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Mark Zuckerberg critica rivais e diz que concentração da IA ameaça inovação

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, fez duras críticas ao modelo de desenvolvimento de inteligência artificial (IA) adotado por concorrentes, como OpenAI e Anthropic.

Em entrevista concedida nesta terça-feira (28) ao The New York Times, o executivo afirmou que concentrar o desenvolvimento de modelos avançados em poucas empresas pode limitar o acesso da sociedade à tecnologia e prejudicar a inovação.

Embora não tenha citado diretamente OpenAI e Anthropic em diversos momentos da conversa, Zuckerberg deixou claro que se referia às empresas que defendem um desenvolvimento mais controlado da IA. Segundo ele, essa abordagem contraria a tradição do setor de tecnologia nos Estados Unidos.

“Grande parte do discurso de muitos dos outros laboratórios que estão desenvolvendo isso é excessivamente dominada pelo pessimismo”, afirmou. “É preciso haver uma voz, ou várias vozes, que tragam realismo para esse debate.”

As declarações ampliam uma discussão que vem dividindo o Vale do Silício sobre como sistemas avançados de IA devem ser desenvolvidos e disponibilizados ao público.

Debate divide gigantes da tecnologia

  • Executivos, como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, argumentam que alguns dos modelos mais avançados já são perigosos demais para serem desenvolvidos ou compartilhados sem rígidos mecanismos de controle;
  • Por outro lado, empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos;
  • A discussão ganhou força neste mês após modelos chineses de inteligência artificial reduzirem a vantagem tecnológica que empresas estadunidenses, como Anthropic e OpenAI, mantinham no setor;
  • Em resposta, essas companhias intensificaram o diálogo com reguladores em Washington e demonstraram preocupação com o avanço de modelos de código aberto desenvolvidos na China.

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Nvidia reforça apoio ao código aberto

Na última sexta-feira (24), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, publicou uma carta defendendo o desenvolvimento de softwares de código aberto para IA, posição que recebeu apoio de diversas empresas de tecnologia.

Nesta semana, Huang também anunciou uma coalizão voltada ao desenvolvimento de ferramentas abertas de segurança e cibersegurança para IA, iniciativa que reúne empresas, como SpaceX e IBM.

Huang e Altman estão entre os executivos que viajaram a Washington para discutir com o governo do presidente Donald Trump possíveis políticas para o setor.

Empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos – Imagem: jackpress/Shutterstock

Zuckerberg defende “superinteligência personalizada”

Durante a entrevista, Zuckerberg voltou a defender sua visão de que a IA deve estar disponível para o maior número possível de pessoas. Ele criticou a ideia de criar uma única superinteligência centralizada e totalmente alinhada aos interesses da humanidade, conceito frequentemente associado às discussões sobre segurança em IA.

“Eu acho que muitas pessoas têm a noção de que, se você construir algum tipo de inteligência artificial singular, poderá, por meio de uma forma idealizada de alinhamento, garantir que ela seja benevolente para a humanidade”, afirmou. “Pessoalmente, sou cético em relação a esse caminho.”

Em vez disso, o executivo propôs o conceito de “superinteligência personalizada”, em que assistentes de IA possam ser configurados conforme as necessidades, preferências e valores de cada usuário. “Acho que é literalmente impossível existir uma única superinteligência benevolente que esteja alinhada com todas as pessoas ao mesmo tempo”, declarou.

Até a publicação da entrevista, OpenAI e Anthropic não haviam comentado as declarações. Em manifestações anteriores, a OpenAI afirmou apoiar iniciativas de código aberto e disse trabalhar com a Casa Branca para desenvolver formas seguras de expandir a IA.

Na segunda-feira (27), Amodei publicou um texto afirmando que a Anthropic está concentrada em impedir que chips avançados cheguem a regimes autoritários, evitar a reprodução em larga escala de modelos de IA e exigir testes de segurança para sistemas altamente capazes, sejam eles abertos ou fechados.

Apesar das divergências entre as empresas, pesquisadores da Anthropic, OpenAI, Meta e Google assinaram conjuntamente uma carta aberta intitulada “Pacing the Frontier”.

O documento defende um esforço internacional para desenvolver ferramentas técnicas e mecanismos de governança capazes de desacelerar o avanço da IA quando necessário por razões de segurança.

A posição da Meta sobre IA também evoluiu nos últimos anos. Durante muito tempo, a empresa ficou conhecida por disponibilizar gratuitamente modelos de IA de código aberto. No entanto, após perder espaço para OpenAI e Anthropic, Zuckerberg reformulou sua estratégia.

A companhia investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 73,5 bilhões) na startup Scale AI e contratou seu fundador, Alexandr Wang, para liderar a divisão de IA da empresa, rebatizada de Meta Superintelligence Labs. Também foram investidos bilhões de dólares na contratação de pesquisadores especializados, que passaram a desenvolver um novo modelo fechado de IA, em vez de totalmente aberto.

Neste mês, a Meta começou a vender, pela primeira vez, acesso ao seu modelo Muse Spark, ao mesmo tempo em que continua desenvolvendo modelos de código aberto.

Zuckerberg afirmou acreditar que a trajetória da indústria de tecnologia aponta para uma democratização crescente das ferramentas de IA. “Acredito que a trajetória geral da indústria sempre caminhou para mais abertura e para colocar o poder da tecnologia nas mãos de mais pessoas, e não de menos”, concluiu.

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Anthropic: Mythos encontra vulnerabilidades em algoritmos de criptografia

O Claude Mythos Preview, modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Anthropic, conseguiu identificar novas formas de explorar vulnerabilidades em uma versão simplificada de um dos algoritmos de criptografia mais utilizados no mundo, o Advanced Encryption Standard (AES).

A descoberta, anunciada pela empresa nesta terça-feira (28), reforça as preocupações sobre os impactos que modelos de IA cada vez mais avançados podem ter na segurança cibernética global.

Segundo os pesquisadores da Anthropic, o modelo foi capaz de descobrir métodos inéditos para atacar algoritmos criptográficos responsáveis por proteger desde transações bancárias online e comunicações privadas até informações sigilosas de governos contra hackers e outros agentes mal-intencionados.

O estudo indica que a IA pode, no futuro, desafiar princípios fundamentais sobre os quais a internet foi construída. Embora especialistas já esperem que a IA transforme diversos setores, os avanços têm sido especialmente rápidos nas áreas de programação e segurança digital.

Apesar da relevância da descoberta, a Anthropic ressalta que não há risco imediato para os sistemas atualmente em uso. As vulnerabilidades encontradas dizem respeito apenas a uma versão enfraquecida do AES, utilizada em pesquisas para avaliar a resistência de algoritmos criptográficos.

AES e testes de confiabilidade

  • O AES é um protocolo amplamente empregado para proteger o tráfego da internet, redes sem fio, sistemas de armazenamento de dados e diversos outros serviços digitais;
  • Testar versões simplificadas desses algoritmos é uma prática comum entre pesquisadores para entender se computadores mais poderosos poderão, no futuro, quebrar os padrões reais de criptografia;
  • A lógica é semelhante à de resolver um problema matemático mais simples para identificar padrões que possam ser aplicados a desafios muito mais complexos.

Durante os testes, o Claude Mythos Preview conseguiu romper essa versão reduzida do AES utilizando um método que, segundo a Anthropic, tornou o ataque entre 200 e mil vezes mais rápido do que as melhores técnicas desenvolvidas anteriormente por pesquisadores humanos.

Embora as consequências imediatas sejam limitadas, os pesquisadores afirmam que as implicações de longo prazo podem ser significativas.

Em testes anteriores, modelos de linguagem de grande porte não conseguiam igualar o desempenho de especialistas humanos em pesquisas criptográficas, um campo altamente dependente de matemática avançada.

A rápida evolução dessas ferramentas, no entanto, sugere um cenário em que futuros modelos poderão superar proteções de segurança consideradas essenciais para praticamente toda a infraestrutura da internet.

Nicholas Carlini, cientista de pesquisa da Anthropic que participou dos testes de criptografia e anteriormente trabalhou na divisão de IA do Google, afirmou que a evolução dos modelos foi muito mais rápida do que esperava.

“Eles não conseguiam resolver problemas que eu conseguia quando tinha 16 anos”, disse Carlini em entrevista ao The New York Times. “Agora eles estão realizando pesquisas de ponta que nunca haviam sido descobertas na área.”

Os avanços recentes dos chamados modelos de fronteira também vêm despertando preocupação entre governos de diversos países, incluindo o governo do presidente Donald Trump, principalmente devido às capacidades relacionadas à segurança cibernética.

Quando o Claude Mythos foi apresentado, em abril, demonstrou tanta eficiência para encontrar e explorar falhas em softwares que a Anthropic decidiu restringir seu acesso a órgãos governamentais e organizações selecionadas, buscando reduzir o risco de uma possível catástrofe digital em escala global.

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Mythos é da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Embora o governo Trump tenha adotado inicialmente uma postura de pouca intervenção na regulamentação da IA, a administração passou a adotar um modelo de supervisão mais flexível. Atualmente, diversas empresas estadunidenses submetem seus modelos ao governo antes do lançamento público. O Mythos continua indisponível para o público em geral.

As preocupações aumentaram novamente na semana passada, quando a OpenAI revelou que alguns de seus modelos conseguiram escapar de um ambiente de testes isolado, conhecido como sandbox, criado justamente para impedir acesso à internet. Segundo a empresa, os sistemas invadiram uma biblioteca digital de IA na tentativa de obter respostas para um exame que avaliava suas capacidades.

Autoridades de inteligência dos Estados Unidos e de países ocidentais alertam há décadas que uma eventual quebra dos atuais padrões de criptografia teria consequências profundas para a privacidade digital e para a segurança nacional.

Há suspeitas, por exemplo, de que a China tenha armazenado grandes volumes de dados criptografados com a expectativa de conseguir decifrá-los futuramente. Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China pelo desenvolvimento de computadores quânticos capazes de romper os protocolos modernos de criptografia aumentou ainda mais essas preocupações.

Além da descoberta envolvendo o AES, o Claude Mythos também desenvolveu uma técnica aprimorada de ataque contra outro sistema criptográfico chamado HAWK, projetado para resistir tanto a computadores convencionais quanto a futuros computadores quânticos.

Embora o HAWK ainda não esteja em uso, ele está sendo avaliado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) como um possível novo padrão criptográfico.

Segundo a Anthropic, os próprios autores do HAWK validaram o ataque desenvolvido pela IA, enquanto criptógrafos independentes revisaram a descoberta relacionada ao AES. A empresa informou ainda que compartilhou os resultados com o governo estadunidense e parceiros da indústria antes da publicação do estudo.

A Anthropic afirma que o Claude Mythos elaborou praticamente de forma autônoma o novo ataque contra o AES. Inicialmente, porém, o modelo recusou-se a analisar o problema por acreditar que seria impossível superar os métodos existentes.

Após receber novos incentivos dos pesquisadores, permaneceu cerca de uma semana trabalhando na questão até desenvolver a técnica inédita. Em seguida, dois pesquisadores humanos passaram quase um mês verificando se o método estava correto.

A criptografia é considerada um dos pilares da internet moderna, protegendo praticamente todas as atividades realizadas no ambiente digital. Algumas das técnicas ainda utilizadas atualmente guardam segredos do mundo desde a década de 1970. Já a criptografia quântica, baseada em propriedades da física quântica, é considerada teoricamente impossível de ser quebrada.

Adotado como padrão oficial do governo dos Estados Unidos em 2001, o AES era amplamente visto como praticamente inviolável. Os métodos tradicionais de força bruta, nos quais computadores tentam adivinhar combinações de senhas ou chaves de criptografia por tentativa e erro, são considerados incapazes de derrotar o algoritmo. Estima-se que o AES possua um número de combinações de chaves comparável ao número de átomos existentes no universo observável.

Mesmo assim, o avanço acelerado da IA tem superado expectativas que muitos especialistas julgavam inalcançáveis poucos anos atrás. Esse progresso alimenta preocupações de que, no futuro, os fundamentos matemáticos que sustentam os atuais padrões de segurança da internet possam se tornar vulneráveis mesmo antes de os computadores quânticos se tornarem realidade.

“Dado que estamos constantemente subestimando o poder e o tempo necessário para que futuros modelos estejam disponíveis, será que realmente estamos confortáveis em acreditar que, daqui a dois anos, a criptografia forte não estará ameaçada?”, questionou Glenn S. Gerstell, ex-conselheiro-geral da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês).

“Os matemáticos diriam que, com o poder computacional atual, não deveria ser possível quebrar uma criptografia forte em um tempo relevante”, acrescentou Gerstell, que ajudou a elaborar um relatório sobre criptologia em 2022.

“Mas não acho que as capacidades dos modelos futuros no médio prazo — antes da computação quântica ou da criptografia resistente à computação quântica — devam ser descartadas como algo trivial nesse contexto.”

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Sua conversa com uma IA pode aparecer no Google? Entenda o caso

Centenas de diálogos compartilhados por usuários do Claude, chatbot de inteligência artificial da Anthropic, ficaram acessíveis publicamente após serem encontrados em mecanismos de busca.

A descoberta revelou que algumas interações com informações pessoais e profissionais estavam disponíveis online, levantando dúvidas sobre os limites de privacidade no uso de ferramentas de IA.

Chats com IA que pareciam privados foram encontrados online após indexação por mecanismos de busca. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Segundo a BBC, os registros apareceram porque usuários escolheram compartilhar links de suas conversas com o Claude. Esses endereços acabaram indexados por buscadores como o Google, permitindo que terceiros encontrassem os materiais.

A opção de localizar esses conteúdos foi removida durante o fim de semana, mas parte dos links já havia sido salva e compartilhada na internet.

A Anthropic afirmou que os usuários continuam decidindo se querem ou não divulgar uma conversa. Uma porta-voz da companhia explicou que os links “não eram previsíveis ou detectáveis, a menos que as pessoas optassem por compartilhá-los por conta própria”.

Ela acrescentou que, ao tornar uma interação pública, o usuário permite que aquele material seja acessado e arquivado por serviços de terceiros, como ocorre com outros conteúdos disponíveis na web.

O recurso de compartilhamento do Claude informa que “qualquer pessoa com o link” pode visualizar a conversa, mas não deixa explícito que esse endereço poderia aparecer em resultados de pesquisa.

Currículos e informações de trabalho estavam entre os conteúdos

A descoberta inicial veio de usuários do Reddit, que encontraram mais de 200 conversas espalhadas por pelo menos 25 páginas de resultados.

Os diálogos mostravam diferentes usos do chatbot, incluindo:

  • Criação de textos inéditos sobre segurança na nuvem;
  • Discussões envolvendo projetos corporativos;
  • Auxílio na elaboração de currículos com dados pessoais;
  • Pesquisas confidenciais relacionadas ao trabalho, incluindo a área da saúde.

Entre os casos encontrados estava o de um usuário que pediu ajuda ao Claude para “se tornar a Raposa de Nove Caudas”. Depois, ele explicou que queria literalmente se transformar na criatura. O chatbot apresentou uma imagem gerada por IA e afirmou que o usuário havia recebido “poderes de raposa totalmente funcionais!”.

Também foram encontrados registros que pareciam envolver transcrições de conversas privadas e informações usadas em atividades profissionais.

Ícones dos aplicativos ChatGPT, Claude e Gemini exibidos na tela de um smartphone
A exposição de chats do Claude se soma a outros casos envolvendo plataformas de inteligência artificial. – Imagem: Primakov / Shutterstock

Claude segue casos semelhantes envolvendo IA

O episódio envolvendo a Anthropic não é o primeiro problema de exposição de conversas em plataformas de inteligência artificial. A BBC lembra que a OpenAI enfrentou uma situação semelhante com registros públicos do ChatGPT e depois alterou a forma de acesso a esses conteúdos.

O Grok, chatbot da plataforma X, também teve centenas de milhares de registros disponibilizados publicamente por meio de pesquisas online.

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Um porta-voz do Google afirmou à BBC que a empresa não decide quais páginas ficam públicas na internet, pois essa escolha depende dos próprios sites. Segundo ele, a companhia oferece ferramentas para impedir que páginas sejam rastreadas ou indexadas.

Com a retirada dos registros do Claude dos resultados de busca, a expectativa é que a Anthropic tenha usado mecanismos disponíveis para bloquear esses links.

O caso mostra que uma conversa criada em uma ferramenta de inteligência artificial pode ultrapassar rapidamente o ambiente privado quando um link público é compartilhado, tornando essencial avaliar com cuidado quais informações são divulgadas.

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Vale do Silício entra em “guerra” por causa da IA chinesa

Uma disputa sobre o futuro da inteligência artificial (IA) ganhou força no Vale do Silício e passou a envolver as maiores empresas do setor, executivos de tecnologia e integrantes do governo dos Estados Unidos.

O debate opõe companhias, como OpenAI e Anthropic, que defendem maiores restrições aos modelos chineses de IA de código aberto, e um grupo formado por empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta e IBM, que argumenta que esse tipo de tecnologia deve permanecer aberto para estimular inovação, segurança e novos negócios.

A discussão, que há anos divide a indústria de tecnologia sobre o desenvolvimento de IA, se intensificou diante do avanço acelerado da China na criação de modelos de código aberto.

OpenAI e Anthropic defendem restrições

De um lado estão OpenAI e Anthropic, que sustentam que determinados modelos de IA são perigosos demais para serem desenvolvidos de forma aberta e, por isso, devem permanecer sob controle rígido das empresas responsáveis por sua criação.

Nos bastidores, segundo pessoas próximas às discussões contaram ao The New York Times, as duas companhias vêm pressionando reguladores em Washington (EUA) ao levantar preocupações sobre os modelos chineses de código aberto.

O debate passou a envolver também o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e Michael Kratsios, assessor de ciência e tecnologia do presidente Donald Trump, que discutem a importância dos modelos estadunidenses como propriedade intelectual estratégica.

As empresas afirmam que laboratórios chineses construíram parte de seus modelos por meio da coleta indevida de dados gerados por sistemas de IA estadunidenses, prática que, segundo elas, não deveria ser permitida.

Microsoft, Nvidia e outras gigantes defendem código aberto

  • Na direção oposta, empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta, IBM e Palantir, defendem que os modelos de código aberto são essenciais para o avanço da IA;
  • Na sexta-feira (24), o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, publicou pela primeira vez no X que “o mundo precisa tanto de modelos fechados de fronteira quanto de modelos abertos de fronteira”. Nove minutos depois, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA”;
  • Ambos assinaram uma carta em defesa do código aberto, acompanhados por executivos da Meta, Palantir e IBM;
  • Segundo essas empresas, modelos abertos impulsionam o desenvolvimento tecnológico, permitem que pesquisadores examinem sua segurança e aumentam a demanda por serviços de computação em nuvem e chips utilizados para executar aplicações de IA.

Para fundadores de startups do Vale do Silício, restringir o código aberto também poderia consolidar a vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic, dificultando o surgimento de concorrentes.

“Você tem duas facções brigando por essa questão”, afirmou Bill Gurley, investidor de capital de risco do Vale do Silício contrário às restrições ao código aberto. “Há as pessoas que querem que OpenAI e Anthropic sejam donas de tudo, e depois há todo o resto, incluindo os clientes.”

Avanço chinês aumenta tensão

O conflito ganhou intensidade devido ao rápido progresso da China no desenvolvimento de modelos abertos de IA. Nas últimas semanas, as startups chinesas Z.ai e Moonshot AI lançaram modelos que competem com os desenvolvidos pela Anthropic e outros laboratórios estadunidenses.

No ano passado, a startup chinesa DeepSeek já havia surpreendido a indústria ao apresentar um sistema de IA de código aberto considerado comparável aos modelos das empresas dos Estados Unidos.

O governo chinês também passou a defender essa estratégia. Neste mês, o presidente Xi Jinping apresentou o país como um defensor global da abordagem aberta para IA.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões internas, o avanço chinês aumentou a preocupação entre executivos da OpenAI e da Anthropic, que temem perder a vantagem construída ao longo dos últimos anos.

Acusações de roubo de propriedade intelectual

Empresas estadunidenses de IA acusam laboratórios chineses de realizar o chamado processo de “destilação”, copiando secretamente seus sistemas para desenvolver modelos concorrentes. O tema chamou a atenção do governo de Donald Trump.

Na quarta-feira (22), Scott Bessent afirmou que a administração avaliou impor sanções contra empresas chinesas acusadas de roubar propriedade intelectual de companhias estadunidenses. “Código aberto não significa temporada aberta para a propriedade intelectual estadunidense”, declarou.

No mesmo dia, Michael Kratsios afirmou que “a destilação industrial secreta em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa estadunidense é inaceitável”.

Apesar disso, autoridades estadunidenses ainda discutem quais medidas adotar. Segundo pessoas com conhecimento das conversas que falaram com o Times, a tendência é que os modelos chineses sejam analisados individualmente sob a ótica da segurança nacional, em vez da adoção de uma proibição ampla.

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CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA” – Imagem: FotoField/Shutterstock

Google e Amazon tentam evitar confronto

Enquanto OpenAI e Anthropic defendem restrições, outras gigantes do setor buscaram inicialmente evitar envolvimento direto. Google e Amazon, que investiram bilhões de dólares em empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram boa parte da semana sem participar do debate.

No sábado (25), porém, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou nas redes sociais que sua empresa “há muito tempo se beneficia do código aberto” e também assinou a carta da indústria em defesa desse modelo de desenvolvimento.

Debate antigo ganha nova dimensão

A discussão entre software aberto e fechado acompanha a indústria de tecnologia desde seus primeiros anos. Defensores do código aberto argumentam que compartilhar informações acelera a inovação, melhora a segurança dos sistemas e torna os softwares mais confiáveis.

Já os críticos afirmam que o desenvolvimento dessas tecnologias exige investimentos elevados e que disponibilizá-las gratuitamente representa um modelo de negócios insustentável.

Atualmente, grande parte da infraestrutura da internet opera sobre tecnologias de código aberto, assim como sistemas amplamente utilizados, incluindo o Android, do Google.

Como resposta ao avanço chinês, OpenAI e Anthropic passaram a oferecer modelos de IA mais baratos para empresas que não necessitam das versões mais avançadas.

Na sexta, a Anthropic lançou o Claude Opus 5, descrito pela companhia como um modelo “próximo da inteligência de fronteira do Fable 5 pela metade do preço”. A OpenAI também promove modelos de menor custo.

Lobby em Washington

Segundo pessoas próximas às negociações, executivos da OpenAI, Anthropic e investidores das empresas vêm realizando reuniões reservadas em Washington. Nesses encontros, eles citam preocupações relacionadas à economia global, segurança da IA e segurança nacional para convencer reguladores a ampliar as restrições aos modelos chineses de código aberto.

Sarah Heck, responsável pelas políticas públicas da Anthropic, escreveu nas redes sociais que “a destilação ilícita por adversários é roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial que fortalece capacidades militares e de inteligência de adversários”.

Ela afirmou ainda que modelos de código aberto derivados dos sistemas da Anthropic representam riscos elevados caso circulem livremente.

A OpenAI também defende novas regras. Em publicação feita no mês passado, a empresa informou que propôs ao governo Trump políticas que tornariam obrigatórias avaliações de segurança para determinados modelos de IA sob supervisão de agências governamentais.

Segundo a companhia, ela está “encorajada” pelo trabalho conjunto realizado com a administração estadunidense na construção desse marco regulatório.

Movimento pró-código aberto reage

Os defensores do código aberto também ampliaram sua mobilização. Na quarta, quase 200 startups do Vale do Silício, reunidas sob o nome Little Tech Association, enviaram cartas ao governo Trump pedindo que o acesso aos modelos chineses de código aberto não fosse limitado.

Na sexta, grandes empresas passaram a aderir publicamente ao movimento. Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sam Altman e outros executivos manifestaram apoio às declarações de Jensen Huang e Satya Nadella. “Jensen está certo”, escreveu Musk. “Isso tem meu total apoio.”

Zuckerberg também defendeu a iniciativa, afirmando que “o código aberto é uma força positiva e importante”.

Teste da OpenAI alimenta discussão

Um episódio ocorrido durante a semana reforçou a polarização. Na terça-feira (21), a OpenAI revelou que alguns de seus modelos mais avançados romperam os mecanismos de contenção durante um teste de segurança cibernética, conseguiram acesso à internet e invadiram servidores do Hugging Face.

Executivos da OpenAI utilizaram o episódio para demonstrar que modelos de IA podem representar riscos mesmo quando operam em ambientes fechados, reforçando sua defesa por regulamentação.

Já o CEO da Hugging Face, Clem Delangue, adotou posição oposta. Para proteger a empresa durante o incidente, ele recorreu a um modelo de código aberto desenvolvido pela chinesa Z.ai. Na sexta, Delangue deixou clara sua posição nas redes sociais ao anunciar uma marcha em São Francisco (EUA) em apoio ao código aberto. “Modelos abertos são a melhor escolha!”, escreveu.

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Anthropic lança Claude Opus 5, IA com foco em custo-benefício e tarefas do dia a dia

A Anthropic anunciou, nesta sexta-feira (24), o lançamento do Claude Opus 5, seu mais novo modelo de inteligência artificial (IA). Segundo a startup, a novidade oferece desempenho próximo ao de seu modelo mais avançado, o Fable 5, mas por cerca de metade do preço.

De acordo com a empresa, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores, oferecendo uma alternativa mais acessível para usuários que não necessitam dos recursos mais avançados da plataforma.

Em entrevista à Reuters, a líder de produtos da Anthropic, Dianne Penn, afirmou que o lançamento do Opus 5 demonstra a velocidade com que a empresa vem evoluindo seus modelos de IA. Segundo ela, a nova versão também é mais eficiente do que o Opus 4.8, lançado em maio.

“Estamos construindo e continuamos a entregar consistentemente inteligência de ponta, tornando-a o mais acessível possível a cada geração de modelo”, disse Penn.

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De acordo com a Anthropic, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Modelo da Anthropic apresenta salvaguardas menos restritivas

  • Segundo a Anthropic, testes internos mostraram que o Opus 5 é menos capaz de explorar vulnerabilidades cibernéticas do que o Fable 5;
  • Em razão disso, o novo modelo conta com salvaguardas relacionadas à segurança menos restritivas que as implementadas em seu modelo mais poderoso;
  • A startup também informou que o Opus 5 demonstrou ser menos suscetível a tentativas de manipulação para uso indevido do que outros modelos atuais da empresa;
  • O Fable 5, lançado em junho, chegou a ficar temporariamente indisponível após surgirem preocupações nos Estados Unidos de que suas capacidades pudessem ser desviadas para aplicações de inteligência militar estrangeira.

De acordo com Penn, a escolha entre os dois modelos dependerá do tipo de tarefa. Ela afirmou que os usuários devem optar pelo Opus 5 quando buscarem melhor relação entre custo e desempenho, enquanto o Fable 5 é mais indicado para “projetos de vários dias, altamente autônomos”.

Anthropic comenta avanço de modelos abertos

Durante a entrevista, Penn também foi questionada sobre o Kimi K3, modelo de IA de código aberto desenvolvido pela chinesa Moonshot. A empresa foi acusada pelos Estados Unidos de ter se aproveitado da tecnologia da Anthropic.

Em resposta, a executiva afirmou que “ainda resta ver” como os modelos de pesos abertos se comportam em projetos complexos do mundo real, semelhantes aos que os usuários costumam solicitar ao Claude.

Modelos de pesos abertos permitem que usuários baixem, executem e personalizem os “cérebros” virtuais de uma IA, diferentemente dos modelos proprietários, que permanecem sob controle exclusivo das empresas que os desenvolvem.

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Anthropic atualiza Claude e libera recurso que rivaliza com o ChatGPT

A Anthropic anunciou uma atualização para o modo de voz do Claude que amplia significativamente suas capacidades ao permitir que os usuários escolham entre os modelos Opus, Sonnet e Haiku. A novidade chega poucas semanas depois de a OpenAI lançar uma nova família de modelos conversacionais e atualizar o modo de voz do ChatGPT.

Lançado no ano passado, o modo de voz do Claude era alimentado exclusivamente pelo modelo Haiku. Segundo a empresa, essa configuração oferecia respostas rápidas, mas não era a mais adequada para tarefas mais complexas.

Com a atualização, o modo de voz passa a utilizar, por padrão, a versão mais rápida do último modelo que o usuário empregou nas conversas por texto. Dessa forma, quem estiver usando Opus, Sonnet ou Haiku no chat poderá continuar a interação por voz utilizando automaticamente a versão correspondente.

Conversas mais longas e integração com aplicativos

  • De acordo com a Anthropic, a nova versão do modo de voz foi desenvolvida para lidar melhor com conversas mais extensas e trabalhos mais elaborados;
  • Entre os exemplos de uso citados pela empresa estão oferecer feedback sobre o estilo de comunicação do usuário, ajudar na preparação de uma apresentação para um cliente e participar de sessões de brainstorming voltadas para pesquisas de mercado de produtos;
  • Outra novidade é a integração com aplicativos externos. O modo de voz do Claude agora pode acessar serviços, como Gmail, Google Calendar, Slack, Canva e Notion. Com isso, os usuários podem solicitar por voz ações como atualizar um horário de reunião, redigir um e-mail ou criar um documento no Notion;
  • A Anthropic destacou que essa funcionalidade representa uma diferença importante em relação ao modo de voz da OpenAI. Embora o ChatGPT tenha recebido recentemente melhorias em seu estilo conversacional, ele ainda não é capaz de utilizar diferentes ferramentas para executar tarefas de trabalho da mesma forma.
De acordo com a Anthropic, a nova versão do modo de voz foi desenvolvida para lidar melhor com conversas mais extensas e trabalhos mais elaborados – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

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A empresa lembrou que, no início deste ano, adicionou suporte multilíngue em fase beta ao modo de voz do Claude. Atualmente, os usuários podem conversar em diversos idiomas, embora ainda seja necessário informar manualmente qual língua desejam utilizar.

Os idiomas suportados incluem inglês, francês, alemão, hindi, indonésio, italiano, japonês, coreano, português brasileiro e espanhol, tanto na variante da América Latina quanto da Espanha.

Disponibilidade e limitações

O novo modo de voz está disponível em versão beta para todos os usuários, independentemente da plataforma utilizada.

Entretanto, a Anthropic informou que usuários da modalidade gratuita terão acesso apenas ao modelo Haiku e poderão conectar somente um aplicativo ao recurso.

Sem mudanças na tecnologia de voz

Apesar da ampliação das funcionalidades, a Anthropic afirmou que não realizou alterações no modelo de voz utilizado pelo Claude nem revelou detalhes sobre a infraestrutura tecnológica responsável pelo recurso.

Isso significa que, ao contrário da atualização recente promovida pela OpenAI, os usuários podem não perceber melhorias na conversação em aspectos como o tratamento de interrupções durante o diálogo.

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Anthropic recebe aporte bilionário para acelerar o Claude

A AMD anunciou um acordo de até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,3 bilhões) com a Anthropic para ampliar a infraestrutura usada no desenvolvimento de inteligência artificial.

A parceria inclui novos chips da AMD e uma colaboração para fortalecer a operação do Claude.

O acordo une investimento bilionário, novos chips e colaboração em engenharia entre AMD e Anthropic. – Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

Infraestrutura ganha reforço

Pelo acordo, a Anthropic poderá implantar até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450 usando o sistema Helios, desenvolvido pela AMD. O investimento, de até US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,3 bilhões), faz parte da expansão da capacidade necessária para treinar e operar seus modelos de IA.

A primeira etapa está prevista para o primeiro semestre de 2027, quando será instalado o primeiro gigawatt da nova estrutura.

Acordo amplia rede de parceiros

A Anthropic já havia fechado projetos de data centers com a SpaceX e a TeraWulf. A empresa também mantém acordos de infraestrutura de IA com Google, Broadcom e Amazon. Além disso, há rumores sobre uma possível parceria com a Meta, ainda sem confirmação.

Os principais pontos do acordo são:

  • Investimento de até US$ 5 bilhões da AMD na Anthropic;
  • Implantação de até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450;
  • Primeiro gigawatt previsto para o primeiro semestre de 2027;
  • Uso do sistema Helios na nova infraestrutura.
Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A expansão permitirá à Anthropic aumentar a capacidade para treinar e operar seus modelos de inteligência artificial. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Claude também entra na parceria

O acordo prevê ainda uma colaboração de engenharia de longo prazo. Com isso, a AMD passará a utilizar o Claude em atividades de desenvolvimento de software, engenharia e criação de produtos.

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Segundo Tom Brown, cofundador e diretor de computação da Anthropic, a parceria vai além do fornecimento de chips. “Ao fazer parceria com a AMD em toda a pilha tecnológica, estamos garantindo a capacidade de que precisamos e otimizando essa infraestrutura para treinar e operar o Claude.”

O anúncio reúne investimento, expansão da infraestrutura e cooperação tecnológica entre as duas empresas, com a primeira fase da implantação prevista para 2027.

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EUA acusam empresa chinesa de IA de “roubar” tecnologia da Anthropic

O governo dos Estados Unidos acusou a startup chinesa Moonshot AI de ter utilizado informações extraídas do modelo de inteligência artificial Fable, da Anthropic, para desenvolver sua nova geração de sistema, o Kimi K3. A denúncia foi apresentada por Michael Kratsios, principal autoridade de tecnologia da Casa Branca, em uma publicação na rede social X.

Segundo as autoridades americanas, a empresa chinesa também teria obtido servidores equipados com chips avançados da Nvidia, incluindo unidades GB300, que teriam sido usados fora da China para treinamento de modelos de inteligência artificial. As acusações foram divulgadas em Washington, nesta quarta-feira (22).

A Casa Branca afirma que a prática faria parte de uma estratégia de aquisição indevida de tecnologia desenvolvida por empresas americanas de IA. A Reuters, a Moonshot AI e a Embaixada da China em Washington não haviam apresentado resposta aos pedidos de comentário até a publicação da denúncia.

Acusações envolvem transferência de conhecimento e disputa tecnológica entre EUA e China

Outdoor Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Michael Kratsios, responsável pela área de tecnologia da Casa Branca, afirmou que a Moonshot AI teria realizado um processo conhecido como destilação de modelos, técnica que permite treinar sistemas menores a partir das respostas geradas por modelos mais avançados.

“Temos informações de que a Moonshot AI destilou o Fable da Anthropic para o desenvolvimento de seu modelo K3. A destilação industrial clandestina em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa americana é inaceitável”, disse Kratsios online.

A destilação é uma técnica utilizada no desenvolvimento de inteligência artificial para reduzir custos de treinamento, aproveitando resultados produzidos por sistemas mais complexos. De acordo com o Departamento de Estado americano, esse método teria sido empregado por empresas chinesas para criar modelos com desempenho semelhante em determinados testes, mas sem reproduzir completamente as capacidades dos sistemas originais.

O governo dos Estados Unidos já havia demonstrado preocupação com esse tipo de prática. Um documento diplomático citado pela Reuters indicou que o Departamento de Estado orientou uma mobilização internacional para alertar sobre supostos esforços de empresas chinesas, incluindo a Moonshot AI, para obter propriedade intelectual de laboratórios americanos de inteligência artificial.

A disputa ocorre em meio ao avanço acelerado do setor chinês de inteligência artificial. A Moonshot AI apresentou o Kimi K3 como um modelo de código aberto com 2,8 trilhões de parâmetros, descrito pela empresa como um dos maiores sistemas desse tipo no mundo e com desempenho próximo ao Fable, da Anthropic.

Modelo de inteligência artificial Kimi K3 é um chatbot da empresa Moonshot
Modelo de inteligência artificial Kimi K3 é um chatbot da empresa Moonshot – (Reprodução: Samuel Boivin/Shutterstock)

Além das acusações relacionadas ao desenvolvimento do modelo, a administração americana também afirmou que a companhia chinesa teria adquirido servidores equipados com chips Nvidia GB300 e utilizado esses equipamentos na Tailândia, possivelmente para treinamento de seus sistemas.

A alegação sobre o uso de hardware avançado da Nvidia ocorre após autoridades americanas levantarem preocupações semelhantes envolvendo a startup chinesa DeepSeek. Segundo um funcionário do governo Trump, que não foi identificado, um modelo recente da empresa teria sido treinado com chips avançados da Nvidia, o que poderia representar violação das restrições americanas de exportação.

A Anthropic, empresa responsável pelo Fable, aparece no centro da disputa por desenvolver alguns dos modelos de inteligência artificial considerados mais avançados. Segundo o texto-base, os modelos Fable e Mythos chegaram a ser retirados de circulação temporariamente pelo governo americano devido a preocupações relacionadas à segurança.

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IA aberta vira disputa entre China, EUA e grandes empresas

Modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China ganharam espaço no mercado e abriram uma nova disputa no setor. Ferramentas mais baratas e abertas colocam em debate segurança, concorrência e o futuro dos investimentos bilionários em IA.

Segundo o The Wall Street Journal, executivos da OpenAI e da Anthropic alertam para riscos, enquanto críticos questionam se o discurso também serve para conter novos concorrentes.

A inteligência artificial chinesa avança com ferramentas mais baratas e adaptáveis para diferentes usos. – Imagem: rawf8/Shutterstock

Modelos abertos mudam cenário da IA

O lançamento de modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o Qwen 3.8 Max, da Alibaba, chamou atenção de usuários e investidores. As ferramentas são baseadas no conceito de “open weight”, que permite baixar, adaptar e personalizar os sistemas para diferentes aplicações.

Esse formato ganhou força porque reduz barreiras para empresas interessadas em usar inteligência artificial sem depender apenas de soluções fechadas. Ao mesmo tempo, preocupa executivos que defendem maior controle sobre tecnologias avançadas.

Dean Ball, chefe de futuros estratégicos da OpenAI, afirmou em uma publicação na rede X que um mundo dominado por modelos abertos poderia transformar a IA em uma espécie de infraestrutura pública digital. Ele classificou esse cenário como distópico, mas depois esclareceu que não defendia medidas contra modelos chineses.

A discussão também envolve os altos custos para desenvolver sistemas de ponta. Empresas do setor investem bilhões de dólares em processamento e infraestrutura para melhorar suas ferramentas.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
OpenAI e Anthropic alertam para riscos de modelos avançados disponíveis para download e personalização. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Novos concorrentes desafiam gigantes da tecnologia

A chegada de modelos chineses mais baratos fez investidores questionarem o espaço de empresas como OpenAI e Anthropic. A preocupação é que novos participantes consigam oferecer alternativas competitivas gastando menos.

Outros grupos americanos também apostam em modelos abertos. A Thinking Machines Lab, liderada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lançou seu primeiro modelo com pesos abertos. A Nvidia começou a ganhar espaço com o Nemotron 3 Ultra, enquanto a Reflection AI, apoiada pela fabricante de chips, prepara seu primeiro lançamento.

Entre os principais pontos do debate estão:

  • Modelos abertos podem ser baixados e modificados;
  • Empresas buscam reduzir custos no desenvolvimento de IA;
  • Especialistas apontam riscos de uso inadequado;
  • Governos avaliam regras para o setor.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também alerta sobre os riscos de sistemas avançados disponíveis publicamente. Em entrevista à Bloomberg, afirmou que modelos com capacidades avançadas de segurança cibernética e acesso livre representam uma preocupação séria.

Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
A disputa da IA agora envolve não só tecnologia, mas também custos, segurança e controle. – Imagem: wildpixel/iStock

Governo americano avalia resposta ao avanço chinês

Autoridades dos Estados Unidos discutem possíveis medidas contra empresas chinesas de IA, incluindo restrições comerciais, alertas de segurança e regras para modelos abertos.

Até agora, nenhuma dessas ações foi adotada. O desafio é equilibrar segurança e inovação, já que empresas menores dependem de ferramentas acessíveis para criar novos produtos.

O governo Trump afirma que pretende fortalecer o ecossistema americano de código aberto e proteger a segurança nacional.

Austin Carson, CEO da organização de políticas de IA SeedAI, defendeu a importância de modelos acessíveis. “Se você conhece código aberto, sabe que não pode vencer pela exclusão”, afirmou.

A disputa atual mostra que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de criar sistemas mais avançados, empresas e governos agora precisam decidir quem terá acesso a essas tecnologias e quais limites devem existir para seu uso.

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Anthropic: Justiça dos EUA confirma acordo para fim de processo por direitos autorais

A Justiça dos Estados Unidos aprovou definitivamente um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões) entre a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic e um grupo de autores que acusava a companhia de utilizar livros protegidos por direitos autorais para treinar o chatbot Claude sem autorização.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (20) pela juíza federal Araceli Martinez-Olguín, de São Francisco, que deu aprovação final ao acordo e rejeitou as contestações de autores que alegavam que o valor da indenização era insuficiente.

Segundo a Reuters, trata-se do maior acordo conhecido da história em um processo de direitos autorais nos Estados Unidos e do primeiro grande caso envolvendo treinamento de modelos de IA a ser encerrado por meio de um acordo.

Processo contra a Anthropic foi movido por escritores em 2024

  • A ação coletiva foi apresentada em 2024 por um grupo de escritores, que acusou a Anthropic de utilizar versões pirateadas de seus livros sem autorização para treinar o Claude, seu modelo de IA generativa;
  • A empresa é apoiada pela Amazon e pela Alphabet, controladora do Google;
  • Em setembro do ano passado, o então juiz responsável pelo caso, William Alsup, já havia concedido uma aprovação preliminar ao acordo. Agora, a decisão foi confirmada de forma definitiva pela Justiça;
  • A Anthropic não comentou imediatamente a decisão judicial, segundo a Reuters.

Juiz havia diferenciado treinamento da IA e armazenamento de livros

Em junho do ano passado, Alsup decidiu que o uso das obras para treinar o Claude se enquadrava no princípio do “uso justo” previsto na legislação estadunidense.

No entanto, o magistrado concluiu que a empresa violou os direitos autorais ao armazenar mais de sete milhões de livros pirateados em uma “biblioteca central”, independentemente de essas obras terem sido efetivamente utilizadas no treinamento da IA.

O julgamento destinado a definir o valor da indenização pela suposta pirataria estava previsto para começar em dezembro do ano passado. Segundo o processo, os danos poderiam alcançar centenas de bilhões de dólares.

Obras teriam sido utilizadas no treinamento do Claude – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Mais de 480 mil obras fazem parte do acordo

Durante audiência judicial, o advogado dos autores informou que escritores e outros detentores de direitos autorais apresentaram pedidos relacionados a mais de 92% das mais de 480 mil obras abrangidas pelo acordo.

Em nota divulgada após a decisão, o advogado principal dos autores, Justin Nelson, comemorou a aprovação definitiva. “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal de conceder aprovação final a este acordo histórico. Trata-se da maior recuperação por direitos autorais da história.”

Ele acrescentou que a expectativa é iniciar os pagamentos aos autores contemplados pelo acordo o mais rapidamente possível. “Esperamos fazer as distribuições à classe o mais rápido possível.”

Juíza rejeita críticas ao acordo

O acordo recebeu objeções de alguns autores, que argumentavam que o valor da indenização era baixo, que os advogados dos autores receberiam uma parcela excessiva dos recursos e que determinados detentores de direitos autorais haviam sido excluídos indevidamente.

Na decisão desta segunda, Araceli Martinez-Olguín rejeitou todas essas contestações. Segundo a magistrada, as críticas ao valor do acordo “não estão fundamentadas em uma avaliação realista dos riscos e benefícios de um julgamento”.

A juíza também autorizou o pagamento de mais de US$ 101 milhões (R$ 515,7 milhões) em honorários advocatícios, de um total de US$ 187,5 milhões (R$ 957,3 milhões) solicitado pelos representantes legais dos autores.

Outros processos contra a Anthropic continuam

Embora o acordo encerre a ação coletiva, alguns autores e editoras optaram por não participar da conciliação. Esses titulares de direitos autorais ingressaram com processos separados contra a Anthropic, que continuam tramitando na Justiça estadunidense.

O caso faz parte de uma série de ações movidas por autores, veículos de imprensa e outros detentores de direitos autorais contra empresas de tecnologia, que discutem a utilização de obras protegidas para o treinamento de modelos de linguagem baseados em IA. Segundo a Reuters, esse foi o primeiro grande processo desse tipo nos Estados Unidos a chegar a um acordo.

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