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Google reorganiza área de IA e reforça controle sobre o desenvolvimento do Gemini

O Google promoveu uma ampla reorganização de sua estrutura de inteligência artificial recentemente, transferindo parte das equipes do Google DeepMind para a estrutura corporativa e concentrando decisões estratégicas nas mãos de Koray Kavukcuoglu. As informações são exclusivas da Reuters, publicadas nesta quarta-feira (12).

A mudança ocorre em meio à pressão para recuperar terreno diante de concorrentes como Anthropic e OpenAI. O movimento também reduz a autonomia histórica do laboratório criado pelo Google após sua aquisição em 2014, aproximando o desenvolvimento do Gemini das prioridades comerciais da companhia.

Nos bastidores, Sergey Brin voltou a exercer influência sobre os esforços de treinamento dos modelos e passou a defender maior velocidade para alcançar a fronteira tecnológica. Ao mesmo tempo, o Google enfrenta atrasos no lançamento de sua próxima versão principal do Gemini e limitações de capacidade computacional.

Reorganização concentra decisões sobre o Gemini

(Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)

A transformação ganhou forma pública em 5 de agosto, quando o Google anunciou mudanças no comando do Google DeepMind. Demis Hassabis deixou a liderança executiva do laboratório e assumiu a presidência, enquanto seu então substituto, Koray Kavukcuoglu, passou a ocupar o posto central na condução da unidade.

A nova configuração formalizou uma transferência de poder que já vinha ocorrendo. Kavukcuoglu acumulava, desde 2025, a função de principal arquiteto de inteligência artificial do Google, cargo criado para ampliar a presença do Gemini nos produtos da empresa. Pessoas familiarizadas com a operação disseram à Reuters que, desde então, sua influência sobre os rumos do modelo aumentou.

A posição de Kavukcuoglu também o colocou mais próximo das áreas responsáveis pela geração de receita com inteligência artificial. Antes mesmo de deixar Londres e se mudar para Mountain View, ele era apontado como o principal elo entre o DeepMind e o Google Cloud, divisão considerada central para os negócios de IA da companhia.

O novo arranjo ainda atingiu outros nomes de peso. Jeff Dean e Oriol Vinyals, que estavam entre os responsáveis técnicos originais pelo Gemini, deixaram a empresa para participar de uma nova startup. A saída dos executivos levantou dúvidas sobre o futuro de equipes que tinham maior liberdade para desenvolver pesquisas além do treinamento direto do modelo.

Durante uma reunião geral realizada em 6 de agosto, funcionários também foram informados de que algumas equipes não técnicas seriam retiradas da estrutura do DeepMind e passariam a responder diretamente à organização corporativa do Google. A medida reforçou entre integrantes do laboratório a percepção de que sua independência estava sendo reduzida.

A administração tentou conter essas preocupações ao afirmar que as atividades cotidianas do laboratório permaneceriam essencialmente iguais. Hassabis continuaria dedicado a questões de longo prazo relacionadas à ciência e aos impactos sociais da inteligência artificial, enquanto Kavukcuoglu manteria o controle sobre o Gemini.

A mudança, contudo, acontece em um contexto de pressão crescente por desempenho. Segundo pessoas ouvidas pela Reuters, testes internos levaram o Google a adiar em dois meses a nova versão principal do Gemini, após resultados abaixo dos obtidos por concorrentes em áreas como programação.

O histórico recente contribuiu para essa pressão. O Gemini havia alcançado brevemente a liderança entre os modelos concorrentes após uma atualização lançada em novembro de 2025, mas perdeu novamente espaço diante dos avanços de empresas rivais.

Fontes familiarizadas com o desenvolvimento atribuíram parte dessa dificuldade a problemas estruturais. A disponibilidade limitada de capacidade computacional e divergências entre diferentes líderes dos projetos teriam dificultado a concentração de recursos em áreas importantes, incluindo programação. A burocracia interna também teria contribuído para um ritmo de lançamentos inferior ao de concorrentes considerados mais ágeis.

Logo do Google em uma fachada
Google – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Nesse cenário, Brin voltou a atuar informalmente junto às equipes responsáveis pelo treinamento dos modelos. De acordo com uma pessoa familiarizada com sua participação, o cofundador passou meses cobrando dos funcionários uma aproximação mais rápida com os sistemas considerados de fronteira.

A influência de Brin também teria alcançado a distribuição de recursos. Entre os temas que receberam sua atenção estava a chamada autoaperfeiçoamento recursivo, conceito associado à possibilidade de sistemas de inteligência artificial aprimorarem suas próprias capacidades sem intervenção humana.

Embora já não exerça cargo executivo, Brin conserva influência decorrente de sua posição como cofundador. A Reuters relatou que ele também havia adotado uma postura de mobilização interna após o lançamento do ChatGPT, em 2022, quando o avanço da tecnologia da OpenAI provocou forte reação dentro do Google.

Hassabis, por sua vez, havia reduzido sua participação direta na gestão do Gemini depois de ajudar a colocar o modelo em funcionamento em 2023. Segundo fontes citadas pela Reuters, responsabilidades relacionadas ao desenvolvimento foram gradualmente transferidas para seus subordinados.

A concentração de autoridade em Kavukcuoglu também pode afetar a relação entre o DeepMind e o Google Cloud. Um dos relatos obtidos pela Reuters aponta que executivos da divisão de computação em nuvem esperam que a mudança reduza conflitos envolvendo a distribuição dos chips de inteligência artificial disponíveis para a empresa, conhecidos como TPUs.

O novo desenho coloca, portanto, a estratégia de modelos, a integração do Gemini aos produtos e as demandas comerciais em uma estrutura mais próxima da sede do Google. Um porta-voz da companhia confirmou à Reuters que Kavukcuoglu terá a palavra final sobre decisões importantes envolvendo o DeepMind.

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Google lança Nano Banana 2 Lite e Gemini Omni Flash para imagens e vídeos com IA

O Google apresentou novos sistemas de inteligência artificial voltados à criação de imagens e vídeos, desenvolvidos pela divisão DeepMind. O anúncio saiu nesta terça-feira (30) e reúne dois produtos principais: Nano Banana 2 Lite e Gemini Omni Flash, ambos integrados ao ecossistema Gemini e disponíveis em plataformas como Google AI Studio e API do Gemini.

Segundo a empresa, os modelos foram criados para atender diferentes necessidades de produção de mídia generativa. O Nano Banana 2 Lite prioriza rapidez e redução de custos na geração de imagens, enquanto o Omni Flash foca na criação e edição de vídeos a partir de comandos multimodais.

A iniciativa busca acelerar fluxos de trabalho criativos e permitir maior escala na produção de conteúdo digital, combinando geração rápida de imagens com ferramentas de vídeo interativo em um mesmo ambiente tecnológico.

Nova geração de IA do Google aposta em velocidade e integração entre imagem e vídeo

Nano Banana é o principal motor do sucesso recente do Gemini (Imagem: Danilo Oliveira/Olhar Digital)

O Nano Banana 2 Lite integra a família Gemini 3.1 Flash Lite Image e foi desenhado para tarefas em que a velocidade de resposta é prioridade. O sistema consegue gerar imagens a partir de texto em cerca de quatro segundos e apresenta custo estimado de 0,034 dólar por mil imagens, segundo dados divulgados pelo Google DeepMind.

De acordo com a empresa, o modelo também mantém boa aderência aos comandos inseridos pelos usuários, além de preservar consistência na representação de elementos visuais. Ainda assim, o desempenho tende a cair em cenários que exigem leitura precisa de textos inseridos nas imagens ou maior rigor em infográficos.

O Google posiciona essa versão como uma ferramenta voltada principalmente para prototipagem rápida e produção em grande volume, sendo indicada para testes visuais e processos iterativos que exigem resposta imediata.

Gemini vs ChatGPT vs Claude: "Existem dois que são os melhores modelos de inteligência artificial"
Sistemas automatizados de varredura profunda identificaram o brilho anômalo por quatro meses. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Já o Gemini Omni Flash atua em outro segmento da criação digital, com foco na geração e edição de vídeos a partir de interações em linguagem natural. O modelo permite combinar texto, imagens e vídeos como entrada, produzindo cenas editáveis de forma conversacional.

Segundo o material divulgado pela empresa, o sistema suporta vídeos de até dez segundos na fase atual e possui limitações no uso de áudio e na continuidade de personagens entre cenas. Ainda assim, a tecnologia é apresentada como uma solução para produção de vídeos com alto grau de interação e controle narrativo.

A proposta central do Google é integrar os dois modelos em fluxos contínuos de produção. Nesse cenário, imagens criadas pelo Nano Banana 2 Lite podem ser utilizadas como base para animações e vídeos gerados pelo Omni Flash, criando uma cadeia de criação multimídia mais rápida e conectada.

Ambos os sistemas contam com marcação de segurança SynthID, mecanismo que identifica conteúdos gerados por inteligência artificial mesmo após edições posteriores, reforçando a rastreabilidade do material produzido.

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