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OpenAI corta internet de suas IAs mais avançadas após falhas de segurança

A OpenAI passou a treinar seus modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados sem acesso à internet aberta após identificar falhas que permitiram a agentes de IA ultrapassar barreiras de segurança e acessar sistemas externos. A medida busca impedir que modelos em desenvolvimento explorem vulnerabilidades durante o treinamento e causem danos fora dos ambientes controlados pela empresa.

Em publicação feita nesta sexta-feira (23), a companhia explicou que reforçou os mecanismos de isolamento de seus ambientes de pesquisa e criou um sistema offline no qual os modelos podem interagir com conteúdos da web previamente indexados e armazenados em cache, sem acessar diretamente servidores externos.

A empresa havia suspendido o treinamento e a avaliação de seus modelos mais avançados em setembro, após um modelo interno explorar uma configuração incorreta e conseguir acesso limitado à internet. Depois de implementar novas proteções, a OpenAI retomou o treinamento por aprendizado por reforço e o uso interno desses modelos em 1º de outubro.

Segundo a companhia, a decisão de manter o treinamento sem acesso à internet aberta continuará em vigor até que avanços nos mecanismos de segurança justifiquem uma flexibilização.

Agentes de IA encontraram formas de contornar barreiras

  • Para avaliar a eficácia das proteções, a OpenAI colocou grupos de agentes de seus modelos mais avançados para tentar identificar falhas na própria infraestrutura de pesquisa. Os testes procuraram três tipos de vulnerabilidade: caminhos para acessar a internet, brechas que permitissem atravessar limites de segurança e formas de comunicação entre agentes que deveriam permanecer isolados;
  • A campanha identificou vulnerabilidades inéditas em componentes de software de código aberto e configurações incorretas em serviços internos. Algumas falhas permitiam escapar de ambientes isolados, movimentar-se entre sistemas e alcançar a internet;
  • A empresa afirmou ter corrigido os problemas encontrados e trabalhado com os responsáveis pelos projetos de código aberto afetados para viabilizar a divulgação e a correção das vulnerabilidades;
  • Os testes envolveram um volume de processamento expressivo: a OpenAI afirma ter utilizado centenas de bilhões de tokens durante os experimentos de segurança.

Para avaliar a eficácia das proteções, a OpenAI colocou grupos de agentes de seus modelos mais avançados para tentar identificar falhas na própria infraestrutura de pesquisa – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT

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IAs conseguiram trocar informações sem conexão de rede

Um dos resultados mais relevantes surgiu quando a empresa tentou descobrir se agentes poderiam trocar informações mesmo sem acesso à internet, sem arquivos compartilhados e sem canais de comunicação autorizados.

Em um experimento, agentes executados em máquinas virtuais separadas conseguiram transmitir informações usando o cache do processador, memória de acesso rápido que armazena dados utilizados recentemente.

O método explorava a diferença de tempo entre acessar informações presentes no cache e recuperá-las da memória principal do computador.

Um agente alterava o estado do cache para codificar uma mensagem. Outro media o tempo necessário para acessar determinados dados e interpretava as diferenças como sinais. Depois de estabelecerem um protocolo de codificação e decodificação, os agentes conseguiram trocar informações sem abrir uma conexão de rede ou modificar um arquivo compartilhado.

A OpenAI também identificou outros possíveis canais de comunicação, incluindo o uso de armazenamento compartilhado, competição por tempo de processamento e um cache de certificados TLS na infraestrutura web offline da empresa.

Segundo a companhia, muitos desses canais transmitem informações lentamente e são difíceis de explorar. Ainda assim, eles representam brechas potenciais em sistemas projetados para impedir que agentes isolados se comuniquem.

A empresa afirma ter acrescentado verificações aos mecanismos de monitoramento para identificar tentativas de comunicação por esses meios.

OpenAI reforça isolamento e monitoramento

A estratégia de segurança da companhia combina diferentes camadas de proteção, incluindo ambientes restritos de execução, máquinas virtuais, monitoramento de atividades e controles de rede e infraestrutura em nuvem.

A ideia é impedir que uma falha isolada permita que um modelo ultrapasse todas as barreiras. Mesmo que um agente consiga escapar de um ambiente restrito, outras proteções devem impedir que ele alcance sistemas externos.

A OpenAI também informou que continuará usando seus modelos mais avançados para procurar vulnerabilidades nos próprios ambientes de pesquisa. Os resultados desses testes passaram a integrar as avaliações de segurança utilizadas para decidir se novas rodadas de treinamento podem prosseguir.

A companhia reconheceu, porém, que modelos futuros poderão encontrar vulnerabilidades ainda desconhecidas. Por isso, pretende manter os testes contínuos e aprimorar os mecanismos de detecção e interrupção automática de atividades consideradas arriscadas.

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Tráfego de IA supera o de humanos na internet pela primeira vez

A internet atingiu um marco inédito: pela primeira vez, o tráfego gerado por agentes de inteligência artificial (IA) superou o produzido por usuários humanos. Os dados foram divulgados pela Cloudflare, uma das maiores empresas de hospedagem e infraestrutura da internet, e mostram que os chamados bots agentivos já representam 57,4% das requisições online, enquanto os humanos respondem por 42,6%.

A informação foi compartilhada por Matthew Prince, cofundador e CEO da Cloudflare, em publicações na rede social X nesta semana. Segundo ele, a mudança ocorreu mais cedo do que o esperado. Prince afirmou que acreditava que essa virada só aconteceria no fim de 2027, depois no início daquele ano, mas o crescimento acelerado dos agentes de IA antecipou o cenário.

O que está por trás do aumento do tráfego de IA

É importante destacar que os números divulgados pela Cloudflare não incluem apenas os bots tradicionais da internet, como rastreadores de mecanismos de busca e ferramentas de monitoramento. Esse tipo de automação já superava o tráfego humano em determinados contextos há mais de uma década.

O dado da Cloudflare se refere especificamente aos agentes de IA que navegam pela web em nome dos usuários. São sistemas capazes de pesquisar informações, visitar páginas e reunir resultados para responder perguntas feitas em chatbots e outras ferramentas baseadas em inteligência artificial.

Na prática, isso significa que mais agentes automatizados estão acessando sites do que pessoas. Ainda assim, os usuários humanos continuam sendo os principais responsáveis pela interação direta com conteúdos, enquanto as IAs realizam um volume maior de visitas e consultas.

Diferenças entre regiões

A distribuição do tráfego varia de acordo com a localização. Na América do Norte, os bots já representam 68,6% da atividade online, contra 31,4% de origem humana.

Em regiões menores, porém, o cenário pode ser diferente. No Meio-Oeste dos Estados Unidos, por exemplo, os humanos ainda lideram, com 54,5% do tráfego, enquanto os bots ficam com 45,5%.

Segundo os dados divulgados, América do Sul, Ásia e Oceania ainda registram predominância de atividade humana na maior parte do tempo. Já América do Norte, Europa e África tendem a apresentar participação mais elevada dos agentes automatizados.

Há também casos extremos. Em horários de pico, até 97% do tráfego originado em Gibraltar é atribuído a bots. No sentido oposto, Cuba e Laos registram participação humana de 80,8% e 84,7%, respectivamente.

Crescimento acelerado surpreendeu a Cloudflare

Em entrevista à NBC News, Prince afirmou estar surpreso com a velocidade do avanço do tráfego não humano. Segundo ele, os gráficos apresentam algumas imperfeições, mas a tendência já é clara e indica uma mudança estrutural no comportamento da internet.

O executivo também observou que um usuário pode visitar apenas alguns sites antes de concluir uma compra, enquanto um sistema de IA pode consultar milhares de páginas para executar uma tarefa semelhante.

Prince afirmou ainda que a web passou por um período de retração entre 2015 e 2025, mas que os últimos seis meses marcaram uma mudança significativa, com crescimento acelerado impulsionado pelo uso de inteligência artificial.

Debate sobre a “Teoria da Internet Morta”

O avanço dos bots reacendeu discussões sobre a chamada Dead Internet Theory (Teoria da Internet Morta), que sustenta que a maior parte da atividade online passaria a ser produzida por sistemas automatizados em vez de pessoas.

Embora alguns usuários vejam os novos dados como uma confirmação dessa hipótese, Prince discorda. Para ele, as ferramentas de IA estão ampliando o acesso à criação de conteúdo, permitindo que mais pessoas produzam material online sem precisar dominar programação ou design.

O executivo também apontou possíveis impactos econômicos dessa transformação. Segundo ele, os bots não clicam em anúncios da mesma forma que os usuários humanos, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de negócios atual da internet.

Uma das alternativas mencionadas por Prince seria cobrar dos agentes automatizados pelo acesso ao conteúdo produzido por usuários e sites. Na avaliação dele, um modelo desse tipo poderia ajudar a redefinir a economia da web nos próximos anos.

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