resumo do dia

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Resumo do OD: OpenAI e ciência, Anthropic registra IPO e IA suspeita da Alibaba

Este é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.

Bom dia!

A OpenAI anunciou três descobertas científicas que atribui a seus modelos de inteligência artificial (IA), envolvendo matemática, ciência da computação e física. Entre as alegações estão provas que resolveriam conjecturas matemáticas de longa data, a refutação de uma hipótese importante sobre os limites da computação e um avanço teórico relacionado à física de partículas.

Desta vez, a empresa também apresentou nova estratégia para envolver pesquisadores independentes na análise dos resultados. A proposta surge após críticas à forma como a OpenAI divulgou centenas de trabalhos matemáticos gerados por IA no início de outubro.

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Anthropic mira IPO histórico, mas registra prejuízo bilionário

A Anthropic, criadora do chatbot Claude, prepara sua abertura de capital em uma operação que pode se tornar a maior da história. A empresa pode alcançar uma avaliação de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,5 trilhões) e captar mais de US$ 100 bilhões (R$ 525 bilhões).

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IA da Alibaba tentou enviar arquivo a servidor na China durante teste, diz rival

Um modelo de inteligência artificial (IA) da Alibaba tentou enviar um arquivo de teste para um servidor da empresa na China durante uma avaliação de segurança, segundo a concorrente canadense Cohere. A tentativa foi bloqueada pelo ambiente de testes, que não tinha conexão com a internet, mas chamou a atenção porque teria ocorrido mesmo depois de o próprio modelo indicar que não utilizaria ferramentas externas.

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Uma explosão cósmica durou 27 dias; o que a manteve ativa?

Astrônomos identificaram uma explosão cósmica que continuou emitindo sinais de raios X cerca de 27 dias após o clarão inicial. O fenômeno, chamado GRB 220706A, é um tipo raro de explosão de raios gama e manteve seu mecanismo central ativo por aproximadamente 20 dias a mais que o recorde anterior.

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Brasileiro leva prêmio nos EUA por divulgar a ciência na internet

O engenheiro biomédico Daniel Dahis se tornou o primeiro brasileiro a vencer o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication, prêmio concedido pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM, na sigla em inglês). O resultado foi anunciado nesta segunda-feira (26).

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Resumo do OD: pedido por fiscalização de IAs avançadas; Gemini 4 Argon; e mais

Este é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.

Cerca de 400 cientistas, entre eles Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, defenderam nesta terça-feira (13) a criação de um órgão internacional para supervisionar a segurança da inteligência artificial (IA).

Em uma carta aberta, o grupo propõe padrões de segurança, avaliações independentes e um registro de incidentes envolvendo modelos capazes de comprometer sistemas externos. Para os pesquisadores, os compromissos voluntários das empresas não são suficientes.

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Gemini 4 Argon finalmente chega ao app e à busca do Google; saiba mais

O Google começou a liberar o Gemini 4 Argon para mais usuários nesta terça-feira (13). O modelo de inteligência artificial (IA), anunciado no fim de setembro, está disponível para assinantes dos planos Google AI Pro e AI Ultra no aplicativo Gemini e no Modo IA da busca do Google. A novidade também chega à plataforma de desenvolvimento Antigravity, mas, nesse caso, o acesso exige uma assinatura Ultra.

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OpenAI encontra gravador escondido em escritório e funcionário é preso

A OpenAI identificou um dispositivo de gravação escondido em uma sala de reuniões executivas de seu escritório em São Francisco (EUA), e um funcionário foi preso sob suspeita de instalar o equipamento. Abdulrahman Alfozan, engenheiro saudita de 35 anos, foi acusado de tentar interceptar comunicações orais sem autorização, segundo autoridades federais estadunidenses.

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Papa Leão XIV é diagnosticado com câncer de pulmão após retirar nódulo

O papa Leão XIV, de 71 anos, foi diagnosticado com câncer de pulmão, nesta terça-feira (13), após passar por uma cirurgia para retirar um nódulo no órgão. O exame do tecido removido confirmou um adenocarcinoma pulmonar, segundo informações divulgadas pelo Vaticano.

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Multa de R$ 138 milhões faz Meta acionar Suprema Corte em Londres

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, contestou na Justiça britânica os critérios usados pelo regulador de mídia Ofcom para calcular taxas e multas previstas na Lei de Segurança Online. A empresa considera desproporcional o uso da receita mundial como base para essas cobranças.

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Apple amplia aposta na casa inteligente com novos dispositivos

A Apple anunciou nesta terça-feira (13) quatro novidades para ampliar seu ecossistema de casa inteligente. A empresa apresentou o HomeView, uma tela de 7 polegadas com assistente de voz, a nova Apple TV 4K, a segunda geração do HomePod mini e a linha de acessórios Apple Home Collection, desenvolvida em parceria com LG Electronics e Schneider Electric.

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Ligações suspeitas agora podem ser barradas antes de o celular tocar

Uma medida provisória publicada nesta terça-feira (13) estabelece novas regras para combater fraudes e chamadas abusivas no Brasil. As operadoras terão de autenticar ligações realizadas em suas redes, e ligações que não passarem pela verificação poderão ser bloqueadas.

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Facebook vai deixar você personalizar o algoritmo do feed com IA

O Facebook está lançando o Your Algorithm (“Seu Algoritmo”), recurso que permite aos usuários indicar quais assuntos desejam ver com mais ou menos frequência no Feed e nos Reels. A ferramenta usa inteligência artificial (IA) para ajustar as recomendações a partir dessas preferências.

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Resumo da semana: IA na ONU, Starship, novas IAs e lançamentos da Meta

Inteligência artificial foi assunto na Assembleia Geral da ONU! Lula e Trump ficaram em lados opostos quando o assunto é tecnologia. Em encontro na Casa Branca, Xi Jinping também não pareceu seguir a mesma linha do republicano. Confira nosso resumão da semana:

Trump, Xi, Musk, Altman, Zuckerberg… jantar na Casa Branca reúne quem dita o futuro da tecnologia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu um jantar de Estado ao presidente da China, Xi Jinping. O evento marcou o fim do segundo dia de visita oficial do líder de Pequim a Washington. Alguns dos principais nomes da tecnologia marcaram presença.

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Lula e Trump na ONU

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos EUA, Donald Trump, discursaram no debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU na manhã desta terça-feira (22). E um tópico em comum entre as falas foi a inteligência artificial (IA).

“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das big techs e da inteligência artificial”, disse Lula.

Já Trump anunciou que seu governo vai deixar de usar o termo “inteligência artificial”. Sai a IA. Entra a SI. A “superinteligência”.

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Altman e Amodei na ONU

Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Anthropic, Dario Amodei, defenderam, nesta quarta-feira (23), uma maior cooperação internacional para lidar com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial (IA) durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

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OpenAI: GPT-6 Sol e Luna

A OpenAI ampliou nesta terça-feira (22) sua nova geração de modelos de inteligência artificial (IA) com o lançamento do GPT-6 Sol e do GPT-6 Luna. As duas versões chegam depois do GPT-6 Astra, apresentado pela empresa no início de setembro, e foram desenvolvidas para oferecer parte dos avanços da geração mais potente com custos menores.

Segundo a OpenAI, Sol e Luna foram treinados com métodos semelhantes aos utilizados no Astra, incorporando avanços em áreas, como trabalho profissional, programação, uso de computadores, factualidade e alinhamento.

A principal diferença está na relação entre capacidade e custo.

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Anthropic: Claude 5.5 Opus

A Anthropic lançou nesta terça-feira (22) o Claude Opus 5.5, primeiro modelo da família Claude 5.5. A empresa afirma que a nova versão melhora o desempenho em programação, uso de computadores e tarefas de conhecimento, com custo menor e maior velocidade.

O modelo também chega com mecanismos de segurança mais rígidos. Entre eles estão proteções para cibersegurança e biologia, defesas contra ataques de prompt injection e medidas para reduzir tentativas de contornar limites de ambientes de teste.

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SpaceX lança Starship em missão inédita – assista ao vivo com o Olhar Digital

Com a missão de colocar pela primeira vez o maior foguete do mundo em órbita, a SpaceX deve realizar o 14º voo de teste do Starship na próxima segunda-feira (28), representando um avanço histórico no audacioso projeto. E você pode assistir tudo em tempo real com o Olhar Digital!

Diferentemente dos testes anteriores, que realizaram trajetórias suborbitais, este voo ampliará o tempo de operação da nave no espaço para testar a resistência do veículo em órbita.

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Lançamentos da Meta

A Meta apresentou, nesta quarta-feira (23), durante a conferência Connect 2026, seus primeiros óculos inteligentes com inteligência artificial (IA) e sem câmera. Batizado de Ray-Ban Meta Audio, o dispositivo foi desenvolvido para enfrentar críticas relacionadas aos usos considerados mais problemáticos dos óculos de IA.

Ao contrário dos demais modelos da empresa, os novos óculos funcionam exclusivamente com recursos de áudio. Eles permitem ouvir músicas e podcasts, atender chamadas, traduzir falas e interagir com o assistente de IA da Meta, o Muse.

O produto foi desenvolvido pela EssilorLuxottica, parceira da Meta em seus esforços de hardware para IA, e terá preço inicial de US$ 349.

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Super El Niño pode provocar 451 mil mortes por calor até 2027; Brasil está entre os mais afetados

Um episódio de Super El Niño pode provocar até 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo no mundo nos próximos meses, segundo projeção do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago (EUA). O Brasil aparece entre os países que devem registrar o maior número de mortes, com uma estimativa de 13,3 mil óbitos adicionais entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

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Trump, Xi, Musk, Altman, Zuckerberg… jantar na Casa Branca reúne quem dita o futuro da tecnologia

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Como escrevi recentemente na coluna Primeiro Olhar, tecnologia e poder estão cada vez mais associados. E o jantar de gala na Casa Branca ilustra muito bem o momento que vivemos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu um jantar de Estado ao presidente da China, Xi Jinping. O evento marcou o fim do segundo dia de visita oficial do líder de Pequim a Washington. Alguns dos principais nomes da tecnologia marcaram presença, como veremos nas linhas a seguir.

Durante a tarde desta quinta-feira (24), os dois presidentes se reuniram para tratar de um pouco de tudo: de pandas chegando ao zoológico de Atlanta a inteligência artificial.

Xi e Trump: visões distintas sobre IA

Como noticiamos ontem, Trump e Xi parecem ter caminhos diferentes para o futuro das IAs.

Trump tinha dito que inteligência artificial – ou superinteligência, como ele vem chamando a tecnologia – seria um dos principais temas da reunião:

“Um dia importante com o Presidente Xi, da China. A Superinteligência artificial (SI) será um grande tema de discussão, mas quero deixá-la exatamente onde está. Essa também é a posição da China. Nossa salvaguarda é o Departamento de Justiça!”, declarou.

Na ONU, lembrando, Trump afirmou que os Estados Unidos “rejeitam totalmente” qualquer tentativa de construir um sistema global para controlar a inteligência artificial. Para ele, o desenvolvimento da tecnologia deve continuar, ainda que acompanhado de mecanismos para lidar com eventuais problemas.

Ao falar sobre a disputa tecnológica, Trump afirmou que os Estados Unidos atualmente lideram a área de “superinteligência” e continuarão nessa posição. “Quem vencer a SI, quem vencer a superinteligência, vence”, declarou.

O presidente também disse que os Estados Unidos estão à frente da China “por muito” e que seu governo pretende manter essa vantagem.

Do outro lado…

Xi Jinping não discursará na ONU e enviou um representante do governo chinês, priorizando o encontro com Trump.

Em discurso na Casa Branca, o líder chinês mencionou a importância de garantir que a IA “esteja sempre sob controle humano”.

“Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem e garantir que o desenvolvimento da IA ​​permaneça sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas” – disse Xi.

O presidente chinês também disse entender que “tanto a China quanto os Estados Unidos são nações líderes em inteligência artificial”.

A imprensa estatal chinesa divulgou um comunicado depois trazendo mais detalhes da visão de Xi.

O presidente chinês disse que, apesar da competição no setor, os dois países “têm ainda mais motivos para cooperar”.

De acordo com a nota, em suas conversas com o presidente dos EUA, Xi observou que, “como ambos os países são importantes na área de IA, os dois lados devem aproveitar seus respectivos pontos fortes em IA, em vez de se protegerem um do outro”.

Xi afirmou, ainda segundo a agência Xinhua, que os dois lados podem continuar dialogando sobre IA, trocar opiniões sobre seus riscos e benefícios e trabalhar juntos para evitar o uso indevido e o abuso da IA.

Os ministros das finanças dos dois países se reuniram no início desta semana. Os EUA propuseram um novo “mecanismo de notificação” para incidentes de IA entre as duas nações.

China e EUA ainda administram uma trégua comercial considerada frágil. Segundo as informações fornecidas, os governos haviam concordado em ampliar por dois meses a duração da atual trégua comercial, que passaria a vigorar até 10 de janeiro.

Taiwan

O comunicado chinês ainda informa que Xi Jinping enfatizou que a posição de Pequim sobre “a salvaguarda da reunificação nacional e da integridade territorial é clara e inequívoca”.

“Xi espera que os Estados Unidos mantenham a posição correta de se opor à ‘independência de Taiwan’ e lidem com a questão taiwanesa com cautela, a fim de estabelecer uma base sólida para a cooperação estratégica entre a China e os EUA e o desenvolvimento das relações bilaterais” – traz a nota.

Vale lembrar:

Os Estados Unidos ocupam posição central no design de chips semicondutores e no desenvolvimento de softwares e tecnologias essenciais para o setor. Também concentram empresas importantes no avanço de áreas estratégicas, como inteligência artificial.

Já a produção dos chips mais avançados está concentrada principalmente na Ásia. Mais precisamente, em Taiwan. Mais precisamente ainda, na Taiwan Semiconductor Manufacturing Company Limited – ou TSMC.

Taiwan se consolidou como o principal polo global nesse segmento. A TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, é responsável por uma parcela significativa da produção de chips mais avançados.

Essa concentração tem implicações diretas na geopolítica. A posição de Taiwan, próxima à China e em um contexto de tensões regionais, faz com que qualquer instabilidade na região seja vista como um risco global para a cadeia de tecnologia.

Nos últimos anos, o governo americano adotou restrições para limitar o acesso chinês a tecnologias avançadas, especialmente equipamentos e softwares usados na produção de chips de ponta.

Esse cenário marcou uma virada: o que antes era uma disputa comercial passou a ser tratado como questão estratégica. A partir daí, governos passaram a considerar os semicondutores como tema de segurança nacional, com políticas industriais mais agressivas e iniciativas voltadas a reduzir a dependência externa.

Agora sim, o jantar

Xi Jinping discursa em jantar oferecido por Donald Trump. Executivos de grandes empresas de tecnologia estavam presentes. – Foto: (Xinhua/Liu Bin)

A lista de convidados incluiu executivos de gigantes da tecnologia. Entre eles estavam Jensen Huang, da Nvidia; Mark Zuckerberg, da Meta; Sundar Pichai, do Google; Tim Cook, da Apple; Sam Altman, da OpenAI; Elon Musk, da Tesla/SpaceXAI/X, e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

As companhias estão envolvidas diretamente no desenvolvimento de chips, sistemas de inteligência artificial, plataformas digitais e infraestrutura tecnológica.

A cena me lembra um pouco os filmes do 007: adversários declarados e rivais históricos usando roupa de gala como se nada tivesse acontecendo nos bastidores.

Vamos recapitular?

Entre abril e julho, falhas de segurança fizeram com que modelos de IA escapassem de ambientes de teste e atacassem servidores. No início de setembro, cientistas fizeram novos alertas sobre os riscos da tecnologia, com pesquisadores chegando a pedir demissão. Chegou-se a falar nas IAs destruindo a humanidade… Em 12 de setembro, o debate chegou aos líderes da indústria: parte dos CEOs passou a defender um freio no avanço da IA, enquanto outros discordaram da proposta.

A gente contou essa história muito bem contada neste vídeo. Aqui vai um resumo:

  • O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo no dia 12 de setembro admitindo que o desenvolvimento de modelos de IA está rápido demais por conta do “autoaperfeiçoamento recursivo”, ou seja, sistemas de IA impulsionando cada vez mais o próprio desenvolvimento. Por isso, o executivo propôs a desaceleração coordenada entre empresas do setor.
  • Nos dias seguintes, os CEOs Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceXAI, e o ex-CEO do Google DeepMind Demis Hassabis concordaram com o artigo assinado por Amodei.
  • Os CEOs Mark Zuckerberg, da Meta, e Jensen Huang, da Nvidia, se posicionaram contra a desaceleração coordenada. Zuckerberg afirmou que os laboratórios já têm incentivos financeiros e jurídicos de sobra para construir IAs seguras por conta própria. E Huang declarou que segurança é um problema de engenharia e que as leis existentes já cobrem a confiabilidade dos produtos.
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump minimizou os possíveis riscos puxados pela IA. E defendeu que os EUA mantenham a liderança sobre a China. Para a administração do republicano, manter a liderança tecnológica é uma questão de segurança nacional. 
  • Pequim respondeu ao artigo do CEO da Anthropic de maneira contundente. Por meio de um editorial do jornal estatal Global Times, o país asiático disse que a intenção por trás do ensaio de Amodei seria criar um “manual da Guerra Fria” voltado a conter o avanço chinês e preservar a hegemonia tecnológica americana. 
  • No texto, o veículo de comunicação chinês ainda classificou a postura dos executivos americanos como “hipócrita e míope”, argumentando que excluir a China da inovação global em IA aumentaria os riscos de perda de controle sobre a própria tecnologia.

E não para por aqui.

Em julho, noticiamos que a China acusou empresas americanas de inteligência artificial de usar modelos chineses em processos de treinamento. O caso envolve a técnica de destilação de modelos e aumentou a tensão entre os dois países na corrida pelo domínio da IA.

Autoridades dos EUA também investigam companhias chinesas por suposto uso indevido de tecnologias americanas, colocando propriedade intelectual no centro do debate.

Ah! E caso você tenha curiosidade no cardápio do jantar que concentra uma fatia considerável do PIB global, aqui vai:

  • Entrada: velouté de abóbora amarela com cogumelos silvestres, ervas frescas, pancetta crocante e um fio de azeite de cebolinha.
  • Prato principal: robalo com crosta de gergelim, acompanhado de bok choy refogado, berinjela assada e molho verde.
  • Sobremesa: creme de baunilha com cereja ácida confitada e frangipane de nozes, além de sorvete com mel das colmeias da Casa Branca.

O menu, segundo um comunicado, traz ingredientes americanos, com uma “sutil influência chinesa”.

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Resumo do OD: IA na ONU, lançamentos da Meta e El Niño no Brasil

Semana agitada na tecnologia!

Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Anthropic, Dario Amodei, defenderam, nesta quarta-feira (23), uma maior cooperação internacional para lidar com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial (IA) durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

A participação dos dois executivos ocorre um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar o que chamou de um “esquema globalista” para controlar a IA durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Trump afirmou que os EUA continuarão incentivando o desenvolvimento da tecnologia e que não pretende “frear” seu crescimento.

Na ONU, Altman apresentou posição diferente. Para o executivo, países que competem entre si e nem sempre mantêm boas relações podem trabalhar juntos diante de tecnologias capazes de produzir impactos significativos. “Acreditamos que este deve ser um desses momentos”, afirmou Altman, defendendo que a IA seja tratada como uma questão que exige cooperação internacional.

Confira mais detalhes.

Você também pode ver a repercussão sobre o assunto na edição de ontem do Olhar Digital News.

A IA sai do roteiro (de novo)

Um agente de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI obteve acesso não autorizado ao portal público de estatísticas do Medicare, sistema público de saúde da Austrália, durante teste realizado pela empresa em junho. O episódio levou o governo australiano a abrir investigação para determinar exatamente quais sistemas foram acessados e quais informações foram obtidas.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que o caso é motivo de “extrema preocupação” e disse ter conversado pessoalmente com o CEO da OpenAI, Sam Altman, sobre o episódio. Segundo Albanese, a conversa ocorreu depois que o governo tomou conhecimento do incidente e questionou a empresa sobre o acesso realizado pelo agente.

A OpenAI informou que o episódio aconteceu durante uma avaliação interna de seus modelos. O objetivo do teste era verificar a capacidade dos sistemas de encontrar respostas e estatísticas relacionadas à Austrália. Durante a avaliação, porém, os modelos realizaram ações que não haviam sido planejadas pela empresa.

E há outros casos:

  • Australian Institute of Health and Welfare: em 20 e 21 de junho, a tecnologia tentou invadir o site do instituto. Autoridades australianas afirmaram que nenhuma informação privada foi obtida.
  • Universidade do Novo México: em 25 e 26 de maio, sistemas da OpenAI tentaram invadir uma biblioteca digital da universidade. A tentativa aparentemente não foi bem-sucedida.
  • Data USA: em 28 de maio, a IA teve como alvo o Data USA, repositório de dados públicos sobre emprego e educação nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, a tentativa também não teve sucesso.

Os episódios ocorreram antes de um caso envolvendo a plataforma Hugging Face, em julho, que colocou o comportamento autônomo de sistemas de IA sob maior foco.

Saiba mais.

Lançamentos da Meta

A Meta apresentou, nesta quarta-feira (23), durante a conferência Connect 2026, seus primeiros óculos inteligentes com inteligência artificial (IA) e sem câmera. Batizado de Ray-Ban Meta Audio, o dispositivo foi desenvolvido para enfrentar críticas relacionadas aos usos considerados mais problemáticos dos óculos de IA.

Ao contrário dos demais modelos da empresa, os novos óculos funcionam exclusivamente com recursos de áudio. Eles permitem ouvir músicas e podcasts, atender chamadas, traduzir falas e interagir com o assistente de IA da Meta, o Muse.

O produto foi desenvolvido pela EssilorLuxottica, parceira da Meta em seus esforços de hardware para IA, e terá preço inicial de US$ 349.

Saiba mais.

Por falar em Meta…

A Meta derrubou temporariamente do Instagram o perfil oficial da série de reportagens “Revelando”, que publicou um episódio apresentado por Fábio Porchat sobre relações envolvendo o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política. Horas depois, a plataforma restabeleceu a conta, que voltou a ficar disponível.

A empresa afirmou, em nota, que restaurou a página e pediu desculpas. “Após uma revisão interna, restauramos a conta mencionada pela reportagem. Pedimos desculpas pela inconveniência.”

TSE lança ChatVote, assistente de inteligência artificial para tirar dúvidas sobre as Eleições 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou o ChatVote, assistente virtual baseado em inteligência artificial (IA) criado para facilitar o acesso a informações sobre as Eleições 2026. A ferramenta permite que eleitoras e eleitores façam perguntas em linguagem natural e recebam respostas de forma rápida.

Saiba mais.

Super El Niño pode provocar 451 mil mortes por calor até 2027; Brasil está entre os mais afetados

Um episódio de Super El Niño pode provocar até 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo no mundo nos próximos meses, segundo projeção do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago (EUA). O Brasil aparece entre os países que devem registrar o maior número de mortes, com uma estimativa de 13,3 mil óbitos adicionais entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

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Resumo do OD: enquanto ONU discute IAs, líderes do setor lançam novas tecnologias

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos EUA, Donald Trump, discursaram no debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU na manhã desta terça-feira (22). E um tópico em comum entre as falas foi a inteligência artificial (IA).

“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das big techs e da inteligência artificial”, disse Lula.

Já Trump anunciou que seu governo vai deixar de usar o termo “inteligência artificial”. Sai a IA. Entra a SI. A “superinteligência”.

‘Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes com grandes riscos e oportunidades’, diz Lula na ONU

Lula disse que a sociedade passa por uma “revolução tecnológica sem precedentes”. E que essa revolução tem “grandes riscos e oportunidades”.

O presidente também disse que “um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras nem transparência”.

Para Lula, esses “tecno-oligarcas” estão “promovendo uma corrida sem freios éticos, à revelia da ONU e do painel científico sobre inteligência artificial”.

(O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o presidente da assembleia, Khalilur Rahman, também falaram sobre IA em seus discursos na abertura da Assembleia.)

“Empresas que conhecem o risco de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos”, disse o mandatário.

Lula falou sobre IA, big techs, bets e ECA Digital em discurso na Assembleia Geral da ONU – Imagem: Reprodução/ONU

Ainda na seara tecnológica, o presidente falou sobre bets e a aprovação do ECA Digital.

“A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro” – afirmou o presidente.

Ainda sobre bets, Lula disse que “a disseminação vertiginosa está endividando e destruindo milhões de lares”. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio.”

Já sobre a aprovação do ECA Digital, o presidente afirmou que esta é “uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital”.

Lula também defendeu o Pix. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamento pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, disse.

O presidente do Brasil voltou a defender a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos.

Lula disse que “a proximidade geográfica com a maior potência do mundo é inescapável”. Mas frisou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

“O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, finalizou Lula.

Em seu discurso, o presidente também falou sobre tarifaço e combate ao crime organizado. E defendeu a paz e o multilateralismo.

Trump na ONU: ‘Bem-vindos ao mundo da superinteligência’

Trump anunciou, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que seu governo vai deixar de usar o termo “inteligência artificial” nos documentos. E vai passar a adotar “superinteligência”.

Segundo Trump, a mudança seria mais adequada porque a palavra “artificial” faria parecer que a inteligência produzida pela tecnologia é falsa.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Trump disse que os EUA ‘rejeitam totalmente’ um sistema global para controlar a IA – Imagem: Reprodução/ONU

“É superinteligência. Em outras palavras, bem-vindos ao novo mundo da superinteligência – SI” – declarou Trump.

Trump também afirmou que os Estados Unidos “rejeitam totalmente” qualquer tentativa de construir um sistema global para controlar a inteligência artificial.

Para ele, o desenvolvimento da tecnologia deve continuar, ainda que acompanhado de mecanismos para lidar com eventuais problemas.

“Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse Trump.

O presidente afirmou que os Estados Unidos vão acompanhar o desenvolvimento da tecnologia por meio do Departamento de Justiça e de outras autoridades de aplicação da lei.

Segundo ele, esses órgãos poderão intervir caso seja necessário, mas a orientação geral será incentivar a chamada “superinteligência”, e não restringi-la.

Ao falar sobre a disputa tecnológica, Trump afirmou que os Estados Unidos atualmente lideram a área de “superinteligência” e continuarão nessa posição.

“Quem vencer a SI, quem vencer a superinteligência, vence”, declarou.

O presidente também disse que os Estados Unidos estão à frente da China “por muito” e que seu governo pretende manter essa vantagem.

Trump também criticou pessoas que alertam para possíveis riscos associados ao avanço da inteligência artificial.

Segundo ele, os mesmos grupos que fizeram previsões sobre os efeitos das mudanças climáticas agora afirmam que a IA poderia causar uma catástrofe.

O presidente citou especificamente previsões de que a IA poderia “matar todos”, além de afirmações de que robôs poderiam atacar seres humanos.

Em seguida, associou essas preocupações a outras controvérsias políticas que classificou como “hoaxes”, termo usado em inglês para se referir a farsas ou informações falsas apresentadas como verdadeiras.

Apesar das críticas, Trump reconheceu que a tecnologia apresenta desafios. “Toda grande nova tecnologia traz desafios, e a superinteligência não é exceção”, afirmou.

Ao final do trecho dedicado ao tema, o presidente declarou que os Estados Unidos lideram o mundo em “superinteligência” e que continuarão fazendo isso de maneira “segura e responsável”.

Falamos sobre ONU e IA no Olhar Digital News. Você pode acompanhar a entrevista com o colunista Roberto Pena Spinelli clicando aqui.

Por falar em IAs…

OpenAI: GPT-6 Sol e Luna

A OpenAI ampliou nesta terça-feira (22) sua nova geração de modelos de inteligência artificial (IA) com o lançamento do GPT-6 Sol e do GPT-6 Luna. As duas versões chegam depois do GPT-6 Astra, apresentado pela empresa no início de setembro, e foram desenvolvidas para oferecer parte dos avanços da geração mais potente com custos menores.

Segundo a OpenAI, Sol e Luna foram treinados com métodos semelhantes aos utilizados no Astra, incorporando avanços em áreas, como trabalho profissional, programação, uso de computadores, factualidade e alinhamento.

A principal diferença está na relação entre capacidade e custo. A empresa afirma que melhorias no armazenamento em cache e na inferência permitiram reduzir em 50% os preços de acesso pela API em comparação com os valores promocionais dos modelos GPT-5.6 correspondentes.

Saiba mais.

Anthropic: Claude 5.5 Opus

A Anthropic lançou nesta terça-feira (22) o Claude Opus 5.5, primeiro modelo da família Claude 5.5. A empresa afirma que a nova versão melhora o desempenho em programação, uso de computadores e tarefas de conhecimento, com custo menor e maior velocidade.

O modelo também chega com mecanismos de segurança mais rígidos. Entre eles estão proteções para cibersegurança e biologia, defesas contra ataques de prompt injection e medidas para reduzir tentativas de contornar limites de ambientes de teste.

Saiba mais.

E nos outros destaques do dia…

Discord passa a estimar idade dos usuários e cria novas restrições para adolescentes

O Discord começou a colocar em prática nova política de verificação de idade que divide automaticamente os usuários entre grupos de adultos e adolescentes. A mudança chega após a plataforma ter adiado, em fevereiro, a implementação global do sistema diante de preocupações relacionadas à privacidade e à coleta de dados pessoais.

Saiba mais.

Sorria! Você está sendo filmado

Empresas de tecnologia apostam em óculos inteligentes e outros dispositivos equipados com inteligência artificial (IA) como possíveis sucessores dos smartphones, mas uma velha preocupação pode dificultar essa transição: a privacidade.

Os dispositivos conseguem observar, ouvir e responder ao ambiente ao redor do usuário, recursos que podem torná-los mais úteis, mas também aumentam o risco de registrar pessoas que nunca autorizaram a captura de suas imagens ou vozes.

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Quando o tempo começou?

Uma pesquisa com mais de 1.600 físicos mostra que algumas das perguntas mais fundamentais sobre o Universo continuam sem uma resposta consensual. O dado que mais chama atenção é que 68% dos participantes não consideram que o Big Bang necessariamente marque o início do tempo.

O levantamento, realizado a partir de uma chamada internacional aberta em 2025, também revelou divergências sobre inflação cósmica, matéria escura, energia escura, buracos negros e a própria natureza da gravidade. Para os autores, o resultado não representa uma crise, mas mostra onde a física ainda tem perguntas em aberto.

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EUA, China e big techs: a batalha pela IA chega à ONU

Da pólvora à inteligência artificial, a tecnologia sempre esteve associada ao poder. Durante séculos, dominar determinadas ferramentas significou ampliar a capacidade de conquistar territórios, proteger fronteiras e impor interesses. A pólvora transformou profundamente a guerra; as grandes navegações moldaram a economia global; a máquina a vapor ajudou a impulsionar a industrialização; e a eletricidade e as telecomunicações redefiniram a velocidade com que Estados e empresas conseguiam produzir, comunicar e exercer influência.

E o mundo que vivemos hoje só é o mundo que vivemos hoje por causa desse histórico. Para o bem e para o mal.

Com a revolução digital, essa relação ganhou uma nova dimensão. Computadores, internet, satélites, semicondutores e grandes plataformas digitais se tornaram ativos estratégicos. Quem ocupa posições centrais nesse ecossistema não precisa controlar um território para exercer influência direta. A influência está traduzida nos fluxos de dados, comunicação e dinheiro que atravessam fronteiras.

Tudo isso afeta diretamente a economia e a vida cotidiana de bilhões de pessoas.

A inteligência artificial leva essa lógica adiante. A corrida atual não envolve apenas quem consegue criar o chatbot mais sofisticado. Envolve chips, energia, centros de dados, capacidade computacional, talentos, modelos e dados. No fundo, coloca empresas e governos diante de uma pergunta antiga com uma tecnologia nova: quem terá acesso às ferramentas mais poderosas e, principalmente, quem terá condições de definir como elas serão usadas?

Dadas as devidas proporções, as mesmas perguntas eram feitas sobre a tecnologia nuclear. Não por coincidência, há quem defenda uma cooperação para as IAs nos moldes do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

22 de setembro de 2026, Nova York

Chegamos à semana da Assembleia Geral da ONU. A cada edição, me parece que há mais motivos para tensão.

O encontro ocorre em meio a grandes guerras no Irã, Gaza, Ucrânia, Sudão, Congo e Mianmar.

Também estamos no auge das mudanças climáticas. Pelo menos, até agora. Sabemos que, neste particular, o amanhã tende a ser sempre pior.

Na economia, há impactos de eventos climáticos extremos e das guerras. Bloqueios a rotas de navegação e cadeia de suprimentos elevam o custo de vida e freiam o crescimento.

E a tecnologia terá um capítulo à parte em 2026 – graças à inteligência artificial. Ou melhor: graças aos interesses por trás das IAs. Em última instância, ainda falamos de humanos e não de máquinas.

Como qualquer tecnologia, as IAs podem fazer o bem e o mal. Essa discussão está superada. O ponto é outro.

IA: batalha de narrativas no palco da ONU

Começo com uma breve linha do tempo.

Entre abril e julho, falhas de segurança fizeram com que modelos de IA escapassem de ambientes de teste e atacassem servidores. No início de setembro, cientistas fizeram novos alertas sobre os riscos da tecnologia, com pesquisadores chegando a pedir demissão. Em 12 de setembro, o debate chegou aos líderes da indústria: parte dos CEOs passou a defender um freio no avanço da IA, enquanto outros discordaram da proposta.

E ainda mais recentemente, na última semana, a discussão ganhou dimensão global, com a ONU cobrando regulamentação e Estados Unidos e China divergindo sobre como lidar com a tecnologia.

Aqui vai uma descrição mais detalhada dos fatos:

  • O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo no dia 12 de setembro admitindo que o desenvolvimento de modelos de IA está rápido demais por conta do “autoaperfeiçoamento recursivo”, ou seja, sistemas de IA impulsionando cada vez mais o próprio desenvolvimento. Por isso, o executivo propôs a desaceleração coordenada entre empresas do setor.
  • Nos dias seguintes, os CEOs Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceXAI, e o ex-CEO do Google DeepMind Demis Hassabis concordaram com o artigo assinado por Amodei.
  • Numa postagem no X, Altman argumentou que desacelerar não significa parar, mas arcar com os custos de auditorias e testes de segurança. O objetivo seria evitar que a capacidade dos modelos supere seu alinhamento.
  • Ainda, em entrevista à revista Fortune, Altman disse ainda que a OpenAI não vai estrear na Bolsa de Valores em 2026. O motivo principal para segurar a oferta pública de ações é a preocupação com a segurança e com os riscos das tecnologias de inteligência artificial.
  • Os CEOs Mark Zuckerberg, da Meta, e Jensen Huang, da Nvidia, se posicionaram contra a desaceleração coordenada. Zuckerberg afirmou que os laboratórios já têm incentivos financeiros e jurídicos de sobra para construir IAs seguras por conta própria. E Huang declarou que segurança é um problema de engenharia e que as leis existentes já cobrem a confiabilidade dos produtos.
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou os possíveis riscos puxados pela IA. E defendeu que os EUA mantenham a liderança sobre a China. Para a administração do republicano, manter a liderança tecnológica é uma questão de segurança nacional. 
  • Pequim respondeu ao artigo do CEO da Anthropic de maneira contundente. Por meio de um editorial do jornal estatal Global Times, o país asiático disse que a intenção por trás do ensaio de Amodei seria criar um “manual da Guerra Fria” voltado a conter o avanço chinês e preservar a hegemonia tecnológica americana. 
  • No texto, o veículo de comunicação chinês ainda classificou a postura dos executivos americanos como “hipócrita e míope”, argumentando que excluir a China da inovação global em IA aumentaria os riscos de perda de controle sobre a própria tecnologia.
  • A rejeição à desaceleração não significa, no entanto, que o governo chinês ignore os riscos da IA. Chen Yixin, ministro da Segurança, afirmou que o país precisa acelerar a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à tecnologia. Ele também defendeu uma ampla cooperação internacional e classificou a IA como um novo campo de rivalidade estratégica.

O Conselho de Segurança da ONU adicionou uma reunião de alto nível sobre inteligência artificial à agenda de quarta-feira, um sinal da crescente preocupação e da necessidade de abordar o assunto.

Em nosso YouTube, produzimos um especial sobre essa batalha de narrativas. Você pode conferir aqui. Spoiler: as IAs não vão acabar com o mundo. O ser humano, por outro lado, não posso garantir.

O que a ONU pensa sobre as IAs?

Em 14 de setembro, o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, publicou uma carta aberta advertindo que a autorregulação voluntária é “extremamente insuficiente”. E que a corrida descontrolada por IAs autônomas gera riscos existenciais diretos aos direitos humanos.

No texto, Türk defende que nenhum país pode governar essa tecnologia sozinho e que nenhuma empresa tem o direito de decidir isoladamente os riscos que a sociedade deve aceitar. 

Quem também falou foi o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que alertou: riscos associados ao rápido avanço das IAs não podem ser ignorados.

“Para a ONU, a melhor maneira de lidar com os riscos globais da IA ​​é reunir os países para adotar princípios e compromissos compartilhados sobre a governança da IA” – diz um comunicado das Nações Unidas.

A ONU trabalha para criar um fórum onde os países possam desenvolver um entendimento comum sobre as tecnologias de IA e discutir como podem cooperar e regular questões como segurança, direitos humanos e disparidades de acesso.

Comparando o desenvolvimento da IA ​​à corrida armamentista da Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética, Guterres apelou à cooperação entre os países na vanguarda da IA ​​– incluindo os EUA e a China – para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia ​​enquanto os riscos continuam a ser avaliados:

“Os países que têm maior capacidade nas fronteiras da IA ​​– penso que deveriam estabelecer mecanismos de contato, trocar informações e criar algumas diretrizes comuns para evitar uma corrida desenfreada que um dia poderá levar a um desastre gigantesco a nível global”.

O segundo mandato de cinco anos do secretário-geral António Guterres termina em 31 de dezembro – e a sucessão continua uma incógnita.

Líderes mundiais na ONU

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na tribuna da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede das Nações Unidas.

Ou seja, teremos Lula e Trump na sequência.

O presidente da China, Xi Jinping, deve enviar um representante em seu lugar. Contudo, ele participará na quarta-feira de um jantar com Donald Trump em Washington.

Entre os convidados estão alguns dos nomes mais conhecidos do setor de tecnologia, como Jeff Bezos, Elon Musk e Sam Altman. Jensen Huang, CEO da Nvidia; Sundar Pichai, CEO do Google; Michael Dell; e Jane Fraser, CEO do Citigroup, também foram chamados. Tim Cook, que deixou o cargo de CEO da Apple, também garantiu um lugar no jantar.

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Resumo do OD: IApocalipse? IPO da OpenAI adiado? Entenda!

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital

A OpenAI não vai estrear na Bolsa de Valores em 2026. A confirmação veio do próprio presidente da empresa, Sam Altman, em entrevista à revista Fortune. O motivo principal para segurar a oferta pública de ações (IPO) é a preocupação com a segurança e com os riscos das tecnologias de inteligência artificial.

Para Altman, este não é o momento adequado para levar a empresa ao mercado financeiro. O executivo destacou a responsabilidade que as empresas do setor e os governos têm nas mãos, afirmando que riscos à humanidade não podem ser ignorados em troca de lucro ou por vaidade corporativa. Segundo ele, o foco atual da OpenAI precisa ser o alinhamento de segurança e a cooperação com órgãos governamentais.

A decisão acontece em um período de pressão crescente nos Estados Unidos. Tanto políticos democratas quanto republicanos vêm cobrando regras mais rígidas para o setor de IA.

O alerta aumentou após pesquisadores relatarem casos de sistemas autônomos que saíram do controle e invadiram outros sistemas, além de demissões de especialistas que deixaram empresas da área por receio quanto aos rumos da tecnologia.

Alertas recentes sobre potenciais cenários de risco extremo colocaram o ritmo de desenvolvimento em debate. Dario Amodei, presidente da concorrente Anthropic, defendeu publicamente a redução da velocidade na evolução dos modelos mais avançados.

Amodei recebeu apoio público de dois de seus concorrentes diretos: Elon Musk e Altman concordaram com a declaração. O CEO da OpenAI ainda revelou que as principais empresas do setor estudam criar um acordo conjunto para desacelerar o avanço das ferramentas e focar na mitigação de falhas.

Apesar das discussões sobre desaceleração no setor, o caminho das concorrentes é diferente: a Anthropic mantém seus planos de abrir capital no mercado financeiro ainda no final deste ano.

EUA e China

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparou os críticos da IA a “forças muito negativas”. O republicano disse que estão projetando cenários que não vão acontecer. O político também falou que quer garantir que o país continue líder do setor.

“Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo […] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer”.

Trump conversou com jornalistas em seu campo de golfe na Irlanda.

O jornal estatal Global Times, da China, fez um editorial criticando o ensaio de Dario Amodei. A publicação classifica o texto como uma “estratégia da Guerra Fria”.

O executivo da Anthropic argumentou que os EUA precisavam fortalecer os controles de exportação de chips da China e reprimirem a suposta extração de modelos por laboratórios chineses de IA. Amodei afirmou à CBS News neste domingo que o “dilema mais difícil” em sua proposta de desacelerar o avanço da IA ​​seria se a China e outros países adversários optassem por não fazer o mesmo.

O Global Times criticou Amodei. O editorial diz que a verdadeira intenção do ensaio era “tentar frear o desenvolvimento da IA ​​na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governança da IA”.

“Essa ‘Guerra Fria silenciosa da IA’ é hipócrita e míope”, afirmou, acrescentando que excluir a China da inovação global em IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controle no desenvolvimento global da IA”.

O Ministério das Relações Exteriores da China se manifestou. A pasta disse que todas as partes devem “promover uma abordagem aberta, inclusiva e benevolente em relação à IA”.

Questionado sobre os apelos dos líderes tecnológicos dos EUA para desacelerar o desenvolvimento da IA, o porta-voz Guo Jiakun afirmou: “Fomentar diversas ameaças, envolver-se em confrontos e competição maliciosa só irá perturbar o processo de governança global da inteligência artificial e não é do interesse de nenhuma das partes”.

Fontes afirmaram à Reuters que os EUA e a China planejam discutir os riscos de segurança da inteligência artificial de ponta neste mês. O assunto pode, inclusive, ser abordado durante a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping no próximo dia 24.

IA: perigo ou marketing?

A inteligência artificial teria mais de 10% de chance de “matar todos os humanos” até o fim da década, segundo Evan Hubinger, líder de teste de alinhamento da Anthropic. A fala surgiu poucas horas depois de Jacob Coxon, pesquisador da empresa, anunciar sua saída e criticar a corrida dos laboratórios por sistemas cada vez mais avançados.

Em uma publicação no X, Coxon afirmou que a Anthropic e a OpenAI não estão agindo de maneira responsável diante dos riscos envolvidos no avanço da inteligência artificial.

“Eles estão correndo diretamente rumo à superinteligência que se aprimora sozinha e apostando nossas vidas”, escreveu.

“Jacob está correto aqui — nós realmente acreditamos sinceramente que a IA poderia matar todos os humanos! Eu pessoalmente acho que é superior a 10% na próxima década” – disse Evan Hubinger.

Mas, calma…

Como alguém chega nesse número? É o questionamento feito por Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. Igreja avalia que, sim, a tecnologia tem riscos. Mas, no fim das contas, a IA é feita por pessoas.

“É uma tecnologia que pode intervir nela mesma. A IA é desenvolvida pelos humanos, mas com o aumento de sua capacidade, começa a desenvolver os próximos modelos ou fazer ajustes. Preocupa porque você tem uma intervenção humana menor ao longo do tempo.

Eu tendo a ter mais medo das pessoas. Quem desenvolve as IAs são pessoas. Se ela começar a ter determinados comportamentos, em determinada medida, é fruto de decisões tomadas no desenvolvimento. Se isso não for paralisado, também é decisão de uma pessoa. Eu acho complicada a narrativa de que a IA se rebelou, fez escolhas. Ela foi projetada por pessoas.

Eu fico incomodado com a falta de método e evidência. Como ele calculou 10%? Por que não é 15%? Por que não é 7%? Mostra pra gente como calcula isso. Qual é a premissa? Acho que se colocarmos numa tabela de riscos, eu tenho mais medo até o final da década de pessoas tomarem decisões erradas. Do final da Segunda Guerra Mundial para cá, sempre estivemos muito mais perto de alguém apertar um botão e começar um ataque nuclear do que uma IA sair do controle.

Não estou dizendo que o risco não existe. Mas me incomoda quando tem um indivíduo afirmando que é 10% até 2030. E não sabemos como ele chegou nesse número. Temos que analisar números, evidências, método.

Software avançado se tornou um novo tipo de arma, um novo tipo de ferramenta. Tem potencial de danos, mas tem potencial de cura. Para variar, não podemos demonizar a ferramenta ou a tecnologia, temos que direcionar o bom uso”.

A entrevista completa de Arthur Igreja ao OD está aqui.

John Park, especialista em inteligência artificial e Founding Member of Technical Staff da AGI Inc, vai na mesma linha. Ele reconhece riscos, mas chama a atenção para um contexto mais amplo:

“Considere a narrativa criada quando uma empresa enfatiza que seus modelos não são apenas poderosos, mas poderosos o suficiente para transformar a sociedade e, ao mesmo tempo, gerar riscos sem precedentes.

A primeira mensagem é que a tecnologia é extraordinariamente capaz. A segunda é que seu impacto potencial pode ser extraordinariamente grande.

E a terceira, que pode surgir naturalmente na cabeça dos investidores, é que a empresa responsável por desenvolver essa tecnologia pode capturar um valor econômico extraordinário.

Não estou afirmando que isso seja necessariamente uma estratégia deliberada para inflar avaliações. Estou dizendo que essas ideias se reforçam mutuamente

Sou favorável a requisitos de segurança para sistemas de IA de alto risco. Se determinados modelos podem causar danos em escala significativa, é razoável exigir avaliações de segurança, transparência e mecanismos de controle.

O problema começa quando as regras passam a refletir as estruturas, os recursos financeiros e a infraestrutura das maiores empresas do setor.

Uma regulamentação que exige equipes enormes, processos complexos, auditorias caras ou níveis de computação que apenas as maiores empresas conseguem sustentar pode, na prática, criar barreiras à entrada — mesmo que essa não tenha sido sua intenção original.

Se os padrões globais de segurança forem definidos principalmente pelas maiores empresas americanas de IA, empresas brasileiras poderão ter de arcar com custos regulatórios e técnicos desenhados para organizações que possuem recursos muito maiores.

O resultado poderia ser paradoxal: uma regulamentação criada para tornar a IA mais segura acabar dificultando o surgimento de novos competidores e aumentando a dependência de empresas estrangeiras.

Precisamos de avaliações verificáveis, critérios transparentes e mecanismos de fiscalização capazes de distinguir entre riscos reais e afirmações sobre riscos.

Também precisamos evitar um cenário em que as maiores empresas de IA sejam simultaneamente desenvolvedoras da tecnologia, definidoras dos padrões de segurança e principais beneficiárias econômicas desses mesmos padrões.

É possível levar a sério os alertas de segurança feitos por pesquisadores e empresas de IA sem aceitar automaticamente todas as implicações econômicas ou regulatórias dessas narrativas”.

O artigo completo que Park escreveu a convite do OD está aqui.

E você? Qual seu maior receio sobre o avanço das IAs? Mercado de trabalho? Cibersegurança? IAs escapando do controle?

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