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Trump reúne líderes de tecnologia e anuncia acordo sobre segurança de IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu, nesta terça-feira (29), alguns dos principais executivos do setor de tecnologia para discutir o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), seus riscos e a necessidade de manter a liderança estadunidense na área.

O encontro aconteceu durante um almoço na Casa Branca e reuniu nomes, como Jensen Huang, CEO da Nvidia; Mark Zuckerberg, CEO da Meta; Sundar Pichai, CEO do Google; Dario Amodei, CEO da Anthropic; Greg Brockman, presidente da OpenAI; Elon Musk, da Tesla, SpaceX e xAI; Satya Nadella, CEO da Microsoft; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

Ao lado dos executivos, Trump afirmou que as empresas estão dispostas a adotar mecanismos próprios de segurança e disse que os participantes assinaram um acordo que chamou de “moralmente vinculante”.

O documento, apresentado como “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”, estabelece compromissos voluntários para empresas que desenvolvem e implementam modelos de IA de fronteira. Entre as medidas estão controles internos, avaliações independentes e supervisão por comitês ligados aos conselhos de administração.

O acordo também prevê que as empresas participantes se reúnam regularmente para estabelecer padrões e boas práticas de segurança. O texto não descarta que, futuramente, parte dessas medidas possa ser transformada em leis ou regulamentos.

O que as empresas se comprometeram a fazer

O documento prevê quatro frentes principais:

  • A primeira é a criação de controles internos para acompanhar as capacidades e o comportamento dos modelos durante o treinamento e a utilização. A ideia é monitorar riscos relacionados a áreas, como cibersegurança, biossegurança e ameaças químicas, além de tentar evitar que os sistemas acessem ou invadam outros sistemas de maneira não intencional;
  • A segunda medida determina que cada empresa tenha uma equipe interna responsável por verificar os mecanismos de controle e monitoramento e garantir que eventuais problemas sejam corrigidos;
  • As companhias também deverão contratar avaliadores ou auditores independentes para verificar se os controles e mecanismos de segurança estão funcionando adequadamente;
  • Por fim, cada empresa deverá criar um comitê independente ligado ao conselho de administração, responsável por acompanhar os relatórios das equipes internas e dos avaliadores externos e monitorar a correção de eventuais falhas.

Mark Zuckerberg afirmou que as empresas concordaram em desenvolver controles internos robustos e que auditores deverão verificar esses procedimentos e reportar os resultados aos conselhos das companhias.

Apesar de Trump ter chamado o acordo de “moralmente vinculante”, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, descreveu o documento como uma declaração de princípios voluntária por parte da indústria.

Trump também afirmou que sua administração está considerando criar um comitê com dez integrantes para supervisionar a segurança da IA. Ele não informou quem faria parte do grupo.

Data centers também estiveram na pauta do presidente estadunidense – Imagem: shihabsarkar/Shutterstock

Trump defende autorregulação e expansão dos data centers

Durante o encontro, Trump afirmou que não pretende interromper o desenvolvimento da IA e defendeu a autorregulação pelas empresas. Segundo o presidente, além dos mecanismos criados pelo próprio setor, órgãos, como o Departamento de Justiça e o FBI, já possuem autoridade para agir em casos problemáticos.

Trump também voltou a defender a expansão dos enormes data centers necessários para treinar e operar sistemas de IA. Os empreendimentos vêm enfrentando resistência de comunidades estadunidenses por causa de questões, como consumo de eletricidade e custos para os serviços locais.

O presidente afirmou que as empresas de tecnologia deverão trabalhar com as comunidades onde os data centers forem instalados e fazer contribuições financeiras para essas regiões. “Eles querem ver comunidades seguras e felizes, e vão tornar as comunidades muito, muito felizes”, afirmou Trump.

Em outro momento, o presidente disse que as empresas fariam “contribuições enormes” para as comunidades que receberem essas estruturas.

A ideia também apareceu nas declarações de executivos. A CEO da AMD, Lisa Su, afirmou que saiu do encontro “muito encorajada” e destacou que existe uma responsabilidade das empresas de demonstrar o potencial da tecnologia ao mesmo tempo em que garantem sua segurança.

“É nossa responsabilidade mostrar o poder da tecnologia e também garantir que ela seja muito segura”, disse Su.

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Amodei reforça preocupação com segurança

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, participou do encontro depois de ter se reunido individualmente com Trump no domingo (27).

Amodei vem defendendo medidas para lidar com os riscos associados ao avanço dos sistemas de IA. Após o almoço, ele afirmou que as regras para enfrentar esses riscos ainda estão em discussão. “Todos nós precisamos trabalhar juntos para garantir que possamos vencer, e podemos vencer com segurança. Se fizermos isso da maneira certa, se trabalharmos com o presidente e todos aqui, poderemos vencer com segurança”, declarou.

A presença de Amodei também chama atenção porque a Anthropic está entre as empresas que defendem medidas de segurança para sistemas cada vez mais avançados. Na semana passada, líderes do setor, incluindo Amodei e o CEO da OpenAI, Sam Altman, participaram de discussões internacionais sobre os riscos da tecnologia e a necessidade de mecanismos de segurança.

No encontro desta terça-feira, entretanto, o foco ficou na tentativa de estabelecer controles dentro das próprias empresas, em vez de uma nova estrutura federal obrigatória.

Trump quer chamar IA de “superinteligência”

Além do acordo de segurança, Trump anunciou uma mudança de nomenclatura para a tecnologia. Segundo o presidente, ele assinou um documento para “oficialmente” mudar o nome de inteligência artificial para “superinteligência”.

“Nós mudamos oficialmente o nome hoje”, afirmou Trump. Segundo ele, o novo termo teria sido assinado pelos principais nomes da indústria reunidos na Casa Branca. Questionado se a mudança teria algum caráter obrigatório, Trump respondeu que o documento era “moralmente vinculante”.

Mike Johnson explicou que o documento assinado pelos participantes se chama “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência: Compromisso Conjunto sobre Responsabilidades da Superinteligência de Fronteira” e reúne compromissos voluntários da indústria.

A expressão “superinteligência”, porém, já é utilizada no setor de tecnologia para descrever sistemas de IA hipotéticos ou futuros capazes de superar seres humanos nas mais diversas tarefas. Portanto, o anúncio de Trump funciona como uma mudança de nomenclatura, e não como a criação de uma nova categoria tecnológica.

O presidente havia consultado seus seguidores nas redes sociais na semana anterior sobre possíveis novos nomes para a tecnologia, colocando em votação as opções “SUPER INTELLIGENCE” e “SUPERIOR INTELLIGENCE” (“superinteligência” e “inteligência superior”, em tradução livre).

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Trump também mudou o nome da IA – Imagem: YousufDean / Shutterstock

Disputa entre segurança e desenvolvimento

O encontro ocorre em momento de aumento das discussões sobre a segurança de sistemas de IA. OpenAI e Anthropic relataram incidentes envolvendo agentes capazes de realizar ações não autorizadas, enquanto empresas e pesquisadores discutem como estabelecer limites para modelos cada vez mais autônomos.

Na Casa Branca, Trump manteve a defesa de uma abordagem baseada principalmente na autorregulação. “Acho que estou vendo uma enorme autorregulação. E eles entendem que precisam se autorregular”, disse o presidente.

O acordo firmado nesta terça-feira estabelece mecanismos internos e avaliações externas para acompanhar os sistemas, mas deixa aberta a possibilidade de que parte dessas medidas seja transformada em regras obrigatórias no futuro.

Ao mesmo tempo, Trump afirmou que os Estados Unidos precisam preservar sua vantagem tecnológica sobre a China. “É ótimo para nós, e estamos liderando por muito, e vamos continuar assim”, afirmou o presidente. “Vai ser muito, muito seguro, e haverá autorregulação, e também haverá uma fiscalização conjunta.”

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OpenAI e Anthropic são chamadas pelo Senado australiano após caso envolvendo agente de IA no país

Os CEOs da OpenAI e da Anthropic, Sam Altman e Dario Amodei, receberam solicitações formais para comparecer a uma audiência do Senado australiano sobre inteligência artificial. O pedido ocorre após a revelação de que um agente da OpenAI acessou o sistema público de saúde do país.

Os dois executivos foram chamados a participar da audiência pública marcada para quinta-feira, em Canberra. A convocação ocorre enquanto a Austrália discute novas regras para IA e apura os impactos da tecnologia sobre serviços públicos e outras áreas.

O incidente envolvendo o Medicare colocou o uso de agentes de IA em sistemas externos no centro da investigação. – Imagem: wisely/Shutterstock

Senado quer explicações

A investigação examina os efeitos da inteligência artificial e dos data centers sobre comunidades, setores da economia e o consumo de água e energia.

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Sarah Hanson-Young, senadora do Partido Verde australiano e presidente da investigação, afirmou que Altman e Amodei precisam responder aos parlamentares sobre o acesso de um agente de IA a sistemas do governo.

“Há questões sérias para Sam Altman responder sobre o ataque da OpenAI a sites do governo australiano”, afirmou Hanson-Young.

Na declaração, a senadora também defendeu que os dois executivos participem de uma discussão sobre como deve funcionar a regulamentação do setor de inteligência artificial.

Logo da OpenAI
A OpenAI afirma que o acesso ao sistema do governo australiano não foi intencional e não comprometeu informações privadas. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

O que aconteceu no Medicare

O primeiro-ministro Anthony Albanese revelou na quinta-feira que o Medicare havia sido acessado indevidamente em um incidente ocorrido em junho. Ele classificou o episódio como “inaceitável” e disse ter manifestado “extrema preocupação” diretamente a Altman.

A OpenAI afirma que só tomou conhecimento do caso em agosto. Segundo a empresa, o incidente não foi intencional e não comprometeu informações privadas.

O episódio faz parte de pelo menos quatro casos envolvendo sites do governo australiano. O acesso ao Medicare está entre os incidentes de maior destaque envolvendo agentes de IA e sistemas externos fora dos Estados Unidos.

O caso ocorre enquanto o governo de Albanese prepara regras específicas para inteligência artificial, previstas para o próximo ano. Especialistas em políticas de tecnologia avaliam que o episódio pode ampliar a pressão pela adoção dessas medidas.

Entre os principais pontos da investigação estão:

  • impactos da inteligência artificial sobre comunidades australianas;
  • efeitos da tecnologia em diferentes setores da economia;
  • consumo de água dos data centers;
  • demanda de energia associada à expansão da infraestrutura de IA.

A audiência faz parte de uma série de investigações estaduais e federais sobre inteligência artificial na Austrália. No caso do Medicare, o Senado também busca discutir os riscos e as responsabilidades envolvidos quando agentes de IA acessam sistemas externos.

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Chefes de OpenAI e Anthropic pedem cooperação internacional para controlar riscos da IA após fala de Trump na ONU

Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Anthropic, Dario Amodei, defenderam, nesta quarta-feira (23), uma maior cooperação internacional para lidar com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial (IA) durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

A participação dos dois executivos ocorre um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar o que chamou de um “esquema globalista” para controlar a IA durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Trump afirmou que os EUA continuarão incentivando o desenvolvimento da tecnologia e que não pretende “frear” seu crescimento.

Na ONU, Altman apresentou posição diferente. Para o executivo, países que competem entre si e nem sempre mantêm boas relações podem trabalhar juntos diante de tecnologias capazes de produzir impactos significativos. “Acreditamos que este deve ser um desses momentos”, afirmou Altman, defendendo que a IA seja tratada como uma questão que exige cooperação internacional.

Altman e Amodei se aproximam na questão da segurança

A posição conjunta dos executivos chama atenção porque OpenAI e Anthropic são concorrentes diretas no desenvolvimento de modelos avançados de IA.

No início de setembro, Amodei publicou um texto defendendo que a indústria desacelere o ritmo de desenvolvimento dos modelos de fronteira. O CEO da Anthropic argumentou que o avanço das capacidades dos sistemas poderia superar a capacidade das empresas e dos governos de compreender e controlar seus riscos.

A proposta apresentada por Amodei envolve três frentes principais: permitir que avaliadores independentes tenham acesso aos sistemas das empresas para verificar suas práticas de segurança; ampliar a coordenação entre companhias que desenvolvem modelos de fronteira; e estabelecer cooperação internacional para reduzir riscos associados à tecnologia.

Altman manifestou publicamente apoio à ideia de estabelecer um ritmo mais controlado para o desenvolvimento da chamada IA de fronteira.

A discussão ganhou força depois de uma série de episódios envolvendo modelos avançados e preocupações sobre sua capacidade de executar ações potencialmente prejudiciais.

A Reuters informou que executivos de OpenAI, Anthropic e Hugging Face participaram da sessão do Conselho de Segurança em meio a alertas de que sistemas cada vez mais avançados poderiam adquirir novas capacidades e representar riscos para a segurança internacional.

Trump rejeita a ideia de limitar o avanço da IA

As declarações de Altman e Amodei ocorreram um dia depois do discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU.

O presidente estadunidense rejeitou propostas de criação de mecanismos internacionais para controlar o desenvolvimento da IA e afirmou que os Estados Unidos não deveriam impedir o crescimento da tecnologia. “Não vou impedir o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse Trump.

Trump também afirmou que os EUA rejeitam qualquer tentativa de criar um “esquema globalista” para controlar a IA. O presidente defendeu que o país continue avançando no desenvolvimento da tecnologia e afirmou que quem dominar primeiro essa área terá uma vantagem estratégica.

O governo estadunidense também passou a defender o uso do termo “superinteligência” em documentos oficiais em lugar de “inteligência artificial”.

A posição de Trump contrasta com as recentes manifestações de executivos de empresas de IA que defendem algum grau de coordenação para lidar com os riscos do desenvolvimento de modelos cada vez mais capazes.

Altman e Amodei foram uma só voz na ONU – Imagem: FotoField/Shutterstock

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Debate envolve segurança e competição internacional

A discussão na ONU acontece em momento em que governos e empresas tentam definir como lidar com sistemas capazes de executar tarefas cada vez mais complexas.

A sessão do Conselho de Segurança foi organizada para discutir questões, como o uso malicioso da IA e a possibilidade de perda de controle sobre sistemas avançados. Além de Altman e Amodei, participaram ou foram convidados representantes da Hugging Face e especialistas ligados ao painel científico independente da ONU sobre IA.

O debate também envolve a competição tecnológica entre Estados Unidos e China. A busca por mecanismos de segurança precisa ser conciliada, na visão de diferentes participantes, com a preocupação de que regras excessivamente restritivas possam afetar o desenvolvimento e a competitividade das empresas.

A OpenAI, por exemplo, passou a defender a criação de padrões internacionais para avaliar capacidades e riscos de sistemas avançados e uma maior cooperação entre os Estados Unidos e a China em questões relacionadas à segurança da IA.

Pressão aumenta sobre as empresas de IA

As discussões ocorrem enquanto OpenAI e Anthropic avançam na expansão de seus negócios e se preparam para possíveis ofertas públicas de ações.

Nenhuma das duas empresas divulgou oficialmente uma data para uma eventual abertura de capital, embora as duas sejam apontadas como candidatas a realizar grandes IPOs.

Isso cria uma questão adicional para as companhias: ao mesmo tempo em que seus executivos defendem maior cautela no desenvolvimento da IA, as empresas estão submetidas a fortes pressões comerciais para continuar ampliando a capacidade de seus modelos.

Amodei, porém, afirma que desacelerar não significa interromper o desenvolvimento da tecnologia. A proposta apresentada pelo CEO da Anthropic busca criar mecanismos de avaliação e coordenação que acompanhem o ritmo de evolução dos modelos.

Na ONU, Altman resumiu a posição defendida pelas empresas ao argumentar que a cooperação internacional pode ser necessária mesmo entre países que permanecem competidores.

“Em nossa história, houve momentos em que países que competem e nem sempre gostam muito uns dos outros ainda assim se uniram por interesses compartilhados e pelo bem coletivo diante de uma nova tecnologia poderosa”, afirmou o CEO da OpenAI.

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Frear ou acelerar? IA coloca gigantes da tecnologia em lados opostos

O debate sobre a velocidade com que a inteligência artificial (IA) deve avançar ganhou nova dimensão nos Estados Unidos. Depois de alertas sobre os riscos da tecnologia e de pedidos para desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, dois grupos distintos passaram a se destacar na discussão sobre segurança e regulação da IA.

De um lado estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o ex-“czar” de criptomoedas da Casa Branca David Sacks. Do outro, aparecem o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o CEO da OpenAI, Sam Altman, o empresário Elon Musk e pesquisadores de IA.

O cenário reúne adversários políticos e antigos rivais da indústria de tecnologia em torno de posições diferentes sobre como lidar com os riscos associados ao avanço da IA.

Alertas sobre os riscos da IA

  • A atual onda de preocupação ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador que trabalhava na Anthropic, deixou a empresa na semana passada. Ao anunciar sua saída, ele afirmou que OpenAI e Anthropic estavam “apostando nossas vidas” ao avançarem no desenvolvimento da tecnologia;
  • Durante a repercussão das declarações, um responsável pela área de alinhamento da Anthropic afirmou que a IA teria mais de 10% de chance de matar toda a humanidade;
  • O episódio foi seguido por um pedido de Amodei para que a indústria desacelere o desenvolvimento dos modelos de fronteira. Sam Altman aderiu à posição, em uma aproximação incomum entre os líderes de duas empresas que competem diretamente no mercado de IA;
  • Musk também declarou nas redes sociais que “Dario está certo” e afirmou posteriormente que vem alertando sobre os riscos da IA há bastante tempo;
  • A discussão chegou rapidamente a Washington e ampliou o debate sobre como reduzir riscos sem impedir o desenvolvimento tecnológico.

CFO da OpenAI pensa em desacelerar IA se for necessário para a segurança

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou à CNBC que não está preocupada com uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento de sistemas de IA de fronteira. Segundo ela, mesmo que o avanço fosse interrompido hoje, “a quantidade de inteligência que está disponível no mundo é enorme”.

Friar disse que a OpenAI continuará tomando decisões de investimento com base em “forte retorno sobre o investimento” (ROI, na sigla em inglês), mesmo que o desenvolvimento da tecnologia precise ser conduzido em um ritmo mais lento.

Friar também afirmou que não está preocupada especificamente com a possibilidade de agentes de IA utilizarem armas de destruição em massa para matar pessoas, mas ressaltou que a segurança precisa ser levada a sério.

“E se isso significar que precisamos dosar a fronteira e desacelerar, absolutamente, vamos ouvir nossos pesquisadores e fazer isso”, afirmou. Como diretora financeira, acrescentou, sua função seria tomar as decisões de negócio a partir dessa orientação. “Estamos dosando essa fronteira e levando a segurança e o alinhamento muito a sério”, disse.

Amodei propõe novas medidas de segurança

Durante um evento da Salesforce em São Francisco (EUA), Amodei voltou a defender redução no ritmo de desenvolvimento da IA e apresentou proposta baseada em três medidas:

  • A primeira seria permitir que avaliadores independentes tenham acesso às empresas de IA, acompanhando e avaliando diretamente os sistemas;
  • A segunda envolveria uma coordenação de padrões de segurança entre países democráticos. Posteriormente, essa cooperação poderia ser ampliada para uma coordenação global;
  • Em uma etapa posterior, a proposta avançaria para uma coordenação global, com o objetivo de ampliar essas medidas internacionalmente.

A Anthropic já se comprometeu com a primeira medida.

Amodei comparou a situação à indústria automobilística. Segundo ele, quando uma montadora enfrenta um problema grave de segurança, como uma falha nos freios, outras empresas deveriam aproveitar o episódio para revisar suas próprias práticas.

“É muito tentador atacar seu concorrente e dizer que eles não são seguros. Mas acho que a maneira mais responsável de responder é olhar para nosso próprio histórico”, afirmou.

O executivo também disse que o que mais o surpreende atualmente é a velocidade do progresso da IA e de seus efeitos econômicos. “Foi o ritmo do progresso — não apenas da tecnologia, mas também do lado econômico”, afirmou.

Trump chama preocupações de “farsa”

Do outro lado do debate, Trump vem rejeitando publicamente os alertas sobre os riscos da IA. Em diversas publicações na rede Truth Social, o presidente classificou os temores sobre uma IA fora de controle como uma “farsa” e uma “fraude”.

Trump também criticou a resistência à construção de novos data centers nos Estados Unidos. Segundo ele, pessoas que se opõem a esses projetos estariam favorecendo interesses que não querem que a expansão aconteça — incluindo, em sua avaliação, a China.

Na segunda-feira (14), Trump telefonou durante uma entrevista de Jensen Huang no evento All-In Summit, em Los Angeles (EUA), e levou a mensagem diretamente ao público ligado ao setor de tecnologia. Huang respondeu ao presidente: “Você está certo. Não vamos deixar isso acontecer, senhor”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou durante depoimento à Câmara dos Representantes que Trump está “completamente alinhado” com Huang.

Nvidia quer que empresas continuem avançando

Huang voltou a defender essa posição no evento Dreamforce. “Não precisamos de novas leis. Não precisamos de novas regulamentações”, afirmou.

Segundo o executivo, as empresas deveriam simplesmente decidir quando seus sistemas estão prontos e continuar avançando rapidamente. Em outro momento, Huang resumiu sua posição com uma frase direta: “Corra o mais rápido que puder.”

O CEO da Nvidia também rejeitou preocupações sobre possível destruição generalizada de empregos provocada pela IA, classificando esse cenário como “completamente absurdo”.

Para Huang, praticamente todas as empresas passarão a utilizar IA como parte central de suas operações. “Todas as empresas, todas as organizações… se tornarão uma empresa de IA”, afirmou.

A disputa com a China

A competição tecnológica com a China é um dos principais argumentos apresentados pelo grupo contrário à desaceleração.

Parte da mensagem do governo Trump é que limitar a regulação seria fundamental para que os Estados Unidos mantenham vantagem na corrida pela IA. Trump afirmou no domingo que “quem vencer a IA vence”.

David Sacks, que atualmente ocupa a copresidência do Conselho de Assessores do Presidente para Ciência e Tecnologia, também defendeu que as empresas continuem avançando. Ele pediu que as companhias “avancem na fronteira”, mas criticou o argumento de que a motivação para desacelerar seja “puramente altruísta”.

Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, adotou uma posição semelhante. Em entrevista à Fox News, afirmou que os alertas atuais seriam parte de uma campanha coordenada de pessoas, ideologias e organizações sem fins lucrativos interessadas em assustar o público estadunidense.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também afirmou que Trump pretende reunir líderes da indústria de IA na Casa Branca “dentro da próxima semana”.

Johnson igualmente rejeitou os alertas sobre um possível colapso provocado pela tecnologia. Segundo ele, a mensagem de Trump é que as pessoas não estarão todas mortas em dez anos e que isso seria uma “farsa”.

Além de Trump, Jensen Huang é um dos CEOs de tecnologia contrários ao breque à IA – Imagem: noamgalai e FotoField/Shutterstock

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Regulação reúne adversários políticos

O movimento em defesa de maior controle sobre a IA também criou alianças incomuns na política estadunidense.

Nesta terça-feira (15), o senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, o deputado Chip Roy, republicano do Texas, e Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, participaram de evento em Washington em apoio a medidas relacionadas à IA.

Embora tenham posições políticas diferentes em diversas questões, eles se juntaram ao grupo que defende alguma forma de ação diante dos riscos associados ao avanço da tecnologia.

O debate, portanto, passou a envolver não apenas empresas concorrentes de IA, mas também integrantes de diferentes campos políticos.

Um confronto dentro da própria indústria

A divisão ganhou força justamente quando algumas das maiores empresas de IA do mundo começam a discutir publicamente os riscos associados ao desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

Amodei defende que a indústria estabeleça mecanismos independentes de avaliação e coordenação internacional. Altman se aproximou dessa posição, enquanto Musk também declarou apoio ao pedido de desaceleração.

Huang, por outro lado, sustenta que o desenvolvimento deve continuar rapidamente e que novas leis e regulamentações não são necessárias. Trump acompanha essa posição e relaciona o ritmo da IA à competição tecnológica com a China.

O confronto ocorre ainda enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis ofertas públicas iniciais de ações. As duas empresas estão entre as companhias de IA que podem realizar grandes IPOs, enquanto Altman indicou que a OpenAI pretende adiar sua oferta para o próximo ano em meio às preocupações recentes sobre segurança.

A discussão coloca no centro do debate estadunidense uma questão que reúne tecnologia, segurança, economia e competição internacional: até que ponto o desenvolvimento da IA deve avançar antes que novas medidas de controle sejam adotadas.

Sanders e Bannon convergem sobre os riscos da IA, mas defendem caminhos opostos

O debate sobre os riscos da IA também aproximou, de forma incomum, o senador Bernie Sanders e o estrategista Steve Bannon, figuras de polos opostos da política estadunidense. Os dois participaram da “Pro-Human Assembly”, em Washington (EUA), e defenderam regras mais rígidas para a IA, além de criticarem a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia.

A convergência, porém, termina nesse ponto. Sanders apresentou a IA como um risco global, comparável à corrida nuclear, e defendeu um acordo internacional para pausar o desenvolvimento de sistemas avançados. Bannon, por outro lado, tratou a disputa tecnológica com a China como uma questão de poder e defendeu o isolamento do país em relação ao ecossistema estadunidense de pesquisa, dinheiro e tecnologia.

“Uma IA superinteligente que escape do controle humano não será um problema americano. Não será um problema chinês. Será um problema da humanidade”, afirmou Sanders. O senador também disse esperar que Donald Trump negocie com o presidente chinês Xi Jinping um tratado para estabelecer uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição da superinteligência.

Bannon adotou uma posição diferente. “Sem acordos, sem tratados: vocês estão fora do negócio de IA porque nós vamos derrubar o ecossistema de vocês”, declarou. O estrategista também afirmou que “os cidadãos americanos não vão mais ser suplicantes aos oligarcas”.

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CEO da Anthropic: rejeição à IA é crise de confiança no setor

A percepção do público em geral sobre a inteligência artificial virou centro de um debate no setor. Dario Amodei, presidente executivo da Anthropic — desenvolvedora do assistente Claude —, respondeu publicamente a críticas que o acusam de alimentar um clima de desconfiança em relação ao avanço da tecnologia nos Estados Unidos.

A reação do executivo ocorreu após declarações do investidor Gavin Baker. O investidor afirmou que os alertas de Amodei sobre os riscos potenciais da IA ajudaram a motivar a rejeição popular à expansão da infraestrutura do setor, como a construção de novos centros de dados. Para Baker, o líder da Anthropic deveria atuar como um defensor mais otimista da própria indústria.

Anthropic – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

Equilíbrio entre riscos e benefícios

Amodei rebateu a ideia de que sua comunicação seja focada apenas nos cenários negativos. O executivo apontou que busca manter o discurso equilibrado entre os perigos reais e as oportunidades da tecnologia.

Como exemplo, citou o ensaio Machines of Loving Grace, publicado por ele com o objetivo de apresentar uma visão positiva sobre como a inteligência artificial pode transformar diferentes áreas da sociedade.

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Ainda assim, o CEO reconheceu que a percepção pública sobre a IA é predominantemente negativa. Para ele, no entanto, a origem desse cenário não está nos avisos dados pelos executivos das empresas do setor.

Crise de confiança e entrega de resultados

Na visão de Amodei, a rejeição decorre de uma crise de confiança acumulada ao longo de décadas entre a população, o governo e a indústria de tecnologia. Segundo o executivo, o público teme que as novidades corporativas tragam prejuízos ao usuário comum.

Amodei também destacou que a crítica mais justa que as empresas de IA enfrentam é a falta de entregas concretas proporcional ao tamanho das promessas feitas.

  • Falta de benefícios perceptíveis: O executivo admitiu que a indústria ainda não entregou todas as transformações positivas que prometeu para a sociedade.
  • Foco no produto: Para ele, a cobrança do público e do mercado deveria focar na entrega real dessas melhorias, e não nas estratégias de marketing das empresas.

O debate sobre a regulamentação do setor

O papel do governo na fiscalização da inteligência artificial é outro ponto central da discussão. A Anthropic apoiou projetos de lei nos Estados Unidos, como a proposta da Califórnia que exige regras de transparência para modelos de grande porte.

Em resposta a quem defende que regulamentar o setor serve apenas para concentrar o mercado nas mãos das maiores companhias, Amodei classificou essa visão como simplista. O executivo afirmou que as propostas de políticas públicas elaboradas pela Anthropic buscam impor exigências mais rigorosas às grandes empresas de ponta, sem criar barreiras que impeçam o crescimento de concorrentes menores.

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