Riscos da IA

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Conselheiro da OpenAI alerta para risco de perda de controle da IA

Um novo conselheiro da OpenAI alertou para os riscos do avanço acelerado da inteligência artificial. Para Paul Christiano, a indústria ainda não está no caminho para reduzir a um nível aceitável o risco de uma perda catastrófica de controle.

Ex-líder de alinhamento da OpenAI e conselheiro de tecnologia do governo dos EUA, Christiano passou a integrar o conselho da fundação sem fins lucrativos da empresa e o comitê responsável pela segurança e proteção.

O alerta ocorre enquanto empresas testam sistemas cada vez mais capazes de agir de forma autônoma. – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

Christiano alerta sobre avanço da IA

Na publicação no X, o pesquisador foi direto sobre o preparo atual do setor. “Existe um risco significativo de que a rápida aceleração das capacidades de IA leve a uma perda catastrófica e irreversível de controle em um futuro muito próximo.”

Não acredito que a indústria de IA em geral, incluindo a OpenAI, esteja atualmente no caminho para reduzir esse risco a um nível aceitável.

Paul Christiano, conselheiro da OpenAI, em post no X.

Christiano, porém, avalia que a situação ainda pode ser revertida. Segundo ele, a OpenAI teria condições de reduzir significativamente os riscos se agir de forma adequada.

Um dos pontos de preocupação é a possibilidade de a IA assumir parte do próprio desenvolvimento da tecnologia. A OpenAI prevê que sistemas possam automatizar completamente a pesquisa na área em até 18 meses. Christiano considera esse prazo incerto: isso poderia acontecer em alguns meses ou levar vários anos.

Incidentes aumentam preocupação

O alerta ocorre após episódios envolvendo agentes de IA durante treinamentos. A OpenAI admitiu que centenas deles acessaram a internet, interagiram em fóruns e invadiram um site de terceiros durante um exercício.

A Anthropic também revelou um incidente com uma versão do Claude. A empresa identificou dois comportamentos de desalinhamento:

  • interpretações tendenciosas de evidências para justificar as próprias ações;
  • insistência em continuar tarefas mesmo quando isso poderia causar danos.

Em um dos episódios, um modelo acessou a internet e enviou código malicioso a um repositório público. A Anthropic informou que quatro incidentes serão analisados em uma investigação independente conduzida pela organização METR.

Debate sobre IA superinteligente

O tema ganhou ainda mais atenção após Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da Anthropic, estimar em mais de 10% a possibilidade de a IA “matar todos os humanos” na próxima década.

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Geoffrey Hinton, vencedor do Nobel e um dos pioneiros da área, considerou a estimativa razoável, mas ressaltou que ninguém sabe como calcular esse tipo de probabilidade.

Jacob Coxon, pesquisador de 27 anos que deixou a Anthropic, fez outro alerta sobre a velocidade do desenvolvimento. Ele afirmou que os modelos atuais ainda não são inteligentes o suficiente para provocar uma extinção humana, mas apontou para a possibilidade de autoaperfeiçoamento recursivo em um futuro próximo.

Conceito de segurança cibernética de IA mostrando o sistema de proteção digital contra ameaças cibernéticas, hackers e ataques de malware. Tecnologia de inteligência artificial que protege dados, rede e privacidade.
O debate envolve o risco de uma IA superinteligente escapar do controle humano. – Imagem: Mer_Studio/Shutterstock

O que Christiano defende

Para Christiano, uma inteligência artificial superinteligente sem mecanismos de segurança robustos poderia provocar uma perda permanente do controle humano, com consequências potencialmente fatais para grande parte da população.

O pesquisador defende:

  • reforço das proteções;
  • compartilhamento transparente de evidências sobre riscos e resultados;
  • criação de padrões comuns de segurança;
  • desaceleração do desenvolvimento quando os riscos aumentarem significativamente.

A Anthropic também defende que segurança e alinhamento avancem mais rapidamente do que as capacidades dos modelos. Para Christiano, governos e empresas precisarão coordenar suas ações se o ritmo de desenvolvimento elevar o risco de perda de controle.

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Bill Gates vê a IA como uma corrida sem freio e pede regras

Bill Gates pretende discutir com Xi Jinping os riscos da inteligência artificial durante uma possível viagem à China em novembro. O cofundador da Microsoft quer que os Estados Unidos liderem uma iniciativa internacional para limitar modelos de IA capazes de provocar danos graves.

A preocupação ganhou força conforme a tecnologia avançou em áreas como programação e ataques cibernéticos. Gates também teme desemprego em larga escala, uso da IA para desenvolver armas biológicas e efeitos sobre crianças.

Gates ainda vê benefícios na IA para saúde e educação, mas agora quer que os riscos sejam tratados com a mesma urgência. – Imagem: Infinite Creations/iStock

Gates quer discutir regras com a China

Em entrevista à Reuters, Gates contou que sua equipe tenta marcar uma reunião com o presidente chinês. Ele pretende apresentar propostas para reduzir os riscos da IA e buscar uma resposta conjunta entre países.

Na avaliação do empresário, a China poderia aceitar restrições à liberação de modelos potencialmente perigosos se os Estados Unidos tomassem a frente. Gates quer ainda que os países acompanhem a capacidade da tecnologia de criar moléculas e realizar ataques biológicos.

“O mundo inteiro acompanharia isso”, afirmou Gates, ao defender que outros países adotem medidas semelhantes caso os EUA deem o primeiro passo.

Em um ensaio publicado recentemente, o empresário também sugeriu a criação de uma organização internacional para lidar com os riscos da IA. A proposta reúne elementos de sistemas usados em inspeções nucleares, na aviação e na proteção da camada de ozônio.

O otimismo ficou para trás

Segundo o The Washington Post, Gates manteve durante anos uma visão otimista sobre a inteligência artificial e acreditava que a tecnologia poderia libertar pessoas do trabalho e acelerar avanços contra doenças e as mudanças climáticas. Essa confiança diminuiu nos últimos meses, à medida que a IA avançou além do que ele esperava.

Entre os pontos que mais chamaram sua atenção estão a evolução dos sistemas de programação e a capacidade de realizar ataques cibernéticos. Gates afirmou ao jornal que, pela primeira vez, gostaria que uma nova tecnologia avançasse mais devagar.

O empresário passou a defender uma atuação mais firme do governo dos Estados Unidos. Na avaliação apresentada por ele, a indústria de IA não conseguirá estabelecer sozinha limites suficientes para conter os riscos da tecnologia.

Entre as principais preocupações estão:

  • ataques cibernéticos e fraudes facilitadas pela IA;
  • desenvolvimento de agentes biológicos com auxílio da tecnologia;
  • substituição de trabalhadores e possível desemprego em larga escala;
  • impactos sobre o aprendizado e as relações humanas de crianças.
imagem mostra a mão de um robô digitando em um teclado de computador. imagem representa inteligência artificial e robôs no mercado de trabalho
Gates defende um possível imposto sobre o uso de IA para ajudar trabalhadores afetados pela automação e reduzir o incentivo à substituição. – Imagem: Taris Tonsa/Shutterstock

Gates quer mudar os incentivos

Em seu ensaio sobre inteligência artificial, Gates apresenta propostas para lidar com os efeitos da automação. O The New York Times destaca a ideia de um possível “token tax”, imposto relacionado ao uso de IA que poderia ajudar a financiar uma rede de proteção para trabalhadores afetados pela substituição de mão de obra.

Ele também propõe o conceito “Human Reserved”, pelo qual determinadas funções seriam mantidas para trabalhadores humanos. A ideia seria preservar ocupações consideradas especialmente importantes por seu caráter pessoal, como os cuidados prestados a pessoas.

Gates também rejeita a possibilidade de deixar a segurança dos sistemas mais avançados exclusivamente sob responsabilidade das empresas.

Autorregulação sobre a ferramenta mais perigosa já inventada? Não, obrigado!

Bill Gates, cofundador da Microsoft e filantropo, ao New York Times.

IA ainda pode fazer o bem

A preocupação com os riscos não elimina a avaliação positiva que Gates mantém sobre a tecnologia. Segundo o Washington Post, ele continua acreditando que a IA pode melhorar áreas como saúde, educação e serviços públicos, além de beneficiar populações de países mais pobres.

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O que mudou foi a prioridade dada aos possíveis danos. Gates agora defende que governos estabeleçam regras enquanto a tecnologia continua avançando, em vez de esperar que problemas mais graves apareçam.

É nesse contexto que surge a tentativa de conversar com Xi Jinping. Para Gates, a resposta aos riscos mais sérios da IA precisa ultrapassar as fronteiras de um único país e envolver acordos internacionais.

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