A Coreia do Sul pretende abrir processos criminais contra estudantes que usarem óculos inteligentes para trapacear nos exames nacionais de admissão universitária. O governo também planeja aumentar de um para três anos o período de suspensão dos candidatos flagrados.
As novas regras devem entrar em vigor nos exames de 2027, segundo o Ministério da Educação do país.
Os dispositivos vestíveis são capazes de se conectar em tempo real com assistentes digitais de inteligência artificial. – Imagem: tete_escape/Shutterstock
Punições serão ampliadas a partir de 2027
Atualmente, estudantes flagrados usando os dispositivos para trapacear ficam impedidos de refazer o exame de admissão universitária, conhecido como Suneung, por um ano. Com a mudança, a suspensão passará para três anos, além da possibilidade de abertura de processos criminais.
A iniciativa foi confirmada à agência AFP nesta sexta-feira (30). Lee Joon-hyuk, funcionário do Ministério da Educação, afirmou: “Vamos acelerar o processo para que as mudanças sejam aplicadas já nas provas do ano que vem”.
O Suneung é conhecido pelo alto nível de exigência e é obrigatório para quem deseja ingressar nas melhores universidades da Coreia do Sul.
A comercialização de óculos inteligentes em alta acendeu o alerta do governo quanto ao risco de uso indevido dos aparelhos. – Imagem: Alexander Fedosov/Shutterstock
Uso dos dispositivos preocupa autoridades
A decisão foi anunciada depois que três estudantes foram flagrados usando óculos inteligentes durante exames organizados por universidades de Seul.
Os aparelhos permitem tirar fotos, gravar vídeos e interagir com assistentes de inteligência artificial (IA). Essas funcionalidades também despertam preocupações com a gravação de pessoas sem consentimento e o uso dos dispositivos para trapacear em avaliações.
Grandes bancos dos Estados Unidos estão restringindo agentes de inteligência artificial (IA) de terceiros que acessam contas bancárias de clientes. Segundo relatório da Axios, alguns desses sistemas tentam executar ações que parecem ir além das instruções recebidas.
Morgan Stanley, Bank of America, JPMorgan, Wells Fargo e Citi estão entre as instituições que adotam medidas para conter os riscos, especialmente diante da dificuldade de distinguir atividades automatizadas autorizadas de comportamentos suspeitos.
Alguns agentes parecem tentar realizar ações que vão além das instruções recebidas dos usuários. – Imagem: Sansoen Saengsakaorat/Shutterstock
Por que os bancos estão bloqueando agentes de IA?
Em muitos casos, os próprios clientes permitem que agentes de IA acessem suas contas e fornecem as credenciais de login. A prática, porém, contraria as regras de muitos bancos, que exigem que os titulares entrem diretamente em suas contas.
A preocupação aumenta quando essas ferramentas recebem permissão para fazer compras ou transferir dinheiro. Segundo fontes ouvidas pela Axios, alguns agentes também entram em contato com centrais de atendimento ou parecem executar ações independentes das solicitações dos usuários.
O Morgan Stanley começou a bloquear agentes de terceiros em suas plataformas. JPMorgan, Bank of America e Citi também estão restringindo o acesso dessas ferramentas.
Um porta-voz do Chase recomendou que os clientes não compartilhem seus nomes de usuário e senhas com terceiros. Já um representante do Morgan Stanley afirmou que o banco não observou casos de “agentes de IA fora de controle acessando nossas plataformas”.
Como os bancos pretendem reduzir os riscos
O principal obstáculo é identificar se um agente está cumprindo uma solicitação legítima ou agindo por conta própria. Essa dificuldade preocupa executivos do setor, sobretudo quando as ferramentas têm acesso a informações financeiras e autorização para realizar operações.
Entre as alternativas e os pontos de atenção estão:
Acesso somente para leitura: permite consultar informações financeiras sem executar transações.
Controle de permissões: limita o que os agentes podem fazer nas contas dos clientes.
Monitoramento de atividades: ajuda a identificar comportamentos que não correspondem às instruções recebidas.
Planos de contingência: preparam os bancos para proteger contas e restabelecer o acesso dos clientes em caso de incidentes.
Segundo o relatório, a maioria dos bancos já permite ou está caminhando para oferecer acesso somente para leitura. O modelo também é utilizado por aplicativos de terceiros, como o Quicken, que ajuda a organizar orçamentos e outras atividades financeiras.
Com acesso livre, ferramentas de IA poderiam movimentar saldos, fazer compras ou contatar centrais de atendimento. – Imagem: Ksw Photographer/Shutterstock
O desafio de conciliar automação e segurança
As instituições reconhecem que os consumidores devem querer usar agentes de IA para realizar tarefas financeiras. Impedir completamente esse acesso, portanto, pode não ser uma solução definitiva. O objetivo é encontrar uma forma de permitir a consulta de dados e o uso dessas ferramentas sem expor os clientes a operações indesejadas.
Os bancos estão investindo em prevenção e preparando respostas para possíveis incidentes. Segundo fontes ouvidas pela Axios, os planos incluem medidas para proteger contas e recuperar rapidamente o acesso dos usuários.
A velocidade de evolução da inteligência artificial torna esse trabalho mais difícil. Novas vulnerabilidades podem surgir em tempo real, exigindo que as instituições adaptem suas defesas enquanto tentam acompanhar a expansão dessas ferramentas.