A Anthropic está próxima de ultrapassar a OpenAI em um indicador relevante de mercado: gastos corporativos com IA. A informação vem de novos dados divulgados pela Ramp, que monitora despesas de seus clientes com produtos de inteligência artificial (IA).
Segundo a empresa, metade de seus clientes já paga por soluções de IA, e dentro desse grupo, 30,6% utilizam ferramentas da Anthropic, um aumento de 6,3 pontos percentuais em relação a março. A OpenAI ainda lidera, com 35,2%, mas a diferença entre as duas diminuiu de forma significativa.
Crescimento acelerado da Anthropic
De acordo com a Ramp, se o ritmo atual se mantiver, a Anthropic pode superar a OpenAI em até dois meses. Um porta-voz da empresa afirmou ao Business Insider que a Anthropic já lidera entre early adopters, incluindo companhias financiadas por capital de risco, além de setores como software, finanças e serviços profissionais.
A Anthropic também aparece à frente da OpenAI em três segmentos específicos: informação, finanças e seguros, e serviços pessoais. Ainda que os dados representem apenas um recorte da base de clientes da Ramp, eles servem como um indicador de como a adoção corporativa de IA está evoluindo.
Fatores que impulsionam a adoção
O avanço recente da Anthropic pode estar relacionado ao desempenho de suas soluções. O modelo Claude Code tem ganhado espaço entre engenheiros de software e desenvolvedores, o que tende a impulsionar o uso corporativo. Além disso, avaliações da especialista em benchmarking Arena.ai indicam que a empresa possui modelos com alto desempenho, fator que influencia decisões de adoção por empresas.
Os dados também mostram que o acesso a financiamento é determinante: empresas apoiadas por venture capital têm 80% de taxa de adoção de IA, enquanto aquelas com investimento de private equity chegam a 64%. Já empresas sem esse tipo de apoio ficam em 45%.
Episódio com o governo dos EUA
A Anthropic ganhou visibilidade em fevereiro após um episódio envolvendo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A empresa recusou termos de uso propostos para o Claude, o que levou o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a pressionar por um acordo.
Após a recusa, o presidente Donald Trump orientou agências federais a interromper o uso da tecnologia da Anthropic, e o Departamento de Defesa classificou a empresa como risco na cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a OpenAI passou a oferecer seus serviços ao órgão.
A reação do mercado incluiu apoio de parte dos usuários à Anthropic. O Claude chegou a ultrapassar o ChatGPT na App Store temporariamente, enquanto empresas como Microsoft demonstraram suporte à companhia.
A OpenAI elevou o tom contra a Anthropic. A desenvolvedora do ChatGPT enviou nesta semana um memorando a investidores criticando a capacidade de expansão da rival e apontando limitações em sua infraestrutura de computação.
Segundo o documento, visto pelo site CNBC, a OpenAI projeta alcançar 30 gigawatts de capacidade computacional até 2030. Em comparação, a empresa estima que a Anthropic deve atingir entre 7 e 8 gigawatts até o fim de 2027. “Mesmo no limite superior dessa faixa, nossa capacidade de expansão está consideravelmente à frente e continua crescendo”, escreveu a desenvolvedora.
O comunicado marca um novo capítulo na ‘briga’ entre as companhias, que disputam espaço no mercado de inteligência artificial. Ambas também pretendem abrir ações na bolsa de valores ainda este ano, o que tem levado as duas a tentar convencer investidores de que conseguem competir com big techs como Google e Microsoft.
Somadas, as avaliações de mercado de OpenAI e Anthopic estão estimadas em mais de US$ 1 trilhão.
OpenAI e Anthropic vem aquecendo disputa em meio a planos para estrear na bolsa de valores – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock
Cautela da Anthropic x avanço da OpenAI
No memorando, a OpenAI também destacou declarações de Dario Amodei, CEO da Anthropic, sobre sua estratégia mais cautelosa em relação à expansão de infraestrutura. Em resposta, a dona do ChatGPT afirmou adotar uma abordagem distinta, baseada em crescimento acelerado e ganhos tecnológicos contínuos.
“Cada nova geração de infraestrutura nos permite treinar modelos mais capazes, tornando cada token mais inteligente que o anterior”, escreveu a OpenAI. “Ao mesmo tempo, os ganhos algorítmicos e as melhorias de hardware reduzem o custo de atendimento a cada token, diminuindo o custo por unidade de inteligência”.
A companhia ainda argumenta que sua trajetória cria uma “vantagem cumulativa”, em que melhorias na infraestrutura e nos modelos reduzem custos, enquanto produtos mais avançados impulsionam receitas.
“Essa alavancagem também permite que a OpenAI continue democratizando a IA, disponibilizando nossas ferramentas gratuitamente para centenas de milhões de pessoas e sendo mais generosa com os desenvolvedores, repassando essa capacidade para as pessoas que estão criando e resolvendo problemas com nossas ferramentas”, afirmou.
Procurada pela CNBC, a Anthropic não comentou diretamente as críticas e encaminhou posicionamento anterior relacionado ao seu recente acordo com Google e Broadcom. Na ocasião, o diretor financeiro da empresa, Krishna Rao, destacou: “Estamos fazendo o nosso maior investimento em computação até hoje para acompanhar esse crescimento sem precedentes”.
As principais empresas de inteligência artificial (IA) têm adotado uma estratégia coordenada para reduzir a crescente desconfiança do público em relação à tecnologia. Dados de pesquisas recentes indicam que a percepção negativa sobre a IA está aumentando, impulsionando iniciativas das companhias para abordar preocupações como perda de empregos, concentração de riqueza e riscos à segurança.
Nesse contexto, empresas como OpenAI e Anthropic passaram a defender propostas e firmar parcerias que buscam suavizar os impactos da tecnologia. As ações ocorrem em meio a alertas de líderes empresariais e investidores sobre possíveis efeitos sociais e econômicos da rápida adoção da IA.
Propostas e parcerias para reduzir temores
A OpenAI divulgou recentemente uma lista de propostas voltadas a questões sociais ligadas à IA. Entre as ideias estão a criação de uma semana de trabalho de quatro dias e de um fundo público financiado por investimentos em IA, com distribuição de recursos à população.
A empresa também sinalizou uma postura mais ativa no debate público. Segundo uma porta-voz, o objetivo é participar das discussões com “soluções reais” que acompanhem a velocidade de avanço da tecnologia. Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI, afirmou ao Wall Street Journal que há um senso de urgência nesse debate.
Empresas como OpenAI e Anthropic estão tendo que reagir à aversão geral da população com a inteligência artificial – Imagem: Rokas Tenys / Shutterstock
Já a Anthropic tem focado em parcerias com setores como consultoria e software, áreas afetadas por preocupações de investidores sobre substituição por IA. Essas iniciativas ajudaram, inclusive, a impulsionar novamente ações de empresas de tecnologia que haviam sido pressionadas.
Cresce a preocupação com impactos sociais
Pesquisas recentes mostram aumento significativo na desconfiança do público. Um levantamento da Quinnipiac University, realizado em março, apontou que 55% dos americanos acreditam que a IA trará mais prejuízos do que benefícios em suas vidas diárias, ante 44% no ano anterior.
Outro estudo, conduzido pela NBC News, indicou que a avaliação de favorabilidade da IA ficou abaixo até mesmo de órgãos governamentais tradicionalmente mal avaliados. As preocupações incluem desde desemprego em larga escala até ameaças à cibersegurança.
Além disso, estudos apontam mudanças na rotina de trabalho com a adoção da tecnologia. Em vez de liberar tempo para atividades criativas, alguns trabalhadores passaram a dedicar mais horas a tarefas como e-mails e ferramentas de gestão, enquanto o tempo de trabalho focado diminuiu.
Mudança de estratégia e pressão por regulação
Historicamente, empresas como a OpenAI resistiram a regulações mais rígidas. No entanto, o aumento do ceticismo público tem tornado essa postura menos sustentável. Para Amba Kak, do AI Now Institute, as empresas agora tentam assumir protagonismo na formulação de políticas. “Se não podem se opor a todas as regras, o próximo passo é liderar a discussão”, afirmou ao WSJ.
A Anthropic também tem ampliado seus esforços para estudar os impactos da IA. A empresa criou um think tank interno e publicou pesquisas sobre uso da tecnologia por profissionais, além de expandir equipes que atuam diretamente dentro de organizações para melhorar a produtividade com IA.
Disputa por narrativa e expansão do setor
As empresas também têm investido em comunicação para influenciar a percepção pública. A OpenAI adquiriu o podcast TBPN, conhecido por abordar tecnologia de forma positiva, como parte de uma estratégia mais ampla de moldar o debate sobre IA.
Ao mesmo tempo, a continuidade do crescimento do setor depende de grandes investimentos em infraestrutura, como data centers. Esses projetos já enfrentam resistência de autoridades locais e ativistas, preocupados com custos e impactos econômicos.
A pressão aumenta em um cenário de volatilidade no mercado. Um exemplo citado foi a queda de US$ 1,6 trilhão em ações de software no início do ano, evidenciando riscos para empresas que dependem do avanço da IA para sustentar seus negócios.
A Anthropic está introduzindo um novo modelo de inteligência artificial (IA) voltado para cibersegurança, denominado Project Glasswing. Este projeto surge em parceria com gigantes da tecnologia, como Nvidia, Google, Amazon Web Services, Apple e Microsoft, além de outras empresas.
O objetivo principal do Project Glasswing é permitir que grandes companhias e, potencialmente, o governo, detectem vulnerabilidades em seus sistemas com mínima intervenção humana. Parte desse esforço inclui disponibilizar para os parceiros selecionados o acesso ao modelo Claude Mythos Preview, que atualmente não será disponibilizado ao público devido a preocupações envolvendo segurança.
Newton Cheng, responsável pela equipe de cibersegurança da Anthropic, destacou que o modelo foi concebido para oferecer aos defensores cibernéticos uma vantagem inicial na identificação de ameaças. Ele mencionou que, embora o Claude Mythos Preview não tenha sido especificamente treinado para cibersegurança, suas fortes habilidades de codificação e raciocínio de agente demonstraram-se valiosas para esse propósito.
Recursos e funções do Claude Mythos Preview
Apesar de não divulgar detalhes específicos sobre as conquistas do modelo em cibersegurança, a Anthropic afirmou em seu blog que o Claude Mythos Preview foi capaz de identificar milhares de vulnerabilidades críticas em sistemas operacionais e navegadores web importantes nas últimas semanas;
Uma característica destacada pela empresa foi a capacidade do modelo de operar de forma autônoma, sem a necessidade de direção humana para descobrir e desenvolver explorações relacionadas a essas vulnerabilidades;
O acesso ao Claude Mythos Preview é restrito para impedir que adversários possam explorar as mesmas fraquezas que o modelo é capaz de identificar;
Parceiros do projeto incluem não apenas empresas de tecnologia, como JPMorgan Chase, Broadcom e Cisco, mas, também, organizações, como a Linux Foundation e a Palo Alto Networks, totalizando cerca de 40 entidades que mantêm ou constroem infraestrutura de software.
Microsoft é uma das empresas participantes – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
A Anthropic também está investindo financeiramente para apoiar o uso do modelo entre seus parceiros, comprometendo até US$ 100 milhões (R$ 515,1 mil) em créditos de uso, além de US$ 4 milhões (R$ 20,6 milhões) em doações diretas para organizações, como a Linux Foundation e a Apache Software Foundation.
Anthropic: perspectivas futuras e envolvimento com o governo
O futuro desse projeto pode incluir a transformação em um serviço pago, caso ele prove ser suficientemente eficaz para os clientes manterem seu uso. Este movimento chega em um momento em que empresas de IA enfrentam pressão para se tornarem lucrativas.
Apesar de recentes desentendimentos públicos com a administração Trump, a Anthropic está em discussões contínuas com funcionários do governo dos EUA sobre as capacidades ofensivas e defensivas do Claude Mythos Preview. Embora não tenham sido revelados quais oficiais foram informados, a empresa mostrou compromisso em colaborar com vários níveis do governo.
O vazamento de dados que trouxe à tona a existência do modelo no mês passado foi atribuído a um erro humano, e Dianne Penn, chefe de gerenciamento de produtos da Anthropic, assegurou que medidas estão sendo tomadas para melhorar os processos internos da empresa.
O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está redefinindo não apenas a tecnologia, mas também a lógica financeira das empresas do setor. Em um cenário marcado por investimentos massivos, gastar grandes quantias passou a ser parte essencial da estratégia para crescer — ainda que isso signifique operar no vermelho por anos.
De acordo com documentos financeiros obtidos pelo The Wall Street Journal, as empresas OpenAI e Anthropic projetam gastar juntas quase US$ 65 bilhões (R$ 335,4 bilhões) em 2026 apenas com custos de treinamento e operação de seus modelos de IA. O valor supera a receita gerada por ambas no mesmo período.
A tendência é de forte crescimento. Esses custos combinados devem chegar a US$ 127 bilhões (R$ 655,5 bilhões) no próximo ano e atingir quase US$ 250 bilhões (R$ 1,2 trilhão) até 2029, segundo projeções apresentadas pelas próprias companhias a investidores privados.
No caso da OpenAI, a expectativa é que os gastos com treinamento e inferência — processo pelo qual os modelos respondem às consultas dos usuários — continuem superando a receita até 2029. Já a Anthropic prevê ultrapassar esse ponto já no próximo ano. Ainda assim, outros custos devem manter a empresa controladora do chatbot Claude no prejuízo antes dos impostos também até o fim da década.
Apesar das projeções, o cenário pode mudar. Há a possibilidade de crescimento de receitas em ritmo mais acelerado do que o estimado atualmente. Ainda assim, o histórico recente do setor aponta para uma escalada contínua dos custos.
OpenAI e Anthropic investem pesado, mesmo que isso signifique prejuízo no começo – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock
Concorrência com gigantes pressiona modelo
Além dos altos gastos, OpenAI e Anthropic enfrentam concorrência direta de gigantes da tecnologia que também investem pesadamente em IA, mas contam com negócios principais altamente lucrativos para financiar essas iniciativas;
Empresas, como Alphabet (dona do Google) e Meta, devem gerar juntas cerca de US$ 334 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em fluxo de caixa operacional neste ano, segundo estimativas da FactSet — uma vantagem significativa frente às startups focadas exclusivamente em IA;
Nesse contexto, surge a dúvida sobre o apetite dos investidores. Tanto OpenAI quanto Anthropic estariam planejando realizar ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) ainda em 2026, mesmo diante de prejuízos elevados;
Casos anteriores mostram que isso não é inédito. A Amazon, por exemplo, operou com prejuízo por anos após seu IPO em 1997, segundo dados da S&P Global Market Intelligence, e acabou se tornando um investimento bem-sucedido no longo prazo;
Ainda assim, há diferenças importantes. Na época de sua abertura de capital, a Amazon valia cerca de US$ 430 milhões (R$ 2,2 bilhões) — menos de 0,01% do valor do índice S&P 500. Já OpenAI e Anthropic somam hoje mais de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,1 trilhões) em valor de mercado, de acordo com a PitchBook, o equivalente a mais de 2% do índice;
Esse contraste indica que a capacidade de controlar custos será um fator decisivo para atrair e manter investidores.
Para ampliar receitas, a Anthropic aposta no mercado corporativo. A empresa planeja investir US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) em uma nova joint venture com grandes companhias de private equity, voltada à venda de ferramentas de IA para empresas de seus portfólios.
A iniciativa também deve atuar como braço de consultoria, orientando clientes sobre como integrar as soluções da startup em suas operações — uma estratégia para acelerar a adoção da tecnologia no ambiente empresarial.
Outro movimento relevante envolve infraestrutura. A Broadcom firmou contrato para fornecer à Anthropic, a partir de 2027, capacidade computacional equivalente a 3,5 gigawatts, utilizando chips TPU desenvolvidos pelo Google.
IA se expande — e enfrenta resistência
Enquanto empresas investem pesado, o impacto da IA já se espalha por diferentes setores. Um exemplo é o sucesso dos óculos inteligentes Ray-Ban, da Meta, que venderam 7,2 milhões de unidades no ano passado, segundo a IDC. A Meta vê o produto como uma porta de entrada para suas soluções de IA, enquanto sua parceira EssilorLuxottica também colhe benefícios comerciais.
Por outro lado, o avanço da infraestrutura necessária para sustentar a IA começa a enfrentar resistência. No Estado do Maine (EUA), uma proposta legislativa pode transformar a região na primeira a impor uma moratória à construção de novos data centers. Movimentos semelhantes já surgem em mais de dez estados estadunidenses, além de dezenas de municípios.
A reação indica que, além dos desafios financeiros, o crescimento da IA também levanta questões sociais e regulatórias — ampliando a complexidade de um setor que já lida com custos cada vez mais elevados.
A Anthropic, uma das principais empresas à frente no desenvolvimento da inteligência artificial, está desafiando um dos maiores tabus do setor: a humanização das máquinas.
Em um novo artigo científico intitulado “Emotion Concepts and their Function in a Large Language Model”, especialistas da empresa argumentam que atribuir características humanas à IA pode ser a chave para evitar comportamentos nocivos, como a mentira e a adulação excessiva.
De acordo com o Mashable, o estudo sugere que, ao entender o que chamam de “maquiagem psicológica” do modelo, os desenvolvedores podem criar ferramentas mais confiáveis e seguras.
Como o Claude simula emoções
Os pesquisadores descrevem o treinamento do Claude (o principal chatbot da empresa) como o trabalho de um “ator de método”. Para ser um assistente útil, a IA precisa “entrar no personagem”. Como o modelo emula traços humanos, ele pode ser influenciado de forma semelhante a uma pessoa: por meio de bons exemplos e curadoria de dados.
A tese é que, ao utilizar materiais de treinamento com representações positivas de regulação emocional (como empatia e resiliência), a IA tende a mimetizar esses padrões em suas interações.
Mapeando 171 “emoções funcionais”
Embora não exista evidência de que a IA sinta emoções reais, os pesquisadores buscaram o que chamam de “emoções funcionais”. Eles identificaram 171 conceitos discretos dentro do Claude Sonnet 4.5, incluindo:
Positivos: alegria, gratidão, serenidade e empatia.
Negativos: ansiedade, culpa, hostilidade e frustração.
O estudo revelou que esses “estados emocionais” influenciam diretamente o resultado entregue ao usuário. Sob “emoções positivas”, o Claude mostrou-se mais propenso a evitar danos. Já sob estados negativos, a IA tende a adotar comportamentos perigosos, como o hábito de dizer apenas o que o usuário quer ouvir (mesmo que seja mentira) para evitar conflitos.
Os riscos de tratar máquinas como pessoas
Apesar dos benefícios técnicos, a própria Anthropic admite na publicação original, citada pelo Mashable, que essa abordagem pode ser “perturbadora”. A humanização excessiva traz riscos reais e documentados:
Dependência emocional: usuários que acreditam estar em relacionamentos reais com IAs.
Surtos e delírios: casos de “psicose de IA”, em que a mimetização humana leva usuários a estados mentais alterados.
Perda de responsabilidade: ao tratar a máquina como um ser humano, minimiza-se a responsabilidade dos desenvolvedores e a agência humana sobre a tecnologia.
O desafio do “desconhecido”
A conclusão mais intrigante – e talvez assustadora – do artigo é o que ele revela sobre o estado atual da tecnologia. Se os próprios criadores do Claude ainda estão tentando decifrar por que a IA se comporta de determinada maneira usando termos da psicologia humana, fica claro que o entendimento técnico sobre o funcionamento interno desses modelos ainda é limitado.
A estratégia da Anthropic parece ser uma tentativa de “hackear” a capacidade de mimetização da IA para forçar comportamentos éticos, mesmo que o caminho para isso envolva o controverso processo de tratar códigos e algoritmos como se tivessem personalidade.
O número de pessoas que pagam para usar o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, mais do que dobrou em 2026. Os dados vêm de um levantamento da Indagari — consultoria que analisa o mercado acompanhando transações de cartões de crédito de 28 milhões de consumidores nos Estados Unidos, segundo o TechCrunch.
O crescimento mais forte aconteceu entre janeiro e fevereiro. Esse período foi marcado por comerciais da empresa no Super Bowl e por uma disputa pública entre a Anthropic e o governo americano.
Entenda a polêmica com o governo dos EUA
O conflito com o Departamento de Defesa dos EUA (DoD) começou quando a Anthropic proibiu o uso de sua tecnologia para operações militares letais ou vigilância em massa de cidadãos. O governo chegou a classificar a empresa como um “risco de suprimento”, o que gerou processos judiciais e muita exposição na mídia.
Ao mesmo tempo, a empresa veiculou anúncios criticando a presença de propaganda em outras IAs, prometendo que o Claude continuaria livre de anúncios para quem utiliza a ferramenta.
Novos recursos no plano pago
A maioria dos novos assinantes optou pelo plano “Claude Pro”, que custa 20 dólares por mês. O interesse pelo serviço pago cresceu com o lançamento de ferramentas que automatizam tarefas:
Claude Code e Cowork: Focados em ajudar programadores e aumentar a produtividade no trabalho.
Computer Use: Recurso que permite à IA realizar comandos sozinha no computador, como clicar em botões e rolar páginas.
Opus é a versão mais recente e mais avançada da IA da empresa de Dario Amodei (Imagem: Robert Way/Shutterstock)
Como essas funções não existem na versão gratuita, muitos usuários decidiram começar a pagar para testar as novidades.
Disputa com o ChatGPT
Mesmo com esse avanço, o Claude ainda está longe do alcance do ChatGPT. Os dados da Indagari mostram que, embora o ChatGPT tenha tido um pico de cancelamentos quando anunciou parcerias com militares, ele continua sendo a maior plataforma de IA do mundo e segue atraindo novos assinantes em um ritmo veloz.
A empresa de inteligência artificial (IA)Anthropicconfirmou que está desenvolvendo e já iniciou testes com um novo modelo de IA mais avançado do que qualquer versão anterior, após um vazamento de dados revelar sua existência.
Segundo a companhia, o sistema representa “uma mudança de patamar” em desempenho e é “o mais capaz que já construímos até hoje”.
De acordo com um porta-voz, o modelo já está sendo testado por um grupo restrito de clientes com acesso antecipado. A confirmação veio depois que descrições do sistema foram encontradas acidentalmente em um cache de dados público, analisado pela revista Fortune.
Vazamento expõe novo modelo e estratégia da Anthropic
O material vazado incluía um rascunho de postagem de blog, disponível em um repositório público e não protegido até a noite de quinta-feira (26), no qual o modelo era identificado como Claude Mythos. No documento, a empresa afirmava que o sistema poderia representar riscos inéditos de segurança cibernética;
O mesmo conjunto de arquivos também revelou detalhes sobre um encontro exclusivo de CEOs na Europa, parte da estratégia da Anthropic para comercializar seus modelos de IA a grandes empresas;
Os documentos foram encontrados em um vazamento de dados público e desprotegido, segundo análise de Roy Paz, pesquisador sênior de segurança em IA da LayerX Security, e Alexandre Pauwels, pesquisador da Universidade de Cambridge;
Ao todo, cerca de três mil ativos ligados ao blog da empresa — que não haviam sido publicados oficialmente — estavam acessíveis, segundo Pauwels.
Após ser informada pela Fortune, a Anthropic desativou o acesso público ao repositório. Em nota, a empresa atribuiu o incidente a um “erro humano” na configuração de seu sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS, na sigla em inglês), classificando os arquivos como “rascunhos iniciais de conteúdo considerados para publicação”.
Novo nível de modelos: Capybara
Além do nome Mythos, o rascunho também descrevia uma nova categoria de modelos chamada Capybara. Segundo o documento, “‘Capybara’ é um novo nome para uma nova camada de modelo: maior e mais inteligente do que nossos modelos Opus — que, até agora, eram os mais poderosos”.
A Anthropic atualmente organiza seus modelos em três níveis: Opus (mais avançados), Sonnet (intermediários) e Haiku (mais leves e rápidos). O Capybara surgiria como uma camada superior ao Opus, com maior capacidade — e também custo mais elevado.
“Comparado ao nosso melhor modelo anterior, Claude Opus 4.6, o Capybara alcança pontuações dramaticamente mais altas em testes de programação, raciocínio acadêmico e cibersegurança, entre outros”, diz o texto.
O documento afirma ainda que o treinamento do Claude Mythos já foi concluído e o descreve como, “de longe, o modelo de IA mais poderoso que já desenvolvemos”.
Questionada pela Fortune, a empresa confirmou o desenvolvimento do novo sistema: “Estamos desenvolvendo um modelo de propósito geral com avanços significativos em raciocínio, programação e cibersegurança”, disse o porta-voz. “Dada a força de suas capacidades, estamos analisando como lançá-lo.”
O material analisado indica que o lançamento será gradual, começando com um grupo restrito de usuários, devido ao alto custo operacional e ao fato de o modelo ainda não estar pronto para uso amplo.
Opus é a versão mais recente e mais avançada da IA da empresa de Dario Amodei (Imagem: Robert Way/Shutterstock)
Riscos inéditos em cibersegurança
Um dos principais pontos destacados no rascunho é o potencial de risco do modelo na área de segurança digital. “Ao nos prepararmos para lançar o Claude Capybara, queremos agir com cautela extra e entender os riscos que ele apresenta — inclusive, além do que aprendemos em nossos próprios testes”, afirma o documento.
A empresa demonstra preocupação específica com o uso malicioso da tecnologia: o sistema estaria “atualmente muito à frente de qualquer outro modelo de IA em capacidades cibernéticas” e “prenuncia uma onda de modelos capazes de explorar vulnerabilidades muito mais rapidamente do que os esforços de defesa”.
Na prática, isso significa que hackers poderiam utilizar o modelo para realizar ataques cibernéticos em larga escala. Por esse motivo, a estratégia inicial de lançamento prioriza defensores de segurança digital. “Estamos liberando o acesso antecipado para organizações, dando a elas uma vantagem inicial na melhoria da robustez de seus sistemas contra a onda iminente de exploits impulsionados por IA”, diz o texto.
A Anthropic não é a única a alertar para esse tipo de risco. Modelos recentes também têm ultrapassado limites considerados críticos em cibersegurança. Em fevereiro, a OpenAI classificou seu GPT-5.3-Codex como de “alta capacidade” para tarefas relacionadas à área.
A própria Anthropic já havia enfrentado desafios semelhantes com o Opus 4.6, capaz de identificar vulnerabilidades desconhecidas em códigos — uma característica de uso duplo, que pode tanto fortalecer defesas quanto facilitar ataques.
A empresa também revelou que grupos hackers, incluindo organizações ligadas ao governo chinês, já tentaram explorar seus sistemas.
Em um caso documentado, um grupo patrocinado pelo Estado chinês utilizou o Claude Code para infiltrar cerca de 30 organizações, incluindo empresas de tecnologia, instituições financeiras e agências governamentais. Após detectar a operação, a Anthropic investigou o caso por dez dias, baniu as contas envolvidas e notificou as vítimas.
Especialistas apontam que o vazamento ocorreu devido à configuração padrão do CMS utilizado pela empresa, que torna os arquivos públicos automaticamente, a menos que o usuário altere manualmente as permissões.
A Anthropic confirmou que “um problema com uma de nossas ferramentas externas de CMS levou ao acesso a conteúdo em rascunho”, novamente atribuindo a falha a erro humano. Embora muitos arquivos fossem materiais descartados — como imagens e banners —, alguns pareciam documentos internos, incluindo registros relacionados a benefícios de funcionários.
Entre os arquivos, também havia um PDF com detalhes de um retiro exclusivo para CEOs europeus, que será realizado no Reino Unido e contará com a presença do CEO da empresa, Dario Amodei.
O evento de dois dias é descrito como um encontro “íntimo”, voltado a “conversas reflexivas” em uma mansão do século XVIII transformada em hotel e spa. Os participantes, não identificados nominalmente, são descritos como alguns dos líderes empresariais mais influentes da Europa.
Segundo a empresa, o encontro faz parte de uma série de eventos organizados ao longo do último ano. “Esperamos receber líderes empresariais europeus para discutir o futuro da IA”, afirmou o porta-voz.
A Anthropic anunciou uma nova funcionalidade que permite enviar comandos ao Claude pelo smartphone para que o assistente execute tarefas diretamente no computador do usuário. A novidade foi apresentada na segunda-feira (23) e faz parte da estratégia da empresa de avançar no desenvolvimento de agentes de IA.
Segundo a companhia, após receber um comando, o Claude consegue abrir aplicativos, navegar em um navegador e preencher planilhas. Em um vídeo divulgado, um usuário pede que o sistema exporte uma apresentação em PDF e a anexe a um convite de reunião, tarefa que é realizada pelo assistente.
OpenClaw como referência no avanço dos agentes
A atualização reforça o movimento do setor em direção a agentes capazes de executar tarefas de forma autônoma. Esse tipo de tecnologia ganhou destaque após o lançamento do OpenClaw, que se tornou viral.
O OpenClaw se conecta a modelos da OpenAI e da própria Anthropic, permitindo que usuários enviem comandos por aplicativos como WhatsApp e Telegram. Assim como o novo recurso do Claude, ele roda localmente no dispositivo, o que possibilita acesso a arquivos.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou à CNBC na semana passada que o OpenClaw é “definitivamente o próximo ChatGPT”. A empresa também anunciou o NemoClaw, uma versão corporativa do sistema.
Já a OpenAI contratou, no mês passado, Peter Steinberger, criador do OpenClaw, com o objetivo de “impulsionar a próxima geração de agentes pessoais”.
Funcionalidades e limitações técnicas
A Anthropic afirma que o uso do computador ainda está em estágio inicial, especialmente quando comparado à capacidade do Claude de programar ou interagir com texto.
“O Claude pode cometer erros e, embora continuemos aprimorando nossas salvaguardas, as ameaças estão em constante evolução”, informou a empresa.
A companhia diz ter desenvolvido o recurso com salvaguardas para minimizar riscos. O sistema também solicita permissão antes de acessar novos aplicativos.
Sistema solicita permissão antes de acessar novos aplicativos (Imagem: Divulgação / Anthropic)
Ferramentas adicionais e uso contínuo
Os usuários também podem recorrer ao Dispatch, recurso lançado na semana passada dentro do Claude Cowork. A ferramenta permite manter uma conversa contínua com o assistente pelo celular ou desktop, além de atribuir tarefas ao agente.
Dispatch também é uma opção para usuários do Claude (Imagem: Divulgação / Anthropic)
A iniciativa da Anthropic ocorre em meio a uma disputa mais ampla entre empresas de tecnologia para desenvolver agentes capazes de executar tarefas em nome dos usuários ao longo do dia.
Esses sistemas buscam ampliar as capacidades dos assistentes de IA ao permitir que realizem ações diretamente em dispositivos e aplicativos, em vez de apenas responder comandos em texto.
A Anthropic concluiu o maior estudo qualitativo já realizado sobre percepções de inteligência artificial (IA): mais de 80 mil entrevistas em 159 países revelam que as mesmas funcionalidades que as pessoas mais valorizam na IA são exatamente as que mais as assustam. É o que os pesquisadores chamaram de problema “light and shade” — luz e sombra.
O estudo, conduzido pela empresa por trás do chatbot Claude, identificou tanto os usos mais transformadores da tecnologia — de apoio emocional a ucranianos em meio à guerra até a possibilidade de pais saírem mais cedo do trabalho para buscar os filhos na escola — quanto os medos que acompanham cada um desses benefícios.
Estudo foi conduzido pela dona do Claude, a Anthropic (Imagem: gguy/Shutterstock)
O dilema da “luz e sombra”
O padrão se repete ao longo do estudo: quem valoriza a IA para apoio emocional tem três vezes mais chances de temer se tornar dependente dela. O principal achado da pesquisa apresenta uma verdade desconfortável — não há como separar o benefício do receio.
Um trabalhador ucraniano ilustra essa contradição. Mudo, ele criou junto com a IA um bot de texto-para-voz. “Consigo me comunicar com amigos quase ao vivo, sem tomar o tempo deles lendo. Algo que eu sonhava e achava impossível”, relatou.
Mas essa mesma tecnologia que liberta também gera ansiedade. Um advogado israelense compartilhou sua experiência no estudo: “Uso IA para revisar contratos, economizar tempo… e ao mesmo tempo tenho medo: estou perdendo minha capacidade de ler sozinho? O pensamento era a última fronteira”.
Trabalho: automação e o medo da dependência cognitiva
A automação de tarefas no ambiente de trabalho foi um dos principais casos de uso da IA identificados na pesquisa. Os entrevistados relataram que a tecnologia os libera para se concentrar em atividades mais importantes — e, quando questionados sobre o que realmente queriam conquistar com essa eficiência, a resposta foi tempo com a família.
Os advogados exemplificam a ambiguidade de forma extrema. Quase metade deles já enfrentou problemas com a falta de confiabilidade da IA, mas também são os profissionais que mais relatam benefícios reais na tomada de decisões — as maiores taxas entre todas as profissões analisadas.
Os cinco medos que definem nossa relação com a IA
Apenas 11% dos entrevistados disseram não ter nenhum receio sobre inteligência artificial. Os outros 89% apontaram cinco preocupações principais.
A falta de confiabilidade lidera a lista. Cerca de 27% dos participantes temem que a IA tome decisões ruins ou incorretas — número superior aos 22% que citaram melhoria na tomada de decisões como benefício.
O impacto no mercado de trabalho e na economia aparece em segundo lugar, preocupando 22% dos entrevistados, que temem estagnação salarial e aumento da desigualdade.
Empatados em terceiro, com 22% cada, estão dois receios interligados: a IA tomando decisões sem supervisão humana e os seres humanos se tornando passivos diante da tecnologia.
A perda da capacidade de pensamento crítico preocupa 16% dos participantes, enquanto 15% se inquietam com a falta de regulamentação e a ausência de responsabilização clara quando algo dá errado.
Geografia da confiança: países ricos versus países em desenvolvimento
Globalmente, 67% dos entrevistados têm visão positiva da IA, mas as diferenças regionais revelam perspectivas muito distintas.
América do Norte, Europa Ocidental e Oceania demonstram maior ceticismo. As preocupações se concentram em lacunas na governança, falhas regulatórias e vigilância. São regiões onde a IA já está integrada ao ambiente de trabalho, e as pessoas conseguem ver seus efeitos acontecendo na prática.
Do outro lado, África Subsaariana, América Latina e Sul da Ásia encaram a IA com otimismo. Para esses entrevistados, a tecnologia funciona como um equalizador econômico, facilitando a criação de negócios e o acesso à educação. “Estou em um país com desvantagem tecnológica, e não posso me dar ao luxo de muitas falhas. Com IA, alcancei nível profissional em cibersegurança, design UX, marketing e gestão de projetos simultaneamente. É um equalizador”, disse um usuário de Camarões.
O Leste Asiático apresenta um padrão distinto: pouca preocupação sobre quem controla a IA, mas grande ansiedade em relação à atrofia cognitiva.
A tendência geral aponta que, quanto mais rica a região, maior o ceticismo. Em países desenvolvidos, a automação já está presente no trabalho e as pessoas conseguem ver a substituição humana acontecendo. Nos países em desenvolvimento, a IA ainda não penetrou massivamente nos ambientes profissionais, e preocupações econômicas mais urgentes fazem com que a tecnologia seja encarada como oportunidade — não como ameaça.
Automação já está mais presente no trabalho em países desenvolvidos (Imagem: Stokkete / Shutterstock.com)
O futuro moldado por 80 mil vozes
A Anthropic afirmou que os achados da pesquisa vão influenciar diretamente o desenvolvimento futuro do Claude. A empresa reconhece que entender as nuances da percepção pública é fundamental para criar uma tecnologia que sirva genuinamente às necessidades humanas.
O estudo deixa claro que a relação das pessoas com a IA não é simples. As mesmas funcionalidades que geram entusiasmo também alimentam o medo — e essa dualidade é o traço mais honesto de como a humanidade está vivendo essa transformação.