istock 2286399436 1024x724

A “virada” da IA na África mostra novo duelo entre China e EUA

Quando Ernest Mwebaze começou a criar uma ferramenta de inteligência artificial para lidar com os diferentes idiomas de Uganda, ele colocou modelos americanos e chineses à prova. O resultado surpreendeu: a tecnologia chinesa funcionou melhor para o projeto.

Segundo o The New York Times, casos como esse mostram como desenvolvedores africanos estão recorrendo a sistemas chineses por causa do custo reduzido, da possibilidade de personalização e do acesso aberto.

A inteligência artificial chinesa virou escolha de muitos desenvolvedores africanos por ser flexível e mais acessível. – Imagem: justhavealook/iStock

Desenvolvedores escolhem ferramentas que cabem no orçamento

Mwebaze, ex-pesquisador do Google, criou o Sunflower, um sistema usado por agricultores de Uganda para receber informações sobre clima e cultivo em idiomas locais. Segundo ele, o modelo da Alibaba apresentou desempenho superior ao de alternativas da Meta e do Google para essa tarefa.

“Queremos construir coisas da forma mais barata possível, mas que funcionem muito bem”, afirmou Mwebaze.

O movimento não acontece apenas em Uganda. No Quênia, empreendedores usam modelos chineses para melhorar serviços jurídicos e empresariais. Na Nigéria, desenvolvedores criam ferramentas educacionais, enquanto no Gana surgem novos chatbots adaptados às demandas locais.

Código aberto muda a escolha dos desenvolvedores

Um dos principais atrativos dessas ferramentas é o código aberto. Diferentemente de modelos fechados, que exigem pagamentos e dependem das regras das empresas que os criaram, esses sistemas podem ser baixados e modificados pelos próprios usuários.

Entre os motivos que explicam essa preferência estão:

  • Menor custo para desenvolver aplicações;
  • Possibilidade de adaptar os modelos com dados próprios;
  • Uso em projetos com poucos recursos;
  • Maior controle sobre a tecnologia utilizada.

Para muitos desenvolvedores africanos, a questão não é usar o modelo mais avançado do mercado, mas encontrar uma ferramenta capaz de resolver o problema necessário.

Por que usar uma Ferrari cara para levar as crianças à escola quando um Toyota hatchback pode fazer a mesma coisa?

Moses Kemibaro, empreendedor, ao The New York Times.

Logo da Alibaba com pessoas passando em frente
Sistemas de código aberto, como o Qwen, oferecido pela Alibaba, são o diferencial: modelos chineses permitem baixar, modificar e criar novas soluções com mais liberdade. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

África vira palco da disputa entre China e EUA

A presença chinesa no setor de tecnologia africano começou antes da inteligência artificial. Empresas do país já participaram da expansão de redes de telecomunicações no continente, criando uma base para oferecer novas soluções.

Leia mais:

Mesmo assim, empresas africanas continuam usando ferramentas americanas em algumas situações. Sistemas como os da OpenAI e Anthropic ainda são procurados para tarefas técnicas que exigem maior precisão.

A escolha também envolve questões políticas. Após problemas com respostas do chatbot Sunflower sobre a China, Mwebaze passou a buscar alternativas para evitar uma dependência excessiva de um único fornecedor.

“Precisamos garantir que não estamos do lado errado da geopolítica”, afirmou.

A experiência africana mostra que a corrida pela inteligência artificial não depende apenas de quem cria os modelos mais avançados. Cada vez mais, custo, liberdade de uso e capacidade de adaptação estão influenciando quais tecnologias chegam aos usuários.

O post A “virada” da IA na África mostra novo duelo entre China e EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *