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Jovens acusam Grok de gerar imagens sexuais quando ainda eram menores

Três adolescentes do estado do Tennessee (EUA) — duas delas ainda menores de idade — processaram a empresa de inteligência artificial (IA) xAI, fundada por Elon Musk, alegando que ferramentas da companhia foram usadas para criar imagens sexualizadas delas quando eram menores. As acusações constam em uma ação judicial que atribui à empresa crimes, como distribuição, posse e produção com intenção de distribuir pornografia infantil.

Segundo a ação, uma mãe do leste do Tennessee procurou a polícia local após descobrir que fotos nuas de sua filha adolescente estavam circulando na internet. Ela afirma ter sido informada pelas autoridades de que as imagens teriam sido geradas com auxílio da xAI, startup de inteligência artificial que ela desconhecia até então.

De acordo com a investigação policial, uma pessoa presa em dezembro teria utilizado o Grok — ferramenta de IA da empresa — para editar fotografias da jovem, incluindo uma imagem retirada de sua conta no Instagram. Na manipulação, o suspeito teria removido digitalmente um biquíni azul da foto, “para retratá-la sem qualquer roupa”, conforme descrito no processo judicial protocolado nesta segunda-feira (16).

Adolescentes contra o Grok

  • A adolescente faz parte de um grupo de jovens do Tennessee que acusam a empresa de permitir que suas ferramentas de IA fossem usadas para transformar fotografias nas quais elas apareciam vestidas em imagens falsas de nudez;
  • As imagens manipuladas passaram a circular em plataformas, como Discord e Telegram, nos últimos meses;
  • Em alguns casos, segundo a denúncia, elas foram trocadas em salas de bate-papo online por outros materiais de abuso sexual infantil. O caso foi inicialmente revelado pelo The Washington Post;
  • A ação judicial foi registrada nesta segunda-feira (16) no tribunal federal do Distrito Norte da Califórnia;
  • O processo afirma que um único perpetrador reuniu imagens e vídeos de mais de 18 garotas — muitas delas estudantes da mesma escola — e alterou digitalmente parte desse material com o auxílio de IA;
  • Segundo os advogados, trata-se da primeira ação movida por vítimas menores de idade relacionada a um escândalo recente envolvendo ferramentas capazes de “despir” pessoas em fotos, recurso que teria gerado controvérsias envolvendo a xAI.

A mãe de uma das adolescentes, que falou sob condição de anonimato para preservar a privacidade da filha, afirmou que o episódio teve forte impacto emocional sobre a jovem, descrita como uma estudante sociável e atleta. “Isso definitivamente a colocou um pouco dentro de uma concha, algo que nunca tínhamos visto antes”, disse.

Os três autores do processo — incluindo duas menores — pedem indenizações por cada violação relacionada à pornografia infantil e buscam impedir que a empresa permita o uso de ferramentas de edição semelhantes às que foram utilizadas para alterar suas imagens.

Os advogados argumentam que a xAI criou um ambiente no qual a disseminação de material de abuso sexual infantil seria inevitável. Segundo a acusação, a tecnologia e a forma como a empresa divulgou suas ferramentas incentivavam a criação de imagens explícitas. No processo, os autores afirmam que “um modelo capaz de criar imagens sexualizadas de adultos não pode ser impedido de criar material de abuso sexual infantil envolvendo menores”.

A advogada Vanessa Baehr-Jones, do escritório Baehr-Jones Law, que representa os adolescentes em ação coletiva proposta, afirmou que o impacto sobre as vítimas pode ser permanente. “Esses jovens — essas crianças — estão enfrentando uma vida inteira com essas imagens sexualizadas do que parece ser o corpo de uma criança circulando na internet”, disse. “Isso não teria sido possível sem essa ferramenta que a xAI lançou, sabendo plenamente que esse material poderia ser gerado.”

Nem Musk nem a xAI responderam imediatamente a pedidos de comentário sobre o processo feitos pelo Post. Em janeiro, porém, Musk escreveu em uma publicação no X que não tinha conhecimento de imagens nuas de menores geradas pelo Grok. “Não tenho conhecimento de nenhuma imagem nua de menores gerada pelo Grok. Literalmente zero”, afirmou.

Segundo Musk, o chatbot apenas segue as solicitações feitas pelos usuários e recusaria produzir qualquer conteúdo ilegal. Ele acrescentou que ataques de “hacking adversarial” poderiam fazer a ferramenta agir de forma inesperada. “Se isso acontecer, corrigimos o bug imediatamente”, escreveu.

Na semana passada, Musk também afirmou em outra publicação que “se é permitido em um filme classificado como R [A-18 no Brasil], é permitido” pelas ferramentas de criação de imagens e vídeos do Grok.

Segundo Musk, chatbot apenas segue as solicitações feitas pelos usuários e recusaria produzir qualquer conteúdo ilegal (Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock)

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Acusações e mais acusações

A ação judicial surge após a xAI enfrentar críticas por permitir que usuários “despissem” pessoas reais em fotografias usando recursos de edição disponíveis no Grok Imagine e em um modo chamado “Spicy”. Essas funcionalidades permitiam criar imagens sexualizadas de pessoas reais, retratando-as com roupas extremamente reveladoras — por exemplo, com peças tão pequenas quanto um fio dental.

Pesquisadores afirmam que milhões de imagens sexualizadas foram geradas com essas ferramentas, incluindo cerca de 23 mil fotos que aparentavam retratar crianças. O caso levou autoridades a abrir investigações, entre elas o procurador-geral da Califórnia, a Comissão Europeia e o regulador britânico de comunicações.

Em janeiro, a xAI informou que havia revertido algumas das ferramentas de edição em determinadas jurisdições, após já ter restringido anteriormente a geração de imagens apenas a usuários pagantes. Segundo reportagens do Post, a adoção de conteúdos sexualizados pelo Grok fazia parte de uma estratégia para atrair mais usuários para o chatbot.

A ação judicial afirma que a xAI cometeu diversas irregularidades, incluindo a criação de pornografia infantil e o lançamento de uma funcionalidade com falhas graves de design. Os autores alegam que a empresa permitiu conscientemente que suas ferramentas gerassem imagens sexualizadas de menores como parte de um esforço para monetizar a tecnologia de IA.

O processo também sustenta que editar imagens de crianças reais para produzir representações sexualizadas configura criação de pornografia infantil. Autoridades dos Estados Unidos já afirmaram anteriormente que representações sexualmente explícitas de crianças geradas por computador são ilegais.

Segundo a denúncia, “a xAI — e seu fundador Elon Musk — viram uma oportunidade de negócios: lucrar com a predação sexual de pessoas reais, incluindo crianças”.

As estudantes do Tennessee tomaram conhecimento das imagens explícitas no fim do ano passado. Uma delas, identificada no processo como “Jane Doe 1”, recebeu uma mensagem no Instagram informando que fotos sexualizadas dela estavam circulando no Discord.

De acordo com a ação, uma das imagens de abuso sexual infantil atribuídas a ela foi criada a partir de uma fotografia tirada durante o baile de boas-vindas da escola, em setembro de 2025. Outra imagem, em que ela aparece com os seios expostos, teria sido produzida a partir de uma foto do anuário escolar. A jovem “era menor de idade no período relevante”, afirma o processo.

Ela recebeu também um link para um servidor no Discord “que continha imagens e vídeos de pelo menos outras 18 garotas menores de idade, muitas das quais Jane Doe 1 reconheceu de sua escola”. Segundo o documento judicial, a polícia abriu, no ano passado, uma investigação criminal contra o responsável. Ele foi preso em dezembro, quando os investigadores também realizaram buscas em seu telefone.

Mesmo assim, as imagens continuaram circulando amplamente na internet. “Em chats de grupo no Telegram com centenas de outros usuários, [o perpetrador trocou] arquivos de material de abuso sexual infantil dela por conteúdo sexual explícito de outros menores”, diz a ação.

Os advogados afirmam ter consultado especialistas independentes que concluíram que as imagens foram geradas por IAespecificamente pelo Grok. Segundo a denúncia, o autor utilizou o chatbot e outras ferramentas que licenciam suas capacidades, incluindo aplicativos projetados para “despir pessoas”, para manipular fotos reais de menores. Esses aplicativos funcionariam como intermediários, levando os recursos do Grok a usuários que não acessam diretamente o site da ferramenta ou o aplicativo X.

“Em todos os casos, as imagens e vídeos reais enviados para os servidores dos réus não eram material ilegal, mas tornaram-se conteúdo ilícito apenas depois que a IA dos réus transformou os arquivos nos servidores da xAI para produzir e distribuir material de abuso sexual infantil”, afirma o processo.

Até fevereiro, as duas outras autoras da ação — ambas menores — descobriram, por meio da investigação criminal, que o suspeito também havia usado imagens delas para criar material de abuso sexual infantil.

Segundo os advogados, as consequências do episódio podem acompanhar as vítimas por décadas. A denúncia afirma que elas provavelmente receberão notificações do National Center for Missing & Exploited Children pelo resto da vida, informando que “réus criminais possuíram, receberam ou distribuíram arquivos de material de abuso sexual infantil que as retratam”.

Em entrevista ao Post, a advogada Annika K. Martin, principal responsável pelo caso, disse que gostaria de fazer uma série de perguntas diretamente ao fundador da xAI, ou seja, Musk.

“Como pai, você consegue imaginar seu filho — o rosto do seu filho — em imagens de atos sexuais depravados, inserido em vídeos de comportamento sexual grotesco?”, questionou. “A voz do seu filho em um vídeo gritando. Você consegue imaginar isso como pai? Consegue imaginar isso e se sentir bem com o que fez?”

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ByteDance suspende Seedance 2.0 após briga com Hollywood

A ByteDance, empresa-mãe do TikTok, pausou o lançamento mundial do seu mais novo modelo de geração de vídeos com inteligência artificial, o Seedance 2.0, depois de enfrentar uma série de disputas de direitos autorais com grandes estúdios de Hollywood e plataformas de streaming. A informação foi publicada pelo site The Information no último sábado, com base em duas fontes com conhecimento direto do assunto. A ByteDance não respondeu aos pedidos de comentário do site ou da agência de notícias Reuters.

A empresa havia planejado disponibilizar o modelo para clientes ao redor do mundo em meados de março, mas os planos foram suspensos diante das ameaças legais. Segundo a reportagem, a equipe jurídica da companhia está trabalhando para identificar e resolver possíveis problemas legais, enquanto engenheiros adicionam salvaguardas para evitar que o sistema gere conteúdo que possa violar propriedade intelectual.

Disney envia carta à ByteDance

Um dos casos mais emblemáticos envolve a Disney, que encaminhou uma carta de cease-and-desist à ByteDance no mês passado. A acusação é de que o Seedance 2.0 teria sido treinado com personagens da empresa sem autorização — incluindo franquias como Star Wars e Marvel — tratando-os como se fossem imagens de domínio público.

Disney entrou em contato com a dona do TikTok para solicitar que o gerador de vídeo com IA da empresa pare de usar seus personagens sem autorização (Imagem: Bankrx / Shutterstock)

A polêmica ganhou força depois que vídeos gerados pelo modelo viralizaram na China, entre eles uma cena fictícia com os atores Tom Cruise e Brad Pitt em uma briga. A Disney afirmou que a ByteDance pré-configurou o Seedance com uma biblioteca pirata de personagens protegidos por direitos autorais.

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O que é o Seedance 2.0

Lançado oficialmente em fevereiro, o Seedance 2.0 foi apresentado pela ByteDance como uma ferramenta voltada para uso profissional nas áreas de cinema, e-commerce e publicidade. O sistema é capaz de processar texto, imagens, áudio e vídeo simultaneamente, com o objetivo de reduzir custos de produção de conteúdo.

O modelo ganhou projeção internacional ao ser comparado ao DeepSeek, empresa chinesa de IA cujos sistemas rivalizam com os da Anthropic e da OpenAI. Personalidades do setor de tecnologia, incluindo Elon Musk, chegaram a elogiar a capacidade do Seedance de gerar narrativas cinematográficas a partir de poucos comandos.

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Czar de IA de Trump alerta para risco da guerra no Irã ao setor

David Sacks, responsável por inteligência artificial (IA) e criptomoedas na Casa Branca, afirmou que a continuidade da guerra no Irã pode trazer consequências graves, inclusive para o setor de tecnologia. A avaliação foi feita durante participação no podcast All In, em que ele defendeu a busca por uma forma de encerrar o conflito.

Na conversa, Sacks disse que “devemos tentar encontrar uma saída” para a situação. Segundo ele, um dos riscos é que o Irã passe a atacar infraestruturas de petróleo e gás em todo o Oriente Médio, o que poderia ampliar ainda mais as tensões na região.

David Sacks ao lado de Robert F. Kennedy Jr. na Casa Branca (Imagem: DT phots1 / Shutterstock.com)

O executivo também mencionou outra possível consequência do conflito. Para ele, o país poderia começar a atingir plantas de dessalinização, responsáveis por fornecer água para grande parte da região, o que poderia provocar uma crise humanitária ainda maior.

Apesar dessa preocupação, Sacks tem um histórico conhecido de posições anti-intervencionistas e chegou a afirmar, durante um discurso na Convenção Nacional Republicana (RNC), que os Estados Unidos teriam “provocado” a Rússia a invadir a Ucrânia.

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Conflito também preocupa mercados e setor de tecnologia

Mesmo ocupando um cargo no governo de Donald Trump, Sacks continua envolvido com o setor privado. Segundo ele próprio, existe também um interesse econômico na redução das tensões, já que encerrar o conflito seria “o que os mercados gostariam de ver”.

A guerra também pode afetar diretamente a indústria de inteligência artificial, área que Sacks supervisiona dentro da Casa Branca. Ataques de drones atribuídos ao Irã levaram a QatarEnergy a interromper a produção de gás natural liquefeito e hélio.

De acordo com a Bloomberg, a empresa responde por um terço do fornecimento mundial de hélio, elemento considerado essencial para a fabricação de eletrônicos e semicondutores.

O economista Andreas Steno Larsen afirmou ao Yahoo! Finance que a situação pode ter efeitos mais amplos no setor tecnológico. Segundo ele, “isso pode potencialmente se transformar em um gargalo para toda a história da IA”.

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Por que o ‘modo adulto’ do ChatGPT preocupa conselheiros da própria OpenAI

A OpenAI adiou o lançamento do seu “modo adulto”, recurso que permitiria conversas com conteúdo erótico no ChatGPT. Originalmente previsto para estrear no primeiro trimestre de 2026, o projeto foi postergado para que a empresa priorize o desenvolvimento de outros produtos e solucione desafios técnicos.

A iniciativa é defendida pelo CEO da empresa, Sam Altman, sob a premissa de que a companhia deve tratar o público maior de idade com autonomia. No entanto, a proposta gerou divergências internas.

O embate colocou em lados opostos a busca por liberdade de uso e a necessidade de implementar salvaguardas contra danos psicológicos ou o acesso indevido de menores a interações sexualmente explícitas, segundo o Wall Street Journal.

‘Modo adulto’ do ChatGPT: conselheiros da OpenAI alertam para dependência emocional e falhas na verificação de idade 

Em reuniões ocorridas em janeiro, o conselho consultivo da OpenAI, composto por especialistas em psicologia e neurociência, manifestou oposição unânime à liberação de erótica na plataforma. 

A principal preocupação reside no potencial da inteligência artificial (IA) para fomentar dependência emocional. Especialistas alertam que a ferramenta corre o risco de estimular vínculos obsessivos. Em casos anteriores, usuários tiraram a própria vida após desenvolverem relações com chatbots.

No campo técnico, a imprecisão do sistema de predição de idade é um dos obstáculos mais críticos. Diferente de métodos que exigem documentos, essa tecnologia usa algoritmos para estimar a faixa etária do usuário. Mas testes internos revelaram uma falha grave: o sistema classificou erroneamente 12% dos menores como adultos

Dada a base de 100 milhões de usuários semanais abaixo de 18 anos, essa margem de erro exporia milhões de adolescentes a conteúdos sexuais inadequados.

Documentos internos também apontam riscos de uso compulsivo, no qual o chatbot poderia substituir relacionamentos sociais e românticos do mundo real. 

A principal preocupação dos conselheiros da OpenAI é o potencial do “modo adulto” do ChatGPT para fomentar dependência emocional (Imagem: M-Production/Shutterstock)

Para mitigar esses efeitos, a OpenAI planeja restringir o recurso exclusivamente a textos eróticos (conhecidos como smut ou literatura erótica), mantendo o veto absoluto à geração de imagens, vozes ou vídeos com teor sexual. 

Além disso, a empresa está treinando seus modelos para desencorajar ativamente a formação de relacionamentos exclusivos com a máquina.

O histórico da OpenAI revela uma postura oscilante sobre o tema. Em 2021, a empresa baniu conteúdos eróticos após o jogo AI Dungeon, que utilizava sua tecnologia, gerar cenários de exploração sexual e incesto. 

Na época, o temor era que a OpenAI fosse rotulada como uma “empresa de erótica”, prejudicando outras finalidades da ferramenta. Hoje, o cenário mudou: Altman sugere que a permissão de conteúdos explícitos poderia impulsionar a receita num mercado cada vez mais competitivo.

A OpenAI se movimenta para não perder espaço para concorrentes como a xAI, de Elon Musk, e a Meta, que já permitem diferentes níveis de interações românticas ou conteúdos de classificação restrita. 

Contudo, o setor enfrenta vigilância legal crescente após incidentes reais, como o processo movido na Flórida por uma mãe cujo filho de 14 anos se suicidou após desenvolver uma relação amorosa com um bot da Character.AI. Especialistas em saúde mental reforçam que adolescentes não possuem maturidade para lidar com tais trocas sexuais com máquinas.

Em sua defesa, a OpenAI diz que não deseja ser a “polícia moral do mundo”, comparando as restrições de idade às classificações indicativas do cinema. 

A diretoria de aplicações confirmou que a implementação do sistema de verificação será lenta para garantir maior precisão técnica. Com isso, a expectativa interna é de que o lançamento do recurso sofra um atraso de, no mínimo, um mês em relação ao cronograma anterior.

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IA e ChatGPT: engenheiro cria vacina de mRNA personalizada para salvar sua cadela com câncer

O que você faria se seu melhor amigo tivesse apenas meses de vida? Para o empreendedor de tecnologia australiano Paul Conyngham, a resposta foi abrir o computador. Ao descobrir que sua cadela Rosie, uma cadela vira-lata mistura de Staffordshire Bull Terrier com Shar Pei , tinha um câncer de mastócitos terminal, ele utilizou o ChatGPT e algoritmos de IA para criar o que os cientistas chamam de a primeira vacina de mRNA personalizada para um cão.

O “brainstorming” com o chatbot

Sem formação em biologia, mas com 17 anos de experiência em análise de dados, Conyngham usou o ChatGPT para traçar um plano de ação. O chatbot sugeriu o caminho da imunoterapia e o direcionou para o Centro Ramaciotti de Genômica da Universidade de New South Wales (UNSW), na Austrália.

O processo envolveu:

  • Sequenciamento de DNA: comparação do DNA saudável de Rosie com o DNA do tumor para identificar mutações.
  • Uso do AlphaFold: Paul utilizou o famoso programa de IA da Google DeepMind para encontrar as proteínas que sofreram mutação e identificar alvos para medicamentos.
  • Criação da “receita”: com os dados mastigados pela IA, ele gerou uma fórmula de meia página que serviu de ponto de partida para a vacina.

Resultados que espantaram os cientistas

A persistência de Paul convenceu cientistas renomados a sintetizarem o composto. Rosie recebeu a vacina experimental de mRNA em dezembro e o resultado foi descrito como “mágico” pelos pesquisadores: o tumor, que tinha o tamanho de uma bola de tênis, encolheu pela metade.

“Paul foi implacável”, afirmou o professor Martin Smith, da UNSW, em entrevista ao The Australian. “Isso levanta a questão: se podemos fazer isso por um cão, por que não estamos expandindo isso para todos os humanos com câncer?”, refletiu.

O futuro da medicina personalizada

A história de Rosie não é apenas um milagre doméstico; ela serve como uma prova de conceito para a oncologia humana. O uso da tecnologia de mRNA (a mesma das vacinas de COVID-19) para instruir as células a combaterem proteínas específicas do câncer é a grande aposta da medicina moderna.

Para o professor Pall Thordarson, diretor do Instituto de RNA da UNSW, o feito de Conyngham está “democratizando o processo” de design de medicamentos, mostrando que a IA pode acelerar tratamentos que levariam anos em testes clínicos tradicionais.

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IA gera caos com vídeos falsos de guerra no Irã, diz New York Times

O campo de batalha entre os Estados Unidos, Israel e o Irã ganhou uma camada digital ainda mais poderosa: a inteligência artificial. Uma investigação conduzida pelo The New York Times identificou uma proliferação de conteúdos falsos criados por ferramentas de IA nas redes sociais durante as primeiras semanas do conflito. Vídeos de explosões monumentais que nunca ocorreram e imagens de tropas inexistentes somam milhões de visualizações em plataformas como X, TikTok e Facebook.

O efeito IA

Diferente das filmagens reais de guerra, que costumam ser capturadas de longe e à noite, o conteúdo gerado por IA assemelha-se a filmes de ação de alto orçamento. Especialistas apontam que essas simulações hiper-realistas são criadas para serem mais “compartilháveis” do que a realidade, apresentando nuvens de cogumelo e mísseis hipersônicos com detalhes exagerados.

Um dos casos de maior impacto envolveu o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln. Após o Irã sugerir um ataque bem-sucedido à embarcação, uma onda de imagens criadas por IA mostrando o navio em chamas viralizou. O governo dos Estados Unidos precisou vir a público desmentir a informação, confirmando que o navio permanecia intacto.

IA como estratégia militar de Teerã

O uso dessa tecnologia não parece ser apenas obra de usuários isolados. Segundo um estudo da empresa de inteligência Cyabra, a maioria dos vídeos falsos promove visões pró-Irã, funcionando como uma arma informativa para demonstrar superioridade militar e abalar a tolerância do público à guerra.

“Provavelmente estamos vendo muito mais conteúdo relacionado à IA agora do que nunca”, afirmou Marc Owen Jones, professor associado da Northwestern University no Catar, em entrevista ao The New York Times. Para ele, simular a destruição de cidades aliadas dos americanos é uma peça-chave no manual de estratégias do Irã para aumentar o custo psicológico do conflito.

O desafio da detecção e das plataformas

A facilidade de criação (impulsionada por ferramentas como o gerador de vídeos Sora, da OpenAI) permite que qualquer pessoa crie simulações de guerra a baixo custo. Embora existam marcas d’água invisíveis em muitos desses arquivos, elas são facilmente removidas ou ocultadas antes da postagem.

A rede social X anunciou recentemente que suspenderá por 90 dias a monetização de contas que postarem conteúdo de conflito armado gerado por IA sem o rótulo adequado. No entanto, analistas alertam que muitas contas ligadas a campanhas de influência estrangeira não estão focadas em dinheiro, mas sim na disseminação da mensagem, tornando a IA uma ferramenta de guerra definitiva.

Veja dicas da CNN para reconhecer vídeos feitos por IA e não compartilhá-los:

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Conheça a IA que identifica gastos indevidos no Brasil

O setor da saúde suplementar ultrapassou 53 milhões de beneficiários no Brasil em 2025, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar. O crescimento, contudo, não vem sempre acompanhado de avanços e melhorias reais a quem precisa. Pelo contrário: muitos desperdícios atrasam o setor e geram problemas no atendimento. 

Nesse contexto, nasceu a Arvo: uma IA que analisa contas das operadoras de saúde e é capaz de identificar fraudes e gastos indevidos, possibilitando assim uma economia robusta para o setor. 

“Depois de anos imersos nesse setor – eu como consultor, por mais de 12 anos à frente de projetos de saúde na América Latina, e o Rafael Tinoco, cofundador da Arvo, com mais de 10 anos de experiência na área de tecnologia e saúde -, identificamos que existe um problema claro de eficiência que compromete a sustentabilidade financeira das operadoras e do próprio sistema”, relata Fabrício Valadão, que fundou a empresa.

Entre 2021 e 2023, as operadoras de saúde acumularam R$ 17,5 bilhões em prejuízo operacional, de acordo com dados do setor. Embora tenha havido alguma recuperação nos anos seguintes, quase 40% das operadoras ainda fecharam o terceiro trimestre de 2025 no vermelho. Parte desse cenário está ligada a falhas administrativas e pagamentos indevidos.

Fabrício e Rafael argumentam que grande parte dos problemas de acesso à saúde no Brasil estão relacionados a processos administrativos manuais, lentos e repletos de inconsistências.

A solução encontrada pela dupla foi o desenvolvimento de uma IA que vai além da automação – algo que Fabrício chama de “Smart Agents”.

“Os Smart Agents da Arvo atuam na identificação de inconformidades no processamento de contas médicas”, explica Fabrício, ressaltando também que os gastos indevidos nem sempre significam uma ação mal intencionada. Muitos problemas detectados têm origem em falhas operacionais ou processos administrativos mal calibrados.

“É importante ampliar o olhar além do termo ‘fraude’. O termo pressupõe intenção – e quando identificada, a operadora deve avançar com os devidos procedimentos jurídicos. Mas a maior parte das perdas que vemos no dia a dia não vem necessariamente de má-fé: são erros administrativos, processos mal calibrados, cobranças que fogem dos padrões contratuais sem que haja necessariamente uma intenção de causar dano”, esclarece.

Em um caso, a solução identificou mais de R$ 3,6 milhões em economia em apenas um mês.

Em outro, a tecnologia evitou 30% dos custos associados a desperdícios nos primeiros seis meses de uso.

“Conseguimos identificar, conta a conta, cobranças que não deveriam ter sido pagas — erros, abusos, desperdícios e fraudes que passariam despercebidos ou demorariam muito mais para serem detectados manualmente”, diz o CEO.

Segundo ele, a economia gerada pela tecnologia ao longo de 2025 poderia financiar 16,6 milhões de consultas médicas especializadas, 1,7 milhão de internações ou 2,7 milhões de exames de imagem.

O avanço da inteligência artificial na saúde também depende de segurança regulatória. Recentemente, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, que estabelece diretrizes para o uso de IA como ferramenta de apoio à prática médica e à gestão em saúde.

A norma reforça que a tecnologia deve atuar como suporte à decisão — e não substituir o julgamento clínico dos profissionais.

Para Valadão, o desafio é equilibrar inovação e segurança. “A regulação precisa considerar os riscos, mas também garantir que a inovação avance. Ela deve funcionar como facilitadora da adoção de tecnologia, não como barreira.”

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Anthropic x Pentágono: disputa reacende debate sobre uso da IA em atividades militares

A disputa entre a Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos reacendeu um debate antigo no setor de tecnologia: até que ponto empresas do Vale do Silício devem permitir que suas ferramentas sejam utilizadas em aplicações militares?

Nos últimos dias, o conflito entre a desenvolvedora e o governo americano se intensificou após a Anthropic processar o Pentágono, alegando que sua inclusão em uma lista de “risco à segurança nacional” viola direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. A ação judicial ocorre depois de meses de impasse entre as duas partes sobre as condições de uso do Claude.

No centro da disputa está a recusa da Anthropic em autorizar determinados usos de seus modelos de IA, especialmente em sistemas de vigilância em massa e em armamentos totalmente autônomos capazes de tomar decisões letais.

Segundo a empresa, aceitar a exigência do governo de permitir “qualquer uso legal” de sua tecnologia comprometeria princípios de segurança adotados desde sua fundação e poderia abrir espaço para abusos.

A posição da Anthropic colocou em evidência um tema que acompanha o avanço da inteligência artificial: quais limites éticos devem existir quando tecnologias comerciais passam a integrar operações militares?

Para Margaret Mitchell, pesquisadora de IA e cientista-chefe de ética da Hugging Face, a disputa atual não é entre empresas que apoiam ou rejeitam o uso militar da tecnologia. Na avaliação dela, quem busca encontrar “mocinhos e vilões” nesse debate dificilmente encontrará uma separação tão evidente.

Da esquerda para a direita: CEO da OpenAI, Sam Altman; Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth; e CEO da Anthropic, Dario Amodei (Imagem: FotoField e Joshua Sukoff – Shutterstock / Reprodução – TechCrunch)

Mudança de postura no Vale do Silício sobre IA militar

A tensão ocorre em um momento em que as grandes empresas de tecnologia têm se aproximado cada vez mais do setor de defesa. Esse movimento ganhou força durante o governo de Donald Trump, que tem incentivado o uso de inteligência artificial em órgãos federais e ampliado investimentos em capacidades militares.

A possibilidade de contratos lucrativos e de longo prazo com o governo também contribuiu para esse alinhamento. Além disso, o avanço tecnológico da China e o aumento global dos gastos militares passaram a influenciar decisões estratégicas de empresas do setor.

Essa realidade contrasta com a postura adotada há menos de uma década por parte da indústria. Um exemplo é o do Projeto Maven, do Google:

  • Em 2018, milhares de funcionários do Google protestaram contra a participação da empresa no Projeto Maven, um programa do Departamento de Defesa voltado à análise de imagens captadas por drones militares;
  • Na época, mais de 3 mil trabalhadores da companhia assinaram uma carta aberta afirmando que o Google não deveria se envolver em projetos ligados à guerra;
  • Após a mobilização interna, a empresa decidiu não renovar o contrato e publicou diretrizes que proibiam o desenvolvimento de tecnologias capazes de causar danos diretos a pessoas.

Com o passar dos anos, porém, essa postura foi sendo flexibilizada. O Google posteriormente removeu de suas políticas parte da linguagem que restringia o desenvolvimento de tecnologias militares e passou a firmar novos acordos que permitem o uso de suas ferramentas pelas forças armadas.

Recentemente, a empresa anunciou que disponibilizará o Gemini para apoiar o desenvolvimento de agentes de IA em projetos militares.

Outras empresas seguiram um caminho semelhante. A OpenAI, que anteriormente proibia o acesso de forças armadas aos seus modelos, flexibilizou sua política a partir de 2024. A empresa, juntamente com Google, Anthropic e xAI, assinou um contrato de até US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para integrar tecnologias de IA a sistemas militares.

No mesmo dia em que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos do governo, a OpenAI firmou um novo acordo permitindo que sua tecnologia seja usada em projetos militares confidenciais.

Enquanto isso, companhias focadas diretamente em tecnologia de defesa, como Palantir e Anduril, transformaram a colaboração com o Pentágono em parte central de seus negócios.

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Maioria das grandes empresas de tecnologia na corrida de IA já tem contratos com o Pentágono (Imagem: Keith J Finks/Shutterstock)

A posição da Anthropic

Mesmo com o confronto jurídico com o governo, a Anthropic não se posiciona como uma empresa contrária à colaboração com o setor militar.

O cofundador e CEO da companhia, Dario Amodei, afirmou recentemente que a empresa compartilha muitos objetivos com o Departamento de Defesa. Segundo ele, a Anthropic apoia o uso da inteligência artificial para defesa nacional, desde que certas linhas não sejam ultrapassadas.

Leia mais:

Apesar das restrições defendidas pela empresa, documentos judiciais indicam que o governo dos Estados Unidos já utiliza o modelo Claude em diversas atividades militares. Entre elas estariam análise de ameaças, processamento de documentos confidenciais e operações relacionadas ao campo de batalha.

O Olhar Digital fez uma linha do tempo do conflito entre a Anthropic e o Pentágono. Você pode acessá-la neste link.

(O texto usou informações do jornal The Guardian.)

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Meta adia lançamento de modelo de IA por desempenho abaixo dos rivais

A Meta decidiu adiar o lançamento de seu próximo modelo de inteligência artificial. A IA, conhecida internamente como “Avocado”, teve desempenho abaixo do esperado em testes internos quando comparada a sistemas rivais, como os do Google, OpenAI e Anthropic.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram ao The New York Times, o modelo foi avaliado em tarefas como raciocínio, programação e produção de texto, mas não alcançou os resultados dos sistemas mais avançados do mercado atualmente. O Avocado foi avaliado acima dos modelos anteriores da Meta e do Gemini 2.5, do Google, mas ficou atrás do Gemini 3.0.

Diante das limitações, a Meta decidiu adiar o lançamento do modelo, que inicialmente estava previsto para este mês. Agora, a expectativa interna é que ele seja apresentado apenas a partir de maio.

Executivos da divisão de inteligência artificial da big tech chegaram a discutir a possibilidade de licenciar temporariamente o modelo Gemini para alimentar alguns produtos da empresa, mas ainda não chegaram a uma decisão.

Meta aposta em divisão de IA e já investiu bilhões de dólares em infraestrutura (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

A aposta da Meta em IA

Os chamados modelos fundamentais de IA se tornaram o núcleo da disputa tecnológica entre grandes empresas. Esses sistemas servem como base para chatbots, ferramentas de programação, geradores de vídeo e assistentes virtuais.

Estar na liderança desse segmento também ajuda empresas a atrair pesquisadores, engenheiros e investimentos, além de acelerar a criação de novos produtos baseados em IA.

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tem colocado grande parte da estratégia futura da empresa nessa área. A companhia já investiu bilhões de dólares para expandir suas capacidades em IA, incluindo a construção de data centers, a compra da startup Scale AI e a contratação do fundador Alexandr Wang, além de vários outros profissionais do setor.

Wang, inclusive, ajudou a montar um laboratório interno chamado TBD Lab, com cerca de 100 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial. A equipe já concluiu a primeira etapa do treinamento do Avocado, conhecida como pré-treinamento, e iniciou a fase seguinte, chamada de pós-treinamento, responsável por ajustes e melhorias de desempenho.

Além do Avocado, o laboratório trabalha em outro projeto com nome inspirado em frutas: o “Mango”, voltado à geração de imagens e vídeos por inteligência artificial.

Até agora, a divisão lançou apenas um produto, o Vibes, um aplicativo de criação de vídeos com IA semelhante ao Sora, da OpenAI.

Mesmo com o adiamento, a Meta segue apostando no TDB Lab. Isso porque, em uma teleconferência com investidores realizada em janeiro, Zuckerberg já havia sinalizado que os primeiros modelos dessa nova fase poderiam não ser revolucionários de imediato. O objetivo da empresa é demonstrar uma trajetória de evolução rápida na tecnologia.

Mark Zucekrberg de óculos
Foco de Zuckerberg é no desenvolvimento acelerado da tecnologia (Imagem: Reprodução/YouTube/Meta)

Debate sobre código aberto

Outro ponto em discussão dentro da Meta é o modelo de distribuição das novas tecnologias.

Historicamente, a empresa defendeu a estratégia de IA de código aberto, permitindo que desenvolvedores utilizem partes do sistema para criar novos projetos. Empresas como OpenAI e Anthropic adotam uma abordagem fechada, mantendo o funcionamento interno dos modelos restrito.

Nos últimos meses, porém, executivos da Meta passaram a considerar a possibilidade de manter os novos sistemas fechados, ao menos nesta fase inicial.

O desenvolvimento do Avocado também foi acompanhado por ajustes internos na estrutura da empresa. Segundo o WSJ, Wang entrou em divergência com outros executivos sobre a forma como os novos modelos deveriam contribuir para o negócio principal da companhia, especialmente na área de publicidade digital.

Rumores sobre um possível desentendimento entre Zuckerberg e Wang chegaram a circular internamente, mas foram negados pela empresa.

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Como as IAs são (e serão) usadas nas guerras?

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital
Hoje vamos retomar um assunto que tem dominado o noticiário tech nas últimas semanas.

O general Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, afirmou que sistemas baseados em IA estão sendo usados principalmente para processar e analisar grandes volumes de dados militares em tempo reduzido em meio à guerra no Oriente Médio. Segundo o comandante, isso permite interpretar rapidamente informações estratégicas e apoiar a tomada de decisões.

Apesar disso, o general garantiu que as decisões finais seguem nas mãos dos humanos, inclusive no que diz respeito à escolha de alvos. A confirmação do uso de ferramentas de IA pelo exército norte-americano ocorre em um momento de pressão internacional sobre o impacto das operações militares na população civil.

De acordo com dados das autoridades iranianas, a ofensiva já deixou pelo menos 1.300 mortos em pouco mais de uma semana. Esses números não puderam ser verificados de forma independente. Já a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirmou que os ataques atingiram infraestrutura civil significativa, incluindo quase 20 mil edifícios e 77 unidades de saúde. Entre os locais afetados estariam mercados, instalações esportivas, escolas e uma usina de dessalinização de água.

O uso de IA em operações militares ocorre paralelamente a uma disputa entre o governo dos Estados Unidos e a Anthropic. A desenvolvedora responsável pelo Claude se recusou a flexibilizar suas regras de segurança para permitir que o exército usasse a tecnologia em atividades de vigilância em massa de cidadãos americanos e armas autônomas. O acordo entre as partes foi desfeito, com a empresa sendo rotulada como “risco à cadeia de suprimentos”, o que impede novos contratos federais.

De outro lado, a China também fez um alerta sobre a situação: o Ministério da Defesa do país afirmou que o uso militar irrestrito da IA pode empurrar a civilização para um cenário de perda de controle tecnológico. O coronel sênio Jiang Bin, porta-voz do órgão, chegou a comparar a situação com o filme “O Exterminador do Futuro”.

O temor chinês, e de outros países do mundo, é que a tecnologia passe a decidir sobre a vida e a morte de seres humanos.

Para evitar esse cenário, a China propõe que a ONU centralize uma governança multilateral sobre a IA. A intenção é criar regras globais para impedir que a automação transforme o campo de batalha num território onde a humanidade perdeu o direito de intervir.

Para falar sobre tudo isso, o Olhar Digital News recebeu ontem Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Confira um resumo da fala do professor:

  • A atual guerra no Oriente Médio não é a primeira a usar IA. Considera-se que a utilização da tecnologia começou em 2021, no conflito entre Israel em Hamas.
  • De lá para cá, tivemos o desenvolvimento em diversos países: EUA, Rússia, China, Ucrânia e Israel.
  • No caso americano, existe um grande projeto do Pentágono, o JADC2, que cria uma IA capaz de trazer dados de todas as Forças Armadas para planejar e observar a execução de operações militares.
  • Então, a adoção da IA vai em diversos níveis: do planejamento logístico até o controle em tempo real.
  • O desenvolvimento dos sistemas de IA dos EUA, Israel e Irã também indica que a gente tem o uso dessa tecnologia para coordenação de ataques. A IA é capaz de processar dados muito mais rapidamente e entrega, em minutos, algo que levaria horas ou dias para ser feito por um analista humano.
  • “O que a IA traz, efetivamente, talvez seja a aceleração do processo de decisão para atacar e, também, do controle das operações militares – impondo uma pressão muito grande sobre líderes políticos” – diz o professor.

“A tendência de uma IA acelerar uma decisão é muito grande. E decisões numa guerra são fatais. São decisões de segundos que podem criar impactos que se arrastarão por anos ou décadas. Então, o debate ético é muito importante. (…) A posição que a Anthropic tomou é uma posição de acordo com muitos especialistas sobre como você vai usar uma IA e como você vai usar armas autônomas. Elas não devem se misturar. Armas autônomas devem ter uma capacidade limitada de operação. E não devem ser supridas por sistemas de IA, porque você estaria criando uma figura capaz de combater sem a intervenção humana – o que pode ter consequências desastrosas no campo de batalha”.

“Aqui vai caber a pressão dos cidadãos e da comunidade internacional para que a gente chegue a um momento em que haja um tratado que controle a proliferação de sistemas de IA, assim como a gente teve o arcabouço para armas nucleares”.
Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, em entrevista ao Olhar Digital News

Você pode acompanhar a entrevista na íntegra clicando aqui.

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