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OpenAI amplia restrições do ChatGPT sobre armas e violência para crianças e adolescentes

A OpenAI anunciou restrições para respostas do ChatGPT sobre armas de fogo e violência. As mudanças incluem limites adicionais para adolescentes, alterações nas respostas sobre ataques em massa e mecanismos para identificar conversas que possam indicar risco real de violência.

As medidas foram apresentadas pela empresa na sexta-feira (30), como parte de uma revisão de seus procedimentos de segurança. Além de restringir determinados conteúdos, a OpenAI pretende aprimorar a análise do contexto das conversas e ampliar a comunicação de situações consideradas ameaçadoras às autoridades. As mudanças abrangem todos os usuários, mas preveem proteções específicas para menores de 18 anos.

Uma das iniciativas anunciadas é a criação de um Relatório de Segurança da Comunidade, que deverá reunir informações sobre a identificação de ameaças, os procedimentos adotados diante de comportamentos preocupantes e a eficácia das medidas de prevenção. A primeira edição está prevista para o início de 2027 e apresentará dados referentes ao segundo semestre de 2026.

A OpenAI anunciou novas regras para o ChatGPT que restringem informações sobre armas e violência e ampliam o controle sobre conversas consideradas perigosas. – Crédito: Robalito/Shutterstock

A OpenAI informou ainda que realizou mais de 200 comunicações às autoridades policiais durante o terceiro trimestre de 2026. Os encaminhamentos ocorreram em casos avaliados como ameaças potencialmente graves. Para analisar situações complexas, a empresa afirma contar também com especialistas em saúde mental e comportamento, além de considerar a atuação de familiares e órgãos públicos.

Restrições também atingem usuários adultos

As mudanças não se limitam às contas de adolescentes. O ChatGPT passará a oferecer respostas menos detalhadas sobre ataques em massa que já aconteceram e sobre as pessoas responsáveis por esses episódios. A medida pretende evitar que informações disponíveis publicamente sejam reunidas de forma a facilitar a reprodução de atos violentos ou ampliar a notoriedade dos autores.

O sistema deverá restringir reconstruções detalhadas desses acontecimentos, incluindo informações sobre as armas e os equipamentos utilizados, como foram obtidos e comparações sobre a dimensão dos danos provocados. Segundo a OpenAI, esse tipo de conteúdo pode transformar os responsáveis pelos ataques em figuras de destaque e fornecer referências que favoreçam a imitação.

Isso não significa que os episódios deixarão de poder ser discutidos na plataforma. Os usuários ainda poderão pedir explicações sobre o que aconteceu, os impactos para vítimas e comunidades e os sinais que ajudam a reconhecer situações de risco. A restrição será direcionada principalmente a detalhes operacionais que possam contribuir para o planejamento ou a execução de novos ataques.

A OpenAI amplia as restrições do ChatGPT sobre armas e violência, com monitoramento de conversas, interrupções automáticas e suspensões temporárias.
A OpenAI amplia as restrições do ChatGPT sobre armas e violência, com monitoramento de conversas, interrupções automáticas e suspensões temporárias. – Crédito: Imagem gerada por IA

ChatGPT poderá interromper conversas

Outra mudança envolve a análise do contexto das interações. Uma pergunta que parece comum quando considerada isoladamente pode adquirir outro significado depois de mensagens anteriores com sinais de intenção violenta. Por isso, a empresa pretende aprimorar os mecanismos que levam em conta conversas recentes para decidir quando limitar informações que poderiam ser usadas de maneira prejudicial.

Se o sistema identificar sinais de que uma pessoa está obcecada por violência ou pela ideia de ferir gravemente alguém, poderá encerrar automaticamente a conversa. A medida busca interromper interações consideradas preocupantes. Caso ocorram vários encerramentos pelo mesmo motivo, a conta poderá ser temporariamente suspensa, segundo as regras anunciadas pela empresa.

Adolescentes terão limites adicionais sobre armas

Para usuários menores de 18 anos, as restrições serão mais abrangentes. Mesmo quando uma pergunta sobre armas parecer inofensiva e não apresentar sinais evidentes de intenção violenta, o ChatGPT deverá limitar o acesso a determinadas informações práticas que possam ser utilizadas indevidamente. A mudança amplia as proteções já existentes para essa faixa etária.

As regras anteriores já proibiam fornecer orientações para planejar ou executar atos violentos e restringiam a ajuda a adolescentes na procura ou obtenção de armas. Agora, também deverão ser limitadas informações práticas sobre armamentos e sistemas de segurança que possam facilitar a violência, ainda que a conversa não indique uma intenção explícita de causar danos.

Os adolescentes continuarão podendo usar o ChatGPT para buscar informações sobre prevenção da violência, pedir apoio e encontrar maneiras de se conectar com um adulto de confiança. A distinção, segundo a empresa, é entre conteúdos que ajudam a compreender ou evitar situações perigosas e orientações práticas que possam ser aproveitadas para facilitar ações violentas.

Para aplicar essas proteções, a OpenAI utiliza um sistema de previsão de idade que considera diferentes sinais, entre eles padrões de comportamento durante o uso da plataforma. A empresa afirma ter aprimorado a ferramenta para avaliar continuamente novos sinais e direcionar usuários que possam ter menos de 18 anos à experiência com proteções específicas.

Se um adulto for classificado incorretamente como adolescente, poderá confirmar que tem mais de 18 anos por meio da Persona, empresa parceira responsável pela verificação de idade. Após a confirmação, será possível retirar as proteções adicionais destinadas a menores.

Adolescentes terão restrições adicionais sobre armas, verificação de idade e alertas aos responsáveis em situações preocupantes.
Adolescentes terão restrições adicionais sobre armas, verificação de idade e alertas aos responsáveis em situações preocupantes. – Crédito: Imagem gerada por IA

Controles parentais também serão ampliados

As mudanças também envolvem os controles parentais, que permitem vincular a conta de um responsável à de um adolescente e administrar determinadas configurações de segurança. Nas contas conectadas, a OpenAI já prevê alertas quando revisores treinados identificam preocupações graves relacionadas à automutilação ou a comportamentos que podem estar associados a transtornos alimentares.

Em julho de 2026, a empresa ampliou esses avisos para incluir situações em que a conta de um adolescente é desativada por violar as políticas sobre violência. Agora, pretende implementar notificações aos responsáveis quando uma conta for temporariamente suspensa após conversas repetidas sobre esse tema.

As novas proteções começarão a ser implementadas nas próximas semanas, segundo a OpenAI. A empresa afirma que continuará ajustando os sistemas para reconhecer sinais de alerta e decidir quando limitar respostas ou interromper conversas. O comunicado ressalta que a violência tem causas complexas e que as ferramentas digitais devem atuar em conjunto com familiares, profissionais e autoridades.

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Papa Leão XIV defende o desarmamento de sistemas de IA

O papa Leão XIV defendeu que sistemas de inteligência artificial sejam “desarmados” e pediu que decisões sobre a vida humana permaneçam sob supervisão de pessoas. O pontífice também incentivou países membros da ONU a avançar na proibição de armas autônomas letais.

Durante um encontro sobre IA, o líder da Igreja Católica alertou para os riscos de delegar decisões humanas a máquinas e defendeu regras internacionais para orientar o desenvolvimento da tecnologia.

O papa citou listas de alvos militares e bancos de dados de controle de fronteiras como exemplos de decisões que exigem supervisão humana. – Imagem: gerada por IA

Máquinas são ferramentas, não pessoas

Em discurso aos participantes do encontro “O futuro da IA: um diálogo entre o Vaticano e o mundo científico sobre os avanços e as aplicações das tecnologias inteligentes”, Leão XIV apresentou cinco princípios para orientar o desenvolvimento da inteligência artificial. A reunião foi organizada pela Pontifícia Academia para a Vida e pelo Future of Life Institute.

O pontífice afirmou que o futuro da tecnologia depende das escolhas humanas. Por isso, cabe às pessoas orientar, modificar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações.

Essa responsabilidade, segundo ele, não pode ser transferida às próprias máquinas. Leão XIV criticou a possibilidade de conceder direitos ou personalidade jurídica a sistemas de IA. Eles não têm experiências, corpo, sentimentos ou relacionamentos e não compreendem conceitos como amor, trabalho e responsabilidade. Atribuir-lhes status jurídico, alertou, pode ocultar a responsabilidade humana e deixar as vítimas de eventuais danos diante de uma entidade sem rosto.

A posição está alinhada aos princípios apresentados em sua encíclica Magnifica Humanitas, dedicada à proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial.

Papa pede proibição de armas autônomas letais

A defesa da supervisão humana ganha especial importância quando a IA é utilizada em decisões que afetam diretamente a vida e a liberdade das pessoas. Leão XIV citou como exemplos a inclusão de indivíduos em listas de alvos militares ou em bancos de dados de controle de fronteiras, situações em que podem ser reduzidos a simples pontos de informação.

“Decisões que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força devem permanecer sempre sujeitas a uma supervisão humana eficaz, informada e responsável”, afirmou.

Com base nesse entendimento, o papa incentivou os países que se reunirão em Genebra, em novembro, a tomar medidas concretas para proibir armas autônomas letais.

A preocupação também marcou o discurso de seu antecessor, Francisco, durante o encontro do G7 em 2024. Na ocasião, ele classificou a inteligência artificial como uma ferramenta empolgante e assustadora e afirmou que nenhuma máquina deveria ter o poder de decidir tirar a vida de uma pessoa.

Leão XIV também relacionou sua escolha do nome papal à necessidade de enfrentar os avanços tecnológicos. A referência é ao papa Leão XIII, cujo pontificado ocorreu em um período marcado pela Revolução Industrial.

Papa Leão XIV
A postura de Leão XIV reforça as declarações feitas pelo Papa Francisco ao G7 em 2024 sobre os perigos da autonomia das máquinas. – Imagem: Marco Iacobucci Epp/Shutterstock

Tecnologia deve servir ao bem comum

Outro princípio defendido por Leão XIV é que a inteligência artificial esteja a serviço da sociedade, em vez de atender apenas aos interesses de grupos privilegiados. O desenvolvimento dessas tecnologias, segundo ele, deve favorecer a solidariedade e permitir que os benefícios do progresso sejam compartilhados de maneira mais ampla.

O pontífice também chamou a atenção para a necessidade de instituições capazes de transformar princípios éticos em medidas concretas. Para isso, defendeu três mecanismos fundamentais:

  • Padrões compartilhados internacionalmente para orientar o desenvolvimento da IA;
  • Supervisão independente das tecnologias e de suas aplicações;
  • Mecanismos de responsabilização, contestação de decisões e reparação por danos.

Leão XIV encerrou o discurso agradecendo aos participantes pelas contribuições ao debate e incentivando a continuidade da cooperação internacional em torno do desenvolvimento responsável da inteligência artificial.

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