IA no Irã: tecnologia permite ataques ‘mais rápidos que o pensamento’, diz jornal

O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) em ataques contra o Irã marca o início de uma era de bombardeios executados numa velocidade “superior ao pensamento humano”, segundo o jornal The Guardian. Para você ter ideia, as forças armadas dos EUA e de Israel lançaram quase 900 ataques em apenas 12 horas. Um dos resultados dessa saraivada foi a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Especialistas consultados pelo jornal chamam esse fenômeno de “compressão de decisão“. Isso porque a IA diminui drasticamente o tempo entre encontrar um alvo e autorizar o disparo. O receio de acadêmicos é que militares e advogados passem apenas a carimbar decisões automatizadas, perdendo o controle real sobre operações de guerra.

IA acelera o ritmo da guerra – e isso preocupa especialistas

Por um tempo, o exército dos Estados Unidos usou o Claude, modelo de IA da Anthropic, integrado a um sistema da empresa Palantir para agilizar a análise de informações. A tecnologia processa rapidamente grandes volumes de dados, como vídeos de drones e conversas interceptadas, para sugerir alvos. Com isso, a fase de planejamento, que levava semanas, passou a tomar bem menos tempo.

O exército dos Estados Unidos usou o Claude, IA da Anthropic, integrado a outro sistema para agilizar a análise de informações para atacar Irã (Imagem: gguy/Shutterstock)

O software da Palantir usa aprendizado de máquina para indicar as melhores armas, levando em conta o estoque e o sucesso em ataques anteriores. Além disso, o sistema utiliza raciocínio automatizado para conferir se o ataque possui justificativa legal antes de sugerir o bombardeio. Essa velocidade permite destruir a liderança e a capacidade de resposta do inimigo de forma quase simultânea.

Enquanto os americanos avançam, o programa de IA do Irã é considerado pequeno e prejudicado por sanções internacionais. Apesar dessa limitação tecnológica, o governo iraniano afirmou em 2025 que já utiliza sistemas de IA na mira de seus mísseis balísticos. O cenário atual reforça o domínio tecnológico de superpotências do setor, como os EUA e a China.

Professores de ética alertam que a dependência excessiva dessas ferramentas pode causar o “descarregamento cognitivo” nos militares. Isso acontece quando os humanos se desligam das consequências dos ataques, já que o esforço de pensar foi feito por uma máquina. Além disso, com janelas de tempo tão curtas, a capacidade de avaliar criticamente as opções sugeridas pela IA acaba reduzida, evidentemente.

Num episódio recente, um ataque atingiu uma escola no sul do Irã e matou 165 pessoas. E muitas delas eram crianças. A ONU classificou o ocorrido como uma grave violação das leis humanitárias, enquanto militares dos EUA investigam o caso. Apesar desses riscos, empresas como a OpenAI continuam a fechar acordos milionários para fornecer tecnologia ao Pentágono.

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