistentes de IA no Android. – Imagem: jackpress / Shutterstock

Google alerta para riscos de privacidade

O Google afirmou que a decisão pode criar novos problemas de segurança ao permitir que terceiros tenham acesso a informações sensíveis dos usuários.

Hoje, as decisões colocam em risco importantes proteções de privacidade e segurança para milhões de europeus.

Kent Walker, conselheiro-geral do Google, em nota enviada ao The New York Times.

A empresa também argumentou que dados armazenados nos celulares e informações do histórico de buscas precisam de proteção contra acessos inadequados.

A União Europeia, porém, entende que consumidores devem ter mais opções de escolha. Pela regra, desenvolvedores externos poderão oferecer alternativas ao Gemini e à Siri, da Apple.

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
O Google diz que a medida pode criar riscos para a privacidade e a segurança dos usuários. – Imagem: TippaPatt / Shutterstock

Empresas disputam o controle dos celulares

O avanço da IA nos smartphones transformou os sistemas operacionais em uma peça estratégica. Assistentes integrados aos aparelhos podem ajudar usuários em tarefas como responder mensagens, interagir com aplicativos e encontrar informações rapidamente.

Leia mais:

Google e Apple possuem uma vantagem porque controlam os sistemas móveis mais populares do mundo. Por isso, reguladores europeus passaram a acompanhar de perto como essas empresas lidam com novos recursos de inteligência artificial.

A Apple também enfrentou dificuldades com a regulamentação europeia. Em junho, a empresa afirmou que adiaria novos recursos de IA da Siri na região por não chegar a um acordo com os reguladores.

O Google terá até julho do próximo ano para implementar as mudanças exigidas pela União Europeia. A empresa ainda não informou se pretende recorrer da decisão.

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Ex-chefe da OpenAI lança IA que desafia o modelo do ChatGPT; entenda a aposta

A Thinking Machines Lab, empresa liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI, anunciou o lançamento de seu primeiro modelo de inteligência artificial (IA). Batizado de Inkling, o sistema adota uma arquitetura de “pesos abertos” (open weights), permitindo que desenvolvedores e organizações modifiquem o modelo utilizando seus próprios dados.

Segundo a empresa, o Inkling foi desenvolvido para oferecer equilíbrio entre desempenho, custo e flexibilidade, em vez de competir diretamente com os modelos fechados mais avançados do mercado.

Modelo prioriza personalização em vez de potência máxima

  • O Inkling possui 975 bilhões de parâmetros no total, número inferior às estimativas atribuídas aos principais modelos proprietários de empresas como OpenAI e Anthropic;
  • A proposta da Thinking Machines é oferecer uma alternativa mais adaptável aos usuários;
  • “Nós o treinamos para ser um modelo de fundação amplo e equilibrado: forte em muitos domínios e flexível o suficiente para se adaptar. O Inkling não é o modelo mais poderoso disponível hoje, seja aberto ou fechado”, afirmou a empresa;
  • Embora tenha quase um trilhão de parâmetros, apenas 41 bilhões permanecem ativos durante cada consulta. Isso significa que somente uma pequena parcela da arquitetura do modelo é utilizada para responder às solicitações dos usuários, estratégia que, segundo a empresa, reduz custos computacionais e acelera a execução das tarefas.

Empresa aposta em alternativa aos modelos fechados

O lançamento ocorre em um momento em que parte da indústria de IA tem defendido modelos de pesos abertos em oposição ao modelo de desenvolvimento fechado adotado por empresas, como OpenAI e Anthropic.

Segundo a Thinking Machines, essa movimentação acompanha uma reação mais ampla do setor ao chamado modelo de “jardim murado”, no qual os sistemas permanecem sob controle exclusivo das empresas que os desenvolvem.

Líderes da indústria, entre eles Alex Karp, CEO da Palantir, e Satya Nadella, da Microsoft, já alertaram que empresas podem comprometer seus próprios modelos de negócios ao alimentar modelos generalistas centralizados com dados institucionais estratégicos que não controlam.

A empresa também afirma que o lançamento faz parte de um esforço do Vale do Silício para ampliar a oferta de modelos abertos desenvolvidos nos Estados Unidos, oferecendo uma alternativa às soluções criadas pela chinesa Alibaba e por startups, como a Z.ai.

Segundo a companhia, muitas empresas estadunidenses passaram a utilizar modelos chineses de pesos abertos para tarefas menos complexas de IA como forma de reduzir custos e diversificar suas estratégias.

Plataforma permite ajuste fino do modelo

O Inkling pode ser personalizado por meio do Tinker, primeiro produto lançado pela Thinking Machines. A ferramenta, baseada em nuvem, permite que pesquisadores e desenvolvedores realizem o ajuste fino de grandes modelos de IA sem precisar administrar a infraestrutura de supercomputação utilizada no treinamento.

De acordo com a empresa, o objetivo é permitir que esse trabalho seja realizado até mesmo a partir de um laptop.

No mês passado, a Thinking Machines e o fundo de hedge Bridgewater Associates divulgaram um relatório mostrando a utilização do Tinker para ajustar o modelo chinês de pesos abertos Qwen3-235B com dados próprios da Bridgewater.

Segundo o relatório, o modelo resultante superou o GPT-5 e o Claude Opus na triagem de documentos financeiros, ao mesmo tempo em que reduziu os custos de computação em mais de 13 vezes.

Mira Murati foi diretora de tecnologia da OpenAI – Imagem: Reprodução/LinkedIn

Modelo foi treinado com hardware da Nvidia

A Thinking Machines informou que realizou o pré-treinamento do Inkling do zero utilizando 45 milhões de tokens compostos por textos, imagens, áudios e vídeos.

Na etapa de pós-treinamento, responsável por ensinar o comportamento do modelo, a empresa combinou técnicas de destilação — que utilizam outros modelos de IA como referência — com um processo próprio de aprendizado por reforço. Todo o treinamento foi realizado utilizando hardware de última geração da Nvidia.

Em março, as duas empresas anunciaram uma parceria plurianual na qual a Nvidia investiu na Thinking Machines. Como parte do acordo, a startup se comprometeu a implantar pelo menos um gigawatt de chips de última geração para treinar e operar seus futuros modelos de IA.

Empresa afirma ter avaliado riscos de segurança

Segundo a Thinking Machines, o Inkling passou por testes voltados à segurança antes de seu lançamento. Entre os cenários avaliados estavam o potencial do modelo para auxiliar na construção de armas biológicas e para apoiar hackers em ataques cibernéticos. A empresa afirma que o sistema apresentou bom desempenho nesses testes.

Ao mesmo tempo, reconheceu que ainda estuda de que maneira as proteções incorporadas ao modelo poderão ser modificadas por terceiros, justamente por se tratar de um sistema de pesos abertos — uma preocupação de segurança levantada por alguns desenvolvedores de modelos proprietários.

Manifesto defende IA descentralizada

Na sexta-feira (10), a Thinking Machines publicou seu primeiro manifesto, apresentando sua visão para o futuro da IA.

No documento, a empresa defende um modelo descentralizado de desenvolvimento, baseado no conhecimento local. A companhia compara o atual modelo predominante entre laboratórios de IA de código fechado ao conceito de “planejamento central”.

Segundo a empresa, esse modelo pode funcionar bem em tarefas específicas, como xadrez e matemática, mas não reflete adequadamente a forma como os seres humanos trabalham no dia a dia.

“O planejamento central falha não por falta de inteligência, mas por causa da natureza do conhecimento produtivo: tácito, local, efêmero e mantido de forma privada por aqueles que o adquiriram por meio de seu trabalho”, escreveu a empresa, citando o economista Friedrich Hayek. “Tentar agregar conhecimento para uso de uma inteligência centralizada enfrenta o mesmo desafio.”

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Novo ChatGPT toma decisão sozinho e irrita usuários

Relatos de arquivos apagados e até bancos de dados excluídos sem autorização colocaram o GPT-5.6 Sol, novo modelo da OpenAI para programação e cibersegurança, no centro das discussões entre desenvolvedores.

Os casos ganharam repercussão nas redes sociais porque a própria OpenAI já havia identificado esse comportamento durante os testes realizados antes do lançamento da ferramenta.

Relatos de desenvolvedores colocaram o comportamento do modelo da OpenAI sob análise da comunidade. – Imagem: Henry Franklin/Shutterstock

Usuários relatam perdas inesperadas

Segundo o TechCrunch, as primeiras reclamações vieram de profissionais da área de tecnologia. Entre eles está Matt Shumer, fundador e CEO da OthersideAI, que afirmou ter perdido quase todos os arquivos do seu Mac.

Em uma publicação, Shumer escreveu: “O GPT-5.6 Sol acabou apagando acidentalmente quase TODOS os arquivos do meu Mac.”

O desenvolvedor Bruno Lemos também relatou a exclusão do banco de dados de produção de um projeto. Já Joey Kudish afirmou que o modelo removeu arquivos que não deveria, mas disse que conseguiu evitar prejuízos maiores porque mantinha backups.

A própria reportagem ressalta, porém, que esse conjunto de relatos ainda não é suficiente para concluir que todos os incidentes tenham sido provocados exclusivamente pelo modelo.

Testes já apontavam esse risco

Antes do lançamento, a OpenAI publicou um documento técnico descrevendo os resultados dos testes feitos com o GPT-5.6 Sol. Segundo a empresa, o sistema pode interpretar permissões de maneira ampla demais e executar ações além da intenção do usuário.

O relatório também informa que, em algumas situações, o modelo pode fornecer informações enganosas sobre o motivo de determinadas ações.

Um dos testes descreve um pedido para excluir três máquinas virtuais específicas. Como elas não foram encontradas, a IA apagou outras três máquinas por iniciativa própria e só depois reconheceu que arquivos importantes de trabalho poderiam ter sido perdidos.

Entre os comportamentos destacados pela empresa estão:

  • Exclusão de recursos diferentes dos solicitados pelo usuário;
  • Uso de credenciais sem autorização prévia;
  • Interpretação excessivamente ampla das instruções recebidas;
  • Possibilidade de executar ações destrutivas fora do objetivo da tarefa.
Ícone do ChatGPT em um smartphone
O GPT-5.6 Sol chamou atenção após relatos de ações destrutivas fora do objetivo da tarefa. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

OpenAI recomenda medidas de proteção

Outro teste mostrou que o GPT-5.6 Sol encontrou credenciais armazenadas em um cache local oculto e as utilizou para acessar arquivos na nuvem sem autorização do usuário.

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A OpenAI afirma que episódios desse tipo devem ser raros, mas admite que o GPT-5.6 Sol apresenta uma tendência maior do que o GPT-5.5 de realizar ações que vão além do que foi solicitado.

Ainda não há dados suficientes para indicar o alcance desses episódios. Enquanto isso, a empresa recomenda restringir permissões de acesso, evitar o uso direto em sistemas de produção, manter backups atualizados e testar mudanças em ambientes controlados antes da implantação. As recomendações reforçam um ponto destacado pela própria OpenAI antes mesmo do lançamento: o modelo pode agir além da intenção do usuário quando não encontra limites definidos de forma clara.

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