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Palantir diz que EUA não podem desligar IA militar usada pela Otan

A Palantir afirma que nem a empresa nem o governo dos Estados Unidos podem desligar remotamente sua plataforma de inteligência artificial usada pela Otan. A declaração ocorre após restrições ao Starshield na Ucrânia reacenderem as preocupações europeias com a dependência de tecnologias militares americanas.

O Maven Smart System processa dados do campo de batalha para ajudar militares a tomar decisões. Apesar da adoção pela Otan, França e Alemanha não incorporaram a ferramenta às próprias forças armadas, em meio a preocupações com a dependência de uma empresa estrangeira.

França e Alemanha não adotaram o Maven em suas próprias forças armadas, em meio a preocupações com a dependência tecnológica. – Imagem: Ned Snowman/Shutterstock

Como funciona o sistema Maven

Desenvolvido pela Palantir, o Maven reúne informações de satélites, radares e outros sensores para oferecer aos comandantes uma visão mais completa do campo de batalha e acelerar a tomada de decisões.

A Otan adquiriu a plataforma em 2025 para seu Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa. Em junho de 2026, a aliança declarou que o sistema havia alcançado plena capacidade técnica operacional. A adoção pela organização, porém, não levou todos os países europeus a utilizar a ferramenta em suas próprias estruturas militares.

Por que França e Alemanha resistem

A resistência à plataforma está ligada à preocupação de depender de uma empresa americana para atividades militares estratégicas. As tensões políticas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus também aumentaram as dúvidas sobre os riscos de depender de tecnologias que podem ser afetadas por decisões tomadas em Washington.

O episódio envolvendo a Ucrânia reforçou esse receio. O país relatou restrições ao Starshield, serviço militar que utiliza a constelação de satélites Starlink, da SpaceX. Os terminais deixaram de funcionar em plataformas de alta velocidade, prejudicando tarefas como o emprego de drones interceptadores contra ataques russos.

O The Wall Street Journal noticiou que Elon Musk ordenou a restrição do Starlink usado pela Ucrânia. Donald Trump negou ter ordenado a medida, enquanto Musk afirmou que as decisões sobre o acesso ao serviço cabem à SpaceX. O secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, atribuiu a responsabilidade à empresa e a Musk, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também apontou o governo dos Estados Unidos como responsável pela restrição.

A divergência ampliou as preocupações europeias com a dependência de tecnologias militares americanas. França e Alemanha não adotaram o Maven em suas próprias forças armadas, mas a fonte detalha especificamente as objeções alemãs. Em abril de 2026, o chefe do comando cibernético do país descartou a compra da plataforma e considerou “inconcebível” que funcionários de uma empresa privada tivessem acesso ao banco de dados militar nacional.

Satélite militar monitorando a Europa
Dependência de softwares norte-americanos gera debate sobre vulnerabilidade no campo de batalha. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Palantir garante controle aos clientes

Diante das preocupações, Louis Mosley, vice-presidente executivo da Palantir para o Reino Unido e a Europa, afirmou à Reuters que os clientes mantêm o controle operacional do software adquirido.

“Não existem mecanismos de desligamento. A Palantir ou o governo dos Estados Unidos não têm como acessar o sistema e desligá-lo”, declarou.

Mosley também explicou que a participação de funcionários da empresa na operação depende da decisão do cliente. Caso sejam contratados para essa função, eles seriam cidadãos do país atendido e precisariam ter a autorização de segurança exigida.

Segundo o executivo, o Maven pode funcionar sem a participação direta da Palantir. Ele afirmou que clientes militares e corporativos já operam os sistemas dessa forma.

A discussão sobre a plataforma envolve três questões importantes:

  • Acesso a informações militares: quem pode consultar dados estratégicos e sob quais condições.
  • Continuidade das operações: como manter sistemas essenciais funcionando diante de eventuais interrupções.
  • Controle tecnológico: até que ponto as forças armadas conseguem operar suas ferramentas sem depender do fornecedor.

A Palantir afirma que seus clientes podem operar o Maven sem a participação da empresa e que nem ela nem o governo estadunidense conseguem desligar o sistema remotamente. A Alemanha, porém, mantém a preocupação com o acesso de funcionários privados a dados militares estratégicos. A fonte não detalha os motivos específicos da França para não adotar a plataforma.

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CEO da Palantir chama setor de IA de “marxista” após lucro de R$ 5,6 bi

Alex Karp, CEO da Palantir, voltou a alertar, nesta segunda-feira (3), que os laboratórios de inteligência artificial (IA) de fronteira não são confiáveis para empresas. O recado veio na carta trimestral aos acionistas, publicada após um segundo trimestre com resultados recordes para a companhia.

A Palantir registrou US$ 1,9 bilhão (R$ 9,7 bilhões) em receita no segundo trimestre de 2026, alta de 93% em relação ao mesmo período do ano anterior, e US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em lucro. Na carta, Karp escreveu que a empresa gerou “mais lucro em um único trimestre do que toda a receita que tivemos no mesmo período do ano anterior”.

A acusação de “marxismo”

  • Na mesma carta, Karp — que tem doutorado em teoria social — usou linguagem filosófica para criticar os desenvolvedores de grandes modelos de linguagem;
  • “Há tons e subtons marxistas no nosso negócio”, escreveu. “Outros, incluindo muitos dos que constroem grandes modelos de linguagem, pretendem, consciente ou inconscientemente, capturar os meios de produção de seus supostos parceiros.”
  • Durante a conferência com analistas de Wall Street, ele desenvolveu o argumento. Karp questionou se as empresas vão “comprar um futuro” em que seu trabalho ajuda seus “adversários a vencer, e todos que vencem são um pequeno grupo de pessoas vivendo em um lugar minúsculo que, de alguma forma, acredita que, porque come vegetais e não apoia combatentes, merece ter o total dos meios de produção deste país”;
  • Ainda na chamada, ele descreveu o modelo de negócio dos laboratórios de IA com linguagem explícita: “Você está pagando pelo direito de eles migrarem sua propriedade intelectual, seu know-how, sua expertise para o modelo deles, para que possam construir um negócio competitivo que não precisa do seu negócio ou das suas pessoas.” Karp acrescentou que, na visão dele, isso é feito “por razões que eles acreditam serem morais. Eles são superiores a você. Eles merecem colonizar sua empresa.”
Palantir registrou R$ 9,7 bilhões em receita no segundo trimestre de 2026, alta de 93% em relação ao mesmo período do ano anterior, e R$ 5,6 bilhões em lucro – Imagem: Hiroshi-Mori-Stock/Shutterstock

O modelo da Palantir

A Palantir oferece software de IA e análise descrito como agnóstico em relação a modelos para governos e empresas. A plataforma permite que as organizações controlem seus dados e também o que Karp chamou de “exaustão de IA” — os prompts, a orquestração e o contexto gerados pelo uso de IA.

A crítica de Karp ecoa um argumento que tem sido levantado por outros executivos, entre eles o CEO da Microsoft, Satya Nadella. O pano de fundo da discussão inclui uma lista de empresas que firmaram parcerias ou pagaram por serviços da Anthropic e da OpenAI enquanto esses laboratórios lançavam negócios próprios em áreas, como ferramentas de design, saúde, jurídico e descoberta de medicamentos.

A liderança sênior da Palantir é inteiramente masculina, e Karp recorreu, na conferência com analistas, a um jargão descrito como comum entre empresas de tecnologia de defesa.

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