O Google anunciou nesta quinta-feira (12) o lançamento do Groundsource, uma metodologia baseada em inteligência artificial que promete fechar um “buraco” histórico na previsão de desastres naturais: as enchentes repentinas. Diferente das cheias de rios, que são mais graduais, essas enchentes urbanas são notoriamente difíceis de prever por falta de dados históricos de alta qualidade.
Para resolver isso, a gigante das buscas recrutou o Gemini. A IA analisou milhões de relatórios públicos e artigos de notícias dos últimos 20 anos, identificando mais de 2,6 milhões de eventos de inundação em 150 países para treinar um novo modelo de previsão.
Inteligência artificial onde o radar não alcança
O grande trunfo do Groundsource é transformar linguagem em dados geoespaciais. Segundo o Google, o Gemini “leu” cerca de 5 milhões de notícias para isolar relatos de enchentes, que foram cruzados com dados do Google Maps para determinar limites geográficos precisos.
Essa base de dados permitiu treinar um modelo capaz de prever riscos em áreas urbanas com 24 horas de antecedência. A novidade já está integrada ao Flood Hub, plataforma da empresa que já monitora cheias ribeirinhas para mais de 2 bilhões de pessoas.
A iniciativa é especialmente valiosa para regiões que não possuem infraestrutura cara de sensores meteorológicos ou radares de alta precisão. “Estamos agregando milhões de relatórios para extrapolar para áreas onde não há tanta informação disponível”, afirmou Juliet Rothenberg, gerente de programa da equipe de Resiliência do Google, ao site Engadget.
Limitações e o futuro da resiliência global
Apesar do avanço, a tecnologia ainda enfrenta desafios técnicos. Conforme reportado pelo Engadget, o modelo atual identifica riscos em áreas de 20 quilômetros quadrados, o que é menos preciso do que sistemas que utilizam radares locais em tempo real (como o serviço meteorológico dos EUA). Por não integrar dados de precipitação instantânea de radar, ele funciona mais como um indicador de probabilidade do que um rastreador de chuva em tempo real.
Ainda assim, o impacto prático já começou. Parceiros humanitários relataram que a ferramenta ajudou na resposta rápida a eventos localizados.
O que vem por aí:
Código aberto: o Google está disponibilizando o conjunto de dados como um benchmark aberto para que cientistas e agências de emergência possam escalar o impacto.
Novas fronteiras: a mesma lógica de usar o Gemini para “minerar” relatórios públicos pode ser aplicada no futuro para prever ondas de calor e deslizamentos de terra.
A Ucrâniaanunciou que começará a compartilhar dados coletados no campo de batalha com países aliados para ajudar no treinamento de sistemas de inteligência artificial (IA) voltados para drones militares. A iniciativa foi confirmada pelo ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, e faz parte da estratégia de Kiev para ampliar o uso de tecnologias autônomas no conflito contra a Rússia.
Segundo Fedorov, a Ucrânia acumulou um volume significativo de informações ao longo dos quatro anos da guerra contra os russos, incluindo registros visuais captados durante operações com drones. Esses dados agora serão utilizados para treinar modelos de IA capazes de reconhecer padrões, identificar alvos e analisar o comportamento de equipamentos e pessoas em cenários de combate.
De acordo com o ministro, o país criou uma plataforma específica para compartilhar essas informações de forma segura, permitindo que os parceiros desenvolvam algoritmos sem acesso direto a conteúdos considerados sensíveis.
Em mensagem publicada no Telegram, Fedorov afirmou que a Ucrânia reúne um banco de dados único, com milhões de imagens obtidas durante dezenas de milhares de missões de drones. O sistema vai disponibilizar aos aliados conjuntos de dados atualizados continuamente.
A expectativa do governo é que a colaboração acelere o desenvolvimento de tecnologias baseadas em IA que possam ser usadas diretamente no campo de batalha contra a Rússia. Para Kiev, a cooperação também pode resultar em novas soluções tecnológicas que reforcem a capacidade militar do país.
“Na guerra moderna, precisamos superar a Rússia em todos os ciclos tecnológicos”, escreveu o ministro, destacando que a IA se tornou uma das áreas centrais dessa disputa.
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky já havia alertado sobre os perigos da IA na guerra (Imagem: miss.cabul/Shutterstock)
Guerra na Ucrânia acelerou avanço tecnológico
Desde o início da guerra na Ucrânia, o país investe em tecnologia de drones e sistemas automatizados – e, hoje, é um dos principais laboratórios de inovação nesse setor.
O volume de dados gerado durante o conflito acabou se tornando um recurso valioso para o desenvolvimento de novas aplicações de IA. Para empresas e governos estrangeiros, esses dados oferecerem exemplos reais de situações de combate.
Segundo a Reuters, a decisão do ministro da Defesa também busca reforçar o apoio político e militar internacional à Ucrânia, que tenta manter o fluxo de financiamento e assistência no quinto ano da guerra.
Ao mesmo tempo, o uso crescente de tecnologias autônomas tem alimentado debates sobre o papel da inteligência artificial em conflitos armados. Em setembro do ano passado, o presidente Volodymyr Zelensky alertou líderes mundiais durante a Assembleia Geral da ONU sobre o risco de uma escalada tecnológica envolvendo drones e IA.
Além da Ucrânia, a tecnologia também tem sido aplicada na guerra do Irã. Nesta semana, os Estados Unidos confirmaram que usam IAs avançadas em atividades militares. Saiba mais aqui.
Na última terça-feira (10), a Microsoft divulgou um comunicado para informar que seu software de IA, o Copilot, será reformulado para melhor atender demandas sobre a saúda humana, trazidas pelos usuários. A decisão decorre após a companhia analisar vários históricos de conversas com o chatbot e perceber que o tópico “saúde” é o mais recorrente.
Segundo a publicação, a empresa informa que os usuários utilizam o Copilot para buscar informações sobre doenças, condições de saúde, e para tomar decisões difíceis na família. Para chegar a este parecer, foram analisadas mais de meio milhão de conversas dos usuários.
Sobre uma possível violação da privacidade dos internautas — ao analisar os históricos de interação com o chatbot — a Microsoft diz que “adotamos uma abordagem rigorosa de preservação da privacidade. Todas as conversas são desidentificadas na fonte […]. Nenhum humano lê as conversas dos usuários como parte desse processo.”
Para quem tem pressa:
A Microsoft lançou, em fase beta, o Copilot Health;
Os usuários que tem acesso adiantado à funcionalidade poderão utilizá-la para obter uma leitura contextual sobre relatórios médicos enviados ao chatbot;
Contudo, o compartilhamento de informações pessoais gera dúvidas quanto à privacidade dos usuários;
Respostas incorretas sobre condições de saúde, provenientes de interações anteriores com outros chatbos alimentados por IA, também deixam os internautas desconfiados quanto a esta nova função do Copilot.
É seguro compartilhar dados de saúde com o Copilot da Microsoft?
Copilot em um tablet (Imagem: Azulblue / Shutterstock.com)
Se qualquer usuário pesquisar rapidamente na internet, encontrará matérias (em vários idiomas) em jornais de peso que explicam porque o compartilhamento de dados pessoais com chatbos é uma má ideia.
Os motivos para especialistas em segurança digital desaprovarem esse comportamento é pautado por diferentes motivos, como:
Não há garantia de que os dados compartilhados não serão vazados em ataques cibernéticos: reportagem do The Guardian e Malwarebytes;
Chatbots e as empresas por trás deles não exatamente colaboram para o bem-estar do usuário ou das pessoas em volta deles: reportagem do The Verge;
Riscos em se expor a informações incorretas e perigosas: matéria do The Guardian;
Os dados enviados podem ser utilizados para treinar softwares de inteligência artificial: análise da Universidade de Stanford.
Apesar do consenso da comunidade de Tecnologia da Informação, a Microsoft deseja reformular o Copilot para fazer diferente: com a nova atualização, os usuários poderão compartilhar dados pessoais sobre sua saúde e obter leituras específicas da IA baseada nas informações cedidas.
A nova funcionalidade se chamará Copilot Health e pode ser acessada dentro da própria plataforma do chatbot. Contudo, será disponibilizada aos poucos para diferentes usuários que se inscreveram numa lista de espera; desta forma, o lançamento público mundial ocorrerá em algum momento no futuro.
O intuito do novo sistema é que o usuário forneça detalhes sobre a sua saúde dentro da plataforma, mas, também, que envie outras informações disponíveis em servidores paralelos. Por exemplo, será possível coletar dados por um smartwatch e enviá-los para o Copilot Health a fim de obter uma leitura específica sobre a condição de saúde do usuário, mesclando o relatório com dados outrotra compartilhados no chatbot.
Contudo, essa ultra-exposição de dados de saúde já causou problemas no passado. Uma reportagem da Fortune, publicada em 07 de março deste ano, detalha como o uso da IA pode contribuir para o aumento de sintomas delirantes e de mania em alguns usuários com saúde mental já comprometida.
Vale destacar que a Microsoft não é a única empresa detentora de uma IA que estuda como implementar essa tecnologia de “aliada à saúde humana”. A OpenAI e Anthropic já iniciaram testes para avaliar como seus respectivos chatbos podem ser aprimorados para oferecer melhores feedbacks sobre a saúde dos usuários.
Reportagens anteriores, como esta da NBC News, mostra que os chatbots alimentados por IA podem ser úteis para responder perguntas generalistas sobre saúde, mas que em contextos mais complexos, dão análises preocupantes.
Interações longas com chatbots podem aumentar os riscos de delírios (Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock)
Quando oficialmente lançado, os usuários verão algo como uma aba chamada Health (“saúde” em inglês), na qual poderão criar um perfil após responder perguntas-base sobre idade, sexo, dentre outras. Então, será possível compartilhar relatórios médicos e dados obtidos por dispositivos como Apple Watch, Fitbit e monitores de sono como o Oura.
Após o envio das informações, os internautas devem mandar prompts de comando (por texto) para o chatbot avaliar a situação baseada nos dados de saúde recebidos. Ademais, os usuários ainda podem fazer afirmações, como “não tenho dormido bem”, para obter uma leitura baseada nos registros médicos compartilhados com a inteligência artificial.
Segundo o jornal The New York Times, o chatbot também pode gerar um resumo final com os principais problemas de saúde aos quais o usuário deve prestar atenção, como privação de sono, diabetes e pouca atividade física.
Eventualmente, a Microsoft deve cobrar uma assinatura para a utilização da ferramenta, mas os possíveis valores ainda não foram divulgados.
A Perplexity anunciou, nesta semana, o Personal Computer. É um sistema agêntico de inteligência artificial (IA) que funciona dentro do Mac Mini, “CPU” da Apple. No estilo OpenClaw mesmo.
O anúncio da empresa reforça uma transição tecnológica: a IA deixa de ser uma interface de conversa para se tornar um sistema capaz de gerenciar e controlar arquivos e aplicativos pessoais de forma constante num computador.
Apresentada na conferência Ask na quarta-feira (11), em São Francisco (EUA), o Personal Computer expande a plataforma de nuvem da empresa para criar um “trabalhador digital”.
A tecnologia une o raciocínio de múltiplos modelos de IA de ponta ao acesso a dados locais. Assim, permite que o sistema automatize tarefas complexas que, até então, exigiam intervenção humana constante.
Perplexity Personal Computer: o agente autônomo e o controle de arquivos locais
O diferencial do Personal Computer da Perplexity é seu caráter agêntico aplicado ao contexto local do usuário. Enquanto IAs tradicionais apenas respondem a perguntas, um software agêntico compreende objetivos gerais e toma decisões para concluir tarefas de forma autônoma.
Na prática, o novo sistema da empresa funciona como um procurador digital (proxy) que orquestra ferramentas e documentos em nome do usuário a partir de qualquer aparelho.
Para funcionar, a ferramenta exige um Mac mini que deve permanecer ligado 24 horas por dia e conectado aos servidores da empresa.
Essa configuração permite que a IA manipule documentos físicos, como organizar pastas de fotos ou redigir e-mails para investidores, enquanto o processamento pesado ocorre na nuvem. Assim, os arquivos permanecem no dispositivo do usuário. E a execução da tarefa é contínua.
A segurança é tratada por meio de camadas de proteção técnica. O sistema opera cada consulta num “sandbox”, ambiente isolado que protege a integridade dos dados privados contra falhas.
Além disso, o usuário conta com um “kill switch” (mecanismo de desligamento imediato) e a exigência de aprovação manual para ações sensíveis. Isso garante que o controle final nunca saia das mãos do proprietário.
O uso de Mac minis para hospedar agentes de IA ganhou força com o projeto de código aberto OpenClaw. Mas a Perplexity busca se diferenciar pela estabilidade. A empresa posiciona sua solução como uma alternativa mais segura em comparação a ferramentas experimentais.
Atualmente, o Personal Computer está disponível apenas via lista de espera. A empresa informou que usuários do plano Perplexity Max, o mais caro, terão prioridade no acesso antecipado ao novo sistema.
Yann LeCun, figura central na área de inteligência artificial (IA) e um dos laureados com o Prêmio Turing, anunciou o lançamento de sua mais recente empreitada: a startup Advanced Machine Intelligence (AMI). A nova empresa de IA conseguiu investimento inicial de pouco mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).
O anúncio da AMI foi feito por LeCun em suas redes sociais na terça-feira (10). O objetivo principal da startup é desenvolver sistemas de IA mais robustos e seguros, que sejam capazes de tomar decisões mais informadas, aproveitando dados provenientes de fontes, como câmeras e sensores.
Unveiling our new startup Advanced Machine Intelligence (AMI Labs). We just completed our seed round: $1.03B / 890M€, one the largest seeds ever, probably the largest for a European company. We’re hiring!
[the background image is the Veil Nebula – a picture I took from my… https://t.co/voyuA5nwiL
A AMI propõe uma abordagem inovadora para o treinamento de sistemas de IA;
Em vez de depender majoritariamente de comandos de texto, conhecidos como text prompts, a startup foca na construção de “modelos de mundo“;
Estes modelos, explicados no próprio site da empresa, são sistemas de IA que aprendem diretamente a partir de dados do mundo real;
Isso significa que, ao coletar informações de sensores e câmeras, a AMI busca criar IAs que antecipem, com maior precisão, as consequências de suas ações;
Essa capacidade de previsão aprimorada é vista como um passo fundamental para aumentar a segurança e a confiabilidade das aplicações de IA.
LeCun já ganhou o Prêmio Turing (Imagem: Darshika Maduranga/Shutterstock)
Para liderar essa iniciativa, a AMI já realizou contratações estratégicas. O empreendedor de IA Alex LeBrun foi nomeado CEO da companhia, enquanto Saining Xie, um pesquisador com experiência na Meta e Google, assumiu o cargo de Diretor Científico.
A iniciativa de LeCun recebeu elogios do presidente francês, Emmanuel Macron. Em uma publicação no X, Macron afirmou que LeCun “abre um novo capítulo na inteligência artificial” com a fundação da AMI, e adicionou: “Esta é a França dos pesquisadores, dos construtores e dos audaciosos. Bravo!”
Yann Le Cun ouvre une nouvelle page de l’intelligence artificielle. C’est la France des chercheurs, des bâtisseurs et des audacieux. Bravo ! https://t.co/hVxMMFoabJ
Yann LeCun, cientista franco-estadunidense, é uma figura proeminente no campo da IA. Em 2018, ele foi agraciado com o Prêmio Turing, considerado o mais prestigioso da ciência da computação, juntamente com os pesquisadores Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio.
O prêmio reconheceu o trabalho pioneiro do trio no deep learning (aprendizado profundo), um tipo de IA que identifica padrões em grandes volumes de dados.
A estrutura operacional da AMI será distribuída globalmente, com escritórios e equipes atuando em regiões estratégicas, como Paris (França), Nova York (EUA), Montreal (Canadá) e Singapura, reforçando a ambição de impacto internacional da startup.
O governo do Irã divulgou nesta quinta-feira (12) um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que provoca o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à guerra entre os dois países. A peça foi publicada nas redes sociais pelo perfil da Embaixada do Irã em Haia e faz referências ao filme Divertidamente, além de citar a relação de Trump com Jeffrey Epstein.
O vídeo foca no bombardeio contra uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã, que deixou cerca de 170 mortos, a maioria crianças. O episódio se tornou um dos pontos mais controversos do conflito. Irã e Estados Unidos trocam acusações sobre quem foi responsável pelo ataque, embora uma investigação militar norte-americana tenha indicado preliminarmente que o próprio Exército dos EUA pode ter realizado o bombardeio.
— ☫ Iran Embassy in The Hague, The Netherlands (@IRAN_in_NL) March 12, 2026
Ao fim do vídeo, vemos o título em inglês do filme (Inside Out) e “Epstein’s Client”, ou “Cliente de Epstein”.
Vídeo usa referência a Divertidamente para criticar Trump
No vídeo divulgado por Teerã, Trump aparece em uma coletiva de imprensa sendo questionado por repórteres sobre o ataque à escola. Na cena, o presidente afirma que os Estados Unidos não miram civis, argumento que ele e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, vêm repetindo publicamente nos últimos dias.
A narrativa então muda para uma sequência inspirada no universo do filmeDivertidamente. A câmera entra na cabeça do presidente e mostra personagens semelhantes a demônios, que incentivam o líder norte-americano a mentir para a imprensa.
Essas figuras pressionam um botão identificado como “mentira”, que aparece ao lado de outros controles com as palavras “matar” e um globo com a inscrição “Epstein”. A referência faz alusão ao escândalo envolvendo o empresário Jeffrey Epstein.
Após essa sequência, a cena retorna à coletiva. O Trump do vídeo então declara que os Estados Unidos não possuem mísseis Tomahawk e afirma que “os EUA se importam profundamente com o povo iraniano”.
Propaganda de guerra iraniana “entra” na mente de Donald Trump como referência ao fime da Pixar Divertidamente (Imagem: Reprodução / X)
Propaganda digital marca disputa narrativa da guerra
O material divulgado pela diplomacia iraniana faz parte de uma estratégia de comunicação do regime em meio ao conflito. Nos últimos dias, Teerã também publicou outro vídeo com tom provocativo, dessa vez utilizando elementos do universo Lego para ironizar os Estados Unidos.
A disputa por narrativa ocorre nas redes sociais e envolve os dois lados do conflito. O governo de Donald Trump também tem compartilhado vídeos e mensagens online que ridicularizam o Irã durante a guerra.
O ataque à escola em Minab permanece como um dos episódios mais sensíveis da guerra entre os dois países, com investigações e acusações cruzadas sobre quem seria o responsável pela tragédia.
Prepare-se para uma nova forma de interação com o Google Maps. O Google começou a implementar uma funcionalidade chamada “Ask Maps” (“Pergunte ao Maps”, em tradução livre), que integra a tecnologia de inteligência artificial Gemini ao aplicativo de navegação. A proposta é permitir que usuários façam perguntas mais complexas, além das buscas tradicionais por rotas ou endereços.
A novidade faz parte de um movimento mais amplo da empresa para ampliar o uso de IA em seu portfólio de produtos. Segundo o Google, a ideia é diferenciar o Gemini de possíveis concorrentes e manter os usuários utilizando seus serviços por mais tempo.
O “Ask Maps” chega levando IA ao Google Maps (Imagem: Divulgação / Google)
Como funciona o “Ask Maps” com a tecnologia Gemini
A vice-presidente do Google Maps, Miriam Daniel, explicou em uma publicação no blog da empresa que o recurso aparece como um novo botão dentro do aplicativo. Ao tocá-lo, o usuário pode conversar com um chatbot para fazer perguntas que vão além das consultas tradicionais de navegação.
Entre os exemplos citados pela empresa estão questões como: “Meu celular está acabando a bateria — onde posso carregá-lo sem precisar esperar muito na fila de um café?” ou “Existe uma quadra pública de tênis com iluminação onde eu possa jogar hoje à noite?”.
As respostas são personalizadas com base em pesquisas anteriores e viagens salvas no Google Maps, o que, segundo a empresa, ajuda a transformar planos em ações com mais facilidade.
Em comunicado, o Google afirmou que o Maps está passando por uma transformação mais ampla.
“O Google Maps está mudando fundamentalmente o que um mapa pode fazer. Ao reunir o mapa mais atualizado do mundo com nossos modelos Gemini mais capazes, estamos transformando a exploração em uma conversa simples e tornando a direção mais intuitiva do que nunca com nossa maior atualização de navegação em mais de uma década.”
Estratégia do Google para ampliar o uso de IA
A integração do Gemini ao Maps faz parte da estratégia do Google de incorporar inteligência artificial em diferentes produtos da empresa. A iniciativa busca fortalecer o posicionamento da tecnologia diante da concorrência e aumentar o tempo de uso das plataformas do grupo.
Com mais de 2 bilhões de usuários mensais, o Google Maps é atualmente o aplicativo de navegação mais utilizado no mundo. O serviço completou 20 anos no ano passado.
Google Maps é o aplicativo de navegação mais usado no mundo (Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)
O Ask Maps começou a ser disponibilizado nesta quinta-feira para usuários nos Estados Unidos e na Índia, em dispositivos Android e iOS. A empresa informou que uma versão para desktop deve chegar em breve.
Durante uma conversa com jornalistas antes do anúncio, executivos do Google disseram que o novo recurso não inclui anúncios neste momento, embora a possibilidade não esteja descartada para o futuro.
“Neste momento, estamos muito focados em lançar isso para nossos usuários e oferecer uma ótima experiência”, afirmou Andrew Duchi, diretor de gerenciamento de produto do Google.
Atualmente, o Google Maps gera receita principalmente por meio da venda de publicidade e de posicionamentos promovidos para empresas. O Google também cobra de companhias que utilizam APIs de mapas e dados de localização em seus próprios produtos.
Mesmo assim, o serviço historicamente é visto como um dos produtos menos monetizados da empresa, segundo Brian Nowak, analista do Morgan Stanley, em entrevista à CNBC.
Nos últimos anos, a unidade tem buscado novas formas de aumentar a receita. Entre as iniciativas está o licenciamento de novos conjuntos de dados de mapeamento, que podem ser utilizados por empresas no desenvolvimento de produtos, incluindo projetos ligados à energia renovável.
O Ministério da Defesa da China disparou um alerta aos Estados Unidos: o uso militar irrestrito da inteligência artificial (IA) pode empurrar a civilização para um cenário de perda de controle tecnológico. “Uma distopia retratada no filme americano O Exterminador do Futuro poderia um dia se tornar realidade”, disse o coronel sênior Jiang Bin, porta-voz do Ministério da Defesa Nacional da China, na quarta-feira (11).
O aviso veio quando Jiang Bin foi questionado sobre o impasse entre o governo de Donald Trump e o setor de tecnologia em relação à automatização de ataques letais e ao uso de ferramentas digitais em conflitos mundo afora.
Enquanto Pequim critica a militarização de algoritmos como uma violação da soberania de outras nações, o Pentágono acelera a integração dessas tecnologias em suas operações militares internacionais.
IA na guerra: o dilema da autonomia e a soberania digital
Como resposta, o governo americano baniu o Claude, modelos de IA da empresa, de seus fornecedores. E autorizou o uso do sistema Grok, de Elon Musk, em operações executadas em ambientes sigilosos.
Para a China, o objetivo americano é utilizar a IA para a vigilância em massa e a automatização de bombardeios. Segundo a imprensa americana, modelos de IA já foram aplicados no planejamento de ofensivas contra o Irã e a Venezuela.
Para a China, o objetivo americano é utilizar a IA para a vigilância em massa e a automatização de bombardeios (Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital)
O temor chinês é que a tecnologia passe a decidir sobre a vida e a morte de seres humanos, influenciando decisões estratégicas que deveriam ser estritamente políticas.
O porta-voz chinês, Jiang Bin, alerta para o perigo da “fuga tecnológica”, quando sistemas operam fora do controle de seus criadores. Ele destaca que a dependência excessiva de algoritmos pode anular a responsabilidade humana em períodos de guerra.
Para conter essa escalada, a China propõe que a Organização das Nações Unidas (ONU) centralize uma governança multilateral sobre a IA.
“A China trabalhará com outras nações para avançar na governança multilateral da IA com a centralidade da ONU, fortalecer a prevenção e o controle de riscos, e garantir que a IA sempre se desenvolva em uma direção favorável ao progresso da civilização humana”, afirmou o porta-voz, segundo comunicado publicado pelo Ministério da Defesa da China.
A intenção é criar regras globais para impedir que a militarização desenfreada de códigos matemáticos corroa os fundamentos da ética internacional.
A base dessa proposta é o princípio da “primazia humana”. “Defendendo uma abordagem centrada nas pessoas e o princípio da ‘IA para o bem’, a China acredita que a primazia humana deve ser mantida nas aplicações militares da IA, e que todos os sistemas de armas relevantes devem estar sob controle humano”, disse Jiang Bin.
A ideia é garantir que a tecnologia contribua para o progresso da civilização. E evitar que a automação transforme o campo de batalha num território onde a humanidade perdeu o direito de intervir.
(Essa matéria também usou informações de AFP, via G1.)
A Meta anunciou nesta quarta-feira (11) uma nova geração de chips próprios voltados para inteligência artificial (IA). Ao todo, são quatro modelos desenvolvidos internamente pela empresa para tarefas específicas relacionadas ao processamento de IA em seus data centers.
Os componentes fazem parte da família Meta Training and Inference Accelerator (MTIA), cuja primeira versão foi apresentada publicamente em 2023 e ganhou uma segunda geração em 2024. Segundo a companhia, os novos chips integram os planos de expansão de infraestrutura para suportar a crescente demanda por processamento de IA.
Meta anunciou novos chips próprios para seus data centers (Imagem: Divulgação / Meta)
Nova geração de chips MTIA
De acordo com Yee Jiun Song, vice-presidente de engenharia da Meta, os chips foram projetados pela própria empresa e são fabricados pela Taiwan Semiconductor. A estratégia permite otimizar a relação entre desempenho e custo dentro dos data centers da companhia.
Além disso, o desenvolvimento interno amplia as opções de fornecimento de silício. “Isso também nos oferece mais diversidade em termos de suprimento e nos protege, até certo ponto, contra mudanças de preços”, afirmou Song.
O primeiro modelo dessa nova geração, chamado MTIA 300, começou a ser utilizado há algumas semanas. O chip é voltado ao treinamento de modelos menores de IA, responsáveis por funções centrais nas plataformas da empresa, como sistemas de ranking e recomendação de conteúdo.
Esses sistemas ajudam a determinar quais publicações e anúncios aparecem para os usuários em aplicativos como Facebook e Instagram.
Chips foram projetados pela própria Meta e fabricados pela Taiwan Semiconductor (Imagem: Divulgação / Meta)
Chips focados em IA generativa
Os próximos modelos da série — MTIA 400, MTIA 450 e MTIA 500 — terão foco em tarefas mais avançadas de inferência em IA generativa. Entre os usos previstos estão sistemas capazes de criar imagens e vídeos a partir de comandos em texto.
Segundo Song, esses chips não serão utilizados para treinar grandes modelos de linguagem (LLMs). A empresa informou em uma publicação no blog oficial que concluiu os testes do MTIA 400 e está se preparando para implantá-lo em seus data centers.
Já os modelos MTIA 450 e MTIA 500 devem entrar em operação até 2027. A Meta pretende manter um ritmo acelerado de desenvolvimento, com novos chips sendo lançados aproximadamente a cada seis meses.
“É incomum que qualquer empresa de silício lance um novo chip nesse intervalo”, disse Song. “Mas estamos expandindo capacidade muito rapidamente e investindo muito em CapEx, então queremos sempre implantar o chip mais avançado disponível.”
A empresa estima que cada chip terá uma vida útil superior a cinco anos.
A estimativa da Meta é que a vida útil dos novos chips supere cinco anos (Imagem: Divulgação / Meta)
O investimento em IA também envolve a expansão da infraestrutura física da Meta. Entre os projetos mencionados estão um grande data center na Louisiana e outras duas unidades nos estados de Ohio e Indiana.
A empresa também avalia alugar espaço no complexo Stargate, no Texas, após mudanças nos planos de expansão do local por parte de OpenAIe Oracle, segundo informações da Bloomberg citadas no texto original.
Assim como outras gigantes de tecnologia, a Meta busca alternativas às GPUs de alto custo e oferta limitada produzidas por Nvidia e AMD. Uma das estratégias é o desenvolvimento de ASICs (circuitos integrados específicos para aplicações), chips projetados para executar tarefas específicas com menor custo.
No entanto, o plano também enfrenta desafios ligados ao fornecimento de componentes. Os futuros chips MTIA usarão mais HBM (memória de alta largura de banda), essencial para tarefas de IA generativa.
A demanda crescente por IA tem provocado escassez global desse tipo de memória, o que pode impactar a cadeia de suprimentos. “Estamos absolutamente preocupados com o fornecimento de HBM”, afirmou Song, acrescentando que a empresa acredita ter garantido os volumes necessários para seus planos atuais.
Os chips MTIA são utilizados exclusivamente para operações internas da Meta e contam com o trabalho de uma equipe de centenas de engenheiros, majoritariamente baseada nos Estados Unidos. Dos 30 data centers operacionais ou planejados pela empresa, 26 estão no país.
A adoção acelerada de inteligência artificial (IA) pela Amazon tem gerado críticas internas entre funcionários corporativos. Relatos indicam que a pressão para incorporar essas ferramentas em diferentes atividades tem aumentado a carga de trabalho e ampliado mecanismos de monitoramento dentro da empresa.
O movimento ocorre em meio a mudanças recentes na estrutura da companhia. Nos últimos quatro meses, a Amazon demitiu cerca de 30 mil funcionários, o equivalente a quase 10% da força de trabalho corporativa, estimada em aproximadamente 350 mil pessoas. Ao mesmo tempo, a empresa informou que pretende investir cerca de US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA neste ano, além de anunciar um investimento de US$ 50 bilhões na OpenAI.
Enquanto reduz número de funcionários, Amazon anunciou investimento bilionário na OpenAI, dona do ChatGPT (Imagem: Ascannio/Shutterstock)
Adoção acelerada de IA no trabalho
Funcionários ouvidos pelo The Guardian afirmam que a empresa tem incentivado o uso de IA em diferentes tarefas do dia a dia. Uma desenvolvedora de software de Nova York relatou que quando entrou na companhia, há dois anos, seu trabalho era principalmente escrever código. Hoje, grande parte do tempo é dedicada a revisar ou corrigir resultados gerados por ferramentas de IA.
Segundo ela, um dos sistemas internos utilizados é o Kiro, que pode produzir código com erros ou inconsistências. Nesses casos, os desenvolvedores precisam revisar o material gerado ou até descartá-lo e reiniciar o trabalho. A funcionária afirmou que ela e colegas não percebem ganhos claros de velocidade nas tarefas, apesar da pressão da gestão para acelerar o desenvolvimento. Poucos dias depois de falar com o The Guardian, ela perdeu o emprego em uma demissão em massa.
Outros funcionários relatam experiências semelhantes. Uma engenheira de cadeia de suprimentos que trabalha na empresa há mais de uma década, disse que as ferramentas de IA costumam ser úteis em cerca de uma em cada três tentativas. Mesmo quando funcionam, os resultados normalmente precisam ser verificados ou discutidos com colegas antes de serem utilizados.
Mais de meia dúzia de funcionários atuais e ex-funcionários da Amazon, em áreas como engenharia de software, pesquisa de experiência do usuário e análise de dados, disseram ao jornal que a empresa incentiva a integração de IA em diferentes atividades de trabalho. Parte deles afirma que o processo ocorre de forma acelerada e acompanhado por monitoramento do uso das ferramentas.
Em resposta, a porta-voz da empresa, Montana MacLachlan, afirmou que a Amazon possui centenas de milhares de funcionários corporativos em diversas funções e que as equipes utilizam IA de maneiras diferentes. Segundo ela, embora as experiências variem, a empresa afirma ouvir da maioria das equipes que as ferramentas geram valor no trabalho cotidiano.
Ferramentas internas e impacto na produtividade
Funcionários também relatam que há um grande número de ferramentas disponíveis internamente, muitas delas desenvolvidas durante hackathons organizados pela empresa. A Amazon costuma realizar esses eventos trimestralmente para incentivar a criação de novos projetos, e nos últimos meses muitos deles passaram a focar em IA generativa, especialmente em soluções voltadas à produtividade de desenvolvedores.
De acordo com relatos internos, algumas dessas ferramentas são distribuídas para testes dentro das equipes, que posteriormente precisam responder questionários sobre a experiência de uso. Para parte dos trabalhadores, isso pode gerar mais trabalho, já que o código ou as respostas produzidas pela IA precisam ser revisadas cuidadosamente.
Um engenheiro de software ouvido pela reportagem afirmou que, em alguns casos, o ciclo de desenvolvimento pode até se tornar mais longo devido à necessidade de revisar o material gerado automaticamente.
O uso dessas ferramentas também foi associado a alguns incidentes técnicos. Reportagem do Financial Times informou que a Amazon registrou pelo menos duas interrupções de sistemas relacionadas a ferramentas internas de IA.
Em um caso ocorrido em dezembro, um sistema voltado ao cliente ficou indisponível por cerca de 13 horas depois que engenheiros permitiram que uma ferramenta de IA realizasse determinadas alterações. A Amazon afirmou que a interrupção foi causada por um funcionário, e não diretamente pela IA.
Segundo a mesma reportagem, a empresa reuniu engenheiros para discutir uma sequência recente de falhas, incluindo incidentes ligados ao uso de ferramentas de programação baseadas em IA.
Além das discussões sobre produtividade, funcionários afirmam que o avanço da IA dentro da empresa também aumentou a sensação de monitoramento no trabalho.
Há anos, o sistema interno Amazon Connections apresenta perguntas aos funcionários quando eles iniciam o expediente, solicitando feedback sobre temas ligados ao trabalho. Segundo relatos, nos últimos meses parte dessas perguntas passou a focar no uso de IA, incluindo frequência de utilização das ferramentas ou se elas são prioridade dentro da organização.
Gerentes também podem acessar painéis internos que mostram o uso de ferramentas de IA pelos membros das equipes, incluindo quais sistemas estão sendo utilizados e com que frequência. A existência desses painéis foi reportada anteriormente pela publicação The Information.
Outro painel interno, visto pelo The Guardian, permite que equipes acompanhem indicadores como adoção, engajamento e profundidade de uso de ferramentas de IA generativa. Em alguns casos, gestores estabelecem metas para que pelo menos 80% da equipe utilize ferramentas de IA semanalmente.
Amazon estaria monitorando uso de IA por funcionários e avaliando quais ferramentas podem ser aprimoradas (Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock.com)
MacLachlan afirmou que a empresa quer entender quais ferramentas estão sendo usadas pelas equipes e se elas funcionam bem ou podem ser aprimoradas.
Nick Srnicek, professor sênior de economia digital no King’s College London e autor do livro Platform Capitalism, explicou ao The Guardian a implantação em larga escala dessas tecnologias tende a ampliar mecanismos de monitoramento no ambiente de trabalho. Segundo ele, a adoção acelerada de sistemas de IA pode expandir a vigilância porque essas ferramentas dependem de dados detalhados sobre fluxos de trabalho e atividades cotidianas dos funcionários.