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IA do McDonald’s gera polêmica e caso vai parar na Justiça dos EUA

O McDonald’s foi processado nos Estados Unidos por usar inteligência artificial para ajudar a definir preços em suas lojas e franquias.

A ação acusa a rede de usar um sistema alimentado por dados não públicos para coordenar preços com franqueados independentes. A empresa nega que a IA determine os valores cobrados pelos produtos.

O sistema de precificação do McDonald’s analisa dados de milhões de transações realizadas diariamente. – Imagem: Live heavenly/Shutterstock

O que diz a ação

A ação foi movida por Michael Thomas, morador de Illinois e cliente do McDonald’s. Protocolado na última sexta-feira, o processo busca representar potencialmente milhões de consumidores da rede nos Estados Unidos.

Thomas acusa o McDonald’s de usar algoritmos para coordenar preços com franqueados independentes. A ação sustenta que o sistema utiliza dados não públicos e que essa prática poderia violar as leis antitruste americanas.

Como comentamos aqui no Olhar Digital, o mecanismo de precificação do McDonald’s usa algoritmos de aprendizado de máquina para analisar continuamente dados de milhões de transações realizadas todos os dias em quase 14 mil restaurantes.

O uso desse tipo de tecnologia também aparece em outros segmentos. Segundo a Reuters, empresas de fast-food estão recorrendo à inteligência artificial para auxiliar na definição de preços e em outras operações.

“Empresas independentes devem definir seus preços de forma independente”, afirma a ação.

McDonald’s contesta as acusações

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o McDonald’s classificou as alegações como especulativas e baseadas em informações insuficientes.

Leia mais:

“A IA não define o preço de um Big Mac ou de qualquer outro item do nosso cardápio”, afirmou a companhia.

A empresa disse que os franqueados tomam suas próprias decisões sobre preços e que ferramentas de recomendação e análise são amplamente utilizadas em diferentes setores.

A controvérsia, portanto, está menos na existência da ferramenta e mais na forma como ela teria sido utilizada. A acusação sustenta que o sistema poderia ter influenciado decisões que deveriam permanecer independentes entre os restaurantes.

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O McDonald’s afirma que a IA não define os preços dos produtos e que os franqueados mantêm autonomia. Imagem: Patcharaporn Puttipon4289/Shutterstock

Uma disputa que vai além do fast-food

A ação faz parte de uma série de processos coletivos apresentados nos Estados Unidos nos últimos anos contra empresas acusadas de usar algoritmos ou inteligência artificial para coordenar preços de hotéis, aluguéis de apartamentos e outros produtos e serviços.

O advogado Lark Turner, que representa o autor da ação, acusou o McDonald’s de usar a grande quantidade de dados disponível em sua operação e seu sistema de franquias para cobrar valores adicionais dos consumidores.

Entre os pontos que deverão ser considerados no caso estão:

  • o papel dos dados não públicos no sistema de precificação;
  • o grau de autonomia dos franqueados diante das recomendações da ferramenta;
  • os limites do uso de algoritmos quando diferentes negócios precisam definir preços de forma independente.

O processo ainda terá de avançar na Justiça antes que essas alegações sejam examinadas. Por enquanto, o caso coloca sob análise o limite entre uma ferramenta de recomendação de preços e uma possível coordenação entre empresas independentes.

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IA encontra resposta que matemáticos buscavam há 87 anos

Um problema matemático que resistiu por 87 anos teve um desfecho inesperado: uma inteligência artificial ajudou um pesquisador a encontrar um contraexemplo capaz de derrubar uma das conjecturas mais conhecidas da área.

Segundo a New Scientist, a descoberta feita pelo matemático Levent Alpöge pode ser o caso mais complexo já resolvido com participação significativa de uma IA na matemática.

IA encontra falha em uma das maiores conjecturas da matemática moderna. Imagem: PeachShutterStock/Shutterstock

Conjectura de 1939 é derrubada por uma linha matemática

Alpöge, pesquisador da Universidade Harvard, publicou em 19 de julho, na rede social X, um contraexemplo de apenas 216 caracteres que contradiz a chamada conjectura de Jacobiano.

Formulada pelo matemático Ott-Heinrich Keller em 1939, a hipótese defendia que determinado tipo de função matemática também deveria funcionar no sentido inverso. O problema atravessou décadas sem uma resposta definitiva e chegou a integrar, em 1998, uma lista de 18 grandes desafios matemáticos para o século XXI criada por Stephen Smale.

Em sua publicação, Alpöge afirmou que contou com a ajuda de seu “amigo próximo Fable”, aparentemente uma referência ao Claude Fable 5, modelo de IA da Anthropic. O pesquisador também agradeceu ao sistema pelo trabalho realizado durante a final da Copa do Mundo.

Logo do Claude Fable
A participação do Fable na pesquisa mostra como modelos de IA começam a influenciar descobertas em áreas como a matemática. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas destacam avanço da inteligência artificial

Para Abhishek Saha, pesquisador da área de matemática da Queen Mary University of London, o resultado amplia o papel da IA na pesquisa matemática.

“Provavelmente esta é a maior conjectura na qual a IA desempenhou um papel significativo [ao provar ou refutar] até agora na matemática”, afirmou. “Isso é muito importante. A IA fez um progresso notável no último ano.”

Segundo Saha, o contraexemplo publicado é simples de verificar, e diversos matemáticos já confirmaram sua validade. A grande questão agora é entender como a IA chegou ao caminho da solução.

Entre os pontos que chamaram atenção estão:

  • a conjectura permaneceu sem resposta por 87 anos;
  • o contraexemplo possui apenas 216 caracteres;
  • a descoberta derruba a hipótese em determinadas condições;
  • o processo usado pela IA ainda não foi totalmente explicado.

O pesquisador destacou que o resultado surpreendeu porque muitos pesquisadores acreditavam que a conjectura parecia intuitivamente correta.

As pessoas tentavam provar a conjectura porque ela parecia, intuitivamente, muito verdadeira. Não acho que muitos estivessem tentando refutá-la. E agora temos esse contraexemplo em uma única sentença”, disse.

Abhishek Saha, pesquisador da área de matemática da Queen Mary University of London, ao New Scientist.

Schopenhauer, filósofo: "A vida oscila, como um pêndulo, alternando entre a dor e o tédio."
A solução inesperada abre uma nova discussão sobre como humanos e inteligência artificial podem trabalhar juntos na ciência. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Criatividade humana ainda tem papel central

Apesar do impacto da descoberta, o resultado ainda não encerra todas as questões envolvendo a conjectura de Jacobiano. O contraexemplo encontrado por Alpöge derruba a hipótese no caso de três variáveis, mas uma versão equivalente envolvendo apenas duas variáveis ainda pode permanecer válida, mantendo parte do problema em aberto.

Leia mais:

O avanço também reacendeu o debate sobre até onde a inteligência artificial pode chegar na matemática. Para Chris Bowman-Scargill, da Universidade de York, a tecnologia já mostrou capacidade para encontrar soluções em problemas complexos, mas isso não significa que a criatividade humana tenha perdido espaço.

O pesquisador lembra que algumas das maiores conquistas da área exigiram muito mais do que uma resposta final. Ele cita o Último Teorema de Fermat, solucionado por Andrew Wiles em 1994, como exemplo de um problema cuja resolução dependeu da criação de novas teorias matemáticas ao longo de anos de trabalho.

Na mesma linha, Ivan Fesenko, da Westlake University, avalia que modelos de IA cada vez mais avançados devem transformar a pesquisa matemática nos próximos anos. Para ele, a tecnologia pode alterar profundamente a maneira como novos conhecimentos são desenvolvidos, abrindo espaço para uma nova fase da descoberta científica.

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