China

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Corrida da IA: EUA defendem menos regras diante do avanço chinês

Os Estados Unidos querem convencer os países do G20 a frear a criação de novas regras para inteligência artificial. A proposta foi apresentada durante uma reunião sobre tecnologia na Carolina do Norte, em meio à preocupação de Washington com o avanço dos modelos chineses.

Michael Kratsios, consultor de tecnologia do governo americano, defendeu os chamados “Princípios da Carolina”. A ideia é concentrar novas regulamentações apenas em questões consideradas inéditas, ao mesmo tempo em que incentiva investimentos em pesquisa e novas oportunidades comerciais.

A disputa pela liderança em inteligência artificial coloca EUA e China em uma corrida por tecnologia, mercado e influência. – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

EUA pressionam por menos regras

Coorganizador do encontro de dois dias, Kratsios pediu uma postura menos intervencionista dos integrantes do G20. Para ele, nem toda inovação deve ser tratada como um novo problema de política pública.

“Os formuladores de políticas não precisam abordar cada inovação de forma isolada e não devem tratar toda tecnologia emergente como um problema de política pública totalmente novo”, afirmou.

Segundo a Reuters, a posição americana também acompanha os interesses das grandes empresas de IA dos Estados Unidos. Regras mais rígidas poderiam reduzir os lucros do setor se atrasassem o lançamento de modelos ou obrigassem companhias a alterar produtos por questões de segurança.

Gigantes da tecnologia participam

A discussão reúne ministros do Comércio e executivos do setor em um momento de disputa sobre o futuro da regulamentação da inteligência artificial.

Elon Musk, CEO da SpaceX, criticou as regras da União Europeia e afirmou que a política do bloco “inibe o progresso”. Ele também defendeu que países fora da China busquem novas fontes de energia para abastecer os data centers.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, participará por videoconferência. Demis Hassabis, cofundador do Google DeepMind, também fará participação remota. Sam Altman, CEO da OpenAI, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, devem se reunir separadamente com autoridades americanas.

Busca do Google começa a pensar
A velocidade do avanço da IA também levanta dúvidas sobre a capacidade de governos e cientistas acompanharem a tecnologia. – Imagem: Shutterstock AI Generator/Shutterstock

Modelos chineses preocupam Washington

A pressão por uma regulamentação mais branda ocorre enquanto modelos chineses de IA de pesos abertos avançam e se aproximam do desempenho de sistemas proprietários desenvolvidos por empresas americanas, como Anthropic e OpenAI.

Para Washington, a questão vai além da concorrência comercial. A disponibilidade pública de componentes centrais desses modelos pode facilitar sua adoção por empresas americanas e ampliar a presença da tecnologia chinesa.

“Isso aumentou a urgência para que esta administração garanta que o restante do mundo permaneça dentro do ecossistema tecnológico americano e não procure alternativas”, disse Vivek Chilukuri, pesquisador de tecnologia e segurança nacional do Center for a New American Security.

  • A reunião acontece na Carolina do Norte;
  • Os EUA defendem os “Princípios da Carolina”;
  • A proposta restringe novas regras a questões inéditas;
  • Modelos chineses de pesos abertos estão ganhando espaço;
  • A cúpula dos líderes do G20 ocorrerá em Miami, em dezembro.

Segurança ainda é uma preocupação

A velocidade do avanço da IA também alimenta os debates. Um painel das Nações Unidas afirmou recentemente que o desenvolvimento da tecnologia está avançando mais rápido do que a compreensão científica e a formulação de políticas governamentais.

Leia mais:

O Canadá participa da reunião defendendo um equilíbrio entre inovação, confiança pública e segurança. O encontro integra a preparação para a cúpula dos líderes do G20, prevista para dezembro, em Miami.

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Servidores de IA com chips Nvidia chegam à China por rota indireta

Nove pessoas foram acusadas em Taiwan de ajudar a enviar para a China servidores de inteligência artificial equipados com chips avançados da Nvidia. O caso envolve ex-funcionários da Nvidia e da Super Micro Computer e uma compra de 130 servidores.

A investigação acontece em meio às restrições dos Estados Unidos à exportação de chips avançados para a China. Segundo o The Wall Street Journal, 74 servidores acabaram no país por rotas que passaram por Hong Kong, Japão e Indonésia. Outros 56 foram interceptados em Taiwan.

Nove pessoas foram acusadas em Taiwan de ajudar no envio de servidores de IA equipados com chips avançados da Nvidia para a China. Imagem: William Potter/Shutterstock

Compra foi aprovada com informações falsas

Duas das pessoas acusadas teriam apresentado informações falsas para obter autorização de compra dos servidores da Super Micro. Aos responsáveis pela aprovação, disseram que os equipamentos permaneceriam em uma instalação em Taiwan.

Os envolvidos ainda declararam que os servidores não seriam vendidos ou enviados a entidades sob sanções americanas. Afirmaram, também, que a operação respeitaria as regras de exportação dos Estados Unidos.

A acusação aponta que um funcionário da Super Micro vazou procedimentos internos usados na análise das vendas. Ele teria procurado um funcionário da Nvidia para conseguir cotas dos servidores.

Esse funcionário da Nvidia, segundo os promotores, sabia do plano. Mesmo assim, informou aos gestores que as inspeções no local haviam sido aprovadas. Havia um problema: a instalação não tinha espaço suficiente para os racks, nem energia e banda larga necessárias.

Servidores seguiram rotas alternativas

Dos 130 equipamentos, 74 foram enviados para a China passando por Hong Kong, Japão e Indonésia. A alfândega de Taiwan conseguiu interceptar os outros 56, que seriam enviados ao Japão.

Leia mais:

O processo envolve diferentes acusações. Oito dos investigados respondem por crimes que incluem quebra de confiança e falsificação. Um nono acusado teria desviado dinheiro de uma empresa relacionada ao caso.

Para os promotores, os envolvidos conheciam as regras de controle de exportação e agiram em busca de lucro.

“Motivados exclusivamente pelo lucro”, os acusados teriam “conspirado para exportar servidores de ponta, aumentando os custos de conformidade para as empresas”.

Ao fundo, bandeira da China; à frente, logo da Nvidia em um smartphone na horizontal
Os servidores percorreram Hong Kong, Japão e Indonésia antes de chegar à China. A rota virou peça central da investigação em Taiwan. – Imagem: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock

Super Micro diz que não é alvo

A investigação começou em maio e ganhou força em junho. A Super Micro informou que coopera com autoridades de Taiwan e de outras jurisdições para proteger sua tecnologia e propriedade intelectual.

A companhia não é alvo da investigação e não foi acusada de irregularidades. Uma apuração interna recente, segundo a empresa, concluiu que sua equipe de conformidade agiu de boa-fé.

Os principais números do caso são:

  • 130 servidores de IA envolvidos na compra investigada;
  • servidores equipados com chips avançados da Nvidia;
  • 74 servidores enviados à China;
  • 56 servidores interceptados pela alfândega de Taiwan;
  • nove pessoas acusadas pelas autoridades taiwanesas.

A Super Micro afirmou que pretende reforçar seu programa de conformidade e continuar combatendo esse tipo de operação. O caso coloca em evidência a dificuldade de impedir que servidores com tecnologias restritas cheguem à China por caminhos indiretos.

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DeepSeek lança IA que entende imagens e executa tarefas sozinha

A DeepSeek lançou o DeepSeek-V4-Flash-Vision-Exp nesta sexta-feira (21). Além de textos, o novo modelo experimental de inteligência artificial (IA) consegue ler, interpretar e entender imagens. Segundo a empresa chinesa, o desempenho do novo modelo fica próximo ao do Opus 4.8, da concorrente americana Anthropic.

A IA da DeepSeek agora consegue “olhar” para fotos, capturas de tela e documentos para executar tarefas sem que o usuário precise dar instruções a cada passo. Os programadores podem usar essa novidade em seus projetos.

Novo modelo da DeepSeek: recursos visuais e disputa no mercado de IA

O novo modelo mantém as capacidades de texto da versão anterior, chamada DeepSeek-V4-Flash. Isso inclui o “raciocínio lógico”, o conhecimento geral e a capacidade de executar rotinas automatizadas. A diferença central é que o sistema agora processa dados de texto e imagem juntos.

Nos testes de desempenho focados em tarefas autônomas, chamadas de agentes, o modelo chinês chegou perto dos resultados do Opus 4.8, modelo avançado da Anthropic. Essa capacidade permite que a ferramenta observe uma imagem, entenda o contexto exibido na tela e tome decisões sozinha para concluir o trabalho solicitado.

Desempenho de modelo de IA da DeepSeek fica perto de modelo da Anthropic, diz a empresa chinesa – Imagem: Reprodução/DeepSeek

Os programadores podem testar a novidade na plataforma da DeepSeek informando o nome do novo modelo no código de acesso. O envio das imagens para o sistema pode ser feito por meio de links da internet, códigos de arquivo ou pelo novo sistema de envio da própria empresa.

Junto ao modelo visual, a DeepSeek liberou, de forma gratuita, uma ferramenta de gerenciamento de arquivos chamada Files API. Esse recurso permite que o usuário envie uma imagem para os servidores apenas uma vez e a utilize de novo em várias chamadas de API seguidas, o que economiza a internet do usuário e acelera as respostas.

O lançamento reforça a disputa direta entre empresas de tecnologia da China e dos Estados Unidos. A estratégia das companhias chinesas tem focado em oferecer ferramentas com custos menores de uso e capacidade próxima aos modelos americanos mais caros.

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Nvidia diz não ter planos de lançar chip de IA na China ainda este ano

A Nvidia negou, nesta quinta-feira (20), uma reportagem do The Information, segundo a qual a empresa começaria a enviar à China, até o fim deste ano, um novo chip de inteligência artificial (IA) desenvolvido especificamente para o mercado chinês.

Um porta-voz da companhia afirmou à Reuters que a informação é incorreta. Segundo a Nvidia, a empresa não possui atualmente vendas de unidades de processamento de linguagem (LPUs, na sigla em inglês) na China e não tem um produto específico desse tipo para o mercado chinês em seu roteiro de desenvolvimento.

A reportagem do The Information, publicada nesta quinta-feira, havia informado, citando dois funcionários da Nvidia, que a companhia planejava começar a fazer remessas em pequenos lotes de uma nova LPU até o fim de 2026. Segundo a publicação, alguns clientes chineses já teriam feito pedidos do produto.

De acordo com o relato, o chip teria sido desenvolvido com base em tecnologia licenciada da Groq e seria utilizado em conjunto com unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) para acelerar a geração de respostas de chatbots de IA.

O produto teria sido projetado para cumprir as regras estadunidenses de controle de exportações. A estratégia ocorreria depois que as restrições impostas pelos Estados Unidos tornaram o sistema de IA Vera Rubin, da Nvidia, indisponível para o mercado chinês.

Leia mais:

Nvidia tenta manter presença na China

  • A Nvidia vem buscando alternativas para continuar atendendo clientes chineses em meio às restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos à exportação de chips avançados de IA para o país;
  • Em maio, Washington autorizou a venda dos H200, chips de IA da Nvidia, para um grupo limitado de empresas chinesas. Entre as companhias autorizadas estão Alibaba, Tencent e ByteDance;
  • As primeiras entregas dos H200 começaram recentemente. A Reuters informou na quarta-feira (19) que pequenos lotes desses chips já haviam chegado à China continental, embora a agência tenha ressaltado que não havia verificado de forma independente as informações divulgadas pelo Financial Times;
  • A Nvidia também vem promovendo sua CPU Vera junto a clientes chineses.

Apesar dos esforços para manter negócios no país, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou, em maio, que a companhia havia, “em grande parte, cedido” o mercado chinês de chips de IA à Huawei, sua principal concorrente doméstica.

A China é um mercado importante para a Nvidia, mas a disputa tecnológica entre Washington e Pequim tem limitado o acesso das empresas chinesas aos processadores mais avançados desenvolvidos nos Estados Unidos.

A própria Nvidia já havia trabalhado anteriormente em versões de seus chips adaptadas às regras americanas para permitir vendas à China. Em maio de 2025, a Reuters informou que a empresa estava ajustando o design de seus chips de IA para que pudessem ser vendidos a empresas chinesas sem violar as regras de exportação dos EUA.

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China quer criar ‘fortalezas robóticas’ com drones para defender ilhas

Pesquisadores da Academia da Guarda Costeira da China e da Universidade Marítima de Dalian apresentaram uma proposta: transformar ilhas disputadas no Mar da China Meridional em “fortalezas robóticas autônomas”.

O projeto prevê a criação de uma rede integrada de drones aéreos, de superfície e submarinos. O objetivo principal é proteger territórios insulares contra ataques de enxames de robôs inimigos sem depender de tropas humanas no local.

Como as ‘fortalezas robóticas’ chinesas funcionariam

O estudo foi publicado na revista científica Command Control & Simulation e repercutido pelo South China Morning Post. Os autores citam o conflito na Ucrânia para justificar a mudança estratégica. Eles destacam que o uso de barcos autônomos de baixo custo, como o modelo Magura V5, expôs a vulnerabilidade de navios militares tradicionais contra ataques em massa de robôs.

A proposta organiza a vigilância do território em diferentes altitudes e profundidades – Imagem: Olhar Digital via Gemini

Em regiões insulares (áreas de ilhas ou arquipélagos), o espaço reduzido cria pontos cegos de radar e dificulta o posicionamento de tropas. Os pesquisadores chineses argumentam que os métodos tradicionais de defesa não conseguem responder com a velocidade e o custo-benefício necessários para conter enxames de drones.

A proposta organiza a vigilância do território em diferentes altitudes e profundidades. Drones aéreos iriam cobrir grandes áreas no ar, barcos sem tripulação iriam vigiar pontos cegos em baixa altitude e robôs subaquáticos iriam monitorar os canais rasos e as encostas dos recifes.

O sistema usaria chips de inteligência artificial (IA) instalados em cada veículo autônomo para analisar os dados capturados. Essa estrutura descentralizada permitiria que os drones tomassem decisões e continuassem operando mesmo em cenários de bloqueio de comunicação ou destruição parcial da rede.

A proposta de neutralização das ameaças é dividida em três anéis de proteção ao redor da ilha. No anel externo, drones aéreos e aquáticos lançariam mísseis e torpedos; no anel intermediário, sistemas eletrônicos bloqueariam os sinais do inimigo; e no anel interno, robôs “suicidas” e unidades subaquáticas destruiriam os alvos restantes.

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Apple tem nova aposta para a China – e não é o iPhone

A Apple treinou um modelo de linguagem próprio para o mercado chinês com apoio da Alibaba, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters. A iniciativa representa uma mudança na estratégia da empresa para levar inteligência artificial aos iPhones e outros dispositivos vendidos no país.

Até agora, a Apple vinha recorrendo principalmente a modelos de empresas chinesas. Agora, passa a desenvolver sua própria tecnologia enquanto tenta cumprir as regras locais e reagir à concorrência de fabricantes como a Huawei.

A parceria com a Alibaba foi confirmada em 2025. Agora, a Apple também treina um modelo próprio específico para o mercado chinês. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Modelo foi criado para o mercado chinês

Na China, modelos americanos como Claude, da Anthropic, e ChatGPT, da OpenAI, não estão disponíveis. Por isso, a Apple vinha trabalhando com parceiros locais para levar recursos de IA generativa aos seus aparelhos.

O novo modelo pode dar à empresa mais controle sobre a experiência oferecida aos usuários chineses. Ainda não se sabe, porém, como ele será usado junto às tecnologias de terceiros.

O Apple Intelligence é esperado na China nos próximos meses, depois de uma atualização do iOS.

Alibaba ajuda no desenvolvimento

A parceria entre Apple e Alibaba veio a público em fevereiro de 2025. Naquele momento, Joe Tsai, presidente da Alibaba, revelou que a Apple havia avaliado diferentes empresas chinesas antes de fechar o acordo.

“Eles conversaram com várias empresas na China. No fim, escolheram fazer negócios conosco”, afirmou Tsai.

O lançamento do Apple Intelligence acabou atrasado enquanto a Apple adaptava seus recursos às exigências chinesas. O processo regulatório terminou no mês passado, quando a Administração do Ciberespaço da China registrou o serviço de IA generativa da companhia.

Na versão destinada ao país, o modelo Qwen, da Alibaba, será incorporado ao Apple Intelligence. A tecnologia da Baidu também deve fazer parte do serviço.

Os principais componentes dessa operação são:

  • modelo próprio da Apple voltado à China;
  • suporte da Alibaba durante o treinamento;
  • integração do Qwen ao Apple Intelligence;
  • tecnologia da Baidu prevista para o serviço;
  • aprovação regulatória para a IA generativa da Apple.
Logo da Apple ao lado de inteligência artificial (IA)
O desafio da Apple na China vai além de criar uma IA: é preciso adaptar o serviço às regras locais e competir com fabricantes avançados – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Apple tenta recuperar espaço na China

A China representa um mercado importante para a Apple, mas a empresa perdeu terreno para fabricantes locais. A falta de recursos de IA nos iPhones vendidos no país foi apontada como um dos fatores que pesaram sobre as vendas, enquanto concorrentes ofereciam aparelhos com assistentes de inteligência artificial integrados.

Leia mais:

A combinação de tecnologia própria com modelos chineses também coloca a Apple em uma posição incomum para uma companhia estrangeira. A fórmula pode ajudá-la a atender às exigências de Pequim e, ao mesmo tempo, manter parte do controle sobre seus recursos de IA.

Ainda falta uma peça importante nessa equação: não está claro qual será o papel do modelo treinado pela Apple ao lado do Qwen, da Baidu e de outras tecnologias de terceiros. Essa definição deverá determinar como o Apple Intelligence funcionará nos dispositivos vendidos na China.

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China aposta em IA para antecipar tempestades e ganhar tempo contra o clima extremo

A China vem ampliando o uso de inteligência artificial na previsão do tempo enquanto eventos meteorológicos extremos ganham força. Durante a passagem do tufão Dolphin, sistemas chineses de IA foram utilizados em conjunto com os métodos convencionais de meteorologia.

Modelos como Fengwu, desenvolvido pelo Laboratório de Inteligência Artificial de Xangai, Pangu, da Huawei, e Fuxi, da Universidade Fudan, estão entre as tecnologias que passaram a disputar espaço no setor. Pesquisadores apontam que essas ferramentas conseguem produzir previsões com muito mais rapidez e, em determinadas avaliações, alcançar ou superar métodos tradicionais.

O avanço ocorre em meio à busca por previsões mais precisas e ágeis, capazes de auxiliar governos e população diante de inundações, evacuações e possíveis interrupções no transporte. Apesar dos resultados, a IA ainda apresenta dificuldades para estimar a intensidade de tempestades e não substitui integralmente os modelos meteorológicos convencionais.

IA acelera previsão, mas ainda depende da meteorologia tradicional

Mau tempo – Imagem: AYO Production/Shutterstock

Durante os dias que antecederam a chegada do Dolphin ao território chinês, os novos sistemas foram empregados paralelamente às ferramentas meteorológicas baseadas em modelos físicos. A combinação evidencia o papel que a inteligência artificial passou a ocupar na tentativa de aperfeiçoar a previsão de fenômenos severos.

A meteorologia tradicional utiliza supercomputadores para reproduzir, por meio de cálculos, o comportamento físico da atmosfera. A inteligência artificial segue outra lógica: seus modelos são treinados com grandes volumes de registros históricos de condições meteorológicas e, a partir desses padrões, conseguem gerar novas previsões em um intervalo muito menor.

A velocidade é uma das principais vantagens apontadas para essa tecnologia. Em períodos de tufões no leste asiático, pequenas melhorias na previsão da trajetória podem fornecer mais tempo para autoridades organizarem medidas de proteção, prepararem evacuações e administrarem impactos sobre deslocamentos e infraestrutura.

Entre os sistemas que ganharam destaque está o Fengwu. Seus desenvolvedores afirmaram que o modelo apresentou desempenho superior ao GraphCast, do Google, em aproximadamente 80% das variáveis meteorológicas avaliadas. O sistema também teria ampliado para além de dez dias o alcance de previsões globais consideradas úteis.

imagem de um tufão visto de cima
Supertufão – Imagem: Triff / Shutterstock

A aplicação prática do Fengwu também chamou a atenção durante o episódio envolvendo o Dolphin. Conforme relatado pela empresa responsável por suas aplicações industriais, cinco dias antes da chegada do tufão, o sistema havia estimado o momento e o ponto em que a tempestade atingiria a China continental com diferença de cerca de 30 minutos e 30 quilômetros.

Apesar desses resultados, há uma diferença importante entre antecipar o deslocamento de uma tempestade e calcular sua intensidade. De acordo com a equipe responsável pelo Fengwu, os modelos de inteligência artificial ainda ficam atrás das previsões convencionais nesse segundo aspecto.

A limitação também se estende a fenômenos climáticos de maior escala. A confiabilidade necessária para antecipar acontecimentos com muitos meses de antecedência, como episódios de El Niño ou alterações na temperatura da superfície oceânica capazes de afetar ciclos de reprodução de peixes, ainda exige anos de pesquisa científica, segundo a avaliação apresentada pela equipe do sistema.

Além dos projetos chineses, a disputa internacional reúne tecnologias desenvolvidas por diferentes empresas e instituições. Entre os modelos citados estão o GraphCast e o GenCast, do Google, o FourCastNet, apoiado pela Nvidia, e o sistema de previsão baseado em IA do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, conhecido como AIFS.

Nesse cenário, a tendência apontada pelo material é de convivência entre inteligência artificial e os modelos meteorológicos tradicionais. A rapidez e o menor custo computacional dos sistemas de IA ampliam seu potencial como ferramenta complementar, enquanto as limitações atuais impedem que eles assumam sozinhos toda a tarefa de previsão.

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A “virada” da IA na África mostra novo duelo entre China e EUA

Quando Ernest Mwebaze começou a criar uma ferramenta de inteligência artificial para lidar com os diferentes idiomas de Uganda, ele colocou modelos americanos e chineses à prova. O resultado surpreendeu: a tecnologia chinesa funcionou melhor para o projeto.

Segundo o The New York Times, casos como esse mostram como desenvolvedores africanos estão recorrendo a sistemas chineses por causa do custo reduzido, da possibilidade de personalização e do acesso aberto.

A inteligência artificial chinesa virou escolha de muitos desenvolvedores africanos por ser flexível e mais acessível. – Imagem: justhavealook/iStock

Desenvolvedores escolhem ferramentas que cabem no orçamento

Mwebaze, ex-pesquisador do Google, criou o Sunflower, um sistema usado por agricultores de Uganda para receber informações sobre clima e cultivo em idiomas locais. Segundo ele, o modelo da Alibaba apresentou desempenho superior ao de alternativas da Meta e do Google para essa tarefa.

“Queremos construir coisas da forma mais barata possível, mas que funcionem muito bem”, afirmou Mwebaze.

O movimento não acontece apenas em Uganda. No Quênia, empreendedores usam modelos chineses para melhorar serviços jurídicos e empresariais. Na Nigéria, desenvolvedores criam ferramentas educacionais, enquanto no Gana surgem novos chatbots adaptados às demandas locais.

Código aberto muda a escolha dos desenvolvedores

Um dos principais atrativos dessas ferramentas é o código aberto. Diferentemente de modelos fechados, que exigem pagamentos e dependem das regras das empresas que os criaram, esses sistemas podem ser baixados e modificados pelos próprios usuários.

Entre os motivos que explicam essa preferência estão:

  • Menor custo para desenvolver aplicações;
  • Possibilidade de adaptar os modelos com dados próprios;
  • Uso em projetos com poucos recursos;
  • Maior controle sobre a tecnologia utilizada.

Para muitos desenvolvedores africanos, a questão não é usar o modelo mais avançado do mercado, mas encontrar uma ferramenta capaz de resolver o problema necessário.

Por que usar uma Ferrari cara para levar as crianças à escola quando um Toyota hatchback pode fazer a mesma coisa?

Moses Kemibaro, empreendedor, ao The New York Times.

Logo da Alibaba com pessoas passando em frente
Sistemas de código aberto, como o Qwen, oferecido pela Alibaba, são o diferencial: modelos chineses permitem baixar, modificar e criar novas soluções com mais liberdade. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

África vira palco da disputa entre China e EUA

A presença chinesa no setor de tecnologia africano começou antes da inteligência artificial. Empresas do país já participaram da expansão de redes de telecomunicações no continente, criando uma base para oferecer novas soluções.

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Mesmo assim, empresas africanas continuam usando ferramentas americanas em algumas situações. Sistemas como os da OpenAI e Anthropic ainda são procurados para tarefas técnicas que exigem maior precisão.

A escolha também envolve questões políticas. Após problemas com respostas do chatbot Sunflower sobre a China, Mwebaze passou a buscar alternativas para evitar uma dependência excessiva de um único fornecedor.

“Precisamos garantir que não estamos do lado errado da geopolítica”, afirmou.

A experiência africana mostra que a corrida pela inteligência artificial não depende apenas de quem cria os modelos mais avançados. Cada vez mais, custo, liberdade de uso e capacidade de adaptação estão influenciando quais tecnologias chegam aos usuários.

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Nova onda de modelos chineses de IA ameaça domínio das empresas dos EUA

A indústria chinesa de inteligência artificial ganhou novo impulso nas últimas semanas com uma sequência de lançamentos que reduziu a distância em relação aos principais desenvolvedores norte-americanos. Alibaba, Moonshot AI, DeepSeek, Z.ai e ByteDance passaram a disputar espaço no grupo de modelos considerados mais avançados.

O movimento começou já neste ano, com empresas chinesas apresentando sistemas voltados a tarefas complexas, programação, raciocínio e geração de vídeos. A estratégia combinou avanços técnicos com preços inferiores aos praticados por concorrentes dos Estados Unidos.

A expansão desses modelos aumentou a pressão sobre empresas como OpenAI e Anthropic, que passaram a enfrentar um cenário no qual desempenho elevado e eficiência de custos se tornaram fatores decisivos para conquistar usuários e desenvolvedores em escala global.

A nova fase da disputa por eficiência em IA

EUA e China lutando pela influência mundial em inteligência artificial – Imagem: CHIEW/Shutterstock

A recente onda chinesa marca uma mudança em relação aos primeiros impactos provocados pelo avanço da DeepSeek. Antes visto como um caso isolado, o progresso do setor passou a ser interpretado como resultado de um ambiente capaz de produzir sucessivos modelos competitivos em curto espaço de tempo.

Entre os lançamentos citados estão o Qwen3.8-Max, da Alibaba, apresentado como o modelo mais avançado da empresa; o Kimi K3, da Moonshot AI; o V4 Flash, da DeepSeek; o GLM-5.2, da Z.ai; e novas versões da ferramenta Seedance, da ByteDance, voltada à criação de vídeos por inteligência artificial.

O ponto central da disputa deixou de ser apenas quem desenvolve o sistema mais poderoso. A redução de custos passou a ocupar posição estratégica. Dados de avaliação independente mencionados no material apontam que determinadas tarefas executadas pelo DeepSeek V4 Flash poderiam custar centavos, enquanto alternativas americanas avaliadas no mesmo cenário chegariam a valores muito superiores.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Esse cenário criou uma pressão sobre empresas intermediárias do mercado. Companhias que não conseguem entregar mais capacidade pelo mesmo preço ou oferecer custos menores podem perder espaço, já que usuários passam a comparar diretamente desempenho e valor.

A competição também alterou a forma como algumas empresas utilizam diferentes modelos. De acordo com Dermot McGrath, fundador da consultoria ZenGen Labs, alguns profissionais passaram a combinar ferramentas americanas e chinesas: modelos dos Estados Unidos para planejamento e sistemas chineses para execução de tarefas específicas.

O avanço chinês ainda envolve uma disputa tecnológica e política. Washington demonstrou preocupação com questões relacionadas à propriedade intelectual e ao impacto desses avanços sobre sua liderança no setor, ao mesmo tempo em que debate medidas de controle sem comprometer sua posição competitiva.

Outro elemento apontado no crescimento chinês é a disposição das empresas de aceitar retornos financeiros menores no curto prazo para conquistar usuários, desenvolvedores e relevância internacional. Essa estratégia contribuiu para uma forte disputa de preços dentro do próprio mercado chinês.

Além dos modelos de linguagem, a área de geração de vídeos se tornou outro exemplo dessa expansão. A ByteDance ampliou investimentos no Seedance, enquanto a Kuaishou avançou com sua ferramenta Kling AI, que recebeu apoio financeiro de Alibaba e Tencent em uma rodada de US$ 2,8 bilhões.

No centro dessa corrida está uma disputa por liderança tecnológica. Enquanto laboratórios americanos mantêm planos de grandes valorizações de mercado baseadas em modelos de negócios de alta margem, a concorrência chinesa coloca em debate até que ponto esses preços poderão permanecer elevados diante de alternativas mais baratas.

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EUA apertam o cerco à China e miram infraestrutura da inteligência artificial

O governo do presidente Donald Trump elabora uma medida para impedir a entrada nos Estados Unidos de novos modelos de componentes chineses utilizados em data centers. A proposta, conduzida pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), pretende reforçar a proteção da infraestrutura que sustenta o desenvolvimento e a operação de sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa foi revelada exclusivamente pela Reuters nesta terça-feira (4) e, caso avance, poderá ser publicada ainda em 2026. O plano prevê restrições à importação de transceptores ópticos produzidos por empresas chinesas, dispositivos responsáveis pela transmissão de dados por cabos de fibra óptica em alta velocidade dentro dos centros de processamento.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a intenção é reduzir riscos relacionados à segurança nacional, evitando que equipamentos considerados sensíveis sejam incorporados à cadeia tecnológica dos Estados Unidos antes que se tornem parte essencial da infraestrutura do país.

Medida mira transceptores ópticos utilizados em centros de processamento

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A proposta em análise pela FCC concentra-se nos transceptores ópticos, componentes responsáveis por transportar informações por meio de cabos de fibra óptica dentro dos data centers. Esses equipamentos desempenham papel essencial na comunicação entre servidores e na operação das estruturas utilizadas para treinar e executar modelos de inteligência artificial.

Conforme as fontes ouvidas pela Reuters, o governo avalia que esses dispositivos podem representar vulnerabilidades capazes de facilitar o roubo de dados, a instalação de programas maliciosos ou até interrupções em serviços considerados estratégicos.

A reportagem ressalta, contudo, que a restrição ainda não foi oficialmente aprovada. Pessoas próximas às discussões afirmaram que a proposta permanece em elaboração e poderá ser modificada ou até descartada antes de sua publicação.

Para Divyansh Kaushik, especialista em políticas de inteligência artificial da consultoria Beacon Global Strategies, a proteção da cadeia de suprimentos precisa acompanhar a expansão dos data centers. “Os transceptores definitivamente representam um risco. À medida que a expansão dos data centers ganha escala, é preciso garantir desde o início que a cadeia de suprimentos seja segura“, afirmou o especialista à Reuters.

Paralelo com o caso Huawei

Logo da Huawei exibido em estande da empresa durante evento de tecnologia
Huawei – Imagem: THINK A / Shutterstock

A preocupação das autoridades americanas é evitar que se repita uma situação semelhante à enfrentada com equipamentos da Huawei. Integrantes do governo entendem que a presença ampla de produtos da empresa na infraestrutura de telecomunicações tornou o processo de substituição lento, caro e incompleto após a aplicação de sanções pelos Estados Unidos.

Embora a FCC tenha atuação historicamente independente, a Reuters lembra que uma decisão da Suprema Corte Americana, tomada em junho, fortaleceu os poderes do presidente Donald Trump sobre determinados órgãos reguladores ao validar a demissão de uma integrante democrata da Comissão Federal de Comércio.

Empresas podem sentir impactos

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

Caso a medida seja implementada, uma das companhias potencialmente mais afetadas será a chinesa Zhongji Innolight, apontada como uma das maiores fornecedoras mundiais de transceptores ópticos. A empresa foi incluída, em junho, na lista do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que reúne organizações acusadas de manter vínculos com o setor militar chinês.

Segundo dados citados pela Reuters, a Innolight detém cerca de 27% do mercado global desses equipamentos para data centers e obtém aproximadamente 90% de sua receita fora da China.

Por outro lado, fabricantes americanos como Coherent e Lumentum aparecem entre as empresas que poderiam ser beneficiadas pela mudança regulatória. Ainda assim, um relatório da Foundation for American Innovation indica que essas companhias ainda não possuem capacidade suficiente para substituir integralmente os fornecedores chineses.

A Reuters também destaca que empresas de computação em nuvem, como a Amazon Web Services (AWS), podem enfrentar aumento de custos caso precisem migrar para outros fabricantes.

Restrições seguem estratégia mais ampla

A possível proibição faz parte de uma série de ações adotadas recentemente pela FCC contra equipamentos chineses considerados sensíveis. A agência já anunciou restrições envolvendo drones, roteadores, robôs e inversores, utilizando a chamada “Covered List”, criada pelo Congresso americano para impedir a comercialização futura de produtos classificados como ameaça à segurança nacional.

A reportagem lembra ainda que o Departamento de Comércio chegou a interromper, após uma trégua comercial firmada no ano passado, um conjunto de medidas que também atingiria equipamentos chineses para data centers. Diante desse cenário, a FCC assumiu protagonismo na condução de novas restrições voltadas ao setor.

Em resposta, a Embaixada da China em Washington afirmou que os Estados Unidos deveriam considerar as manifestações da comunidade empresarial dos dois países e deixar de atacar empresas chinesas com acusações e sanções. A representação diplomática acrescentou que Pequim adotará as medidas que considerar necessárias caso seus interesses sofram prejuízos materiais.

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