alerta

Auto Added by WPeMatico

ia autoaperfeioamento 576x1024

Bilhões investidos em IA que aprende sozinha aproximam a tecnologia da mente humana e acendem alerta ético 

O setor de tecnologia avança rapidamente em direção a um objetivo ousado: criar inteligências artificiais capazes de aprimorar o próprio código sem ajuda. Essa corrida atrai investimentos bilionários de startups e grandes empresas globais, mas também desperta alertas sobre os limites de perder o controle humano.

No fim do ano passado, Edward Hughes e Louis Kirsch, ex-pesquisadores do Google, fundaram uma empresa inovadora em Londres, na Inglaterra, para desenvolver um sistema capaz de aprender observando a rotina de trabalho da equipe. A Inherent acompanha o dia a dia do escritório, processando e-mails, conversas e reuniões gravadas. Hughes explicou ao jornal The New York Times a estratégia do projeto. “Queremos fornecer a essa ferramenta dados que descrevam o processo pelo qual passamos, para descobrir algo.”

Essa técnica de autoaperfeiçoamento permite que o software melhore a própria estrutura de forma autônoma. Laboratórios conhecidos buscam acelerar esse conceito para impulsionar descobertas científicas e novos remédios. Jeff Clune, veterano da OpenAI e do Google que ajudou a fundar a startup Recursive Superintelligence, destacou o momento decisivo da tecnologia. “Agora é a hora de pegar essas ideias, que temos incubado no laboratório por décadas, e começar a realmente escalá-las.”

IA observa, testa, avalia resultados e melhora o próprio código continuamente, sozinha. – Crédito: Imagem gerada por IA

Entre a evolução e o freio de emergência 

Apesar da grande empolgação do mercado, o avanço rápido dessa automação preocupa especialistas e líderes do setor. Existe um temor real de que sistemas capazes de evoluir sozinhos acabem superando as barreiras do controle humano. Diante do risco de perda de supervisão sobre os programas, executivos de grandes empresas de tecnologia já citam esses alertas como motivo central para desacelerar o ritmo do desenvolvimento.

A ideia de criar máquinas autônomas surgiu durante encontros acadêmicos no século passado, na década de 1960, quando os pesquisadores ainda não dispunham de computadores potentes nem de volume suficiente de dados. Já naquela época, teóricos previam que o surgimento de um sistema verdadeiramente ultrainteligente representaria um divisor de águas definitivo, tornando desnecessária qualquer outra invenção criada pelo ser humano ao longo da história. 

Atualmente, ferramentas modernas de inteligência artificial já escrevem e corrigem códigos de computador com rapidez impressionante, atuando como assistentes digitais de pesquisa. Apesar dessa velocidade, Mark Chen, diretor de pesquisa da OpenAI, destacou as limitações atuais dos modelos. “O grande valor dos pesquisadores humanos é que eles geram ideias criativas o tempo todo. Nossos modelos simplesmente não estão fazendo isso agora.” 

Para tentar superar essas limitações técnicas, novas startups utilizam métodos baseados em tentativa e erro ou inspirados na evolução biológica. No sistema de aprendizado por reforço, o programa testa milhares de caminhos diferentes até encontrar a solução correta. A intenção principal é fazer com que a máquina crie arquiteturas computacionais totalmente novas e inéditas no mercado.

Entusiastas dessa abordagem afirmam que os computadores em breve vão superar a capacidade intelectual humana em praticamente todas as tarefas conhecidas. No entanto, cientistas mais cautelosos ponderam que a autonomia completa do software ainda pode levar várias décadas para se consolidar. Os protótipos atuais continuam sendo incapazes de gerar conceitos revolucionários sem o direcionamento claro e constante de pesquisadores experientes.

Infográfico mostra o embate entre inovação e cautela na IA: de um lado, investimentos e avanços; do outro, riscos, limites criativos e regulação mais rígida.
Infográfico mostra o embate entre inovação e cautela na IA: de um lado, investimentos e avanços; do outro, riscos, limites criativos e regulação mais rígida. – Crédito: Imagem gerada por IA

Como regular a IA para garantir um progresso seguro

Experimentos recentes mostram que a inteligência artificial já consegue sugerir novos caminhos para a pesquisa científica e redigir artigos acadêmicos complexos. Por outro lado, críticos apontam que muitas das ideias apresentadas pelas máquinas são apenas combinações de conhecimentos humanos que já existiam previamente. O direcionamento vindo de pessoas reais continua sendo o ingrediente principal para alcançar qualquer avanço científico significativo.

O debate acalorado sobre o avanço do autoaperfeiçoamento reflete tanto a busca por inovação quanto o medo de impactos imprevisíveis no futuro da sociedade. Se por um lado a tecnologia promete resolver problemas médicos e científicos complexos, por outro exige extrema cautela por parte das autoridades globais. O equilíbrio entre o desenvolvimento acelerado e a segurança digital permanece como o maior desafio atual.

O antes e depois da IA mostra a evolução de assistente executora para sistema capaz de observar e aprimorar códigos.
O antes e depois da IA mostra a evolução de assistente executora para sistema capaz de observar e aprimorar códigos. – Crédito: Imagem gerada por IA

A evolução contínua desses sistemas inteligentes transforma a relação entre humanos e computadores de maneira definitiva e irreversível ao longo do tempo. Enquanto o mercado investe pesado em novas empresas iniciantes, a sociedade tenta compreender os efeitos dessa automação profunda no trabalho e na ciência. O sucesso dessa jornada dependerá de como gerenciamos a autonomia das máquinas nos próximos anos.

Diante de transformações tão profundas no ecossistema digital, o acompanhamento rigoroso por parte de cientistas e reguladores torna-se indispensável. A construção de diretrizes éticas sólidas garantirá que o avanço tecnológico permaneça focado no bem-estar coletivo. Apenas com transparência e responsabilidade será possível explorar todo o potencial da inteligência artificial sem comprometer a estabilidade do nosso futuro.

As decisões tomadas no presente moldarão os rumos da computação e da humanidade pelas próximas gerações. O diálogo constante entre governos, empresas e a sociedade civil é o caminho mais seguro para garantir inovações benéficas. A tecnologia deve atuar como uma aliada do progresso humano, e não como uma ameaça imprevisível ao nosso desenvolvimento social e econômico.

O post Bilhões investidos em IA que aprende sozinha aproximam a tecnologia da mente humana e acendem alerta ético  apareceu primeiro em Olhar Digital.

Bilhões investidos em IA que aprende sozinha aproximam a tecnologia da mente humana e acendem alerta ético  Read More »

olhar digital 99 1024x576

Google alertou 11,4 milhões de pessoas antes de terremoto mortal

O Google enviou alertas de terremoto para 11,4 milhões de pessoas antes dos fortes tremores que atingiram a Venezuela. A tecnologia utilizou celulares Android para identificar rapidamente as primeiras vibrações e avisar moradores antes da chegada das ondas mais destrutivas.

Sem um sistema nacional de alerta, o país contou com o recurso da empresa para antecipar parte dos impactos dos terremotos que deixaram mais de mil mortos, segundo o The New York Times.

Dois terremotos em apenas 39 segundos desafiaram o sistema, que conseguiu avisar milhões de usuários. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O sensor do celular que virou aliado contra terremotos

Como explicamos, o sistema de alerta de terremotos do Android aproveita um componente que já existe nos smartphones: o acelerômetro. É ele que identifica se o aparelho está na posição vertical ou horizontal e, em determinadas condições, também consegue reconhecer vibrações típicas de um abalo sísmico.

Curiosamente, o sensor faz parte da rotina do celular e normalmente passa despercebido pelo usuário. Para detectar um terremoto, porém, o aparelho precisa estar parado sobre uma superfície plana. Se estiver no bolso ou sendo carregado, a identificação não acontece.

Quando vários celulares próximos registram esse mesmo padrão, os dados são enviados ao Google. A empresa cruza essas informações para estimar a localização e a magnitude do tremor antes de disparar os avisos.

Entre as funções do sistema estão:

  • detectar vibrações por meio do acelerômetro;
  • comparar informações enviadas por celulares próximos;
  • calcular onde ocorreu o tremor e sua intensidade;
  • enviar alertas para as áreas com maior risco.

A corrida contra o tempo

A Venezuela foi atingida por dois terremotos em sequência, e vem sofrendo outros abalos de menor intensidade. O primeiro teve magnitude 7,2. Apenas 39 segundos depois, ocorreu outro, de magnitude 7,5, o mais forte registrado no país desde 1900.

O Google identificou o primeiro sinal do abalo apenas três segundos após a chegada da primeira onda sísmica. Em seguida, precisou de mais seis segundos para confirmar o evento e iniciar o envio das notificações.

Pode parecer pouco, mas esse intervalo é suficiente para que parte da população receba um aviso antes da chegada da segunda onda, que é mais lenta e também a mais destrutiva.

Bombeiros trabalhando em escombros após terremoto
O sistema do Android já detectou mais de 18 mil terremotos e enviou cerca de 790 milhões de alertas no mundo. – Imagem: Frame Stock Footage/Shutterstock

Nem todo mundo recebeu o mesmo alerta

Os avisos variaram conforme a intensidade prevista para cada região. Nas áreas de maior risco, a mensagem ocupava toda a tela do celular, emitia um som de emergência e orientava o usuário a agir imediatamente.

Leia mais:

Ao todo, 1,4 milhão de pessoas receberam o alerta máximo. Considerando todos os níveis de aviso, 11,4 milhões de usuários foram notificados.

Quem estava mais distante do epicentro ganhou mais tempo para reagir e, em alguns casos, recebeu a notificação até dois minutos antes de sentir o tremor. Segundo o Google, o recurso já detectou mais de 18 mil terremotos e enviou cerca de 790 milhões de alertas em mais de 100 países. Na Venezuela, a tecnologia acabou suprindo a falta de um sistema nacional de aviso antecipado.

O post Google alertou 11,4 milhões de pessoas antes de terremoto mortal apareceu primeiro em Olhar Digital.

Google alertou 11,4 milhões de pessoas antes de terremoto mortal Read More »