Inteligência Artificial (IA)

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Anthropic lança IA para modernizar COBOL e derruba ações da IBM

Resumo
  • A Anthropic lançou ferramentas de IA baseadas no Claude Code para modernizar sistemas COBOL, impactando o mercado financeiro e causando queda de 10% nas ações da IBM.
  • O COBOL ainda gerencia 95% das transações de caixas eletrônicos nos EUA, mas enfrenta desafios de integração com plataformas modernas e escassez de desenvolvedores especializados.
  • A IA da Anthropic automatiza a análise de código, reduzindo a necessidade de consultores humanos e acelerando a modernização de sistemas, afetando consultorias como Accenture e Cognizant.

Nesta segunda-feira (23), a Anthropic anunciou novas ferramentas de inteligência artificial baseadas no Claude Code, projetadas para acelerar a modernização de sistemas corporativos escritos em COBOL. A novidade abalou o mercado financeiro dos Estados Unidos e fez as ações da gigante da tecnologia IBM sofrerem uma queda expressiva de 10% durante o pregão.

Para compreender a reação dos investidores, é preciso olhar para o modelo de negócios da companhia. A IBM mantém divisões lucrativas dedicadas exclusivamente a ajudar outras corporações a atualizar sistemas legados. Historicamente, isso exige grandes equipes de consultores humanos e contratos milionários de longo prazo, que representam uma fonte de receita constante.

Com o anúncio da Anthropic, o mercado financeiro enxergou uma ameaça direta. A nova IA automatiza fases de análise que antes dependiam desses batalhões de especialistas. Segundo o portal Investing.com, o receio de que as consultorias percam espaço para a automação atingiu o setor em cheio: as ações da Accenture também recuaram 6,58%, enquanto os papéis da Cognizant Technology Solutions registraram baixa de 6,00% no mesmo dia.

O que é o COBOL e por que ainda é tão importante?

O Common Business Oriented Language (COBOL) é uma linguagem de programação criada no final da década de 1950, desenvolvida para o processamento de grandes volumes de dados administrativos, comerciais e financeiros. Embora a indústria global de tecnologia tenha migrado para arquiteturas mais modernas nas últimas décadas, o COBOL permanece operando na infraestrutura econômica global.

Conforme dados divulgados pelo Investing.com, sistemas fundamentados em COBOL ainda gerenciam hoje cerca de 95% das transações de caixas eletrônicos realizadas nos Estados Unidos. Diariamente, centenas de bilhões de linhas desse código rodam em ambientes de produção, garantindo o funcionamento de operações essenciais no mercado financeiro, malhas de companhias aéreas e agências governamentais ao redor do planeta.

Muitos desses sistemas foram implementados antes da era da internet, tornando a integração com plataformas atuais um desafio técnico. Outro gargalo que o setor enfrenta hoje é a escassez de mão de obra. A geração de desenvolvedores que planejou, escreveu e implementou essas arquiteturas já se aposentou. Como consequência, o contingente de profissionais com domínio da linguagem diminui a cada ano, tornando a manutenção ou a transição desses ecossistemas um processo arriscado, lento e muito caro.

O impacto da automação no setor de TI

Atualizar bases de código construídas ao longo de décadas exigia métodos manuais. A proposta da Anthropic é eliminar essa dependência inicial, já que a IA consegue analisar mapeamentos e dependências em milhares de linhas de código simultaneamente, reduzindo a necessidade de intervenção humana.

A plataforma também foi treinada para documentar fluxos de trabalho, identificar os pontos de entrada exatos dos programas, rastrear caminhos de execução e sinalizar potenciais riscos operacionais. Segundo a Anthropic, só a execução dessas etapas exigiria meses de trabalho caso fosse conduzida por métodos de consultoria atuais.

Ao agilizar o processo, a nova versão do Claude Code promete capacitar equipes menores a modernizar bases inteiras em questão de poucos trimestres, eliminando cronogramas que costumavam se arrastar por anos, colocando em xeque a necessidade de terceirização e justificando o alerta vermelho aceso em Wall Street.

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Analistas questionam efeitos da IA na economia dos EUA: “Basicamente zero”

Resumo
  • Economistas de Wall Street afirmam que o impacto da IA no PIB dos EUA em 2025 é mínimo, apesar de investimentos bilionários.
  • Equipamentos e softwares relacionados à IA são importados, diluindo o efeito dos investimentos no PIB americano.
  • Falta de métricas confiáveis dificulta a medição do impacto da IA na produtividade e no crescimento econômico.

Avaliações recentes feitas por analistas de um grande banco americano indicam que, ao menos até agora, o impacto direto desses investimentos sobre o PIB dos Estados Unidos é mínimo — descrito internamente como “basicamente zero”.

“Na verdade, não consideramos o investimento em IA como um fator fortemente positivo para o crescimento”, disse o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, em entrevista ao Atlantic Council. “Acho que há muita informação distorcida sobre o impacto que o investimento em IA teve no crescimento do PIB dos EUA em 2025, e esse impacto é muito menor do que se costuma perceber”, afirmou.

A inteligência artificial virou peça central no discurso sobre o futuro da economia dos Estados Unidos. Bancos, executivos e líderes empresariais passaram a associar o avanço da tecnologia a um ciclo de crescimento sustentado, impulsionado por investimentos bilionários em infraestrutura, chips e centros de dados. Para esse grupo, a IA já estaria ajudando a manter a economia aquecida em um cenário global instável.

No campo político, o tema também virou argumento estratégico. O presidente Donald Trump recorreu à promessa de crescimento impulsionado pela IA para defender a redução de regulações estaduais sobre o setor. Em uma publicação na Truth Social, escreveu: “O investimento em IA está ajudando a tornar a economia dos EUA a mais aquecida do mundo, mas a regulação excessiva dos estados ameaça minar esse motor de crescimento”.

O contraste expõe uma divergência crescente entre a narrativa defendida por empresas e autoridades e os números observados nos cálculos econômicos tradicionais.

O investimento virou crescimento econômico?

Durante parte de 2025, economistas reforçaram a percepção de que a IA já estaria deixando marcas visíveis no Produto Interno Bruto. Jason Furman, professor de Harvard, destacou em seu perfil no X que equipamentos e softwares ligados ao processamento de informação responderam por grande parte da expansão econômica no primeiro semestre. Na mesma linha, análises do Federal Reserve Bank of St. Louis sugeriram que investimentos relacionados à IA tiveram peso relevante no crescimento do terceiro trimestre.

Nos últimos meses, no entanto, essa leitura passou a ser questionada por analistas do mercado financeiro. Para Joseph Briggs, economista do Goldman Sachs, o entusiasmo inicial pode ter simplificado demais a discussão. “Era uma história muito intuitiva. Isso talvez tenha evitado ou limitado a necessidade de investigar mais a fundo o que estava acontecendo”, disse ao The Washington Post.

A revisão mais dura veio de Hatzius. Segundo ele, o efeito da IA no PIB americano em 2025 foi “basicamente nulo”.

Onde o dinheiro realmente aparece?

Um dos pontos centrais é a origem dos equipamentos que sustentam a infraestrutura de IA. Chips avançados e outros componentes são, em grande parte, importados. Na prática, isso dilui o efeito dos investimentos domésticos nas contas nacionais. “Grande parte do investimento em IA que vemos nos EUA contribui para o PIB de Taiwan e para o PIB da Coreia, mas não muito para o PIB dos EUA”, explicou o economista.

Outro problema é a falta de instrumentos confiáveis para medir como o uso da IA por empresas e consumidores se converte em produtividade e crescimento real. Sem métricas claras, o impacto econômico permanece difuso e difícil de quantificar.

O contraste entre os volumes investidos e os resultados observados sugere que a IA ainda está em uma fase de transição. A tecnologia pode transformar a economia no longo prazo, mas, até agora, seus efeitos macroeconômicos seguem discretos — bem longe da narrativa de crescimento imediato que dominou o mercado.

Com informações do Gizmodo

Analistas questionam efeitos da IA na economia dos EUA: “Basicamente zero”

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E se a IA superar as expectativas? Relatório alerta para uma crise global

Resumo
  • O relatório da Citrini Research projeta que a adoção de IA pode dobrar o desemprego e reduzir o índice S&P 500 em 38%.
  • Especialistas criticam o relatório por pressupostos exagerados, como a capacidade da IA de substituir tarefas complexas sem supervisão.
  • A divulgação do relatório causou queda de mais de 1% na Nasdaq, afetando empresas de software como Asana e DocuSign.

Um documento publicado no domingo (22/02) repercutiu no setor de tecnologia: ao imaginar um cenário em que a inteligência artificial superou expectativas, analistas projetam o dobro do desemprego e queda de mais de um terço do valor das ações.

O documento foi produzido pela consultoria de investimentos Citrini Research e publicado na plataforma Substack. Algumas consequências da divulgação foram concretas: a bolsa de valores Nasdaq teve uma queda de mais de 1%, com empresas de software como Asana e DocuSign liderando as quedas.

Alguns especialistas em IA, por outro lado, consideraram as projeções exageradas e imprecisas, já que desconsideram pormenores do mercado de trabalho e da economia.

O que diz o relatório?

Intitulado “A crise global de inteligência de 2028”, o documento da Citrini já alerta, logo nos primeiros parágrafos, que o conteúdo é um cenário, não uma previsão. Para os analistas, o uso disseminado de agentes de IA poderia causar uma destruição econômica gigantesca nos próximos dois anos, em um “loop negativo sem freio”.

O documento considera que uma hipotética adoção em larga escala da tecnologia levaria a demissões em massa de trabalhadores do setor corporativo. Isso reduziria o poder de compra, comprometendo o crescimento econômico. Até mesmo o setor imobiliário sentiria o baque, já que haveria menos dinheiro para pagar aluguéis caros em áreas nobres de grandes cidades.

Para o impacto ser tão grande, a Citrini parte do pressuposto de que a IA seria adotada por todos os setores, desintegrando segmentos “construídos para monetizar a fricção para humanos”, como corretores, agências de viagem, serviços de contabilidade e recrutadores.

No fim, o desemprego nos Estados Unidos dobraria, e o índice S&P 500, que tem as maiores empresas listadas nas bolsas americanas, cairia 38%.

Quais são as críticas ao documento?

Após o relatório viralizar, especialistas em IA apontaram problemas no cenário montado pela Citrini Research. Pradeep Sanyal, conselheiro ligado à OpenAI, à Universidade de San Francisco e à W3C, avaliou que o texto não é uma previsão, e sim um teste narrativo de estresse.

Escrevendo em seu LinkedIn, Sanyal que aponta há uma série de pressupostos “milagrosos” no cenário hipotético da Citrini. A análise imagina, por exemplo, que agentes de IA seriam capazes de assumir, sem supervisão, tarefas complexas e de alto risco.

Outra simplificação seria considerar que cargos corporativos se resumem a trabalhos burocráticos e de programação.

Joe McKendrick, colunista da Forbes, lembrou de declarações recentes de Alex Pentland, especialista de IA da Universidade de Stanford. Pentland não acha que a IA vai substituir trabalhadores em um futuro próximo e considera que agentes automatizados sempre precisarão ser supervisionados.

Para o pesquisador, um ponto crucial é que a IA é treinada com dados passados, o que torna a tecnologia pouco sensível a eventos atuais e a novos contextos. Aí estaria uma vantagem dos humanos.

Análise teve consequências no mercado

Discussões à parte, fato é que o relatório viralizou em meios como o mercado financeiro e o setor de tecnologia. E o cenário otimista para a IA e pessimista para a sociedade acabou atingindo as ações de empresas de software.

Empresas como AppLovin, Asana, Zscaler, Varonis Systems, DocuSign, Oracle, Salesforce e Circle Internet Group tiveram quedas expressivas nesta segunda-feira (23/02).

Investidores consideram que o alerta da Citrini mostra como esse segmento pode sofrer com as transformações tecnológicas — seus clientes podem perder terreno, e seus próprios produtos podem ser substituídos por soluções caseiras, montadas com IA.

Não é a primeira vez que o mercado reage mal a notícias desse tipo. No início de fevereiro, novas ferramentas para gerar códigos plantaram dúvidas sobre o futuro das empresas de software — se qualquer um puder programar, quem vai contratar soluções prontas?

Com informações do TechCrunch e da Business Insider

E se a IA superar as expectativas? Relatório alerta para uma crise global

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IA fica maluca e apaga emails de executiva da Meta

Resumo

A diretora de segurança e alinhamento do laboratório de superinteligência da Meta, Summer Yue, relatou um momento de tensão com o OpenClaw (anteriormente conhecido como Clawdbot e Moltbot). Segundo ela, o agente de IA apagou a caixa de entrada de emails dela, ignorando pedidos para que parasse.

Em publicações na rede social X, a executiva afirma que configurou um Mac Mini rodando o agente e concedeu acesso à sua caixa de emails reais. A inteligência artificial, no entanto, saiu de controle e informou que iria “colocar na lixeira TUDO na caixa de entrada mais antigo que 15 de fevereiro que já não esteja na minha lista de manter”.

Nos prints publicados, Yue tenta interromper a ação enviando mensagens como “não faça isso” e “PARE OPENCLAW”, mas é completamente ignorada. “Nada te torna mais humilde do que dizer ao seu OpenClaw ‘confirme antes de agir’ e assisti-lo fazer um speedrun apagando sua caixa de entrada”, escreveu.

Captura de tela de publicação de Summer Yue no X/Twitter, em que conta como bot da OpenClaw saiu do controle e excluiu diversos emails sem autorização
Yue publica prints de interação com o OpenClaw (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Por que a IA agiu?

Na rede social, Yue conta que tudo ocorreu após ela pedir ao robô para que verificasse a caixa de email e sugerisse o que arquivar ou deletar, mas que não agisse antes que ela ordenasse. Segundo ela, o OpenClaw havia funcionado bem para a tarefa em uma caixa de entrada menor.

O problema ocorreu ao testá-lo em uma caixa de entrada funcional. Por ter que compactar um conjunto muito maior de emails, o OpenClaw acabou perdendo o prompt (o comando inicial com as regras) durante o processo.

Após não ter sucesso em parar o processo pelo celular, ela precisou “correr para o Mac Mini como se estivesse desarmando uma bomba”. Imagens da conversa mostram que o robô reconheceu que se lembrava da instrução para não apagar nada sem aprovação, mas violou a ordem de qualquer maneira.

Situação gerou críticas à Meta

A situação gerou críticas na rede social, considerando o cargo da executiva. Ben Hylak, cofundador da Raindrop AI e ex-funcionário da Apple, compartilhou uma captura de tela do LinkedIn de Yue e comentou: “Isso deveria aterrorizar vocês. O que a Meta está fazendo?”. Outro usuário apontou ser preocupante que uma pessoa cujo trabalho é o alinhamento de IA fique surpresa quando o sistema não segue instruções com precisão.

Em resposta a um questionamento sobre se estava testando os limites da ferramenta intencionalmente ou se havia cometido um erro, Yue admitiu: “Erro de principiante, para ser sincera. Acontece que pesquisadores de alinhamento não são imunes ao desalinhamento”.

De acordo com o Business Insider, Yue não foi a única funcionária da Meta a testar o OpenClaw. O criador da ferramenta, Peter Steinberger, revelou que o próprio CEO Mark Zuckerberg brincou com o agente por uma semana e chegou a enviar feedbacks. Apesar do interesse da Meta, Steinberger acabou aceitando uma oferta de emprego da OpenAI.

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