Matemática

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Pesquisadores questionam método da OpenAI para resolver problema matemático

A OpenAI afirma que seus agentes de inteligência artificial (IA) resolveram um dos problemas matemáticos mais importantes ainda em aberto: uma questão relacionada às equações de Navier-Stokes, que descrevem o movimento de fluidos. A possível solução pode render um prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões), mas matemáticos questionam a velocidade do avanço e a forma como a empresa chegou ao resultado.

A controvérsia aumentou depois que Tristan Buckmaster, matemático da Universidade de Nova York (EUA), afirmou ter sido questionado por funcionários da OpenAI sobre seu trabalho relacionado ao mesmo problema. Segundo ele, durante uma reunião em 6 de setembro, ouviu a pergunta: “Por que você arruinaria sua carreira?”.

Buckmaster descreveu o episódio em uma declaração pública e levantou dúvidas sobre a possibilidade de a OpenAI ter se beneficiado de pesquisas que ele e Levent Alpöge, matemático da Anthropic, estavam desenvolvendo.

O que a OpenAI afirma ter descoberto

As equações de Navier-Stokes foram formuladas no início do século XIX por Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes. Elas são usadas para descrever como fluidos se movimentam e ajudam a explicar fenômenos que vão desde o fluxo de ar provocado por uma hélice até a circulação do sangue pelas artérias.

O grande problema matemático é determinar se essas equações sempre produzem respostas finitas ou se, em determinadas condições, podem apresentar uma singularidade, conhecida como “blowup”. Nesse cenário, uma grandeza física, como a velocidade ou a pressão de um fluido, poderia aumentar indefinidamente em determinado ponto do espaço e do tempo.

A questão faz parte dos sete Problemas do Milênio definidos pelo Clay Mathematics Institute. Cada solução correta vale um prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões). Para investigar o problema, a OpenAI utilizou uma técnica chamada forcing, que consiste em aplicar uma perturbação suave e controlada ao fluido simulado.

A empresa colocou aproximadamente dez mil agentes de IA para trabalhar simultaneamente na questão. Eles permaneceram em atividade durante cerca de 88 horas. Cerca de 100 agentes começaram analisando as equações de Euler, uma versão relacionada às equações de Navier-Stokes que desconsidera a viscosidade.

Após aproximadamente 50 horas, os agentes encontraram blowups nas equações de Euler. A descoberta levou a equipe a direcionar os esforços para o problema de Navier-Stokes.

A OpenAI afirma que seus agentes produziram uma singularidade na qual um vórtice se torna progressivamente mais apertado, alongado e fino, fazendo com que o fluido, matematicamente, gire em direção ao infinito.

A prova foi submetida ao Lean, programa utilizado para verificar cada etapa de argumentos matemáticos. Segundo a OpenAI, os agentes trocaram 2,7 milhões de mensagens e produziram aproximadamente 130 bilhões de tokens.

Em uma coletiva realizada na terça-feira (8), representantes da empresa afirmaram que uma tarefa semelhante executada por um cliente teria custado US$ 15 milhões (cerca de R$ 81 milhões).

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Problema foi proposto há bastante tempo – Imagem: Roman Samborskyi/Shutterstock

Matemáticos questionam como a OpenAI chegou ao resultado tão rápido

  • A velocidade do resultado chamou a atenção de pesquisadores porque Buckmaster e Alpöge estavam trabalhando em uma estratégia semelhante, também baseada na aplicação de forcing às equações de Euler;
  • A abordagem havia sido desenvolvida pelos matemáticos Diego Córdoba, do Instituto de Ciências Matemáticas de Madri, e Luis Martínez-Zoroa, da Universidade CUNEF, também na Espanha. Segundo Buckmaster, quase ninguém além deles estava trabalhando com essa linha de investigação;
  • Buckmaster afirmou que ele e Alpöge obtiveram resultados de blowup nas equações de Euler com forcing suave em 15 de agosto. Em 3 de setembro, disse ter recebido a informação de que a OpenAI havia tomado conhecimento do avanço dos dois pesquisadores e adotado o mesmo método;
  • Segundo a OpenAI, porém, seu trabalho com Navier-Stokes começou em 1º de setembro, depois que a empresa ouviu “rumores sobre outras resoluções de problemas do milênio”.

Sam Altman, CEO da OpenAI, reconheceu que a empresa havia tomado conhecimento do trabalho de Buckmaster e Alpöge antes de divulgar seu próprio resultado. “Estávamos curiosos para saber se o nosso também conseguiria”, escreveu ele. Altman afirmou ainda que as abordagens “parecem diferentes”, algo que Buckmaster contesta.

A OpenAI citou os dois matemáticos em sua declaração, reconheceu a resolução independente do problema de Euler com forcing e afirmou ter oferecido a eles a possibilidade de publicar o trabalho em conjunto.

Pesquisador questiona uso de seus dados pela OpenAI

A controvérsia também envolve o uso do Codex, assistente de programação da OpenAI. Buckmaster afirmou que utilizava a ferramenta durante sua pesquisa e colocava nela rascunhos do trabalho desenvolvido com Alpöge.

O matemático disse ter perguntado à OpenAI se as sessões do Codex poderiam ter sido acessadas ou utilizadas para treinar modelos. Segundo ele, não recebeu resposta sobre a questão do treinamento.

A OpenAI afirmou que funcionários ou agentes da empresa não tiveram acesso ao trabalho da dupla “por nenhum meio” antes de sua divulgação pública. Ao mesmo tempo, a companhia reconheceu que não poderia descartar a possibilidade de dados anonimizados derivados do uso de seus produtos terem ajudado a melhorar seus modelos.

Buckmaster também afirmou que Sébastien Bubeck, responsável pela pesquisa matemática da OpenAI, teria pressionado duas vezes para retirar Alpöge da autoria de um artigo que os dois matemáticos preparavam. Alpöge trabalha na Anthropic, concorrente da OpenAI.

Bubeck negou as acusações e classificou as alegações como “falsas e inflamatórias”. Ele afirmou que a OpenAI não utilizou os prompts ou as provas dos pesquisadores para orientar seus modelos.

Buckmaster, por sua vez, disse que não viu a prova produzida pela OpenAI e que não sabe exatamente como o modelo chegou ao resultado ou se os dados dos pesquisadores foram utilizados. Ele pediu uma investigação independente sobre a origem do trabalho da empresa.

Comunidade matemática reage

Diego Córdoba afirmou ter ficado surpreso com a rapidez com que o resultado apareceu. Outros matemáticos também demonstraram preocupação com a maneira como a descoberta foi divulgada.

Terence Tao, professor de matemática da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou que o episódio mostra como até mesmo o rumor de que alguém está trabalhando em um grande problema pode desencadear um esforço massivo de IA para resolver a questão antes que a pesquisa original esteja concluída.

Segundo Tao, os incentivos podem fazer pesquisadores deixarem de compartilhar ideias promissoras com a comunidade científica, prejudicando uma tradição de séculos de ciência aberta.

A prova da OpenAI ainda aguarda revisão formal por pares. O Clay Mathematics Institute também não confirmou nem rejeitou oficialmente a solução apresentada pela empresa.

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IA da OpenAI resolve um dos problemas mais difíceis da matemática

A OpenAI afirma ter resolvido um dos problemas mais difíceis e antigos da matemática: o chamado problema de existência e suavidade de Navier-Stokes, uma das sete questões do “Prêmio do Milênio” estabelecidas pelo Clay Mathematics Institute.

Segundo a empresa, um sistema interno de inteligência artificial (IA) produziu uma prova analítica que demonstra que as equações de Navier-Stokes podem desenvolver uma singularidade em tempo finito. A OpenAI também apresentou uma formalização da prova na linguagem Lean, usada para verificar matematicamente o resultado.

O anúncio representa um avanço significativo para a IA aplicada à matemática. As equações de Navier-Stokes são usadas para descrever o movimento de fluidos e aparecem em áreas, como previsão do tempo, projeto de aeronaves e estudo do fluxo sanguíneo.

A questão que permaneceu sem resposta por décadas é se essas equações conseguem manter uma solução suave em três dimensões ou se, em determinadas condições, podem entrar em colapso e produzir uma singularidade. Nesse cenário, a velocidade do fluido cresceria sem limite em um intervalo finito de tempo.

O problema foi formulado como uma das sete questões do Millennium Prize Problems em 2000. Cada uma delas recebeu um prêmio de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) para quem apresentasse uma solução correta.

IA encontrou uma situação em que as equações “quebram”

  • De acordo com a OpenAI, a solução encontrada descreve um vórtice, ou redemoinho, que gira para dentro e se alonga progressivamente. A região central diminui enquanto a velocidade aumenta, mas a energia permanece finita;
  • A dificuldade matemática estava justamente em fazer com que a singularidade surgisse a partir do próprio movimento do fluido. A solução não poderia simplesmente introduzir uma força infinita externamente para provocar o colapso;
  • A prova apresentada pela empresa mostra que uma situação inicialmente suave e com o fluido em repouso pode evoluir para uma singularidade em tempo finito, mesmo com a aplicação de uma força externa suave. Segundo a OpenAI, isso resolve o problema de Navier-Stokes ao estabelecer uma das possibilidades previstas na formulação oficial do Clay Mathematics Institute;
  • Embora a conclusão tenha implicações matemáticas profundas, isso não significa que fluidos reais passem a explodir ou que as leis da física deixem de funcionar. A singularidade representa um ponto em que o modelo matemático deixa de conseguir descrever adequadamente o comportamento do fluido.

Cerca de dez mil agentes de IA trabalharam no problema

Para chegar ao resultado, a OpenAI utilizou um sistema formado por agentes de IA coordenados entre si. Segundo a empresa, aproximadamente dez mil agentes trabalharam simultaneamente na resolução de Navier-Stokes. Eles receberam diferentes versões do problema e foram divididos em grupos para explorar abordagens distintas.

O processo começou depois que pesquisadores da OpenAI ouviram, em 1º de setembro, rumores de que dois problemas do milênio poderiam ter sido resolvidos. A empresa decidiu então testar seu novo modelo interno nos problemas ainda abertos.

O sistema também foi utilizado para investigar uma questão semelhante relacionada às equações de Euler, que não incluem o termo de viscosidade presente nas equações de Navier-Stokes. Quase 100 agentes trabalharam durante aproximadamente 50 horas para chegar a uma solução para esse problema.

Depois desse resultado, a OpenAI concentrou seus recursos em Navier-Stokes. Os grupos de agentes passaram a compartilhar descobertas, com o Codex sendo utilizado para consolidar as informações consideradas mais úteis entre as diferentes equipes.

Os agentes chegaram à solução de Navier-Stokes em 5 de setembro, cerca de 88 horas depois do início do trabalho. A formalização e a verificação da prova em Lean exigiram outras 17 horas.

Ao longo de todas as tentativas realizadas no projeto, os agentes enviaram 4,9 milhões de mensagens e utilizaram cerca de 300 bilhões de tokens. Apenas no trabalho relacionado a Navier-Stokes foram 2,7 milhões de mensagens e aproximadamente 130 bilhões de tokens.

O custo computacional também foi elevado. Segundo o material de apoio, a operação exigiu um poder de processamento avaliado na casa dos milhões de dólares, devido à enorme quantidade de recursos necessários para executar tantos sistemas de IA simultaneamente.

OpenAI diz que não pretende ficar com o prêmio de R$ 5 milhões

Apesar de considerar o resultado uma resolução do problema de Navier-Stokes, a OpenAI afirmou que não pretende reivindicar o prêmio de US$ 1 milhão oferecido pelo Clay Mathematics Institute.

A empresa apresentou o trabalho como uma demonstração do avanço de seus modelos de IA e publicou tanto uma descrição da solução quanto sua formalização em Lean, permitindo que outros matemáticos analisem o resultado.

O anúncio, porém, não encerrou a discussão sobre o feito. Além da análise matemática da prova, surgiu uma disputa envolvendo pesquisadores que trabalhavam em problemas relacionados e a possibilidade de que ideias desenvolvidas por eles tenham chegado à OpenAI.

Segundo a empresa, um sistema interno de inteligência artificial (IA) produziu uma prova analítica que demonstra que as equações de Navier-Stokes podem desenvolver uma singularidade em tempo finito – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

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“Momento Kasparov”: avanço da IA vira disputa entre laboratórios

O anúncio da OpenAI aconteceu em meio a uma disputa científica envolvendo pesquisadores ligados à própria empresa e à Anthropic.

Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York (EUA), e Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic, trabalhavam em problemas relacionados à dinâmica de fluidos. Os dois haviam divulgado resultados obtidos com “muita ajuda” de modelos de linguagem, incluindo sistemas da Anthropic e da OpenAI.

O trabalho dos pesquisadores avançava sobre as equações de Euler e apresentava um chamado “blow-up”, ou singularidade. Parte dos resultados também havia sido formalizada em Lean.

A situação ganhou contornos de disputa por crédito depois que Buckmaster afirmou que rumores sobre o método desenvolvido por sua equipe poderiam ter chegado à OpenAI. Ele alegou que uma equipe interna da empresa teria utilizado um modelo próprio para avançar sobre o problema completo de Navier-Stokes.

Também surgiu uma discussão sobre autoria. Buckmaster afirmou que a OpenAI teria oferecido a ele autoria exclusiva em um artigo que reconheceria que o modelo interno havia resolvido o problema, mas sem incluir Alpöge, que trabalha para uma empresa concorrente.

A OpenAI nega ter tido acesso ao trabalho dos pesquisadores antes de sua divulgação pública. A empresa afirma que seus pesquisadores e agentes não viram o material de Buckmaster e Alpöge por nenhum meio antes da publicação.

Em seu comunicado, a OpenAI disse ainda que, quando procurou os dois pesquisadores, após concluir seu próprio trabalho, descobriu que eles haviam resolvido uma versão diferente do problema: o caso das equações de Euler com força externa. A empresa afirmou que reconhece a prioridade dos pesquisadores nesse resultado.

O que muda para a matemática?

O avanço também reacende uma discussão sobre o papel da IA na produção de conhecimento científico. Sistemas de IA vêm sendo treinados para resolver problemas matemáticos por meio de técnicas, como aprendizado por reforço. Ao trabalhar repetidamente com problemas cuja resposta pode ser objetivamente verificada, os modelos conseguem aprender quais estratégias funcionam e quais levam a resultados incorretos.

A linguagem Lean amplia esse processo ao permitir que provas matemáticas sejam transformadas em código e submetidas a uma verificação formal.

O resultado da OpenAI é particularmente significativo porque o problema de Navier-Stokes estava entre as questões consideradas mais difíceis da matemática moderna. Durante décadas, matemáticos tentaram determinar se as equações poderiam desenvolver uma singularidade ou se permaneceriam sempre suaves.

O feito, portanto, vai além de uma demonstração de capacidade computacional. Ele coloca a IA cada vez mais perto de uma função que, durante muito tempo, foi considerada exclusivamente humana: encontrar novos caminhos para problemas matemáticos fundamentais.

Ao mesmo tempo, a disputa envolvendo OpenAI e pesquisadores ligados à Anthropic levanta uma questão que pode se tornar cada vez mais importante à medida que a IA passa a participar diretamente da pesquisa científica: quem é o autor de uma descoberta quando humanos e máquinas trabalham juntos — e como proteger ideias ainda não publicadas enquanto elas são desenvolvidas com ferramentas de grandes laboratórios de IA?

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IA testa 650 ideias para atacar mistério matemático de 150 anos

Um modelo de IA ainda não lançado da Anthropic conseguiu avançar em um dos grandes problemas não resolvidos da matemática: a Hipótese de Riemann. A IA aumentou significativamente o limite inferior de soluções para as quais a hipótese é válida, mas ainda não encontrou uma prova definitiva.

O resultado chama atenção pelo método usado. Um funcionário da Anthropic sem formação matemática significativa pediu que o modelo tentasse provar a hipótese e, depois, deixou a IA coordenar o trabalho por cerca de um dia e meio.

A IA da Anthropic não resolveu a Hipótese de Riemann, mas ampliou o limite de soluções para as quais a hipótese permanece válida. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Um desafio que dura mais de 150 anos

A Hipótese de Riemann é um dos grandes mistérios da matemática e está relacionada à distribuição dos números primos. Uma prova geral da hipótese vale atualmente US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,16 milhões.

Assim como outros modelos de inteligência artificial, o sistema da Anthropic ainda não conseguiu solucionar definitivamente o problema. Mesmo assim, o avanço mostra que essas ferramentas podem explorar problemas matemáticos complexos de maneira bem mais profunda do que simplesmente fornecer respostas baseadas em conhecimentos existentes.

Tudo começou com um pedido direto. O funcionário solicitou que a IA desse uma “tentativa de verdade” de provar a hipótese. A partir daí, o modelo passou a coordenar a tarefa durante aproximadamente 36 horas.

650 ideias testadas pela inteligência artificial

O trabalho envolveu uma quantidade impressionante de tentativas e verificações:

  • 650 ideias diferentes foram testadas;
  • 60 subagentes participaram da tarefa;
  • 31 milhões de tokens de saída foram utilizados;
  • dois subagentes desenvolveram as principais ideias matemáticas;
  • outros 13 contribuíram com sugestões para esses agentes.

A divisão das funções também foi curiosa. Trinta subagentes tentaram desenvolver novas ideias, mas não conseguiram chegar a abordagens inéditas. Outros 13 ficaram encarregados de validar os argumentos. Os dois últimos ajudaram a preparar a versão inicial do artigo.

“Dos 60 subagentes, dois foram responsáveis pelo desenvolvimento das principais ideias matemáticas”, explica uma nota de rodapé do trabalho.

O resultado foi confirmado por dois matemáticos da Anthropic e formalizado com o Lean, assistente de provas de código aberto.

Hipótese de Riemann. Problema matemático
A Hipótese de Riemann tem mais de 150 anos e continua sem uma prova geral. A IA, porém, conseguiu avançar na investigação. – Imagem criada por inteligência artificial. Gemini/Olhar Digital

A matemática ainda está dividida

O episódio faz parte de uma sequência de avanços envolvendo grandes modelos de linguagem. Neste ano, diferentes sistemas de IA já ajudaram a resolver problemas de Erdős. A Anthropic também apresentou um trabalho que contestou a antiga conjectura de Jacobian, enquanto a OpenAI divulgou dez resultados comprovados por seu modelo interno, chamado Astra.

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A evolução, porém, divide opiniões. Em junho, matemáticos levantaram preocupações sobre o impacto da IA em princípios tradicionais da área, especialmente a ideia de que provas devem ser atribuídas a autores que assumam responsabilidade por suas descobertas e correção.

O medalhista Fields Timothy Gowers apresentou uma visão diferente. Para ele, a presença crescente da IA pode transformar a matemática de uma maneira mais complexa — e talvez positiva.

“Se chegarmos a um mundo em que os teoremas matemáticos não estejam mais associados aos matemáticos, talvez isso não seja mais problemático do que o fato de as estrelas não receberem nomes de astrônomos e de a maioria nem sequer ter nome”, escreveu Gowers em seu blog.

O caso da Anthropic mostra que a IA ainda não resolveu a Hipótese de Riemann, mas já consegue explorar caminhos que seriam difíceis de testar manualmente em escala semelhante.

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Pela 1ª vez, uma IA vence desafio que só gênios resolviam

Pela primeira vez, modelos de inteligência artificial conseguiram pontuação máxima na Olimpíada Internacional de Matemática (OIM). Os sistemas da Huawei e da Xiaohongshu resolveram corretamente todas as questões apresentadas após a prova dos competidores humanos.

O resultado coloca a IA em um novo patamar em desafios matemáticos avançados, uma área que exige raciocínio lógico e resolução de problemas complexos.

O desempenho mostra como a inteligência artificial avança em tarefas que exigem raciocínio lógico. – Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock

Modelos chineses atingem desempenho inédito

A Huawei informou que seu sistema Celia demonstrou “capacidades abrangentes de resolução de problemas” em diferentes áreas da matemática. Já a Xiaohongshu participou da competição com o modelo dots-note-3.0, apresentado pela primeira vez na OIM.

As empresas receberam as questões somente depois que os estudantes finalizaram a prova e precisaram enviar as respostas dentro do prazo definido pela organização.

Entre os destaques da edição deste ano estão:

  • A competição reuniu 666 participantes de diferentes países;
  • Apenas sete estudantes humanos alcançaram a pontuação máxima;
  • Os participantes tinham menos de 20 anos;
  • Modelos do Google e da OpenAI haviam atingido nível ouro em 2025, mas sem nota perfeita.

“Estamos entusiasmados com este resultado, porque alcançar uma pontuação perfeita na OMI é extremamente difícil”, afirmou a Xiaohongshu em comunicado.

Evolução da IA em desafios matemáticos

O desempenho mostra a rápida evolução dos modelos de inteligência artificial em tarefas que dependem de análise e raciocínio em várias etapas. Na edição de 2024 da OIM, o Google conseguiu apenas uma pontuação equivalente à medalha de prata, resolvendo quatro dos seis problemas da prova.

Agora, a conquista de uma nota perfeita aproxima os sistemas de IA do desempenho dos melhores estudantes da competição.

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Apenas sete estudantes humanos tiveram nota máxima na OIM deste ano, junto com as novas IAs. Imagem: Abidkhan1290/Shutterstock

Resultado amplia debate sobre capacidade da IA

Apesar do avanço, os modelos foram avaliados em uma condição diferente da dos participantes humanos, já que receberam os problemas posteriormente e não participaram da disputa seguindo as mesmas regras.

Ainda assim, o resultado reforça como a inteligência artificial está avançando em áreas tradicionalmente associadas ao raciocínio humano, especialmente em desafios matemáticos de alta complexidade.

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IA encontra resposta que matemáticos buscavam há 87 anos

Um problema matemático que resistiu por 87 anos teve um desfecho inesperado: uma inteligência artificial ajudou um pesquisador a encontrar um contraexemplo capaz de derrubar uma das conjecturas mais conhecidas da área.

Segundo a New Scientist, a descoberta feita pelo matemático Levent Alpöge pode ser o caso mais complexo já resolvido com participação significativa de uma IA na matemática.

IA encontra falha em uma das maiores conjecturas da matemática moderna. Imagem: PeachShutterStock/Shutterstock

Conjectura de 1939 é derrubada por uma linha matemática

Alpöge, pesquisador da Universidade Harvard, publicou em 19 de julho, na rede social X, um contraexemplo de apenas 216 caracteres que contradiz a chamada conjectura de Jacobiano.

Formulada pelo matemático Ott-Heinrich Keller em 1939, a hipótese defendia que determinado tipo de função matemática também deveria funcionar no sentido inverso. O problema atravessou décadas sem uma resposta definitiva e chegou a integrar, em 1998, uma lista de 18 grandes desafios matemáticos para o século XXI criada por Stephen Smale.

Em sua publicação, Alpöge afirmou que contou com a ajuda de seu “amigo próximo Fable”, aparentemente uma referência ao Claude Fable 5, modelo de IA da Anthropic. O pesquisador também agradeceu ao sistema pelo trabalho realizado durante a final da Copa do Mundo.

Logo do Claude Fable
A participação do Fable na pesquisa mostra como modelos de IA começam a influenciar descobertas em áreas como a matemática. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas destacam avanço da inteligência artificial

Para Abhishek Saha, pesquisador da área de matemática da Queen Mary University of London, o resultado amplia o papel da IA na pesquisa matemática.

“Provavelmente esta é a maior conjectura na qual a IA desempenhou um papel significativo [ao provar ou refutar] até agora na matemática”, afirmou. “Isso é muito importante. A IA fez um progresso notável no último ano.”

Segundo Saha, o contraexemplo publicado é simples de verificar, e diversos matemáticos já confirmaram sua validade. A grande questão agora é entender como a IA chegou ao caminho da solução.

Entre os pontos que chamaram atenção estão:

  • a conjectura permaneceu sem resposta por 87 anos;
  • o contraexemplo possui apenas 216 caracteres;
  • a descoberta derruba a hipótese em determinadas condições;
  • o processo usado pela IA ainda não foi totalmente explicado.

O pesquisador destacou que o resultado surpreendeu porque muitos pesquisadores acreditavam que a conjectura parecia intuitivamente correta.

As pessoas tentavam provar a conjectura porque ela parecia, intuitivamente, muito verdadeira. Não acho que muitos estivessem tentando refutá-la. E agora temos esse contraexemplo em uma única sentença”, disse.

Abhishek Saha, pesquisador da área de matemática da Queen Mary University of London, ao New Scientist.

Schopenhauer, filósofo: "A vida oscila, como um pêndulo, alternando entre a dor e o tédio."
A solução inesperada abre uma nova discussão sobre como humanos e inteligência artificial podem trabalhar juntos na ciência. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Criatividade humana ainda tem papel central

Apesar do impacto da descoberta, o resultado ainda não encerra todas as questões envolvendo a conjectura de Jacobiano. O contraexemplo encontrado por Alpöge derruba a hipótese no caso de três variáveis, mas uma versão equivalente envolvendo apenas duas variáveis ainda pode permanecer válida, mantendo parte do problema em aberto.

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O avanço também reacendeu o debate sobre até onde a inteligência artificial pode chegar na matemática. Para Chris Bowman-Scargill, da Universidade de York, a tecnologia já mostrou capacidade para encontrar soluções em problemas complexos, mas isso não significa que a criatividade humana tenha perdido espaço.

O pesquisador lembra que algumas das maiores conquistas da área exigiram muito mais do que uma resposta final. Ele cita o Último Teorema de Fermat, solucionado por Andrew Wiles em 1994, como exemplo de um problema cuja resolução dependeu da criação de novas teorias matemáticas ao longo de anos de trabalho.

Na mesma linha, Ivan Fesenko, da Westlake University, avalia que modelos de IA cada vez mais avançados devem transformar a pesquisa matemática nos próximos anos. Para ele, a tecnologia pode alterar profundamente a maneira como novos conhecimentos são desenvolvidos, abrindo espaço para uma nova fase da descoberta científica.

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Matemáticos testam IAs em Harvard e modelos são aprovados em 7 dos 10 problemas

Trinta matemáticos se reuniram em Harvard esta semana para fazer algo incomum: corrigir provas feitas por inteligência artificial. O projeto First Proof testou quatro sistemas de IA em dez problemas que haviam sido resolvidos por humanos, mas nunca publicados.

O resultado, anunciado na semana passada, surpreendeu: sete dos dez problemas receberam ao menos uma solução correta. Os quatro sistemas usaram principalmente o GPT-5.5 Pro, da OpenAI – presente em três das quatro configurações – e o Gemini 3.1 Pro Preview, do Google. O Claude Opus 4.7, da Anthropic, apareceu como modelo secundário em um dos sistemas.

Algumas foram classificadas como “impecáveis.” Em um caso, o modelo usou uma estratégia diferente da humana e impressionou os avaliadores.

Por que matemáticos criaram seu próprio teste

A iniciativa surgiu da insatisfação com a narrativa das empresas de tecnologia. As companhias anunciam conquistas, mas verificar as soluções é difícil e os modelos são inconsistentes.

“Não escreve da forma como nós escrevemos – de certa forma, não escreve de maneira honesta”, disse Martin Hairer, matemático do Imperial College London e vencedor da Medalha Fields, ao Washington Post.

Humanos como alpinistas, IA como saltadores

Terry Tao, outro medalhista Fields e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, encontrou uma analogia precisa para a diferença.

Especialistas humanos são como alpinistas: exploram o terreno com paciência, identificam submetas e se ajudam mutuamente. Os sistemas de IA seriam “saltadores” – capazes de atingir alturas que humanos não atingiriam de uma vez, mas que não falham com elegância. Uma tentativa fracassada da IA raramente oferece algo aproveitável para o próximo passo.

O que a IA ainda não sabe fazer

O ponto crítico, segundo matemáticos, não é resolver problemas, é escolhê-los. Definir o que vale a pena investigar exige julgamento, intuição e percepção do contexto maior da disciplina.

Lauren Williams, professora em Harvard e uma das líderes do First Proof, usou um exemplo simples ao Washington Post: um geólogo poderia perguntar qual é a cor média de uma pedra na Terra. É uma pergunta válida – mas provavelmente não é uma pergunta interessante. A IA não distingue as duas.

Sébastien Bubeck, matemático da OpenAI, concorda: os modelos resolvem, mas não entendem por que estão resolvendo – nem qual o papel daquele problema no programa maior da matemática.

2.300 matemáticos assinam manifesto

Em paralelo aos testes, matemáticos lançaram a Declaração de Leiden – manifesto internacional com mais de 2.300 signatários que estabelece diretrizes para o uso ético e transparente da IA na área.

A declaração reconhece o potencial da tecnologia, mas aponta riscos: os modelos não creditam as ideias que utilizam, e as empresas promovem sucessos sem transparência sobre os casos de falha.

O contexto: o problema de 80 anos

Em maio, a OpenAI anunciou que um modelo havia refutado uma conjectura de Paul Erdős sem solução há 80 anos. O resultado foi chamado de “solução espetacular” pelo matemático de Princeton Noga Alon.

O First Proof surge como resposta organizada da comunidade científica: em vez de reagir aos anúncios das empresas, os matemáticos passaram a definir seus próprios critérios de avaliação.

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OpenAI diz que IA resolveu problema matemático de 80 anos

A OpenAI afirmou que um de seus modelos internos de inteligência artificial resolveu um problema matemático aberto há oito décadas, em um resultado que foi posteriormente revisado e validado por matemáticos. O anúncio foi feito na semana passada e envolve o chamado problema da distância unitária no plano, formulado pelo matemático húngaro Paul Erdős em 1946.

Segundo a empresa, a solução representa um avanço importante na capacidade da IA de lidar com questões matemáticas complexas. A OpenAI também afirma que esta seria a primeira vez que uma inteligência artificial resolve de forma autônoma um problema em aberto considerado central para uma área específica da matemática.

Modelo interno da OpenAI conseguiu resolver um problema matemático que persistia sem solução há 80 anos – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

O que é o problema da distância unitária no plano

O problema proposto por Erdős busca responder a uma pergunta aparentemente simples: qual é o número máximo de pares de pontos que podem estar separados por exatamente uma unidade de distância em um plano bidimensional?

Na formulação original, Erdős sugeriu que esse número cresceria um pouco mais rápido do que a quantidade total de pontos considerados. Desde então, matemáticos tentam estabelecer limites para a questão.

Até agora, o limite superior mais preciso conhecido havia sido definido em 1984. De acordo com a OpenAI, seu modelo encontrou um conjunto de configurações que ultrapassou o limite associado ao trabalho anterior.

Modelo não foi treinado especificamente para matemática

Um dos aspectos destacados pela OpenAI é que o modelo utilizado seria de raciocínio geral e não teria sido treinado especificamente para resolver esse problema nem para atuar exclusivamente em matemática.

Em um artigo de pesquisa associado ao trabalho, os cientistas da empresa afirmaram que o sistema empregou uma abordagem considerada inédita para substituir uma teoria normalmente ligada ao problema da distância unitária no plano.

A OpenAI afirmou ainda que os conceitos utilizados já eram conhecidos por especialistas em teoria algébrica dos números, mas que foi surpreendente identificar implicações dessas ideias para questões geométricas.

Revisão humana confirmou os resultados

Apesar de atribuir a descoberta à inteligência artificial, a OpenAI destacou que matemáticos externos foram convidados para revisar e confirmar os resultados. Esses pesquisadores também produziram um artigo complementar explicando o contexto da solução encontrada pelo modelo.

O matemático Thomas Bloom, da Universidade de Manchester e responsável pelo site dedicado aos problemas de Erdős, afirmou no trabalho complementar que a demonstração produzida pela IA era válida, mas foi significativamente aprimorada por pesquisadores humanos da OpenAI e por outros matemáticos envolvidos.

Segundo Bloom, a participação humana continua sendo fundamental para discutir, interpretar, aperfeiçoar a prova matemática e investigar suas consequências.

Comunidade matemática reage de forma positiva

As reações de matemáticos citadas pela OpenAI foram majoritariamente favoráveis. Tim Gowers, professor de matemática da Universidade de Cambridge, classificou a solução como um marco para a matemática produzida por inteligência artificial.

De acordo com ele, se o artigo tivesse sido escrito por um pesquisador humano e submetido à revista Annals of Mathematics, sua recomendação seria pela aceitação sem hesitação. Gowers também afirmou que nenhuma demonstração gerada por IA havia alcançado um nível semelhante anteriormente.

A OpenAI argumenta que o resultado serve como uma demonstração de que sistemas de IA podem contribuir para pesquisas de fronteira. Ainda assim, a empresa ressalta que a tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio aos matemáticos, e não como substituta do trabalho humano.

Histórico de alegações semelhantes

O anúncio ocorre após um episódio envolvendo declarações feitas pela OpenAI em outubro do ano passado. Na ocasião, representantes da empresa, incluindo o gerente Kevin Weil e o executivo Sebastien Bubkeck, afirmaram que o GPT-5 havia resolvido dez problemas matemáticos não solucionados atribuídos a Erdős e avançado em outros onze.

Posteriormente, Bubkeck retirou a afirmação e apagou sua publicação inicial após especialistas, entre eles Thomas Bloom, apontarem que os problemas mencionados já haviam sido resolvidos anteriormente por matemáticos humanos.

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ChatGPT agora explica matemática e ciência com visuais interativos

O ChatGPT agora conta com recursos visuais e interativos para facilitar o aprendizado de matemática e ciência. A novidade, anunciada pela OpenAI, permite que os usuários manipulem variáveis dentro de equações e visualizem instantaneamente como essas mudanças afetam gráficos e resultados. Disponível globalmente para todos os usuários, a ferramenta busca transformar o estudo abstrato em uma experiência experimental e prática.

Como funciona o aprendizado visual no ChatGPT

O novo recurso vai além de apenas entregar a resposta de um problema. Ao perguntar sobre um conceito – como o Teorema de Pitágoras ou a Lei de Ohm –, o chatbot apresenta um módulo visual interativo. Nele, é possível ajustar os valores das fórmulas e ver a reação imediata nos elementos visuais.

Segundo a OpenAI, o objetivo é fortalecer a compreensão conceitual em vez da simples memorização. O recurso é baseado no “Modo de Estudo” lançado no ano passado, que já guiava os alunos passo a passo na resolução de questões, evitando que a IA fizesse todo o trabalho sozinha.

Quais temas estão disponíveis e quem pode usar?

Nesta fase inicial, o ChatGPT suporta mais de 70 conceitos fundamentais, focados principalmente em estudantes de ensino médio e superior. Entre os tópicos incluídos estão:

  • Matemática: Geometria (área e volume), equações lineares e juros compostos;
  • Física: Leis de Coulomb, energia cinética e termodinâmica (PV=nRT);
  • Ciência Geral: decaimento exponencial e relações de frequência.

A funcionalidade já está liberada para todos os usuários logados, independentemente de possuírem uma assinatura paga ou usarem a versão gratuita. A OpenAI planeja expandir a interatividade para outras disciplinas e temas no futuro, à medida que coleta dados sobre como a IA molda o aprendizado.

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